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Número atual: Abril 2001 - Volume 8  - Número 1

ARTIGO DE REVISÃO

1 - Fatores ambientais que influenciam a plasticidade do SNC

Claudia Eunice Neves de Oliveira; Maria Elisabete Salina; Nelson Francisco Annunciato

Acta Fisiátr.2001;8(1):6-13

O SNC possui uma rede neural complexa, com células altamente especializadas, que fazem milhares de conexões a todo momento e determinam a sensibilidade e as ações motoras, traduzindo-as em comportamento. Na presença de lesões, há um desarranjo nesta rede neural e o SNC inicia seus processos de reorganização e regeneração. A plasticidade neural refere-se à capacidade que o SN possui em alterar algumas das suas propriedades morfológicas e funcionais em resposta às alterações do ambiente. A análise dos aspectos plásticos do SNC permite-nos relacioná-los a vários fatores, como a influência do meio ambiente, o estado emocional, o nível cognitivo, entre outros, que interferem direta ou indiretamente na plasticidade do SNC e, conseqüentemente, na reabilitação do paciente neurológico. Assim, por meio da revisão da literatura, procuramos uma fundamentação teórica, a qual trará bases para a prática clínica, buscando uma nova visão sobre as perspectivas de reabilitação do paciente neurológico adulto.

Palavras-chave: Plasticidade neural. Lesão no SNC. Ambiente terapêutico. Reabilitação física. Adulto.

ARTIGO ORIGINAL

2 - Avaliação das funções corticais superiores em pessoas acometidas por lesão cerebral

Sandra Schewinsky de Lima; Harumi Nemoto Kaihami

Acta Fisiátr.2001;8(1):14-17

O artigo aborda a importância de se considerar as pessoas com acometimentos mórbidos cerebrais que podem apresentar hemiplegia como seqüela incapacitante, que pode afetar os atos motores voluntários no hemicorpo contralateral, problemas nas funções corticais superiores, distúrbios nas esferas emocional e comportamental. O paciente ao ser inserido no processo de reabilitação na Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo é avaliado na Assistência Psicológica, a fim de se averiguar a dinâmica afetivo-emocional, o desempenho intelecto-cognitivo, os déficits das funções neuropsicológicas e a dinâmica familiar.
O entrelaçamento dos dados permite traçar um perfil do paciente e possibilita delimitar a intervenção psicológica pertinente, bem como traduzir suas dificuldades e eficiências para a equipe e familiares.

Palavras-chave: Lesão cerebral. Hemiplegia. Funções corticais superiores. Família.

3 - Efeito do treinamento muscular realizado com pesos, variando a carga contínua e intermitente em jogadores de futebol

Paulo Roberto Santos Silva

Acta Fisiátr.2001;8(1):18-23

O objetivo deste estudo foi comparar o efeito do treinamento físico muscular com pesos, realizando exercícios de maneira contínua e intermitente. Foram estudados 20 jogadores de futebol, com idade variando entre 18 e 20 anos, categoria juniores, antes e após 12 semanas de treinamento. Todos foram submetidos a teste máximo por repetição do grupo muscular extensores dos joelhos, utilizando o exercício LegPress na posição horizontal em equipamento (modelo Cybex, EUA). Eles foram divididos em dois grupos: (I) contínuo e (II) intermitente. Os exercícios foram realizados duas vezes por semana, em dias alternados. Ambos os grupos treinaram somente nas formas contínua e intermitente até o final do estudo. Na forma contínua, os futebolistas realizaram 3 séries de 12 repetições a 70% e após recuperação de 2 minutos mais 3 séries de 25 repetições a 50%. Na forma intermitente, os futebolistas realizaram também, na mesma sessão, 3 séries de 12 repetições a 70% e 3 séries de 25 repetições a 50% de maneira alternada, ou seja, uma série a 70% e logo após outra a 50%, e assim sucessivamente. Em ambas as formas de trabalho, a recuperação entre as repetições variou de 30 a 60 segundos. Antes e após o período de treinamento, os seguintes resultados foram verificados: o grupo I atingiu valores de força nos extensores dos joelhos de 132,0 ± 4,0 kg vs. 145,0 ± 5,0 kg, ganho significante de 10% (p < 0,05); o grupo II atingiu valores de 131,0 ± 7,0 kg vs. 161,0 ± 9,0 kg, ganho significante de 23% (p < 0,05). Quando comparamos o delta diferencial entre as duas modalidades de trabalho, o treinamento intermitente foi 11% maior (p < 0,05). Concluindo, ambas as formas de treinamento aumentaram a força muscular. Contudo, a alternância de intensidade dos exercícios, realizada na mesma sessão pela forma intermitente, foi mais eficiente e parece se ajustar melhor às características de solicitação motora realizada pelos futebolistas durante uma partida de futebol.

Palavras-chave: Força muscular. Treinamento físico. Carga contínua e intermitente. Jogadores de futebol. Medicina esportiva.

4 - Padrões mínimos de conduta em medicina eletrodiagnóstica

Armando Pereira Carneiro

Acta Fisiátr.2001;8(1):24-33

As principais situações em que um exame eletroneuromiográfico e de potenciais evocados são necessários foram alinhadas com justificativas para sua realização. Limites mínimos foram definidos para a extensão do exame em miopatias, doenças da placa motora, dos nervos periféricos, das raízes e dos plexos, do SNC, dos neurônios motores, dos esfíncteres e da função sexual. Elaborados critérios para formação de pessoal especializado e exigências para os serviços de neurofisiologia, como relatórios, esterilizações e descarte de materiais, e atendimento às complicações. A SBMFR - cap. Neurofisiologia Clínica - emitirá selos de qualidade e certificados a seus membros e serviços que estejam cumprindo esses padrões mínimos de conduta em medicina eletrodiagnóstica.

Palavras-chave: Diretrizes. Critérios. Eletrodiagnóstico. Neuropatias. Miopatias. Laboratórios. Treinamento.

5 - Hemartroses recidivantes do tornozelo em hemofílicos - "Diagnóstico funcional pela podobarometria dinâmica computadorizada e uso profilático de órteses para os pés - Relato de um caso"

Linamara Rizzo Battistella; Claudete Lourenço; Donaldo Jorge Filho

Acta Fisiátr.2001;8(1):34-44

Devido ao grande número depacientes hemofílicos, com hemartroses de repetição no tornozelo, que se apresentavam freqüentemente para tratamento no Ambulatório de Reabilitação de Hemofílicos da (DMR) - Divisão de Medicina de Reabilitação do (HCFMUSP) Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, os autores decidiram avaliá-los mediante um protocolo em que, além do exame físico de rotina e de algumas medidas radiológicas, se procedesse à podoscopia estática e à podobarometria dinâmica computadorizada. Os resultados obtidos serviram de base para a elaboração de palmilhas ortopédicas e/ou para a prescrição de órteses para a estabilização do tornozelo todas as vezes que uma instabilidade médio-lateral do tornozelo e/ou uma discrepância no comprimento dos membros inferiores eram observadas.
O uso continuado dessas órteses vem impedindo, nos últimos seis meses, a ocorrência de novos episódios de hemartrose no tornozelo dos pacientes avaliados. Essa constatação levou os autores a acreditar que os desvios articulares nas atividades repetitivas, como a marcha, é que predispõem à ocorrência das hemartroses. Desse modo, a estabilização das articulações, pelo uso das órteses para os pés, seria a melhor maneira de evitar as hemartroses de repetição nos tornozelos.
Os bons resultados obtidos até agora, nos pacientes avaliados e reavaliados após seis meses, animaram os autores a desenvolver duas diferentes linhas de pesquisa: para hemofílicos com tornozelos instáveis e para hemofílicos com joelhos instáveis.

Palavras-chave: Hemofilia. Hemartroses de repetição nos tornozelos. Profilaxia das hemartroses com órteses para os pés.

6 - Reprodutibilidade da versão brasileira da Medida de Independência Funcional

Marcelo Riberto; Margarida H. Miyazaki; Donaldo Jorge Filho; Hatsue Sakamoto; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2001;8(1):45-52

A versão brasileira da Medida de Independência Funcional (MIF) foi desenvolvida por meio de um processo de tradução para o português do Brasil por equipe médica bilíngüe familiarizada com o instrumento e tradutor profissional, seguido de tradução reversa para o inglês por tradutor independente. Não foram identificados problemas de equivalência cultural quando a versão obtida foi apresentada a um conjunto de 25 profissionais de saúde treinados no seu uso. Oito centros de reabilitação participaram da captação de dados para a obtenção de medidas de reprodutibilidade. Todos os pacientes adultos com história de pelo menos 4 meses de acidente vascular cerebral, consultados no período entre dezembro de 1999 e janeiro de 2000, foram avaliados por dois avaliadores treinados na aplicação da MIF, de forma independente, e reavaliados por apenas um desses examinadores após uma semana (teste/reteste). Uma amostra de 164 pacientes foi examinada e os valores de kappa para concordância em cada um dos itens da MIF variaram entre dois observadores de 0,50 (alimentação) a 0,64 (controle da urina) e no teste/ reteste entre 0,61 (vestir abaixo da cintura) a 0,77 (transferência para o vaso sanitário). As subescalas da MIF apresentaram no teste/reteste boa correlação (Pearson: 0,91 - 0,98; ICC: 0,91 - 0,98); a reprodutibilidade interobservadores também foi boa (Pearson: 0,87 - 0,98; ICC: 0,87 - 0,98). Análise de variância mostra boa concordância entre as médias dos resultados de dois avaliadores na primeira avaliação e na medida após uma semana. Concluímos que a versão brasileira da MIF tem boa equivalência cultural e boa reprodutibilidade.

Palavras-chave: Medida de independência funcional; reprodutibilidade; equivalência cultural; avaliação funcional; tradução.

Número atual: Agosto 2001 - Volume 8  - Número 2

1 - Dispositivo para emulação de mouse dedicado a pacientes tetraplégicos ou portadores de doença degenerativa do sistema neuromuscular

André Frotta Müller; Milton Antônio Zaro MA; Danton Pereira da Silva Jr.; Paulo Roberto Stefani Sanches; Elton Luiz Ferlin; Paulo Ricardo Oppermann Thomé; Antônio Cardoso dos Santos; Maria da Graça Tarrago

Acta Fisiátr.2001;8(2):63-66

O trabalho descreve o desenvolvimento de um dispositivo que emula um mouse serial Microsoft®. Este dispositivo permite ao deficiente físico tetraplégico acessar os recursos de informática em ambiente Windows® 95/98 (ler e editar textos, navegar na Internet e utilizar o correio eletrônico) e auxilia o paciente de doenças degenerativas do sistema neuromuscular, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA), com disartria, a comunicar-se com as pessoas ao seu redor. O movimento do cursor na tela do computador é produzido a partir do movimento de flexão e extensão da cabeça do usuário, sendo utilizado para medir os ângulos de inclinação um sensor de aceleração estática e dinâmica de dois eixos. Para emular o botão do mouse, são captados os sinais EMG (eletromiográficos) produzidos a partir do movimento voluntário dos músculos mímicos da região frontal do usuário. O processamento digital é realizado por um microcontrolador de oito bits e os dados são transmitidos para um computador padrão IBM-PC através da interface RS232C.

Palavras-chave: Quadriplegia. Esclerose lateral amiotrófica. Interface usuário-computador. Disartria.

2 - O significado do discurso de risco na área de reabilitação

Vera Lúcia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr.2001;8(2):67-70

A autora busca neste artigo analisar o discurso e as intervenções governamentais na atenção à pessoa portadora de deficiência. Nesse sentido discute-se o conceito de "risco" no contexto de saúde pública e o seu significado em reabilitação.

Palavras-chave: Risco. Reabilitação. Discurso político. Deficiente.

3 - Avaliação de parâmetros clínicos de pacientes com fibromialgia após 5 anos de evolução.

José Eduardo Martinez; Fellipe Mendes de Oliveira Xavier; Mariana Zacharias André; Marcelo Viceconte Ramalho

Acta Fisiátr.2001;8(2):71-74

INTRODUÇÃO: Fibromialgia é uma síndrome clínica de causa desconhecida caracterizada por dor difusa e presença de pontos dolorosos musculares à dígito-pressão. Em 1995, foi publicado, por nosso grupo de pesquisa, um estudo clínico mostrando que a fibromialgia causa impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes. Em alguns aspectos, esse impacto é semelhante em intensidade àquele causado pela artrite reumatóide. O objetivo deste estudo é avaliar os mesmos parâmetros utilizados, após 5 anos de evolução.
MÉTODOS: Realizou-se entrevista telefônica que incluía questões sobre a evolução da sintomatologia, escalas analógicas numéricas para dor, fadiga, depressão e ansiedade (0 - 10) e a escala de incapacidade física Health Assessment Questionnaire (HAQ). As pontuações atuais foram comparadas com as do estudo de 1995 por meio do teste de Wilcoxon.
PACIENTES: Estudaram-se 18 mulheres que participaram do estudo de 1995. Todas as pacientes preenchiam os critérios para Classificação de Fibromialgia do American College of Rheumatology (Colégio Americano de Reumatologia) na época do estudo de 1995.
RESULTADOS: Dez pacientes referiram estar melhor; 3, pior; e 5 permaneceram inalteradas. Doze pacientes se mantêm em algum tipo de tratamento e 6 estão sem qualquer tipo de tratamento. As pontuações das escalas aplicadas em 1995 e agora são, respectivamente: Escala Numérica de Dor: 5,72 - 5,77; Escala Numérica Fadiga: 4,66 - 5,70; Escala Numérica de Depressão: 5,50 - 5,22; Escala Numérica de Ansiedade: 6,61 - 3,72; e HAQ: 0,75 - 1,08. A análise estatística mostrou diferença estatisticamente significativa apenas na escala de ansiedade.
CONCLUSÃO: Conclui-se que a fibromialgia tem uma evolução estável nos parâmetros clínicos e de capacidade física estudados neste trabalho. As pontuações de ansiedade melhoraram provavelmente por causa do melhor conhecimento da fibromialgia pelas pacientes.

Palavras-chave: Fibromialgia. Qualidade de vida. Evolução.

ARTIGO DE REVISÃO

4 - Dores na coluna em profissionais de enfermagem

Lucinéa de Pinho; Maralu Gonzaga de Freitas Araújo; Soraya Rocha Goes; Rosana Ferreira Sampaio

Acta Fisiátr.2001;8(2):75-81

O objetivo desta revisão bibliográfica foi conhecer a organização e o processo de trabalho do pessoal de enfermagem, identificando os principais fatores de risco associados às dores na coluna desses profissionais, além de analisar as propostas de prevenção descritas pelos autores estudados.
Para tanto, foram pesquisadas principalmente publicações de autores brasileiros, considerando a realidade da enfermagem em nosso País.
A caracterização desses profissionais mostrou que a maioria é do sexo feminino, de nível socioeconômico baixo e que trabalha em dupla jornada.
Os fatores de risco associados às dores na coluna mais destacados foram divididos em ergonômicos e traumáticos, e os traumáticos se subdividiram em individuais e profissionais.
Com relação às medidas preventivas, constatou-se que a maioria dos autores prioriza a promoção de cursos de orientações posturais e ergonômicas, além de orientações referentes às atividades físicas.
Por último, é importante ressaltar que a organização e o processo de trabalho desses profissionais, assim como os fatores de risco associados à ocorrência de dores na coluna, foram mais exaustivamente estudados. Quanto às medidas preventivas, seria importante direcioná-las para as diferentes categorias profissionais e setores de trabalho. Considerando o número de casos de dores na coluna entre os profissionais de enfermagem, é importante que outros estudos se aprofundem na prevenção do problema, objetivando, assim, uma melhor qualidade de vida e de trabalho desses profissionais.

Palavras-chave: Dores na coluna. Enfermagem. Fator de risco. Prevenção.

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

5 - O fisiatra trata do quê?

Marcelo Saad

Acta Fisiátr.2001;8(2):82-83

A Fisiatria é talvez a especialidade médica que mais traga para o centro da atenção a integração biopsicossocial do ser humano. Além de se preocupar com a doença, preocupa-se também com o modo como esta doença impede o indivíduo de ser uma pessoa completa. Talvez a Fisiatria tenha sido uma revolução entre as especialidades médicas. Ela trouxe um conceito tão inovador que, mesmo passadas tantas décadas, ainda tentam delimitar exatamente qual o campo de atuação da Fisiatria. Ela talvez dê oportunidade de se exercer a medicina de uma forma mais espiritualizada. O problema do esclarecimento da população e da classe médica sobre a Fisiatria exige nosso empenho paciente e desprovido de irritação diante da desinformação.

Palavras-chave: Fisiatria. Reabilitação. Especialidades médicas.

Número atual: Dezembro 2001 - Volume 8  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - A avaliação do uso da toxina botulínica A e da cinesioterapia na melhora da marcha do portador de paralisia cerebral do tipo hemiparétic

Tereza Cristina Carbonari de Faria; Danilo Masiero; Maria Matilde de Melo Spósito; Marcelo Saad

Acta Fisiátr.2001;8(3):101-106

Foram estudados 14 pacientes com paralisia cerebral do tipo hemiparético, eqüinismo dinâmico e idade entre 3 e 9 anos, com média de 5,93 anos. Os pacientes foram distribuídos em dois grupos: Grupo I - 7 crianças que foram tratadas com toxina botulínica tipo A (TBA) nos músculos gastrocnêmios e solear e tratamento cinesioterápico; Grupo II - 7 crianças que receberam apenas tratamento cinesioterápico. Avaliaram-se: a amplitude de movimento do tornozelo, o tônus muscular, a ação do músculo tibial anterior, a velocidade, a cadência da marcha, além da análise observacional da marcha e grau de satisfação dos pais. A análise estatística dos resultados mostrou, com significância, que no Grupo I houve melhora de todas as medidas avaliadas num intervalo mais curto de tempo. No Grupo II não houve melhora de todas as medidas avaliadas e o ganho em algumas medidas ocorreu num tempo mais longo.

Palavras-chave: Paralisia cerebral. Fisioterapia. Toxina botulínica tipo A. Marcha.

2 - Espiritualidade baseada em evidências

Marcelo Saad; Danilo Masiero; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2001;8(3):107-112

Espiritualidade pode ser definida como um sistema de crenças que enfoca elementos intangíveis, que transmite vitalidade e significado a eventos da vida. Tal crença pode mobilizar energias e iniciativas extremamente positivas, com potencial ilimitado para melhorar a qualidade de vida da pessoa. As implicações da espiritualidade na saúde vêm sendo estudadas cientificamente e documentadas em centenas de artigos. Há relação entre envolvimento espiritualista e vários aspectos da saúde mental, sendo que pessoas vivenciam melhor saúde mental e se adaptam com mais sucesso ao estresse se são religiosas. Pessoas religiosas são fisicamente mais saudáveis, têm estilos de vida mais salutares e requerem menos assistência de saúde. Existe uma associação entre espiritualidade e saúde que provavelmente é válida, e possivelmente causal. É plenamente reconhecido que a saúde de indivíduos é determinada pela interação de fatores físicos, mentais, sociais e espirituais. Os profissionais da saúde já contam com indicações científicas do benefício da exploração da espiritualidade na programação terapêutica de virtualmente qualquer doença. O presente artigo cita os trabalhos mais relevantes sobre o assunto.

Palavras-chave: Religião e ciência. Espiritualismo. Reabilitação. Saúde.

3 - Geometria do fêmur proximal em ossos de brasileiros

Ana Lúcia Mourão; Henrique A. Vasconcellos

Acta Fisiátr.2001;8(3):113-119

OBJETIVO: Fornecer dados sobre a morfometria do fêmur proximal adulto para que se estabeleçam parâmetros e correlações entre as diversas medidas dessa porção do osso de brasileiros.
MATERIAL E MÉTODO: Realizamos a avaliação da geometria da extremidade proximal de 183 fêmures secos de adultos brasileiros, de ambos os sexos, sem idade cronológica determinada. A morfometria constou da obtenção das medidas: comprimento do colo do fêmur (CCF); largura do colo do fêmur (LCF); comprimento do eixo femoral (CEF); ângulo colodiafisário (ACD). Foi realizada também a densitometria óssea (DEXA) de 18 fêmures. A análise estatística constou do cálculo da média aritmética (X); desvio-padrão (SD) e mediana (Me), sendo testadas essas variáveis quanto ao lado através dos testes t de Student e Não- Paramétrico de Mann Whitney. Realizamos a correlação e a regressão linear simples entre as variáveis que apresentavam associação com o CEF. Resultado: Correlacionamos as medidas morfométricas com a densidade mineral óssea (DMO) e as densidades entre si. Encontramos os seguintes valores médios para os lados direito e esquerdo: CCF = 24,9 ± 4,5 mm e 24,3 ± 4,2 mm; LCF = 26,7 ± 3,1 mm e 26,3 ± 3,3 mm; CEF = 92,1 ± 6,9 mm e 92,0 ± 7,1 mm; ACD = 111,2° ± 5,9 e 114,2° ± 5,5. A correlação entre CEF x ACD não foi significante. As correlações entre morfometria e DMO foram menos significativas que as correlações das densidades entre si.
CONCLUSÃO: Podemos acreditar que a associação entre o CEF e as outras medidas pode ter valor preditivo no risco de fratura. Considerando a importância desse fator, procedemos a este estudo para podermos fornecer dados da geometria femoral de ossos de brasileiros, bem como possibilitar aplicação desses dados na prática clínica.

Palavras-chave: Fraturas do fêmur. Geometria. Eixo femoral. Fatores de risco.

4 - Avaliação podobarométrica nas amputações do médio e antepé

Therezinha Rosane Chamlian; Caio Nery; Cibele Réssio; Danilo Masiero

Acta Fisiátr.2001;8(3):120-129

Os autores estudaram a marcha de 14 pacientes com amputações unilaterais parciais do pé, Chopart e transmetatarsiana, através do podobarômetro F-Scan®, para determinar a duração do passo, a distribuição do pico de pressão máxima, o impulso vertical, a velocidade e a trajetória do baricentro (COP), nas situações: sem calçado, com palmilha plana e com prótese de Chopart. A análise dos resultados demonstrou que o tempo total do passo do lado amputado, nos dois grupos, é menor do que o dos pés não-amputados, nas três situações. A utilização de palmilhas não produz alterações e o uso de próteses aumenta significantemente o tempo de duração do passo, em ambos os pés. Os picos de pressão máxima nos pés amputados são superiores aos dos pés não-amputados, nos dois grupos de pacientes, nas três situações estudadas. O uso de palmilhas e próteses reduz significantemente os níveis de pressão máxima, em ambos os pés, sendo a intensidade dessa redução proporcional à rigidez imposta pelo equipamento utilizado. A localização dos picos de pressão máxima pode ser modificada na dependência do tipo de órtese ou prótese utilizada, em ambos os pés. O impulso vertical do solo é menor no lado amputado nos dois grupos; no entanto, é constantemente maior na amputação do tipo Chopart que na transmetatarsiana. A velocidade de deslocamento do baricentro no retropé dos pacientes amputados, nos dois grupos, é menor do que a observada nos pés não-amputados, e não varia com a utilização das órteses e próteses estudadas.Os pés não-amputados dos pacientes dos dois grupos apresentam alterações funcionais importantes manifestadas por desvios das velocidades do baricentro no retro, médio e antepé.

Palavras-chave: Amputação. Pé. Marcha. Pressão. Aparelhos ortopédicos.

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