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Número atual: Abril 2000 - Volume 7  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Encontro marcado: o adolescente deficiente físico e as relações humanas*

Maria Cristina Vitti Vieira; Vera Lúcia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr.2000;7(1):9-12

Trata-se de uma exposição acerca da intervenção psicoterápica realizada com um grupo de dez adolescentes portadores de deficiência física de uma instituição de reabilitação. Foram enfocadas questões referentes à sexualidade e à deficiência. Nesse processo, foi demonstrado que, por trás das dúvidas, das dificuldades e dos conflitos, existia uma inquietação permanente por parte dos adolescentes e dos pais. Com respeito ao medo de não serem "encontrados" e amados pelo outro, percebeu-se que, subjacente a esse receio, havia também preconceitos, valores morais e padrões de beleza física advindos dos filhos e dos pais que poderiam dificultar as relações mais próximas. No decorrer dos atendimentos, foi se desenhando uma silhueta baseada no respeito e na ética que permitiu algumas reflexões sobre as relações humanas e o desenvolvimento pessoal de cada membro do grupo.

Palavras-chave:

2 - Tratamento conservador da síndrome do impacto subacromial: estudo em 21 pacientes*

Marcos Giordano; Vincenzo Giordano; Lúcia Helena B. Giordano; José Noberto Giordano

Acta Fisiátr.2000;7(1):13-19

A síndrome do impacto subacromial é um distúrbio cada vez mais observado na prática clínica. Dentre as modalidades de tratamento, o fisioterápico é dos mais recomendados. Dessa forma, objetivou-se avaliar a eficácia do tratamento conservador fisioterápico da síndrome do impacto subacromial utilizando-se protocolo adotado na Clínica de Ortopedia e Fisiatria Dr. Giordano Ltda. Foram estudados, prospectivamente, 21 pacientes (28 ombros com diagnóstico de síndrome do impacto subacromial), 16 mulheres (76,2%) e 5 homens (23,8%) com idade média de 58,9 anos (variando de 42 a 79 anos). O lado esquerdo esteve envolvido isoladamente em 9 pacientes (42,9%) e o direito em 5 (23,8%). Em 7 pacientes (33,3%), o acometimento foi bilateral. O tratamento foi indicado imediatamente após o diagnóstico ser firmado e consistiu inicialmente (fase aguda) de diatermia com ondas curtas (20 minutos), irradiação com laser de baixa energia (gálio-arsênico) (5 minutos), estimulação elétrica transcutânea (20 minutos) e cinesioterapia (exercícios de Codman), com sessões realizadas três vezes por semana. Passada a fase aguda, foram acrescentados exercícios visando ao ganho de amplitude de movimentos e ao fortalecimento muscular.
Os resultados foram avaliados segundo os critérios adotados pela Sociedade Americana de Cirurgiões do Ombro e do Cotovelo e dos 28 ombros envolvidos. Em 7 (25%), os resultados foram considerados excelentes; em 17 (60,7%), bons; em 3 (10,7%), regulares; e em 1 (3,6%), ruim.
Concluiu-se que o protocolo utilizado é eficiente e pode ser adotado para o tratamento da síndrome do impacto subacromial.

Palavras-chave: Síndrome do impacto subacromial. Tratamento fisioterápico.

3 - Em busca de evidência para a prática médica diária

Andréa D. Furlan

Acta Fisiátr.2000;7(1):20-28

O médico não tem tempo para estudar e manter-se atualizado na medida que seria necessário. No entanto, a medicina tem evoluído com uma velocidade espantosa e práticas atuais são substituídas por novas muito mais rapidamente nos últimos anos. O que fazer diante de problemas clínicos e questionamentos sobre eficácias de tratamentos? O médico tem várias opções, e uma delas é procurar as respostas em revisões da literatura. Entretanto, nem todas as revisões da literatura são bem feitas ou têm resultados confiáveis. A maioria representa a opinião pessoal dos autores e não há uma metodologia para a sua realização. Ultimamente, têm sido publicadas revisões sistemáticas da literatura, em que os autores delimitam uma questão específica para, então, buscar todos os estudos que respondam a essa pergunta. Uma revisão sistemática da literatura deve conter: objetivos, métodos, análise de qualidade de cada estudo incluído, resultados, conclusões e discussão. O médico precisa ter acesso a esses tipos de revisão e aprender a avaliar a sua qualidade. Um dos critérios recomendados é o que foi desenvolvido por Oxman e Guyatt. A Cochrane Collaboration tem desenvolvido métodos e técnicas para a realização de revisões com o mínimo de erros e opiniões pessoais, sendo, portanto, uma das maiores fontes de revisões da literatura de boa qualidade atualmente.

Palavras-chave: Revisões sistemáticas. Cochrane Collaboration. Medicina baseada em evidências.

4 - Estudo ergométrico evolutivo de portadoras de fibromialgia primária em programa de treinamento cardiovascular supervisionado

Lívia Maria dos Santos Sabbag; Maristela Palácios Dourado; Paulo Yasbek Júnior; Neil F. Novo; Helena Hideko Seguchi Kaziyama; Margarida Harumi Miyazaki; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2000;7(1):29-34

Fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada1,2,3,4,5. Na última década, o exercício físico tornou-se promissor como opção terapêutica da síndrome6,7,8,9,10,11,12,13,14.
OBJETIVO: avaliação ergométrica prospectiva de portadoras de fibromialgia primária (FP) em programa de treinamento cardiovascular supervisionado (TCS).
Treze mulheres, média de idade de 48,9 anos, portadoras de FP, submeteram-se a teste ergométrico (TE) em esteira rolante, protocolo de Ellestad, no tempo zero, 3º e 6º meses de TCS. Os critérios de interrupção do TE foram cansaço e dor. Para o TCS, foi estabelecida uma faixa de 60% a 70% da freqüência cardíaca (FC) máxima, calculada pelo método de Karvonen. A assiduidade foi superior a 80% de 72 sessões, 3 vezes por semana, com duração de 60 minutos. Realizada a avaliação subjetiva da dor muscular e analisadas as variáveis do TE. Análise estatística: variância dos postos de Friedman e teste de comparações múltiplas15.
RESULTADOS: no 3º mês, houve aumento significativo da resposta cronotrópica. No 3º e 6º meses, foram significativos: aumento do tempo de exercício, capacidade funcional, trabalho total e diminuição da FC carga máxima comum. Não houve diferença significante da ΔPAS, duplo produto (DP), DP carga máxima comum e %FC máxima. Comparadas com o final do TE do tempo zero, a maior porcentagem de pacientes atingiu cargas mais elevadas e a mesma intensidade de dor no 3º e 6º meses de TCS.
CONCLUSÃO: a partir do 3º mês de TCS, as portadoras de FP apresentaram maior tolerância à dor muscular e ao esforço, melhora da capacidade funcional cardiovascular e muscular periférica.

Palavras-chave: Fibromialgia. Teste ergométrico. Exercício físico.

ARTIGO DE REVISÃO E AVALIAÇÃO

5 - Neuropatia diabética: fisiopatologia, clínica e eletroneuromiografia

Rafael José Soares Dias; Armando Pereira Carneiro

Acta Fisiátr.2000;7(1):35-44

A neuropatia afeta a maioria dos diabéticos de longa evolução. Sua melhor compreensão é de fundamental importância na formação de um correto raciocínio clínico. As principais vias fisiopatológicas conhecidas, a apresentação clínica e os achados eletrofisiológicos são revisados por meio de pesquisa na MedLine e alguns dados pessoais são apresentados. O conhecimento da fisiopatologia, da clínica e da eletrofisiologia são essenciais para uma abordagem crítica e racional dessa heterogênea e complexa patologia.

Palavras-chave: Neuropatia diabética. Fisiopatologia. Eletrofisiologia.

Número atual: Agosto 2000 - Volume 7  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Técnicas de relaxamento no contexto da psicoterapia de pacientes com queixas de dor crônica e fibromialgia - uma proposta

The Relaxation Technics in Psycotherapy for Patients with Cronic Pain: A Proposal of Treatment

Luiz Paulo Marques de Souza; Maria Cristina Rizzi Forgione; Vera Lúcia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr.2000;7(2):56-60

O presente artigo consiste em uma revisão bibliográfica a respeito do fenômeno da dor realizada no Serviço de Psicologia da Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Os autores iniciam definindo o conceito de dor e suas diferenciações, abordando os aspectos psicológicos e sociais que desencadeiam ou acompanham os fenômenos álgicos. É também comentada a possível correlação entre o desenvolvimento das síndromes álgicas crônicas - como a fibromialgia - e as disfunções psicossomáticas. O artigo, da mesma forma, propõe que as técnicas de recondicionamento psicofísico, também chamadas de relaxamento, venham a ser empregadas no contexto psicoterápico de pacientes com queixas de dores crônicas. Por meio delas, procura-se o restabelecimento do tônus muscular dos indivíduos e promover uma melhora na qualidade de vida, uma vez que oferecem, por conseqüência, bem-estar físico e mental.

Palavras-chave: Dor crônica. Fibromialgia. Relaxamento. Psicoterapia.

2 - Avaliação cinética e cinemática da marcha de adultos do sexo masculino

Kinetic and kinematic evaluation of male adults gait

Tae Mo Chung

Acta Fisiátr.2000;7(2):61-67

A avaliação cinética e cinemática da marcha de 44 voluntários adultos do sexo masculino, com idades entre 18 e 40 anos, sem lesões no sistema musculoesquelético, foi realizada pelo sistema computadorizado tridimensional Motion Analysis. Foram selecionados os dados relativos a seis percursos de cada indivíduo, em que se podia observar cada pé efetuar isoladamente o apoio completo na plataforma de força com sincronia de movimento. O padrão de marcha desse grupo foi caraterizado por uma velocidade média de 116,46 cm/s ± 9,43 cm/s no membro inferior direito e 116,61 cm/s ± 9,81 cm/s no membro inferior esquerdo, diferenças que não foram estatisticamente significantes. Observou-se uma correlação direta existente entre o comprimento do passo e da passada com o comprimento dos membros inferiores, assim como entre a velocidade da caminhada e o comprimento da passada. Não houve diferença significante entre os dados cinéticos e cinemáticos obtidos e aqueles relatados na literatura, exceto quanto ao parâmetro velocidade de caminhada, que foi menor.

Palavras-chave: Analise de marcha. Cinética. Cinemática. Padrões normais.

3 - Níveis de lactato sanguíneo, em futebolistas profissionais, verificados após o primeiro e o segundo tempos em partidas de futebol

Lactate blood levels in professional socer players after end of the first and second half in soccer matches

Paulo Roberto Santos Silva; Luís Antonio Inarra; José Roberto Rivelino Vidal; Alexandre Augusto Ribeiro Barros Oberg; Alcides Fonseca Jr.; Carla Dal Maso Nunes Roxo; Gilberto Silva Machado; Alberto Azevedo Alves Teixeira

Acta Fisiátr.2000;7(2):68-74

O objetivo desse estudo foi verificar o envolvimento do metabolismo anaeróbio lático por meio de medidas de lactato sanguíneo em futebolistas profissionais imediatamente após o término do primeiro e do segundo tempos, em partidas de futebol. Foram avaliados 26 jogadores, todos do sexo masculino e pertencentes ao Departamento de Futebol Profissional da Associação Portuguesa de Desportos de São Paulo. O grupo foi composto por 4 laterais, 13 meio-campistas e 9 atacantes. A idade variou de 18 a 33 anos, o peso de 56,5 kg a 78,5 kg e a estatura de 164 cm a 185 cm. A escolha dos futebolistas durante os procedimentos foi aleatória. Foi utilizado um analisador de lactato portátil (modelo Accusport®, Boehringer Mannheim®, GER). Os seguintes resultados foram verificados: a média de lactato em todos os jogadores verificados ao final do primeiro e do segundo tempos das partidas analisadas foi de 7,1 mM ± 0,6 mM e 5,7 mM ± 1,3 mM (p < 0,05). Quando divididos por posição, os laterais apresentaram respectivamente: 6,9 mM ± 2,9 mM e 4,7 mM ± 3,0 mM; os meiocampistas: 6,4 mM ± 1,8 mM e 5,6 mM ± 1,2 mM e os atacantes: 7,7 mM ± 1,8 mM e 7,2 ± 2,1 mM. Quando comparamos a produção de lactato pelas posições, somente houve diferença estatística significante (p < 0,05) no segundo tempo entre os atacantes 7,2 mM ± 2,1 mM e os meio-campistas 5,6 mM ± 1,2 mM, respectivamente.
CONCLUSÃO: Fatores subjetivos como grau de movimentação, recuperação rápida e disposição constante na partida, relacionados a fatores primários como atividade glicolítica reduzida e a diminuição da concentração de glicogênio muscular, motivados por pouco treinamento anaeróbio lático específico e/ou uma dieta deficiente, são evidências que podem explicar, em parte, porque o lactato sanguíneo no segundo tempo tem sido freqüentemente mais baixo quando comparado ao término do primeiro tempo em uma partida de futebol.

Palavras-chave: Jogadores de futebol. Lactato sanguíneo. Partidas de futebol. Primeiro e segundo tempos. Medicina esportiva.

RELATO DE CASO

4 - Bloqueio do nervo obturador como proposta terapêutica analgésica para osteoartrose de coxofemoral - técnica simplificada

Obturator nerve blockage as an analgesic proposal for hip osteoarthritis - a simplified technique

Milene Ferreira e Silva; Danilo Masiero; Therezinha Rosane Chamlian; Silvia Wasserstein

Acta Fisiátr.2000;7(2):75-77

Apresentar uma nova abordagem terapêutica na dor por osteoartrose de quadril por meio de uma técnica simplificada de bloqueio do nervo obturador; com a vantagem de ser mais fácil, rápida e com menor risco que a técnica descrita em literatura. Será enfatizada também a necessidade de um tratamento global, nos casos de dor crônica. Sendo aqui relatado o caso clínico da primeira paciente a ser submetida a esse procedimento a qual apresentou grande melhora do quadro álgico (com base na escala visual analógica) e funcional (segundo relatos da paciente).

Palavras-chave: Osteoartrose. Quadril. Bloqueio nervoso. Dor. Nervo obturador.

ESTUDO PRELIMINAR

5 - Avaliação da dor no ombro em paciente com acidente vascular cerebral

Shoulder pain evaluation in stroke patients

Cláudia de Oliveira e Silva; Marcelo Riberto; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2000;7(2):78-83

O objetivo desse estudo preliminar é avaliar as causas de dor no ombro de pacientes hemiplégicos, bem como verificar a ocorrência e a evolução do tratamento da síndrome dolorosa miofascial (SDMF). Para isso, seis pacientes hemiplégicos (cinco espásticos grau II, segundo Ashworth e um flácido) com idade: 55, 85 +/- 1, 50 anos, tempo de AVC de 6, 85 +/- 2, 54 meses, e queixas de dor no ombro paralisado há 13, 33 +/- 1, 69 semanas, foram submetidos a um protocolo de avaliação qualitativa (questionário de MacGuill simplificado e quantitativa por meio da escala visual analógica - EVA e dolorimetria de pressão), além da avaliação goniométrica ativa e passiva do ombro. Todos os pacientes apresentaram à palpação muscular, SDMF associada e foram infiltrados com lidocaína a 1% em pontos-gatilho (PGs) intramusculares. As queixas predominantes foram dor em queimor em quatro, peso em três e incaracterística em dois. Nenhum paciente referiu queixas de formigamento, choque, adormecimento e agulhadas. Quatro pacientes foram infiltrados em PGs na musculatura posterior do ombro, um em bíceps e outro em peitoral maior. Não houve melhora significativa na evolução dolorimétrica de pressão e na goniometria após a infiltração desses PGs (p > 0,05). Nesse estudo, diagnosticamos por meios clínicos e/ou radiológicos (RX e USG): um paciente com capsulite adesiva, um com tendinite bicipital e outro com tendinite no supra-espinhal. Não se diagnosticou subluxação na articulação glenoumeral, nem sinais clínicos de lesão nervosa periférica.

Palavras-chave: Dor. Ombro. Hemiplegia. Cintura escapular. Acidente vascular cerebral.

Número atual: Dezembro 2000 - Volume 7  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Perfil dos pacientes hemiplégicos atendidos no Lar Escola São Francisco - Centro de Reabilitação

Review of hemiplegic patient treatment at a rehabilitation centre

Auri de Abreu Bruno; Carolinne Atta Farias; Guilherme Tsutomu Iryia; Danilo Masiero

Acta Fisiátr.2000;7(3):92-94

Realizamos um estudo retrospectivo por meio do levantamento de 147 prontuários de pacientes hemiplégicos atendidos na Disciplina de Fisiatria do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina - Lar Escola São Francisco - Centro de Reabilitação. O período escolhido, janeiro de 1995 a dezembro de 1998, foi posterior à implantação dos grupos de hemiplegia, com o objetivo de conhecermos o perfil dos hemiplégicos atendidos na instituição, compararmos o tempo de permanência entre o atendimento individual e o em grupo, para auxiliar na otimização do tratamento. Os autores observaram predomínio da hemiplegia no sexo masculino e no hemicorpo direito. A maioria era constituída de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde, tendo freqüentado terapias 2 vezes por semana com duração de 1 hora, em grupo de 4 a 6 pacientes. A principal etiologia encontrada foi a lesão isquêmica. O tempo de permanência na instituição variou de 2 meses a 2 anos, com a média de permanência muito acima dos critérios de prognóstico descritos na literatura mundial, o que deveremos rever para os tratamentos futuros.

Palavras-chave: Hemiplegia. AVC. Reabilitação. Epidemiologia.

2 - Relação entre lordose lombar e desempenho da musculatura abdominal em alunos de fisioterapia

Roberta Ramos Pinto; Christiane de S. Guerino; Daniela Bittencourt Consolin; Ana Cláudia Violino da Cunha

Acta Fisiátr.2000;7(3):95-98

Sabendo-se que a metade do peso corporal está em equilíbrio estável sobre a coluna lombar, toda a musculatura estabilizadora desta região é importante, em especial os músculos abdominais. Esses músculos revestem as paredes laterais, anterior e posterior do abdome, agindo como uma espécie de cinta que contém as vísceras, auxiliam no equilíbrio e atuam diretamente na estática e na dinâmica da pelve, sendo muito importante para a postura do corpo. Não há comprovação científica de que a habilidade da musculatura abdominal esteja realmente relacionada com a postura ereta relaxada e conseqüentemente com a angulação lordótica lombar. Com o objetivo de relacionar a força abdominal e o ângulo da lordose lombar, foi utilizado como medida o ângulo da lordose lombar com o auxílio de radiografias da região lombar realizadas com o indivíduo em posição ortostática, e a performance abdominal com o auxílio de um esfigmomanômetro. Para esse estudo foram avaliados 50 alunos assintomáticos do curso de fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina, com idade média entre 22,08 anos; destes, 5 eram homens e 45, mulheres. Como resultado, não foi encontrada correlação significante entre os parâmetros analisados.

Palavras-chave: Hiperlordose lombar. Força abdominal. Alterações posturais. Coluna lombar.

3 - Reabilitação psicossocial da criança com traumatismo cranioencefálico: conseqüências na afetividade e no emocional

Vera Lúcia Rodrigues Alves; Harumi Nemoto Kaihami

Acta Fisiátr.2000;7(3):99-102

As autoras colocam em pauta a reabilitação psicossocial da criança com traumatismo cranioencefálico, em suas diferentes facetas, considerando-se os déficits físicos, cognitivos e os aspectos afetivos/emocionais. Destacam a posição que os pais ocupam no momento de crise e as conseqüências posteriores no âmbito emocional. Ressaltam a violência que ocorre com as crianças e com os pais, decorrentes de normas culturais e sociais. Concluem, enfatizando a responsabilidade partilhada entre pais, crianças e sociedade com respeito à questão da prevenção.

Palavras-chave: Criança. Traumatismo cranioencefálico. Psicologia. Reabilitação.

4 - Estudo da marcha em Idosos - resultados preliminares

Carmen Lúcia Natividade de Castro; Jucyleide Antonia de Castro Borba Santos; Paula S. Leifeld; Luciana V. Bizzo; Leonardo da Costa Silva; Tatiana F. Almeida; Anna Paula Chagas Bueno; Renata Duarte Teixeira

Acta Fisiátr.2000;7(3):103-107

Os objetivos deste estudo piloto foram avaliar parâmetros tempo-espaciais da marcha de idosos brasileiros e comparar o valor médio da velocidade confortável da marcha com um banco de dados estrangeiro (de Oberg) de parâmetros básicos da marcha.
METODOLOGIA: Foram estudados 15 voluntários saudáveis (8 homens, 7 mulheres) dos 60 aos 79 anos de idade. As medidas foram realizadas no playgroung dos prédios onde residiam. A velocidade da marcha foi medida para uma distância de 6 m; o comprimento do passo, a largura da passada e o ângulo dos pés foram medidos a partir de impressões plantares. A cadência foi calculada a partir da velocidade da marcha e do comprimento do passo.
RESULTADOS: O valor médio da velocidade confortável da marcha variou de 1,05 ± 0,14 m/s para mulheres da faixa etária de 60 anos a 1,10 ± 0,13 m/s para homens da faixa etária de 70 anos. Os valores médios do comprimento do passo, da largura da passada, do ângulo dos pés e da cadência foram respectivamente 52,1 ± 8,75 cm; 11,2 ± 3,49 cm; 119,4 ± 11,07 passos/min e 13,5 ± 8,53 graus para os homens e 46,6 ± 8,08 cm; 6,75 ± 7,07cm; 137,4 ± 22,64 passos/min e 7,5 ± 5,1 graus para as mulheres.
CONCLUSÃO: O menor valor da velocidade da marcha encontrado para os nossos idosos (apesar da casuística pequena), quando confrontado com os dados de Oberg, sugere a importância de estudos completos para suprir a falta de dados normativos de parâmetros da marcha para a população brasileira.

Palavras-chave: Marcha em idosos. Parâmetros básicos da marcha. Velocidade da marcha.

5 - Fortalecimento muscular e condicionamento físico em hemiplégicos

Muscle strengthening and physical conditioning in chronic stroke subjects

Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela; Edênia Santos Garcia Oliveira; Eneida Geralda Santos Santana; Gessione Patricia Resende

Acta Fisiátr.2000;7(3):108-118

Estudos da literatura demonstram um agravamento do déficit funcional do processo de envelhecimento pelas manifestações clínicas do Acidente vascular cerebral (AVC), como fraqueza muscular, descondicionamento e espasticidade. Pacientes hemiplégicos crônicos submetidos a treinamento de força muscular e condicionamento aeróbico apresentam melhora da velocidade da marcha, maior capacidade de geração de força, aumento do VO2 máximo, melhora da performance funcional e da qualidade de vida, sem, entretanto, alterar o tônus muscular.

Palavras-chave: AVC. Hemiplegia. Condicionamento físico. Fortalecimento muscular. Espasticidade.

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