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Número atual: Setembro 2018 - Volume 25 (Supl.1)

Anais do XXVI Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação

1 - Anais do XXVI Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação

Acta Fisiátr.2018;25 (Supl.1):S1-S33



Palavras-chave:

Número atual: Março 2018 - Volume 25  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Perfil epidemiológico dos pacientes com paralisia cerebral atendidos na AACD - São Paulo

Epidemiological profile of patients with cerebral palsy treated in the AACD-SP

Anny Michelly Paquier Binha; Simone Carazzato Maciel; Carla Cristine Andrade Bezerra

Acta Fisiátr.2018;25(1):1-6

Paralisia cerebral (PC) abrange um grupo de síndromes clínicas de causa multifatorial caracterizadas por déficit motor, algumas vezes com disfunção postural. Objetivos: Caracterizar a população dos novos pacientes da clínica de PC na instituição, de Janeiro-2012 a Dezembro-2014. Métodos: Estudo retrospectivo. Avaliados 743 prontuários eletrônicos de pacientes atendidos em consultas iniciais de PC, sendo elegíveis 614 casos. Resultados: Sexo: feminino = 47,4%, masculino = 52,6%. Idade em anos: 29,5% menores de 2; 34% de 2 a 4; 15,5% de 4 a 6; 16,3% de 6 a 12; 4,6% 12 a 18; 0,2% ≥ 18 anos. Ao nascimento 50,7% eram pré-termo e 45% termo. Peso: 9,1% classificados como extremo baixo peso, 16,8% muito baixo peso, 21,8% baixo peso, 43,6% peso adequado, 2,3% macrossômicos. Tipo de parto predominante: cesáreo (56,5%). Classificação clínica e topográfica dos pacientes: 13,4% Hemiparéticos espásticos, 33,9% Diparéticos espásticos, 12,2% Tetraparéticos espásticos, 0,5% Monoparéticos espásticos, 5,9% Discinéticos/atáxicos, 5,7% PC mista, 1% hipotônicos. Em 55,5% das famílias não recebiam auxílio doença. Sobre atendimentos especializados observou-se que para 97,7% dos pacientes tratava-se da primeira consulta com um médico Fisiatra. Conclusão: Maioria das gestantes realizaram pelo menos o número mínimo adequado de consultas de pré-natal. Parto cesariano predominou. Nascimentos pré-termo foi ligeiramente superior comparado com a termo. Tipo de PC predominou o tipo Diparético espástico, com GMFCS nas faixas de 1 a 5 equivalente. Mais da metade das famílias ainda sem acesso a benefício social.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Hemiplegia, Quadriplegia

2 - Frequencia e fatores determinantes da dor do membro fantasma em pacientes amputados assistidos por um centro de reabilitação situado no centro-oeste do Brasil

Frequency and determining factors of phantom limb pain in amputee patients assisted by a rehabilitation center in the Midwest region of Brazil

Tauana Lemos Coimbra; Rodrigo Parente Medeiros

Acta Fisiátr.2018;25(1):7-11

Objetivo: Este estudo descritivo, longitudinal e prospectivo busca avaliar a frequência de dor do membro fantasma (DMF) em pacientes amputados que são assistidos por um centro de reabilitação assim como verificar a influência do perfil biopsicossocial, uso de tecnologias assistivas, medicamentos e terapias no caráter da DMF. Método: Foram entrevistados 16 indivíduos em dois momentos com intervalo de seis meses no período de Julho/2016 à Agosto de 2017. Como instrumentos de avaliação foram utilizados: questionário semi-estruturado abordando perfil social e clínico, EVA, SF-36 e Questionário de McGill. Os dados foram analisados descritivamente e com os testes T e Pearson. Resultados: Dos participantes, 8 eram do sexo masculino (50%), com idade média de 55,5 anos (DP:15,7), sendo maior parte procedente de Goiânia (75%) e com amputação transfemural (68,7%) de etiologia traumática (56,2). A frequência de DMF foi de 68,5% na primeira entrevista e 50% na segunda. Entre as duas entrevistas, houve diminuição na intensidade da dor relatada pelos indivíduos assim como no índice da dor e número de descritores do McGill e também acréscimo nos domínios do SF36. Não foi observada correlação positiva entre o uso de próteses, medicamentos ou realização de terapias com o quadro álgico dos amputados. Conclusão: A amostra estudada apresentou alta prevalência de dor do membro fantasma. São necessários mais estudos sobre a DMF e seus determinantes a fim de evidenciar seu impacto na vida do amputado.

Palavras-chave: Amputação, Dor, Membro Fantasma, Qualidade de Vida

3 - Arte reabilitação em mulheres amputadas utilizando o mito de Pandora como recurso facilitador de autoestima e qualidade de vida

Art rehabilitation in amputee women with Pandora's myth as a self-esteem and quality of life facilitator resource

Flavia Rodrigues de Souza Scorachio; Teresa Kam Teng; Márcia Gallo De Conti; Tania Cristina Freire; Sheila Jean McNeill Ingham

Acta Fisiátr.2018;25(1):12-18

A amputação é um evento traumático que repercute intensamente na vida da pessão acometida. A dificuldade em lidar com a nova realidade pode contribuir negativamente para a autoestima e reabilitação do indivíduo, afetando a sua qualidade de vida. A Arteterapia por meio dos recursos expressivos pode ser um canal facilitador e promotor de aspectos resilientes para a superação do trauma. Objetivo: Averiguar a influência da Arteterapia na autoestima e qualidade de vida em mulheres amputadas. Grupo formado por 8 mulheres amputadas, entre 35 a 65 anos. Método: Divididos em 2 grupos (4 indivíduos no grupo de intervenção e 4 indivíduos no grupo controle). Instrumentos de avaliação: WHOQOL- Bref (World Health Organization Quality of Life), Escala de Autoestima Rosemberg (EAR), o Desenho da Figura Humana e Relatos das Participantes. As atividades foram desenvolvidas com base no mito de Pandora, em 11 oficinas arteterapêuticas com 1 hora de duração, uma vez por semana no setor de Arte-Reabilitação, AACD - Ibirapuera, São Paulo. Resultados: Estatisticamente não foram observadas diferenças significantes entre os momentos inicial e final para os domínios de Whoqol Bref e EAR, em ambos os grupos; porém, o grupo intervenção apresenta um movimento de melhora na autoestima, especialmente no quesito autodepreciação. Qualitativamente foram observadas através do discurso das participantes melhorias de autoestima e possibilidade de melhoria na qualidade de vida das participantes. Conclusão: A arteterapia, junto com a equipe interdisciplinar, pode contribuir positivamente para o processo de reabilitação em mulheres amputadas ajudando a promover a autoestima e qualidade de vida.

Palavras-chave: Amputação, Mulheres, Terapia pela Arte, Reabilitação, Qualidade de Vida

4 - Medo de quedas como fator comportamental determinante para redução da mobilidade funcional e risco de quedas na doença de Parkinson

Fear of falls as a determinant behavioral factor to reduce functional mobility in Parkinson's disease

Liliane Pereira da Silva; Carla Cabral dos Santos Accioly Lins; Letícia do Nascimento Silva; Kássia Maria Clemente da Silva; Douglas Monteiro; Tais Arcanjo Maropo da Silva; Maria das Graças Wanderley de Sales Coriolano; Otávio Gomes Lins

Acta Fisiátr.2018;25(1):19-21

Objetivo: Verificar a repercussão do medo de cair sobre a mobilidade funcional e risco de quedas de pessãos com Doença de Parkinson. Método: Trata-se de um estudo transversal onde foram incluídas pessãos de ambos os sexos, com diagnóstico clínico de DP idiopática nos estágios 1 a 3 da escala original de Hoehn e Yahr e cadastradas no Programa Pró-Parkinson do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco. Foram excluídos pacientes que apresentassem outras doenças neurológicas, doenças sistêmicas descompensadas, alterações musculoesqueléticas, rebaixamento do nível cognitivo avaliado por meio do Mini Exame do Estado Mental e com depressão de moderada a grave avaliada pelo inventário de depressão de Beck. Os instrumentos de desfecho utilizados foram o questionário de histórico de quedas e o Timed Up and Go. Para verificar a normalidade da amostra foi utilizado o teste Shapiro-Wilk e para verificar a diferença entre os grupos foi utilizado Teste T para amostras independentes, considerando P < 0.05. Resultados: Amostra foi composta por 18 pacientes, 11 pacientes (61%) relataram medo de cair com ou sem histórico de quedas no último ano. Aumento significativo no tempo para realização do TUG foi observado no grupo com medo de cair em relação ao grupo sem medo de cair (P = 0.012). Conclusão: O medo de cair é um fator comportamental que apresenta repercussões negativas na mobilidade funcional e risco de quedas do indivíduo com doença de Parkinson, sendo necessário considerar esse fator na elaboração dos protocolos de tratamento do paciente.

Palavras-chave: Doença de Parkinson, Acidentes por Quedas, Limitação da Mobilidade, Medo

5 - Mobilidade funcional, força, medo de cair, estilo e qualidade de vida em idosos praticantes de caminhada

Functional mobility, strength, fear of falling, lifestyle and quality of life in elderly practitioners of walking

Clévia da Silva; Natália Cristina de Oliveira; Fábio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2018;25(1):22-26

O processo de envelhecimento envolve modificações no desempenho locomotor que podem predispor os idosos a quedas e alterações na qualidade de vida. Objetivo: Comparar o medo de cair, mobilidade funcional, força de membros inferiores, estilo e qualidade de vida em idosos sedentários e praticantes caminhada. Método: Trata-se de estudo transversal observacional do qual participaram 51 idosos, 25 praticantes de caminhada (GCam) e 26 sedentários (GSed), submetidos à avaliação de mobilidade funcional (Timed Up and Go - TUG), da força de membros inferiores (teste senta-levanta), medo de cair (Escala Internacional de Eficácia de Quedas - FES-I), estilo de vida (questionário FANTASTICO) e Qualidade de vida (SF-36). Resultados: Não houve diferença entre os grupos em relação às médias de idade, distribuição de gênero e índice de massa corporal. Os participantes do GCam apresentaram mobilidade funcional significantemente melhor (9,45±2,68 vs. 14,97±6,55 segundos; p=0,001) que os do GSed, e menos medo de cair (23,16±5,33 vs. 29,04±10,22; p=0,01). O estilo de vida também foi superior entre os praticantes de caminhada (79,84±5,52 vs. 67,19±10,35; (p=0,0001). Em relação à qualidade de vida, o GCam apresentou escores maiores nos domínios capacidade funcional (p=0,013), limitações por aspecto físico (p=0,17) e limitações por aspectos emocionais (p=0,05). Já no domínio dor, o GCam apresentou pior resultado (p=0,05) em relação ao GSed. Conclusão: Idosos praticantes regulares de caminhada possuem melhor resultados em relação à mobilidade funcional, habilidade de levantar e sentar, menos medo de cair, melhor estilo de vida e alguns domínios da qualidade de vida do que idosos sedentários.

Palavras-chave: Idoso, Limitação da Mobilidade, Aptidao Física, Estilo de Vida, Qualidade de Vida

6 - O Short Physical Performance Battery é uma ferramenta discriminativa para identificar baixa qualidade de vida em mulheres na pós-menopausa sobreviventes do câncer ginecológico

The Short Physical Performance Battery is a discriminative tool for identifying low quality of life in gynecological postmenopausal cancer survivor

Paulo Ricardo Prado Nunes; Aletéia de Paula Souza; Fernanda Maria Martins; Anselmo Alves Oliveira; Rosekeila Simoes Nomelini; Márcia Antoniazi Michelin; Eddie Cândido Murta; Fábio Lera Orsatti

Acta Fisiátr.2018;25(1):27-30

Efeitos adversos do tratamento (modificações da massa corporal e reduções da capacidade muscular e mobilidade) podem modificar a qualidade de vida (QV) de sobreviventes de câncer. Semelhantemente, a menopausa e o envelhecimento podem promover alterações antropométricas e da função física. Portanto, torna-se necessário o levantamento de ferramentas para predizer, distintamente, a QV em mulheres na pós menopausa (PM) e em mulheres na pós menopausa sobreviventes de câncer ginecológico (PMSCG). Objetivo: Examinar a contribuição da força, mobilidade e do índice de massa corporal (IMC) sobre as alterações da QV em PM (n = 35; 62,1±8,2 anos) e PMSCG (n = 51; 60,8±11,4 anos). Métodos: Aplicou-se questionário de QV (SF-36), avaliação antropométrica (IMC), dinamometria de preensão manual (DPM) e short physical performance battery (SPPB). Resultados: Participantes apresentaram sobrepeso, baixo score em SF36 e DPM normal, sem diferenças entre os grupos. O score de SPPB foi maior em PM (p<0,001). Análise de regressão linear de QV, indicou IMC (beta = -0,27) e o SPPB (beta = 0,57), como os mais fortes preditores em PM e PMSCG, respectivamente. A área sob a curva para o score do SPPB foi 0,74 (95% CI: 0,57-0.87; P = 0,015) em PMSCG e 0,62 (95% CI: 0,47-0,75; P = 0,181) em PM. Conclusão: O presente estudo demonstrou que para PMSCG o principal preditor da QV foi a mobilidade (SPPB), enquanto o IMC foi o mais forte contribuidor em PM. Portanto, o SPPB é um teste específico para identificar reduções na QV pacientes sobreviventes de câncer ginecológico.

Palavras-chave: Envelhecimento, Limitação da Mobilidade, Indice de Massa Corporal, Dinamômetro de Força Muscular, Sobreviventes de Câncer

7 - Síndrome de Burnout em fisioterapeutas de um hospital público de alta complexidade da cidade do Recife, Pernambuco

Burnout syndrome in physiotherapists at a high complexity hospital in the city of Recife, State of Pernambuco - Brazil

Ericky Rafael Santos; Luana Valeriano Neri; Elaine Lima Silva Wanderley

Acta Fisiátr.2018;25(1):31-35

Por serem expostos às inadequadas condições de trabalho, os Fisioterapeutas podem desenvolver a síndrome de Burnout (SB), que é uma resposta ao estresse crônico associado ao ambiente ocupacional. Objetivo: Investigar a frequência da SB em Fisioterapeutas de um hospital público, verificando associações com variáveis demográficas e laborais. Métodos: Este estudo foi desenvolvido no Hospital da Restauração Governador Paulo Guerra, em 2015. Foram incluídos Fisioterapeutas atuantes no hospital e excluídos aqueles com história de depressão ou outros transtornos emocionais. O questionário autoaplicável Maslach Burnout Inventory foi utilizado para investigar a SB. Estatística descritiva foi utilizada para caracterizar a amostra e determinar a frequência da SB, a regressão multivariada foi utilizada para verificar relações entre a SB e as variáveis demográficas e laborais (p<0,05). Resultados: Participaram deste estudo 48 fisioterapeutas. A maioria atuava nas unidades de terapia intensiva (56,3% (N=27)). A presença da SB foi identificada em 54,2% (N=26) dos participantes. Foram observadas correlações entre o número de atendimentos diários e a exaustao emocional (r= 0,41) e com a realização pessãol (r= -0,30), e da idade com a despersonalização (r= -0,11). Conclusão: A SB foi verificada em mais da metade dos Fisioterapeutas. Correlações positivas foram observadas entre o número de atendimentos diários e a exaustao emocional e correlação negativa entre a idade com despersonalização e número de atendimentos diários com a realização pessãol.

Palavras-chave: Saúde do Trabalhador, Esgotamento Profissional, Fisioterapeutas

8 - Intra-hospital complications in acute traumatic spinal cord injury

Complicaçoes intra-hospitalares em pacientes com lesao medular traumática aguda

Victor Figueiredo Leite; Daniel Rubio de Souza; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2018;25(1):36-39

Há poucos dados sobre complicações hospitalares em pacientes com LMT aguda. Objetivo: Reportar as características de complicações em pacientes com LMT em um grande centro de trauma. Método: Estudo transversal com 434 pacientes com LMT aguda de 2004 a 2014. Os desfechos foram a frequência e característica das complicações, o tempo de internação (TDI), e fatores associados com seu aumento. Resultados: Incidência de complicações foi 82,2%, sendo as mais frequentes: infecção do trato urinário (ITU)=64,4%, úlcera de pressão (UP)= 50,6% e pneumonia= 23,7%. Pneumonia, intubação, e ser submetido a qualquer cirurgia para UP foram independentemente associados com aumento do TDI. Conclusão: ITUs e UP foram as complicações mais prevalentes, e devem ser melhor estudadas para melhor atenção a LMT. As investigações sobre as complicações na lesão medular traumática devem ser mandatórias nos centros e unidades dedicadas ao tratamento da Lesão Medular.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal/Complicações, Tempo de Internação, Brasil, Estudos Transversais

ARTIGO DE REVISÃO

9 - A prática da capoeira por pessoas com síndrome de Down: uma revisão da literatura

The practice of capoeira by people with Down syndrome: a literature review

Barbara Vilar Teixeira; Cristiane Gonçalves da Mota

Acta Fisiátr.2018;25(1):40-45

A Síndrome de Down (SD) é caracterizada pela presença de um cromossomo 21 extra, o que estabelece atraso no desenvolvimento psicomotor. A capoeira é uma prática corporal que tem como principal característica o controle do corpo, realizada por meio de atividades de coordenação motora, resistência aeróbia e muscular, ritmo e velocidade. Programas de atividade física como a capoeira, adaptada às pessãos com síndrome de Down, buscam auxiliar no desenvolvimento ou na melhora das capacidades físicas e habilidades motoras de seus praticantes. Objetivo: Encontrar estudos que propuseram a prática da capoeira por pessãos com SD, e verificar quais os resultados alcançados. Métodos: Foram realizadas pesquisas nas bases de dados Medline, SciELO, PUBMED, Lilacs, Bireme e Dedalus. Os descritores utilizados foram: síndrome de Down, deficiência intelectual, capoeira, atividade física, nos idiomas português e inglês, além de livros com publicações no período de 2007-2014. Resultados: Nove artigos incluídos nessa revisão da literatura. Conclusão: Verificou-se que as pessãos com síndrome de Down que praticavam capoeira obtiveram melhora no equilíbrio postural, coordenação motora e cognição e que também, essas pessãos tornaram-se mais independentes nas atividades cotidianas.

Palavras-chave: Síndrome de Down, Deficiência Intelectual, Terapia por Exercício

RELATO DE CASO

10 - Bilateral elastofibroma dorsi - rehabilitation of an uncommon tumor: case report

Elastofibroma dorsi bilateral - reabilitaçao num tumor incomum: relato de caso

Mariana Brochado Coelho Saavedra; André Maia Silva; Marco Paulo Rodrigues Pontinha

Acta Fisiátr.2018;25(1):46-48

Os elastofibromas são tumores raros benignos de tecidos moles, de crescimento lento, que se originam do tecido mesenquimatoso. Relatamos o caso de um paciente, do género masculino, 85 anos com diagnóstico de elastofibroma dorsi bilateral cujos sintomas apresentados eram dor crônica bilateral na coluna torácica e limitação da amplitude de movimento dos ombros. O tratamento proposto consistiu num programa de reabilitação no departamento de Medicina Física e de Reabilitação, focado principalmente no controlo da dor e na reeducação postural do ritmo escapuloumeral, com grandes melhorias, principalmente na extensão anterior e abdução do ombro e sem dor na reavaliação aos 6 meses após o tratamento. Pretendemos demonstrar o importante papel da Medicina Física e Reabilitação no manejo dos doentes acometidos por estes raros tumores.

Palavras-chave: Neoplasias/Reabilitação, Modalidades de Fisioterapia, Medicina Física e Reabilitação

Número atual: Junho 2018 - Volume 25  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Qualidade de vida em pacientes adultos com paralisia cerebral

Quality of life in adult patient with cerebral palsy

Ana Paula Oliveira Mendes; Anny Michelly Paquier Binha; Valéria Cassefo Silveira

Acta Fisiátr.2018;25(2):49-53

Paralisia cerebral (PC) é um grupo de desordens permanentes do desenvolvimento motor e postural que são atribuídas a distúrbios não progressivos que ocorreram no encéfalo em desenvolvimento. Diversos fatores podem interferir na qualidade de vida desses pacientes e com o aumento da longevidade é importante prevenir e intervir precocemente nos aspectos que comprometem a qualidade de vida. Objetivo: Verificar como os pacientes adultos com PC atendidos no ambulatório da AACD auto avaliam sua atual condição de saúde e correlacionar com alguns fatores que interferem na qualidade de vida dessa população. Método: Foi aplicado um questionário de triagem para avaliação de qualidade de vida dos pacientes via telefone (CDC HRQOL-4) e foi preenchido um protocolo de avaliação utilizando o prontuário. A coleta de dados foi realizada do dia 13 de março até 30 de junho de 2016. Realizada a análise estatística dos dados. Resultados: Foram atendidos 349 pacientes e 66 pacientes que obedeciam aos critérios de inclusão responderam ao questionário via telefone. A idade média geral foi de 26,5 anos. A divisão por sexo foi igual (50%); a idade máxima foi de 52 anos. Houve predomínio de pacientes com diparesia espástica para ambos os sexos (57,5% para mulheres e 54,5% para os homens). Entre as mulheres, 77,5% não estava praticando nenhuma atividade. No geral, 19,7% referiram alguma dor crônica e 31,8% tiveram queixa de alteração de humor nos últimos 30 dias. Na auto avaliação sobre a saúde em geral, 25,8% referiu estar excelente e apenas 10,6% regular. A maioria era solteiro(a), não tinha filhos e morava com a família (pais e irmãos). Conclusão: Os pacientes adultos com PC atendidos no ambulatório da AACD Ibirapuera são predominantemente adultos jovens, solteiros e que estão vivendo com seus familiares. Em geral, eles referem ter uma saúde muito boa ou excelente e menos de 20% convive com alguma dor crônica, mas esta não interfere nas atividades do cotidiano. Já em relação às alterações de humor, mais de um terço referiu ter estresse, tristeza ou ansiedade, mas também não tem forte influência na sua qualidade de vida.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Qualidade de Vida, Adulto

2 - Considerações sobre instituições de reabilitação para crianças e adolescentes com deficiência no município do Rio de Janeiro

Considerations about rehabilitation institutions for children and adolescents with disabilities in the city of Rio de Janeiro

Livia Rangel Lopes Borgneth; Alice Yuriko Shinohara Hassano; Luciane Gaspar Guedes; Márcia Gonçalves Ribeiro

Acta Fisiátr.2018;25(2):54-59

Discussão a partir de dados extraídos da pesquisa "Estudo da oferta e análise de programas de reabilitação para a população infanto-juvenil com deficiência no Município do Rio de Janeiro". Objetivo: Ampliar o conhecimento sobre as instituições que oferecem reabilitação para a população de crianças e adolescentes com deficiência. Método: Estudo descritivo tipo inquérito, por questionário, especificamente preparado para este fim. Resultados: A amostra composta por 7 (12,6%) instituições de ensino, 16 (29,6%) instituições pertencentes ao Sistema Único de Saúde (SUS) e 31 (57,41%) representam: 11 organizações não governamentais, 15 filantrópicas e 5 privadas conveniadas com o SUS e/ou Sistema único de Assistência Social (SUAS), mostrando que a maior parte dos atendimentos não ocorre na rede pública. Este dado sugere rotatividade de profissionais por falta de estabilidade e consequente descontinuidade de tratamento. Maioria das organizações, fora a rede pública, tem convênio com o SUAS, cuja missão é regular e organizar serviços, programas e benefícios socioassistenciais, o que pode levar ao não aproveitamento de avanços técnicos na área da saúde. Avaliações médicas especializadas e recursos como óculos, cadeira de rodas, andadores, mostraram não ser de fácil obtenção. Considerações sobre dificuldade para reabilitação são levantadas. Conclusão: O fato de que esta população quando reabilitada tem ampliada sua condição para participação ativa na sociedade, com consequente redução de custo e aumento do capital social é uma realidade. Ampliar conhecimentos sobre a gestão em reabilitação está se tornando cada vez mais premente, visto que avanços científicos e tecnológicos aliados a constantes conquistas sociais viabilizam, cada vez mais, inserção de pessoas que antes estariam restritas a uma vida de exclusão social.

Palavras-chave: Centros de Reabilitação, Serviços de Reabilitação, Pessoas com Deficiência, Criança

3 - Resultados de um programa de exercícios físicos para indivíduos com hemiplegia pós acidente vascular encefálico

Effects of a physical training program for individuals with hemiplegia after stroke

Leonardo Danelon Cruz; Cristiane Vieira Cardoso; Cristiane Gonçalves Mota; Pablo Magno Silveira; Katia Lina Miyahara; Tamira Terao; Lívia Maria dos Santos Sabbag

Acta Fisiátr.2018;25(2):60-62

Dentre as várias sequelas causadas pelo acidente vascular encefálico (AVE), destaca-se o comprometimento motor como a hemiplegia e a hemiparesia. A recuperação das sequelas neurológicas pode ocorrer de maneira espontânea, porém parte da recuperação depende de estímulo motor. Isto posto, o exercício físico é um método importante para a reabilitação e promoção da saúde em indivíduos que sofreram AVE. Objetivo: Verificar os resultados obtidos na força muscular global e em equilíbrio dinâmico, em indivíduos com hemiplegia pós AVE, que participaram de um programa de exercícios físicos. Métodos: Participaram do estudo 29 indivíduos, com média de idade de 57 anos. Foram analisados, retrospectivamente, dados dos prontuários de pacientes com diagnóstico de hemiplegia após AVE do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - IMREA HCFMUSP, unidade Lapa, que participaram de programa de exercícios no serviço de Condicionamento Físico da instituição no período de setembro de 2011 a julho de 2013. Resultados: Observou-se aumento significativo em força muscular (p<0,05) em todas as musculaturas envolvidas no teste de 10 RM. O maior ganho de força foi no grupo dos isquiotibiais (65,85%) e a musculatura com menor ganho de força foi tríceps braquial, com 31,34%. A média total de ganho de força foi de 45,20%. O tempo de realização dos testes Timed Up and Go (TUG) e Teste de Sentar e Levantar (TSL) foi menor ao término do programa, o que significa que os pacientes melhoraram a capacidade de realizar as mesmas funções avaliadas inicialmente. Conclusão: Este estudo mostrou que o treinamento resistido é muito importante para as pessoas com sequelas de hemiplegia pós AVE, por melhorar a capacidade funcional como o equilíbrio dinâmico, além de contribuir em suas atividades cotidianas com o aumento da força muscular global.

Palavras-chave: Hemiplegia, Exercício, Força Muscular, Equilíbrio Postural

4 - Qualidade de vida e avaliação antropométrica de professores de uma rede privada de ensino

Quality of life and anthropometric assessment of teachers working at a private school system

Marcia Maria Hernandes de Abreu de Oliveira Salgueiro; Bruna Andrade Freitas; Keliane Galdino Silva; Gislene Kauffman Furgêncio; Leslie Andrews Portes; Nyvian Alexandre Kutz

Acta Fisiátr.2018;25(2):63-68

Objetivo: Avaliar a associação entre a qualidade de vida (QV) e parâmetros antropométricos e de docência, de professores de uma rede privada de ensino de São Paulo. Métodos: Realizou-se estudo transversal descritivo com 107 professores, utilizando-se dois questionários autoaplicáveis, abordando aspectos sociodemográficos, variáveis da docência e de QV (World Health Organization Quality on Life Bref - WHOQOL-bref). Após o preenchimento, os sujeitos foram submetidos às medidas de peso, estatura, índice de massa corporal (IMC) e circunferência da cintura (CC). Resultados: ± 8,6 anos, 78,5% do sexo feminino, 78,5% casados, 74,8% pertencente à classe B. Todos os professores possuíam ensino superior completo, 64,5% até 10 anos de atuação, 88,8% trabalhavam mais de 20h/semana, 44,9% atuavam em dois turnos ou mais, 55,1% encontravam-se com excesso de peso, 71,1% em risco para doença metabólica e 84,1% consideravam sua QV boa ou muito boa. Nenhuma das variáveis antropométricas, de tempo de docência, de carga horária e da classe econômica, correlacionarem-se significantemente à QV. Correlações fracas, mas significantes, foram observadas entre o tempo de docência e IMC e CC (r = 0,26 e r = -0,22, p < 0,05). Contudo, verificou-se significante associação (p < 0,05) da QV (< 71 pontos: 35,6 ± 7,9 anos vs. ± 71 pontos: 40,0 ± 9,0 anos) com a idade, do IMC (< 25kg / m2: 59,0 ± 7,4 kg vs. ± 25 kg/m2: 80,3 ± 15,0 kg) com o peso e a circunferência da cintura (<25 kg / m2: 80,6 ± 6,9 cm vs. ± 25 kg / m2: 95,9 ± 10,5 cm). Conclusão: Embora a percepção da QV seja satisfatória, ela não se relacionou às variáveis antropométricas, sociodemográficas e de docência. Porém, o tempo de docência relacionou-se significantemente ao IMC e à CC.

Palavras-chave: Antropometria, Qualidade de Vida, Docentes

5 - Perfil da resiliência em indivíduos com amputação de membro inferior

Profile of resilience in individuals with lower limb amputation

Maressa Gonçalves da Paz; Juliana Caldas de Souza; Fernanda Miranda de Oliveira

Acta Fisiátr.2018;25(2):69-73

Objetivo: Identificar o perfil sociodemográfico dos amputados de membro inferior bem como, os níveis e os fatores da resiliência. Método: Trata-se de um estudo descritivo, quantitativo e transversal. Os dados foram coletados através de um questionário semiestruturado após aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa. O período de coleta foi entre Setembro a Novembro de 2017 no ambulatório do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação de Goiânia - Goiás. Os dados foram apresentados em frequências, média e desvio padrão. Resultados: Verificou-se que os indivíduos resilientes tinham amputação acima do joelho (44%), de etiologia traumática (30,1%), não receberam orientação após a amputação (41,5%) e utilizam as muletas como principal dispositivo auxiliar na locomoção (49%). Houve uma predominância da resiliência moderada 33 (62,2%) e de respostas do tipo concordo para os fatores I e III da escala de resiliência. Para o fator II houve semelhança nas respostas do tipo nem concordo e nem discordo e do tipo concordo. Discussão: Amputação acima do nível do joelho, etiologia traumática e ausência de orientação quanto aos cuidados com o coto foram predominantes nos indivíduos resilientes tais características estão associadas a um maior grau de incapacidade, cuidados inadequados com o coto, stress e depressão. Acredita-se que condições adversas pode influenciar positivamente a resiliência graças a capacidade de ajustamento e adaptação do indivíduo. Conclusão: A resiliência moderada evidencia que os amputados possuem estratégias de enfretamento positivas, porém e necessário realizar programas de treinamento a fim de promover melhor independência e determinação.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Reabilitação, Resiliência Psicológica

6 - Função respiratória em pacientes com estenose lombar: uma análise comparativa

Respiratory function in patients with lumbar stenosis: A comparative analysis

Cláudia Valéria de Melo Pereira Chaves; Vera Lúcia dos Santos Alves; Robert Meves; Maria Fernanda Silber Caffaro

Acta Fisiátr.2018;25(2):74-77

As doenças degenerativas da coluna vertebral são condições que envolvem a perda de estrutura e a função normal da coluna e podem levar à piora da capacidade funcional, a diminuição da tolerância ao exercício e a redução da qualidade de vida por claudicação neurogênica e dor lombar crônica. A escolha da artrodese ocorre devido a presença de lesão neurológica evolutiva ou dor intratável. Objetivo: Analisar e comparar valores espirométricos e força muscular respiratória em pacientes com estenose lombar. Método: Estudo transversal com 38 pacientes de ambos os sexos, dividido em um grupo de 19 pacientes operados e outro grupo de 19 pacientes que aguardavam cirurgia, com idade entre 50 e 80 anos, que foram avaliados por espirometria e manovacuometria. Resultados: Em nosso estudo, observou-se que a função pulmonar estavam dentro dos valores de referências, considerando que o grupo de pacientes operados apresentou melhor desempenho em espirometria e manovacuometria. Conclusão: Pacientes operados apresentaram melhora na função pulmonar em comparação com pacientes não operados.

Palavras-chave: Artrodese, Força Muscular, Espirometria

7 - Incapacidades físicas em pessoas que concluíram a poliquimioterapia para hanseníase em Vitória da Conquista, Bahia, Brasil

Physical disabilities after multidrug therapy for leprosy in Vitória da Conquista, Bahia State, Brazil

Martha Cerqueira Reis; Marcos Túlio Raposo; Carlos Henrique Morais de Alencar; Alberto Novaes Ramos Júnior; Jorg Heukelbach

Acta Fisiátr.2018;25(2):78-85

Objetivo: Estimar a prevalência de incapacidades físicas e fatores associados, em pessoas que concluíram a poliquimioterapia (PQT) para hanseníase. Métodos: Realizou-se estudo transversal (n=222) no município de Vitória da Conquista-Bahia-Brasil, incluindo casos de hanseníase notificados de 2001-2014. As incapacidades físicas foram avaliadas por meio de aplicação de instrumento e avaliação do grau de incapacidade (GI) e do escore olho-mão-pé (OMP). Resultados: A prevalência de incapacidades físicas foi de 64,8% (n=144), e de GI 2 foi de 17,1% (n=38). As incapacidades físicas associaram-se de forma significante com analfabetismo (RP = 1,27; IC 95% = 1,05-1,54), classificação operacional multibacilar (RP = 1,26; IC 95% = 1,01-1,57), ocorrência de episódios reacionais (RP =1,41; IC 95% = 1,14-1,74) e dor/espessamento neural (RP = 1,3; IC 95% = 1,02-1,64). Houve piora do GI em 34 (32,1%) dos casos, considerando o momento do diagnóstico à alta. Conclusões: As incapacidades físicas, inclusive as com deformidades, constituem um importante problema no contexto individual e coletivo dos casos que seguem no pós-alta da PQT. Ressalta-se a necessitando de maior monitoramento e cuidado longitudinal, no sentido de prevenir sequelas específicas da doença.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência, Doenças Negligenciadas, Hanseníase

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Análise dos parâmetros espaço-temporais da marcha em indivíduos com disfunção neurológica tratados com prática mental: uma revisão sistemática

Analysis of spatiotemporal gait parameters in individuals with neurological dysfunction treated with mental practice: a systematic review

Taís Arcanjo Maropo da Silva; Liliane Pereira da Silva; Patrícia Fernanda Faccio; Kássia Maria Clemente da Silva; Andryelle Rayane de Vasconcelos Arruda; Letícia do Nascimento Silva; Carla Cabral dos Santos Accioly Lins; Maria das Graças Wanderley de Sales Coriolano

Acta Fisiátr.2018;25(2):86-93

A habilidade da marcha após uma patologia neurológica muitas vezes é prejudicada e limitada a curtas distâncias, sendo o tempo de caminhada, o comprimento do passo e a cadência inferiores às pessoas sem patologias ou deficiências conhecidas. Atualmente a prática mental vem sendo combinada ao contexto clínico, na reabilitação de pacientes com sequelas neurológicas, principalmente pós-Acidente Vascular Cerebral. Objetivo: Analisar os efeitos da prática mental, associada ou não a outras estratégias de intervenção, nos parâmetros espaço-temporais da marcha de pessoas com doenças neurológicas. Métodos: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura sobre os parâmetros espaciais da marcha em pacientes com disfunção neurológica tratados com prática mental. As bases de dados pesquisadas foram Pubmed/Medline LILACS, Scopus, Web of Science e Cochrane. Resultados: A maioria dos estudos apresentou o Acidente Vascular cerebral como disfunção neurológica, seguidos de Doença de Parkinson, Lesão medular e Esclerose múltipla. Os estudos selecionados apresentaram protocolos de prática mental associado à fisioterapia combinado ou não com outras estratégias de tratamento no grupo experimental dentre elas estimulação magnética transcraniana e estimulação auditiva rítmica. Dentre os parâmetros espaço-temporais da marcha a velocidade foi o parâmetro mais avaliado e o comprimento da passada o menos avaliado. Conclusão: A prática mental apresentou efeitos positivos nos parâmetros tempo, velocidade e cadência da marcha de pacientes com AVC. Poucos estudos limitam a interpretação dos resultados para doença de Parkinson, Esclerose múltipla e Lesão medular.

Palavras-chave: Marcha, Manifestações Neurológicas, Fisioterapia

9 - Confiabilidade das mensurações de testes isocinéticos para articulação do tornozelo

Reliability of isokinetic test measurements of the ankle joint

Natália Mariana Silva Luna; Angélica Castilho Alonso; Daniele Eliezer; Marilia Simões Lopes Quintana; Gabriela Borin; Fernanda Botta Tarallo; Alexandra Carolina Canônica; Júlia Maria D'Andréa Greve

Acta Fisiátr.2018;25(2):94-101

O teste isocinético do tornozelo tem uma grande relevância, já que é possível estabelecer protocolos com velocidades e modos de contração semelhantes aos das atividades funcionais e esportivas. Desta forma, são necessários estudos que mostram a confiabilidade desta ferramenta para auxiliarem na prevenção de lesões do tornozelo. Objetivo: Elaborar uma revisão de literatura sobre estudos que abordaram a confiabilidade de testes isocinéticos da articulação do tornozelo. Métodos: A busca na literatura foi realizada nas bases de dados Pubmed, Lilacs, Pedro, Scielo, Scopus e Cochrane com os descritores científicos ankle e isokinetic e reliability. Foram identificados 34 artigos, 4 foram excluídos por não estudarem humanos e 27 foram incluídos (10 referentes à confiabilidade de testes isocinéticos para inversores e eversores do tornozelo e 17 referentes à confiabilidade de testes para flexores-plantares e dorsiflexores). Resultados: A confiabilidade da avaliação isocinética dos flexores-plantares e dorsiflexores tem sido descrita para diferentes dinamômetros, posições, modos e populações. Os valores de coeficientes de correlação intraclasse variam de 0,55-0,98; e a de eversores e inversores, variam de 0,54-0,99, classificados na faixa de satisfatório a excelente. Conclusão: Os protocolos isocinéticos da articulação do tornozelo devem ser elaborados de acordo com a musculatura recrutada e com a população (com presença ou não de patologia).

Palavras-chave: Tornozelo, Força Muscular, Reprodutibilidade dos Testes

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - Protocolo de assistência do serviço de condicionamento físico para indivíduos com doenças neuromusculares e musculoesqueléticas

Assistance protocol of physical fitness departments for individuals with neuromuscular and musculoskeletal diseases

Cristiane Vieira Cardoso; Cristiane Gonçalves Mota; Isabel Cristina da Silva Prado Sampaio; Livia Maria dos Santos Sabbag

Acta Fisiátr.2018;25(2):102-106

O condicionamento físico supervisionado por profissionais de Educação Física inserido em um programa de reabilitação para pacientes com distúrbios neuromusculares e musculoesqueléticos visa o aumento da força muscular, melhora da coordenação motora, equilíbrio dinâmico, capacidade aeróbia, capacidade funcional e da aptidão física voltada à saúde. Trata-se de importante intervenção para prevenir e atenuar a sinergia entre a perda de função física e a exacerbação de várias comorbidades que comprometem a independência funcional, modificar fatores de risco, aumentar a qualidade de vida e longevidade com redução da mortalidade. O objetivo desse artigo é apresentar o protocolo de assistência do Serviço de Condicionamento Físico do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMREA-HCFMUSP), elaborado para que a intervenção de exercícios físicos seja adequada, respeitando o perfil e limitações físicas desses pacientes, bem como na observação de seus marcadores clínicos.

Palavras-chave: Doenças Neuromusculares, Doenças Musculoesqueléticas, Aptidão Física, Exercício

Número atual: Setembro 2018 - Volume 25  - Número 3

Número atual: Dezembro 2018 - Volume 25  - Número 4

Número atual: Março 2017 - Volume 24  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Prevalência de dificuldade de locomoção em idosos institucionalizados

Prevalence of mobility impairment in institucionalized elderly

Franciane Giaquini; Ezequiel Vitório Lini; Marlene Doring

Acta Fisiátr.2017;24(1):1-6

Objetivo: Identificar a prevalência de dificuldade de locomoção em idosos institucionalizados e sua correlação com o perfil clínico-funcional, realizou-se um estudo transversal com 191 pessãos com idade ≥ 60 anos residentes em 13 instituições de longa permanência para idosos de Passo Fundo, no ano de 2014. Método: Utilizou-se um questionário estruturado, aplicado aos idosos ou aos responsáveis técnicos das instituições. Foram contempladas variáveis sociodemográficas, relacionadas à saúde e questoes específicas sobre dificuldades na deambulação. Considerou-se dificuldade de locomoção a necessidade de qualquer ajuda ou apoio para caminhar, seja bengala, andador ou mesmo restrição ao leito. Realizou-se análise descritiva e bivariada dos dados. Para verificar a associação entre as variáveis categóricas foram aplicados os testes qui-quadrado de Pearson e exato de Fisher a um nível de significância de 5%. Resultados: A prevalência de dificuldade de locomoção foi de 50,3%. Utilizavam cadeira de rodas 41,7%, acamados 24%, andador 16,7%, bengala 14,6% e muletas 3,1%. Dos idosos com dificuldade de locomoção, 89,6% eram dependentes para as atividades básicas de vida diária e 62,5% consideraram sua saúde como regular, ruim ou muito ruim. Conclusão: A alta prevalência de dificuldade de locomoção, inclusive com muitos idosos restritos ao leito, alerta para a necessidade de intervenções preventivas antes da institucionalização e a minimização das complicações que estas condições podem trazer.

Palavras-chave: Idoso, Locomoção, Marcha, Instituição de Longa Permanência para Idosos

2 - Avaliação da funcionalidade e qualidade de vida em pacientes críticos: série de casos

Evaluation of functionality and quality of life in critical patients: case series report

Jéssica Rosa Vargas Wiethan; Janice Cristina Soares; Juliana Alves Souza

Acta Fisiátr.2017;24(1):7-12

A hospitalização em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), geralmente resulta em declínio funcional e da qualidade de vida. Riscos de sequelas a longo prazo decorrem de fatores relacionados a doença, tratamento realizado e repouso no leito. Objetivo: Avaliar a funcionalidade e qualidade de vida de pacientes que realizaram fisioterapia durante a internação na UTI e correlacionar essas variáveis após 30 dias de alta. Métodos: Foi realizado um estudo descritivo, do tipo série de casos com 15 pacientes. Avaliou-se a funcionalidade pela Medida de Independência Funcional-MIF (antes da UTI, após alta e após 30 dias) e a qualidade de vida pelo questionário SF-36 (após 30 dias). Resultados: A média de idade da amostra foi de 43,20±16,92 anos, predominaram causas de internação neurológicas, o tempo de ventilação mecânica foi de 14(9-14) dias e de UTI 15,80±7,16 dias, todos pacientes apresentaram complicações durante a internação. A avaliação de funcionalidade mostrou que antes da UTI os indivíduos possuíam nível de independência completa a modificada (MIF=126), após a alta houve um declínio para dependência modificada (MIF=48) e após 30 dias houve melhora da funcionalidade, mas ainda compreendendo dependência modificada (MIF=92). Os domínios de funcionalidade autocuidado, mobilidade e locomoção tiveram maiores alterações após a UTI e uma melhora significativa aos 30 dias, controle de esfíncteres, comunicação e cognição social tiveram menores alterações após a UTI e nos 30 dias seguintes os valores se aproximaram aos prévios. A qualidade de vida foi afetada no decorrer de 30 dias, o que foi observado pelos baixos escores em todos os domínios, quando comparados ao valor total que poderia ser alcançado e os domínios mais comprometidos foram capacidade funcional, limitação por aspectos físicos, dor e aspectos sociais. Ao correlacionar os domínios da MIF e SF-36, destacaram-se principalmente as correlações positivas entre os domínios controle de esfíncteres, locomoção e mobilidade (funcionalidade) e capacidade funcional (qualidade de vida). Conclusão: A internação em UTI afetou negativamente a funcionalidade, principalmente na alta imediata. Após 30 dias, houve uma melhora, o que em partes, pode-se atribuir à fisioterapia, já que todos os pacientes receberam este tipo de tratamento durante a estadia na UTI e grande parte deles continuou a realizar após a alta. Entretanto, alguns déficits ainda permaneceram, comprometendo também, a qualidade de vida.

Palavras-chave: Unidades de Terapia Intensiva, Recuperação de Função Fisiológica, Modalidades de Fisioterapia, Qualidade de Vida

3 - Caracterização do paciente acometido por acidente vascular encefálico atendido no Centro de Reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos

Characterization of patients with stroke treated at Lucy Montoro Rehabilitation Center of Sao José dos Campos

Karina Costa Dias; Maria Angélica Nader Miranda Duarte; Nathália Borloni Silva; Maria Izabel Romão Lopes; Maria Angélica Ratier Jajah Nogueira

Acta Fisiátr.2017;24(1):13-16

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é o evento neurológico que mais acomete a sociedade nos últimos anos, gerando incapacidades na população e morte. Pode ser definido como um conjunto de afecções neurológicas de causa vascular com sintomatologia semelhante, mas com etiologias diferentes. Atualmente o Centro de Reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos é referência no tratamento de pacientes com lesões neurológicas do Vale do Paraíba. Objetivo: Realizar um levantamento epidemiológico do perfil dos pacientes acometidos pelo AVE na regiao e atendidos neste centro. Métodos: Foram analisados os prontuários dos pacientes recebidos neste centro entre setembro de 2011 e dezembro de 2014. Foram excluídos pacientes com hemiplegia causada por outras etiologias. Resultados: Dos 230 prontuários válidos para o estudo, 60% eram homens e o perfil sócio demográfico mostrou que destes, 76% tinham idade superior a 50 anos. Tratando-se do tipo de evento, o AVE isquêmico foi o mais prevalente em nossa amostra. Foi constatada equivalência de acometimento da amostra, hemicorpos direito e esquerdo acometidos igualmente, 46% e 8 % classificados em dupla hemiparesia, já o padrao motor predominante da amostra foi de paresia 87%. Conclusão: Foi verificado que a população atendida pelo Centro de Reabilitação Lucy Montoro de SJC é constituída por maioria de homens acima dos 50 anos de idade, acometidos pelo AVE isquêmico (direito ou esquerdo) e com padrao motor parético prevalente.

Palavras-chave: Centros de Reabilitação, Acidente Vascular Cerebral, Epidemiologia

4 - Fatores associados ao nível de atividade física de idosos usuários das academias da terceira idade

Factors associated with physical activity level of elderly users of the third age gyms

Daniel Vicentini de Oliveira; Maria do Carmo Correia de Lima; Luana Caroline Contessoto; Jean Carlos Cremonez; Mateus Dias Antunes; José Roberto Andrade do Nascimento Júnior

Acta Fisiátr.2017;24(1):17-21

Objetivo: Analisar os fatores associados ao nível de atividade física de idosos usuários das Academias da Terceira Idade (ATIs). Método: Participaram 115 idosos de ambos os sexos, com média de idade de 67,5 anos (±6,42), usuários das ATIs. Foi utilizado um questionário sócio demográfico e o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ). A análise dos resultados foi realizada mediante abordagem de estatística descritiva e inferencial por meio do teste Qui-quadrado de Pearson, com cálculo dos odds ratios brutos, análise de regressão logística binária, utilizando-se análise hierarquizada e um modelo final de regressão com cálculo dos odds ratios ajustado. Resultados: Foi encontrada associação significativa do nível de atividade física com o sexo (p=0,004), nível de escolaridade (p=0,048), percepção de saúde (p=0,046) e com a importância do exercício para a saúde (p<0,001). Ressalta-se que a mulheres apresentaram um fator de proteção de 0,262, ou seja, possuem 73,8% de chance a mais de serem ativas/muito ativas em comparação aos homens. Além disso, os idosos que possuem percepção de saúde boa/muito boa e que consideram o exercício como importante para a saúde apresentaram um fator de proteção de 0,276 e 0,097, respectivamente. Conclusão: Diante dos resultados obtidos, conclui-se o sexo feminino, a alta escolaridade, a percepção de boa saúde e o conhecimento da importância do exercício para a saúde estiveram associados ao nível ativo/muito ativo de atividades física nas ATIs.

Palavras-chave: Idoso, Atividade Motora, Promoção da Saúde, Academias de Ginástica

5 - Maior índice de massa corporal e menor circunferência da cintura estao associados com maior desempenho físico (SPPB) somente em idosas dinapênicas

Higher body mass index and lower waist circumference are associated to higher physical performance (SPPB) solely in dynapenic elderly women

Bruno Teodoro Biloria; Ana Alice Neves da Costa; Aletéia de Paula Souza; Fernanda Maria Martins; Anselmo Alves de Oliveira; Paulo Ricardo Prado Nunes; Darlene Mara dos Santos Tavares; Erick Prado de Oliveira; Fábio Lera Orsatti

Acta Fisiátr.2017;24(1):22-26

A limitação na capacidade física, definida como dificuldades em realizar tarefas físicas, é crítica para independência funcional de idosos. A capacidade física limitada é associada fortemente com o aumento de quedas, hospitalizações, doenças cardíacas e cerebrovasculares e mortalidade em idosos. O impacto do status da massa corporal e da baixa força muscular (dinapenia) sobre a capacidade física de idosos é bem documentado. Contudo, a interação desses fatores (força muscular e status da massa corporal) sobre a capacidade física de idosos ainda não é clara. Objetivo: Verificar o poder preditivo do índice de massa corpórea (IMC) associada com a circunferência da cintura (CC) na capacidade física de mulheres idosas com ou sem dinapenia (baixa força muscular). Método: Foram avaliadas 142 idosas atendidas na especialidade de Geriatria e Gerontologia. Foram realizadas as seguintes medidas: antropométricas (IMC e CC), força de preensão manual (FPM) e capacidade física (SPPB). As idosas foram classificadas em dinapênicas (FPM < 20 kg) ou não dinapênicas (FPM ≥ 20 kg). Resultados: A análise de regressão linear múltipla indicou que o IMC e a CC, analisados separadamente, não se associaram com SPPB em nenhum dos grupos. Porém, quando analisados concomitantemente, o IMC (associação positiva) e a CC (associação negativa) foram significantemente associados com SPPB somente no grupo dinapenia. Conclusão: Os principais achados deste estudo sugerem que a CC e IMC aplicados conjuntamente, mas não separados, são preditores da capacidade física em mulheres idosas com dinapenia. Esses resultados são importantes para a prática ambulatorial devido à fácil aplicabilidade e baixo custo das medidas.

Palavras-chave: Sarcopenia, Mulheres, Atividades Cotidianas, Força da Mao

6 - Grau de incapacidade física na população idosa afetada pela hanseníase no estado da Bahia, Brasil

Physical disability degree in the elderly population affected by leprosy in the state of Bahia, Brazil

Carlos Dornels Freire de Souza; Tania Rita Moreno de Oliveira Fernandes; Thais Silva Matos; José Maurício Ribeiro Filho; Grayce Kelly Alencar de Almeida; Jefferson César Bezerra Lima; Adriana Rodrigues Sousa Santos; Bruna Angela Antonelli; Denilson José de Oliveira

Acta Fisiátr.2017;24(1):27-32

Objetivo: Analisar o grau de incapacidade física na população idosa afetada pela hanseníase no estado da Bahia, entre 2001 e 2012. Métodos: Os dados referentes aos casos de hanseníase foram obtidos do Sistema Nacional de Agravos de Notificação. Variáveis analisadas: sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, classificação clínica e operacional, grau de incapacidade física no diagnóstico e na alta. Foram calculados indicadores epidemiológicos relacionados à incapacidade física. Resultados: A hanseníase apresenta elevada magnitude na população idosa, com coeficiente de detecção de casos novos superior ao da população geral, situando-se em nível hiperendêmico. Quanto ao perfil epidemiológico da hanseníase em idosos, destaca-se: homens, faixa etária 60 a 69 anos, raça branca, baixa escolaridade, forma clínica dimorfa e classificação operacional multibacilar. 36,25% dos casos diagnosticados apresentavam incapacidade física no momento do diagnóstico, com destaque para o gênero masculino. Conclusão: A elevada proporção de indivíduos com incapacidades físicas no momento do diagnóstico sugere diagnóstico tardio e prevalência oculta da doença, sobretudo em indivíduos do gênero masculino.

Palavras-chave: Hanseníase, Imunidade, Pessoas com Deficiência, Idoso

7 - Fisioterapia nos pacientes politraumatizados graves: modelo de assistência terapêutica

Physiotherapy in severe polytrauma patients: a therapeutic care model

Cauê Padovani; Janete Maria da Silva; Clarice Tanaka

Acta Fisiátr.2017;24(1):33-39

Objetivo: Conhecendo-se o alto grau de complexidade que o paciente politraumatizado representa à equipe multiprofissional na elaboração e execução do seu plano assistencial na unidade de terapia intensiva (UTI), aliado à carência de evidencias sobre o tema, o presente estudo sugere um modelo de assistência fisioterapêutica precoce aos pacientes críticos politraumatizados com base na experiência clínica dos últimos anos. Método: O modelo foi elaborado a partir das práticas verificadas nos registros de 6388 sessões de fisioterapia realizadas em 198 pacientes internados entre dezembro de 2009 e setembro de 2011 em UTI especializada em politrauma. As atividades/cuidados foram inseridas no modelo após aprovadas em discussão com a equipe multiprofissional. Todos os pacientes atendidos tinham idade igual ou maior que 18 anos e eram vítimas de trauma grave de acordo com o Injury Severity Score (ISS). Resultados: O modelo proposto foi estruturado de forma que as atividades/cuidados da assistência fisioterapêutica fossem organizadas de acordo com a regiao corpórea lesada do paciente (traumatismo cranioencefálico, fraturas de face, fraturas de coluna, trauma torácico, trauma abdominal, fratura de pelve e fraturas de extremidades). A rotina da unidade apregoava discussões diárias com a equipe médica para se conhecer as particularidades de cada caso clínico, estabelecer meta terapêutica e traçar o programa de reabilitação. Conclusão: O modelo proposto se tornou rotina e consolidou a atuação fisioterapêutica na respectiva unidade assistencial. A equipe de fisioterapia passou a atuar 24 horas por dia. O modelo possibilitou padronização da assistência fisioterapêutica e maior segurança para o paciente politraumatizado grave.

Palavras-chave: Centros de Traumatologia, Unidades de Terapia Intensiva, Ferimentos e Lesões, Modalidades de Fisioterapia, Terapia por Exercício, Reabilitação

8 - Hiperalgesia secundária na lombalgia crônica inespecífica

Secondary hyperalgesia in chronic nonspecific low back pain

Fabio Marcon Alfieri; Karoline Mayara de Aquiles Bernardo

Acta Fisiátr.2017;24(1):40-43

Objetivo: A hiperalgesia secundária pode estar presente na lombalgia crônica inespecífica. O estudo comparou o limiar de tolerância de dor à pressão (LTDP) nos músculos paravertebrais lombares e torácicos em indivíduos com lombalgia crônica inespecífica correlacionando-as com a incapacidade, mobilidade funcional, idade e índice de massa corporal. Método: Trata-se de um estudo transversal no qual participam indivíduos de ambos os sexos diagnosticados com lombalgia crônica não específica, com idade entre 18 a 65 anos, possuindo dor de intensidade moderada a grave e com o tempo de dor de > 12 semanas. Os voluntários foram avaliados em relação a intensidade da dor por meio da Escala Visual Analógica (EVA), incapacidade pelo questionário Roland Morris, mobilidade funcional pelo teste Timed Up and Go e limiar de tolerância de à dor à pressão (LTDP) pela algometria. Foram usados o teste t e feita Correlação de Pearson para análise dos dados que foi feita no programa Graph Pad Instat. Resultados: Participaram do estudo, 50 indivíduos (53,75±13,65 anos) e quando comparados os valores de LTDP entre a regiao torácica e lombar não foi verificada diferença significativa (p=0,19). Foi observada correlação moderada apenas entre o LTDP lombar e torácica (r=0,65). Outras correlações embora algumas significantes, todas foram fracas. Conclusão: Os dados deste estudo permitem concluir que provavelmente indivíduos com lombalgia crônica apresentam hiperalgesia secundária, pois os indivíduos apresentaram valores semelhantes entre o LTDP lombares e torácicas, além de apresentar correlação significante entre estas duas medidas.

Palavras-chave: Hiperalgesia, Dor Lombar, Medição da Dor

9 - Modelo de reabilitação hospitalar após acidente vascular cerebral em país em desenvolvimento

Intensive hospital rehabilitation model for patients with stroke in a developing country

Thais Raquel Martins Filippo; Fabio Marcon Alfieri; Christiane Riedi Daniel; Daniel Rubio de Souza; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2017;24(1):44-47

Os serviços de reabilitação intensiva para os sobreviventes de acidente vascular cerebral (AVC) com tratamento padronizado são desejáveis porque esses programas de reabilitação contribuem para a melhoria funcional em contextos com menos recursos. Objetivo: Verificar se o programa de reabilitação hospitalar contribui para a melhora da funcionalidade em indivíduos com sequela de AVC. Método: Trata-se de um estudo transversal retrospectivo dos primeiros (2009-2010) e últimos 100 (2014-2015) pacientes neurológicos consecutivos admitidos na Rede de Reabilitação Lucy Montoro (Unidade Morumbi). Para esta análise, os pacientes foram analisados no dia da admissão e no dia de alta, utilizando a Escala de Rankin modificada (mRS). Para a comparação dos resultados foi utilizado o teste t para amostras independentes. A análise intragrupal com base no mRS foi realizada com o teste não paramétrico de Wilcoxon. Por outro lado, a análise intergrupos utilizou o teste não paramétrico de MannWhitney. O nível de significância para todos os testes estatísticos foi p <0,05. Os resultados funcionais < 3 na alta foram considerados favoráveis. Resultados: As Pontuações de Rankin modificadas (mRS) foram avaliadas imediatamente antes do início das terapias e na alta dos pacientes. O escore mRS mediano na admissão foi de 4 e 3 no momento da alta (p=0,0001), após 4 a 6 semanas no programa de AVC para ambos os grupos. Conclusão: O modelo de admissão em um serviço de reabilitação hospitalar que inclui terapias multidisciplinares promove ganhos funcionais em indivíduos com sequelas de AVC e ressaltase que esses ganhos são obtidos em um curto espaço de tempo.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Serviços de Reabilitação, Pacientes Internados, Avaliação de Resultados (Cuidados de Saúde)

ARTIGO DE REVISÃO

10 - Eficácia de intervenções para a melhora da resistência muscular em idosos: revisão sistemática de literatura

Effectiveness of interventions in the improvement of muscle resistance in the elderly: a systematic review

Gesylâine Marques Luiz; Christina Danielli Coelho de Morais Faria

Acta Fisiátr.2017;24(1):48-55

O envelhecimento populacional mundial vem sendo muito discutido na última década. China, Japao e países da Europa e da América do Norte já convivem há muito tempo com um grande contingente de idosos e com todos os problemas associados a este processo de envelhecimento. Porém, a população idosa brasileira, mais especificamente a feminina, vem crescendo de forma acelerada: o processo de envelhecimento no Brasil está ocorrendo em um curto período de tempo. Com o envelhecimento, é comum a perda da massa muscular esquelética como um todo. O comprometimento da força muscular no indivíduo idoso é evidente, uma vez que a perda de fibras do tipo II é maior do que do tipo I. Entretanto, a perda de fibras musculares do tipo I também ocorre durante o envelhecimento e, portanto, características relacionadas a este tipo de fibra, como a resistência muscular, também devem ser consideradas pelos profissionais da área da saúde. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática da literatura para determinar a eficácia de programas de intervenção na melhora da resistência muscular em idosos. O objetivo secundário foi avaliar a eficácia destes programas na melhora de outros desfechos funcionais e de saúde nesta população. Método: Revisão sistemática de literatura elaborada conforme o protocolo Prisma (Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses), com buscas nas bases de dados MEDLINE, PEDro, LILACS e SCIELO, utilizando-se estratégia de busca específica envolvendo descritores relacionados a idoso e resistência muscular. Foram incluídos estudos publicados em português e inglês, do tipo quase-experimental (QE) ou ensaio clinico aleatorizado (ECA), que envolveram idosos e abordaram a musculatura esquelética de membros inferiores, superiores ou tronco, e que avaliaram a eficácia de intervenções para a melhora da resistência muscular. Resultados: Foi encontrado um total de 133 estudos com a busca eletrônica. Destes, apenas 13 atenderam aos critérios de inclusão, sendo 7 ECA e 6 QE. A média da pontuação obtida pelos ECA na escala PEDro foi de 5,57, enquanto a média obtida pelos QE na escala TREND foi de 18,57. Dentre os sete ECA, todos foram classificados como tendo adequada qualidade metodológica. Conclusão: Segundo os resultados da maioria dos estudos incluídos, os programas de intervenções elaborados seguindo as características específicas do conceito de resistência muscular são eficazes para melhora da resistência muscular e de outros desfechos de funcionalidade e de saúde de idosos saudáveis. São necessários mais estudos que investiguem a eficácia de intervenções direcionadas para a melhora da resistência muscular de idosos que apresentam alguma condição de saúde associada ou incapacidade específica.

Palavras-chave: Treinamento de Resistência, Fadiga Muscular, Idoso

Número atual: Junho 2017 - Volume 24  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Nível de atividade física de usuários da atenção primária: comparação entre indivíduos saudáveis e pós acidente vascular cerebral

Physical activity levels of a primary health care users: comparisons between healthy subjects and subjects with stroke

Tamires Fernanda Pedrosa Simoes; Ananda Jacqueline Ferreira; Júlia Caetano Martins; Christina Danielli Coelho de Morais Faria

Acta Fisiátr.2017;24(2):56-61

Indivíduos acometidos pelo Acidente Vascular Cerebral (AVC) comumente apresentam um baixo nível de atividade física (AF), o que é fator de risco para recorrência do AVC, surgimento de outras doenças cardiovasculares e aumento das incapacidades. A manutenção de um bom nível de AF associa-se a uma melhora funcional e da saúde desses indivíduos. Objetivo: Comparar o nível de AF de indivíduos saudáveis e indivíduos pós-AVC usuários da atenção primária do SUS. Método: Todos os indivíduos pós-AVC (G1; n=37) usuários de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade de Belo Horizonte, MG com condições clínicas para responder a um questionário, e indivíduos saudáveis pareados (G2; n=37), também usuários da UBS, foram avaliados quanto ao nível de AF pelo questionário Perfil de Atividade Humana (PAH). Estatísticas descritivas, teste-t de student, teste qui-quadrado e teste de Mann-Whitney foram utilizados para as análises (α=0,05). Resultados: Os grupos foram semelhantes quanto à idade, sexo e nível de exercício físico (p>0,05). Houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos para todas as variáveis do PAH (0,001≤p≤0,011). Conclusão: Indivíduos pós-AVC apresentaram piores pontuações ou classificações quando comparados a indivíduos saudáveis pareados para todos os desfechos do PAH relacionados ao nível de atividade física.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Modalidades de Fisioterapia, Atividades Humanas, Sistema Unico de Saúde

2 - Estresse infantil e a percepção do suporte familiar das crianças submetidas à cirurgia ortopédica

Childhood stress and the perception of family support of children undergoing orthopedic surgery

Gabriella Ribeiro Nakao; Paula Hiromi Ito; Rafael de Oliveira Pontes; Regina Célia Villa Costa

Acta Fisiátr.2017;24(2):62-66

Objetivo: Investigar a correlação existente entre o nível de estresse de crianças pós-operadas, de 11 a 14 anos de idade, em relação à qualidade da percepção destes pacientes sobre o suporte familiar recebido durante o processo de reabilitação física. Método: Trata-se de um estudo transversal, com análise qualitativa e quantitativa, desenvolvido em um centro de reabilitação, no município de São Paulo. Os instrumentos aplicados nos pacientes foram: Escala de Stress Infantil (ESI), Inventário de Percepção do Suporte Familiar (IPSF) e no respectivo cuidador, um questionário de caracterização dos participantes. Resultados: Os dados foram analisados estatisticamente e se observou significância estatística entre o fator Adaptação (IPSF) com a dimensão Reações psicológicas com componente depressivo (ESI). Houve associação significativa entre o escore total da ESI e do IPSF. Neste estudo, das crianças com sinais significativos de estresse, a maioria apresentou baixa/ médio-baixa percepção do suporte familiar. Discussão: A percepção do paciente sobre o meio pelo qual se relaciona é um importante indício do enfrentamento às situações adversas vividas no meio social, conforme associação encontrada neste estudo. Conclusão: Os aspectos relacionados à maturidade cognitiva e emocionais da criança contribuem na qualidade da percepção do suporte familiar. É importante que novos estudos sejam realizados para ampliar as discussões nessa área.

Palavras-chave: Ortopedia, Reabilitação, Adaptação Psicológica, Relações Familiares

3 - Barreiras da reabilitação cardíaca em uma cidade do nordeste do Brasil

Barriers to cardiovascular rehabilitation care in a northeast city of Brazil

Luciano Sá Teles de Almeida Santos; Emanuella Gomes; Júlia Vilaronga; Walleska Nunes; Alan Carlos Nery dos Santos; Fernanda Oliveira Baptista de Almeida; Jefferson Petto

Acta Fisiátr.2017;24(2):67-71

Averiguar as barreiras por regioes do Brasil, pode ser uma valiosa estratégia para melhorar a inserção e adesão dos pacientes cardiopatas a programas de reabilitação cardiovascular. Objetivo: Identificar e descrever os motivos que levam a não inclusão de indivíduos cardiopatas em programas de reabilitação cardiovascular. Métodos: Estudo descritivo de corte transversal com 79 indivíduos de ambos sexos, com idade superior a 50 anos, cardiopatas provenientes de cinco clínicas particulares de cardiologia. Para identificação dos fatores que interferiam na inclusão dos pacientes aos programas de reabilitação cardiovascular, foi aplicada a escala de barreiras para reabilitação cardíaca. Esse instrumento é composto de 22 itens, sendo que 21 são questoes fechadas e objetivas. Os indivíduos foram instruídos a assinalar "SIM" ou "NÃO" para cada item objetivo da escala, caso identificassem o item como uma barreira ou não para a inclusão/adesão. Resultados: 64(81%) da amostra não sabia da existência da reabilitação cardiovascular e dos seus benefícios. Para 50(63%) a distância da residência até o centro de reabilitação foi uma barreira. Além disso, o custo com mobilidade urbana 37 (47%) e a não indicação do médico por achar desnecessário 32 (40%) também foram apontadas como barreiras. Conclusão: Os resultados deste estudo indicam que as principais bramireis para a não inserção em programas de reabilitação cardiovascular foram a falta de conhecimento sobre os benefícios desse tipo de programa, a distância da residência dos pacientes até o centro mais próximo e o custo com deslocamento.

Palavras-chave: Doenças Cardiovasculares, Insuficiência Cardíaca, Medicina Física e Reabilitação, Barreiras de Comunicação

4 - Desempenho isocinético dos músculos do joelho de atletas de futsal durante a pré-temporada e o meio de temporada

Isokinetic performance of knee muscles in futsal athletes during pre-season and middle-season

Augusto Rech Stedile; Lidiane Aparecida Pasqualotto; Gerson Saciloto Tadiello; André Luis Temp Finger; Thiago de Marchi; Leandro Viçosa Bonetti

Acta Fisiátr.2017;24(2):72-76

O futsal é um esporte de múltiplos sprints, com constantes mudanças de direção, de velocidade e chutes. Além disso, as demandas impostas aos atletas durante uma temporada regular podem resultar em desequilíbrios musculares entre os membros e entre os músculos extensores e flexores do joelho, consequentemente, diminuindo a performance muscular e aumentando o risco de lesões nos atletas. Objetivo: Analisar as diferenças bilaterais; e o impacto de uma temporada regular na força dos músculos do joelho e as relações entre os músculos extensores e flexores. Método: As informações provenientes de um banco de dados sobre as avaliações de pré-temporada e meio de temporada de 15 atletas profissionais de futsal do sexo masculino foram analisadas. O dinamômetro isocinético foi utilizado no modo concêntrico-concêntrico para avaliar os músculos extensores e flexores do joelho nas velocidades angulares de 60º/s, 120º/s, 180º/s e 240º/s. Resultados: Não foram encontradas diferenças significativas nos valores de pico de torque (PT) dos extensores e flexores do joelho e na razao flexores/extensores na comparação entre os membros quando comparados na mesma avaliação e velocidade angular. Entretanto, os valores de PT da avaliação do meio de temporada mostraram-se, em sua maioria, significativamente maiores quando comparados às avaliações de pré-temporada. Conclusão: Estes achados indicam que o treinamento prescrito durante a temporada foram adequados, permitindo aos atletas o aumento da força muscular e evitando desequilíbrios musculares.

Palavras-chave: Força Muscular, Joelho, Atletas

5 - Comparação entre alterações eletrofisiológicas e ganhos funcionais de pacientes com síndrome de Guillain Barré internados no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER)

Comparison between electrhyphysiological changes and functional gains of patients with Guillain Barré syndrome in the Rehabilitation and Readaptation Center Dr. Henrique Santillo (CRER)

Cícero Soares de Melo Neto; Juliana de Lima Jácomo; Rickella Aparecida Alves Moreira; Joao Henrique Vieira Pedroso; Joenice de Almeida Ferreira; Rodrigo Parente Medeiros

Acta Fisiátr.2017;24(2):77-81

Polirradiculopatia inflamatória, aguda, de caráter progressivo, a Síndrome de Guillain Barré normalmente acontece pós exposição a um agente infeccioso, ou a um estímulo, desencadeando o comprometimento dos motoneurônios periféricos. Objetivo: Comparar alterações eletrofisiológicas com ganhos funcionais na SGB, observando a relação entre prognóstico e alteração no exame eletroneuromiográfico e verificando a condição dos pacientes após um ano do início do quadro clínico. Métodos: Revisão de prontuários dos pacientes atendidos no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo - CRER, no período de 2008 a 2014. Resultados: Inicialmente localizados quarenta e oito casos, destes apenas dezenove, inicialmente, foram selecionados por terem estado internados no CRER no período selecionado para o estudo, houve exclusão de um paciente por não constar em prontuário o resultado da eletroneuromiografia, permanecendo na pesquisa, entao, dezoito pacientes. Conclusão: A reabilitação tem um papel fundamental no resultado final e cuidados ao longo prazo em pacientes que tiveram SGB, sendo um trabalho diferenciado a internação em centro de reabilitação melhorando a capacidade de diminuir os danos causados pela doença, independente dos déficits funcionais adquiridos. Os dados apontaram que os ganhos funcionais ao longo de um ano após início da doença, não têm relação direta com o que é encontrado no exame eletroneuromiográfico.

Palavras-chave: Síndrome de Guillain-Barré, Eletromiografia, Reabilitação, Centros de Reabilitação

6 - Funcionalidade na doença de Alzheimer leve, moderada e grave: um estudo transversal

Functionality on mild, moderate and severe Alzheimer's disease: a cros-sectional study

Maria Vaitsa Loch Haskel; Juliana Sartori Bonini; Suzane Cristina Santos; Weber Cláudio Francisco Nunes da Silva; Camilla Fagundes de Oliveira Bueno; Marciane Conti Zornita Bortolanza; Christiane Riedi Daniel

Acta Fisiátr.2017;24(2):82-85

Objetivo: Avaliar a funcionalidade de pacientes com Doença de Alzheimer (DA) residentes na comunidade, no município de Guarapuava - PR, regiao Sul do Brasil. Métodos: Foi realizado um estudo transversal, com pacientes com DA residentes na comunidade, no município de Guarapuava - PR. Os participantes foram classificados de acordo com a Escala Clínica de Demência em CDR 1 (DA leve), CDR 2 (DA moderada) e CDR 3 (DA severa). O estado mental foi avaliado através do Mini Exame do Estado Mental; as atividades básicas de vida diária (ABVD) através do Indice de Barthel e as atividades instrumentais de vida diária (AIVD) através do Indice de Lowton e Brody. Resultados: Foram avaliados 58 idosos com diagnóstico de DA, dos quais 14 (24,1%) estavam em CDR 1, 21 (36,2%) em CDR 2 e 23 (39,7%) em CDR 3. Houve diferença significativa entre os níveis de dependência para a realização das ABVD e AIVD entre todas as fases da DA (p <0,001), sendo que a dependência foi maior nos participantes estadeados em CDR 2 e CDR 3. Conclusão: O nível de dependência para a realização das atividades básicas e instrumentais de vida diária é maior nas fases mais avançadas da DA e a dependência para a realização das AIVD está presente em todas as fases da doença, sendo maior do que a dependência para a realização das ABVD desde a fase inicial da DA, sugerindo uma perda progressiva da funcionalidade.

Palavras-chave: Doença de Alzheimer, Demência, Idoso, Atividades Cotidianas

7 - Papel da reabilitação com realidade virtual na capacidade funcional e qualidade de vida de indivíduos com doença de Parkinson

The role of rehabilitation with virtual reality in functional ability and quality of life of individuals with Parkinson's disease

Vanessa Carla Bezerra Fontoura; Joao Gabriel Figuêredo de Macêdo; Liliane Pereira da Silva; Ivson Bezerra da Silva; Maria das Graças Wanderley de Sales Coriolano; Douglas Monteiro

Acta Fisiátr.2017;24(2):86-91

A doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa e progressiva podendo causar algumas limitações motoras que, por sua vez, podem impactar negativamente na qualidade de vida (QV) de indivíduos com DP. A realidade virtual (RV) vem sendo utilizada como tratamento destes pacientes. Objetivo: Avaliar a capacidade funcional e a QV de indivíduos com DP submetidos à RV com X-Box Kinectr. Método: Foram selecionados 20 indivíduos entre 50 a 80 anos, nos estágios 1 a 3 da doença. Divididos através de sorteio em dois grupos, o controle (GC) e o experimental (GE). O GC tratado com fisioterapia convencional, no período de cinco semanas, com duas sessões semanais de 60 minutos, enquanto o GE passou a metade do tempo com fisioterapia convencional e a outra metade realizou a RV. Os indivíduos foram submetidos a avaliações antes e após o tratamento através das seguintes escalas: UPDRS e PDQ-39. Resultados: Encontrou-se redução nos escores de todos os domínios da UPDRS e do PDQ-39 de ambos os grupos, sendo significativo apenas no grupo da GE. Conclusão: A RV aliada à fisioterapia é um método eficiente, influenciando no aspecto clínico e melhora da QV de indivíduos com DP.

Palavras-chave: Doença de Parkinson, Modalidades de Fisioterapia, Terapia de Exposição à Realidade Virtual, Qualidade de Vida

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Teste de caminhada de seis minutos em pediatria: discutindo evidências em situações específicas

Six minutes walk test in pediatrics: discussing evidence in specific situations

Paloma Lopes Francisco Parazzi; Renata Tiemi Okuro; José Dirceu Ribeiro; Maria Angela Gonçalves de Oliveira Ribeiro; Renata Pedrolongo Basso-Vanelli; Camila Isabel Santos Schivinski

Acta Fisiátr.2017;24(2):92-97

Teste de caminhada de seis minutos (TC6) tem se mostrado uma ferramenta bem tolerada, confiável e de baixo custo para monitorar a capacidade funcional de crianças e adolescentes saudáveis e em diferentes situações clínicas. Objetivo: Verificar e discutir as evidências científicas do TC6 utilizado em 4 situações específicas da criança com: 1) asma; 2) fibrose cística 3) obesidade e 4) higidez. Método: A busca nas bases de dados foi conduzida utilizando-se as palavras-chaves: teste de caminhada de seis minutos, crianças, adolescentes, obesos, fibrose cística e asma. Consultou-se as bases Pubmed (Medline), Lilacs e PEDro. Foram considerados os ensaios clínicos em português, inglês e espanhol, publicados no período de 2005 a 2016 e incluídos os estudos que abordam o TC6como método de avaliação, monitorização e prognóstico de crianças e adolescentes saudáveis, com diagnósticos de asma, fibrose cística e obesidade. Resultados: Identificou-se 97 artigos, sendo 48 duplicados. Conduziu-se a pré-seleção de 43 estudos dos quais 6foram excluídos, pelo título ou resumo, por não atenderem aos critérios de inclusão. A seleção final totalizou 39 manuscritos para a apreciação na íntegra e discussão na presente revisão. Conclusão: TC6 é reprodutível e validado para a população pediátrica, sendo considerado um instrumento importante para avaliar as implicações das doenças crônicas na capacidade funcional. 1) TC6 tem se mostrado útil pra identificação do prejuízo das atividades de vida diária durante a crise de asma e fora dela, assim como do comprometimento da capacidade funcional diante do hábito de vida sedentário. 2) É adequado para avaliação de programas de reeducação alimentar na obesidade. 3) Na fibrose cística é uma boa ferramenta para avaliação de programas de reabilitação pulmonar e acompanhamento da progressão da doença. 4) Entre os saudáveis observa-se a busca por valores de referência e falta de um consenso sobre a forma de aplicabilidade do teste.

Palavras-chave: Teste de Caminhada, Pediatria, Asma, Fibrose Cística, Obesidade

9 - Intervenções fisioterapêuticas utilizadas em pessoas amputadas de membros inferiores pré e pós-protetização: uma revisão sistemática

Physiotherapy intervention during pre and post-prosthetic fitting of lower limb amputees: a systematic review

Rafael Isac Vieira; Soraia Cristina Tonon da Luz; Kadine Priscila Bender dos Santos; Erádio Gonçalvez Junior; Paloma Vanessa Coelho Campos

Acta Fisiátr.2017;24(2):98-104

Intervenções fisioterapêuticas no paciente amputado antes e após a colocação de uma prótese são utilizadas em diversos serviços de fisioterapia, no entanto, faz-se necessária a sistematização de evidências sobre protocolos para condução da reabilitação. Objetivo: Agregar evidências científicas para guiar a prática fisioterapêutica nas fases pré e pós protetização da pessão amputada de membro inferior. Método: Realizou-se uma revisão sistemática durante os meses de agosto à dezembro de 2014 nas bases de dados: Lilacs, Medline, Pedro, Pubmed, Scielo e Cochrane. Selecionaram-se artigos publicados no período de 2000 até o primeiro semestre de 2014, utilizando unitermos em português, inglês e espanhol. Resultados: Seis artigos atenderam aos critérios de inclusão, sendo que apenas um esteve relacionado à fase pré-protetização destacando a intervenção: enfaixamento do coto. As demais intervenções referiram-se à fase pós-protetização como fortalecimentos musculares, treino aeróbio, funcional e de marcha. Conclusão: Foram encontrados poucos artigos com evidências científicas relacionadas às principais intervenções pré e pós protetização rotineiramente usadas pelo fisioterapeuta, o que dificulta o estabelecimento de protocolos e conclusões sobre a eficácia das terapêuticas comumente descritas.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Modalidades de Fisioterapia, Reabilitação

10 - Relação entre força e ativação da musculatura glútea e a estabilização dinâmica do joelho: revisão sistemática da literatura

Relationships between strength and activation of the gluteal muscles and dynamic stabilization of the knee: a systematic review

Lucas Martins de Morais; Christina Danielli Coelho de Morais Faria

Acta Fisiátr.2017;24(2):105-112

O joelho recebe, absorve e dissipa importante parte das forças impostas por atividades diárias, como marcha, subir e descer degraus e saltos. Dada a grande demanda imposta a esta articulação, as disfunções no joelho são muito comuns. A capacidade para responder a esta demanda parece estar relacionada com as funções da musculatura do quadril, que parece ter um papel importante nas características biomecânicas, dentre elas a estabilidade dinâmica, da articulação do joelho. Objetivo: Realizar revisão sistemática da literatura para apontar as possíveis características e ações da musculatura glútea relacionadas com a estabilização dinâmica do joelho e investigar a eficácia de programas de intervenção direcionados à musculatura glútea na melhora de desfechos funcionais ou sintomatológicos relacionados às disfunções na articulação do joelho. Métodos: Revisão sistemática desenvolvida de acordo com o protocolo PRISMA (Preferred Report Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Foram realizadas buscas nas bases de dados eletrônicas MEDLINE, SCIELO, COCHRANE, LILACS e PEDro, conforme estratégia de busca dada pela combinação de termos referentes ao assunto da pesquisa. Critérios de inclusão: estudos publicados até março de 2016, amostra de indivíduos com idade entre 18 e 60 anos, sem restrição de idioma de publicação, ter envolvido a avaliação ou o tratamento de alguma característica da musculatura do quadril relacionando à estabilização dinâmica do joelho. Resultados: Dos 109 estudos encontrados, onze foram incluídos por atenderem aos critérios de inclusão. Destes, oito (73%) foram do tipo observacional exploratório e três (27%) ensaio clínico aleatorizado (ECA) (5≤PEDro≤8). Todos os ECA incluíram adultos jovens, do sexo feminino, com síndrome da dor femoropatelar e avaliaram o músculo glúteo médio. Segundo os resultados da maioria dos estudos, os músculos glúteos apresentam relação com a manutenção do alinhamento do membro inferior no plano frontal, reduzindo o valgo dinâmico em atividades funcionais, sendo mais importante a magnitude da ativação muscular do que o tempo desta ativação. Os ECA evidenciaram a importância de se intervir no fortalecimento da musculatura glútea em programas de reabilitação do joelho: em indivíduos sintomáticos com síndrome da dor femoropatelar houve melhora funcional e sintomatológica significativa após este tipo de intervenção, que foi realizada associada ao tratamento convencional no joelho ou tronco. Conclusão: A magnitude de ativação e a força muscular dos músculos glúteos têm papel importante na estabilidade dinâmica do joelho. Intervenções nestas musculaturas, associadas ao tratamento convencional, são eficazes para melhora de desfechos funcionais e sintomatológicos relacionados à articulação do joelho.

Palavras-chave: Articulação do Quadril; Articulação do Joelho; Fisioterapia

Número atual: Setembro 2017 - Volume 24  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Análise do incremento da força muscular para reaquisição de ortostatismo em idosos com síndrome do imobilismo temporário

Analysis of the muscle strength increase for recovery of ortostatism in elderlies with temporary immobility syndrome

Jefferson Lucio da Silva; Eduardo Filoni; Carolina Miyuki Suguimoto

Acta Fisiátr.2017;24(3):113-119

A Síndrome do Imobilismo (SI), frequente entre idoso, ocorre no indivíduo acamado por período prolongado, acarretando perda de força muscular (FM) e consequentemente morbidade e mortalidade. Objetivo: Analisar ganho de FM necessário para reaquisição de ortostatismo em idosos com SI temporário. Métodos: Trinta idosos com SI foram triados pelos critérios de inclusão/exclusão, e 14 idosos obedeceram aos critérios. Eles foram avaliados quanto à FM (em quilogramas) dos músculos quadríceps e glúteos, e posteriormente realizaram sessões de fortalecimento. Ao final do programa, realizou-se tentativa de ortostatismo. Aqueles que readquiriram a postura foram chamados de G1; aqueles que não readquiriram foram chamados de G2. Analisou-se incremento das cargas, número de sessões necessárias, peso do participante, idade e tempo de imobilismo. Resultados: Dez participantes (71,4%) readquiriram o ortostatismo (G1), obtendo média de 21,4 sessões e incremento de força para quadríceps em média de 6kg, correspondendo a um aumento de 177%; e G2 aumentou em média 4,125kg, aumentando-se 117% (p=0,001). Para m glúteo, houve ganho de FM em média de 2,2kg (aumento de 102%) para G1 e 1,625kg para G2, aumentando-se 39%. (p=0,0002). Houve forte correlação para peso do participante com ganho de FM de quadríceps e glúteos (-0,96 e -0,84 respectivamente) e moderada correlação com idade de G1 e G2 (0,59 e 0,58 respectivamente) e com tempo de imobilismo (0,53 para glúteos e 0,50 para quadríceps). Conclusão: O incremento da FM foi essencial para reaquisição do ortostatismo, e o peso, idade e tempo de imobilismo interferiram na reaquisição desta postura.

Palavras-chave: Idoso Fragilizado, Treinamento de Resistência, Força Muscular

2 - Avaliação da qualidade de vida, grau de incapacidade e do desenho da figura humana em pacientes com neuropatias na hanseníase

Quality of life, physical disability, and the human figure drawing assessment of patients with neuropathies in leprosy

Camila Beltrame Benedicto; Tatiani Marques; Arianni Pereira Milano; Noêmi Garcia de Almeida Galan; Susilene Tonelli Nardi; Frank Duerksen; Lúcia Helena Soares Camargo Marciano; Renata Bilion Ruiz Prado

Acta Fisiátr.2017;24(3):120-126

Na hanseníase, a presença de sintomas dermatoneurológicos com potencial evolução para incapacidades físicas pode comprometer a qualidade de vida (QV) e a imagem corporal do paciente. Objetivo: Avaliar as possíveis associações entre a QV, o Grau de Incapacidade (GI) e o Desenho da Figura Humana (DFH) em indivíduos com neuropatia hansênica. Método: Este estudo consiste em um estudo descritivo, com abordagem quanti-qualitativa. Foram utilizados quatro instrumentos de avaliação: Questionário sociodemográfico, NeuroQol (Neuropathy – Specific Quality of Life Questionnaire), DFH e Formulário de avaliação do GI. Foram incluídos pacientes com GI 1 ou 2 nos pés e idade igual ou superior a 18 anos. Resultados: Foram avaliados 100 indivíduos. Entre aqueles com GI 2, houve uma tendência à omissão do nariz (p=0,050) e DFH no tamanho pequeno (p=0,047). Houve associação entre o DFH e o domínio QV Sintomas difuso sensitivo-motores (p=0,035), sugerindo que a omissão dos pés no DFH pode representar perda da QV. Conclusão: Indivíduos com neuropatia hansênica apresentam QV boa à moderada. A omissão de segmentos do corpo pode indicar conflitos e sentimentos de insegurança. Há indícios de perda de autonomia quando o paciente omite ou corta os pés no DFH.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência, Hanseníase, Reabilitação, Imagem Corporal, Qualidade de Vida

3 - Performance of quality of life and functional capacity in women with knee osteoarthritis treated with viscosupplementation and strength training

Performance of quality of life and functional capacity in women with knee osteoarthritis treated with viscosupplementation and strength training

Paulo Cesar Hamdan; Blanca Elena Rios Gomes Bica; Laura Maria Carvalho de Mendonça; Thiago Gomes de Paula; Victor Rodrigues Amaral Cossich; Eduardo Becker Nicoliche

Acta Fisiátr.2017;24(3):127-132

The viscosupplementation and strength training are interventions accepted in the treatment of knee osteoarthritis. Objective: The study describes the effect of two interventions in quality of life and functional capacity. Method: Thirty women diagnosed with bilateral knee osteoarthritis of grade II and III by radiological criteria of Kellgren & Lawrence, were randomized into three groups with ten patients each: VSTF group submitted to viscosupplementation and strength training, TF group submitted only to strength training and VS group submitted only to viscossuplementation. Moments of the study were defined as pre-procedure (PRE), after 48 hours of VS (POS-VS) after 12 weeks of training (POS T) and after eight weeks of detraining (POS D). Quality of life was assessed by the SF-36 BRAZIL, functional capacity by Lequesne index. Intraarticular infiltrations were carried out with a single dose of 6 ml / 48 mg with 6,000,000 kDa Hylan GF-20 and strength training sessions were held for twelve weeks. Results: Strength training and viscosupplementation were effective in the treatment of knee osteoarthritis. Both interventions promoted improvements in quality of life and in functional capacity (p < 0.001), with advantage to the groups that trained force. Conclusion: Strength training is a possible replacement of viscosupplementation in the treatment of osteoarthritis of women's knees. However, the beneficial effect of viscosupplementation in pain reduction suggests better efficiency in the strength training execution which may be an advantage of the association of both.

Palavras-chave: Osteoarthritis, Knee, Viscosupplementation, Resistance Training, Quality of Life

4 - A importância pratica da cinesioterapia em grupo na qualidade de vida de idosos

The importance of kinesiotherapy group practice on the quality of life of the elderly

Juscelino Francisco Vilela-Junio, Vitor Marcilio Gomes Soares, Ana Maria Sá Barreto Maciel

Acta Fisiátr.2017;24(3):133-137

Analisar o efeito da cinesioterapia em grupo sobre a qualidade de vida, adesão e desistência do programa, capacidade funcional, equilíbrio e marcha de idosas sedentárias. Método: Estudo experimental, amostra de idosas com média de idade de 69,83 (±7,76), que foram submetidas a um protocolo de cinesioterapia e randomizadas em três grupos (N=48), cinesioterapia em grupo (CG), cinesioterapia individual (CI) e controle (C); durante 12 semanas. A qualidade de vida foi avaliada por meio do questionário SF-36, e as variáveis de equilíbrio e marcha através do teste de Tinetti. Utilizando os procedimentos estatísticos descritivos (média e desvio padrao) e o teste de Wilcoxon, admitindo-se o nível de significância de p < 0, 05. Resultados: Taxa de permanência: CG:n=9; GI:n=10; C:n=8 ;Teste de Tinetti:Grupo CG: escore total 9.26 X 13.1; Grupo GI 11.37 X 14.5. Não houve melhora no grupo C. SF-36: média de escores: (CG) Dor: 33.2 X 70.7; Aspectos emocionais 33.3 X 66.6; (GI) Capacidade funcional: 64 X 85.5; Aspectos emocionais: 77.7 X 88; Limitação funcional: 72.5X 100. Não houve melhora estatisticamente significativas no grupo C. Conclusão: Não foram encontradas diferenças expressivas em relação a taxa de desistência entre a dinâmica em grupo e a dinâmica individual no programa de cinesioterapia, no entanto os grupos experimentais apresentaram diferenças significativas com os testes, antes e pós intervenção, para melhora nos aspectos emocionais, melhora de limitações físicas, redução de dor, melhora no equilíbrio e marcha, mostrando assim eficácia e importância dessa atividade.

Palavras-chave: Envelhecimento, Exercício, Saúde, Qualidade de Vida

5 - Análise das variáveis espaços temporais e angulares da marcha em indivíduos cegos

Analysis of the spatial-temporal and angular variables of gait of blind individuals

Caroline Cunha do Espírito Santo; Graziela Morgana Silva Tavares; Thiele de Cássia Libardoni; Larissa Sinhorim; Gilmar Moraes Santos

Acta Fisiátr.2017;24(3):138-142

Analisar e descrever as variáveis espaços temporais e angulares da marcha de indivíduos cegos totais. Método: Estudo foi composto por 19 indivíduos com idade média de 28±6 anos, sendo estes divididos em dois grupos, o primeiro composto por oito indivíduos cegos totais (GCT), e o segundo grupo por 11 indivíduos com visão normal (GVN). As variáveis foram coletadas pelo sistema Peak Motus e analisadas no software Ariel Performance Analysis System. Os indivíduos caminharam em um trajeto com sete metros de extensão, livre de obstáculos, em velocidade auto selecionada, até que seis passadas fossem consideradas válidas. Para o tratamento estatístico dos dados utilizou-se o Teste t de student, com nível de significância de p≤0,05. Resultados: Os sujeitos do GCT apresentaram redução significativa da velocidade da marcha, cadência, comprimento da passada, fase de balanço e do ângulo máximo de flexão do joelho, bem como aumento da fase de apoio e do período de duplo apoio, quando comparados com os sujeitos no GVN. Não foi encontrada diferença significativa para ângulo máximo de extensão do quadril entre os grupos pesquisados. Conclusão: Os achados deste estudo mostraram que a ausência da informação visual induz nos sujeitos cegos uma marcha mais lenta, com redução do comprimento da passada, ângulo de flexão do joelho e fase de balanço, e, aumento da fase de apoio e do período de duplo apoio, quando comparados a sujeitos de visão normal.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência Visual, Fenômenos Biomecânicos, Marcha

ARTIGO DE REVISÃO

6 - Tratamento por ondas de choque extracorpórea na síndrome do estresse tibial: uma revisão da literatura

Treatment of medial tibial stress syndrome with extracorporeal shockwave treatment: a literature review

Marcus Yu Bin Pai; Mariana Hida Nakagawa; Juliana Takiguti Toma; Bruno Schiefer dos Santos; Paulo Roberto Dias dos Santos; Carlos Vicente Andreoli; Benno Ejnisman

Acta Fisiátr.2017;24(3):143-146

A síndrome do estresse tibial medial é uma lesão comum devido a sobrecarga mecânica, principalmente em atletas, devido a inflamação local e estresse ósseo. A terapia de ondas de choque (TOC) vem sendo utilizada como tratamento para esta patologia por seus efeitos analgésicos e anti-inflamatórios. Objetivo: Avaliar a eficácia da TOC no tratamento analgésico da síndrome do estresse tibial medial e medidas de funcionalidade. Métodos: Foi realizada uma revisão da literatura, sendo incluídos estudos clínicos em humanos. Resultados: 3 artigos preencheram os critérios de inclusão, incluindo 166 pacientes. Os trabalhos trouxeram uma ampla variedade de intervenções, tipos de aparelhos, frequência e energia utilizada, além de diferenças nas quantidades de sessões e tipos de ondas de choque utilizado no tratamento. Conclusão: Ainda não há evidências consistentes quanto ao uso da TOC no tratamento conservador da síndrome do estresse tibial medial, com estudos pequenos, de qualidade metodológica baixa. Os estudos inclusos no trabalho não relataram efeitos colaterais significativos.

Palavras-chave: Condutas Terapêuticas, Resultado do Tratamento, Ondas de Choque de Alta Energia

7 - Uso da termografia como método de avaliação na medicina física e de reabilitação

The use of thermography as an assessment tool in physical medicine and rehabilitation – a review study

Fábio Marcon Alfieri; Artur Cesar Aquino dos Santos; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2017;24(3):147-150

Por indicar a temperatura corporal, a avaliação termográfica pode servir como indicativo de alteração fisiológica em algumas condições clínicas nas quais a reabilitação se faz necessária. Objetivo: Conhecer a quantidade de publicações sobre o uso da termografia como instrumento de avaliação de desfecho de pesquisa clínica em estudos de reabilitação. Método: Foi feita uma busca na base de dados PubMed. Como descritor foi utilizado somente o MeSH term Thermography e escolhidos os artigos que reportavam pesquisa clínica. Resultados: De 6957 artigos encontrados, 316 eram Clinical trials, destes, 304 foram excluídos por não atenderem os critérios de inclusão, permanecendo assim 12 estudos. Estes foram classificados segundo a escala de JADAD. Apenas três estudos foram considerados com boa qualidade metodológica. Nos estudos incluídos, as condições clínicas avaliadas foram: dor muscular tardia, lombalgia, artrite reumatoide, síndrome da dor complexa regional, dor miofascial, osteoartrite, Fenômeno de Raynaud's, e tendinites. Diversos recursos terapêuticos foram utilizados, sendo o laser usado em 5 estudos. Apenas um estudo não conseguiu identificar mudanças após os procedimentos de reabilitação quando usada a termografia como avaliação. Conclusão: Essa revisão mostrou que poucos estudos e com baixa qualidade metodológica usaram a termografia como método de avaliação em programas de reabilitação.

Palavras-chave: Termografia, Avaliação, Reabilitação

RELATO DE CASO

8 - Manifestações musculoesqueléticas na síndrome de Klippel-Trenaunay

Musculoskeletal manifestations in syndrome Klippel-Trenaunay

Patricia Yuri Capucho; Natalia Cristina Thinen; Mariana Cavazzoni Lima de Carvalho

Acta Fisiátr.2017;24(3):151-153

A síndrome de Klippel-Trenaunay é uma doença congênita rara de etiologia não definida, caracterizada pela presença da tríade: manchas vinho do porto, malformações venosas ou veias varicosas e hipertrofia óssea e/ou tecidual. Acomete mais frequentemente os membros inferiores. O tratamento em geral é conservador, sendo as intervenções limitadas ao tratamento das complicações. Objetivo: Apresentar relato de caso de uma criança com manifestações musculoesqueléticas da síndrome avaliada por equipe multiprofissional, composta pelo serviço social, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, enfermagem e médico fisiatra. Método: Após avaliação foi definido trabalhar consciência e correção da postura assim como a percepção corporal, realização de atividade em ortostatismo, treino de equilíbrio, dissociação de cinturas e trocas posturais. Resultados: Paciente participou dos atendimentos multiprofissionais por dois meses, obteve melhor estabilidade da marcha, passando a ter marcha independente na comunidade, com velocidade maior e menor número de quedas. Conclusão: Recebeu alta com objetivos atingidos e pais sensibilizados quanto à importância de manter o seguimento multiprofissional e seguir os objetivos traçados em domicílio.

Palavras-chave: Síndrome de Klippel-Trenaunay-Weber, Hipertrofia, Hemangioma, Sindactilia

9 - Ortese com impressão 3D para ombro: relato de caso

3D print orthesis for shoulder: case report

Danielle Aline Barata Assad; Valeria Meirelles Carril Elui; Vincent Wong; Carlos Alberto Fortulan

Acta Fisiátr.2017;24(3):154-159

Subluxação do ombro é a complicação musculoesquelética mais comum das afecções do Sistema Nervoso Central e Periférico, que leva a diminuição do movimento, da função e aumento de dor. Ortese é um dos recursos auxiliares utilizados no tratamento desta patologia e visa corrigir deformidade, diminuir dor e proporcionar função ao membro acometido. Objetivo: Este trabalho propoe uma nova metodologia para projetar e fabricar órteses customizadas estabilizadoras de ombro utilizando as tecnologias de aquisição 3D por escaneamento e de fabricação por Impressão 3D, e assegurar melhor adaptabilidade e maior conforto para o usuário. Método: A metodologia utilizada neste estudo foi dividida em cinco fases: estudo de caso, escaneamento, modelagem e impressão em 3D; e acabamento. O estudo de caso do usuário com lesão de plexo braquial motivou o projeto de desenho original de órtese híbrida, personalizada e manufaturada em 3D, usando estrutura rígida e faixas de tração, com objetivo de estabilizar o ombro, diminuir a dor e permitir função. Resultados: Após escaneamento em 3D utilizou-se softwares especializados para processar a imagem tridimensional STL. Realizaram-se otimizações do projeto com geração de modelos e peças prototipadas em FDM; avaliada pelo usuário. O conceito desenvolvido foi: órtese personalizada, fácil de higienizar e vestir, resistente, articulada, veste nos dois braços com faixas de tração em tecido rígido acoplado à cintura. Conclusão: O teste com usuário corroborou com o conceito projetado e mostrou um protótipo preliminar com bom acoplamento ao tronco, tração satisfatória e possibilidade de realizar um maior número de AVD's com menos dor e/ou sensação de cansaço.

Palavras-chave: Extremidade Superior, Aparelhos Ortopédicos, Desenvolvimento Tecnológico, Impressão Tridimensional

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - Uso prático da AbobotulinumtoxinA no tratamento de espasticidade em crianças com paralisia cerebral

Practical use of AbobotulinumtoxinA for the treatment of spasticity in children with cerebral palsy

Sandro Rachevsky Dorf; Carla Andrea Cardoso Tanuri Caldas; Regina Helena Morganti Fornari Chueire; José Henrique Carvalho; Joao Amaury Francês Brito; Simone Carazzato Maciel; Elder Machado Sarmento; Arquimedes Moura Ramos

Acta Fisiátr.2017;24(3):160-164

AbobotulinumtoxinA (ABO) tem sido utilizada para o tratamento da espasticidade em crianças com paralisia cerebral (PC). Seu uso requer uma administração cuidadosa, quanto à dosagem, seleção de locais de aplicação, intervalo entre aplicações, eficácia e segurança. Este foi o primeiro painel de especialistas no tratamento da espasticidade que desenvolveu um guia sobre questoes gerais relacionadas a terapêutica de médicos que utilizam ABO, incluindo a indicação da dosagem a ser aplicada por músculo. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido, idealmente entre dois e seis anos de idade. Uma avaliação clínica deve identificar os músculos espásticos e determinar o objetivo: melhora funcional, analgesia, facilidade de cuidados e posicionamento, prevenção da luxação dos quadris, melhora da marcha e postura, facilitação do processo de educação, maior participação social e/ou melhora estética. Os pré-requisitos para alcançar bons resultados são a seleção muscular adequada, a dosagem de ABO e a técnica de injeção. Muitos padroes patológicos comuns podem ser tratados se vários músculos forem simultaneamente injetados em uma única sessão de tratamento; O planejamento da dose de ABO por músculo deve levar em consideração a dosagem máxima em unidades por músculo e a dose de ABO máxima total por sessão (30 U / kg de peso corporal do paciente, não superior a 1000 U). Após a aplicação, as crianças devem ser submetidas a programas de fisioterapia e terapia ocupacional, focadas em orientações domiciliares e em orientações para a família, aumentando as chances de ganho terapêutico. O tratamento com ABO é multidisciplinar e requer abordagens integradas.

Palavras-chave: Crianças com Deficiência, Paralisia Cerebral, Espasticidade Muscular, Toxinas Botulínicas Tipo A

Número atual: Dezembro 2017 - Volume 24  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Influência do tempo de prática do ballet sobre equilíbrio e estabilização pélvica

Influence of long and short term ballet practice on balance and pelvic stabilization

Janaína Teixeira Sentena; Patrícia Morales Soares; Simone Lara; Lilian Pinto Teixeira; Graziela Morgana Silva Tavares; Rodrigo de Souza Balk

Acta Fisiátr.2017;24(4):165-169

Objetivo: Identificar se o tempo de pratica do ballet influencia o equilíbrio postural (EP) e a capacidade de estabilização pélvica (CEP). Métodos: Foram incluídas bailarinas, alocadas em dois grupos: o grupo 1, que praticou o ballet por um período mínimo de um ano e máximo de dois anos e 11 meses (N=11) e grupo 2, que praticou o ballet por um período superior a três anos (N=10). O EP foi avaliado através da posturografia dinâmica computadorizada, por meio dos testes de organização sensorial (TOS). A CEP foi avaliada através do teste da ponte com extensão unilateral do joelho. Resultados: O tempo de prática do ballet influenciou o EP das meninas, uma vez que as bailarinas mais experientes obtiveram valores superiores relacionados ao sistema vestibular; porém não houve diferença entre os grupos em relação a estabilidade pélvica. Conclusão: O maior tempo de prática do ballet influenciou positivamente o EP das bailarinas.

Palavras-chave: Equilíbrio Postural, Pelve, Dança

2 - Physiotherapy prescription among elderly users of primary healthcare facilities

Uso de fisioterapia entre idosos usuários de serviços de atençao primária

Natalia Akemi Yamada Terada; Scarlet Feitosa Santos; Miriane Lucindo Zucoloto; Edson Zangiacomi Martinez

Acta Fisiátr.2017;24(4):170-174

A fisioterapia ocupa um papel importante na promoção da saúde e da autonomia para os idosos, e o sistema de atenção à saúde deve estar apto a oferecer suporte adequado para as pessãos desta faixa etária. Objetivo: Determinar a prevalência de uso de fisioterapia entre idosos (60 anos ou mais) usuários de serviços de atenção primária à saúde de Ribeirao Preto, Brasil, e investigar suas associações com variáveis como sexo, idade, nível educacional e classe socioeconômica. Métodos: Os dados foram coletados por entrevistas pessãois. Os idosos foram convidados a participar do estudo enquanto aguardavam por um atendimento médico em uma unidade de saúde. Modelos de regressão log-binomiais foram utilizados para ajustar os dados. A amostra foi composta por 224 (63%) mulheres e 133 (37%) homens. Resultados: Ao todo, 141 (39,5%) idosos relataram ter usado fisioterapia em algum momento de suas vidas. A prevalência de utilização da fisioterapia entre as mulheres foi de 42,0% (IC 95%: 35,4% - 48,7%) e entre homens foi de 35,3% (IC 95%: 27,2% - 44,1%). A utilização de fisioterapia foi mais frequente entre pessãos idosas portadoras de plano de saúde, classe socioeconômica mais privilegiada e maior escolaridade. Isto sugere que grupos mais privilegiados da população possuem maior acesso à fisioterapia e maior possibilidade de pagar por atendimento que pessãos sem cobertura de planos de saúde. Conclusão: A participação de fisioterapeutas na atenção primária à saúde deve ser encorajada, objetivando reduzir as desigualdades no acesso a tais recursos.

Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde, Assistência a Idosos, Serviços de Saúde, Fisioterapia

3 - Terapia de ondas de choque focal para osteoartrose de joelho: um ensaio clínico randomizado duplo-cego

Focused extracorporeal shockwave therapy (f-ESWT) for knee osteoarthritis: a double-blind randomized clinical trial

Fabíola Cavalieri; Gilson Tanaka Shinzato; Victor Figueiredo Leite; Sabrina Saemy Tome Uchiyama; Margarida Harumi Miyazaki; André Kazuyoshi Kirihara; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2017;24(4):175-179

Objetivo: Avaliar eficácia da terapia de ondas de choque focal (f-ESWT) comparada ao placebo para dor e incapacidade em pacientes com osteoartrose de joelho (OA). Métodos: Ensaio clínico randomizado, duplo-cego, placebo controlado, pacientes com OA primária de joelhos realizaram exercícios (alongamentos de isquiotibiais e fortalecimento de quadríceps) e randomizados em f-ESWT ou placebo. Todos os pacientes foram submetidos a 4 sessões semanais de 7.000 pulsos, e no grupo f-ESWT a energia foi de até 0.15mJ/mm2. O desfecho primário foi a escala analógica visual (VAS) para dor em 1 mês. Os desfechos secundários foram WOMAC, TUG, Lequesne e índice de resposta OMERACT-OARSI em 1 e 3 meses; bem como VAS aos 3 meses e eventos adversos (EAs). O teste de Mann-Whitney U e o teste exato Fisher foram utilizados com alfa = 5% e poder = 80% em uma análise de intenção de tratar. Os desfechos contínuos foram relatados como média ± desvio padrao. Resultados: 18 pacientes (9 em cada grupo), idade de 60.6±8.7 com 33.3% homens. Não houve diferença significativa entre grupos em qualquer variável. F-ESWT não foi superior ao placebo em 1 mês: VAS = -2,97 ± 3,18 e -2,68 ± 2,33 cm, respectivamente, p = 0,96. Somente o TUG no 1º mês foi significativo: 9.09 ± 2.30 e 11.01 ± 2.85 seg, p = 0.01. Conclusão: f-ESWT não foi superior ao placebo para osteoartrose de joelhos. Este estudo foi insuficiente para detectar diferenças. Novos estudos devem usar WOMAC A (subescala dor) como desfecho primário e recrutar 92 pacientes.

Palavras-chave: Ondas de Choque de Alta Energia, Osteoartrite do Joelho, Avaliação da Deficiência

4 - Dinapenia e qualidade de vida em indivíduos infectados pelo HIV

Dynapenia and quality of life in HIV-infected individuals

Ana Paula de Oliveira Lédo; Janmille de Sá Neves; Bruno Prata Martinez; Carlos Brites

Acta Fisiátr.2017;24(4):180-185

O surgimento da terapia antirretroviral (TARV) eficaz, transformou o perfil evolutivo da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana adquirida (HIV) em uma doença crônica, com o aumento da expectativa de vida e complicações relacionadas ao uso desta, como a fraqueza muscular. Objetivo: Descrever a ocorrência de dinapenia e sua relação com qualidade de vida em indivíduos infectados com HIV. Métodos: Estudo observacional, de corte transversal, onde a força de preensão palmar foi avaliada através da dinamometria. Foram incluídos indivíduos infectados pelo HIV com idade ≥18 anos e capacidade para aferição da força muscular. O diagnóstico de dinapenia foi determinado pelos critérios definidos pela literatura para avaliação da força de preensão palmar e o índice de massa corporal (IMC). Para avaliação da qualidade de vida utilizou-se o questionário de qualidade de vida Short-Form Health Survey (SF-36). Outras variáveis mensuradas foram tempo de uso de TARV e o Indice de Comorbidades de Charlson (ICC), além de idade, sexo e peso. Resultados: A presença de dinapenia foi de 11,6% na amostra estudada. Houve associação de dinapenia com as variáveis idade (p=0,0001), presença de cormobidades (p=0,0001), menor força de preensão palmar (p=0,0001) e menor IMC (p=0,033). A qualidade de vida mostrou-se comprometida tanto nos domínios de aspectos físicos quanto nos de aspectos mentais. Conclusão: Existe dinapenia em uma parte dos indivíduos com HIV e houve associação desta com pior qualidade de vida, sugerindo a necessidade de rastreio e tratamento deste problema nessa população, muitas vezes subnotificado.

Palavras-chave: Debilidade Muscular, Qualidade de Vida, Soropositividade para HIV

5 - Função neuromuscular do bíceps braquial em contração isométrica após termoterapia

Neuromuscular function of braquial biceps in isometric contraction after termotherapy

Fábio Gonçalves Guedes; Maraline Cristina de Andrade; Maycon Rodrigo Felício de Almeida; Hícaro Felizardo Amorim; Joao Eduardo Machado da Costa Antunes; Josimar Bento Machado; Sílvia Regina Costa Dias

Acta Fisiátr.2017;24(4):186-192

A alteração na temperatura de um tecido pode promover efeitos fisiológicos que levam a alterações circulatórias e nervosas, tais como vasodilatação e aumento na flexibilidade. Objetivo: Avaliar, através de uma avaliação neuromuscular não invasiva, como a termoterapia influencia na força muscular e nos sinais mioelétricos do bíceps braquial em contração isométrica. Métodos: Dezessete voluntários foram orientados a fazer contração isométrica do músculo bíceps braquial concomitantemente com a eletromiografia de superfície. A avaliação eletromiográfica e de força foram realizadas antes e após a intervenção com recursos termoterapêuticos: gelo (15 minutos) e ultrassom continuo (1MHz, 0.8W/cm2, 7 minutos). Resultados: Mostraram que as mulheres possuem menos força e ativam menos unidades motoras. No entanto, a frequência de disparos elétricos nas vias efetoras é maior, o que indica maior propensão à fadiga. Após a aplicação do calor, não foram observadas diferenças na resposta neuromuscular do bíceps braquial em contração. Já a crioterapia, promoveu redução significativa na força e no número de unidades motoras ativadas durante a contração. O resfriamento do tecido muscular promove a diminuição da ação das fibras musculares, uma vez que há redução da velocidade da condução do impulso nervoso e do reflexo do arco miotático. Além disso, a crioterapia também diminui a sensibilidade dos órgaos tendinosos de Golgi, aumenta a viscosidade sanguínea, provoca a vasoconstrição. Todos estes fatores, somam-se para culminar na diminuição da ativação neuromuscular e, consequentemente, na redução da força do músculo.

Palavras-chave: Eletromiografia, Terapia por Ultrassom, Crioterapia, Força Muscular

6 - Impacto da violência por arma de fogo em adolescentes e jovens internados em hospital de referência com base na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

Impact of violence by firearms on adolescent and young adults hospitalized in a referral hospital based in the International Classification of Functioning, Disability and Health

Nilce Almino de Freitas; Ana Valeska Siebra e Silva; Ana Cristhina de Oliveira Brasil; Vasco Pinheiro Diógenes Bastos; Ismênia de Carvalho Brasileiro; Lenise Castelo Branco Camurça Fernandes

Acta Fisiátr.2017;24(4):193-199

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) gera informações em saúde e permite a identificação do impacto na funcionalidade em diferentes situações clínicas, como por exemplo, nas perfurações por arma de fogo (PAF). Objetivo: Descrever o impacto da violência por arma de fogo em adolescentes e jovens internados em hospital de referência terciária em trauma com base na CIF. Método: Trata-se de um estudo descritivo, transversal, quantitativo, realizado de junho a dezembro de 2014, em Fortaleza - CE, Brasil. A amostra foi de 231 participantes, ambos os gêneros, com idade de 12 a 24 anos. Aplicou-se uma lista resumida da CIF em dois momentos, na admissão e alta hospitalar. Resultados: As categorias mais alteradas do componente Atividade e Participação na admissão foram mobilidade (72,27%), interações e relacionamentos interpessãois (65,4%) e autocuidado (37,8%); e do componente Funções do Corpo foram respiratórias (26,71%), sensoriais e dor (25,35%), voz e fala (20,1%), mentais (13,26%), neuromusculoesqueléticas e relacionadas ao movimento (11,04%). Na alta, as categorias mais alteradas do componente Atividade e Participação foram interações e relacionamentos interpessãois (64,5%), mobilidade (36,79%) e autocuidado (29,29%); e do componente Funções do Corpo foram sensoriais e dor (23,38), voz e fala (16,8%), mentais (13,26%), neuromusculoesqueléticas e relacionadas ao movimento (10,45%), e do sistema respiratório (5,05%). Categorias relacionadas à mobilidade e respiração foram as que demonstraram maiores percentuais de melhora na alta, enquanto as funções sensoriais e atividades relativas à interação interpessãol foram as que indicaram menor percentual de melhora. Conclusão: Esta classificação possibilitou traçar um perfil de funcionalidade destes indivíduos e codificar a informação por meio da CIF, detectando-se o risco de incapacidade funcional no momento da admissão e da alta, elementos decisivos para a resolução das realidades clínicas.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Violência, Ferimentos por Arma de Fogo, Adolescente, Adulto Jovem

ARTIGO DE REVISÃO

7 - Correlação entre gravidade clínica e estado funcional com achados eletroneuromiograficos, em pacientes com síndrome do túnel do carpo: uma revisão sistemática

A correlation between clinical severity and functional state with nerve conduction studies findings in patients with carpal tunnel syndrome: a systematic review

Andressa Silvia Faé Nunes; Lucas Martins de Exel Nunes; Luciana Dotta; Tae Mo Chung; Linamara Rizzo Battistella; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2017;24(4):200-206

A síndrome do Túnel do Carpo é a neuropatia compressiva mais frequente na população geral que pode levar a sintomas incapacitantes e significativa limitação funcional. Uma revisão sistemática foi realizada nas bases de dados Pubmed, Medline, Embase, Cochrane, CINAHL, LILACS e SCIELO, sem delimitação de tempo ou idioma. Utilizou-se da estratégia PICO para a pesquisa, palavras-chave extraídas dos Descritores de Ciências da Saúde (Decs) e a qualidade dos estudos foi avaliada através da escala Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ). Identificaram-se 857 estudos dos quais, somente 10 obedeceram aos critérios de inclusão. Apesar dos bons resultados apresentados, verificou-se uma expressiva heterogeneidade existente entre os estudos incluídos, associado à discrepância metodológica, e um limitado tamanho amostral em alguns deles. São necessários estudos com melhor padrao metodológico, bem como avaliações mais homogêneas e precisas, a fim de melhorar o nível de evidência científica.

Palavras-chave: Síndrome do Túnel Carpal, Neuropatia Mediana, Eletromiografia, Eletrodiagnóstico, Condução Nervosa

8 - A atuação da terapia ocupacional com pacientes com diabetes tipo 2: uma revisão de literatura

The role of occupational therapy on patients with diabetes type 2: a literature review

Luane Marques de Lima Aquino; Fernanda de Sousa Marinho; Camila Barros de Miranda Moram; Juliana Valéria de Melo; Claudia Regina Lopes Cardoso; Gil Fernando da Costa Mendes de Salles

Acta Fisiátr.2017;24(4):207-211

Dentre os tipos de diabetes, a do tipo 2 é a que mais acomete os pacientes adultos, sendo responsável por 90-95% dos casos. Além das complicações diretamente relacionadas à diabetes, algumas comorbidades podem surgir sem ter relação direta com a doença. Pacientes negligentes no autocuidado e sem acompanhamento regular apresentam maior probabilidade de apresentar complicações e são mais suscetíveis a desenvolver incapacidades funcionais. Diversos profissionais podem atuar no tratamento destes pacientes, orientando quanto aos cuidados medicamentosos e adesão às atividades de autocuidado, entre eles o terapeuta ocupacional. Objetivo: Analisar a atuação da Terapia Ocupacional em pacientes com Diabetes Tipo 2. Métodos: Foi realizada análise da literatura, com pesquisa no PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (Bireme) e Scopus, dos artigos publicados entre 2012 a 2017, em português e inglês. Foram elaboradas estratégias de busca utilizando os blocos de conceitos "Diabetes Tipo 2" e "Terapia Ocupacional". Resultados: Foram encontrados 593 artigos por meio da busca com os descritores selecionados e aplicações de filtros. Segundo os critérios de elegibilidade, foram selecionados 14 artigos para análise. Percebe-se que a atuação do terapeuta ocupacional com esta clientela tem sido pautada na integração e inserção realista de práticas de autocuidado em uma rotina mais estruturada e organizada. Conclusão: O terapeuta ocupacional pode auxiliar na melhora da funcionalidade, tanto no desempenho quanto na participação da vida diária dos pacientes diabéticos, utilizando-se de estratégias como adaptações e modificações do ambiente, da rotina e dos objetos.

Palavras-chave: Diabetes Mellitus Tipo 2, Atividades Cotidianas, Autocuidado, Terapia Ocupacional

RELATO DE CASO

9 - Influência da realidade virtual sobre a dor, fadiga, capacidade funcional e qualidade de vida na fibromialgia: estudo de caso

Influence of virtual reality on pain, fatigue, functional capacity and quality of life in fibromyalgia: a case study

Natália Barbosa Tossini; Gabriella Regina Côrrea e Silva; Marina Petrella; Victor Eduardo Borges Soares; Alexandre Brandao; Paula Regina Mendes da Silva Serrao

Acta Fisiátr.2017;24(4):212-215

Objetivo: Avaliar o efeito da Realidade Virtual (RV) associado a exercícios físicos na qualidade de vida, fadiga, níveis de dor e capacidade funcional em uma mulher com Fibromialgia (FM). Métodos: Trata-se de um estudo de caso que avaliou uma paciente com diagnóstico de FM, antes e após a intervenção com a RV associada a prática de exercícios físicos. Os instrumentos de avaliação utilizadas foram: Questionário de Impacto da Fibromialgia, Questionário de Capacidade Funcional, a Escala Visual analógica de Dor, Escala de Pensamento catastrófico sobre a dor, Escala de severidade da fadiga e avaliação do limiar de dor à pressão sobre os 18 tender points por meio de um algômetro de pressão digital. O tratamento ocorreu durante 6 semanas, com 2 sessões de tratamento por semana, totalizando 12 sessões. Resultados: O estudo proposto mostrou que o tratamento associado a RV promoveu uma melhora no impacto da FM na qualidade de vida da voluntária, uma diminuição na catastrofização da dor e uma diminuição da fadiga. Também foi possível notar uma melhora no limiar de dor a pressão em 16 tender points. Conclusão: Um programa de reabilitação para pessãos com FM que envolva a RV somado a prática de exercícios físicos contribuiu para melhora dos aspectos cognitivo e físico. A associação destas duas terapias foi benéfica, uma vez que estímulos cognitivos e a prática de uma atividade física foi capaz de promover melhora na função, na fadiga, na qualidade de vida e na percepção de dor desses

Palavras-chave: Terapia de Exposição à Realidade Virtual, Qualidade de Vida, Fadiga, Catastrofização

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - A reabilitação das alterações cognitivas após o acidente vascular encefálico

The rehabilitation post stroke cognitive changes

Sandra Regina Schewinsky; Vera Lucia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr.2017;24(4):216-221

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) exerce forte impacto no panorama global da saúde do país, sendo a uma das maiores causas de deficiências no mundo, pois geram sequelas motoras, sensitivas, de linguagem, cognitivas, emocionais e comportamentais. A pessão que sofreu um AVE necessita de atendimento integrativo, motivo que o presente artigo visa demonstrar como o Serviço de Psicologia no Instituto de Medicina Física de Reabilitação do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMREA HC FMUSP) atua no estado da arte da reabilitação neuropsicológica/cognitiva, em que se faz necessário conceituar a Neuropsicologia e sua interface com o diagnóstico diferencial, com compreensão do funcionamento das atividades mentais na normalidade e suas alterações, para finalmente discorrer sobre a estruturação do programa de reabilitação neuropsicológica/cognitiva no processo de Reabilitação Integral da pessão vítima de AVE no IMREA FMUSP.

Palavras-chave: Acidente Vascular Encefálico, Neuropsicologia, Disfunção Cognitiva

Número atual:  2016 - Volume 23  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Perfil de dispensação da toxina botulínica para tratamento da espasticidade: dados nacionais brasileiros

Dispensing profile of botulinum toxin for treating spasticity: Brazilian national data

Tae Mo Chung; Adriana Moro; Ana Paula Coutinho Fonseca; Arquimedes de Moura Ramos; Cristiane Lima Carqueja; Denise Rodriques Xerez; Eduardo Freire de Oliveira; Gláucia Somensi de Oliveira Alonso; Lucia Helena Costa Mercuri Granero; Luiz Antonio de Arruda Botelho; Maurício Rassi; Patrícia Zambone da Silva; Sérgio Lianza; Sonia Maria Carneiro Chaves

Acta Fisiátr.2016;23(1):1-6

Os fisiatras especializados no tratamento de espasticidade foram reunidos para um painel de discussão a respeito do uso de toxina botulínica (TB) na rede pública de diferentes estados do Brasil. Os dados analisados durante a discussão do Datasus demonstram um baixo perfil de demanda desse produto dispensado pelo Sistema Unico de Saúde (SUS), com uma heterogeneidade na distribuição da TB nos estados brasileiros. Esse quadro parece se configurar principalmente por falta de uma política pública devidamente planejada, como a falta de unificação e normatização dos centros de distribuição, pela falta ou inadequação da remuneração do procedimento de aplicação da TB aos centros de tratamento, de modo padronizado pela tabela SUS e escassez de médicos capacitados para realizá-lo junto à falta de centros de reabilitação multidisciplinar habilitados. O uso de toxina botulínica com finalidade terapêutica no Brasil teve início nos anos 90, para tratamento de distonia e de espasticidade. Atualmente, é empregada em diferentes condições clínicas, porém, apesar da crescente demanda e indicações ao longo dos anos, há poucos relatos ou publicações sobre seu uso e benefício para pacientes atendidos pela Sistema Unico de Saúde (SUS). Para abordar esse tema, em maio de 2015, na cidade de São Paulo, fisiatras de diferentes estados do Brasil se encontraram e discutiram a relevância da toxina botulínica no tratamento de espasticidade.

Palavras-chave: Toxinas Botulínicas, Espasticidade Muscular/reabilitação, Políticas Públicas de Saúde, Brasil

2 - Comparação dos efeitos de exercícios resistidos versus cinesioterapia na osteoartrite de joelho

Comparison of the effects of resistance exercise versus kinesiotherapy in knee osteoarthritis

Natália Cristina de Oliveira; Sandoval Vatri; Fabio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2016;23(1):7-11

O aumento da expectativa de vida de diversas populações coloca a osteoartrite (OA) como uma importante questao de saúde pública, por se tratar de uma doença crônica muito prevalente e que lidera as causas de dor e incapacidade entre adultos e idosos. Objetivo: Comparar a dor, mobilidade, capacidade funcional e força de indivíduos com OA de joelhos submetidos a dois tipos de intervenção: exercício resistido (GER) e cinesioterapia (GCI). Métodos: Tratou-se de um ensaio clínico prospectivo, randomizado e simples-cego do qual participaram 30 pacientes com OA de joelhos, adultos de ambos os sexos. Os voluntários foram avaliados quanto à dor, rigidez articular, funcionalidade, mobilidade funcional e força, por um avaliador cego, antes e após as intervenções. Por meio de sorteio simples, os participantes foram aleatoriamente direcionados a um dos 2 grupos de intervenção, e submetidos a 15 sessões de tratamento, com duração de 30 minutos cada, 2 vezes por semana. Resultados: Ambas as intervenções promoveram melhorias significantes em todas as variáveis avaliadas, e não houve relato de nenhum efeito adverso ao longo da pesquisa. Conclusão: Tanto o exercício resistido como a cinesioterapia são eficazes para melhorar a dor, rigidez articular, funcionalidade, mobilidade funcional e força de pacientes com OA de joelhos.

Palavras-chave: Osteoartrite do Joelho, Exercício, Reabilitação

3 - Como determinar a velocidade inicial da esteira no treinamento aeróbio de hemiparéticos crônicos?

How to determine the initial treadmill speed for the aerobic training of chronic hemiparetics?

Augusto Cesinando de Carvalho; Fernanda Contri Messali; Roselene Modolo Regueiro Lorençoni; Fabricio Eduardo Rossi; Lucia Martins Barbatto; Tania Cristina Bofi; Fabiana Araujo Silva; Luiz Carlos Marques Vanderlei

Acta Fisiátr.2016;23(1):12-15

Objetivo: Investigar os critérios para estabelecer a velocidade inicial da esteira e viabilizar um treinamento motor funcional ou cardiorrespiratório em hemiparéticos crônicos. Métodos: Foram recrutados 15 hemiparéticos crônicos determinados pelo Lower Extremity Motor Coordination Test (LEMOCOT) e submetidos à avaliação da marcha pelo Time up and go (TUG), Teste de Esforço Máximo (TES) e Teste de velocidade de marcha de 10 metros (TV10M). Resultados: A análise dos valores do LEMOCOT demonstrou uma média de 26,87 ± 9,76 acertos nos alvos no lado não parético e 15,40 ± 8,46 no lado parético. No TUG verificou-se a velocidade média de 0,37 ± 0,14 m/s e no TV10M 0,63 ± 0,23 m/s. No TES a velocidade média foi 0,60 ± 0,25 m/s. Houve correlação forte e significante entre os valores de TUG, TV10M e TEX. Conclusão: O TES e TV10M são testes adequados para serem utilizados como critério de elegibilidade da velocidade inicial para treinos aeróbios, todavia o TES é capaz de revelar o tempo em que o paciente consegue manter a marcha. O TUG não revelou ser um bom instrumento para estabelecer a velocidade inicial do treinamento.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Exercício, Marcha

4 - Perfil social de crianças e jovens com paralisia cerebral em um centro de reabilitação física

Social profile of children and teens with cerebral palsy in a physical rehabilitation center

Viviane Duarte Correia; Arlete Camargo de Melo Salimene

Acta Fisiátr.2016;23(1):16-19

Para o desenvolvimento de programas de reabilitação e ações de saúde, é preciso compreender as mudanças na vida dessas pessãos, para a execução e participação das várias atividades na vida diária. A paralisia cerebral (PC) é causa mais comum de deficiência física grave na infância. Afeta cerca de dois a cada 1.000 nascidos vivos em todo o mundo, enquanto nos países em desenvolvimento, está estimada em 7 por 1.000 nascidos vivos. Objetivo: Conhecer os universos socioeconômico e demográfico da criança com paralisia cerebral do município de São Paulo/SP. Métodos: Trata-se de estudo quantitativo, qualitativo e descritivo, em pacientes com diagnóstico clínico e funcional de paralisia cerebral, ativos em programa de reabilitação, durante o ano de 2014, residentes na cidade de São Paulo/SP, com idades entre 0 e 18 anos, de ambos os sexos. Resultados: Vinte e cinco pacientes participaram do estudo. A pesquisa revelou que 52% (13) dos pacientes são do sexo feminino, com idades de 6 a 15 anos. No âmbito econômico, 80% (20) dos pacientes possuem o Benefício de Prestação Continuada (B.P.C), sendo esta a principal fonte de renda para 40% (10) das famílias. No âmbito familiar, 88% (22) dos pacientes vivem em família nuclear, composta por casais. A segunda maior proporção 20% (5) foi de famílias monoparentais, chefiadas por mulheres. No que refere à participação da figura paterna no tratamento, 56% (14) dos casos contam com o envolvimento paterno, dos quais 91% (22) convivem com a renda familiar de até 2 S.M. Dos contextos familiares, em que não há o envolvimento paterno no tratamento, totalizam 44% (11). A maioria destas famílias vivem com renda familiar de até 1 SM 57% (14) e, em arranjos familiares distintos. Os resultados da pesquisa apontam que 1, em cada 4 pacientes não frequenta o ambiente escolar. Com relação à moradia dos pacientes, 72% (18) não possuem casa própria e, 80% (20) não possuem acessibilidade na residência. Conclusões: Conhecer o meio em que vivem as pessãos com deficiência é de extrema relevância, visto que este pode influenciar positiva ou negativamente, a vivência da saúde e doença. O dinamismo familiar e o empenho do trabalho em equipe no processo de reabilitação poderao contribuir, favoravelmente, ao bem-estar de todos e inclusão social, da criança com PC, e auxiliar na formulação das políticas públicas.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Crianças, Perfil de Saúde, Assistência Social

5 - Mensuração de sobrecarga emocional em cuidadores de crianças com paralisia cerebral

Emotional overload measurement in caregivers of children with cerebral palsy

Yara Haydenilla Menezes Marques; Tathiana Corrêa Rangel; Gleidially Nayara Bezerra de Moraes; Roberto Rodrigues Bezerra; Rodrigo Feliciano do Carmo

Acta Fisiátr.2016;23(1):20-24

Objetivo: O presente estudo tem por objetivo avaliar o nível de sobrecarga emocional em cuidadores de crianças com paralisia cerebral, assim como, os possíveis fatores que influenciarao o aumento dessa sobrecarga. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo de corte transversal realizado no período de fevereiro de 2014 a Setembro de 2014, em ambulatórios de fisioterapia de serviços públicos e privados. Resultados: Foram avaliados 41 cuidadores. A média de sobrecarga pela Burden Interview foi de 25,2 ± 10,1, onde 37 desses cuidadores eram maes. A sobrecarga foi maior em indivíduos com renda familiar entre 1 e 2 salários mínimos; idades mais avançadas (33,5 ± 14,77) apresentaram maior tendência à sobrecarga; e indivíduos que apresentaram um maior número de filhos (2 ou 3), tiveram resultado estatístico significante, com p = 0,0091. Conclusão: Os cuidados dispensados às crianças com paralisia cerebral e as condições físicas e socioeconômicas do cuidador são fatores importantes no aumento da sobrecarga emocional destes. Foi possível verificar, ainda, que quanto maior o número de filhos, maior a sobrecarga emocional, e que tal condição está diretamente relacionada à idade do cuidador e a renda familiar.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Desenvolvimento Infantil, Cuidadores, Carga de Trabalho

6 - Avaliação funcional de pacientes com hemiplegia pós acidente vascular encefálico: Disabilities of the Arm, Shoulder And Hand - DASH

Functional evaluation of hemiplegic patients post-stroke using the Disabilities of the Arm, Shoulder And Hand - DASH questionnaire

Natalia Cristina Thinen; Denise Rodrigues Tsukimoto; Gracinda Rodrigues Tsukimoto

Acta Fisiátr.2016;23(1):25-29

A hemiplegia pós Acidente Vascular Encefálico (AVE) resulta em limitações na movimentação do MMSS e MMII, prejudicando as capacidades funcionais do indivíduo para o desempenho de suas atividades cotidianas. Objetivo: Verificar se o questionário Disability of the Arm, Sholder and Hand (DASH) é um instrumento apropriado para avaliar pacientes com hemiplegia por AVE. Métodos: Foram entrevistados 100 pacientes com hemiplegia por AVE atendidos pelo serviço de Terapia Ocupacional IMREA HC FMUSP utilizando o instrumento DASH. Resultados: O DASH mostrou-se um questionário válido e reprodutível porque avalia as dificuldades para o desempenho de atividades básicas e instrumentais da vida diária em relação as limitações motoras dos pacientes hemiplégico. Conclusão: Oferece informações do paciente sobre sua opiniao e satisfação pessãol em relação sua própria condição física e grau de independência para atividades cotidianas.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Extremidade Superior, Inquéritos e Questionários, Terapia Ocupacional

ARTIGO DE REVISÃO

7 - Uma visão global do treinamento físico aeróbio para pacientes com insuficiência cardíaca: estudo de revisão

An overall view of aerobic physical training for chronic heart failure patients: a review study

Francisco José dos Santos Silva; Paulo Roberto Santos-Silva; Julia Maria D'Andrea Greve

Acta Fisiátr.2016;23(1):30-34

Uma das modalidades de tratamento coadjuvante para a melhora da capacidade física e qualidade de vida em portadores de insuficiência cardíaca (IC) é o treinamento físico aeróbio. Objetivo: Atualizar por revisão sistemática o assunto efeito do treinamento físico aeróbio como coadjuvante no tratamento de portadores de IC. Métodos: Uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados foi realizada utilizando as bases eletrônicas de dados (PubMed/MEDLINE, Lilacs, EMBASE, CINAH e a Biblioteca Cochrane foram pesquisados num período de cinco anos (2010 a 2015). Foram incluídos ensaios com no mínimo 3 meses de seguimento e com a avaliação dos efeitos das intervenções de exercícios como um componente do programa de reabilitação dos portadores de IC. Resultados: Sete protocolos clínicos foram incluídos com 4000 participantes, predominantemente com uma fração de ejeção reduzida (< 50%) e classe clínica II e III pela New York Heart Association. O programa de exercício como variável independente reduziu o risco geral e específico de hospitalização por insuficiência cardíaca e resultou em uma melhora clinicamente importante na qualidade de vida dos pacientes. Os estudos com análise de meta-regressão univariada mostraram que esses benefícios foram independentes do tipo, dose do exercício e duração do seguimento. Conclusão: Dentro dos limites estabelecidos nesta revisão foi possível mostrar que as melhorias na diminuição das hospitalizações e melhoria de saúde relacionados com qualidade de vida com base no engajamento dos portadores de IC em programas de exercício supervisionado parece ser consistente em todos os pacientes, independentemente das características do programa e pode reduzir a mortalidade a longo prazo.

Palavras-chave: Atividade Motora, Consumo de Oxigênio, Qualidade de Vida

8 - Benefício da terapia de ondas de choque no tratamento de úlceras cutâneas: uma revisão da literatura

Benefits of extracorporeal shockwave in the treatment of skin ulcers: a literature review

Marcus Yu Bin Pai; Juliana Takiguti Toma; Danielle Bianchini Rampim; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2016;23(1):35-41

A terapia de ondas de choque (TOC) extracorpórea possui ação analgésica e anti-inflamatória. Com a evolução e compreensão de seus mecanismos físicos e biológicos, foi se estudando a sua aplicação em outras patologias, principalmente em afecções ósseas e musculo-tendíneas. Recentemente, estudos em modelos animais demonstraram a sua capacidade angiogênica e maior taxa de re-epitelização local. Estas pesquisas levaram ao início do uso de TOC radial de baixa energia no tratamento e manejo de diversas lesões de pele de difícil tratamento. As úlceras cutâneas possuem diversas etiologias, variando desde úlceras de pressão, queimaduras, úlceras venosas ou arteriais e também úlceras diabéticas. Seu tratamento é um desafio, devido ao seu tempo prolongado de tratamento (resultando em dificuldades quanto ao seguimento clínico) e também elevados custos. Objetivo: Avaliar a eficácia da TOC na cicatrização de úlceras de diversas etiologias: diabéticas, por pressão, queimaduras, pós-traumáticas, vasculares venosas e arteriais, por meio de uma revisão da literatura. Métodos: Foi realizada uma revisão da literatura, sendo incluídos estudos clínicos em humanos Resultados: 9 artigos preencheram os critérios de inclusão. Os estudos inclusos compreenderam 788 pacientes. Os manuscritos trouxeram uma variedade de padrao de intervenções diferentes. Houve heterogeneidade no tempo de intervenção, número de pulsos e na frequência de sessões, bem como na quantidade de sessões, densidade de energia aplicada, e também no tipo de ondas de choque utilizados nas terapias. Alguns dos trabalhos descritos encontraram uma maior taxa na cicatrização e fechamento completo de lesões em pacientes com lesões crônicas, que não responderam ao tratamento conservador. Porém, há poucos estudos na literatura com qualidade metodológica adequada. Conclusão: A TOC surge como uma alternativa promissora para pacientes que não respondem bem à terapia conservadora. Os resultados são promissores porém com evidências limitadas quanto a diminuição do tempo de cicatrização e na aceleração do fechamento de lesões. Os estudos selecionados não relataram efeitos colaterais significativos, sendo uma terapia segura.

Palavras-chave: Ondas de Choque de Alta Energia, Resultado do Tratamento, Terapêutica

RELATO DE CASO

9 - Modelo intensivo de reabilitação na síndrome de Guillain-Barré: um relato de caso

Intensive rehabilitation model in Guillain-Barre syndrome: a case report

Flavio Tanouye Montini; Daniel Rubio de Souza; Fernando de Quadros Ribeiro; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2016;23(1):42-45

Existem poucas informações na literatura médica sobre a reabilitação de pacientes com a Síndrome de Guillain-Barré (SGB). Há estudos clínicos que demonstram a eficácia do programa de reabilitação por meio de uma equipe interdisciplinar, porém sem protocolos bem definidos e apenas realizados em regime ambulatorial. Este relato de caso tem como objetivo descrever a evolução de um paciente com SGB, durante o programa de reabilitação multiprofissional intensivo em regime de internação, discutindo as possibilidades terapêuticas para reabilitação da doença.

Palavras-chave: Síndrome de Guillain-Barré/reabilitação, Paresia, Quadriplegia, Robótica

10 - Aplicação do Core Set resumido da CIF-CJ para paralisia cerebral em uma criança em idade escolar

Application of the ICF-CY Brief Core Set for cerebral palsy on a school age child

Rafaela Pichini de Oliveira; Carla Andrea Cardoso Tanuri Caldas; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2016;23(1):46-50

O desenvolvimento dos Core Sets da CIF para Crianças e Jovens com paralisia cerebral (CIF-CJ-PC) foi publicado em Junho de 2014. Descrevemos a aplicação do Core Set resumido em uma criança de 09 anos de idade, com o objetivo de propor métodos disponíveis e aprimorar sua aplicabilidade na prática clínica. Para realizar esta avaliação selecionamos instrumentos padronizados já consagrados na literatura que conseguissem prover a qualificação de cada categoria do Core Set. Para os itens que não poderiam ser qualificados por escalas específicas, foram formuladas perguntas simples direcionada para o paciente e seu responsável. Ao aplicar a versão resumida da CIF-CJ-PC pudemos demonstrar dados que descrevem a funcionalidade do paciente deforma objetiva, bem como a forma como os fatores de contexto atuam. Concluímos que a avaliação rotineira desses jovens pode ser expressa numa linguagem que permite comparação e elaboração de relatórios com finalidade clínica, administrativa e epidemiológica.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Criança, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

Número atual: Junho 2016 - Volume 23  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Impacto de um programa estruturado de hidrocinesioterapia em pacientes com osteoartrite de joelho

Impact of a structured aquatic therapy program on patients with knee osteoarthritis

Claudia Kümpel; Islam Saadeddine; Elias Ferreira Porto; Renata Gomes Borba; Antônio Adolfo Mattos de Castro

Acta Fisiátr.2016;23(2):51-56

A osteoartrite é uma doença articular degenerativa, reumática crônica, multifatorial de alta prevalência, atinge 10% da população com mais de 65 anos. Afeta igualmente ambos os sexos, sendo que na mulher a incidência é maior após o período da menopausa. Esta doença compreende 65% das causas de incapacidade, atrás somente de doenças cardiovasculares e mentais. A reabilitação do paciente com artrose é um processo complexo que envolve procedimentos especializados Objetivo: Avaliar os efeitos de um programa de hidrocinesioterapia sobre a capacidade de realização de atividades da vida diária em pacientes com osteoartrite. Métodos: Este é um estudo prospectivo, onde vinte e seis pacientes com histórico de osteoartrite de joelho foram submetidos a um programa de tratamento em hidrocinesioterapia, com frequência de duas vezes por semana com duração de 50 minutos cada sessão. O programa consistia de quatro fases, sendo elas: aquecimento, alongamento, fortalecimento e relaxamento. Estes pacientes foram avaliados pré e pós-tratamento. Utilizando como método de avaliação a goniometria, escala de dor EVA e Teste de Caminhada de Seis Minutos. Resultados: Houve melhora significante da amplitude de movimento ao realizar flexão dos joelhos acometidos, também foi visto diminuição significativa da dor e melhora significante na capacidade de realização das atividades de vida diária avaliada por meio da distância percorrida no teste de caminhada de seis minutos. Conclusão: Houve melhora da capacidade de realizar AVD e da capacidade física, assim como redução do quadro álgico e aumento da amplitude de movimento.

Palavras-chave: Osteoartrite do Joelho, Hidroterapia, Modalidades de Fisioterapia, Reabilitação

2 - Perfil social do paciente amputado em processo de reabilitação

The social profile of the amputee patient in rehabilitation

Laís Batista de Lima; Viviane Duarte Correia; Arlete Camargo de Melo Salimene

Acta Fisiátr.2016;23(2):57-60

Pensar no paciente amputado perpassa por necessidades que vao para além de sua reabilitação física. Enquanto processo integral, a reabilitação conta com a presença do (a) Assistente Social que se faz indispensável ao longo do tratamento, como forma de oferecer ferramentas que favoreçam a viabilização do gradativo processo de inclusão social frente à nova situação adquirida. Objetivo: Buscou-se através do presente estudo traçar o perfil social do paciente amputado atendido na internação do Instituto de Medicina Física e Reabilitação/IMREA, da cidade de São Paulo/SP. Métodos: Trata-se de pesquisa retrospectiva; quantitativa no que se refere à compilação de dados e, qualitativa, enquanto uma análise com base na perspectiva materialista dialética. Para o desenvolvimento do presente estudo foi realizado um recorte do período de novembro de 2014 a julho de 2015 para análise dos prontuários. Resultados: Foram levantados dados oriundos do protocolo institucional de Avaliação Social, instrumento técnico-operativo do profissional, tais quais: idade; sexo; estado civil; renda per capita; regiao de procedência; grau de escolaridade; benefício previdenciário e se já teve acesso a tratamento de reabilitação em outro local. Conclusão: Esse trabalho traz a importância do profissional de Serviço Social enquanto parte integrante da equipe interdisciplinar para o processo de reabilitação do paciente amputado, contribuindo assim para um conhecimento do indivíduo em sua totalidade.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência, Amputados, Reabilitação, Predomínio Social

3 - Serviço de nutrição em reabilitação física: perfil epidemiológico de pacientes em atendimento ambulatorial

Nutrition service in physical rehabilitation: epidemiological profile of patients in outpatient care

Tayane dos Santos Souto; Rosana Aparecida de Freitas Lopes

Acta Fisiátr.2016;23(2):61-65

Estima-se que uma pessão em cada dez possua algum tipo de deficiência, ou seja, 10% da população mundial. Na deficiência física as causas mais comuns são: amputação, acidente vascular encefálico, traumatismo crânio encefálico, lesão medular, fibromialgia, doenças neurodegenerativas e entre outras. Objetivo: Descrever o perfil dos pacientes atendidos pelo serviço de nutrição do Instituto de Medicina Física e Reabilitação (IMREA) - unidade Vila Mariana, São Paulo, no período de fevereiro de 2012 a setembro de 2015. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, os dados foram obtidos de prontuários de atendimentos onde foram coletados os dados: sexo, idade, equipe de atendimento, doenças associadas, índice de massa corporal inicial e final, hábito intestinal inicial e final. Resultados: A população estudada teve predomínio das seguintes características gênero feminino; adulto jovem; principal etiologia lesão encefálica; o diagnóstico de hipertensão associada a maioria dos casos; maior parte está acima do peso. Conclusão: Observou-se melhora importante do hábito intestinal pós programa de educação nutricional.

Palavras-chave: Serviços de Reabilitação, Programas de Nutrição, Constipação Intestinal, Indice de Massa Corporal

4 - Validade discriminante do protocolo do desempenho funcional e social de crianças com paralisia cerebral

Discriminant validity of a social and functional performance protocol for children with cerebral palsy

Livia Marcello Zampieri; Jair Lício dos Santos; Luzia Iara Pfeifer

Acta Fisiátr.2016;23(2):66-72

A Paralisia Cerebral (PC) engloba um grupo de desordens permanentes do desenvolvimento do movimento e postura, atribuídas a distúrbios não progressivos que ocorrem no desenvolvimento fetal ou cérebro infantil. Como consequências do quadro motor, podem ocorrer prejuízos nas habilidades para as atividades de vida diária, independência da marcha, cuidados de higiene e vestuário, atividades sociais, cognitivas e comportamentais, favorecendo um impacto negativo na saúde e no bem-estar da criança e da família. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) é um sistema de classificação da função e incapacidade e, por se tratar de uma classificação extensa, existe a possibilidade de se agrupar os códigos mais relevantes para diferentes doenças, formando-se os "Core Sets" e, baseado nesta ideia, foi criado um instrumento nomeado Protocolo de desempenho Social e Funcional de crianças com Paralisia Cerebral (DSF-PC). Objetivo: Avaliar a validade discriminante do protocolo DSF-PC para verificar se o mesmo é sensível às alterações de desempenho funcional e participação social de crianças com paralisia cerebral quando comparadas a crianças com desenvolvimento típico. Métodos: Consistiu na aplicação do protocolo do Desempenho Funcional e Social de crianças com Paralisia Cerebral DFS-PC junto aos cuidadores de crianças com PC e crianças com desenvolvimento típico. Resultados: O DFS-PC é considerado sensível para detectar diferenças entre crianças com PC e crianças com desenvolvimento típico, apresentando diferença significativa em 12 dos 16 domínios através do Teste de Mann-Whitney. Conclusão: Este protocolo é considerado válido e adequado para ser aplicado junto a crianças com Paralisia Cerebral.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Criança Paralisia, Cerebral

5 - Limiar de tolerância de dor à pressão, estilo de vida, força muscular e capacidade funcional em idosas com sarcopenia

Pressure pain threshold, lifestyle, muscle strength and functional capacity in elderly women with sarcopenia

Alessandra Rodrigues Souto Lima; Leslie Andrews Portes; Natália Cristina de Oliveira; Fábio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2016;23(2):73-77

Objetivo: Avaliar o impacto desta condição sobre a força muscular, capacidade funcional, estilo de vida e limiar de tolerância de dor à pressão. Métodos: Idosas consideradas saudáveis (n = 75) de 60 a 75 anos (66,8 ± 4,6 anos) foram estudadas em um desenho observacional e transversal. Foram excluídas as que apresentavam dor maior do que 4 na Escala Visual Analógica (EVA) e que utilizavam medicação analgésica e/ou anti-inflamatória. A composição corporal e a presença de sarcopenia foram avaliadas por meio de impedância bioelétrica. Foram constituídos dois grupos: CO - grupo controle (n = 51) e SARC - grupo sarcopenia (n = 24, índice de massa muscular menor que 6,86 kg/m2). Resultados: A capacidade funcional foi determinada pelo Teste de Caminhada de 6 minutos (TC6min), e a força de preensão manual e de flexão dos cotovelos por dinamometria. O estilo de vida foi avaliado pelo questionário FANTASTICO. O limitar de tolerância à dor foi determinado por algometria. Os dados foram analisados por meio do teste t de Student (p < 0,05). CO e SARC não diferiram quanto à idade, percentual de gordura corporal, estilo de vida, TC6min, força de flexão dos cotovelos e em praticamente todos os pontos analisados pela algometria. Entretanto, foram verificadas diferenças estatisticamente significantes entre os grupos em relação à força de preensão manual e na algometria da inserção direita do bíceps braquial. Conclusão: Idosas com significante redução de massa muscular não exibem prejuízos em relação à funcionalidade e sensação de dor muscular e tendínea, provavelmente por uma condição pré-sarcopênica.

Palavras-chave: Envelhecimento, Força Muscular, Aptidao Física, Limiar da Dor, Sarcopenia

6 - Quedas e fatores associados em idosos trabalhadores de uma instituição de ensino superior

Falls and associated factors among older workers in a university

Soraya Geha Gonçalves; Edson Lopes Lavado; Celita Salmaso Trelha

Acta Fisiátr.2016;23(2):78-84

Objetivo: Analisar fatores associados a quedas em idosos servidores de uma instituição de ensino superior pública. Métodos: Estudo transversal, com idosos trabalhadores de idade igual ou superior a 60 anos. Foi utilizado um questionário estruturado abordando aspectos sociodemográficos, ocupacionais e ocorrência de quedas nos últimos 12 meses. Instrumentos utilizados: Escala de Depressão Geriátrica, Pittsburgh Sleep Quality Index, International Physical Activity Questionnaire, Timed Up and Go Test, Teste de "Sentar e Levantar" da cadeira 5 vezes, Velocidade da Marcha, Equilíbrio Estático e Força de Preensão Manual. Resultados: Participaram do estudo 254 idosos trabalhadores, 76% pertenciam à faixa etária entre 60 a 64 anos e 58,7% eram do sexo masculino. A amostra foi dividida em dois grupos, caidores e não caidores e a prevalência de quedas nos últimos doze meses foi de 21,3% ± 2,72 (IC 95% = 15,92-26,58). Verificou-se associação significativa entre queda e sexo (p = 0,043), hospitalização nos últimos 12 meses (p = 0,000) e velocidade da marcha (p = 0,007). No modelo de regressão Poisson permaneceram as três variáveis associadas à queda: sexo masculino (RPaj = 0,62 IC 95% 0,40-0,98); velocidade da marcha adequada (RPaj = 0,46 IC 95% 0,26-0,81) e hospitalização nos últimos 12 meses (RPaj = 2,79 IC 95% 1,80-4,32). Conclusão: Estudo identificou uma menor prevalência de quedas nesta população e verificou a relação positiva entre trabalho e envelhecimento, no qual os idosos que continuam trabalhando tendem a apresentar melhores condições de saúde que a população de idosos em geral.

Palavras-chave: Acidentes por Quedas, Trabalhadores, Idoso, Nível de Saúde

7 - Qualidade de vida de pessoas com doença de Parkinson após o tratamento com realidade virtual não imersiva

Quality of life of people with Parkinson's disease after treatment with non-immersive virtual reality

Danielle Carneiro de Menezes Sanguinetti; Maria das Graças Wanderley de Sales Coriolano; Charleny Mary Ferreira de Santana; Thaisa Damasceno de Albuquerque Angelo; Juliana Patrícia de Araújo Silva; Sarah Buarque Câmara; Amdore Guescel Asano; Otávio Gomes Lins

Acta Fisiátr.2016;23(2):85-88

Objetivo: Analisar a influência do tratamento com jogos em realidade virtual não imersiva (RVNI) na qualidade de vida (QV) de pessãos com doença de Parkinson (DP). Métodos: Ensaio clínico não controlado, com 14 pessãos com DP entre os estágios I a IV da DP. O tratamento com RVNI ocorreu em 6 meses, com 1 avaliação inicial e 2 reavaliações trimestrais. Os instrumentos de medida de resultado foram o Questionário da Doença de Parkinson-39 (PDQ-39) e Questionário de Autopercepção de Desempenho. No protocolo de tratamento foi utilizado o Kinectr para Xbox 360 e os jogos Kinect Advencturesr, Your Shape Fitness Evolvedr e Kinect Sportsr. Na análise estatística do PDQ-39 foi aplicado o teste de Wilcoxon (p ≤ 0,05) e para o Questionário de Autopercepção de Desempenho foi empregada a análise qualitativa de conteúdo temático, com identificação de seis categorias. Resultados: Houve significância estatística após o período de 3 meses de tratamento com os jogos em RVNI, especificamente na mobilidade, bem estar emocional, estigma, cognição e pontuação total do PDQ-39. Depois de 6 meses de tratamento os resultados se mantiveram, não havendo novos ganhos. No entanto, por uma doença neurodegenerativa essa manutenção dos ganhos é favorável para o prognóstico funcional dos pacientes. Nas categorias temáticas, destacaram-se relatos de melhora na mobilidade, atividades de vida diária, bem estar emocional, estigma e desconforto corporal. Conclusão: O tratamento com RVNI beneficia a QV de pessãos com DP, principalmente quando abrange a mobilidade, bem estar emocional, estigma e cognição.

Palavras-chave: Doença de Parkinson, Qualidade de Vida, Terapia Ocupacional, Jogos de Vídeo, Reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Aplicação e efeitos da eletroestimulação neuromuscular na reabilitação da disfagia orofaríngea: revisão de literatura

Application and effects of neuromuscular electrical stimulation in the rehabilitation of oropharyngeal dysphagia: a literature review

Thalyta Georgia Vieira Borges; Graziela Muzzo de Oliveira; Fernanda Cristina de Oliveira Rocha; Carla Rocha Muniz; Mariana Pinheiro Brendim; Yonatta Salarini Vieira Carvalho; Charles Henrique Dias Marques

Acta Fisiátr.2016;23(2):89-95

Objetivo: Analisar os diferentes métodos de Eletroestimulação Neuromuscular (EENM) na intervenção das disfagias orofaríngeas. Metódos: Revisão através dos descritores: "transtornos de deglutição" e "estimulação elétrica" nas bases PubMed, BVS, SciELO e MedLine, de 1997 a 2015. Classificados segundo Sistema Integrado CAPES (SiCAPES), Escala PEDro e Jadad. Resultados: 165 artigos encontrados. 25 selecionados de acordo com o tema proposto. Entre 2009-2012 (60%, n = 15) ocorreu maior número de publicações. Caso Controle foi o tipo de estudo mais relatado (28%, n = 7). A maioria investigou indivíduos pós acidente vascular cerebral (44%, n = 11). O tipo de terapia mais recorrente considera EENM em repouso e terapia tradicional (TT) (28%, n = 8), EENM durante a deglutição e TT (28%, n = 7) e EENM em repouso (24%, n = 3). Vital Stimr foi o aparelho de eletroestimulação mais citado (32%, n = 8). A eletroestimulação transcutânea foi a mais relatada (76%, n = 19). Quanto à localização, destacam-se eletrodos fixados na regiao do pescoço (48%, n = 12) e submentual (44%, n =11). Correntes mais utilizadas: FES (40%, n = 10) e TENS (24%, n = 6). Videofluoroscopia é o método de avaliação predominante (52%, n = 13). Pela distribuição SiCAPES o maior número de materiais classificam-se em B2 (36%, n = 9) e A1 (16%, n=4). Na Escala PEDro os trabalhos pontuaram, principalmente, em 11 (24%, n = 6) e 10 (16%, n = 4). Considerando a Escala Jadad, (24%, n = 6) estudos obtiveram 3 pontos. Conclusão: Observou-se maior prevalência de efeito terapêutico na elevação do complexo hiolaríngeo, importante mecanismo de defesa das vias respiratórias durante a deglutição, utilização da corrente FES, e eletrodos posicionados na regiao submentual ou de pescoço. Novas pesquisas são necessárias, com grupos etiológicos definidos, para comprovação do efeito terapêutico a médio e longo prazo.

Palavras-chave: Terapia por Estimulação Elétrica, Transtornos de Deglutição, Reabilitação

9 - O papel da vitamina D na força muscular em idosos

The role of vitamin D in muscle strength among the elderly

Patrícia Zambone da Silva; Rodolfo Herberto Schneider

Acta Fisiátr.2016;23(2):96-101

A hipovitaminose D é uma condição frequente em idosos e está associada ao risco aumentado de fratura. A deficiência de vitamina D é comum entre indivíduos idosos em localidades de grandes latitudes e muito comum entre os institucionalizados. Atualmente há também evidências de que a baixa concentração vitamina D é associada com vários distúrbios de origem não musculo-esquelética, tais como doenças cardiovasculares, inflamação, doenças infecciosas, entre outras. Além disso, estudos clínicos em idosos têm demonstrado que os baixos níveis séricos de vitamina D correlacionam-se com força muscular reduzida em membros inferiores e pior desempenho físico. No entanto, os níveis necessários para manter a função muscular adequada e força ainda não foram estabelecidos. Objetivo: Avaliar as evidências recentes dos efeitos da vitamina D na força muscular de indivíduos idosos. Métodos: Realizou-se levantamento dos estudos publicados no período de 2010 a 2014 nas bases Pubmed, Medline e Scopus, usando os termos "cholecalciferol", "muscle strength" e "elderly". Resultados: Sete estudos foram selecionados. Os resultados obtidos sugeriram influência positiva da vitamina D na força muscular de idosos. Conclusão: Esta revisão demonstrou que, apesar da ação da vitamina D no sistema musculoesquelético ainda parecer incerto, houve uma tendência de maior benefício com a suplementação de vitamina D em doses maiores. Entretanto, estudos adicionais são necessários para definição do melhor perfil terapêutico.

Palavras-chave: Colecalciferol, Força Muscular, Idoso

RELATO DE CASO

10 - Fisioterapia aquática no tratamento de criança com distrofia muscular congênita merosina negativa: relato de caso

Aquatic physical therapy in the treatment of a child with merosin-deficient congenital muscular dystrophy: case report

Cinthya Patrícia de Albuquerque Santos; Ricardo Cristian Hengles; Fábio Navarro Cyrillo; Fernanda Moraes Rocco; Douglas Martins Braga

Acta Fisiátr.2016;23(2):102-106

Este relato de caso descreve um programa de fisioterapia aquática para uma criança com distrofia muscular congênita (DMC) merosina negativa. Objetivo: Verificar a interferência da fisioterapia aquática na velocidade e no índice de gasto energético durante o deslocamento sentado em superfície plana, e no alcance funcional com os membros superiores devido a fraqueza proximal que acomete estes pacientes visando maior independência. Métodos: Como instrumentos de avaliação foram utilizados a Medida da Função Motora (MFM); o Functional Reach Test (FRT); foi verificado o Indice de Gasto Energético (IGE) no deslocamento sentado; assim como o tempo gasto neste deslocamento e a ativação muscular com a eletromiografia (EMG). O programa durou 12 semanas e a intervenção incluiu atividades para melhorar a mobilidade e a agilidade no deslocamento sentado e o alcance na postura sentada. Resultados: Na MFM a variação no escore das duas dimensões (D2 e D3) focadas na terapia foi de 6,8%. O alcance funcional melhorou 16 centímetros (cm) e o tempo do deslocamento sentado diminuiu 19 segundos (s). O gasto energético diminuiu 252,31 batimentos por minuto (bpm). Conclusão: A fisioterapia aquática foi eficaz para melhora da agilidade no deslocamento sentado e na funcionalidade de membros superiores (MMSS) de uma criança com DMC merosina negativa.

Palavras-chave: Hidroterapia, Distrofias Musculares, Eletromiografia, Reabilitação

Número atual: Setembro 2016 - Volume 23  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Nível de independência funcional de pacientes após acidente vascular cerebral atendidos por equipe multiprofissional em uma unidade de reabilitação

Level of functional independence of patients after stroke assisted by a multidisciplinary team in a rehabilitation unit

Karina Ayumi Martins Utida; Adriane Pires Batiston; Laís Alves de Souza

Acta Fisiátr.2016;23(3):107-112

Objetivo: Analisar a recuperação funcional de pacientes após AVC atendidos por equipe multiprofissional em uma Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) e identificar fatores associados aos ganhos de funcionalidade. Métodos: Trata-se de estudo transversal com dados secundários de 34 pacientes atendidos no período de um ano em unidade de reabilitação, em que a atuação da equipe se dá em caráter integral e de forma humanizada, visando promover ganhos de funcionalidade e resgate da autonomia. Foram investigados os prontuários quanto aos dados sociodemográficos, hábitos de vida, tipo de AVC, tempo de internação e nível de independência funcional de admissão e alta, com base no Indice de Barthel. Resultados: A maior parte dos pacientes, na admissão, apresentava dependência total ou grave (55,9%), e na alta, a maior parte dos pacientes apresentava dependência leve ou independência total (55,9%). Em relação à dependência total, houve uma diminuição significativa no percentual de pacientes com esse grau de dependência (p < 0,001). Não houve relação entre o ganho de funcionalidade e as variáveis estudadas. Conclusão: Os resultados mostraram que o programa de reabilitação proposto trouxe um desfecho positivo sobre a funcionalidade e que os ganhos de funcionalidade não apresentaram associação com as variáveis estudadas.

Palavras-chave: Assistência Integral à Saúde, Acidente Vascular Cerebral, Atividades Cotidianas, Reabilitação

2 - Controle postural e o medo de cair em idosos fragilizados e o papel de um programa de prevenção de quedas

Postural control and the fear of falling in frail elderly and the role of a falls prevention program

Haviley de Oliveira Martins; Karoline Mayara de Aquiles Bernardo; Maristela Santini Martins; Fabio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2016;23(3):113-119

Objetivo: Verificar e analisar os efeitos produzidos por um programa de exercícios físicos multissensoriais associados a orientações sobre prevenção de quedas, sobre o controle postural e medo de cair em idosos frágeis, atendidos em um serviço de reabilitação. Métodos: Uma amostra de 105 indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos de ambos os sexos foi recrutada no momento da triagem na Policlínica para atendimento de suas comorbidades do sistema osteoarticular. Os voluntários foram submetidos às avaliações: Timed Up and Go (TUG); Teste de apoio Unipodal; Berg Balance Test; e a Escala Internacional de Eficácia de Quedas (FES-I). Foram convidados a participar de um programa terapêutico os que apresentavam fragilidade e risco de queda. O programa de prevenção de quedas consistiu em duas sessões de orientação sobre prevenção e riscos de quedas e 10 sessões de exercícios multissensoriais. Os dados foram analisados com ajuda do pacote estatístico Graphy Pad In Stat usando os testes t de Student ou Wilcoxon (p < 0,05). Resultados: Dos 28 idosos que aderiram o grupo, 24 participaram de todas as sessões. Reavaliados após a conclusão do programa, os idosos apresentaram melhoras significantes nos testes: TUG, Apoio Unipodal, Escala de Berg, FES-I. Conclusão: Pode-se concluir que o programa de intervenção para prevenção de quedas proporcionou melhoras sobre o controle postural bem como diminuição no medo de cair destes idosos.

Palavras-chave: Idoso Fragilizado, Exercício, Equilíbrio Postural, Acidentes por Quedas/prevenção & controle

3 - Deglutição de sujeitos portadores de esclerose lateral amiotrófica

The deglutition of patients with amyotrophic lateral sclerosis

Émille Dalbem Paim; Munique Jarces; Patricia Zart; Daniel Lima Varela

Acta Fisiátr.2016;23(3):120-124

Objetivo: Analisar as características da deglutição de sujeitos portadores de esclerose lateral amiotrófica, através da videofluoroscopia da deglutição. Métodos: Foram selecionados 20 pacientes, com idades entre 43 a 75 anos, sem outra doença de base, que não utilizassem traqueostomia e vias alternativas para alimentação. Foi aplicada anamnese e realizado o exame de videofluoroscopia da deglutição, sendo ofertados alimentos nas consistências líquida, pastosa e sólida. Foram três ofertas de 5 ml para cada consistência e 5g de pao. Os exames foram filmados para análise. Resultados: Para consistência líquida, a alteração mais significativa foi a presença de resíduos na valécula em 11 sujeitos. Para a consistência pastosa, as principais características foram elevação laríngea reduzida em 12 e resíduo em transição faringoesofágica em 12. Já na consistência sólida, 10 apresentaram movimentos de língua reduzidos e em 10 houve resíduo em cavidade oral. Dos 20 sujeitos, 11 apresentaram disfagia discreta. Conclusão: Todos os sujeitos apresentaram disfagia, sendo de grau discreto, para a maioria. A fase faríngea foi a mais comprometida para as consistências pastosa e líquida, com resíduos em valécula e transição faringoesofágica, seguida da fase oral, com o tempo de trânsito oral aumentado e movimentos de língua reduzidos para a consistência sólida.

Palavras-chave: Transtornos de Deglutição, Esclerose Amiotrófica Lateral, Fonoaudiologia, Reabilitação

4 - Incapacidade funcional de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica através da WHODAS

Assessment of patients with functional chronic obstructive pulmonary disease through WHODAS

Cássio Magalhaes da Silva e Silva; Abíllio Costa Pinto Neto; Balbino Rival Ventura Nepomuceno Júnior; Helena Pereira Teixeira; César Diniz Silveira; Adelmir Souza-Machado

Acta Fisiátr.2016;23(3):125-129

A mensuração das Atividades de vida diária (AVD's) nos paciente com DPOC é um instrumento comumente empregado e amparado pela Classificação Internacional da Funcionalidade (CIF). Objetivo: Avaliar a incapacidade funcional de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) através do World Health Organization Disabilty Assessment Schedule (WHODAS). Métodos: Trata de estudo transversal que avaliou 24 pacientes no início de um programa de reabilitação pulmonar com o questionário WHODAS 2.0. A análise estatística foi descritiva e inferencial com análise do coeficiente de correlação de Spearman com nível de significância de 5%. Resultados: Os dados obtidos com as pontuações totais de domínios e das escalas na avaliação dos pacientes foram comparados pelo teste de Mann-Whitney. Os pacientes apresentaram leve incapacidade funcional. O escore total WHODAS 2.0 foi maior nos menores de 60 anos (35,3 ± 16 vs 14,4 ± 8,6; p = 0,05) e no sexo masculino (12,1 ± 6,7 vs 25,2 ± 15,1; p = 0,03) apresentando maior incapacidade. Houve também correlação entre o domínio "atividades diárias" com o domínio "participação" (r = 0,771; p < 0,001). Conclusão: Foi possível concluir que O WHODAS 2.0 demonstrou-se como um instrumento viável para a avaliação da incapacidade na atividades de vida diária (AVD's) do paciente com DPOC. A mesma revelou que pacientes comunitários fora da crise, apresentam moderada a leve dificuldade desde a mobilidade até sua participação social.

Palavras-chave: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, Atividades Cotidianas, Modalidades de Fisioterapia, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

5 - Nível de ativação muscular do vasto medial em diferentes exercícios fisioterapêuticos

Activation level of vastus medialis muscle in different rehabilitation exercises

Andressa Dupont Birck; Jonnas da Fontoura Zaleski; Rodrigo de Azevedo Franke; Cláudia Silveira Lima

Acta Fisiátr.2016;23(3):130-134

A Síndrome da Dor Femoropatelar (SDFP) tem como uma das causas a lateralização excessiva da patela, que ocorre frequentemente pelo enfraquecimento do músculo Vasto Medial (VM). Dessa forma, na prevenção e reabilitação da SDFP, o fortalecimento de VM é imprescindível. Objetivo: Comparar o nível de ativação do VM em quatro diferentes exercícios utilizados na prevenção e na reabilitação da SDFP compreendendo isometria de extensão de joelhos a 30° e 60° e isometria no agachamento a 60° associado ou não a adução de quadril. Métodos: A amostra foi de 14 sujeitos saudáveis sedentários, com idade entre 20 e 40 anos. O sinal EMG do músculo VM foi coletado durante Contração Isométrica Voluntária Máxima (CIVM) com duração de cinco segundos para cada exercício. Do sinal EMG captado foi recortado um período de três segundos e a partir disso foram obtidos os valores Root Mean Square (RMS) para cada exercício. Resultados: Demonstram que houve ativação do VM significativamente maior nos exercícios de extensão quando comparados com os exercícios de agachamento. Porém, não houve diferença significativa entre os dois exercícios de extensão, assim como entre os exercícios de agachamento. Conclusão: Os melhores exercícios para maximizar a ativação do VM são os exercícios isométricos de extensão do joelho, independente do ângulo avaliado, pois apresentam maior nível de ativação do VM, imprescindível para a prevenção e reabilitação da SDFP.

Palavras-chave: Síndrome da Dor Patelofemoral, Músculo Quadríceps, Eletromiografia

6 - Realidade virtual na função motora de membros inferiores pós-acidente vascular encefálico

Virtual reality applied to the lower limb motor function in post-stroke individuals

Marcos Paulo Braz de Oliveira; Daiane Marques Ferreira; Josie Resende Torres da Silva; Andreia Maria Silva; Daniel Ferreira Moreira Lobato; Carolina Kosour; Luciana Maria dos Reis

Acta Fisiátr.2016;23(3):135-139

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) pode gerar importantes alterações motoras, de tônus e sensitivas. A realidade virtual (RV), voltada para reabilitação, pode trazer benefícios em relação à aptidao física, atividades motoras e de equilíbrio. Objetivo: Investigar o efeito da terapia por RV no equilíbrio estático e dinâmico, descarga de peso no membro inferior afetado, tônus e recrutamento muscular, independência funcional e função sensório-motora de indivíduos pós-AVE. Métodos: Trata-se de estudo clínico, quasi-experimental e prospectivo em 6 indivíduos com diagnóstico de AVE. Antes e após intervenção com Nintendo Wii Fit Plus os indivíduos foram avaliados pela Escala de Equilíbrio de Berg, Timed "Up and Go", Indice do Andar Dinâmico; Teste de Marcha (TM); Escala Modificada de Ashworth (EMA); Eletromiografia; Indice de Barthel e Escala Fugl Meyer (EFM). Para análise estatística utilizou-se o teste Kolmogorov-Smirnov, teste t e Wilcoxon. Foi adotado P 80%. Resultados: No TM inicial da 1ª e 15ª sessão (p = 0,03; d = 1,96; P = 96%), EMA dos músculos extensores de quadril (p = 0,04; d = 3,77; P 99%) e joelho (p = 0,04; d = 3,23; P = 99%) e flexores plantares (p = 0,01; d = 3,18; P = 99%) e EFM nas dimensões coordenação/velocidade (p = 0,02; d = 6,74; P = 100%) e sensibilidade (p = 0,01), foram observados resultados significativos com grande efeito e Power > 90%. Nos demais instrumentos não foram encontrados valores significativos. Conclusão: O programa de reabilitação, por RV, foi eficaz na melhora da descarga de peso no membro inferior afetado, tônus muscular e função sensório-motora nos indivíduos do estudo.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Equilíbrio Postural, Extremidade Inferior, Reabilitação, Terapia de Exposição à Realidade Virtual

7 - Comparação da pontuação obtida por videogame com variáveis biomecânicas em pacientes pós-acidente vascular encefálico

Comparison of scores obtained in videogame with biomechanical variables in stroke

Fernanda Botta Tarallo; Jéssica Santos da Silva; Mayara Luz Alcantara dos Santos; Pedro Claudio Gonsales de Castro; Maria Cecília dos Santos Moreira

Acta Fisiátr.2016;23(3):140-144

A realidade virtual (RV) promove treinamento intensivo de uma mesma tarefa, possibilitando a aprendizagem motora, podendo influenciar a retomada do controle postural (CP) em indivíduos com acidente vascular encefálico (AVE). Videogames (jogos de vídeo) com plataforma de equilíbrio são utilizados como forma de intervenção e, ao final dos jogos, uma pontuação é fornecida, porém não há evidências de que ela possa ser utilizada como parâmetro de quantificação do CP. Objetivo: Verificar se há correlação entre a pontuação obtida por um jogo de videogame e variáveis estabilométricas. Métodos: Nove indivíduos com histórico de AVE realizaram um protocolo experimental utilizando o jogo Penguim Slide do Nintendo Wii como intervenção. Coletou-se a pontuação obtida na primeira e na última sessão. Utilizou-se a plataforma de força AMTI 2.0, com frequência de aquisição de 200 Hz para as avaliações pré e pós-intervenção. Os voluntários foram posicionados de olhos abertos (OA) e fechados (OF) na postura ereta durante 1 minuto, com um pé em cada plataforma. Utilizando o Software Matlabr 7.0, obtiveram-se as variáveis do centro de pressão (COP): área COP total (ACOPt), área COP nos eixos médio-lateral (ACOPx) e ântero-posterior (ACOPy) e velocidade média do COP (VCOP). O teste de Wilcoxon pareado (p < 0,05), de natureza não paramétrica, foi utilizado para comparar os resultados da pontuação do jogo Penguim Slide e os dados obtidos pela plataforma de força nas condições OA e OF. As análises foram feitas com auxílio do software R. Resultados: Comparação inicial e final da pontuação (p = 0,003). Comparação inicial e final de OA: ACOPt (p = 0,91), ACOPx (p = 0,57), ACOPy (p = 0,49), VCOP (p = 0,09). Comparação inicial e final de OF: ACOPt (p = 0,73), ACOPx (p = 1,0), ACOPy (p = 0,73), VCOP (p = 0,73). Conclusão: A RV não proporcionou aos indivíduos aprimoramento do CP, porém a pontuação no jogo Penguim Slide aumentou significativamente. Desse modo, não houve correlação entre a pontuação obtida por um jogo de videogame e variáveis estabilométricas.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral/reabilitação, Jogos de Vídeo, Equilíbrio Postural

8 - Programa de treinamento muscular em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica grave

Muscle training program in patients with severe chronic obstructive pulmonary disease

Luiza Minato Sagrillo; Estele Caroline Welter Meereis; Marisa Pereira Gonçalves

Acta Fisiátr.2016;23(3):145-149

Objetivo: Este estudo que visou analisar os efeitos de um programa de treinamento muscular através da EENM de membros inferiores (MMII) e exercícios ativos resistidos de MMSS em pacientes portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) grave. Métodos: A amostra foi constituída por 5 sujeitos com idade média de 65,2 ± 6,09 anos. As avaliações iniciais e finais, compreenderam os testes: uma repetição máxima; senta-levanta; perimetria das coxas; caminhada de seis minutos; questionário St George; escala de dispneia MRC; índice de BODE. A intervenção foi realizada três vezes/semana, totalizando 18 sessões de 30 min de Estimulação elétrica neuromuscular (EENM) e 30 min de treinamento membros superiores, com uso de diagonais do Método Kabat. Os parâmetros da EENM foram: frequência 50 Hz, Ton 6s, Toff 8s, rampa de subida 2s, rampa de descida 2s, largura de pulso 400 µs e intensidade conforme a tolerância do paciente, aumentada em 1 a 5 mA a cada dia. Resultados: Mostraram aumento da força muscular (p = 0,01) e da resistência muscular (p = 0,01). Verificou-se uma tendência à melhora na qualidade de vida (p = 0,16) e na aptidao cardiorrespiratória (p = 0,11). Conclusão: A associação de EENM e exercícios com diagonais pode ser um recurso valioso para o tratamento dos pacientes com DPOC grave. Entretanto, sugere-se pesquisas com um maior número amostral para comprovar seus benefícios.

Palavras-chave: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, Tolerância ao Exercício, Qualidade de Vida

9 - Práticas de bloqueios neuromusculares para o tratamento da espasticidade no Brasil

Neuromuscular block practice in the treatment of spasticity in Brazil

Chiara Maria Tha Crema; Ana Paula Bertole Cirino dos Santos; Luiza Previato Trevisan Magário; Carla Andrea Cardoso Tanuri Caldas; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2016;23(3):150-154

A toxina botulínica do tipo A (TBA) é um dos tratamentos mais efetivos e seguros para espasticidade. Para a avaliação algumas escalas podem ser utilizadas como a Escala Modificada de Ashworth (MAS). O sucesso terapêutico na aplicação depende da correta identificação do problema biomecânico e aplicação no músculo acometido, o que pode ser feito por técnicas de palpação de superfície ou métodos auxiliares como eletromiografia. Objetivo: Avaliar os métodos de aplicações da TBA e outros tipos de bloqueios como fenol para tratamento da espasticidade realizados na prática de médicos de reabilitação infantil e de adultos. Métodos: Estudo exploratório, transversal, com amostra dimensionada pela conveniência em eventos científicos nas cidades Rio de Janeiro, São Paulo, Goiânia, Belo Horizonte, Curitiba e Ribeirao Preto com questionários a respeito do tratamento da espasticidade que continham questoes de múltipla escolha sobre grupos de pacientes e músculos tratados. As respostas foram analisadas quanto à frequência para cada questao. Não foi foram realizados testes de associação de variáveis ou de hipótese. Resultados: Foram analisados 49 questionários. 47% aplicam TBA há menos de 5 anos. A técnica mais utilizada para localização de pontos de aplicação foi a palpação muscular (80%). Para quantificação dos ganhos funcionais 78% utilizam a escala MAS. 57% faz aplicação em adultos e crianças. A faixa etária de tratamento mais comum entre as crianças foi 5 a 10 anos (83%) com o grupo muscular mais aplicado o tríceps sural (73,8%). Em relação ao uso do fenol, 16 utilizam com uma frequência de 1 a 5 pacientes por mês. 45% dos aplicadores sempre utilizam fenol em conjunto com TBA. Conclusão: A TBA é largamente utilizada no tratamento de espasticidade, porém não existe uma padronização na forma de aplicação, método de avaliação ou sobre necessidade de outro agente combinado.

Palavras-chave: Toxinas Botulínicas Tipo A, Bloqueio Neuromuscular, Espasticidade Muscular

ARTIGO DE REVISÃO

10 - Protocolos de prática mental utilizados na reabilitação motora de sujeitos com doença de Parkinson: revisão sistemática da literatura

Practice of mental protocols used in rehabilitation of patients with Parkinson's disease: a systematic review

Douglas Monteiro da Silva; Maria das Graças Wanderley de Sales Coriolano; Joao Gabriel Figuêredo de Macêdo; Liliane Pereira da Silva; Otávio Gomes Lins

Acta Fisiátr.2016;23(3):155-160

A Prática Mental (PM) consiste em um método de treinamento pelo qual um dado ato motor específico é cognitivamente reproduzido internamente e repetido com a intenção de promover aprendizagem ou aperfeiçoamento de uma habilidade motora, sem induzir qualquer movimento real. Os resultados das pesquisas com PM na doença de Parkinson (DP) ainda são ambíguos devido a várias razoes como à diversidade de protocolos de intervenção. Os protocolos de intervenção com PM são cognitivamente complexos e desafiadores apresentando variações em sua aplicação relativas ao tipo de PM, tarefa/movimento a ser imaginada e tipo de instrução. Objetivo: Investigar na literatura os protocolos de PM utilizados para reabilitação motora de sujeitos com DP. Métodos: A busca desta revisão sistemática foi realizada nas bases de dados dos portais: PubMed, Scopus, Web of Science e Bireme. Os descritores foram: ("mental practice" or "motor imagery" or "imagery training" and "Parkinson"). Resultados: Foram encontrados 128 artigos, dos quais apenas 4 foram incluídos segundo os critérios de elegibilidade. Conclusão: Os protocolos que se mostraram eficazes para redução da bradicinesia, melhora da mobilidade e da velocidade da marcha utilizaram a associação da PM em 12 sessões, com duração de 5 à 30 minutos, imagética visual ou visual e cinestésica de atividades especificas e usaram vídeos da marcha dos pacientes ou da marcha normal para ajudar na familiarização e identificação dos componentes cinemáticos do movimento.

Palavras-chave: Doença de Parkinson, Reabilitação, Modalidades de Fisioterapia, Imaginação

Número atual: Dezembro 2016 - Volume 23  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Adaptação transcultural do ABILOCO: uma medida de habilidade de locomoção, específica para indivíduos pós acidente vascular encefálico

Cross-cultural adaptation of the ABILOCO: a measure of locomotion ability for individuals with stroke

Patrick Roberto Avelino; Iza Faria-Fortini; Marluce Lopes Basílio; Kênia Kiefer Parreiras de Menezes; Lívia de Castro Magalhaes; Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela

Acta Fisiátr.2016;23(4):161-165

O ABILOCO, específico para adultos pós Acidente Vascular Encefálico (AVE), é um questionário para avaliação de habilidade de locomoção. Para sua aplicação na população brasileira, é necessário que seja realizada a sua adaptação transcultural. Objetivo: Realizar a adaptação transcultural do ABILOCO para uso no Brasil. Métodos: O processo de adaptação transcultural seguiu diretrizes padronizadas, sendo realizado em cinco etapas: tradução, retrotradução, síntese das traduções, avaliação pelo comitê de especialistas e teste da versão pré-final. A versão pré-final foi aplicada em 10 indivíduos pós- AVE, que responderam ao questionário e foram indagados sobre como interpretaram cada item. Resultados: O processo de adaptação transcultural seguiu todas as recomendações propostas, sendo necessários apenas acréscimos em dois itens, para possibilitar melhor compreensão. Resultados satisfatórios foram obtidos no teste da versão pré-final, uma vez que não houve nenhum problema quanto à redação e clareza dos itens ou ao objetivo do questionário. Conclusão: A versão final do ABILOCO, denominada ABILOCO-Brasil, demonstrou satisfatório grau de equivalência semântica, conceitual e cultural para uso em contextos clínicos e de pesquisa no Brasil. Estudos futuros devem ser conduzidos para dar continuidade ao processo de validação do questionário.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Locomoção, Comparação Transcultural

2 - Adaptação transcultural do "Pelvic Girdle Questionnaire" (PGQ) para o Brasil

Cross-cultural adaptation of "Pelvic Girdle Questionnaire" (PGQ) to Brazil

Luan César Ferreira Simoes; Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela; Elaine Lima Silva Wanderley; Raphaela Rodrigues de Barros; Glória Elisabeth Carneiro Laurentino; Andrea Lemos

Acta Fisiátr.2016;23(4):166-171

O Pelvic Girdle Questionnaire (PGQ) possui boa confiabilidade teste-resteste, consistência interna e validade de construto. O instrumento é composto de 25 itens distribuídos em duas subescalas (atividades e sintomas). Objetivo: Adaptar transculturalmente para a população brasileira o "Pelvic Girdle Questionnaire" (PGQ). Método: O processo de adaptação transcultural ocorreu em 5 etapas: tradução, retrotradução, análise do comitê de especialistas, Estudo Delphi e pré-teste. Um Estudo Delphi foi adicionado ao processo para a submissão do instrumento à opiniao de 17 fisioterapeutas especialistas de diversas regioes do país. Resultados: A partir dos resultados da tradução e retrotradução foi desenvolvida uma versão do PGQ sintetizada em português. Durante a etapa do comitê de especialistas não foram observadas diferenças semânticas entre a versão sintetizada quando comparada à original. Após consenso de mais de 80% dos especialistas do estudo Delphi, a versão do PGQ-Brasil foi aplicada na população-alvo durante o pré-teste. Sem mais alterações, a versão final do PGQ-Brasil foi concluída. Conclusão: O PGQ-Brasil demosntrouse bem adaptado para a realidade cultural da população brasileira, acrescentando-se, inclusive, o Estudo Delphi como ferramenta adicional para assegurar ainda mais a confiabilidade desse processo.

Palavras-chave: Dor da Cintura Pélvica, Inquéritos e Questionários, Tradução, Estudos de Validação

3 - Desenvolvimento e validação de um questionário de qualidade de vida em indivíduos com lesão da medula espinal

Development and validation of a quality of life questionnaire for individuals with spinal cord injury

Sibele Pelloso Feniman; Jefferson Rosa Cardoso; Isabela Lucia Pelloso Villegas; Lais Faganello Dela Bela; Suhaila Mahmoud Smaili Santos; Edson Lopes Lavado

Acta Fisiátr.2016;23(4):172-179

Objetivo: Criar e testar as propriedades psicométricas de um instrumento específico para quantificação da qualidade de vida de indivíduos com lesão da medula espinal. Método: A partir dos métodos de consenso existentes, foi escolhida a técnica Delphi para criação do questionário e o SF-36 como método critério. Resultados: A consistência interna foi α=0,827. A confiabilidade intra e interavaliadores se mostram alta pelo coeficiente de correlação intraclasse e teste de bland e altman pela diferença da média. Pode-se observar correlações fortes entre o QVLM e SF-36 nos domínios capacidade funcional e aspectos físicos e correlação moderada nos domínios estado de saúde e aspectos emocionais. Houve diferença significante entre as quatro aplicações do QVLM demonstrando que o questionário é sensível à mudança. Conclusão: O QVLM foi criado com metodologia adequada e a avaliação das propriedades psicométricas traduzem em um instrumento válido, confiável, consistente e sensível a mudanças.

Palavras-chave: Qualidade de vida, Traumatismos da Medula Espinal, Inquéritos e Questionários

4 - Efeitos da intervenção fisioterapêutica na amplitude de movimento do ombro e no mapa termográfico de idosas submetidas à cirurgia para tratamento de câncer de mama

Effects of physiotherapeutic intervention on shoulder range of motion and map thermography of elderlies submitted to surgery for breast cancer treatment

Débora Melissa Petry; Gesilani Julia da Silva Honório; Keyla dos Santos; Saionara dos Santos; Clarissa Medeiros da Luz; Soraia Cristina Tonon da Luz; Marina Palú

Acta Fisiátr.2016;23(4):180-185

A idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de mama e clinicamente, as mulheres idosas apresentam um processo de reabilitação mais difícil. Objetivo: Avaliar os efeitos da intervenção fisioterapêutica na amplitude de movimento (ADM) do ombro e no mapa termográfico de idosas em pós-operatório de tratamento do câncer de mama. Métodos: Participaram 10 idosas, submetidas a tratamento cirúrgico para câncer de mama. A avaliação foi feita antes e após a intervenção através do goniômetro, para medidas de ADM, e da câmera termográfica Eletrophysics PV320T, para identificação da temperatura da regiao torácica. Utilizou-se o teste Wilcoxon e a correlação de Spearman, com nível de significância de 0,05. Resultados: As pacientes apresentaram melhora significativa da amplitude de todos os movimentos do membro comprometido, exceto a rotação interna. Ao comparar os valores de temperatura da avaliação com a reavaliação, houve um aumento da temperatura das regioes torácicas, sendo significativos apenas os valores da mama preservada. Ao comparar a temperatura da regiao preservada com a comprometida na avaliação, houve diferença significativa, já na reavaliação, ocorreu uma aproximação destes valores. A correlação entre o aumento de temperatura e ADM foi significativa para adução de ambos os membros e rotação interna do membro preservado, na avaliação. Conclusão: A intervenção garantiu resolução ou diminuição das alterações apresentadas no exame físico, melhora da ADM, aumento da temperatura das regioes torácicas, e correlação entre aumento da temperatura e ADM de adução bilateral e rotação interna do membro preservado na avaliação inicial.

Palavras-chave: Neoplasias da Mama, Amplitude de Movimento Articular, Modalidades de Fisioterapia, Termografia

5 - Avaliação da força muscular respiratória e capacidade funcional em pacientes com fibrose cística

Evaluation of respiratory muscle strength and functional capacity in patients with cystic fibrosis

Cássio Magalhaes da Silva e Silva; Adriele Mascarenhas Araujo; Anna Lúcia Lima Diniz da Silva; Valdívia Alves de Sousa; Mansueto Gomes Neto; Micheli Bernadone Saquetto

Acta Fisiátr.2016;23(4):186-190

Objetivo: Correlacionar a força muscular respiratória e a capacidade funcional em pacientes com FC. Métodos: Estudo transversal em adultos com fibrose cística. Os dados amostrais foram catalogados no Microsoft Office Excel 2007 e as variáveis analisadas pelo SPSS versão 20.0 através do teste t de Student e do coeficiente de Spearman. O nível de significância adotado foi p < 0,05. Resultados: Foram avaliados 35 pacientes com fibrose cística (44,6 ± 19,0 anos), grande parte dos pacientes de FC (n=26) não apresentaram fraqueza da musculatura inspiratória (PImáx -90,7 ± 27,4 cmH2O). Não foi encontrada estatística significativa apenas entre os pacientes adultos e idosos. Houve correlação positiva entre PImáx, PEmáx e teste de caminhada de 6 minutos (TC6) nos participantes com fraqueza muscular respiratória e nos idosos. Houve diferença estatisticamente significativa entre as médias da distância percorrida no TC6 e das pressões respiratórias máximas com a média do que foi previsto para estas variáveis. Conclusão: Todos os grupos apresentaram limitação da força respiratória e da capacidade funcional. As correlações entre as pressões respiratórias com o TC6 foram baixas e pequenas nos adultos e indivíduos sem fraqueza muscular respiratória; moderadas à alta nos idosos; pequenas à moderada nas mulheres; pequenas e negativas nos homens; e, altas naqueles com fraqueza muscular respiratória.

Palavras-chave: Fibrose Cística, Músculos Respiratórios, Tolerância ao Exercício

6 - Equilíbrio e ajuste postural antecipatório em idosos caidores: efeitos da reabilitação virtual e cinesioterapia

Balance and antecipatory postural adjustments in elderly fallers: effects of kinesiotherapy and virtual rehabilitation

Patrícia Martins Franciulli; Gislene Gomes da Silva; Aline Bigongiari; Márcia Barbanera; Semaan El Razi Neto; Luis Mochizuki

Acta Fisiátr.2016;23(4):191-196

O envelhecimento provoca uma série de alterações no controle motor do indivíduo e consequentemente nos ajustes posturais. Objetivo: Comparar o efeito da reabilitação virtual e cinesioterapia em idosos caidores no equilíbrio e no ajuste postural antecipatório dos músculos agonistas e antagonistas da articulação do tornozelo. Métodos: Participaram 24 idosos que foram alocados em dois grupos: 12 participantes no grupo reabilitação virtual e 12 participantes no grupo cinesioterapia. O protocolo foi realizado durante seis semanas, sendo duas sessões por semana. No grupo reabilitação virtual foi utilizado o console Xbox 360 com kinect e o jogo Your Shape Fitness Evolved. No grupo cinesioterapia foram realizados exercícios de equilíbrio e propriocepção. Resultados: Ambos os grupos apresentaram maior pontuação na escala de equilíbrio de Berg após a intervenção. Houve diminuição da ativação do músculo tibial anterior direito no alcance funcional após a intervenção realizada, e aumento da ativação músculo gastrocnêmio lateral direito na flexão de tronco após o treinamento. Não encontrou-se diferenças na ativação muscular entre os dois tipos de intervenção. Conclusão: Os protocolos cinesioterapia e reabilitação virtual foram eficazes na melhora do equilíbrio e na capacidade funcional de idosos caidores, não havendo diferenças entre os dois tipos de intervenção.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Modalidades de Fisioterapia, Terapia de Exposição à Realidade Virtual

7 - A multidisciplinaridade na redução da levodopa na pessoa com doença de Parkinson avançada

Multidisciplinary care and the reduction of levodopa intake of patients with advanced Parkinson's disease

Bruna Yamaguchi; Manoela de Paula Ferreira; Vera Lúcia Israel

Acta Fisiátr.2016;23(4):197-200

Objetivo: Identificar e comparar as pessoas com Doença de Parkinson (DP) que fazem atividades multidisciplinares com aqueles que não fazem. Método: Os participantes foram avaliados quanto ao estadiamento Hoehn e Yahr (HY) (1-4), idade, dose diária de levodopa, que atividades que participa, qualidade de vida (PDQ-39), atividade de vida diária e motor (UPDRS). Eles compararam os participantes e não participantes de atividades multidisciplinares quanto a estratificação dos níveis de HY entre aqueles com déficit de equilíbrio (níveis 3 e 4 HY), e aqueles que não têm problemas de equilíbrio (níveis 1 e 2 HY). Resultados: Avaliados 49 participantes de ambos os sexos (21 mulheres, 28 homens), destes 17 não participam de terapias multidisciplinares e 32 realizam pelo menos uma atividade interdisciplinar. Não houve diferenças entre os grupos. No entanto, ao estratificar os níveis de HY, percebemos que houve uma diferença estatística no nível de HY mais elevado quanto a dose diária de levodopa prescrita, entre participantes e não participantes de atividades multidisciplinares (P = 0,017). Conclusões: O achado aponta que para esse grupo de pessoas com maior gravidade da DP, que praticam atividades multidisciplinares precisam de dose de levodopa estatisticamente menor.

Palavras-chave: Doença de Parkinson, Terapias Complementares, Levodopa

8 - Ground reaction force patterns during gait in patients with lower limb lymphedema

Isabel Forner-Cordero; Fabianne Furtado; Juan Cervera-Deval; Arturo Forner-Cordero

Acta Fisiátr.2016;23(4):201-207

Although gait problems have been reported in patients with lower limb lymphedema (LLL), the gait pattern (GP) changes have not been documented yet. However, it is possible that patients with LLL show abnormal GP that can be related to biomechanical complications related to osteoarthritis or falls affecting the quality of life. Ground reaction force analysis during gait allows objective assessment of the patients and it can be used to plan a rehabilitation approach. Objective: To analyze the GRF during gait in patients LLL. Methods: An experimental descriptive study was realized with twenty-three LLL patients, both unilateral and bilateral and classified as moderate and severe, participated in the experiments. The patients walked on a force plate while the three ground reaction force (GRF) components, vertical, mediolateral (M-L) and anteroposterior (A-P), under their feet were recorded and analyzed. Results: In the patients with unilateral lymphedema, either moderate or severe, the vertical GRF components of the affected limb were similar to the sound one and also resembling those found in healthy adults. The M-L GRF was smaller in the non-affected side. In patients with bilateral lymphedema gait speed was significantly slower. More interestingly, the vertical GRF pattern was flat, not showing the typical 2-peak shape. Finally, the large M-L forces found suggest gait stability problems. Conclusions: The patients showed abnormal GRF patterns, including compensation with the non-affected leg. The GRF variability was higher in the patients with severe unilateral lymphedema. Bilateral lymphedema results in lower A-P forces. Stance phase duration was longer in patients with bilateral and severe lymphedema.

Palavras-chave: Lymphedema, Gait, Lower Extremity, Obesity

9 - Analysis of psychomotor development and level of physical activity of children with extracurricular physical activities

Maria Tereza Artero Prado; Thais Massetti; Deborah Cristina Gonçalves Luiz Fernani; Caroline Mariana Albertin Veríssimo; Maelis de Souza Romanini; Talita Dias da Silva; Mayra Priscila Boscolo Alvarez; Carlos Bandeira de Mello Monteiro

Acta Fisiátr.2016;23(4):208-212

Objective: The objective was to evaluate the psychomotor development in the areas of global motor skills, balance and body structure and level of school extracurricular physical activity. Method: The sample consisted of 30 individuals of both sexes from 6 to 10 years old, divided into two groups: Active Extracurricular Group and Sedentary Extracurricular Group. Data collection included the characterization of the subjects, anthropometric data, and the tests Development Scale Motor and the IPAQ short version. The variables were expressed as frequencies and proportions, the normality was tested with the Shapiro-Wilk test. Student t test was used to determine the statistical significance of normal data and Mann Whitney test for the non-normal data. Statistical significance was set at p <0.05. Results: The classification of BMI / age of both groups was eutrophic (53.3%) and the remainder (46.6%) were overweight. The sedentary group had better results in overall motor development, and the active group in balance and body scheme. Conclusion: The children who engage in extracurricular physical activity showed better development in balance and body structure, when compared to those that do not.

Palavras-chave: Motor Activity, Psychomotor Disorders, Child

10 - Muscle strength to body weight ratio is a better predictor of low physical function than absolute muscle strength in postmenopausal women

Aletéia de Paula Souza; Fernanda Maria Martins; Marcelo Augusto da Silva Carneiro; Paulo Ricardo Prado Nunes; Erick Prado de Oliveira; Fábio Lera Orsatti

Acta Fisiátr.2016;23(4):213-218

Objective: We investigated the predictive contributions and diagnostic accuracy of muscle strength (MS) and muscle strength to body weight ratio (MS/BW) on physical function in postmenopausal women (PW). Methods: This cross-sectional study evaluated forty-nine sedentary PW (61.7 ± 7.9 years). Body weight and height were measured with a digital scale and a stadiometer respectively. Muscle strength was determined by manual dynamometer and the left and right hand values were summed. Physical function was assessed by the six-minute walk test, short physical performance battery (SPPB) and Quality of Life Questionnaire (SF-36). A composite measure of physical function was calculated by summing the Z scores (x-µ/σ) of each individual assessment to provide a global index of physical function. Results: Muscle strength-specific linear regression analyses indicated that the strongest predictor of physical function was MS/BW [Beta of Z score = 0.91±0.07 (SE)] when compared to MS [Beta of Z score = 0.59±0.13 (SE)]. The ROC curve values indicated that the more accurate measure of physical function (P = 0.026) was MS/BW [AUC = 0.91±0.04 (SE)] when compared to MS [AUC = 0.75±0.08 (SE)]. Conclusion: The findings of this study suggest that MS/ BW is more accurate and predictive measure of low physical function than absolute MS in PW.

Palavras-chave: Aging, Obesity, Muscle Strength, Mobility Limitation

Número atual: Março 2015 - Volume 22  - Número 1

1 - Validação do Questionário "Life Space Assessment - LSA" em um grupo de pacientes hemiplégicos

Validation of the "Life Space Assessment - LSA" Questionnaire in a group of hemiplegic patients

Ana Eduarda Marques Seixas Estima; Bruna Motta Taulois Dutra; José Vicente Pereira Martins; Ana Cristina Oliveira Bruno Franzoi

Acta Fisiátr.2015;22(1):1-4

A mobilidade do paciente hemiplégico é uma interação entre a sua habilidade funcional e fatores externos. O questionário "Life Space Assessment" (LSA) é uma ferramenta que avalia essa mobilidade em 5 níveis. Objetivo: Validar o LSA em uma população de hemiplégicos em tratamento fisioterapêutico em um centro de reabilitação, correlacionando-o com medidas de performance física. Método: Instrumentos utilizados na validação concorrente: Teste Timed Up and Go (TUG), Postural Assessment Scale (PASS), Indice de Mobilidade de Rivermead. Estatística: descritiva, Indice de Spearman e Indice de Correlação Intra Classe (ICC). Resultados: Foram avaliados 30 hemiplégicos por sequela de AVE (73% do sexo masculino, idade média 58,6 anos, tempo médio de lesão 1,9 anos). O LSA apresentou correlação significativa (p < 0,01) com a idade, o TUG, o PASS e o Rivermead. Concordância entre examinadores: ICC 0,941 e Intra examinadores 0,981. Conclusão: O LSA se mostrou uma medida válida numa população de hemiplégicos crônicos, com excelente correlação intra e entre examinadores, tendo se correlacionado significativamente com medidas de função e estrutura corporal e atividades (TUG, PASS e Rivermead).

Palavras-chave: Hemiplegia, Locomoção, Estudos de Validação

2 - Alterações socioeconômicas e familiares de pacientes com hemiparesia decorrentes de acidente vascular encefálico

Familial and socio-economic changes of patients with hemiparesis stemming from stroke

Aline Ferreira Placeres; Maysa Alahmar Bianchin

Acta Fisiátr.2015;22(1):5-8

O acidente vascular encefálico (AVE) é considerado uma doença de grande impacto social por causar grandes rupturas como a perda do emprego, a diminuição da renda, troca de papéis ocupacionais, podendo se tornar um problema familiar grave. Objetivo: Analisar as alterações no trabalho e família, causadas pela hemiparesia em pacientes que sofreram AVE (Acidente Vascular Encefálico). Métodos: Trata-se de um estudo quantitativo onde participaram trinta pacientes com hemiparesia decorrente de AVE no Hospital de Base de São José do Rio Preto. Os instrumentos utilizados foram a ficha de identificação contendo nome, idade, gênero, profissão atual e profissão anterior entre outras, e questionário adaptado pelo serviço de Terapia Ocupacional com dez questoes fechadas, onde o participante tinha opção de resposta "sim" ou "não". Resultados: A pesquisa mostrou que antes da disfunção física 87% dos participantes trabalhavam e recebiam um salário e após a disfunção nenhum realiza atividade remunerada. As relações familiares dos participantes são mais comprometidas em pacientes que sofreram disfunção a mais tempo do que outros pacientes que possuem a disfunção há menos tempo. Conclusão: Este estudo observou que pacientes com hemiparesia decorrente de AVE podem sofrer alterações nas relações laborais, socioeconômicas e familiares e esses dados são relevantes para que os profissionais de saúde possam auxiliar o retorno desses sujeitos às atividades ocupacionais, após AVE.

Palavras-chave: Fatores Socioeconômicos, Acidente Vascular Cerebral, Paresia, Terapia Ocupacional

3 - Avaliação do índice de sobrecarga de cuidadores primários de crianças com paralisia cerebral e sua relação com a qualidade de vida e aspectos sócioeconômicos

Assessing the burden on primary caregivers of children with cerebral palsy and its relation to quality of life and socioeconomic aspects

Mariana Ceravolo Ferreira; Brunna Loureiro Di Naccio; Myssão Yumi Costa Otsuka; Aurélio de Melo Barbosa; Paulo Fernando Lôbo Corrêa; Giulliano Gardenghi

Acta Fisiátr.2015;22(1):9-13

As crianças com Paralisia Cerebral (PC) apresentam distúrbios permanentes da postura e movimento, caracterizada por um prejuízo motor que provoca dificuldade na realização das atividades de vida diária e, consequentemente uma dependência funcional. Assim, a tarefa de assistir crianças com PC pode levar ao cansaço, isolamento e estresse dos cuidadores, além de gerar sobrecarga física e emocional e uma possível diminuição da qualidade de vida dessa população. Objetivo: Avaliar o índice de sobrecarga dos cuidadores primários de crianças com PC, comparar a qualidade de vida e a idade entre cuidadores com e sem sobrecarga, bem como associar as variáveis classe econômica e status laboral à variável sobrecarga. Método: O estudo caracterizou-se por ser analítico e transversal. Participaram do estudo 31 cuidadores primários de crianças com diagnóstico de PC de 0 a 18 anos. Os instrumentos utilizados na pesquisa foram um questionário sóciodemográfico para caracterização da amostra, o questionário da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) para classificação econômica, o Medical Outcome Study 36 (SF-36) para avaliação da qualidade de vida dos cuidadores e a Escala de Sobrecarga do Cuidador Zarit Burden Interview (ZBI) para avaliar a sobrecarga subjetiva e objetiva dos cuidadores. Resultados: Os resultados da amostra apontaram que 67,7% dos cuidadores apresentaram sobrecarga e que as médias de alguns domínios do SF-36 ("limitação por aspectos físicos", "dor", "vitalidade" e "limitação por aspectos sociais") neste grupo eram significativamente menores do que no grupo sem sobrecarga. Não houve associação estatisticamente significativa no teste de qui-quadrado entre a classe socioeconômica dos cuidadores e a sobrecarga e entre o status laboral e a sobrecarga. Conclusão: A presença de sobrecarga em cuidadores de crianças com PC tem relação com uma menor qualidade de vida, mas a sobrecarga não foi associada com a idade do cuidador, o status laboral e a classe econômica dos mesmos.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Efeitos Psicossociais da Doença, Qualidade de Vida, Cuidadores

4 - Análise comparativa da flexibilidade de mulheres idosas ativas e não ativas

Comparative analysis of flexibility in active and inactive elderly women

Thiago Barbosa Zambon; Pamela Roberta Gomes Gonelli; Rodrigo Detone Gonçalves; Bruno Luis Amoroso Borges; Maria Imaculada de Lima Montebelo, Marcelo de Castro Cesar

Acta Fisiátr.2015;22(1):14-18

Com o envelhecimento ocorre um declínio na aptidao física, uma variável muito atingida é a flexibilidade, e a prática de exercícios físicos pelos idosos é um importante fator para a manutenção da saúde e aptidao física no decorrer do processo de envelhecimento. Objetivo: Comparar a flexibilidade de mulheres idosas praticantes hidroginástica, treinamento combinado e não ativas. Participaram 60 voluntárias, idade entre 60 e 80 anos, agrupadas em: ativas praticantes de hidroginástica (G1) 20 voluntárias; ativas praticantes de treinamento combinado (G2) 20 voluntárias; não ativas (G3) 20 voluntárias. Métodos: As voluntárias foram submetidas à avaliação antropométrica com medidas de massa corporal, estatura e circunferência da cintura e da flexibilidade com medidas da distância alcançada no teste de sentar e alcançar e da amplitude da flexão e extensão do quadril através do goniômetro. Foram verificados os pressupostos de normalidade por meio do teste de Shapiro-Wilk, para a comparação entre os grupos (G1, G2, G3) foram realizados o teste Anova one way, seguido do post hoc de Tukey para os dados com distribuição paramétrica, e o teste de Friedman para amostras com distribuição não paramétrica. Aplicou-se o nível de significância de p < 0,05. Resultados: Nas variáveis antropométricas não foram encontradas diferenças significativas entre grupos. Na flexibilidade, foi encontrada diferença significativa na flexão e na extensão de quadril, os grupos G1 e G2 apresentaram maiores valores que o G3, não houve diferença significativa entre G1 e G2, não existindo outras diferenças significativas entre os grupos. Conclusão: Os resultados sugerem que os treinamentos de hidroginástica e combinado proporcionaram melhora na flexão e extensão do quadril das mulheres idosas, sem influência nas outras variáveis estudadas.

Palavras-chave: Educação Física e Treinamento, Maleabilidade, Idoso, Mulheres

5 - Lesão muscular induzida por eletroestimulação neuromuscular (EENM) com frequências de 30 Hz e 100 Hz

Muscle damage induced by neuromuscular electrical stimulation (NMES) with frequencies of 30 Hz and 100 Hz

Marina Tessarolo Souza; Wladimir Musetti Medeiros

Acta Fisiátr.2015;22(1):19-23

A eletroestimulação-neuromuscular (EENM) é a ação de estímulos elétricos terapêuticos sobre o tecido muscular, visando a contração muscular e consequentemente a melhora dos status muscular. Objetivo: Avaliar a lesão muscular decorrente da contração muscular isométrica induzida por meio da EENM de baixa frequência (30 Hz) e de alta frequência (100 Hz). Métodos: Estudo experimental tipo Cross-over, randomizado e não cego. Participaram do estudo 10 universitários voluntários, gênero masculino, idade de 24,4 ± 6,0 anos, peso de 77,1 ± 11,8 kg, altura de 176,1 ± 5,6 cm e IMC de 24,8 ± 3,4 kg/m2. Dois protocolos (A) e (B) com intervalo de 7 dias entre eles. (A) - 20 minutos de EENM no quadríceps com frequência de 30 Hz. (B) - 20 minutos de EENM com frequência de 100 Hz. Analisado lactato, creatinafosfoquinase e desidrogenase láctica antes, imediatamente após, 6h e 48h após os protocolos. Resultados: Comparando 30 Hz vs. 100 Hz observou-se: lactato (23,7 ± 6,7 vs. 13,4 ± 3,0 mg/dL, p = 0,001); CPK (195,4 ± 116,1 vs. 262,9 ± 153,6 UI, p = 0,022); DHL (374,3 ± 64 vs. 366,6 ± 84,1 UI, ns). A percepção de eficiência contrátil diminuiu significativamente (p = 0,016) no protocolo com 100 Hz. Conclusão: Tanto a EENM de baixa frequência (30 Hz) quanto de alta frequência (100 Hz) elevam os marcadores sanguíneos de lesão muscular, sendo esta elevação, ainda mais acentuada na alta frequência. Entretanto os valores alcançados refletem uma resposta normal para um exercício de moderada intensidade.

Palavras-chave: Estimulação Elétrica, Músculo Esquelético, Creatina Quinase, Lactato Desidrogenases

6 - Disfagia orofaríngea na doença de Chagas crônica: avaliação fonoaudiológica, videofluoroscópica e esofagomanométrica

Oropharingeal dysphagia in patients with chronic Chagas disease: phonoaudiological, videofluoroscopic, and manometric evaluations

Danielly Moreira Gonçalves Cabral; Luiz Joao Abrahao Júnior; Charles Henrique Dias Marques; Basílio de Bragança Pereira; Roberto Coury Pedrosa

Acta Fisiátr.2015;22(1):24-29

Objetivo: Em pacientes chagásicos crônicos, determinar a frequência dos episódios de penetração e aspiração laríngea e avaliar sua relação de interpretação, não só com os padroes exibidos na videofluoroscopia e na esofagomanometria, mas também, com a triagem clínica, a avaliação fonoaudiológica estrutural e funcional. Método: 22 indivíduos foram incluídos no estudo, sendo 15 mulheres e 7 homens, média de idade de 55,9 ± 10,2. Os pacientes foram submetidos à avaliação clínica, fonoaudiológica (estrutural e funcional), e aos exames de videofluoroscopia e esofagomanometria computadorizada. Resultados: Dentre as queixas na triagem clínica, 18,2% relataram engasgos, 13,6% pigarro, 40,9% azia, 22,7% regurgitação e 36,4% sensação de alimento parado na garganta. Apenas 18,2% apresentavam uma dentição adequada. Na avaliação funcional da deglutição 31,8% tiveram diagnóstico de deglutição funcional. Na videofluoroscopia foi encontrada permanência de resíduos na faringe em 18,2% dos casos, seguida de deglutições múltiplas em 95,4% e escape posterior em 100%. Observou-se 4 casos de penetração laríngea de grau 2 (disfagia) e em 82% dos casos os achados foram semelhantes entre a videofluoroscopia e avaliação funcional da deglutição, quanto a não ocorrência de penetração laríngea. Os valores de abertura do esfíncter esofágico superior indicam uma relação com o volume de bolo deglutido. Já na manometria foram encontrados 42,1% de alterações em corpo do esôfago e 5,3% em faringe. Conclusão: A penetração laríngea foi prevalente em 18,2% dos casos com uma relação de interpretação importante entre a avaliação fonoaudiológica funcional e os achados videofluoroscópicos, quanto à ausência de penetração laríngea, com resultados semelhantes em 82% dos casos.

Palavras-chave: Doença de Chagas, Transtornos da Motilidade Esofágica, Transtornos de Deglutição, Manometria, Fluoroscopia

7 - Escalada terapêutica: uma possibilidade de intervenção para crianças com paralisia cerebral

Therapeutic climbing: a possibility of intervention for children with cerebral palsy

Huayna Gabriel Barrios Koch; Gabriela de Oliveira Peixoto; Rita Helena Duarte Dias Labronici; Natália Cristina de Oliveira Vargas e Silva; Fabio Marcon Alfieri; Leslie Andrews Portes

Acta Fisiátr.2015;22(1):30-33

A escalada terapêutica, uma adaptação da "Escalada Esportiva", pode promover melhoria da coordenação motora, do equilíbrio e resistência muscular. Objetivo: Avaliar o efeito dessa intervenção na força de preensão manual, controle postural, mobilidade funcional e controle da espasticidade de crianças com paralisia cerebral. Método: Estudo do tipo série de casos, descritivo, com 7 pacientes com idade de 9,6 ± 3,7 anos, que passaram por sessões de escalada terapêutica, 1 hora/sessão, duas vezes/semana. Resultados: Após 19 sessões foi verificado aumento de força na mão direita (p = 0,022) e melhoria do equilíbrio estático e da marcha (p = 0,007). Observou-se também melhora da mobilidade funcional (p = 0,014). O escore na escala Ashworth modificada mostrou controle eficiente da espasticidade, ainda que a diferença não tenha atingido significância estatística. Conclusão: A escalada terapêutica melhorou a força de preensão manual, o controle postural e a mobilidade funcional dos pacientes.

Palavras-chave: Criança, Paralisia Cerebral, Modalidades de Fisioterapia

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Efeitos do treino de marcha com assistência robótica em pacientes pós - acidente vascular encefálico

Effects of robot-assisted gait training in stroke patients

Juliana Morales Ronchi; Pedro Cláudio Gonsales de Castro; Maria Cecília dos Santos Moreira

Acta Fisiátr.2015;22(1):34-38

Pacientes acometidos por acidente vascular encefálico (AVE) apresentam déficit significativo de marcha em decorrência da complexidade de suas deficiências. O treino de marcha com assistência robótica (TMR), além de diminuir a carga física imposta sobre o terapeuta, garante um ambiente simplificado e seguro para o treino de marcha, no qual padroes simétricos e constantes de movimentos de membros inferiores podem ser desenvolvidos e em maiores velocidades, além de permitir uma terapia com maior tempo de duração. Apesar do uso crescente deste equipamento em reabilitação pouco se sabe sobre os efeitos promovidos na reabilitação da marcha pós-AVE, assim como os protocolos de intervenção empregados para se alcançá-los. Objetivo: Avaliar as evidências atuais quanto à eficácia do TMR em indivíduos pós-AVE, com ênfase no desempenho da marcha. Método: Para isso, foi realizado um levantamento literário dos estudos publicados nos últimos 10 anos (2003-2013) com os termos "stroke" and "gait" and "robotics" nas bases de dados PubMed, MedLine e LILACS. Resultados: Foram selecionados 5 estudos que preencheram os critérios de inclusão, entre eles o de utilizar o dispositivo robótico Lokomat (Hocoma, Volketswil) para o treino de marcha em pacientes pós-AVE. A análise dos resultados obtidos em cada estudo considerou os ganhos promovidos nos parâmetros lineares da marcha (velocidade e distância percorrida) pela terapia robótica em comparação à terapia convencional. Conclusão: Os dados sugerem que o emprego da terapia robótica na reabilitação da marcha do paciente pós-AVE não produz ganhos adicionais aos obtidos com a terapia convencional.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Marcha, Robótica, Reabilitação

RELATO DE CASO

9 - Efeito da fotobiomodulação no músculo masseter de criança com paralisia cerebral: relato de caso

Photobiomodulation effect on the masseter muscle in children with cerebral palsy: a case report

Maria Teresa Botti Rodrigues Santos; Marcio da Silva Pinto; Karla Santos do Nascimento; Simone Carazzato Maciel

Acta Fisiátr.2015;22(1):39-42

A espasticidade acarreta hipertonia nos músculos mastigatórios dos indivíduos com paralisia cerebral (PC), interferindo na amplitude de abertura bucal, dificultando a realização da higiene oral predispondo estes indivíduos a condições consideradas de risco para o desenvolvimento de doenças bucais. Objetivo: Avaliar o efeito da fotobiomodulação com laser de diodo, de baixa intensidade na espessura do músculo masseter em uma criança com PC do tipo espástico. Método: O relato do cuidador era que a criança apresentava grande dificuldade na realização da higiene bucal e com movimentos de fuga da cabeça quando a escova dental tocava a regiao de molares superiores. Com relação ao desconforto da criança, a mae referiu como extremo. A 1ª avaliação ultrassonográfica foi realizada na avaliação inicial, e a 2ª avaliação após 6 sessões de aplicação de fobioestimulação. Foi empregado o Laser infravermelho, de Diodo, de baixa intensidade, As-Ga-Al, (λ = 808 ± 3 nm, 120 mW; Twin Flex Evolution Laser MMOptics São Paulo, Brazil), usando 5,0 J/cm2 energia dose/local, com 20 segundos de exposição/local. A área do músculo masseter irradiado bilateralmente foi o ponto médio no sentido da sua extensão e largura. Foram realizadas seis sessões, com intervalo de 7 dias entre elas. Resultados: Ao final da sexta sessão da fotobioestimulação, a responsável relatou que a criança dormia melhor, apresentava redução no número de movimentos involuntários realizados pela mandíbula e a realização da higiene bucal era possível sem expressão dolorosa da criança. Durante a palpação observou-se menor hipertonia em masseter bilateral, ganho em espessura, e aumento na distância inter-incisal de 7 mm. Conclusão: A fotobioestimulação com laser de diodo parece ser efetiva na redução da espasticidade no músculo masseter de crianças com PC do tipo espástico.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Músculo Masseter, Ultrassonografia, Lasers

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - A clínica da dor crônica como ninho de pacientes difíceis: o papel da identificação projetiva

Chronic pain clinic as a haven for difficult patients: the role of projective identification

Joao Paulo Consentino Solano

Acta Fisiátr.2015;22(1):43-50

Pacientes difíceis - ou de personalidade difícil - são frequentemente encontrados na clínica da dor crônica não-oncológica, impondo à relação médico-paciente sobrecargas que vao além das complexidades da doença e do tratamento. Esta revisão/relato de experiência discute o papel que o processo psicológico e comunicacional da identificação projetiva exerce sobre as relações entre pacientes e médicos (e outros profissionais) nas equipes de dor crônica. São revisados os conceitos de identificação projetiva, na sua forma benigna e maligna. Duas vinhetas clínicas são dadas como exemplos de cada uma. São apresentadas situações no cenário da comunicação médico-paciente em que a identificação projetiva opera complicando a relação terapêutica. Ao final, recomendações são dadas sobre o manejo do paciente difícil que se comunica maciçamente por identificação projetiva, assim como às equipes multiprofissionais que lidam com estes pacientes. Os pacientes difíceis de nossa clínica de dor crônica têm em comum o fato de se comunicarem pela forma maligna de identificação projetiva e terem organizações imaturas de personalidade. Nas equipes de dor crônica, as relações entre pacientes e profissionais (assim como as relações entre os profissionais), podem ser otimizadas se a equipe for capaz de identificar precocemente o fenômeno da identificação projetiva e manejá-lo de forma terapêutica. Para o paciente, a psicoterapia de longo prazo é o tratamento de eleição.

Palavras-chave: Dor Crônica, Dor Intratável, Projeção, Identificação (Psicologia), Transtornos da Personalidade

Número atual: Junho 2015 - Volume 22  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Comparação da função motora em solo e imersão de pacientes com distrofia muscular de Duchenne em acompanhamento fisioterapêutico - follow-up de 2 anos

Comparison of motor function in patients with Duchenne muscular dystrophy in physical therapy in and out of water: 2-year follow-up

Adriana Valéria Silva Ferreira; Priscila Santos Albuquerque Goya; Renata Ferrari; Martina Durán; Roberta Vieira Franzini; Fátima Aparecida Caromano; Francis Meire Favero; Acary Souza Bulle Oliveira

Acta Fisiátr.2015;22(2):51-54

O tratamento para pacientes com Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é multidisciplinar. Faz-se necessário entender os efeitos das atividades executadas em solo e imersão para permitir o desenvolvimento de protocolos de intervenção. Objetivo: Comparar a função motora em solo e imersão, no período de 2 anos, em crianças com DMD em acompanhamento fisioterapêutico. Método: Estudo retrospectivo com 23 pacientes diagnosticados DMD, de 8 a 24 anos, assistidos pela Associação Brasileira de Distrofia Muscular (ABDIM). Foram coletados dados da avaliação em imersão (adaptação ao meio líquido, bipedestação, sedestação, rotação transversal, longitudinal, nado e marcha) e em solo (Escalas Egan Klassification e Vignos), no período de dois anos. Resultados: Na análise das avaliações entre os semestres, no período de 2 anos, houve diferença no desempenho das atividades em imersão (p < 0,001) e não foi observada diferença na Escala Egan Klassification (p < 0,003) e na Escala Vignos (p < 0,012). Conclusão: Devido aos princípios físicos da água os pacientes apresentaram manutenção e melhora do escore da avaliação da função motora em imersão. Em contrapartida, foi demonstrada piora dos escores das Escalas Egan Klassification e Vignos que representam a função motora em solo.

Palavras-chave: Distrofias Musculares, Imersão, Modalidades de Fisioterapia

2 - Traumatismo crânio encefálico e suas implicações cognitivas e na qualidade de vida

Traumatic brain injury and its implications on cognition and quality of life

Bruna Petrucelli Arruda; Patricia Yumi Funagoshi Akamatsu; Andreza Pereira Xavier; Regina Celia Villa Costa; Gláucia Somensi de Oliveira-Alonso; Iracema Maceira Pires Madaleno

Acta Fisiátr.2015;22(2):55-59

O traumatismo cranioencefálico é uma das principais causas de mortalidade em crianças e adultos jovens. Os pacientes com traumatismo cranioencefálico moderado ou grave podem apresentar sequelas motoras, cognitivas, emocionais, comportamentais e de funcionalidade social, provocando impacto negativo para o próprio indivíduo, sua família e também para a sociedade. Objetivo: Verificar o impacto que o traumatismo cranioencefálico grave ocasionou na vida de pacientes que apresentaram a lesão durante a infância e adolescência, considerando-se questoes cognitivas, emocionais e de qualidade de vida, bem como verificar se existem diferenças com relação à idade na época da lesão. Método: Estudo quantitativo, qualitativo de abordagem transversal. Realizado no Centro de Reabilitação da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), unidade Ibirapuera. Participaram do estudo, 13 pacientes com traumatismo cranioencefálico grave, procedentes do estado de São Paulo, atendidos entre janeiro de 2010 e março de 2014. Os instrumentos utilizados foram: questionário sociodemográfico, Short Form Health Survey (SF-36), Escala Geral das Matrizes Progressivas de Raven e as Pirâmides Coloridas de Pfister. Os dados obtidos na avaliação foram avaliados na amostra geral e posteriormente divididos em dois grupos com base na idade no ato da lesão, considerando grupo 1 (3 a 7 anos e 11 meses) e grupo 2 (8 à 16 anos e 11 meses). Resultados: Com relação ao Raven, 76,9% dos participantes apresentaram indício de deficiência mental. Todos os participantes obtiveram boa avaliação da qualidade de vida. Sobre os aspectos afetivos-emocionais observou-se boa capacidade de adaptação e interação. Na comparação entre os grupos, não se evidenciaram diferenças. Conclusão: Os resultados obtidos foram compatíveis com estudos que indicam comprometimento cognitivo e boa percepção da qualidade de vida.

Palavras-chave: Traumatismos Encefálicos, Cognição, Qualidade de Vida

3 - Avaliação da força de preensão e amplitude de movimentos dos membros superiores em pacientes com mucopolissacaridose VI

Evaluation of grip strength and range of motion of the upper limbs in patients with mucopolysaccharidosis VI

Jéssica Nayara Silva de Medeiros; Bárbara Bernardo Rinaldo da Silva; Daniel da Rocha Queiroz; Maria Teresa Cattuzzo; Karen Maciel Sobreira Soares

Acta Fisiátr.2015;22(2):60-64

Objetivo: O presente estudo tem como objetivo avaliar a força de preensão manual e amplitude de movimento dos membros superiores de pacientes com Mucopolissacaridose VI afim de observar o quanto tais fatores podem vir a afetar e se correlacionar com as atividade de vida diária. Método: A amostra foi composta por 13 pacientes, sendo 8 homens e 5 mulheres com média de idade de 17,76 anos e médias de peso e altura de 31,30Kg e 1,17cm respectivamente que aceitaram participar do estudo e que atendessem aos critérios de inclusão pedidos. O estudo foi realizado no estado de Pernambuco no Centro de Tratamento de Erros Inatos do Metabolismo, localizado no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP), coletou-se medidas de amplitude de movimentos (ADM) dos membros superiores, força de preensão manual além de perguntas através de um questionário estruturado. Resultados: No presente estudo a flexão da articulação do ombro que apresenta maior comprometimento em sua maioria, não seguiu tal padrao visto que a média de ADM da articulação foi 90,38 para membro esquerdo e 93,38 em membro direito. A ADM mais abaixo da média predita encontrada no estudo foi da extensão de punho tanto em membro esquerdo como direito. Na avaliação de dinamometria apenas 1 indivíduo apresentou média acima da predita, 9 (69,21%) mostraram grau de força entre 0 e 2 libras (lb) em mão direita e 8 (61,52%) em mão esquerda. Conclusão: Esperamos que o estudo sirva como forma de acompanhamento e evolução da MPS VI, e que possa subsidiar novos estudos e protocolos de avaliação e reabilitação motora.

Palavras-chave: Mucopolissacaridose VI, Extremidade Superior, Força da Mao, Modalidades de Fisioterapia

4 - Adaptação transcultural da Motor Assessment Scale (MAS) para o Brasil

Cross-cultural adaptation of the Motor Assessment Scale (MAS) for Brazil

Elaine Lima Silva Wanderley; Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela; Glória Elizabeth Laurentino; Luan César Simoes; Andrea Lemos

Acta Fisiátr.2015;22(2):65-71

Objetivo: Realizar a adaptação transcultural da MAS para o Brasil. Método: O processo de adaptação transcultural ocorreu em cinco estágios: 1) tradução da versão original da MAS por dois tradutores bilíngues independentes; 2) síntese das traduções (criação da versão 1); 3) retrotradução (a versão 1 em português foi revertida para o inglês por dois tradutores bilíngues independentes); 4) análise do comitê de especialistas (4 tradutores e dois fisioterapeutas); 5) pré-teste (aplicação do instrumento na população alvo). Também foi realizado um estudo Delphi e o instrumento foi submetido à opiniao de 10 fisioterapeutas, de diferentes estados do País. Resultados: O consenso sobre a clareza, equivalência semântica e relevância técnico-científica da MAS foi obtido na segunda fase do estudo Delphi, com concordância entre 80 e 100%. Na primeira fase do estudo Delphi, foram dadas sugestoes para melhorar a clareza dos itens, que resultaram na lista Delphi 2. Conclusão: A MAS-Brasil foi criada através de um adequado processo de adaptação transcultural, garantindo a sua equivalência semântica e adequação cultural. Ainda é necessário verificar as propriedades de medida desta versão para a sua adequada utilização clínica e em pesquisas.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Validade dos Testes, Reprodutibilidade dos Testes

5 - Efeito do treino de isostretching na flexibilidade e na força muscular

Effect of isostretching training on flexibility and muscle strength

Maria Silvia Pardo; Ana Angélica Ribeiro de Lima; Mariene Scaranello Simoes; Priscila Santos Albuquerque Goya; Mariana Calil Voos; Fátima Aparecida Caromano

Acta Fisiátr.2015;22(2):72-76

Objetivo: Avaliar efeitos do treino de exercícios de isostreching na flexibilidade e força muscular. Método: Trinta e um indivíduos saudáveis (27 mulheres), de 18 a 28 anos, divididos em 2 grupos: Grupo A, isostretching, submeteu-se a programa de exercícios baseados na técnica isostretching e Grupo B, padrao, submeteu-se aos mesmos exercícios utilizando princípios técnicos clássicos do alongamento, por 12 semanas, duas vezes por semana, uma hora por sessão. Foram avaliadas no pré e pós-teste, flexibilidade por meio de fotogrametria pesquisando a distância punho-chão e a classificação da postura segundo categorias de encurtamentos musculares descritas por Kendall e, força muscular por meio de dinamometria. Resultados: Não houve diferença estatisticamente significante no teste de flexibilidade nos dois grupos. Análise de significância clínica e melhora pelo Indice de Mudança Confiável (IMC) mostrou ganho na flexibilidade atingindo 14 participantes de ambos os grupos. Análise de contorno do corpo do grupo A apresentou atenuações nas curvaturas da coluna cervical, lombar e torácica e ângulo de flexão de quadril. O grupo B apresentou atenuações na curvatura da coluna cervical e ângulo de flexão de quadril. Em relação à força muscular, o grupo A apresentou diferença estatisticamente significante em alguns grupos musculares específicos, porém sem significância clínica. Conclusão: As duas intervenções afetam a flexibilidade de forma estatisticamente semelhante, porém com impacto diferente nas curvaturas da coluna. O isostretching afetou clinicamente a flexibilidade de indivíduos saudáveis, com indícios de que treinamentos mais intensos ou longos possam afetar a força muscular.

Palavras-chave: Força Muscular, Exercícios de Alongamento Muscular, Postura, Fisioterapia

6 - Factor structure, validity, and internal consistency of the Body Appreciation Scale for physically active Brazilian men with spinal cord injuries

Angela Nogueira Neves; Grace Altmann Lorey; Mateus Betanho Campana; Lucilene Ferreira; Dirceu da Silva

Acta Fisiátr.2015;22(2):77-82

Objetivo: Examinar as propriedades psicométricas, a saber, a validade de constructo e consistência interna, da Body Appreciation Scale para pessãos com lesões na medula espinhal no Brasil. Método: A amostra não-probabilística de 70 homens adultos entre 18 e 59 anos de idade participaram neste estudo. Mínimos quadrados parciais com modelagem de caminho, variância média extraída, quadrado da correlação dos fatores, correlação bivariada, análise de variância, teste alpha de Cronbach e teste de confiabilidade Composta foram conduzidos para avaliar estrutura fatorial, validade convergente, discriminante, concorrente, divergente e consistência interna, respectivamente. Resultados: A análise fatorial confirmatória confirmou o modelo de dois fatores, previsto pela teoria. Foram fornecidas fortes evidências de validade convergente e discriminante. Valores de consistência interna foram satisfatórios. Fraca evidência de validade concorrente e divergente foram geradas. Conclusão: A Body Appreciation Scale parece ser uma escala válida e confiável para os investigadores, especialmente em amostras de homens com lesão medular fisicamente ativos. Esta nova escala poderia ser utilizado para avaliar o impacto da terapia física na imagem corporal, bem como o impacto da prática de esportes. Desta forma, poderia fornecer informações relevantes com os quais médicos, fisioterapeutas e educadores físicos podem orientar as suas intervenções.

Palavras-chave: Imagem Corporal, Traumatismos da Medula Espinal, Psicometria

7 - Influência do tratamento por ondas de choque sobre a dor em mulheres portadoras de osteoartrite de joelho

Influence of shockwave therapy on pain in women with knee osteoarthritis

Marta Imamura; Fabio Marcon Alfieri; Pérola Grinberg Plapler; Wu Tu Hsing; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2015;22(2):83-86

A osteoartrite é a doença articular mais comum causando dores em seus portadores. Diversos tratamentos podem ser usados, dentre eles o de ondas de choque. Objetivo: Observar a influência do tratamento por ondas de choque na intensidade da dor em mulheres idosas com AO de joelho. Método: Participaram do estudo, 40 idosas (69,57 ± 6,42 anos) submetidos a tratamento semanalmente por ondas de choque com 2000 impulsos à de 2,5 a 4,0 bar, na frequência de 8Hz, no local mais doloroso à palpação da interlinha articular medial do joelho, durante três semanas consecutivas. O efeito da aplicação sobre a dor foi avaliado pela escala visual analógica antes e depois do tratamento. Resultados: Houve diminuição significante (p < 0,0001) da intensidade da dor das voluntárias, passando de 7,86 ± 1,07 cm para 5,32 ± 2,26 cm. Conclusão: A aplicação de ondas de choque mostrou-se benéfica para redução da dor em idosas portadoras de osteoatrite.

Palavras-chave: Osteoartrite do Joelho, Artralgia, Reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Atuação da fisioterapia nas disfunções sexuais femininas: uma revisão sistemática

Physical therapy in sexually dysfunctional women: a systematic review

Raquel Eleine Wolpe; Ariana Machado Toriy; Fabiana Pinheiro da Silva; Kamilla Zomkowski; Fabiana Flores Sperandio

Acta Fisiátr.2015;22(2):87-92

As disfunções sexuais femininas (DSFs) são consideradas um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Consistem em inúmeras desordens, como distúrbio da excitação feminina, distúrbio do desejo sexual hipoativo, transtorno sexual do orgasmo feminino, dispareunia e vaginismo. As DSFs são detectadas em 67,9% das mulheres no mundo e estao presentes em 50% das asiáticas, em 30 a 50% das americanas e em 30% das brasileiras. Objetivo: Revisar sistematicamente a literatura sobre as diferentes técnicas de fisioterapia utilizadas no tratamento das DSFs. Métodos: Realizou-se uma busca sistemática, nas bases de dados EMBASE, PEDro e MedLine, de artigos publicados até junho de 2013, através da combinação entre palavras e descritores de tratamentos fisioterapêuticos e disfunções sexuais femininas. Foram excluídos os artigos sobre disfunção sexual masculina, estudos pilotos, papers ou projetos multicêntricos, que não estivessem disponíveis na íntegra ou duplicados em outra base de dado. Após a seleção final dos estudos, foi verificada a pontuação dos ensaios clínicos randomizados na Escala de Avaliação PEDro. Resultados: 11 artigos foram incluídos e, destes, seis passaram para a avaliação qualitativa na Escala PEDro. Este estudo seguiu a estruturação metodológica do PRISMA (Statement for Reporting Systematic Reviews and Meta-Analyses of Studies). Todos os estudos encontrados utilizaram questionários para avaliar os efeitos da intervenção fisioterapêutica nas DSFs. Foi verificado um total de cinco tipos de intervenções diferentes: cinesioterapia (exercícios de Kegel e treinamento muscular do assãolho pélvico - TMAP), terapia cognitivo-comportamental (CGBT), biofeedback, eletroterapia (TENS - eletroestimulação transcutânea e US - ultrassom terapêutico) e terapia manual. As limitações encontradas nesta revisão sistemática foram referentes a não disponibilização dos artigos na íntegra e à baixa qualidade metodológica dos estudos. Conclusão: Todos os estudos mostraram melhora na função sexual após intervenção fisioterapêutica. Não há um consenso sobre a intervenção com melhores resultados, no entanto, a cinesioterapia através do TMAP mostrou-se vantajosa por ser de fácil aplicação, baixo custo, aprendizado imediato e promover resultados duradouros em um curto período de tempo. No entanto, existem lacunas metodológicas que ainda precisam ser preenchidas para determinar o tratamento fisioterapêutico eletivo para as DSFs, assim como definir a melhor dosagem, o protocolo a ser seguido, a duração desta terapia, aliados ao melhor custo-benefício.

Palavras-chave: Disfunção Sexual Fisiológica/reabilitação, Mulheres, Modalidades de Fisioterapia

9 - Neuroplasticidade e recuperação funcional na reabilitação pós-acidente vascular encefálico

Neuroplasticity and functional recovery in rehabilitation after stroke

Thais Raquel Martins Filippo; Fabio Marcon Alfieri; Flavio Rodrigo Cichon; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2015;22(2):93-96

O conceito de reabilitação no acidente vascular encefálico (AVE) atualmente é baseado em evidências da neuroplasticidade, considerada responsável pela recuperação após AVE. A escassez de informações na literatura e, principalmente, de métodos que avaliem especificamente a neuroplasticidade não condiz com a sua importância funcional. A literatura aborda, geralmente, as avaliações funcionais dos membros após o AVE e poucos estudos se concentram no comprometimento cerebral. Objetivo: Revisar a literatura para avaliar os programas de reabilitação atuais em AVE e seu potencial para promover melhorias funcionais e plasticidade neuronal. Método: Foi realizada uma revisão de literatura com busca na base de dados do PubMed de artigos publicados de 2000 a 2015. Os descritores utilizados para a pesquisa foram: "Stroke/rehabilitation" OR "Stroke/therapy" AND "Neuronal Plasticity". Resultados: Foram encontrados 86 estudos, 36 foram classificados como Therapy/Narrow, sendo 17 artigos excluídos por não preencherem os critérios de inclusão ou por não apresentarem tema relevante à pesquisa. Após a seleção por título e resumo, 19 artigos foram lidos na íntegra. Destes, 6 foram excluídos por não contemplarem o objetivo da presente pesquisa. No total, 13 artigos foram revisados. Dentre estes 13 artigos, os instrumentos de avaliação variaram entre a ressonância magnética funcional, estimulação magnética transcraniana e tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT). As intervenções utilizadas foram específicas para os membros superiores, exceto por um artigo que teve a intervenção através da terapia de oxigênio hiperbárica. Conclusão: Poucos estudos avaliam a plasticidade neuronal na reabilitação do AVE, e a maioria dos artigos apresentou melhorias tanto funcionais quanto na neuroplasticidade. Entretanto, maiores estudos devem investigar e correlacionar ambos os aspectos na reabilitação dos pacientes com AVE.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Plasticidade Neuronal, Reabilitação

RELATO DE CASO

10 - Resultados de um programa de condicionamento físico em um paciente com hemofilia A grave

Results of a physical fitness program for a patient with severe hemophilia A

Leonardo Danelon da Cruz; Cristiane Gonçalves da Mota; Cristiane Vieira Cardoso; Katia Lina Miyahara; Rodrigo Luis Yamamoto; Donaldo Jorge Filho

Acta Fisiátr.2015;22(2):97-100

A hemofilia é uma doença que afeta a coagulação do sangue pela falta ou diminuição do fator de coagulação VIII ou IX. Esta deficiência faz com que a pessoa sangre por um tempo maior do que uma pessoa normal se não for medicada. Foi avaliado um indivíduo do sexo masculino de 31 anos com hemofilia A grave, artropatia hemofílica em cotovelo esquerdo e tornozelo direito. Foram realizadas 20 meses de treinamento resistido e aeróbio. As musculaturas envolvidas nos exercícios resistidos foram o peitoral maior, latíssimo do dorso, bíceps braquial, tríceps braquial, deltoide, quadríceps e isquiotibiais, sendo realizadas duas séries de 10 repetições para cada um e intervalo de 45 segundos, com intensidade de acordo com o teste inicial de 10 RM baseados na percepção de esforço de 11 a 13 da Escala de Borg. O exercício aeróbio foi realizado em bicicleta ergométrica horizontal com duração de 20 minutos, sendo aferida a frequência cardíaca de repouso, aos 10 e aos 20 minutos do exercício, e após três minutos do término. Nos seis meses antes de iniciar o programa o paciente sofreu três hemorragias, duas espontâneas, em cotovelo e tornozelo esquerdos e uma em coxa direita por pequeno trauma não identificado - em todas fazendo uso do FAH. Durante os 20 meses, o paciente teve uma hemorragia após oito meses de tratamento, no cotovelo esquerdo por trauma durante os exercícios após aumento de carga. Após este episódio, o paciente teve outro sangramento, porém espontâneo, na mesma articulação 12 meses depois. O menor ganho de força foi de tríceps braquial com 33% e o maior foi 257% em extensores de joelho, sendo a média de ganho geral de força muscular de 121%. A prática de exercícios físicos de forma supervisionada é um importante instrumento auxiliar no tratamento das pessoas com hemofilia, demonstrando a necessidade de treino de força e resistência muscular específico para este grupo de pessoas quanto à prevenção de lesões, evitando o desgaste e comprometimento do sistema musculoesquelético. O propósito deste estudo é apresentar os resultados obtidos em um programa de Condicionamento Físico, na prevenção de hemorragias de uma pessoa com hemofilia A grave e sua ação profilática, sem a administração do fator anti-hemofílico (FAH).

Palavras-chave: Hemofilia A, Condicionamento Físico Humano, Força Muscular, Exercício

Número atual: Setembro 2015 - Volume 22  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Avaliação da qualidade de vida de portadores de insuficiência cardíaca congestiva e sua correlação com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

Assessment of quality of life in patients with congestive heart failure and its correlation with the International Classification of Functioning, Disability, and Health

Renata Souza Zaponi; Andersom Ricardo Frez; Cintia Teixeira Rossato Mora; Joao Afonso Ruaro; Christiane Riedi Daniel

Acta Fisiátr.2015;22(3):105-110

Objetivo: Avaliar a qualidade de vida de pacientes com insuficiência cardíaca e correlacionar com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Método: Trata-se de um estudo transversal, com amostra de 19 pacientes, com idade média de 66,28 ± 10,93 anos cuja qualidade de vida foi avaliada através do questionário de qualidade de vida Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire (MLHFQ), sendo que para cada questao foi determinado uma categoria da CIF e estes resultados foram correlacionados. Resultados: A média do escore do questionário MLHFQ foi de 61,21 ± 17,56. Verificou-se correlação positiva entre a qualidade de vida e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (r = 0,75; p = 0,0006), fato que não ocorreu ao comparar a qualidade de vida com a classe funcional. Observou-se alta correlação entre as respostas dos pacientes e a avaliação do fisioterapeuta utilizando a CIF. Conclusões: O questionário MLFHQ contempla as exigências da CIF, possuindo alta correlação entre as respostas de ambos, sendo considerado global, o que possibilita o emprego destes instrumentos na avaliação de pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC).

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Insuficiência Cardíaca, Qualidade de Vida

2 - Investigação dos saberes quanto à capacidade funcional e qualidade de vida em idosas institucionalizadas, sob a ótica da CIF

Investigating information regarding functional capacity and quality of life in institutionalized elderly according to the ICF

Luize Bueno de Araujo; Natália Boneti Moreira; Isabela Lúcia Pelloso Villegas; Ana Paula Cunha Loureiro; Vera Lúcia Israel; Simone Alves Gato; Gisele Kliemann

Acta Fisiátr.2015;22(3):111-117

Objetivo: Avaliar a funcionalidade por meio da capacidade funcional e qualidade de vida (QV), sob a ótica da CIF, de idosas institucionalizadas. Método: Foi realizado um estudo observacional transversal com 22 idosas (77,9 ± 9,41 anos) de uma instituição de longa permanência da cidade de Curitiba/Paraná. Foram aplicados os seguintes instrumentos de avaliação: Indice de Barthel, Questionário Perfil de Saúde de Nottingham e a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). A descrição dos dados foi feita por meio de medidas de tendência central (média) e dispersão (desvio-padrao). A CIF foi analisada de acordo com a distribuição de frequência relativa e absoluta. Resultados: A maioria das idosas apresentaram um médio estado cognitivo e dependência funcional leve. O domínio que mais interferiu a QV das idosas foi a habilidade física, nível energético, sono, dor, emocional e social, respectivamente. A distribuição de frequência da CIF evidenciou aspectos não observados na avaliação convencional das idosas, sobretudo, apresentou grande especificidade nas funções mentais, sensoriais e dor, sistema digestivo, metabólico e endócrino, psicomotora, movimento, cuidado pessãol, apoio e relacionamentos e atividades individuais. Conclusão: Espera-se que a CIF seja incorporada e utilizada em diversos setores da saúde, inclusive em instituições de longa permanência e equipes multidisciplinares, para que profissionais tenham ações de saúde que contemplem o indivíduo como um todo.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Qualidade de Vida, Idoso

3 - Perfil epidemiológico de crianças diagnosticadas com paralisia cerebral atendidas no Centro de Reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos

Health profile of children diagnosed with cerebral palsy treated at the Lucy Montoro Rehabilitation Center in Sao José dos Campos

Carolina Abud Weber de Toledo; Cinthia Hermínia Carvalho Nascimento Pereira; Marilia Menezes Vinhaes; Maria Izabel Romão Lopes; Maria Angélica Ratier Jajah Nogueira

Acta Fisiátr.2015;22(3):118-122

A Paralisia Cerebral é um distúrbio da postura e do movimento decorrente de uma lesão cerebral podendo resultar em comprometimentos neuromotores, geralmente associados à gravidade da sequela e idade da criança. Objetivo: Avaliar o perfil epidemiológico das crianças diagnosticadas com Paralisia Cerebral atendidas no Centro de Reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos. Método: Foram revisados 83 prontuários no período de dezembro de 2011 até dezembro de 2014. Foram verificados os fatores como idade, gênero, procedência, realização prévia de fisioterapia, tipos de paralisia cerebral de acordo com a distribuição anatômica, crises convulsivas, órteses, aplicação de toxina botulínica, meios auxiliares de locomoção, pontuação no GMFM e nível no GMFCS. Resultados: Houve predominância do gênero masculino (55%) e com faixa etária de 4 a 6 anos (32%). A maioria foi proveniente de São José dos Campos (33 indivíduos). Quanto aos tipos de Paralisia Cerebral observamos maior prevalência para tetraplegia e diplegia (43% cada); 61% dos pacientes não apresentaram crises convulsivas e 30% aplicaram toxina botulínica. Os que faziam uso de meios auxiliares de locomoção totalizaram 41%. A pontuação prevalente do GMFM foi de 0 a 25% (22 indivíduos) e a maioria dos pacientes (29%) classificados como nível IV no GMFCS. Conclusão: São necessários mais estudos que definam o perfil epidemiológico das crianças com Paralisia Cerebral para melhor caracterização desta população e direcionamento de futuras pesquisas.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Perfil de Saúde, Centros de Reabilitação, Modalidades de Fisioterapia

4 - Perfil, critérios de indicação e desfecho da inserção de gastrostomia em um hospital pediátrico universitário

Profile, recommendation criteria, and outcome of gastrostomy tube insertions in a pediatric teaching hospital

Luise Alexandre Rocha Soutinho; Danyelle Araujo Fontes; Yonatta Salarini Vieira de Carvalho; Mariana Pinheiro Brendim; Charles Henrique Dias Marques

Acta Fisiátr.2015;22(3):123-129

Objetivo: Descrever o perfil dos pacientes submetidos à gastrostomia, os critérios de indicação e o desfecho dessa inserção em um hospital pediátrico universitário. Método: Estudo retrospectivo, quantitativo e descritivo, através de pesquisa em prontuários de pacientes submetidos à gastrostomia no período entre janeiro/2010 e dezembro/2012. Resultados: As doenças e condições de base mais frequentes foram: encefalopatia crônica da infância (77,5%), pneumonia (67,5%), crise convulsiva (57,5%) e desnutrição (42,5%). Apesar da maioria dos pacientes apresentar história de disfagia (62,5%), observou-se como via de nutrição mais frequente antes da inserção da gastrostomia a via oral (42,5%), seguida pela nasoenteral (40%). A introdução de dieta pela gastrostomia foi bem sucedida e ocorreu em média 2,82(± 1,19) dias após a sua inserção. Após seis meses de realização da gastrostomia, 80% dos pacientes permaneceram alimentando-se exclusivamente através desta via e somente 2,5% retirou a gastrostomia. 45% dos participantes apresentaram complicações da gastrostomia, sendo extravasamento do material gástrico (15%) e inflamação local (15%) as mais frequentes. Conclusão: O perfil dos pacientes submetidos à gastrostomia é de indivíduos, em sua maioria, com doença neurológica e respiratória, sem suporte respiratório, do sexo masculino e alimentando-se por via oral ou sonda nasoenteral por período prolongado. Os principais critérios de indicação foram doença neurológica e disfagia. Em relação ao desfecho, a introdução de dieta pela gastrostomia é bem sucedida, a maioria dos indivíduos permanece com este suporte nutricional a longo prazo e as complicações mais frequentes são extravasamento do material gástrico e inflamações na área da gastrostomia.

Palavras-chave: Gastrostomia, Transtornos de Deglutição, Apoio Nutricional

5 - Prevalência de incontinência urinária entre idosos institucionalizados e sua relação com o estado mental, independência funcional e comorbidades associadas

Prevalence of urinary incontinence among institutionalized elderly and its relationship to mental state, functional independence, and associated comorbidities

Layse Biz de Quadros; Alessandra Aguiar; Alessandra Vieira Menezes; Elysama Fernandes Alves; Tatyana Nery; Poliana Penasso Bezerra

Acta Fisiátr.2015;22(3):130-134

Incontinência urinária é definida como a perda involuntária de urina pela uretra podendo causar diversos problemas sociais e higiênicos, além de alterações que comprometem o convívio social como depressão, vergonha e isolamento, tendo maior prevalência nas mulheres do que nos homens. Objetivos: Determinar a prevalência de incontinência urinária em uma amostra de idosos institucionalizados e analisar sua relação com características sociodemográficas, comorbidades associadas, função cognitiva e independência funcional. Métodos: Estudo transversal, descritivo e exploratório. Participaram 27 idosos que atenderam aos critérios de inclusão, de ambos os sexos, residentes em uma instituição de longa permanência. Prevalência foi determinada pela porcentagem de idosos que apresentaram incontinência urinária; características sociodemográficas e comorbidades avaliadas através de uma ficha de anamnese padrao, revisados com os dados dos prontuários; função cognitiva avaliada através do Mini-Exame do Estado Mental e independência funcional através da escala de Barthel modificada. Comparação entre grupos - teste t de Student e associações - teste do qui-quadrado. Resultados: Nove idosos (33,33%) apresentaram incontinência urinária. Houve associação entre sexo e incontinência urinária, com prevalência maior para o sexo feminino (p = 0,029). A incontinência urinária possui associação com a baixa escolaridade (p = 0,014), o tempo de admissão na instituição (p = 0,004), classificação funcional (p = 0,003) e déficit cognitivo (p = 0,001). Conclusão: Incontinência urinária é frequente em idosos residentes em instituições de longa permanência, com maior prevalência no sexo feminino, havendo relação com a baixa escolaridade, maior tempo de admissão, maior dependência na realização das atividades e pior déficit cognitivo.

Palavras-chave: Idoso, Institucionalização, Cognição, Incontinência Urinária, Atividades Cotidianas

6 - Qualidade de vida e desempenho ocupacional de indivíduos com esclerose múltipla

Quality of life and occupational performance of people with multiple sclerosis

Valeria Sousa de Andrade; Maysa de Oliveira Silva

Acta Fisiátr.2015;22(3):135-140

A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica degenerativa e crônica com ampla gama de sinais e sintomas que podem comprometer a qualidade de vida (QV) e o desempenho ocupacional (DO) dos indivíduos que a exibem. Objetivo: Resumiu-se em avaliar a existência de possível correlação entre DO e QV em população com essa doença. Método: Trata-se de uma pesquisa transversal e quantitativa cujos indivíduos frequentavam o ambulatório de neurologia do hospital de clínicas de uma universidade federal no estado de Minas Gerais. O DO e a QV dos indivíduos foram obtidos através da versão em português dos instrumentos Medida Canadense de Desempenho Ocupacional (COPM) e Escala de Determinação Funcional da Qualidade de Vida (DEFU), respectivamente. A análise dos dados foi realizada por meio do Coeficiente de Correlação de Pearson. Resultados: A amostra envolveu 24 sujeitos, sendo 66,7% do sexo feminino com idade média de 48,3 anos (DP = 10,21). O tipo remitente recorrente (RR) de EM foi o mais observado (91,7%). Os resultados da COPM revelaram que a maior parte dos participantes apresentou desempenho variando de moderado a ruim, tendo sido enumeradas as atividades "andar na rua, subir e descer escadas, ir à casa de familiares e amigos, dançar e ler" como mais difíceis de serem realizadas. Mais de 75% dos indivíduos obtiveram escores abaixo de 6,7 pontos. A DEFU indicou que a QV dos participantes se configurou como boa, tendo 90% dos indivíduos alcançando escore acima de 72 pontos. A associação entre o escore da DEFU e seus domínios com os escores de desempenho e satisfação da COPM não apresentou correlação estatisticamente significante. A correlação entre a "mobilidade" da DEFU apresentou correlação significativa com o escore de desempenho da COPM (r = 0,438, p = 0,032). Conclusão: A fadiga é uma das manifestações mais comuns e perturbadoras e pode comprometer o desempenho nas funções individuais de forma variada, sendo relatada por 92% dos indivíduos deste estudo. Isto pode ser explicado pelo diminuído número de surtos observados, pela predominância do tipo RR da doença, possível suporte familiar e social. Salienta-se também que alguns participantes da pesquisa mencionaram inteirar-se quanto aos aspectos da doença através da internet ou e reunioes em associações, fato que, segundo eles, os levou a se tornar a par do caráter evolutivo e deteriorante da doença. Isto pode tê-los levado a refletir sobre sua situação de vida e ter influenciado sua opiniao sobre a qualidade da mesma.

Palavras-chave: Esclerose Múltipla, Qualidade de Vida, Atividades de Lazer, Autocuidado, Trabalho, Terapia Ocupacional

7 - Desempenho funcional de jogadores de basquete em cadeira de rodas com traumatismo da medula espinal

Functional performance of wheelchair basketball players with spinal cord injury

Andersom Ricardo Fréz; Andrezza Thimoteo de Souza; Cíntia Raquel Bim Quartiero

Acta Fisiátr.2015;22(3):141-144

Os traumatismos da medula espinal comprometem as atividades diárias e limitam a mobilidade e a participação na comunidade. A prática do esporte adaptado melhora a funcionalidade, pois ela complementa o processo de reabilitação de pessãos que precisam de cadeira de rodas para locomoção. Objetivo: Avaliar o desempenho funcional de atletas praticantes de basquetebol em cadeira de rodas com disfunções por traumatismo da medula espinal. Método: Foi realizado um estudo transversal com 12 atletas. Para avaliar o desempenho funcional foi aplicado o Indice de Barthel Modificado, o teste Zigue-zague adaptado e o teste de arremesso de medicineball. A correlação do grau de dependência funcional com os demais testes de desempenho funcional foi realizada pelo teste de correlação não paramétrica de Spearman. Resultados: Seis atletas apresentavam dependência moderada e seis dependência leve. O tempo médio para percorre o teste de agilidade em zigue-zague foi de 27,3 ± 3,8 segundos. A distância média para arremesso de medicineball foi de 5,2 ± 0,9 metros. Observou-se correlação negativa e forte entre o Indice de Barthel e o teste de agilidade (r = -0,9193, p < 0,0001). Conclusão: A amostra estudada apresentou-se como dependente moderada e leve para a realização das atividades de vida diária, com potência de membro superior e cintura escapula semelhante aos descritos na literatura e agilidade abaixo dos valores citados na literatura.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Avaliação em Saúde, Atividade Motora, Cadeiras de Rodas

8 - Diferenças no arremesso de jogadores de basquete em cadeira de rodas e convencional

Differences of free-throw shot in wheelchair basketball and conventional players

Giovana Duarte Eltz; Enaile Farias Moraes; Cíntia Mussi Alvim Stocchero; Clarice Sperotto dos Santos Rocha; Mauro Gomes Matos

Acta Fisiátr.2015;22(3):145-149

O basquete em cadeira de rodas (BCR) segue praticamente as mesmas regras do basquete convencional (BC). Objetivo: Avaliar a ativação eletromiográfica dos músculos peitoral maior (PM), deltóide anterior (DA) e tríceps braquial (TB) durante o arremesso em atletas de BC e BCR. Método: Estudo transversal, no qual onze sujeitos foram submetidos a uma avaliação eletromiográfica dos músculos PM, DA, TB no membro que realiza o arremesso. Foi utilizado um eletromiógrafo de 4 canais (Miotec/Brasil) (2000Hz/canal). Resultados: Na comparação entre os músculos, o grupo BC mostrou diferença significativa, sendo observada maior ativação do músculo DA em relação aos demais, já no grupo BCR, não houve diferença. Na comparação entre os grupos, o músculo PM mostrou maior ativação no grupo BCR, enquanto o músculo DA estava mais ativo no grupo BC. O músculo TB não apresentou diferença significativa entre os grupos. Conclusão: A partir dos resultados do presente estudo os atletas dos grupos BC e BCR apresentaram diferenças na ativação elétrica durante o movimento do arremesso. Entretanto ambos os grupos ativaram mais o DA, seguido do TB e o músculo menos ativado foi o PM, sendo estas diferenças mais visíveis no grupo BC.

Palavras-chave: Esportes para Pessoas com Deficiência, Basquetebol, Extremidade Superior, Eletromiografia

ARTIGO DE REVISÃO

9 - Avaliações que mensurem a percepção dos déficits em indivíduos com lesão cerebral adquirida: uma revisão da literatura

Assessments measuring the perception of deficits in individuals with acquired brain injuries: a review of the literature

Fernanda de Sousa Forattore; Rafaela Larsen Ribeiro

Acta Fisiátr.2015;22(3):150-154

Objetivo: Através de uma revisão da literatura, selecionar avaliações que mensurem a percepção dos déficits do indivíduo com lesão cerebral adquirida submetido à intervenção de autoconsciência. Método: Foi realizada revisão nas bases de dados da BIREME e PubMed, referente aos últimos 10 anos. Resultados: Foram selecionados no trabalho onze artigos que incluíram avaliações de autoconsciência antes e depois de uma intervenção terapêutica e que tivessem como público indivíduos com diagnósticos de traumatismo crânio-encefálico (TCE), acidente vascular encefálico (AVE) ou tumor cerebral. Conclusão: Observou-se um número significativo de publicações na Austrália, nos países europeus e nos Estados Unidos. Os instrumentos mais utilizados nos estudos foram o Self-awareness of Deficits Interview (SADI) e Awareness Questionnaire (AQ). Não foram encontrados estudos e avaliações padronizadas e validadas no Brasil. Dessa forma, se faz necessário o desenvolvimento, tradução e adaptação de avaliações, que mensurem a percepção da consciência na população brasileira para proporcionar uma prática baseada em evidências pela utilização de modelos específicos de intervenção.

Palavras-chave: Traumatismos Encefálicos, Acidente Vascular Cerebral, Consciência, Questionários, Reabilitação

10 - Efeito do uso das órteses no prolongamento da marcha de pacientes com distrofia muscular de Duchenne: revisão da literatura

Effect of using orthoses on prolonging ambulation in patients with Duchenne Muscular Dystrophy: review of literature

Mariana Angélica de Souza; Ananda Cezarani; Ana Cláudia Mattiello-Sverzut

Acta Fisiátr.2015;22(3):155-159

A capacidade de marcha em pacientes com distrofia muscular de Duchenne diminui progressivamente devido ao avanço da fraqueza e encurtamento muscular. As órteses para membros inferiores são frequentemente prescritas na tentativa de prolongar a marcha nestes pacientes. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura a fim de verificar o efeito do uso das órteses em relação ao prolongamento do tempo de marcha. Método: Foi realizado um levantamento bibliográfico nas bases PUBMED, PEDRO e SCIELO com as palavras-chave orthoses, bracing, gait, gait loss, ambulation, Duchenne muscular dystrophy. Resultados: Nos quatorze artigos selecionados foi identificada a prescrição das órteses do tipo KAFO (também chamadas de órteses longas) e AFO, sempre associada a outra intervenção terapêutica. A maioria dos estudos relatou que o uso do dispositivo prolonga o tempo de marcha. Conclusão: O uso da órtese, independentemente do tipo, prolonga a deambulação, pois retarda o avanço de encurtamentos. Assim, sugere-se o início precoce da AFO a fim de minimizar o prejuízo funcional característico da doença.

Palavras-chave: Distrofia Muscular de Duchenne, Aparelhos Ortopédicos, Marcha

Número atual: Dezembro 2015 - Volume 22  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Ansiedade, depressão e desesperança no cuidador familiar de pacientes com alterações neuropsicológicas

Anxiety, depression and hopelessness in family caregivers of patients with neuropsychological sequelae

Isadora Di Natale Nobre; Carolina dos Santos Lemos; Adriana Cristina Guimaraes Pardini; Janaína de Carvalho; Isabel Chateaubriand Diniz Salles

Acta Fisiátr.2015;22(4):160-165

Objetivo: Identificar a incidência de ansiedade, depressão e desesperança em 54 cuidadores familiares de pacientes com alteração neuropsicológica após lesão encefálica ocorrida na idade adulta. Métodos: Trata-se de um estudo observacional com corte transversal e análise quantitativa, desenvolvido em um centro de reabilitação (Associação de Assistência à Criança Deficiente - AACD) localizado na cidade de São Paulo. Foram aplicados os instrumentos: Inventário de Ansiedade Beck (BAI), Inventário de Depressão Beck (BDI) e Escala de Desesperança Beck (BHS), juntamente com um questionário de caracterização da amostra. Resultados: Os dados foram analisados estatisticamente e dos familiares entrevistados 55,6% apresentou índices de ansiedade, 20,4% apresentou depressão e 31,5% desesperança. Conclusão: Os cuidadores familiares desta pesquisa apresentaram relevante sofrimento psíquico, apontando a necessidade de ações voltadas especificamente a eles nos programas de reabilitação.

Palavras-chave: Ansiedade, Depressão, Cuidadores, Neuropsicologia

2 - Avaliação da destreza manual em indivíduos com artrite reumatoide

Evaluation of manual dexterity in individuals with rheumatoid arthritis

Karen Kowalski Armanini; Fernanda Matos Weber; Caren Fernanda Muraro; Noé Gomes Borges Junior; Susana Cristina Domenech; Monique da Silva Gevaerd

Acta Fisiátr.2015;22(4):166-171

Objetivo: Analisar a destreza manual de pacientes com AR em função do nível de atividade da doença. Métodos: Foram avaliados 23 indivíduos com AR, com média de idade de 54,78 ± 12,54 anos. Todos os participantes foram submetidos a uma entrevista para coleta dos dados de identificação e história clínica, coleta de sangue para análise da Proteína C-Reativa, determinação do nível de atividade da doença por meio do Disease Activity Score (DAS-28) e avaliação da destreza manual pelo Moberg Picking-Up Test (MPUT). Para descartar problemas de sensibilidade tátil dos indivíduos, foi aplicado o teste de sensibilidade dos monofilamentos de Semmes-Weinstein. Resultados: Foi observado que o grupo classificado em moderada atividade da doença apresentou maior tempo para execução do MPUT com olhos abertos na mão dominante, quando comparado ao grupo em baixa atividade. O grupo em alta atividade da doença também demorou mais para realizar o MPUT com os olhos fechados na mão dominante, em comparação ao grupo em baixa atividade. Adicionalmente, houve uma correlação positiva entre o DAS-28 e o tempo de realização do MPUT com os olhos fechados na mão dominante. Conclusão: A destreza manual de indivíduos com AR pode estar prejudicada em função do nível de atividade da doença, repercutindo na dificuldade para a realização das atividades de vida diária. Estes dados podem contribuir para a determinação de estratégias de tratamento visando a melhoria da qualidade de vida de pacientes com AR.

Palavras-chave: Artrite, Reumatoide, Destreza Motora, Maos

3 - Fatores de risco cardiovasculares em pacientes com fibromialgia

Cardiovascular risk factors in patients with fibromyalgia

Hugo Ribeiro Zanetti; Tábata de Paula Facioli; Roberto Furlanetto Júnior; Eduardo Gaspareto Haddad; Leandro Teixeira Paranhos Lopes; Alexandre Gonçalves

Acta Fisiátr.2015;22(4):172-175

Objetivo: Verificar os fatores de risco cardiovasculares em pacientes com fibromialgia (FM). Métodos: O estudo foi composto por 40 mulheres diagnosticadas com FM e encaminhadas para o setor de Reabilitação Física do Hospital de Clínicas de Uberlândia. Foi aplicado um questionário do American College of Sports Medicine contendo perguntas sobre histórico familiar; tabagismo; hipertensão; dislipidemia; glicose de jejum alterada; obesidade; sedentarismo e etilismo. Resultados: O sedentarismo teve prevalência de 92,5%, hereditariedade 52,5%, obesidade 50%, hipertensão arterial 45%, dislipidemia 37,5%, tabagismo 25%, etilismo 8% e diabetes 7,5%. Além disso, 60% da amostra apresentou três ou mais fatores de risco, 30% apresentou 2 fatores e 10% apresentou apenas um fator de risco. Conclusão: Pacientes com FM apresentam vários fatores de risco cardiovasculares, desse modo, deve-se orientar tais pacientes à mudança do estilo de vida, a fim de reduzir tais fatores e consequentemente eventos cardíacos futuros, e proporciona melhora do quadro de dor.

Palavras-chave: Fibromialgia, Fatores de Risco, Estilo de Vida Sedentário

4 - Permanência prolongada na postura sentada e desconforto físico em estudantes universitários

Prolonged sitting and physical discomfort in university students

Fátima Aparecida Caromano; Cristina Aparecida Padoin de Amorim; Cristina de Fátima Rebelo; Adriana Maria Contesini; Francis Meire Fávero; Jecilene Rosana Costa Frutuoso; Milena Missa Kawai; Mariana Callil Voos

Acta Fisiátr.2015;22(4):176-180

A evolução do homem promoveu adoção da postura sentada por períodos prolongados, induzindo alterações biomecânicas e fisiológicas no corpo. No ensino, a adoção desta postura pode induzir distúrbios musculoesqueléticos e desconforto físico, associado ou não com aprendizagem. Objetivo: Quantificar e caracterizar o tempo de permanência na postura sentada por estudantes universitários e avaliar relação do tempo com queixas de dor e/ou desconforto. Método: Estudo quali-quantitativo. Coleta dos dados feita por meio de diário. Participaram 47 universitários que registraram número de horas na postura sentada, atividades, presença de dor e/ou desconforto e responderam pergunta aberta sobre suas observações referentes ao período experimental. Foi realizada análise estatística descritiva e calculado o coeficiente de correlação de Spearman entre elas, duas a duas. As respostas à pergunta aberta foram categorizadas e agrupadas segundo a frequência e similaridade. REsultados: Estudantes avaliados permaneceram longos períodos sentados (13,4 DP 1,5 horas). Percepção de desconforto do mobiliário foi relevante. Queixas de desconforto e/ou dor podem estar relacionadas com a permanência prolongada na postura sentada. Os locais com mais queixas de dor foram a cabeça, regiao cervical, ombros e lombossacral. Quanto maior o tempo na postura sentada, maior a incidência de queixas dor. Não se pode afirmar que a dor provoque ou aumente o nível de estresse. Conclusão: O diário foi ferramenta útil para coleta de dados e serviu como instrumento de interferência na auto-observação e autocuidado. Este estudo contribui para o entendimento de como a postura sentada afeta universitários e fornece indicadores para futuras intervenções.

Palavras-chave: Postura, Dor, Fadiga, Estilo de Vida Sedentário

5 - Associação entre desempenho funcional e quedas em idosas classificadas segundo a faixa etária

Association between functional performance and falls in older women classified by age

Thiago Rogério Padilha Amarante; Anna Raquel Silveira Gomes; Flavia Pinotti dos Santos; Rodrigo Augusto Coelho; Silvia Valderramas

Acta Fisiátr.2015;22(4):181-185

Objetivo: Avaliar o desempenho funcional e o histórico de quedas de idosas. Método: Estudo observacional de corte transversal, onde foram selecionadas 57 idosas da comunidade, divididas em 3 grupos, segundo a faixa etária: G1- 60 a 69 anos; G2- 70 a 79 anos e G3- 80 a 89 anos. Foram avaliados: mobilidade funcional ("Timed Up & Go Test"); potência muscular (Teste de sentar e levantar 5 vezes); força de preensão manual (dinamômetro manual JAMARr), histórico e prevalência de quedas. A análise das diferenças intergrupos foi realizada por meio da ANOVA One way e post hoc Tukey. As correlações foram avaliadas por meio do teste de Spearman. Resultados: Idosas do G3 quando comparadas aos grupos G1 e G2, apresentaram diminuição da FPM (18,08 ± 3,29 Kgf vs. 28,10 ± 4,26 Kgf; 18,08 ± 3,29Kgf vs. 22,92 ± 4,01, p = 0,001), da potencia muscular (14,44 ± 2,85s vs. 12,27 ± 2,34s; 14,44 ± 2,85s vs. 13,16 ± 2,27s, p = 0,04) e da mobilidade funcional (11,56 ± 3,10s vs. 8,57 ± 2,25s; 11,56 ± 3,10s vs. 10,30 ± 2,58s, p = 0,004). A maior prevalência de quedas foi nas idosas do G2 (52,6%) sendo que, nos últimos 6 meses, 26% caíram 1 vez, 5% caíram 2 vezes; 10% caíram 3 e 4 vezes. As idosas do G1 e G3 caíram 1 vez. A frequência de quedas apresentou correlação com mobilidade funcional (r = -0,52, p = 0,018). A idade apresentou correlação com a força de preensão manual (r = -0,67, p = 0,0001), potencia muscular (r = 0,31, p = 0,02) e com mobilidade funcional (r = 0,49, p = 0,0001). Conclusão: A prevalência de quedas foi maior na faixa etária entre 70-79 anos e quanto maior a idade pior o desempenho musculoesquelético e funcional.

Palavras-chave: Idoso, Força Muscular, Acidentes por Quedas

6 - A influência da postura corporal nos parâmetros do sistema de oscilometria de impulso em crianças

The influence of body posture on the impulse oscillometry system parameters in children

Letícia Goulart Ferreira; Renata Maba Gonçalves; Maíra Seabra de Assumpção; Camila Isabel Santos Schivinski

Acta Fisiátr.2015;22(4):186-191

Oscilometria de impulso (IOS) é um método alternativo e complementar de avaliação da mecânica respiratória, mas cuja técnica de execução ainda necessita padronização. Objetivo: Analisar e comparar os resultados de parâmetros do IOS quando realizado em escolares nas posições ortostática e sentada. Método: estudo analítico observacional transversal. Escolares saudáveis de 6 a 12 anos foram submetidos à espirometria e dois exames de IOS randomizados quanto à postura (sentada e ortostática). Os dados foram analisados no SPSS 20.0. Utilizou-se o teste Shapiro-Wilk e, segundo a normalidade dos dados, aplicou-se o teste de Wilcoxon ou t de Student para comparação das posturas. Na correlação entre dados antropométricos e as variáveis oscilométricas empregou-se o teste de Pearson ou Spearman, com p < 0,05. Resultados: participaram 72 crianças, idade média de 8,42 ± 1,26. Não houve diferença entre as variáveis oscilométricas nas duas posturas. Na posição sentada, houve correlação negativa baixa entre altura de tronco (Altronco) e variáveis: resistência a 20Hz (R20) (p = 0,034) e a 5Hz (R5) (p = 0,041), resistência central (Rescent) (p = 0,018) e impedância (Z) (p = 0,030). Em ortostatismo verificou-se correlação negativa baixa entre idade e resistência periférica (Resper) (p = 0,011), R5 (p = 0,014) e Z (p = 0,009). Conclusão: Não houve diferença nos valores das variáveis oscilométricas entre a postura sentada e ortostática. Contudo, a resistência das vias aéreas foi influenciada pela Altronco, estatura e idade. O ortostatismo parece ser a melhor posição para análise da Resper.

Palavras-chave: Criança, Postura, Mecânica Respiratória, Testes de Função Respiratória

7 - A CIF-CJ para crianças e adolescentes com osteogênese imperfeita: a perspectiva de especialistas

The ICF-CY for children and adolescents with osteogenesis imperfecta: the perspective of specialists

Tatiana Vasconcelos dos Santos; Juan Clinton Llerena Júnior; Carla Trevisan Martins Ribeiro

Acta Fisiátr.2015;22(4):192-198

Objetivo: A partir da perspectiva de especialistas em Osteogênese Imperfeita (OI), identificar as categorias da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde-versão crianças e jovens (CIF-CJ) mais relevantes para avaliação de pacientes. Métodos: Três etapas de questionários enviados por correio eletrônico para cinco especialistas em OI utilizando o método Delphi modificado. Os participantes escolheram a partir de uma lista de categorias de segundo nível da CIF-CJ, as mais relevantes para avaliação da funcionalidade em crianças e adolescentes com OI. Ao final da terceira etapa, foram selecionadas as categorias escolhidas por no mínimo 80% dos respondentes. Resultados: Todos os componentes atingiram categorias com consenso. Os componentes com maior número de categorias escolhidas foram Atividades e Participação e Fatores Ambientais. Conclusão: Uma lista de categorias da CIF-CJ relevantes para OI pôde ser elaborada a partir da perspectiva de especialistas. Esta é uma importante etapa na elucidação do que deve ser avaliado em crianças e adolescentes com OI.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Osteogênese Imperfeita, Consenso

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Como o estilo de vida tem sido avaliado: revisão sistemática

How life style has been evaluated: a systematic review

Elias Ferreira Pôrto; Claudia Kümpel; Antônio Adolfo Mattos de Castro; Isis Modesto de Oliveira; Fábio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2015;22(4):199-205

O estilo de vida corresponde ao conjunto de hábitos e costumes que são influenciados e modificados que podem contribuir para a promoção da saúde. Objetivo: Realizar uma revisão sobre os métodos que têm sido utilizados para a avaliação do estilo de vida, assim como identificar o que tem sido considerado como estilo de vida saudável. Método: Este estudo consistiu em uma revisão sistemática sobre os possíveis métodos de avaliação do estilo de vida e hábitos que são considerados estilo de vida saudável. A pesquisa foi realizada nas bases de dados nacionais e internacionais: LILACS, MEDLINE, PubMed e SciELO, e busca livre no Google acadêmico, como os seguintes descritores: "estilo de vida" "estilo de vida saudável". Resultados: foram encontrados 142 artigos, sobre estilo de vida saudável, 105 não preencheram os critérios estabelecidos, 28 foram considerados elegíveis e foram incluídos no estudo, 10 tinham amostra randomizados, e um pseudo-randomizada, 17 não havia aleatorização no processo. Entre os artigos selecionados havia quatro propostas para validar instrumentos de avaliação de estilo de vida, e uma revisão sistemática. Os instrumentos utilizados nestes estudos não eram muito confiáveis para avaliar estilo de vida, os métodos destes apresentaram baixa responsividade. Conclusão: Podemos concluir que o estilo de vida saudável deve ser iniciado precocemente e continuar durante toda a vida, e as principais ações relacionadas a um estilo de vida saudável, controle de parâmetros metabólico, realizar atividades física, e alimentação saudável, entretanto os instrumentos de avaliação do estilo de vida ainda são pobre na capacidade de resposta.

Palavras-chave: Estilo de Vida, Questionários, Avaliação

9 - Dupla tarefa como estratégia terapêutica em fisioterapia neurofuncional: uma revisão da literatura

Dual task training as a therapeutic strategy in neurologic physical therapy: a literature review

Tassiana Mendel; Wilames Oliveira Barbosa; Adriana Campos Sasaki

Acta Fisiátr.2015;22(4):206-211

Objetivo: Discutir as possibilidades de utilização da dupla tarefa no âmbito da reabilitação de pacientes neurológicos. Métodos: Foram realizadas buscas nas bases de dados PUBMED, MEDLINE, LILACS e PEDro, com o termo em inglês dual task associados a cada uma das palavras, em separado: treatment, physicaltherapy, rehabilitation, exercise, training, dividedattention, executivefunctions e attentionaldemands. Foram selecionados apenas ensaios clínicos que utilizaram o treinamento de dupla tarefa em população adulta com doença ou lesão neurológica. Resultados: Dos 2024 artigos encontrados, 1017 foram excluídos por se tratarem de artigos duplicados. Dentre os 1007 restantes, 998 foram excluídos após a análise dos resumos. Os nove artigos selecionados avaliaram pacientes com acidente vascular encefálico, traumatismo encefálico, doença de Alzheimer e de Parkinson. A maioria utilizou a marcha como tarefa primária, e uma tarefa cognitiva como secundária. Os programas variaram entre 9 e 48 horas totais de treinamento. Conclusão: O treinamento de dupla tarefa parece ter efeitos positivos na marcha, cognição, habilidades de automatização e transferência de aprendizado, sugerindo que essa pode ser uma estratégia valiosa para a reabilitação neurológica. Entretanto, ainda se faz necessário explicar quais as tarefas que são mais eficientes, o período de intervenção adequado e a extensão do período de retenção do aprendizado.

Palavras-chave: Função Executiva, Terapia por Exercício, Atenção, Neurologia, Reabilitação

RELATO DE CASO

10 - Ganglionopatia como manifestação inicial de neoplasia pulmonar: relato de caso

Ganglionopathy as the initial manifestation of neoplastic lung disease: a case report

Caio Ribeiro Azevedo Gomes; Bruno Nogueira Silva; Gustavo Carneiro Ferrao; Andressa Silvia Faé Nunes; Arquimedes de Moura Ramos; Tae Mo Chung; Lucas Martins de Exel Nunes

Acta Fisiátr.2015;22(4):212-214

A ganglionopatia é uma entidade rara que consiste na afecção dos neurônios sensitivos da raiz dorsal, fazendo parte do grupo das polineuropatias periféricas do tipo exclusivamente sensitivo com comprometimento axonal e tendo seu diagnóstico feito através de estudo eletroneuromiográfico. A associação entre a ganglionopatia e outras patologias como neoplasias, doenças autoimunes, doença celíaca, entre outras é amplamente citada na literatura. O objetivo deste trabalho é descrever o caso clínico de um paciente com diagnóstico de neoplasia pulmonar cuja manifestação inicial foi a ganglionopatia, incluindo a descrição detalhada do exame eletroneuromiográfico que auxiliou no processo diagnóstico do médico assistente. Concluímos ser importante que o médico neurofisiologista tenha em mente as possíveis causas da ganglionopatia e saiba apontar o médico assistente para que a investigação possa ser realizada de maneira completa e precoce.

Palavras-chave: Polineuropatias, Neoplasias Pulmonares, Relatos de Casos

Número atual: Março 2014 - Volume 21  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Associação entre sintomas depressivos, trabalho e grau de incapacidade na hanseníase

Relationship between depression, work, and grade of impairment in leprosy

Bruna Janerini Corrêa; Lúcia Helena Soares Camargo Marciano; Susilene Tonelli Nardi; Tatiani Marques; Thássia Ferraz de Assis; Renata Bilion Ruiz Prado

Acta Fisiátr.2014;21(1):1-5

A depressão é o transtorno psiquiátrico mais comum na hanseníase e com alto índice de sintomas depressivos.
OBJETIVO: Verificar a frequência dos sintomas depressivos e sua relação com o grau de incapacidade (GI) da OMS e variáveis sociodemográficas.
MÉTODO: Aplicou-se um questionário, contendo aspectos sociodemográficos, clínicos e o GI. Foi aplicada a escala original do BDI para identificar a frequência dos sintomas depressivos (21 itens) e a subescala cognitiva chamada BDI-Short Form - BDI-SF (1-13 itens), recomendada para avaliar sintomas depressivos em indivíduos com diagnóstico de alguma patologia. Foi utilizada análise estatística descritiva, com distribuição de frequência para a caracterização da casuística e para o cruzamento das variáveis, foi utilizado o Teste Chi-square-corrected (Yates), considerando resultados significantes valor - p < 0,05.
RESULTADOS: Foram avaliados 130 pacientes que tem ou tiveram hanseníase. A idade média dos pacientes foi de 49,64 (SD 14,04). Houve predomínio do sexo masculino (64,6%), dos que vivem com familiares (87,7%), com ensino fundamental incompleto (66,2%), uniao civil estável (61,6%), não trabalham (75,4%) e recebem aposentadoria ou auxílio saúde (63,9%). Em relação aos aspectos clínicos, 94,5% são multibacilares, 74,6% concluíram a poliquimioterapia e a maioria apresenta perda da sensibilidade protetora e/ou deformidades (31,5% grau 1 e 37% grau 2). Dentre os casos avaliados 43,1% apresentou sintomas depressivos de intensidade moderada a grave. Não houve correlação significativa entre BDI-SF e GI (valor - p = 0,950), mas, "não trabalhar" associou-se com sintomas depressivos (BDI-SF) (valor - p = < 0,05). Preocupação somática foi o sintoma mais frequente (80,7%), seguido de dificuldade no trabalho (78,5%), irritabilidade (68,5%), fadiga (67,7%), auto-acusação (62,3%) e choro fácil (60%).
CONCLUSÃO: Conclui-se que sintomas depressivos moderados e graves acometeram 43,1% dos casos avaliados, independentemente de ter ou não deficiências físicas (GI 1 e 2). As pessãos que não trabalhavam foram mais acometidas por sintomas depressivos em comparação aos que exerciam alguma atividade profissional.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência, Hanseníase, Depressão, Trabalho

2 - Prevalência de dor osteomuscular em profissionais de enfermagem de equipes de cirurgia em um hospital universitário

Prevalence of musculoskeletal pain among nursing surgery teams

Cristiane da Rocha Vidor; Mahmud Ahmad Ismail Mahmud; Leonardo Fontanive Farias; César Augusto Silva; Juliana Nery Ferrari; Joao Carlos Comel; Maurice Zanini; Rosane Maria Nery; Antônio Cardoso dos Santos; Marco Antônio Stefani

Acta Fisiátr.2014;21(1):6-10

Dentre as profissões da área da saúde, a enfermagem, em particular, tem sido afetada pelos distúrbios musculoesqueléticos produzindo alterações na vida desses trabalhadores, impossibilitando-os de realizarem atividades cotidianas e laborais.
OBJETIVO: Investigar a prevalência de dor osteomuscular e a associação com a qualidade de vida em profissionais de enfermagem que atuam em equipes de cirurgia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
MÉTODO: Estudo transversal realizado entre março de 2011 e janeiro de 2012, em um hospital universitário terciário do sul do Brasil. Foram avaliados 110 trabalhadores de enfermagem das equipes de cirurgia. Foram excluídos os trabalhadores em licença saúde, férias ou outro tipo de afastamento durante o período de coleta dos dados. A dor osteomuscular foi avaliada através do questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares e a qualidade de vida foi avaliada através do questionário Medical Outcomes Study 36 - Item Short-Form Survey (SF-36). As relações entre dor osteomuscular e qualidade de vida foram analisadas através do Teste U de Mann-Whitney, utilizando nível de significância de 95%.
RESULTADOS: A prevalência de dor osteomuscular encontrada neste estudo foi de 91,81%. Com relação às regioes anatômicas, considerou-se as queixas de dor osteomuscular retroativo há doze meses, onde o predomínio foi de dor no pescoço (56%) e ombros (56%). Quando consideramos afastamento por dor osteomuscular encontramos a prevalência de dor lombar (34%). O grupo que não relatou dor osteomuscular apresentou melhores índices de qualidade de vida nos domínios de capacidade funcional, aspectos físicos, dor, vitalidade, aspectos sociais e saúde mental.
CONCLUSÃO: A dor osteomuscular apresenta maior prevalência nas regioes do pescoço e ombros. Além disso, o maior número de afastamentos ocorre por prevalência de dor lombar entre os trabalhadores de enfermagem das equipes de cirurgia. A dor influenciou na qualidade de vida afetando seis dos domínios avaliados.

Palavras-chave: Transtornos Traumáticos Cumulativos, Enfermagem de Centro Cirúrgico, Qualidade de Vida

3 - Análise da ativação neuromuscular do vasto medial oblíquo e vasto lateral com o uso da bandagem funcional

Analysis of neuromuscular activation of the vastus medialis obliquus and vastus lateralis with the use of functional taping

Andrielle Elaine Capote; Sibele de Andrade Melo Knaut; Rina Márcia Magnani; Walkyria Vilas Boas Fernande; Lyonn Jean Carneiro; Miriam Hatsue Takemoto

Acta Fisiátr.2014;21(1):11-15

Alterações musculares e anatômicas são em sua maioria responsáveis pela síndrome patelofemoral (SDPF). Sabendo que a musculatura do quadríceps é de grande importância na estabilização da patela, questiona-se como o músculo Vasto Medial Oblíquo (VMO) influencia na estabilização patelar evitando a SDPF. Muitos pesquisadores tem investigado o uso da bandagem funcional como meio de ativação muscular.
OBJETIVO: O presente estudo teve como objetivo analisar o uso da bandagem como meio de ativação do VMO no exercício de agachamento.
MÉTODO: A atividade dos músculos VMO e Vasto lateral (VL) foi avaliada através de eletromiografia durante o agachamento com adução e o agachamento com o uso de bandagem. A amostra composta por 39 indivíduos foi dividida em quatro grupos: indivíduos do sexo masculino sedentários e atletas, e indivíduos do sexo feminino sedentárias e atletas.
RESULTADOS: Embora tenha sido encontrada uma maior ativação do VMO em relação ao VL, com a presente metodologia e variáveis estudadas, não foi possível demonstrar diferença estatística entre os grupos nos agachamentos com e sem o uso da bandagem. No entanto, é importante ressaltar que a ausência de diferença na ativação do VMO durante o agachamento com adução e com bandagem sugerem um efeito positivo e facilitador da bandagem na ativação muscular. Este resultado é muito importante no tratamento de lesões agudas onde o movimento ativo está limitado.
CONCLUSÃO: Sugere-se a execução de novos estudos aonde outros parâmetros da eletromiografia e estimulação reflexa sejam abordados, a fim de investigar o real papel da bandagem funcional na ativação muscular.

Palavras-chave: Atletas, Síndrome da Dor Patelofemoral, Músculo Quadríceps, Eletromiografia, Reabilitação

4 - Avaliação da função motora grossa pela GMFM pré e pós cirurgia ortopédica de membros inferiores em pacientes com paralisia cerebral

Evaluating gross motor function of cerebral palsy patients using the GMFM pre and post lower extremity orthopedic surgery

Caio Ribeiro Azevedo Gomes; Isolda Ferreira de Araújo; Simone Carazzato Maciel

Acta Fisiátr.2014;21(1):16-20

Em pacientes com paralisia cerebral (PC) deambuladores, a cirurgia ortopédica é bastante utilizada para melhora do padrao de marcha. Conforme aumenta o acometimento motor, os objetivos podem mudar, contudo, uma melhora na mobilidade é importante e pode ser conseguida através de procedimentos cirúrgicos. A Gross Motor Function Measure (GMFM) é uma escala quantitativa da função motora grossa, utilizada para diversos fins, como controle da evolução terapêutica, progressos na reabilitação e, em nosso serviço, avaliação de cirurgias ortopédicas.
OBJETIVO: A avaliação padronizada e sistematizada dessas cirurgias, comparando a GMFM pré e pós procedimento.
MÉTODO: Incluímos no estudo aqueles pacientes que apresentam uma maior limitação da mobilidade e com potencial para melhorar sua movimentação (níveis III e IV da Gross Motor Function Classification System), operados entre janeiro de 2010 e dezembro de 2012 obtendo 36 pacientes.
RESULTADOS: Notamos que não houve diferença estatisticamente significante entre os momentos da GMFM, a não ser, no domínio C (engatinhar e ajoelhar), no qual notamos uma queda da pontuação. A idade dos pacientes, o tempo de aferição entre as medidas, a natureza da cirurgia e, principalmente, o método de avaliação, que em nosso caso, foi a GMFM, foram citados na literatura como dificuldades em se quantificar objetivamente o resultado obtido pelas cirurgias ortopédicas de membros inferiores em pacientes com PC.
CONCLUSÃO: Uma avaliação de um número maior de pacientes, talvez com um instrumento diferente do utilizado em nosso trabalho, se faz necessária para uma melhor percepção do real efeito da cirurgia ortopédica de membros inferiores em pacientes com PC.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Extremidade Inferior, Avaliação, Escalas

5 - Quantificação do equilíbrio pelo videogame: estudo piloto

Balance quantification with videogame: pilot study

Alessandra Ferreira Barbosa; Thais Delamuta Ayres da Costa; Maria Fernanda Pauletti Oliveira; Pedro Claudio Gonsales de Castro; Maria Cecília dos Santos Moreira; Daniel Gustavo Goroso; José Augusto Fernandes Lopes; Denise Vianna Machado Ayres; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2014;21(1):21-25

Os videogames (VG) de sétima geração propoe uma avaliação física que inclui diversos testes de equilíbrio. Porém não são reportados na literatura os parâmetros utilizados para fornecer a pontuação destes testes e se estes podem ser relacionados a prática clínica e funcionalidade do usuário.
OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi de correlacionar as pontuações obtidas pelos testes da plataforma de equilíbrio do VG Wiir com as variáveis cinéticas fornecidas pela plataforma de força, a qual estava integrada a plataforma de equilíbrio do VG.
MÉTODO: Participaram deste estudo piloto, dois indivíduos com diagnóstico de acidente vascular encefálico (AVE) e dois de traumatismo craniano (TCE). As variáveis cinéticas analisadas foram área, velocidade de deslocamento e valor quadrático médio da posição média (RMS) nos eixos médio-lateral (x) e antero-posterior (y) do deslocamento do centro de pressão (COP) que foram processadas pelo software Matlab 7.0 e correlacionadas com a pontuação do console pelo coeficiente de Pearson e Spearman, ambos com (p < 0,05).
RESULTADOS: Os resultados apresentaram correlação significativa apenas para o SL e RMSy, porém moderada (r = 0,5839). Quando comparada a pontuação do ST com as variáveis Area (r = 0,8164), RMSx (r = -0,6418) e RMSy (r = -0,8094) a correlação foi moderada a forte.
CONCLUSÃO: Não encontrou-se correlação com nenhum dos testes do console quando comparados com a velocidade de deslocamento do centro de pressão medido na plataforma de força. Conclui-se que a pontuação do VG apresentou correlação significativa com as variáveis cinéticas, porém o método é pouco prático para ser empregado na avaliação clínica.

Palavras-chave: Jogos de Vídeo, Equilíbrio Postural, Acidente Vascular Cerebral, Reabilitação

6 - Reabilitação física na síndrome de fragilidade do idoso

Physical rehabilitation in the frailty syndrome among the elderly

Milene Silva Ferreira; Lilian Tiemi Sonoda; Sandra Alves Barbosa; Fabio Gazelato de Mello Franco; José Antônio Maluf de Carvalho

Acta Fisiátr.2014;21(1):26-28

São considerados idosos frágeis aqueles com vulnerabilidade intrínseca a desenvolver incapacidades e eventos adversos relacionados à saúde. A prevalência de fragilidade aumenta com a idade e a Associação Médica Americana estima que 40% das pessãos com mais de 80 anos são frágeis.
OBJETIVO: Demonstrar os resultados obtidos com o protocolo de reabilitação para idosos frágeis, implementado no Hospital Israelita Albert Einstein-Unidade Vila Mariana.
METODO: Estudo do tipo série de casos, descritivo, retrospectivo, com 12 idosos que cumpriram o programa de reabilitação física, do ambulatório de geriatria, da Unidade Vila Mariana, do Hospital Israelita Albert Einstein.
RESULTADOS: A média de idade foi de 77 anos, 75% dos participantes eram do sexo feminino e apresentavam em média 7,5 diagnósticos. Houve melhora em todos os domínios avaliados: equilíbrio (p = 0,02), velocidade de marcha (p < 0,01), força de membros inferiores (p < 0,01) e força de preensão (p < 0,01) na população estudada. Os idosos com 80 anos ou mais apresentaram melhora de 83% enquanto aqueles com menos de 80 anos mostraram melhora de 41%. Verificou-se que 8 dos 10 idosos que encontravam se na faixa de alto risco para incapacidade, hospitalização e morte (SPPB igual ou menor que 9) conseguiram sair da faixa de risco. Todos demonstraram melhora em pelo menos um domínio. Nenhuma piora ou complicação foi verificada.
CONCLUSÃO: O protocolo de reabilitação para síndrome de fragilidade do idoso, utilizado no ambulatório da Unidade Vila Marina, do Hospital Israelita Albert Einstein, foi capaz de melhorar os domínios equilíbrio, velocidade de marcha, força de membros inferiores e força de preensão palmar na população estudada.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Marcha, Reabilitação

7 - Fatores que podem influenciar na saúde gengival de crianças com paralisia cerebral

Factors that can influence the gingival health of children with cerebral palsy

Taciana Mara Couto Silva; Caroline Pequeño de Paula; Dorothy de Souza Alves Moura Coelho; Letícia Cardoso Tapia; Rosangela Aparecida Pereira; Regina Celia Villa Costa; Giuliana Tessicini; Marcela de Oliveira Conde; Daniela Pimenta Bittar; Louise Jimenez; Therezinha Rosane Chamlian; Maria Teresa Botti Rodrigues Santos

Acta Fisiátr.2014;21(1):29-35

Estudos têm demonstrado que, quanto maior a severidade do dano neurológico em crianças com paralisia cerebral (PC), maior é o risco das doenças orais.
OBJETIVO: Avaliar a influência dos fatores: déficit intelectual, sensibilidade oral, habilidade manual e padroes clínicos da PC sobre a saúde gengival de crianças com PC.
MÉTODO: Participaram do estudo 106 crianças (10,7 ± 3,6) com PC, que frequentavam um programa de prevenção em Odontologia numa instituição de referência em reabilitação em São Paulo - SP. Os dados relativos ao sexo, desordem do movimento, tipo clínico da PC e uso contínuo de drogas foram coletados dos prontuários. As avaliações clínicas odontológicas incluíram o Indice de Higiene Oral Simplificado (OIHS), o Indice Gengival (IG) e presença do reflexo de mordida. Ainda foram realizadas as avaliações da sensibilidade oral, intelectual pelo Raven test e a habilidade manual pelo Sistema de Classificação da Habilidade Manual (MACS). Foram utilizados os testes t-Student, Qui-quadrado e regressão logística. Fixou-se nível de significância em 5%.
RESULTADOS: O grupo 1 (G1) era composto por 47 crianças sem gengivite e o grupo 2 (G2) por 59 crianças com gengivite. As crianças do G2 eram significantemente mais velhas (p = 0,001), com tetraparesia (p = 0,016), em uso de medicamentos (p < 0,001) e com reflexo de mordida (p = 0,025). As crianças do G2 apresentaram valores significantemente maiores para o IHOS (p < 0,001) e IG (p < 0,001); porcentagens significantemente maiores de crianças com percentis inferiores a 10 (p = 0,036) para o teste Raven e com habilidade manual níveis IV e V (p = 0,002) do MACS. A chance de uma criança apresentar gengivite cresce 23,5% para cada ano de idade, até 5 vezes para cada 1 unidade de aumento do IHOS e cerca de 4,5 vezes com utilização de medicamento.
CONCLUSÃO: O aumento da idade, o acúmulo do biofilme e o uso de medicamentos aumentam o risco de gengivite em crianças com PC.

Palavras-chave: Crianças com Deficiência, Paralisia Cerebral, Gengivite

8 - Alterações dos parâmetros da marcha e déficit sensório-motor associado à neuropatia diabética periférica

Changes of the gait parameters and sensory-motor deficit associated with peripheral diabetic neuropathy

Alessandra Rezende Martinelli; Alessandra Madia Mantovani; Andrea Jeanne Lourenço Nozabieli; Dalva Minonroze Albuquerque Ferreira; Cristina Elena Prado Teles Fregonesi

Acta Fisiátr.2014;21(1):36-40

Quando há dano no sistema nervoso periférico, com prejuízos sensoriais e motores, como observado em neuropatas diabéticos, podem ocorrer graves repercussões sobre o equilíbrio e a locomoção nesta população.
OBJETIVO: Avaliar o desempenho da marcha e alterações sensório-motoras, decorrentes da neuropatia diabética periférica.
MÉTODO: Participaram 24 indivíduos neuropatas diabéticos e 28 indivíduos saudáveis sem alterações glicêmicas indicativas de diabete. Os participantes foram submetidos inicialmente a avaliações clínicas para confirmação de diagnóstico de neuropatia diabética por meio de teste de sensibilidade tátil da sola dos pés com monofilamentos. Posteriormente, foram submetidos à avaliação da variação angular do tornozelo, em condição estática e durante a marcha, por meio de cinemetria. A força muscular do tornozelo foi investigada por meio de dinamometria digital.
RESULTADOS: Foi demonstrado maior duração nos períodos de duplo apoio e apoio total da marcha em indivíduos com neuropatia diabética quando comparados com o grupo controle, confirmando uma maior dificuldade no equilíbrio dinâmico destes indivíduos. Para o grupo experimental de indivíduos neuropatas foi evidenciado redução da força muscular, tanto para os músculos dorsiflexores, quanto para os plantiflexores de tornozelo.
CONCLUSÃO: As perdas sensório-motoras decorrentes da NDP podem implicar em prejuízo no desempenho da marcha, com consequente perda de equilíbrio.

Palavras-chave: Marcha, Força Muscular, Equilíbrio Postural, Neuropatias Diabéticas

RELATO DE CASO

9 - A influência de um treinamento de caratê nas funções cognitivas e funcional em idoso com demência mista

The influence of a karate training in motor and cognitive functions in older with mixed dementia

Ana Clara de Souza Paiva; Eduardo Dias Viana; Larissa Pires de Andrade; Thais Delamuta Ayres da Costa; José Luiz Riani Costa

Acta Fisiátr.2014;21(1):41-45

Dentre as diferentes e recentes formas de intervenções não-farmacológicas para pacientes com demência realizadas no Brasil, não foram encontrados estudos que investigaram o efeito de um protocolo de caratê em pacientes com este quadro clínico, mais especificamente em idosos com diagnóstico de demência mista, doença de Alzheimer associada com demência vascular.
OBJETIVO: O presente estudo teve como objetivo analisar os efeitos de um treinamento de caratê nas funções cognitivas e funcionais de um idoso com demência mista.
MÉTODO: O participante, clinicamente diagnosticado com demência mista, passou por uma anamnese, seguida de avaliação cognitiva e funcional, antes e depois de um treinamento de quatro meses. O treinamento de caratê foi adaptado e sistematizado, visando fortalecimento muscular, flexibilidade, técnicas de posturas, ataque (socos e chutes), bloqueios (defesas) e katas (luta imaginária com vários oponentes), três vezes por semana, com duração de uma hora sessão em dias não consecutivos.
RESULTADOS: Os resultados encontrados foram manutenção das funções cognitivas e melhora no equilíbrio estático e dinâmico.
CONCLUSÃO: Conclui-se que o treinamento adaptado e sistematizado do caratê contribui para melhora de equilíbrio estático e dinâmico e manutenção do status cognitivo. Podendo contribuir assim para uma nova alternativa de intervenção não-farmacológica em idosos com demência mista.

Palavras-chave: Idoso, Demência, Atividade Motora, Terapia por Exercício, Artes Marciais

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - CIF ou CIAP: o que falta classificar na atenção básica?

ICF or ICPC: what is missing for primary care?

Eduardo Santana de Araújo; Sebastiao Fernando Pacini Neves

Acta Fisiátr.2014;21(1):46-48

A Classificação Internacional de Atenção Primária (CIAP) tem sido, frequentemente, confundida com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) por se tratar de uma ferramenta que indica problemas relacionados à saúde, mas que não são doenças. Embora tenha sua importância reconhecida na atenção básica, a CIAP aponta, por exemplo, as razoes para contato com serviços de saúde, informações clínicas por consulta e algumas intervenções. Em nenhum desses aspectos, a CIAP aborda a questao da funcionalidade e da incapacidade, tampouco, as relações dos fatores ambientais no desempenho humano. Sendo uma mera intermediária para a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), a CIAP não contempla todas as informações necessárias para um diagnóstico da situação de saúde e seus determinantes nas populações. Dessa forma, os gestores precisam conhecer a CIF de maneira mais aprofundada, já que trata-se de uma classificação referência da Organização Mundial da Saúde, sendo a verdadeira complementar da CID para informações populacionais. A CIF contém as características necessárias para estimular o trabalho trans-setorial, mas tem sido levada apenas para a atenção especializada, deixando-se de lado todo o potencial de sua aplicação na atenção primária.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Atenção Primária à Saúde, Classificação Internacional de Atenção Primária

Número atual: Junho 2014 - Volume 21  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Análise da reprodutibilidade da circumetria do joelho em indivíduos com osteoartrite

Reproducibility analysis of knee circumference in individuals with osteoarthritis

Antonio Eduardo Leite da Silva; Ana Luiza Cabrera Martimbianco; José Carlos Baldocchi Pontin; Gisele Landim Lahoz; Mário Carneiro Filho; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2014;21(2):49-52

A osteoartrite de joelho apresenta como principais sintomas a dor, perda de função e edema articular. O edema articular é definido como um acúmulo de líquido na articulação decorrente do processo inflamatório progressivo contribui para o dano articular, provoca limitação da amplitude de movimento do joelho, diminuição da propriocepção articular e afeta a capacidade funcional e a qualidade de vida do indivíduo. A mensuração do volume articular é fundamental na prática clínica. A circumetria de joelho utilizando-se uma fita métrica é uma técnica amplamente utilizada, acessível e de baixo custo. No entanto, por ser considerada subjetiva não há embasamento científico que suporte seu uso.
OBJETIVO: Analisar a reprodutibilidade desta técnica em indivíduos com osteoartrite do joelho.
MÉTODO: Os participantes foram submetidos a duas avaliações realizadas por dois examinadores independentes, em momentos distintos. A mensuração da circumetria do joelho foi realizada utilizando-se uma fita métrica de 150 cm de comprimento, adotando como referência o polo superior da patela.
RESULTADOS: Foram incluídos 114 indivíduos. De acordo com o coeficiente de correlação intraclasse (CCI), foi possível observar forte correlação (CCI = 0,98) entre os examinadores.
CONCLUSÃO: A utilização de uma fita métrica como recurso para mensurar a circumetria do joelho em indivíduos com osteoartrite é um método confiável e reprodutível.

Palavras-chave: Osteoartrite do Joelho, Reprodutibilidade dos Testes, Reabilitação

2 - Efeitos da terapia manual na cefaleia do tipo cervicogênica: uma proposta terapêutica

Effects of manual therapy on cervicogenic headaches: a therapeutic approach

Renato Santos de Almeida; Vanessa Gomes; Carolina de Magalhaes Gaullier; Karla Kristine Dames; Leandro Alberto Calazans Nogueira

Acta Fisiátr.2014;21(2):53-57

A coluna cervical é considerada como possível fonte de dor de cabeça, entretanto ainda existem algumas controvérsias a respeito da fisiopatogênese, quadro clínico e tratamento.
OBJETIVO: Propor um protocolo com abordagem multimodal para tratamento fisioterápico de pacientes com cefaleia cervicogênica e avaliar os efeitos deste protocolo em tais pacientes.
MÉTODO: Trata-se de um estudo experimental não controlado, no qual 9 pacientes da Clínica Escola de Fisioterapia do UNIFESO (Teresópolis, RJ) com diagnóstico de cefaleia cervicogênica foram submetidos a 10 intervenções fisioterapêuticas com técnicas de terapia manual. O protocolo experimental incluiu técnicas articulares, miofasciais e de recrutamento muscular. Como ferramentas de mensuração foram utilizadas a escala funcional Neck Disabilty Index (NDI), a escala visual analógica de dor (EVA) e o registro do padrao do quadro álgico.
RESULTADOS: Dos 9 pacientes selecionados, todos eram do gênero feminino, e possuíam média de idade de 43,3 anos (± 15,5). Observou-se diferença entre as médias da intensidade do quadro álgico (EVA) antes do tratamento (8,0 ± 1,3) e após (2,2 ± 0,9; p < 0,01). O índice de incapacidade cervical também mostrou melhora após intervenção de 63,9% (p < 0,01). Em relação à frequência das crises semanais observa-se uma diminuição de 70% após a intervenção (p < 0,01). De maneira similar, houve redução do tempo de permanência das crises antes (4 horas ± 1,5) e após (1 hora ± 0,5) (p < 0,01).
CONCLUSÃO: A abordagem multimodal por meio de técnicas de terapia manual foi benéfica na redução do quadro sintomático dos pacientes e ainda proporcionou diminuição do grau de incapacidade da regiao cervical.

Palavras-chave: Transtornos da Cefaleia, Terapia Combinada, Manipulações Musculoesqueléticas, Modalidades de Fisioterapia

3 - Prevalência de fatores de risco cardiovascular em idosos realizando atividade física adaptada

Cardiovascular risk factors prevalent among elderly performing adapted physical activity

Lucas Caseri Câmara; Therezinha Rosane Chamlian; Ricardo Yudiro Tanaka; Marcelo Andrade Starling; Erika Magalhaes Suzigan

Acta Fisiátr.2014;21(2):58-62

A prevalência de fatores de risco para doenças cardiovasculares (FRCV) aumenta em linearidade com o envelhecimento. Doenças debilitadoras do espectro de ação da medicina física e reabilitação podem promover o aparecimento ou agravar comorbidades prévias e FRCV. Em idosos em acompanhamento ambulatorial regular, realizando atividade física adaptada (AFA) como terapia em centro de reabilitação, notou-se alta frequência da presença de fatores de risco cardiovascular constadas em prontuário médico.
OBJETIVO: Avaliar a prevalência de fatores de risco cardiovascular em idosos encaminhados para realização de atividade física adaptada, visando mapeamento do perfil de risco desta população específica.
MÉTODO: Coleta e análise observacional de dados constados em prontuário médico, de idosos (> 60 anos), em realização de AFA e acompanhamento ambulatorial regular, sobre diversos FRCV (Hipertensão Arterial Sistêmica - HAS; Diabetes Melitus - DM, Dislipidemia - DLP; Tabagismo; Sobrepeso/Obesidade - Sobrep/OB; História familiar - HF).
RESULTADOS: Foram encontrados cento e dez (n = 110) pacientes idosos (média de idade 72,9 ± 7,1 anos). Informações constadas em prontuário sobre tabagismo, Sobrep/OB e HF, foram apenas encontradas em 11,8%, 52,7%, e 0%, respectivamente, e assim excluídas de posteriores análises. A prevalência de HAS, DLP e DM foram de 69,0%, 46,3% e 27,2%, respectivamente. Apenas 18,2% dos idosos não apresentavam nenhum FRCV (HAS, DLP, DM), 34,5% um fator associado, 33,6% dois fatores, 13,7% três fatores. Dos idosos avaliados, 28,2% já apresentavam cardiopatia instalada.
CONCLUSÃO: Foi verificada alta prevalência de HAS, DLP, DM e cardiopatia já instalada em idosos em realização regular de AFA em centro de reabilitação, fazendo desta, população de alto risco. Fatores de risco cardiovascular de suma importância como tabagismo, obesidade e história familiar de DCV não foram adequadamente mapeados, com déficits de informação constada nos prontuários médicos avaliados. Devido ao tamanho e especificidade da amostra do presente estudo, estes resultados podem não representar a realidade atual dos centros de reabilitação em âmbito nacional, devendo ser melhor investigados em estudos futuros. No entanto, os dados apresentados são alarmantes e devem ser considerados com especial atenção, visto que não houve adequado mapeamento de todos os FRCV.

Palavras-chave: Doenças Cardiovasculares, Fatores de Risco, Atividade Física, Idoso

4 - Estudo observacional de ganhos funcionais de pacientes com síndrome de Guillain-Barre

Observational study of functional gains in patients with Guillain-Barre syndrome

Rodrigo Parente Medeiros; Ana Cristina Rodrigues e Silva

Acta Fisiátr.2014;21(2):63-65

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença de baixa incidência, porém com quadro clínico súbito e preocupante na sua fase aguda. Embora seja uma doença de caráter remissivo, a importância de terapias para recuperação motora funcional tem sido solicitado precocemente pelo médico assistente. A reabilitação com objetivo de tornar o paciente independente nas atividades de vida diárias é a meta inicial da equipe multidisciplinar, e o ganho da marcha é sempre o maior desejo do paciente e de seus familiares.
OBJETIVO: Avaliar o papel da reabilitação sob a forma de internação, em que o paciente recebe uma grande quantidade de estímulos num período de estabilização do quadro.
MÉTODO: Foram avaliados 27 pacientes, com diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré, que permaneceram internados no Hospital de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo, Goiânia-GO, no período entre julho de 2008 a julho de 2013.
RESULTADOS: A análise de 27 pacientes com média de idade de 39,4 anos, estes pacientes foram admitidos na reabilitação após 47,8 dias do quadro clínico e permaneceram em média 43,8 dias internados no CRER. Comparando a recuperação da marcha em relação a idade, não foi observada diferenças de ganho entre jovens ou adultos. Quanto a Medida de Independência Funcional (MIF) a média na admissão foi de 75,2 elevando para 109,1 no dia da alta. E um dos principais fatores que interferem para esse aumento no valor do MIF foi que no fator marcha, em que 11 pacientes eram deambuladores na internação e na alta subiu para 23 (p < 0.001).
CONCLUSÃO: Neste trabalho foi encontrado como significante a relação entre a marcha na alta da internação e na admissão, houve um aumento importante entre os valores do MIF nesse mesmo período. Não encontramos relação de melhora entre o uso de imunoglobulina e melhora motora.

Palavras-chave: Síndrome de Guillain-Barré, Marcha, Reabilitação

5 - Contribuições da dançaterapia no aspecto emocional de pessoas com deficiência física durante programa de reabilitação

Contributions of dance therapy to the emotional aspect of people with physical disabilities in a rehabilitation program

Rute Heckert Viriato; Nadir Lopes Hmeliowski; Daniella Branco Nolasco; Fabiana Pavani Sancinetti

Acta Fisiátr.2014;21(2):66-70

A dançaterapia estimula a descoberta de movimentos, a percepção das emoções e o reconhecimento de possibilidades que favorecem a inclusão social.
OBJETIVO: Analisar a contribuição da dançaterapia no aspecto emocional dos pacientes em reabilitação, a partir da percepção deles mesmos.
MÉTODO: Participaram deste estudo 23 pacientes, em 4 grupos, que tiveram a duração de 4 meses cada um. Utilizamos um questionário, aplicado ao inicio e final do programa, e solicitamos que desenhassem um desenho de si mesmos nesses dois momentos.
RESULTADOS: 69,56% referem boa autoestima antes, e ao final, 95,65%. Observamos melhora na sociabilidade, pois antes 69,56% se consideravam tímidos, e depois, 43,47%. Identificamos maior criatividade, 86,95% dos pacientes (inicialmente 65,21%); e menor sensação de tristeza, apenas 4,43% (antes 52,17%). Quanto à dificuldade para se comunicar, houve uma redução significativa: inicialmente 13,04% referiam sempre ter, 4,34% depois do programa. Os desenhos na 2ª avaliação estao mais detalhados, proporcionais, e ocupam espaço mais central na folha; percebemos maior consciência corporal, melhor autoestima e percepção de características pessãois.
CONCLUSÃO: A dançaterapia favoreceu uma mudança significativa no aspecto emocional dos participantes deste trabalho, permitindo melhora na percepção de suas possibilidades, melhora na autoestima, e maior socialização; favoreceu o contato com próprio corpo, colaborando para uma nova percepção de si mesmos.

Palavras-chave: Terapia através da Dança, Emoções, Pessoas com Deficiência, Reabilitação

6 - Prevalência da disfunção miofascial em indivíduos com dor lombar

Prevalence of myofascial dysfunction in patients with low back pain

Daniel Martins Coelho; Rafael Inacio Barbosa; Ana Maria Pavan; Anamaria Siriani de Oliveira; Debora Bevilaqua-Grossi; Helton Luiz Aparecido Defino

Acta Fisiátr.2014;21(2):71-74

OBJETIVO: Examinar a prevalência da disfunção miofascial em indivíduos com dor lombar e quantificar limiar de dor destes através do algômetro.
MÉTODO: Foram avaliados 70 indivíduos com idade média de 48 (± 11,76) com história de dor lombar crônica, sendo investigada a presença de pontos-gatilho nos músculos: quadrado lombar, iliopsãos, glúteos máximo, médio e mínimo, e piriforme. A prevalência foi determinada pela porcentagem de indivíduos com pontos gatilhos presentes e o limiar de dor foi determinado pela média de três avaliações de pressão de cada ponto-gatilho.
RESULTADOS: Demonstraram que 90% dos indivíduos apresentaram disfunção miofascial, dentre eles, 76% no músculo quadrado lombar, 69% no glúteo médio, 56% no piriforme, 40% no glúteo mínimo, 31% no íliopsãos e 29% no glúteo máximo. O limiar de dor por pressão dos músculos quadrado lombar foi de 1,71 Kg/cm2, de 2,39 Kg/cm2 para o glúteo médio, de 2,34 Kg/cm2 para o piriforme, de 2,58 Kg/cm2 para o glúteo mínimo, de 2,11 Kg/cm2 para o iliopsãos e de 2,19 Kg/cm2 para o glúteo máximo.
CONCLUSÃO: Na amostra analisada, os dados deste estudo demonstram a grande prevalência desta disfunção e sugere que a mesma merece atenção específica no tratamento da lombalgia em indivíduos com dor crônica.

Palavras-chave: Síndromes da Dor Miofascial, Dor Lombar, Prevalência

7 - Elaboração de um manual de exercícios e orientações para pacientes com fasciíte plantar

Development of an exercise manual and guidelines for patients with plantar fasciitis

Rafael Henrique da Silva; José Carlos Baldocchi Pontin; Thiago Ragusa Costa; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2014;21(2):75-79

A fasciíte plantar é causa frequente de dor no calcanhar e no pé que afeta cerca de 2 milhoes de americanos por ano. A fisioterapia é o tratamento inicialmente prescrito, e o sucesso do tratamento depende da adesão dos pacientes.
OBJETIVO: Elaborar um manual de orientações e exercícios para pacientes com fasciíte plantar, analisar a clareza, nível de compreensão e a satisfação dos pacientes leigos e fisioterapeutas acerca do manual.
MÉTODO: Foram selecionados 30 fisioterapeutas e 30 pacientes que não fossem analfabetos e que não apresentassem nenhum déficit cognitivo. Foi aplicado um manual contendo 10 exercícios e orientações para pacientes com fasciíte plantar.
RESULTADOS: Todos os exercícios e orientações tiveram alto índice de compreensão (acima de 90%). O manual foi considerado excelente pelos leigos e ótimo pelos fisioterapeutas.
CONCLUSÃO: O manual apresentou um nível relevante de compreensão tanto entre os fisioterapeutas como entre os leigos, além de alto índice de satisfação entre as populações abordadas. Portanto, o manual pode servir de ferramenta complementar no tratamento dos pacientes com fasciíte plantar.

Palavras-chave: Fasciíte Plantar, Terapia por Exercício, Modalidades de Fisioterapia, Guia de Prática Clínica

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Exercício físico na osteogênese imperfeita

Exercise in osteogenesis imperfecta

Mateus Betanho Campana; Vanessa Fabiana da Costa Sannomiya; Lucilene Ferreira; Angela Nogueira Neves Betanho Campana

Acta Fisiátr.2014;21(2):80-86

A osteogênese imperfeita (OI) é um distúrbio hereditário do tecido conjuntivo, caracterizada por fragilidade óssea e baixa densidade óssea, com um amplo espectro de expressão clínica. O exercício físico orientado é reconhecido como uma prática relevante no tratamento conservador.
OBJETIVO: Reunir e sistematizar o conhecimento referente à avaliação física, indicação de exercícios, progressão de carga e sistemática de treinamento para pessãos com OI.
MÉTODO: As bases de dados SciELO, LILACS, MedLine, Scopus, PubMed, Web of Science, PEDro e a Cochrane BVS foram usadas para busca. Dois pesquisadores independentes selecionaram os estudos elegíveis. Todos os estudos clínicos randomizados, estudos exploratórios transversais, relatos de casos clínicos e relatos de experiências nos quais houvesse a descrição dos exercícios físicos empregados, testes utilizados para avaliação física, regras gerais para conduta de um programa de exercícios e descrição dos efeitos dos exercícios foram incluídos.
RESULTADOS: A busca eletrônica resultou em um total de 961 referências publicadas em inglês, português, francês e alemão. Aplicando-se os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, 9 estudos foram selecionados, sendo apenas dois estudos clínicos. Todas as recomendações e conclusões dizem respeito às condutas adequadas para crianças, já que todos os estudos tinham este público como alvo. Apenas dois estudos incluiriam amostras de adolescentes até 12 anos. Os tipos de OI investigados foram os tipos I e IV, sendo que algumas recomendações foram estendidas aos outros tipos de OI. A natação é o exercício físico mais recomendado. Exercícios de força, com progressão de carga leve são também recomendados, assim como exercícios aeróbios em bicicleta, estacionária ou não. Há alguns cuidados no manejo e no atendimento deste público que devem ser observados, para evitar danos.
CONCLUSÃO: Foi possível obter alguma sistematização e orientações para a condução de intervenções com exercícios físicos, mas são ainda escassas as evidências que suportam a prescrição e a conduta na progressão do treinamento para pessãos com OI.

Palavras-chave: Osteogênese Imperfeita, Exercício, Literatura de Revisão como Assunto

9 - Validação da acelerometria para medida do gasto energético: revisão sistemática

Validation of accelerometry for measuring energy expenditure: a systematic review

Christiane Riedi Daniel; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2014;21(2):87-92

OBJETIVO: Examinar a qualidade dos estudos de validação da acelerometria comparados com o consumo máximo de oxigênio (VO2máx) e como objetivo secundário apresentar as principais características dos estudos inseridos e os principais modelos de acelerômetros testados.
MÉTODO: Após pesquisa na base de dados MedLine, LILACS, Embase e CLINAHL com os descritores "Oxygen Consumption" OR "Energy Metabolism" AND "Accelerometry" AND "Validation Studies" , os dois autores realizaram a seleção dos artigos de acordo com título, leitura do resumo e do texto completo. Após a inclusão dos artigos, estes tiveram sua qualidade avaliada pela ferramenta QUADAS-2 que avalia o risco de viés e a preocupação com a aplicabilidade do teste.
RESULTADOS: Foram selecionados 11 trabalhos que se ajustaram aos critérios de inclusão. A análise QUADAS-2 mostrou que para o risco de viés houve problemas com a sua identificação principalmente no que diz respeito ao teste proposto e o padrao-ouro, em relação à aplicabilidade na maioria dos estudos o risco foi baixo. O acelerômetro mais utilizado foi o Actgraph e SenseWear Armband Pro3 que foi testado em 3 estudos.
CONCLUSÃO: Conclui-se através desta revisão sistemática que são necessárias mais informações a respeito da metodologia proposta nos estudos para classificação da qualidade dos mesmos e que a acelerometria é uma alternativa válida para medida do gasto energético em condições de atividades livres e controladas independente do tipo de acelerômetro.

Palavras-chave: Acelerometria, Consumo de Energia, Estudos de Validação

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - Fracasso crônico no tratamento da dor crônica? A influência silenciosa da personalidade e seus transtornos

Chronic failure in the treatment of chronic pain? The silent influence of the personality and its disorders

Joao Paulo Consentino Solano

Acta Fisiátr.2014;21(2):93-100

Transtornos psiquiátricos são comuns entre pacientes com dor crônica não oncológica. Em uma amostra de pacientes que foram encaminhados para avaliação psiquiátrica, transtornos de personalidade foram encontrados mais frequentemente que qualquer outro diagnóstico psiquiátrico, incluindo-se depressão maior. Os transtornos de personalidade borderline e narcisista foram os mais prevalentes. O presente artigo discute tais achados à luz de uma revisão de literatura em que os termos chronic pain, borderline personality disorder, narcissistic personality disorder foram adequadamente combinados como descritores. Além dos critérios diagnósticos para cada um dos transtornos, discutem-se alguns "sinais sutis" que podem orientar na identificação de traços de cada um deles, e duas vinhetas clínicas são apresentadas para ilustrar os transtornos de personalidade em discussão. Ao final, dao-se recomendações que podem facilitar o seguimento destes pacientes em equipes multiprofissionais de dor crônica.

Palavras-chave: Dor Crônica, Transtornos da Personalidade, Transtorno da Personalidade Borderline, Narcisismo

Número atual: Setembro 2014 - Volume 21  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Confiabilidade de um teste funcional de desempenho do membro superior: Teste Elui

Reliability of the ELUI Upper Extremity Functionality Test

Valéria Meirelles Carril Elui; Daniela Nakandakari Goia; Flávia Pessoni Faleiros Macêdo Ricci; Marisa de Cássia Registro Fonseca

Acta Fisiátr.2014;21(3):101-106

A destreza manual é uma habilidade fundamental para o desempenho das atividades cotidianas. Medidas da força muscular, amplitude de movimento e sensibilidade isoladamente podem não refletir o status funcional na avaliação físico-funcional. É importante também o uso de questionários autoaplicáveis e testes funcionais específicos que avaliem o desempenho levando em consideração o membro superior e que possam testar aspectos como a destreza, coordenação e qualidade da preensão, podendo variar em termos de padronização e propriedades psicométricas. A partir desta necessidade foi desenvolvido o Teste Funcional de Membro Superior Elui que visou oferecer um instrumento nacional de mensuração e de referência a ser utilizado na prática clínica, porém suas propriedades psicométricas ainda não são definidas. Objetivo: Analisar a confiabilidade interexaminador e teste re-teste do Teste Funcional de Membro Superior Elui. Método: 50 voluntários saudáveis, de ambos os sexos, com idade média de 32,62 anos que não apresentassem disfunção ou sintomatologia nos membros superiores foram submetidos ao teste por dois examinadores e após 30 dias por um examinador. A aplicação deste teste requer materiais simples presentes no cotidiano, divididos em 10 subitens: Simular Escrita, Virar Chave, Pegar pequenos objetos, Simular alimentação, Despejar água, Abrir Potes, Cortar com a Faca, Simular Vestuário, Pegar objetos Grandes e leves e Pegar objetos grandes e pesados. Cada voluntário avaliado deveria realizar cada item do teste com ambas as mãos ou com a mão dominante, dependendo do subitem analisado, sendo adaptada a lateralidade quando necessário. Resultados: A análise estatística foi realizada visando comparar as diferenças das medidas de cada sub-item do teste em segundos e a análise da confiabilidade interexaminadores e teste reteste pelo Coeficiente de Correlação Intraclasse (ICC) com intervalo de confiança de 95% e p < 0,05. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa local e todos os voluntários assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Os resultados mostraram que com exceção da tarefa pegar pequenos objetos que teve ICC considerado não aceitável (0,65), todos os outros 9 itens apresentaram excelente confiabilidade interexaminadores entre 0,95-0,99 e Alpha de Cronbach entre 0,97-0,99. Para o teste reteste as tarefas com excelente confiabilidade foram despejar água ICC 0,98 e simular escrita ICC 0,91, boa confiabilidade para as tarefas pegar objetos grandes e pesados ICC 0,85, cortar com faca ICC 0,85 e simular alimentação ICC 0,80; confiabilidade aceitável dos itens virar chave ICC 0,74 e simular vestuário ICC 0,76; com Alpha de Cronbach de todas as tarefas entre 0,79 e 0,99. Conclusão: O Teste Elui apresentou excelente repetitividade tanto entre examinadores como em medidas repetidas ao longo do tempo pelo mesmo examinador na maioria dos subitens, sendo considerado confiável para a amostra estudada, sendo utilizada a terceira medida.

Palavras-chave: Maos, Destreza Motora, Habilidades para Realização de Testes

2 - Envelhecimento e dor crônica: um estudo sobre mulheres com fibromialgia

Aging and chronic pain: a study of women with fibromyalgia

Maria Angelica Schlickmann Pereira Hayar; Arlete Camargo de Melo Salimene; Ursula Margarida Karsch; Marta Imamura

Acta Fisiátr.2014;21(3):107-112

Objetivo: Desvendar o processo de envelhecimento de mulheres acometidas por fibromialgia e o impacto dessa patologia nos âmbitos físico, pessãol e social, agregado às alterações dele decorrentes. Método: O universo da pesquisa abrangeu 66 mulheres com diagnóstico clínico de fibromialgia, com idades entre 30 e 68 anos de idade, residentes em São Paulo/SP. Para a pesquisa qualitativa, foi selecionado, de forma aleatória, um grupo de quinze das 66 mulheres: cinco na faixa etária entre 30 e 49 anos, cinco entre 50 e 59 anos de idade e cinco de 60 anos e mais. Foram realizadas entrevistas individuais, gravadas e posteriormente transcritas na íntegra, com aplicação de instrumento semiestruturado elaborado pela autora. O instrumento buscou estimular os sujeitos a refletirem, a fim de possibilitar o acesso às representações sociais da dor, da doença o do envelhecimento com dor crônica. Como procedimento metodológico para tratamento dos dados da pesquisa qualitativa, foi utilizada a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Resultados: Os dados indicaram que há maior incidência da fibromialgia entre as mulheres idosas, mas o impacto na qualidade de vida medido pelo FIQ foi maior entre aquelas que estavam na meia idade (50 a 59 anos). Houve prevalência de mulheres com baixa escolaridade, mas constatou-se que o impacto da fibromialgia foi mais significativo em mulheres com escolaridade maior. A presença da religiosidade foi bem marcada neste grupo de sujeitos. Conclusão: O trabalho de atenção básica sob a Estratégia de Saúde da Família requer uma adequada abordagem da pessão com uma doença crônica tao peculiar como a fibromialgia. Essa abordagem deve ser estendida aos idosos, respeitando o que preconiza a política de humanização do SUS numa perspectiva de promoção da saúde.

Palavras-chave: Envelhecimento, Doença Crônica, Fibromialgia, Mulheres, Gênero e Saúde

3 - Dor relacionada à amputação e funcionalidade em indivíduos com amputações de membros inferiores

Pain related to amputation and functionality of individuals with lower limb amputations

Therezinha Rosane Chamlian; Juliana Kliemke dos Santos; Cecília Caruggi de Faria; Maria Silvia Pirrelo; Caio Pereira Leal

Acta Fisiátr.2014;21(3):113-116

A presença de dor persistente, seja no coto de amputação, dor fantasma ou no membro contralateral, pode interferir negativamente na obtenção de marcha com prótese no paciente amputado. Objetivo: Investigar a presença de dor relacionada à amputação nos pacientes amputados de membros inferiores em tratamento de reabilitação, avaliar seus status funcionais, sem e com próteses e verificar se há associação entre a presença de dor e a função de marcha. Método: Estudo transversal com 60 pacientes amputados unilaterais de membros inferiores em tratamento em um centro de reabilitação em São Paulo, com investigação de: idade, gênero, tempo decorrido da amputação, nível e etiologia da amputação, numero de comorbidades, presença de dor no coto, no membro contralateral ou fantasma (em caso afirmativo, tipo de dor, intensidade, frequência, fatores de melhora e piora e uso de medicação), protetização, tipo de marcha com prótese (comunitária, terapêutica ou domiciliar) e uso de auxiliares de locomoção e foi feita aplicação da Medida de Independência Funcional (MIF). O método de análise dos dados foi feito por meio de valores absolutos e relativos e testes estatísticos paramétricos (ANOVA) e não paramétricos (igualdade de duas proporções), X2, intervalo de confiança para média de 95% e P-valor < 0,05. Resultados: 73,4% homens, amputados havia 1 ano, no nível transtibial, de etiologia vascular com 2 comorbidades compuseram a amostra de forma estatisticamente significante (p < 0,001). Não houve diferença entre protetizados e não protetizados quanto à dor no coto e dor fantasma, mas houve com relação à dor no membro contralateral, estatisticamente significante nos não protetizados. Embora tenha havido diferença média entre os pacientes protetizados e não protetizados para os três escores da MIF, as mesmas não podem ser consideradas estatisticamente significantes. Conclusão: A maioria dos pacientes amputados unilaterais de membros inferiores em reabilitação na AACD - Lar Escola, na época deste estudo, teve baixa prevalência de dor relacionada à amputação e esta não interferiu na aquisição de marcha com prótese.

Palavras-chave: Dor Crônica, Amputação, Extremidade Inferior, Marcha

4 - Características clínicas e epidemiológicas do paciente adolescente portador de osteossarcoma

Clinical and epidemiological characteristics of adolescent patients with osteosarcoma

Juliana Ramiro Luna Castro; Cíntia Maria Torres Rocha Silva; Karoline Sampaio Nunes Barroso; Jaqueline Pereira Lopes

Acta Fisiátr.2014;21(3):117-120

O Osteossarcoma (OS) é uma neoplasia maligna que afeta o tecido ósseo, sem causa aparente, acomete mais o esqueleto apendicular, principalmente fêmur e tíbia de crianças e adolescentes. O tratamento consta de cirurgias de ressecção do tumor ou amputação de membros associados à quimioterapia. Quanto mais cedo se descobrir e tratar o OS, e quanto menor for a sua extensão melhor o prognóstico. Objetivo: Conhecer as características clínicas e epidemiológicas do paciente adolescente portador de OS atendido no Hospital do Câncer do Ceará (HCC) no Município de Fortaleza. Para isso foi investigado dados clínicos e epidemiológicos referentes aos pacientes adolescentes (de 10 à 19 anos) portadores de OS. Método: Realizou-se um estudo documental retrospectivo através dos prontuários dos pacientes atendidos nesse hospital no período de Janeiro de 2006 a Dezembro de 2007. Os dados foram coletados através de uma ficha semi-estruturada que constava de questoes referentes às características clínicas e epidemiológicas dos pacientes, além dos dados de identificação. Foram selecionados 29 prontuários, sendo utilizados 26 para análise, pois 03 estavam incompletos por abandono de tratamento ou transferência hospitalar. Resultados: O OS foi mais frequente em pacientes do sexo masculino (57,7%), com idade entre 10 e 15 anos (73,1%), de raça afro-descendente (50%) e que residiam no interior (73,1%); 30,8% apresentavam história de câncer na família. O sintoma em comum detectado na queixa principal foi a dor (24 pacientes), seguida do aumento do volume local (20) e trauma prévio (08). O fêmur foi acometido em 65,4% dos casos, com ocorrência de metástase (76,9%), quase sempre ao diagnóstico e sua maioria (15 pacientes) para o pulmão. O tratamento consistia em quimioterapia (96,2%) associada a ressecção cirúrgica (69,2%) e amputação (73,1%) ou substituição por endoprótese. Outras especialidades como a fisioterapia foi prescrita em 42,3% dos casos tendo início no período do pós-operatório (23,1%) e geralmente para tratar as complicações. O paciente portador de OS se caracteriza por ser homem, afro-descendente, proveniente do interior e com antecedentes familiares de câncer. Conclusão: É necessário e importante conhecer as características clínicas e epidemiológicas do paciente portador de OS, redirecionando o olhar dos profissionais de saúde para a importância da inclusão de uma equipe multidisciplinar ao diagnóstico.

Palavras-chave: Osteossarcoma Justacortical, Adolescente, Epidemiologia

5 - Análise do hábito alimentar e do estado nutricional de pacientes com lesão medular após intervenção nutricional

Analysis of the dietary habits and nutritional status of patients with spinal cord injury after nutritional intervention

Elizabete Alexandre dos Santos; Vera Lúcia Rodrigues Alves; Silvia Ramos; Vera Silvia Frangella

Acta Fisiátr.2014;21(3):121-131

De acordo com a Organização Mundial da Saúde a deficiência física é definida como restrições de estrutura ou funções corporais que não são compensadas por medidas sociais, sendo a lesão da medula espinhal (LME) um tipo comum de deficiência física. Diversos fatores podem influenciar o estado nutricional de indivíduos com LME e complicações metabólicas podem levar a uma série de alterações agudas e crônicas no organismo, que estao relacionadas com o surgimento de doenças crônicas e obesidade. A avaliação e o manejo nutricional adequado do paciente com LME podem auxiliar na adequação do estado nutricional, minimizar as complicações associadas com a lesão e favorecer a reabilitação em longo prazo. Objetivo: Avaliar o efeito das medidas de intervenção nutricional, utilizadas em um ambulatório de nutrição clínica, sobre o hábito alimentar e o estado nutricional de pacientes com lesão medular. Método: Trata-se de um estudo exploratório transversal e retrospectivo em que foi analisado o hábito alimentar de todos os pacientes com LME, atendidos em um ambulatório no período de abril de 2012 a outubro de 2013. Resultados: Foram avaliados 30 pacientes com média de idade igual a 46 ± 15,29 anos, sendo 70% do sexo masculino. Após a intervenção nutricional houve diminuição no consumo de gorduras saturadas, diminuição na ingestao de cereais refinados e aumento no consumo de hortaliças e frutas. Conclusão: Observou-se a importância da intervenção nutricional na adequação dos hábitos alimentares dos indivíduos, sendo que a educação nutricional deve ser precoce, para prevenir complicações secundárias à lesão.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinhal, Estado Nutricional, Hábitos Alimentares, Educação Alimentar e Nutricional

6 - Análise da atividade muscular do tornozelo de idosos e jovens

Ankle electromyography among the young and the elderly

Roberta Sillis; Lucas Barbosa de Souza; Leslie Andrews Portes; Fabio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2014;21(3):132-134

O envelhecimento altera a função musculoesquelética prejudicando a marcha e a manutenção do equilíbrio corporal. Objetivo: Verificar e comparar a atividade eletromiográfica (EMG) da regiao do tornozelo de idosos e jovens fisicamente ativos. Método: Participaram deste ensaio 40 indivíduos de ambos os sexos considerados fisicamente ativos mediante o Questionário Internacional de Atividade Física - IPAQ (formato curto). Não participaram do estudo aqueles com algum tipo de condição clínica que afetasse o equilíbrio e contração muscular. Avaliou-se a atividade eletromiográfica (EMG) dos músculos tibial anterior e tríceps sural na posição bipodal (BA) e unipodal (UA), com olhos abertos. Para a captação dos sinais EMG foram utilizados eletrodos monopolares de superfície Ag/AgCl da KENDALL (MEDITRACETM 200). O teste t de Student foi utilizado para a comparação entre os grupos. O nível de significância adotado foi p < 0,05. Resultados: Os idosos exibiram valores superiores quanto a frequência de potenciais de ação em 3 das 4 condições avaliadas. Conclusão: Os idosos deste estudo exibiram maior frequência de disparos e recrutamento de unidades motoras dos músculos do tornozelo para a manutenção das posturas unipodal e bipodal, em comparação aos jovens.

Palavras-chave: Eletromiografia, Equilíbrio Postural, Idoso

7 - Identificação dos conceitos de medidas de desfechos de ensaios clínicos em osteogênese imperfeita utilizando a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde - versão crianças e jovens

Identifying the concepts in outcome measures of clinical trials on osteogenesis imperfecta using the International Classification of Functioning, Disability and Health - version for children and youth

Tatiana Vasconcelos dos Santos; Juan Clinton Llerena Júnior; Carla Trevisan Martins Ribeiro; Saint Clair dos Santos Gomes Júnior

Acta Fisiátr.2014;21(3):135-140

O modelo biopsicossocial da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) tem sido utilizado como referência na prática clínica para identificação e análise dos componentes da funcionalidade presentes em medidas de desfechos. Objetivo: Este estudo tem como objetivos identificar os conceitos de medidas de desfecho de ensaios clínicos em Osteogênese Imperfeita, analisar como estes conceitos se relacionam com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde versão crianças e jovens (CIF-CJ) e descrever quais componentes da funcionalidade mais avaliados. Método: Ensaios clínicos realizados entre 2000 e 2013 em crianças com diagnóstico de Osteogênese Imperfeita foram selecionados a partir de uma revisão nas bases de dados MedLine e Cochrane. As medidas de desfecho foram extraídas e os conceitos significativos de cada medida foram relacionados à CIF-CJ. Resultados: Foram incluídos para o estudo 14 artigos. Os conceitos de medidas clínicas e técnicas e de um instrumento de avaliação padronizado (Pediatric Evaluation of Disability Inventory - PEDI) foram identificados. Os conceitos das medidas clínicas e técnicas relacionaram-se ao componente da CIF-CJ Funções e Estruturas do Corpo. Os conceitos do PEDI relacionaram-se aos componentes Funções do Corpo e principalmente Atividade e Participação. Conclusão: Através do link dos conceitos das medidas de desfecho com a CIF-CJ foi verificado que os ensaios clínicos em OI avaliam principalmente o componente Funções e Estruturas do Corpo. As avaliações da Atividade e Participação e os fatores contextuais ainda são pouco contempladas nestes estudos havendo necessidade de novas pesquisas sobre o efeito das intervenções nestes componentes.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Osteogênese Imperfeita, Avaliação de Resultados (Cuidados de Saúde)

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Exercícios resistidos na osteoartrite: uma revisão

Resistance exercise in osteoarthritis: a review

Natália Cristina de Oliveira; Fabio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2014;21(3):141-146

A osteoartrite é a doença articular mais comum em nível mundial, e no Brasil estima-se que ela afeta de 6 a 12% dos adultos e mais de um terço dos idosos. Há evidências de que o exercício, especialmente o resistido, pode reduzir a progressão da doença. Objetivo: Revisar na literatura os trabalhos sobre exercícios resistidos como forma de tratamento da osteoartrite. Método: Foram revisados artigos indexados na base de dados PubMed, com aplicação do filtro "therapy narrow" da interface "clinical queries". Vinte artigos foram selecionados para revisão na íntegra. Várias modalidades de intervenção com exercício resistido, de diferentes intensidades, duração e velocidades de execução foram estudadas por outros autores. Resultados: Todas as formas de exercício resistido parecem ser seguras e eficazes para promover melhorias funcionais e redução da dor em pacientes com osteoartrite. Exercícios em baixa intensidade ou em isometria também podem promover benefícios aos pacientes. Conclusão: A adesão aos programas é próxima de 50% e a utilização combinada de suplementos ou medicamentos com o exercício ainda foi pouco estudada até o momento nesta população.

Palavras-chave: Osteoartrite, Exercício, Reabilitação

9 - Tratamento fisioterapêutico da fasciíte plantar

Physiotherapeutic treatment of plantar fasciitis

José Carlos Baldocchi Pontin; Thiago Ragusa Costa; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2014;21(3):147-151

A fasciíte plantar ou síndrome da dor do calcanhar é uma causa frequente de dor no calcanhar e no pé em adultos que acomete cerca de 2 milhoes de americanos por ano e estima-se que cerca de 10% da população mundial já apresentou ou irá apresentar queixa de dor no pé em algum momento da vida. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura a fim de verificar a efetividade das modalidades de tratamento fisioterapêutico em pacientes com fasciíte plantar. Método: Foi realizada uma busca eletrônica nas bases de dados Cochrane Library, Medline (via Pubmed), PEDro, LILACS, sem restrições de data e idioma. Foram incluídos, no presente estudo, os artigos que abordaram o tratamento fisioterapêutico na fasciíte plantar e excluídos os artigos que tiveram como foco o tratamento cirúrgico. Resultados: No total, 23 estudos cumpriram os critérios de inclusão. As modalidades encontradas foram: Alongamento de tríceps sural, terapia manual, bandagens, órteses/palmilhas e eletroterapia. Conclusão: Há evidência moderada de que os exercícios para alongamento do tríceps sural proporcionam benefícios aos pacientes com fasciite plantar. A evidência da aplicação de bandagens ainda é fraca, porém alguns estudos relatarem melhora da dor e função a curto prazo. Há evidência de qualidade que suporte que o uso de palmilhas customizadas proporciona melhora da dor e função a curto prazo em pacientes com fasciíte plantar. A utilização de talas noturnas apresenta resultados controversos, apesar de alguns estudos terem apresentado bons resultados.

Palavras-chave: Fasciíte Plantar, Modalidades de Fisioterapia, Reabilitação

10 - Toxina Botulínica Tipo A no tratamento da dor miofascial relacionada aos músculos da mastigação

Botulinum Toxin Type A in the treatment of myofascial pain related to masticatory muscles

Maria Matilde de Mello Sposito; Stephanie Alderete Feres Teixeira

Acta Fisiátr.2014;21(3):152-157

Objetivo: Sistematizar as evidências científicas sobre a eficácia da toxina botulínica tipo A no tratamento da dor miofascial relacionada aos músculos mastigatórios. Método: A busca bibliográfica foi realizada através de uma pesquisa nas bases de dados PubMed Central Jornal e Allergan Product Literature - botulinum toxin (APL) compreendendo o período dos últimos 12 anos, com os descritores: "myofascial pain", "botulinum toxin", "treatment", "masticatory muscles". A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada pela Escala de Jadad. Foram selecionados quatro estudos do tipo ensaio clínico randomizado duplo-cego. Resultados: Pudemos notar que, as pesquisas sobre a utilização de toxina botulínica tipo A para dor miofascial estao contribuindo para aprimorar os tratamentos existentes até o momento para essa condição clínica. Conclusão: É indispensável um maior número de estudos e formas de avaliação precisas e quantitativas para uma resposta definitiva sobre eficácia e segurança deste tratamento.

Palavras-chave: Síndromes da Dor Miofascial, Transtornos da Articulação Temporomandibular, Músculos Mastigatórios, Toxinas Botulínicas Tipo A

Número atual: Dezembro 2014 - Volume 21  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Associação dos níveis de GMFCS com grau de escolaridade, tipo de marcha, empregabilidade e dor em adultos com paralisia cerebral

The association of GMFCS levels with education, type of motion, pain, and employability in adults with cerebral palsy

Natali Zanelato; Giselle Cristina Lopes Rosanova; Fernanda Santucci; Debora da Silva Fragoso de Campos; Lisa Carla Narumia; Márcia Harumi Uema Ozu

Acta Fisiátr.2014;21(4):158-161

Adultos com paralisia cerebral (PC) apresentam um envelhecimento precoce associado ao declínio da função. E apesar da melhoria na assistência a saúde, estudos mostram que estes indivíduos possuem menos oportunidades de possuir algum grau de escolaridade e emprego. Além de apresentarem queixas com relação a dor e alteração quanto sua capacidade de marcha. Objetivo: Verificar a associação dos níveis de GMFCS para os parâmetros: empregabilidade, grau de escolaridade, nível de marcha e queixa de dor em adultos com PC. Método: Foram selecionados 671 prontuários para análise de correlação entre as variáveis citadas acima. Resultado: Foi observado que aqueles com níveis mais acometidos da PC possuem menos chance de terem algum nível de escolaridade e emprego, além de apresentarem pior nível de marcha. Conclusão: Não foi encontrada correlação entre os níveis de GMFCS para o item dor.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Limitação da Mobilidade, Dor, Emprego, Escolaridade

2 - A cadeira de rodas e seus componentes essenciais para a locomoção de pessoas com tetraplegia por lesão da medula espinhal

The wheelchair and its essential components for the mobility of quadriplegic persons with spinal cord injury

Vinícius Aparecido Yoshio Ossada; Márcia Regina Garanhani; Roger Burgo de Souza; Viviane de Souza Pinho Costa

Acta Fisiátr.2014;21(4):162-166

Objetivo: Compreender quais itens são essenciais à cadeira de rodas (CR) na perspectiva da pessão tetraplégica por lesão da medula espinhal (LME). Método: O estudo qualitativo foi com entrevista semi-estruturada e análise de discurso, bem como, checklist da CR em uso e do Sistema Unico de Saúde (SUS). Resultados: No total foram dez entrevistados: nove homens e uma mulher, média de idade de 42,3 anos (± 9,23), dois advogados, um economista e demais aposentados. As causas da LME foram acidente automobilístico (60%), mergulho em águas rasas (30%) e atropelamento (10%), respectivamente. O tempo de lesão foi em média 16,3 anos (± 7,14) e todos realizavam fisioterapia. Os números de CR, até a adequada, foram duas a cinco e todos praticavam esporte adaptado ou lazer com CR. O checklist apontou itens insuficientes na CR do SUS e da análise dos discursos resultaram em quatro categorias: Itens, materiais e condições necessárias; A conquista da funcionalidade; Vantagens e desvantagens da CR; e Sentimentos vivenciados. A CR é essencial para a locomoção das pessãos com tetraplegia e conhecer modelos, experimentar e ter orientações sobre os itens adequados são importantes para a aquisição. Os itens adequados facilitam a aceitação, melhor adaptação, locomoção e autonomia. Conclusão: A cadeira do SUS mostrou-se insuficiente, o que leva ao abandono. A adquirida por funcionalidade, com itens essenciais, o que responde a individualidade e ao gosto do usuário, mostrou-se útil e adequada apesar de seu elevado custo.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Quadriplegia, Cadeiras de Rodas, Locomoção, Autonomia Pessoal

3 - Orientação de higiene bucal e experiência de cárie em pacientes com paralisia cerebral em uso de medicamentos

Oral hygiene orientation and caries experience for cerebral palsy patients using oral medication

Taciana Mara Couto Silva; Mariana Lopes; Ana Paula Yumi Ikeda; Marcelo Furia Cesar; Maria Teresa Botti Rodrigues Santos

Acta Fisiátr.2014;21(4):167-170

A presença de prejuízos associados à paralisia cerebral (PC) requer muitas vezes o uso de medicamentos de uso contínuo e por longos períodos de tempo. Dentre os efeitos colaterais adversos destes medicamentos destacam-se a diminuição do fluxo salivar e aumento do risco para doença cárie. Objetivo: Verificar se os responsáveis pelos pacientes com PC receberam orientações quanto à realização da higiene bucal após a administração dos medicamentos de uso contínuo via oral e a experiência de cárie nos pacientes com PC. Método: Participaram deste estudo transversal, 205 crianças com diagnóstico médico de PC, de ambos os gêneros, com idades entre 0 a 12 anos (6,6 ± 2,9) que frequentavam um programa de prevenção em Odontologia numa instituição de referência em reabilitação em São Paulo-SP. Os dados relativos ao gênero, desordem do movimento e padrao clínico da PC foram coletados dos prontuários. Sob a forma de entrevista, os responsáveis relatavam se a criança fazia uso ou não de algum medicamento de uso contínuo, e, em caso afirmativo, qual a forma de apresentação dos mesmos; se os responsáveis haviam recebido orientação prévia sobre a importância da realização higiene bucal após a utilização dos medicamentos, quem realizava a higiene bucal da criança, e com que frequência esta era realizada. A experiência de cárie foi registrada segundo o índice de dentes cariados (C, c) perdidos (P, e) ou obturados (O, o) por dente (D, d) (CPOD). Foram constituídos dois grupos segundo o uso (grupo 1: G1) ou não (grupo 2: G2) de medicamentos sob a forma contínua. Foram usados os testes do Qui-quadrado e teste t de Student. Fixou-se o nível de significância em 5%. Resultados: Os grupos G1 (n = 110) e o G2 (n = 95) eram homogêneos quanto ao gênero (p = 0,343) e a idade (p = 0,514). Entretanto diferiram significantemente em relação ao padrao clínico, apresentando G1 porcentagens significantemente maiores de pacientes com tetraparesia (p < 0,001). Analisando apenas o G1, observou-se que os subgrupos em uso de medicamentos sob a forma solução oral (solução; n = 65) ou em uso de comprimidos (comprimido; n = 45) diferiram significantemente quanto à orientação prévia para a realização da higiene bucal (p = 0,013), apresentando o grupo solução maior porcentagem dos responsáveis orientados. Com relação à realização da higiene oral, o subgrupo solução apresentou porcentagens significantemente maiores (p = 0,044) de crianças que requeriam supervisão e realização da higiene bucal dos responsáveis quando comparado ao grupo comprimido. A comparação da experiência de cárie entre os grupos G1 e G2 mostrou que o G1 apresentou valores significantemente maiores para o valor do índice CPOD (p = 0,048), e menor número de pacientes livres de cárie (p = 0,016) quando comparado a G2. Conclusão: Embora os responsáveis pelos pacientes que recebiam medicamento sob a forma de solução oral sob a forma contínua fossem os mais orientados quanto à realização da higiene bucal após a administração dos medicamentos, estes pacientes apresentavam maior experiência de cárie.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Higiene Bucal, Cárie Dentária, Administração Oral

4 - Estudo comparativo da reabilitação virtual e cinesioterapia em relação ao torque do joelho em idosos

Comparative study of virtual rehabilitation and kinesiotherapy for knee torque among the elderly

Márcia Barbanera; Dayane Nunes Rodrigues; Francini de Santana Cardoso; André Lucas de Marco; Patrícia Martins Franciulli; Juliana Valente Francica; Flávia de Andrade e Souza Mazuchi; Aline Bigongiari

Acta Fisiátr.2014;21(4):171-176

O envelhecimento provoca uma série de alterações neuropsicomotoras, como a diminuição da força muscular, da propriocepção, do equilíbrio, da cognição, entre outros. Os exercícios terapêuticos visam diminuir estes déficits e contribuir para uma melhora funcional e da qualidade de vida. Objetivo: Este estudo teve como objetivo comparar os efeitos da reabilitação virtual e cinesioterapia, no torque do joelho em idosos saudáveis. Método: Os idosos foram divididos em dois grupos aleatoriamente: sete participantes realizaram exercícios com reabilitação virtual formando o grupo Reabilitação Virtual (RV) (69,7 ± 5,5 anos; 71,8 ± 13,7 kg), e sete participantes realizaram cinesioterapia formando o grupo Cinesio (75,4 ± 5,7 anos; 64,7 ± 17,2 kg). O torque dos músculos extensores e flexores do joelho foi avaliado no dinamômetro isocinético, da marca Biodex, System 3. O protocolo consistiu de três contrações isométricas de 5 segundos, nas posições angulares de 45 e 600 de flexão do joelho e cinco repetições de contrações isocinéticas concêntricas nas velocidades de 60, 180 e 3000/s. O protocolo de tratamento foi realizado no período de 3 meses, com duas sessões por semana e 50 minutos cada sessão. No grupo RV foram utilizadas duas modalidades de jogos, incluindo tarefas de desafios e feedback interativo da percepção corporal. Para o grupo Cinesio, foram realizados os mesmos exercícios do protocolo de reabilitação virtual, porém sem estímulo do video game. Para análise estatística, foi utilizado o teste ANOVA, seguido de post hoc Tukey HDS com nível de significância de 0,05. Resultados: O pico de torque isocinético concêntrico e isométrico de extensão e flexão do joelho foram maiores após a intervenção para ambos os grupos. Conclusão: A cinesioterapia, assim como a reabilitação virtual, são eficazes para o aumento do torque extensor e flexor do joelho, o que pode auxiliar na diminuição da incidência de quedas em idosos.

Palavras-chave: Envelhecimento, Exercício, Força Muscular, Reabilitação

5 - O perfil e as adaptações sexuais de homens após a lesão medular

Sexual profile and adaptations of men after spinal cord injury

Bianca Teixeira Costa; Larissa Amaral Torrecilha; Simone Antunes Paloco; Joice Maria Victoria de Assunção Spricigo; Roger Burgo de Souza; Suhaila Mahmoud Smaili Santos

Acta Fisiátr.2014;21(4):177-182

Lesão medular (LM) consiste em qualquer tipo de lesão nos elementos neurais do canal medular, acarretando inúmeros comprometimentos, sendo a alteração nos padroes da resposta sexual um deles, condicionada por fatores físicos, psíquicos e sociais. Em função destas alterações, os pacientes necessitam realizar adaptações sexuais para manterem a atividade sexual. Objetivo: Verificar o perfil e adaptações sexuais de homens após a LM e associar o diagnóstico neurofuncional com frequência sexual, ereção, uso de adaptação, tipo de adaptação, e a utilização de adaptação com frequência e satisfação sexual após a lesão. Método: Trata-se de um estudo transversal com 36 homens lesados medulares que foram entrevistados por meio do questionário (QSH-LM). Resultados: Média de idade é 36,64 anos com prevalência decorrente de acidente de trânsito, de paraplegia e de lesão medular completa. Após a LM, 52,8% estao casados, 75,5% mantém atividade sexual sendo que 44,4% têm menos de 1 relação sexual/semana, 80,6% estao satisfeitos sexualmente, 50,0% têm ereção, 38,9% ejaculação e 44,4% orgasmo. Quanto ao uso de adaptação para ter/manter a ereção, 61,1% utilizam, sendo 25,5% por não conseguirem manter a ereção e 22% optam pelo anel peniano. Houve associação significativa de que paraplégicos utilizam adaptações com mais frequência e preferem o anel peniano e pacientes que utilizam adaptação sexual tem maior frequência sexual e estao satisfeitos sexualmente (p = 0,02). Conclusão: Através deste trabalho podem-se conhecer o perfil sexual dos pacientes após a LM e as adaptações sexuais mais utilizadas, resultados que subsidiam informações que poderao auxiliar os profissionais de saúde a acompanharem e orientarem de maneira adequada os seus pacientes.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Comportamento Sexual, Homens

6 - Redução da força muscular respiratória em indivíduos com artrite reumatoide

Reduction of respiratory muscle strength in subjects with rheumatoid arthritis

Fernanda Matos Weber; Rodrigo da Rosa Iop; Ana Paula Shiratori; Susana Cristina Domenech; Noé Gomes Borges Júnior; Monique da Silva Gevaerd

Acta Fisiátr.2014;21(4):183-188

Objetivo: Avaliar a força muscular respiratória de pacientes com Artrite Reumatoide (AR) em comparação a indivíduos saudáveis e correlacionar com o nível de atividade da doença (DAS-28) e índice de massa corporal (IMC). Método: Estudo transversal onde foram avaliadas 18 mulheres, com média de idade de 57,94 anos, sendo 8 com AR (Grupo AR) e 10 saudáveis (Grupo Controle), pareadas por idade. Todas foram submetidas às seguintes avaliações: ficha cadastral -dados de identificação e clínicos; exame físico -massa corporal, estatura e IMC; DAS-28; dosagem de proteína C-reativa (PCR) e determinação dos valores de Pressão Inspiratória Máxima (PImáx) e Pressão Expiratória Máxima (PEmáx), por meio de um manovacuômetro. Foi adotado o nível de significância de 5%. Resultados: Houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos AR e Controle em relação à PImáx (-46,25 ± 17,67 cmH2O vs. -81,00 ± 19,69 cmH2O; p < 0,01) e PEmáx (58,75 ± 17,26 cmH2O vs. 78,00 ± 6,32 cmH2O; p < 0,01). Também verificou-se diferença entre o grupo AR e valores preditos para a idade em relação à PImáx (-46,25 ± 17,67 cmH2O vs. -81,06 ± 4,11 cmH2O; p < 0,01) e PEmáx (58,75 ± 17,26 cmH2O vs. 78,92 ± 5,33 cmH2O; p < 0,01). Adicionalmente, foi encontrada correlação significativa entre a PEmáx e IMC (p = 0,03). Não houve correlação significativa entre as variáveis PImáx - PCR, DAS-28 e IMC, e entre PEmáx - DAS e PCR. Conclusão: Esses dados reforçam o caráter sistêmico da AR e levantam a necessidade de uma avaliação global do paciente, que não foque apenas no componente articular, mas verifique também a força dos músculos respiratórios desses indivíduos, para determinação de estratégias terapêuticas mais específicas e adequadas.

Palavras-chave: Artrite Reumatoide, Força Muscular, Músculos Respiratórios

7 - Terapia de ultrassom e estimulação elétrica transcutânea neuromuscular para a tratamento do linfedema de membro superior pós-mastectomia

Ultrasound therapy and transcutaneous electrical neuromuscular stimulation for management of post-mastectomy upper limb lymphedema

Marisa Augusta Gomes de Sousa; Rebeca Boltes Cecatto; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Christina May Moran de Brito; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2014;21(4):189-194

Objetivo: Avaliar o efeito da estimulação elétrica transcutânea ou terapia de ultra-som no tratamento de pós-mastectomia linfedema do membro superior. Método: revisão sistemática da literatura foi realizada 1980-2012 do MedLine, Cochrane Library, LILACS e SciELO. Os termos utilizados na pesquisa foram (neoplasia de mama ou câncer de mama ou de linfedema) e (hipertermia, induzido ou diatermia ou terapia de ultra-som ou ultra-som ou a estimulação elétrica nervosa transcutânea ou dezenas). As seleções dos estudos eram de pacientes mulheres com linfedema pós-mastectomia membro superior que foram submetidos a diatermia por terapia de ultra-som e estimulação elétrica nervosa transcutânea. Só randomizado (RCT) e projetos quase randomizados do estudo foram incluídos (ambos estreita e Broad Therapy). Somente estudos publicados no formato de artigo completo foram incluídos. Depois de analisar os 2.158 resumos resultantes da pesquisa, foram selecionados apenas dois artigos. Dois pesquisadores analisaram os dois artigos, usando o Van Tulder e JADAD escalas para avaliação da qualidade. Resultados: Ambos os trabalhos avaliaram o uso da terapia de ultra-som e estimulação elétrica para o tratamento do linfedema pós-mastectomia. Um total de 132 indivíduos foram incluídos em ambos os estudos, e pouca melhora foi observada em redução ou a qualidade de vida da dor. Somente o estudo usando a terapia de ultra-som identificada uma pequena redução nos sintomas de linfedema. No entanto evidências que suportam a aplicação deste método está faltando. Conclusão: Mais estudos são necessários para avaliar o uso da terapia de ultra-som ou eletroterapia para o tratamento de linfedema pós-mastectomia e para avaliar o efeito potencial dessas terapias no desenvolvimento posterior da doença metastática.

Palavras-chave: Neoplasias da Mama, Linfedema, Reabilitação, Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Uso do teste de caminhada de seis minutos para avaliar a capacidade de deambulação em pacientes com acidente vascular cerebral

Using the six minute walk test to evaluate walking capacity in patients with stroke

Christiane Riedi Daniel; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2014;21(4):195-200

O teste de caminhada de 6 minutos (TC6) mede a distância máxima que uma pessão pode caminhar em 6 minutos. O teste está ganhando popularidade porque avalia a capacidade do estado funcional dos pacientes com diferentes patologias e é considerando simples, seguro, válido, barato e não invasivo. Objetivo: O objetivo desta revisão foi investigar a aplicabilidade do teste de caminhada de seis minutos em sobreviventes de AVC. Método: A pesquisa bibliográfica foi realizada na base de dados MedLine (PubMed) de 1 de Janeiro de 2000 a Abril, 16 2013 Os termos de pesquisa utilizados foram AVC (acidente vascular cerebral e/ou hemiplegia) e caminhada (limitação da mobilidade). O primeiro autor revisou os títulos e/ou resumos de artigos encontrados e determinou relevância para a revisão. Cópias de texto completo de artigos relevantes foram obtidas. Após a leitura foram selecionados os artigos mais relevantes. Apenas artigos escritos em Inglês foram incluídos nesta revisão. Resultados: Os 31 estudos incluídos foram divididos em 9 estudos de ensaio clinico randomizado, 2 estudos caso-controle, 5 estudos prospectivos e 15 estudos transversais e envolveu 1.824 pacientes sobreviventes de AVC, 146 controles saudáveis e 38 pacientes com Esclerose Múltipla. Conclusão: O TC6 é útil para avaliar a capacidade de funcional em pacientes com acidente vascular cerebral, no entanto deve ser usado em conjunto outras ferramentas de avaliação para determinar o perfil geral desses pacientes. Mais estudos são necessários para verificar os fatores que influenciam o resultado do teste e a forma de complementá-lo.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Hemiplegia, Limitação da Mobilidade, Caminhada

9 - Toxina Botulínica Tipo A para bruxismo: analise sistemática

Botulinum Toxin A for bruxism: a systematic review

Maria Matilde de Mello Sposito; Stephanie Alderete Feres Teixeira

Acta Fisiátr.2014;21(4):201-204

Objetivo: Sistematizar as evidências científicas sobre a eficácia da toxina botulínica tipo A no tratamento do bruxismo. Método: A busca bibliográfica foi realizada através de uma pesquisa nas bases de dados PubMed Central Journals e Allergan Product Literature - botulinum toxin (APL) compreendendo o período dos últimos 10 anos, com os descritores: "bruxism", "botulinumt oxin", "treatament". A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada pela Escala de Jadad. Resultados: Foram selecionados dois estudos do tipo ensaio clínico randomizado duplo-cego. Os dois estudos clínicos mostram que as aplicações de toxina botulínica podem diminuir os níveis de dor, frequência dos eventos de bruxismo e satisfazer os pacientes no que diz respeito à eficácia da toxina botulínica nesta patologia. Além de não provocar efeitos adversos importantes. Assim, o tratamento com toxina botulínica tipo A pode apresenta-se como um tratamento possível para pacientes com bruxismo. Conclusão: Há necessidade de maior numero de estudos que sigam critérios de qualidade para se chegar a uma conclusão definitiva quanto a eficácia e segurança.

Palavras-chave: Toxinas Botulínicas Tipo A, Bruxismo, Dor, Reabilitação

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - Protocolo de estimulação motora à criança e ao adolescente dos 4 aos 17 anos de idade do ambulatório de cuidado à pessoa com síndrome de Down

Motor stimulation protocol for children and adolescents 4 to 17 years old in an outpatient clinic for persons with Down's syndrome

Cristiane Gonçalves da Mota; Cristiane Vieira Cardoso; Leandro Lanchotti Cavalcante; Ednaldo Ardelino; Katia Lina Miyahara; Patricia Zen Tempski

Acta Fisiátr.2014;21(4):205-209

O estágio de desenvolvimento motor é o período em que a criança vivencia suas capacidades motoras e conforme a estimulação do ambiente e a proposta de tarefas poderá alcançar desenvolvimento global satisfatório. As crianças com síndrome de Down podem alcançar desenvolvimento satisfatório e até adequado para sua idade cronológica se receberem estímulos adequados, mesmo apresentando atraso para adquirir habilidades motoras. Na adolescência o trabalho de desenvolvimento motor deve ser continuado com atividades especializadas como as esportivas para que assim, mantenha-se e refine-se o desenvolvimento adquirido. O objetivo desse artigo é apresentar o programa de estimulação motora desenvolvido do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMREA-HCFMUSP). Acredita-se que, um trabalho de estimulação motora estruturado de maneira adequada para crianças e adolescentes com síndrome de Down atua como importante meio de intervenção para proporcionar desenvolvimento adequado das habilidades motoras fundamentais e especializadas.

Palavras-chave: Criança, Síndrome de Down, Atividade Motora

Número atual: Março 2013 - Volume 20  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Utilização da CIF em fisioterapia do trabalho: uma contribuição para coleta de dados sobre funcionalidade

Using the ICF in work-related physiotherapy: a contribution to data collection about functioning

Eduardo Santana de Araújo; Cassia Maria Buchalla

Acta Fisiátr.2013;20(1):1-7

INTRODUÇÃO: A notificação da saúde do trabalhador, no Brasil, é feita por meio da Classificação Internacional de Doenças (CID). No entanto, para se conhecer a funcionalidade e a incapacidade, a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) é mais adequada, por constituir-se numa ferramenta capaz de gerar dados sobre a funcionalidade humana no trabalho e sobre a influência do ambiente no desempenho das atividades ocupacionais.
OBJETIVO: Este trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de uma ficha de coleta de dados para uso em Fisioterapia do Trabalho com o intuito de facilitar a notificação de incapacidades ou de influências ambientais na funcionalidade.
MÉTODO:Por meio de um consenso com especialistas, baseado na técnica Delphi, foram escolhidas categorias relevantes da CIF e estruturado um instrumento de coleta de dados que, ao final, foi remetido aos participantes desse processo de seleção para avaliação de sua aplicabilidade.
RESULTADOS: Obtivemos um instrumento de coleta de dados contendo 24 categorias da CIF com a possibilidade de uso de três qualificadores criados para esse propósito. Essa ficha de coleta foi considerada de fácil uso, segundo avaliação dos participantes.
CONCLUSÃO: O instrumento de coleta que resultou deste estudo está disponível para ser testado na área de Fisioterapia do Trabalho e espera-se que possa ajudar na obtenção de dados sobre a funcionalidade do trabalhador.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Saúde do Trabalhador, Coleta de Dados, Fisioterapia

2 - Processos comunicativos dos indivíduos com lesão do hemisfério direito

Communicative processes of individuals with injuries of the right cerebral hemisphere

Aline Rodrigues Pinto; Ana Paula Ferreira Gastao; Milene Silva Ferreira; Marla Fabiana Rodrigues Oliveira Sakamoto; Andréa Siqueira Kokanj Santana

Acta Fisiátr.2013;20(1):8-13

OBJETIVO: O presente estudo teve como objetivo traçar o perfil de linguagem de pacientes com lesão de hemisfério direito atendidos na Associação de Assistência a Criança Deficiente (AACD/Unidade Ibirapuera - Central), bem como verificar a percepção dos cuidadores e dos pacientes em relação à presença ou não de alterações de linguagem pós-acidente vascular cerebral.
MÉTODO: O estudo descritivo foi desenvolvido de julho a setembro de 2009 com 11 indivíduos adultos por meio da aplicação da Bateria Montreal de Avaliação da Comunicação/Bateria MAC, prova Questionário sobre a Consciência das Dificuldades e o questionário Triagem de Distúrbios Comunicativos em Indivíduos com quadro neurológico, direcionado aos familiares e/ou cuidadores.
RESULTADOS: Verificou-se que 90,9% dos pacientes com Lesão de Hemisfério Direito apresentaram déficit em pelo menos uma das provas que compunham a Bateria MAC de avaliação da linguagem.
CONCLUSÃO: Mostra-se também de extrema importância o achado relacionado à ausência de percepção dos pacientes em relação as suas próprias alterações linguístico-cognitivas, não pela inexistência de impactos em sua vida diária, mas devido à agnosia.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Transtornos da Linguagem, Agnosia, Comunicação

3 - Perfil dos pacientes com lesoes traumáticas do membro superior atendidos pela fisioterapia em hospital do nível terciário

Profile of patients with traumatic injuries of the upper limb treated in a tertiary hospital

Rafael Inácio Barbosa; Karoline Cipriano Raimundo; Marisa de Cássia Registro Fonseca; Daniel Martins Coelho; Aline Miranda Ferreira; Amira Mohamede Hussein; Nilton Mazzer; Cláudio Henrique Barbieri

Acta Fisiátr.2013;20(1):14-19

A incidência de lesões traumáticas dos membros superiores em um hospital terciário além de ser elevada, possui uma grande variedade. Neste sentido torna-se importante a criação de um banco de dados único, para conhecer o perfil dos pacientes atendidos.
OBJETIVO: Traçar o perfil dos pacientes com lesões traumáticas dos membros superiores, atendidos pela Fisioterapia no Centro de Reabilitação do Hospital das Clínicas de Ribeirao.
MÉTODO: Foram avaliadas 223 fichas de pacientes (58 mulheres e 116 homens), com idade média de 34,54 (± 19,05) anos, encaminhados pelo ambulatório de ortopedia do referido hospital.
RESULTADOS: Do total de casos analisados, as lesões de punho e mão obtiveram maior incidência (60,99%), seguidos por lesões de ombro (20,63%), cotovelo (12,55%), braço (3,59%) e antebraço (2,24%). Nas lesões de punho e mão o mecanismo de trauma com maior porcentagem foi o acidente de moto, relacionado com as fraturas múltiplas de ossos da mão. Queda da própria altura, acidente motociclístico e queda de escada foram os mecanismos de trauma, correlacionando com as fraturas de úmero proximal, luxação de ombro e fraturas de escápula respectivamente.
CONCLUSÃO: Foi verificada a incidência de lesão, mecanismo de trauma e as características da população para futuramente aprimorar os protocolos específicos para as disfunções e investir em campanhas de prevenção

Palavras-chave: Traumatismos da Mao, Traumatismos do Antebraço, Traumatismos do Braço, Centros de Reabilitação, Perfil de Saúde

4 - Comparação da força muscular respiratória entre idosos após acidente vascular cerebral

Comparison of respiratory muscle strength between elderly subjects after a stroke

Soraia Micaela Silva; Joao Carlos Ferrari Corrêa; Fernanda Cordeiro da Silva; Luciana Maria Malosá Sampaio; Fernanda Ishida Corrêa

Acta Fisiátr.2013;20(1):20-23

A diminuição do recolhimento elástico dos pulmoes e da complacência da caixa torácica são uma das principais mudanças no sistema respiratório com o avançar da idade, quando essas alterações estao associadas às manifestações clínicas subjacentes ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), a força muscular respiratória dos idosos pode ser gravemente afetada, portanto, faz-se necessário investigar as condições da força muscular respiratória de hemiparéticos idosos tanto em fase aguda como crônica.
OBJETIVO: Comparar a força muscular respiratória de idosos hemiparéticos em fase aguda e crônica após AVC, avaliadas por meio dos valores das pressões respiratórias máximas, para que assim, a reabilitação desses indivíduos seja mais orientada.
MÉTODO: Foram avaliados 29 indivíduos hemiparéticos, 17 em fase aguda e 12 em fase crônica, os valores da pressão inspiratória máxima (PImáx) e pressão expiratória máxima (PEmáx) coletados por meio de um manovacuômetro.
RESULTADOS: Não houve diferença entre a fase aguda e crônica, no entanto, as medidas de PImáx e PEmáx apresentaram diminuição estatisticamente significante quando comparadas ao valores preditos.
CONCLUSÃO: Não houve diferença da força muscular respiratória entre as fases aguda e crônica, no entanto, a PImáx e PEmáx apresentou-se diminuída em todos os indivíduos avaliados, isto sugere fraqueza semelhante da musculatura respiratória em ambas as fases após AVC, e este quadro pode ser agravado pelo processo de senescência. Sugere-se que seja abordado um programa de treinamento da musculatura respiratória desses indivíduos para melhor reabilitação após AVC.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Sarcopenia, Capacidade Vital, Idoso

5 - Relação entre a Medida de Independência Funcional e o Core Set da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde para acidente vascular encefálico

The Relationship between the Functional Independence Measure and the International Classification of Functioning, Disability, and Health Core Set for stroke

Andersom Ricardo Fréz; Bruna Antinori Passeggio Vignola; Helena Hideko Seguchi Kaziyama; Luisa Carmen Spezzano; Thais Raquel Martins Filippo; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(1):24-28

Para a avaliação da funcionalidade do paciente com acidente vascular encefálico (AVE) existem diversos instrumentos, entre eles a Medida de Independência Funcional (MIF). A partir da aprovação da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) foi desenvolvido o Core Set para indivíduos com AVE, o qual passou a considerar os componentes da CIF para o entendimento da funcionalidade e da incapacidade física destas pessãos.
OBJETIVO: Foi estabelecer uma relação entre a MIF e o Core Set da CIF para pacientes com sequelas de AVE.
MÉTODO: Considerando as descrições das atividades da MIF e as definições das categorias da CIF, foram selecionadas as categorias do Core Set da CIF para pessãos com AVE relacionados às tarefas avaliadas pela MIF. Foi considerado o que contemplava cada atividade da MIF, a descrição detalhada e as definições de cada categoria da CIF. Foi proposta uma relação entre os indicadores quantitativos e qualitativos da CIF e as escalas e níveis de função da MIF. Estabeleceu-se uma relação inversa entre a escala da MIF e os qualificadores da CIF, pois quanto menor a escala da MIF maior o comprometimento, já para a CIF, quanto menor o qualificador menor o comprometimento.
RESULTADOS: Das 130 categorias de segundo nível utilizadas no Core Set 27 (20,8%) foram relacionadas às atividades da MIF, sendo oito (29,6%) dos componentes das funções do corpo, 17 (63%) das atividades e participação e dois (7,4%) dos fatores ambientais. Para as 10 categorias que fazem parte da versão abreviada deste Core Set, apenas cinco foram relacionadas às atividades da MIF.
CONCLUSÃO: O presente estudo evidenciou que a escala MIF está centrada no indivíduo, não correlacionando fatores externos que influenciam na realização das atividades. A escala CIF possui parâmetros adequados e permite uma visão biopsicossocial do indivíduo, abrangendo desde as disfunções e deficiências dos indivíduos acometidos com por AVE até a influência destes fatores nas atividades sociais e no meio ambiente.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

6 - Publicações brasileiras referentes à Classificação Internacional de Funcionalidade

Brazilian publications on the International Classification of Functioning

Luciana Castaneda; Shamyr Sulyvan de Castro

Acta Fisiátr.2013;20(1):29-36

Considerando o aumento das doenças crônicas e da expectativa de vida, é de grande interesse atual a mensuração dos fenômenos de funcionalidade e incapacidade. A Organização Mundial de Saúde há cerca de 30 anos vem desenvolvendo ferramentas para entendimento e classificação destes processos, sendo o modelo atual a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF). A CIF propoe uma mudança de paradigma, onde o modelo biopsicossocial substitui o modelo biomédico predominante. É o mais recente e abrangente modelo taxonômico para a funcionalidade e incapacidade dentro de uma perspectiva universal e unificada.
OBJETIVO: Em virtude do crescente interesse da comunidade científica pelo tema, o objeto do trabalho é descrever e classificar por áreas de conhecimento as publicações referentes à CIF.
MÉTODO: As bases de dados utilizadas foram Lilacs e Scielo. Foram selecionadas 39 publicações.
RESULTADOS: A maioria das publicações foi referente a artigos originais (51,3%) e a área de conhecimento com maior número de trabalhos foi a Neurologia.
CONCLUSÃO: Os resultados apontam que houve um crescimento elevado de publicações nos últimos cinco anos.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Prática Clínica Baseada em Evidências, Coleta de Dados, Literatura de Revisão como Assunto

7 - Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e seu uso no Brasil

The use of the International Classification of Functioning, Disability and Health in Brazil

Ismênia de Carvalho Brasileiro; Thereza Maria Magalhaes Moreira; Cássia Maria Buchalla

Acta Fisiátr.2013;20(1):37-41

OBJETIVO: Trata-se de uma revisão cujo objetivo é analisar o uso da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) no Brasil.
MÉTODO: O estudo ocorreu nas bases LILACS, MedLine, SciELO, IBECS e Cochrane. Foram selecionados artigos publicados entre 2003 e 2011. Foram identificados 75 trabalhos. Após leitura dos resumos foram selecionados 17 estudos que compuseram a amostra e que abordaram o uso CIF. O método para análise foi o de revisão integrativa.
RESULTADOS: A classificação tem sido utilizada em estudos no Brasil, em especial nos últimos cinco anos, mais nas regioes sul e sudeste. Há diversidade de amostras e tipos de estudos e consonância de uso da CIF com diversos instrumentos e escalas. O componente Atividade e Participação é o mais utilizado. Foi observada forte tendência para descrever a incapacidade dos casos estudados.
CONCLUSÃO: A CIF vem sendo aplicada em pesquisas brasileiras de forma diversificada sendo considerada adequada por abordar espectros da funcionalidade humana. A classificação foi mais utilizada para descrever situações de incapacidades nos estudos analisados. Situações como dimensões subjetivas e interveniência de fatores ambientais nem sempre abordados em outros instrumentos, são contempladas na CIF, o que nos direcionam para uma nova perspectiva em entender a saúde das pessãos e populações.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Literatura de Revisão como Assunto, Brasil

8 - Aplicação das escalas Fugl-Meyer Assessment (FMA) e Wolf Motor Function Test (WMFT) na recuperaçãofuncional do membro superior em pacientespós-acidente vascular encefálico crônico: revisão de literatura

Application of the Fugl-Meyer Assessment (FMA) and the Wolf Motor Function Test (WMFT) in the recovery of upper limb function in patients after chronic stroke: a literature review

Cauê Padovani; Cristhiane Valério Garabello Pires; Fernanda Pretti Chalet Ferreira; Gabriela Borin; Thais Raquel Martins Filippo; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(1):42-49

Estima-se que de 45 a 75% dos adultos que sofreram um Acidente Vascular Encefálico (AVE) têm dificuldade de utilizar o membro superior (MS) hemiparético nas atividades de vida diária (AVD's) na fase crônica. Escalas funcionais são utilizadas na prática da reabilitação e em pesquisas para diagnósticos, prognósticos e resposta a tratamentos. As escalas Wolf Motor Function Test (WMFT) e Fugl-Meyer Assessment (FMA) são instrumentos muito citados na literatura.
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi verificar a aplicação das escalas WMFT e FMA na recuperação funcional do membro superior em pacientes pós AVE crônico.
MÉTODO: Foi realizada uma revisão de literatura com busca nas bases de dados do MedLine (PubMed) de artigos publicados de 2000 a 2013. Adotou-se como estratégia de pesquisa o método (P.I.C.O.). Os descritores utilizados para a pesquisa foram: (stroke OR cerebrovascular disorders OR intracranial arteriosclerosis OR intracranial embolism and thrombosis) AND (fugl-meyer assessment OR wolf motor function test). Foi utilizado therapy narrow como filtro de busca.
RESULTADOS: Foram encontrados 181 estudos, 89 foram eliminados por não preencherem os critérios de inclusão ou por não apresentarem tema relevante à pesquisa. Após a seleção por título e resumo, 92 artigos foram lidos na íntegra. Destes, 47 foram excluídos por não contemplarem o objetivo da presente pesquisa. No total, 45 artigos foram revisados. Houve predomínio da utilização da ferramenta FMA e verificou-se que 80% dos estudos aplicaram esta escala para avaliar respostas a diferentes tipos de terapias. Nestes estudos, a intervenção mais utilizada foi a Terapia de Contensão Induzida (TCI) (25%), seguida pela Terapia Robótica (22,2%). Apesar do WMFT ter sido inicialmente desenvolvido para avaliar os efeitos da TCI, nos dias de hoje verifica-se sua utilização para avaliar a recuperação funcional de pacientes com sequelas de AVE após aplicação de outras técnicas. Em nossa pesquisa, 44,4% dos estudos utilizaram o WMFT, destes, 35% avaliaram os efeitos da TCI, 15% da terapia robótica de MS e 65% usaram diferentes terapias.
CONCLUSÃO: Em estudos controlados randomizados, a FMA foi a escala mais utilizada para avaliar a recuperação funcional do MS em pacientes com AVE crônico, inclusive após aplicação de terapia robótica. Porém, verificamos que ela não é a escala mais indicada para avaliar os mesmos desfechos após utilização da TCI. Entretanto, a WMFT foi a escala mais utilizada para avaliação funcional após aplicação da TCI e mostrou-se mais sensível que a FMA na terapia bilateral, além de alta aplicabilidade na terapia de realidade virtual.

Palavras-chave: Acidente Vascular Encefálico, Extremidade Superior, Reabilitação, Questionários, Literatura de Revisão como Assunto

RELATO DE CASO

9 - Análise do controle postural após a aplicação da eletroestimulação funcional no acidente vascular encefálico

Analysis of postural control after the application of functional electrical stimulation in stroke patients

Thais Delamuta Ayres da Costa; Alessandra Ferreira Barbosa; Maria Fernanda Pauletti Oliveira; Pedro Cláudio Gonsales de Castro; Denise Vianna Machado Ayres; Maria Cecília dos Santos Moreira; José Augusto Fernandes Lopes; Daniel Gustavo Goroso

Acta Fisiátr.2013;20(1):50-54

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é o principal acometimento neurológico em adultos no mundo. Pode resultar em déficits neuromotores e cognitivos. Entre os déficits neuromotores observa-se a espasticidade, esta interfere no planejamento dos movimentos e no controle da postura. O sistema de controle da postura é primordial para a independência funcional nas atividades de vida diária e, por isso, é um dos principais objetivos a se atingir em programas de reabilitação. Nestes, diversas condutas terapêuticas visam dar estímulos ao indivíduo para que consiga realizar mais eficientemente os movimentos e controlar a postura. E, entre tantas técnicas, está a estimulação elétrica neuromuscular, a qual contribui para diminuição da espasticidade, além de outros benefícios. Quando utilizada para tarefas funcionais é entao denominada estimulação elétrica funcional conhecida como Functional Eletrical Stimulation (FES). Tendo em vista a importância do controle da postura nas atividades de vida diária e as contribuições advindas da FES.
OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi de observar a resposta do controle postural em dois indivíduos com hemiparesia por AVE após a aplicação de FES em um curto período de tempo.
MÉTODO: O protocolo experimental contou com quatro fases; A: pré FES; B: Imediatamente após a aplicação da FES; C: 45 minutos após a aplicação da FES; D: 90 minutos após aplicação da FES. Em cada fase o participante posicionava-se sobre uma plataforma de força e realizava por três tentativas a tarefa escolhida, o teste do terceiro dedo ao chão.
RESULTADOS: O software Matlab 7.0 forneceu a variável de Velocidade média do Centro de Pressão no sentido médio-lateral (Vmx) e ântero-posterior (Vmy). Dessa forma, foi possível constatar que mesmo quando os participantes apresentaram uma redução na Vmx e Vmy estas foram menores que 1%.
CONCLUSÃO: Isto possivelmente indique atividade regulatória postural semelhante a etapa pré FES, e, ainda uma menor atividade regulatória postural, quando a Vmx ou Vmy foram maiores que do início, mesmo após a aplicação da FES (90 minutos).

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Postura, Terapia por Estimulação Elétrica

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - A intervenção fisioterapêutica no ambulatório de cuidado a pessoa com síndrome de Down no Instituto de Medicina Física e Reabilitação HC FMUSP

Physiotherapeutic intervention in the outpatient care of persons with Down syndrome at the Institute of Physical Medicine and Rehabilitation at HC FMUSP

Munique Dias de Almeida; Maria Cecilia dos Santos Moreira; Patricia Zen Tempski

Acta Fisiátr.2013;20(1):55-62

A Síndrome de Down (SD) é a cromossosmopatia mais comum do ser humano. Sabe-se que estas pessãos quando estimuladas adequadamente apresentam potencial para uma plena inclusão social. O objetivo deste texto é divulgar o trabalho realizado junto a esta população pelo serviço de Fisioterapia que compoem a equipe multiprofissional do Ambulatório de Cuidado a Pessão com SD do Instituto de Medicina Física e Reabilitação - HC FMUSP. Tal ambulatório desenvolve atividades terapêuticas com pessãos entre zero e 18 anos de idade. Os trabalhos são realizados em modelos que são subdivididos em: Modelo de Etimulação Global, que atende de zero a três anos cujos os objetivos são voltados a aquisição dos marcos motores, essenciais para o desenvolvimento neuropsicomotor; Modelo de Desenvolvimento Infantil que aborda crianças dos quatro aos onze anos e estao focados no desenvolvimento de habilidades motoras mais avançadas, força, estruturação postural, aprimoramento da motricidade, equilíbrio e propriocepção para otimização da atividade cerebelar e consequente melhora do equilíbrio estático e dinâmico; Modelo Adolescentes Down dos doze aos dezoito anos e Modelo Adulto Down a partir de dezenove anos que visa tratar do reestabelecimento ortopédico e postural, além de fornecer orientações de promoção e prevenção em saúde. O acompanhamento fisioterapêutico é fundamental dentro do ambulatório do cuidado à pessão com SD pois estimula junto à equipe mustiprofissional e à família, o desenvolvimento motor destas crianças, respeitando o seu tempo e valorizando suas potencialidades, além de atuar como educador em saúde junto á família, com objetivo de prevenção e promoção da saúde da pessão com SD e seu núcleo familiar.

Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

Número atual: Junho 2013 - Volume 20  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Câncer de pulmão: reabilitação

Lung neoplasms: rehabilitation

Rebeca Boltes Cecatto; Elisangela Marinho Pinto Almeida; Maíra Saul; Christina May Moran de Brito; Rodrigo Guimaraes Andrade; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Wanderley Marques Bernardo; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):63-67



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

2 - Distonias: reabilitação

Dystonias: rehabilitation

Tatiane Lopes Teixeira Almeida; Lilian Falkenburg; Maria Angela de Campos Gianni; Maria Inês Paes Lourenção; Maria Inês Nacarato; Tatiana Domingues Pedroso; Thaís Tavares Terranova; Lucas Martins de Exel Nunes; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):68-74



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

3 - Hérnia de disco lombar: tratamento

Lumbar disc herniation: treatment

Lilian Braighi Carvalho, Aline Oyakawa; Renato Silva Martins; Pedro Claudio Gonsales de Castro; Luísa Moares Nunes Ferreira; Julia Santos Assis de Melo; Tays Rodrigues Dilda; Fábio Marcon Alfieri; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Wanderley Marques Bernardo; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):75-82



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

4 - LER-DORT em membros superiores: reabilitação

Cumulative trauma disorders in upper limbs: rehabilitation

Gustavo Fadel; Viviane Duarte Correia; Arlete Camargo de Melo Salimene; Fábio Marcon Alfieri; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Wanderley Marques Bernardo; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):83-88



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

5 - Neuropatias - Síndrome de Guillain-Barré: reabilitação

Neuropathies - Guillain-Barré syndrome: rehabilitation

Tatiana Amadeo Tuacek; Gracinda Rodrigues Tsukimoto; Carmen Silvia Figliolia; Maiara Celina de Carvalho Cardoso; Denise Rodrigues Tsukimoto; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):89-95



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

6 - Síndrome do manguito rotador: reabilitação

Rotator cuff syndrome: rehabilitation

Roberto Abi Rached; Danielle Bianchini Rampim; Rafael Hossamu Yamauti; Meyre Sato Azeka; Renata Moraes dos Santos; Beatriz Guidolin; Pericles Tey Otani; Ricardo Bocatto Oliveira; Carolina Pastorin Castineira; Fernanda Martins; Fábio Marcon Alfieri; Sandra Alamino Felix de Moraes; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella; Wanderley Marques Bernardo

Acta Fisiátr.2013;20(2):96-105



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

7 - Ulceras por pressão: tratamento

Pressure ulcer: treatment

Talita Justino dos Santos Rosa; Lisley Keller Liidtke Cintra; Karla Barbosa de Freitas; Priscila Ferreira Dourado Laurindo de Alcântara; Fernando Spacassassi; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):106-111



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

8 - Osteoporose em lesão medular: reabilitação

Osteoporosis in spinal cord injury: rehabilitation

Marta Imamura; Marina da Paz Takami; Sofia Bonna Boschetti Barbosa; Alyne Rangifo da Silva; Carolina Mendes Pinheiro; Leda Maria de Campos Guerra; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Wanderley Marques Bernardo; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):112-117



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

Número atual: Setembro 2013 - Volume 20  - Número 3

1 - Reequilíbrio tóraco-abdominal em recém-nascidos prematuros: efeitos em parâmetros cardiorrespiratórios, no comportamento, na dor e no desconforto respiratório

Rebalancing thoracoabdominal movements in preterms infants: effects on cardiorespiratory parameters, in behavior, in pain and in the respiratory effort

Kethlen Roberta Roussenq; Janaina Cristina Scalco; George Jung da Rosa; Gesilane Júlia da Silva Honório; Camila Isabel Santos Schivinski

Acta Fisiátr.2013;20(3):118-123

OBJETIVO: Avaliar o efeito de manuseios do método fisioterapêutico de Reequilíbrio Tóraco-Abdominal (RTA) em parâmetros cardiorrespiratórios, em sinais clínicos de esforço respiratório, no comportamento e na dor de recém-nascidos (RN) prematuros com baixo peso internados em unidade de terapia intensiva.
MÉTODO: Ensaio clínico controlado, randomizado com avaliador cego. Os RN foram caracterizados segundo: sexo, idade gestacional (IG), idade gestacional corrigida (IgC), peso, altura, índice de massa corpórea (IMC), tipo de parto, ventilação mecânica (VM), oxigenoterapia (O2) e Apgar. Através de sorteio foram divididos em dois grupos: G1 - grupo controle e G2 - grupo que recebeu RTA. Os RN foram avaliados antes e imediatamente após um dos procedimentos. Foram verificados os parâmetros cardiorrespiratórios de frequência respiratória (FR), frequência cardíaca (FC) e saturação periférica de oxigênio (SpO2), analisado o desconforto respiratório através do Boletim de silvermann-anderson (BSA), a dor através da Neonatal Infant Pain Scale (NIPS) e o comportamento pela escala de Prechtl e Beinteman (EPB). O G1 permaneceu em repouso por 20 minutos e o G2 foi submetido a 20 minutos de intervenção, composta por 4 manuseios da técnica (apoio íleo-costal, apoio tóraco-abdominal, apoio abdominal inferior e apoio toraco-abdominal e abdominal inferior simultaneamente), cada um com 5 minutos de duração. Foram aplicados os testes qui-quadrado, teste de Wilcoxon e de Mann Whitney, para comparação intra e intergrupos, respectivamente. Adotou-se um nível de significância de 5% (p = 0,05).
RESULTADOS: Houve diminuição significativa da FR (54,08 ± 8,34rpm x 49,77 ± 2,82 rpm, p = 0,0277) e do BSA (0,62 ± 0,96 x 0,00 ± 0,60; p = 0,0431) nos RN submetidos ao RTA. Também verificou-se menor pontuação na escala EPB do G2 em comparação ao G1 (1,00 ± 0,00 x 1,54 ± 1,13, com p = 0,0492). As outras variáveis não diferiram entre os grupos.
CONCLUSÃO: Os RN prematuros de baixo peso submetidos aos manuseios do método RTA apresentaram redução da FR e do desconforto respiratório. Não houve prejuízo alteração no comportamento dos neonatos com a aplicação da técnica.

Palavras-chave: Recém-Nascido, Transtornos Respiratórios/reabilitação, Modalidades de Fisioterapia, Terapia Intensiva Neonatal

2 - Avaliação do perfil, satisfação e efetividade do tratamento fisioterapêutico em grupo nos pacientes com osteoartrite de joelho

Evaluation of the profile, satisfaction and effectiveness of group physiotherapy in pacients with knee osteoarthritis

Rafaela Castro Rodrigues; José Carlos Baldocchi Pontin; Sandra Martim Falcon; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(3):124-128

A osteoartrite (OA) é uma doença crônica degenerativa de progressão lenta que mais frequentemente afeta o joelho. Dentre os fatores predisponentes estao envelhecimento, obesidade, lesões ou cirurgias prévias, esforço ocupacional e recreacional cumulativo, mau alinhamento articular e fraqueza muscular. A fisioterapia no tratamento conservador objetiva a melhora da força muscular, amplitude de movimento e estabilidade articular. A fisioterapia em grupo é realizada duas vezes por semana, com exercícios de alongamento e fortalecimento de membros inferiores e treino sensório-motor.
OBJETIVO: Os objetivos deste estudo foram caracterizar perfis socioeconômico e de saúde, distribuição por gênero e idade e melhora da dor e satisfação dos pacientes com OA de joelho que realizaram fisioterapia em grupo entre janeiro de 2005 a julho de 2011.
MÉTODO: Para isso, foram contactados via telefone 45 pacientes com média de 59,1 ± 8,17 anos que permaneceram em tratamento por 246 ± 99 dias, sendo que destes 28,9% eram aposentados, 49% hipertensos, 57,7% tinham dificuldade para subir 1 lance de escada e 80% vinham à fisioterapia de ônibus.
RESULTADOS: Houve uma melhora de dor estatisticamente significativa para os pacientes atendidos nos anos de 2007 (p = 0,006), 2008 (p = 0,001), 2009 (p = 0,003) e 2010 (p = 0,048).
CONCLUSÃO: Por meio da análise de determinantes pessãois e físicos podemos concluir que o tratamento fisioterapêutico em grupo pôde atender satisfatoriamente a população levando a uma melhora de 35,82% da média de dor e, consequentemente à satisfação de 95,6% dos pacientes incluídos nesse estudo.

Palavras-chave: Osteoartrite do Joelho, Fisioterapia, Reabilitação

3 - Um estudo do processo expressivo de afásicos sob enfoque da psicologia junguiana

A study of the aphasics expressive process under the jungian psychological focus

Paola Vieitas Vergueiro; Liliana Liviano Wahba; Adriana Bastos Conforto; Maria Lucia Hage Masini; Simone Freitas Fuso

Acta Fisiátr.2013;20(3):129-137

Este artigo descreve uma pesquisa exploratória em que se aplica técnica expressiva plástica a afásicos de expressão, vítimas de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) no hemisfério esquerdo.
OBJETIVO: Investigar os resultados da intervenção realizando estudos de caso com base no método clínico e análise qualitativa, com enfoque teórico da psicologia junguiana.
MÉTODO: Utiliza testes antes e depois da intervenção, como critério externo: a técnica projetiva HTP -House-Tree-Person, aponta mudanças de personalidade condizentes com as observadas no processo; o teste de percepção emocional International Affective Picture System - IAPS, e seu sistema de registro de respostas Self-Assessment Manikin - SAM, auxilia a lançar hipóteses sobre a transformação emocional dos participantes; o European Brain Injury Questionnaire - EBIQ, fornece substratos para discutir a transformação da visão dos sujeitos sobre seus próprios problemas. Mediante o método do Discurso do Sujeito Coletivo identifica etapas do processo expressivo com conteúdos comuns ao grupo atendido.
RESULTADOS: Os resultados dos estudos de caso, do DSC e dos instrumentos de avaliação revelam que, ao final, os participantes, sem exceção, mostraram-se fortalecidos, mais próximos da sua própria realidade e enriquecidos no contato consigo mesmos e com o mundo externo.
CONCLUSÃO: Os instrumentos de avaliação o confirmam, assinalando o valor terapêutico da técnica proposta e sugerindo que esta forma de intervenção pode ser útil no processo de reabilitação de afásicos.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Afasia, Terapia pela Arte, Reabilitação, Psicologia

4 - Efeitos da imersão em gelo na força de preensão palmar em adultos jovens

Effects of cold immersion on hand grip in adults

Luana Barbosa; Érika Baptista Gomes; Gustavo de Azevedo Carvalho; Hudson Azevedo Pinheiro

Acta Fisiátr.2013;20(3):138-141

OBJETIVO: Avaliar os efeitos da imersão em gelo por 30 segundos na força de preensão palmar (FPP) em acadêmicos do curso de fisioterapia.
MÉTODO: Foi realizado um estudo transversal e a amostra foi por conveniência realizada com 30 sujeitos adultos, sendo 15 homens e 15 mulheres, onde foi avaliada a FPP por meio de um dinamômetro em três momentos distintos: pré-imersão, imediatamente após a imersão e uma hora após a imersão em gelo. A imersão foi feita em um balde com capacidade de 30 litros, com temperatura controlada de até 5o C, sendo o membro superior imerso até a linha interarticular de cotovelo por 20 segundos.
RESULTADOS: Observou-se alterações altamente significativas entre a pré imersão e imediatamente após a imersão em gelo em ambos os grupos, masculino e feminino (p < 0,01) e, mesmo após uma hora, ainda observou-se diferenças significativas na FPP.
CONCLUSÃO: A imersão em gelo durante 30 segundos a uma temperatura de até 5 ºC diminuiu de forma significativa a FPP.

Palavras-chave: Crioterapia, Força da Mao, Estudos de Intervenção

ARTIGO DE REVISÃO

5 - Benefícios da marcha com assistência robótica na lesão medular: uma revisão sistemática

Benefits of robotic-assisted gait in spinal cord injury: a systematic review

Francine Bertolais do Valle Souza; Pedro Cláudio Gonsales de Castro; Denise Vianna Machado Ayres; Maria Cecilia dos Santos Moreira; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(3):142-146

OBJETIVO: Avaliar a qualidade atual de evidências quanto à eficácia da marcha robótica com suspensão de peso corporal em indivíduos com lesão medular, com ênfase no desempenho da marcha.
MÉTODO: O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases de dados PubMed, LILACS e EMBASE referentes às publicações de ensaios clínicos dos últimos doze anos (2000-2012), utilizando-se a relação entre as palavras chave Spinal cord injury AND (gait OR walking OR deambulation) reahbilitation AND robotic AND (lokomat OR ReoAmbulator OR Formador Gait).
RESULTADOS: Dos oito estudos selecionados, apenas um não observou melhora no padrao de desempenho da marcha. Dos estudos que encontraram melhora, 6 encontraram melhora estatisticamente significativa e um não encontraram nenhuma diferença significativa, apesar de uma tendência de melhora ter sido observada. As conclusões destes estudos foram obtidas por meio de ferramentas de avaliação como o teste de caminhada de 6 minutos e de 10 metros, MIF (medida de independência funcional, WISCI II (Indice de caminhada de Lesão Medular), entre outros. Alguns estudos apontam uma diminuição na necessidade de órteses e dispositivos auxiliares nesse grupo. Quanto à qualidade metodológica, seis artigos apresentaram escores inferiores a 3 pontos e apenas um artigo teve a pontuação máxima de 5 na escala JADAD (baixa qualidade pontuação inferior a 3) Implicação/Impacto na reabilitação.
CONCLUSÃO: Apesar da pequena quantidade de artigos encontrados, da baixa qualidade metodológica e o fato desta ser uma intervenção nova e de alto custo, os resultados são significativos quando comparados com a terapia física convencional e outras técnicas bem estabelecidas na fisioterapia.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Marcha, Robótica, Reabilitação

6 - Toxina Botulínica Tipo A para o tratamento da Sialorréia: revisão sistemática

Botulinum Toxin A to sialorrhea treatment: a systematic review

Maria Matilde de Mello Sposito; Stephanie Alderete Feres Teixeira

Acta Fisiátr.2013;20(3):147-151

OBJETIVO: Sistematizar as evidências científicas sobre a eficácia da toxina botulínica tipo A no tratamento da sialorréia.
MÉTODO: A busca bibliográfica foi realizada através de uma pesquisa nas bases de dados PubMed Central Journals e Allergan Product Literature - botulinum toxin (APL) compreendendo o período dos últimos 10 anos, com os descritores: "sialorrhea", "botulinum toxin", "treatment", "hypersalivation", "drooling". A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada pela Escala de Jadad.
RESULADOS: Foram selecionados quatro estudos do tipo ensaio clínico randomizado duplo-cego. Os estudos selecionados mostram que as aplicações de toxina botulínica podem diminuir a sialorréia e suas consequências de forma satisfatória no que diz respeito à eficácia, além de não provocar efeitos adversos importantes. Assim, o tratamento com toxina botulínica tipo A pode apresentar-se como uma opção terapêutica possível para pacientes com sialorréia.
CONCLUSÃO: Há necessidade de maior número de estudos, que sigam critérios de qualidade, para se chegar a uma conclusão definitiva quanto a eficácia e segurança deste procedimento em pacientes com sialorréia.

Palavras-chave: Toxinas Botulínicas Tipo A, Sialorréia, Reabilitação

7 - Suplementação de creatina como potencial agente terapêutico na reabilitação da doença arterial obstrutiva periférica

Creatine supplementation as a potential therapeutic aid in peripheral arterial obstructive disease rehabilitation

Lucas Caseri Câmara; Erika Magalhaes Suzigan; Marcelo Andrade Starling

Acta Fisiátr.2013;20(3):152-156

Suplementação de Creatina (Cr) têm sido utilizada de forma segura e eficaz em diversas condições de saúde e doença, incluindo fraqueza, atrofia e distúrbios metabólicos musculares. Na Doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), a isquemia crônica promove atrofia, denervação e prejuízos metabólicos musculares, reduzindo a força e resistência, prejudicando a aptidao física geral. Tomando em conjunto, os benefícios conhecidos da suplementação de Cr e a apresentação clínica da DAOP, apresentam a suplementação de Cr como potencial agente terapêutico a ser considerado.
OBJETIVO: Realizar uma revisão sistemática da literatura científica procurando por estudos envolvendo a suplementação de Cr em portadores de DAOP, publicados nos últimos dez anos.
MÉTODO: Uma pesquisa por artigos escritos em português e inglês no período descrito, incluindo o cruzamento de termos relacionados a DAOP e a suplementação de Cr foi realizada no PubMed, SciELO, e LILACS.
RESULTADOS: Um único estudo avaliou a influência da suplementação de Cr na amostra desejada (DAOP), descrevendo efeitos positivos na distância de caminhada e em propriedades sanguíneas. Devido à escassez de dados sobre o tema, o potencial uso da Cr na DAOP incluindo considerações metabólicas, funcionais e estruturais foi discutido.
CONCLUSÃO: Apesar das apresentadas considerações para a utilização da Cr como potencial agente terapêutico na DAOP, apenas um estudo prévio verificou benefícios. Assim ainda há uma grande lacuna na literatura científica, deixando campo aberto para futuros estudos na procura de possíveis benefícios no combate a perda funcional, prejuízo da estrutura e metabolismo muscular de indivíduos doentes.

Palavras-chave: Creatina, Doença Arterial Obstrutiva Periférica/reabilitação, Claudicação Intermitente

8 - Efetividade e segurança do ultrassom terapêutico nas afecções musculoesqueléticas: overview de revisoes sistemáticas Cochrane

Effectiveness and safety of therapeutic ultrasound in musculoskeletal disorders: overview of Cochrane systematic reviews

Ana Paula Bezerra Leite; José Carlos Baldocchi Pontin; Ana Luiza Cabrera Martimbianco; Gisele Landim Lahoz; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(3):157-160

O Ultrassom terapêutico (UST) é um recurso frequentemente utilizado na prática clinica do fisioterapeuta. Entretanto, não há consenso na literatura em relação à efetividade desse recurso.
OBJETIVO: Os objetivos do presente estudo foram verificar e sintetizar as informações contidas nas revisões sistemáticas Cochrane relacionadas ao tratamento das afecções musculoesqueléticas com o UST.
MÉTODO: Foi realizada uma busca na base de dados "Cochrane Library" e selecionadas as revisões sistemáticas que abordavam o UST como modalidade de tratamento.
RESULTADOS: Foram incluídas seis revisões sistemáticas Cochrane que analisaram a efetividade do UST em diferentes afecções musculoesqueléticas demonstrando redução significativa da dor apenas na osteartrite de joelho; não há relatos de eventos adversos decorrentes do UST em todas as revisões incluídas, sendo considerado um tratamento seguro.
CONCLUSÃO: Os resultados apresentados nesse estudo devem ser analisados com cautela, pois a baixa qualidade metodológica e a heterogeneidade dos ensaios clínicos randomizados (ECRs) incluídos nas revisões sistemáticas são fatores limitantes para a confiabilidade dos dados apresentados.

Palavras-chave: Terapia por Ultrassom, Modalidades de Fisioterapia, Doenças Musculoesqueléticas, Literatura de Revisão como Assunto

RELATO DE CASO

9 - Tratamento intensivo do linfedema, pós-tratamento de câncer de mama, em pacientes com lesão neurológica

Intensive treatment of breast cancer-related lymphedema in patients with neurological injuries

Maria de Fatima Guerreiro Godoy; Daniel Libanori; Renata Lopes Pinto; Jose Maria Pereira de Godoy

Acta Fisiátr.2013;20(3):161-163

O objetivo do presente estudo é relatar o tratamento intensivo do linfedema, após câncer de mama, em paciente com perda da força muscular do membro. Relata-se o caso de uma paciente de 51 anos de idade, que evoluiu com linfedema pós-tratamento do câncer de mama, com mastectomia + esvaziamento axilar + quimioterapia e radioterapia. Após procurar a Clínica Godoy para tratamento em agosto de 2012, foi avaliada com a bioimpedância e volumetria inicial e diária. Realizou tratamento intensivo durante três dias consecutivos, por um período de 6 horas, com Terapia Linfática Manual, Terapia Linfática Mecânica (RA Godoyr) e uso de braçadeira de gorgorao, sendo feitos ajustes diários. Na avaliação inicial, apresentava dor de intensidade 10 (Escala de Dor), parestesia em todo o braço e uma diferença de volume total do edema de 577g em relação ao membro contra-lateral. No primeiro dia de tratamento obteve redução da parestesia com o uso da braçadeira de gorgorao e Terapia Linfática Mecânica; no segundo dia, a dor havia diminuído para a intensidade sete (Escala de Dor); no terceiro dia, a dor diminuiu para intensidade cinco (Escala de Dor) e a diferença de volume total do edema passou a ser de 193g. A paciente retornou para sua casa mantendo as mesmas recomendações e tratamento propostos na clínica. O acompanhamento é feito com avaliações de rotina e orientações sobre a importância do uso da braçadeira de gorgorao e drenagem linfática mecânica.

Palavras-chave: Neoplasias da Mama, Linfedema, Reabilitação, Resultado de Tratamento

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - Etapas da elaboração do Instrumento de Classificação do Grau de Funcionalidade de Pessoas com Deficiência para Cidadaos Brasileiros: Indice de Funcionalidade Brasileiro - IF-Br

Development of a grading instrument of functioning for Brazilian citizens: Brazilian Functioning Index - IF-Br

Ana Cristina Franzoi; Denise Rodrigues Xerez; Maurício Blanco; Tatiana Amaral; Antonio José Costa; Patricia Khan; Shirley Rodrigues Maia; Carolina Magalhaes; Izabel Loureiro Maior; Miryan Bonadiu Pelosi; Normélia Quinto dos Santos; Manuel Thedim; Lailah Vasconcelos de Oliveira Vilela; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2013;20(3):164-170

Os sistemas usados no Brasil para definir a incapacidade variam de acordo com o setor. A partir de uma recomendação da Presidência da República, uma força-tarefa interministerial foi organizada em janeiro de 2011 para desenvolver um modelo único de avaliação e classificação da incapacidade a ser usado em todo o país. O grupo de trabalho partiu de uma avaliação ampla de informações biodemográficas das pessoas com deficiência no Brasil obtidas a partir de fontes como o censo populacional, censo escolar, relação anual de informações sociais e pesquisa de informações básicas municipais, bem como grupos focais realizados com representantes de vários estados da federação, diferentes deficiências e faixas etárias. Por meio de reunioes mensais num período de 8 meses, foi escolhido o modelo conceitual da Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Saúde como base teórica e partir do qual foram selecionadas as 41 atividades e fatores ambientais que deveriam ser contemplados no em cada uma delas. A pontuação de cada atividade foi definida numa escala de 25 a 100, de acordo com o nível de independência. Ajustes para crianças foram realizados comparando o instrumento ao desenvolvimento esperado para cada faixa etária de acordo com a descrição presente em outros instrumentos. Além da avaliação quantitativa do grau de incapacidade, foi desenvolvida uma avaliação qualitativa seguindo a lógica fuzzy, específica para as deficiências visual, motora, auditiva e intelectual. A definição de notas de corte não foi efetuada e exige estudos futuros.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Políticas Públicas de Saúde, Pessoas com Deficiência, Ambiente, Questionários, Brasil

Número atual: Dezembro 2013 - Volume 20  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Retorno ao trabalho de pacientes com amputação traumática de membros inferiores

Return to work in traumatic lower limb amputees patients

Márcia Cristina Matos Macêdo; Therezinha Rosane Chamlian; Caio Augusto Pereira Leal; Mariana Matteis Martins Bonilha; Flávia Rezende

Acta Fisiátr.2013;20(4):179-182

O paciente com amputação traumática é, em geral, aquele com pouca ou nenhuma comorbidade e está no auge da vida produtiva. Mesmo em condições de reabilitação adequada, diversos autores têm citado dificuldade no processo de retorno à atividade laborativa, e a sua relação com outros determinantes além da aptidao física.
OBJETIVO: Avaliamos o índice de retorno ao trabalho após reabilitação de pacientes atendidos no Lar Escolar São Francisco de Jan/2007 a Dez/2010 com amputação traumática de membros inferiores.
MÉTODO: Foram pesquisados os fatores sociais e econômicos possivelmente relacionados a esse desfecho. A amostra final foi de 13 pacientes, todos com amputação unilateral, com uso regular da prótese. Dois eram do sexo feminino. Nove (69%) retornaram ao trabalho. Outras seqüelas consideráveis estavam presentes em 23% dos pacientes - lesão de plexo braquial e dor fantasma - e se mostrou o fator isolado mais importante para o não retorno ao trabalho.
RESULTADOS: Não encontramos relação importante entre retorno ao trabalho e fatores como recebimento de benefício previdenciário, idade ou amputação por acidente de trabalho.
CONCLUSÃO: Há dados ainda inconclusivos que justificam a realização de novos estudos sobre a relação independente entre os diversos fatores mencionados e o retorno ao trabalho de pacientes amputados.

Palavras-chave: Amputados, Extremidade Inferior, Reabilitação, Readaptação ao Emprego

2 - Análise dos índices de reabilitação para o trabalho nos pacientes amputados na regiao sul de Santa Catarina no ano de 2011

Analysis of indices for rehabilitation work in amputees in the southern region of Santa Catarina of the year 2011

Davi Francisco Machado; Marcelo Emilio Beirao

Acta Fisiátr.2013;20(4):183-186

As amputações geram um importante impacto socioeconômico, com perda da capacidade laboral, de socialização e, consequentemente, da qualidade de vida, associando-se à alta morbidade, incapacidade e mortalidade. Dentre as suas etiologias, as secundárias ao trauma representam uma importante fonte de incapacidade e limitação funcional entre adolescentes e adultos jovens. Os objetivos finais da amputação costumam ser a otimização funcional do paciente e a redução do nível de morbidade. Neste momento, o retorno ao trabalho precisa ser francamente incentivado, pois proporciona bem estar, melhora da autoestima e do convívio social, além de dar mais um sentido a vida destes indivíduos.
OBJETIVO: Conhecer o índice de reabilitação para o trabalho nos pacientes amputados acompanhados pelo Instituto Nacional de Seguro Social na Regiao Sul de Santa Catarina, no ano de 2011, avaliando o índice de retorno ao mercado de trabalho, além de verificar o acesso às próteses disponibilizadas pelo INSS, as principais etiologias das amputações, o sexo e a faixa etária mais comuns.
MÉTODO: Este estudo foi realizado através da análise dos dados obtidos por prontuários do INSS - Unidade de Criciúma (SC), de pacientes atendidos neste local no ano de 2011.
RESULTADOS: A amostra foi composta por 83 cadastros, 74 homens e 9 mulheres, com média de idade de 37,27 anos. Nos prontuários disponíveis, 87,3% apresentavam trauma como etiologia da amputação, 54,3% retiraram o membro esquerdo e 90,4% os membros inferiores. Sessenta pacientes (72,3%) receberam a prótese, porém somente 62,7% adaptaram-se a ela e usaram-na. Treze prontuários (15,7%) relatavam dor fantasma. O retorno ao trabalho foi visualizado em 78% dos casos. Não houve relevância estatística na análise da reinserção trabalhista de acordo com cada variável estudada.
CONCLUSÃO: Encontramos uma taxa satisfatória de retorno ao trabalho, ato que pode ser atribuído à eficácia do Serviço de Reabilitação do INSS. Outros estudos podem ser realizados para avaliarem o tempo entre a cirurgia e o recebimento da prótese e para analisarem o retorno à atividade profissional anterior ao procedimento. Maiores amostras são necessárias para inferir quais as variáveis mais envolvidas ao retorno ao trabalho.

Palavras-chave: Amputação, Aparelhos Ortopédicos, Reabilitação, Retorno ao Trabalho

3 - Validação e reprodutibilidade da versão em Português da Lower Limb Amputee Measurement Scale

Validation and reliability of the Lower Limb Amputee Measurement Scale in Portuguese

Beatriz Sernajoto Cristiani; Juliana Mantovani de Resende; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(4):187-193

A LLAMS é uma escala criada em 2007 com o objetivo de prever o tempo de permanência hospitalar de amputados de membros inferiores; é constituída de 6 domínios (médico, cognitivo, social, físico, atividades de vida diária e outros) e a versão em português da LLAMS foi criada em 2008.
OBJETIVO: Validar a versão em português da LLAMS e avaliar sua reprodutibilidade inter e intra-avaliador.
MÉTODO: A LLAMS foi aplicada em 50 amputados de membro inferior atendidos no Lar Escola São Francisco. A reprodutibilidade foi analisada por duas avaliadoras que efetuaram 3 entrevistas utilizando a LLAMS. As duas primeiras entrevistas foram realizadas no mesmo dia, sendo que a primeira entrevista foi realizada pela primeira avaliadora e a segunda entrevista foi realizada pela segunda avaliadora. Entre 7-15 dias depois, a primeira avaliadora reaplicou a LLAMS nos pacientes pela terceira vez. Além disso, foi verificada a correlação da LLAMS.
RESULTADOS: Na reprodutibilidade intra-avaliador, os domínios Médico e Social obtiveram concordância ótima; já os domínios Cognitivo, Físico, Outros e o Total da escala obtiveram concordância substancial. Na avaliação inter-avaliador, o domínio Médico obteve concordância ótima e os domínios Cognitivo, Outros e o Total da escala obtiveram concordância substancial. Na correlação entre as escalas, o domínio Cognitivo da LLAMS apresentou significante correlação com o item comunicação da MIF (p = 0,0045); após regressão linear foi observada relação inversamente proporcional entre esses itens. Os demais domínios das escalas não apresentaram correlação com a MIF e o SF-36.
CONCLUSÃO: Foi realizada a validação da versão em português da Lower Limb Amputee Measurement Scale. Todos os domínios apresentaram reprodutibilidade de moderada a ótima, com exceção do domínio AVD que obteve mínima concordância na avaliação inter-avaliador. O domínio cognitivo da LLAMS apresentou correlação inversamente proporcional com o item Comunicação da MIF. Não houve correlação entre o SF-36 e a LLAMS.

Palavras-chave: Amputados, Escalas, Estudos de Validação, Reabilitação

4 -  Avaliação pré e pós protética da circumetria dos cotos de amputados transtibiais

Pre-and post prosthetic transtibial stump circumference

Adriane Daolio Matsumura; Juliana Mantovani de Resende; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(4):194-199

O edema no coto é umas das complicações mais comuns após uma amputação e pode ser reduzido com o enfaixamento elástico, sendo controlado por medidas da circumetria, utilizando-se fita métrica. A protetização precoce e a prevenção de contraturas são prioridades na reabilitação.
OBJETIVO: Avaliar as medidas da circumetria do coto de amputados transtibiais, após o período pré-protetização e pós-protetização.
MÉTODO: Foram incluídos sete pacientes amputados transtibiais, com média de idade de 54 anos. Foram consideradas três medidas da circumetria: medida 1 (durante a avaliação da Fisiatria), medida 2 (no 1º dia com prótese - período pré-protetização) e medida 3 (após 12 semanas de uso de prótese - período Pós-Protetização).
RESULTADOS: Os dados mostraram a variação das medidas da circumetria dos cotos dos pacientes, tanto no período pré-protetização, como no pós-protetização.
CONCLUSÃO: O período pré-protetização, com o uso de enfaixamento elástico e realização de exercícios, assim como o pós-protetização, com o treino de marcha com prótese, são capazes de alterar a circumetria do coto. Sugere-se a confecção de uma prótese provisória até a estabilização das medidas do coto para posteriormente confeccionar a prótese definitiva.

Palavras-chave: Amputação, Cotos de Amputação, Membros Artificiais, Extremidade Inferior

5 - Análise funcional e prognóstico de marcha no paciente amputado de extremidade inferior

Functional outcome and gait prognosis on the lower limb amputee

Therezinha Rosane Chamlian; Miriam Weintraub; Juliana Mantovani de Resende

Acta Fisiátr.2013;20(4):200-206

A amputação da extremidade inferior pode afetar a condição física, psíquica e social de um indivíduo. A reabilitação pré e pós protetização é importante para melhorar a funcionalidade e habilidade de deambulação. Os pacientes devem ser avaliados de forma precisa e para isso existem instrumentos específicos como a Amputee Mobility Predictor (AMP), que é uma escala de fácil aplicação cuja função seria predizer o prognóstico funcional dos pacientes.
OBJETIVO: Avaliar o valor preditivo dos resultados da escala AMP em pacientes submetidos à amputação unilateral da extremidade inferior, que realizaram o tratamento de reabilitação no Lar Escola São Francisco - Centro de Reabilitação entre 2007 e 2010.
MÉTODO: Foi realizado um estudo longitudinal prospectivo, com a aplicação da AMP em 73 pacientes com amputação unilateral transtibial ou transfemoral antes do programa de reabilitação. Vinte e dois pacientes foram reavaliados após receberem alta da reabilitação. Os dados encontrados foram tabulados e submetidos à análise estatística; nível de significância adotado foi de p < 0,05.
RESULTADOS: Houve aumento significativo da pontuação da avaliação inicial e da avaliação final da AMP, tanto no grupo transtibial como no grupo transfemoral. Não houve diferença entre os grupos quanto ao intervalo entre a amputação e o início do tratamento, nem ao tempo de reabilitação. Encontrou-se correlação entre o aumento da idade dos pacientes com menor pontuação da AMP ao final da reabilitação.
CONCLUSÃO: A escala AMP não foi preditiva em relação à funcionalidade e ao prognóstico de marcha dos pacientes amputados unilateralmente da extremidade inferior que realizaram a reabilitação no Lar Escola São Francisco - Centro de Reabilitação entre 2007 e 2010.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Marcha, Reabilitação

6 - Avaliação do padrao postural e marcha de pacientes amputados vasculares transtibiais protetizados

Postural pattern evaluation and gait of unilateral transtibial dysvascular amputees with prosthesis

Therezinha Rosane Chamlian; Pedro Giaffredo Angrisani; Juliana Mantovani de Resende; Melissa Leandro Celestino; Karina Gramani Say; Ana Maria Forti Barela

Acta Fisiátr.2013;20(4):207-212

OBJETIVO: Avaliar o padrao postural e a marcha de pacientes amputados transtibiais unilaterais, de etiologia vascular que realizaram o processo de protetização e reabilitação no setor de Fisioterapia do Lar Escola São Francisco - Centro de Reabilitação.
MÉTODO: Trata-se de um estudo Observacional Prospectivo Transversal. Participaram do estudo oito sujeitos com média de idade de 60, 4 anos, submetidos à amputação transtibial unilateral até 5 anos da data da análise, por etiologia vascular e que concluíram o processo de protetização com alta da reabilitação até 24 meses. Foi avaliado o padrao postural com o paciente em ortostatismo, sobre uma plataforma de força com os olhos abertos e olhos fechados alternadamente, e também foi avaliada a marcha em uma passarela de 6 metros utilizando uma plataforma de força nivelada e escondida no meio da passarela. Foram colocados marcadores reflexivos no quinto metatarso, maléolo lateral, côndilo lateral do fêmur e trocânter maior, pois duas filmadoras foram dispostas lateralmente para a obtenção das imagens e sendo sincronizadas com a plataforma de força.
RESULTADOS: Os dados achados para controle postural em amplitude média de oscilação MANOVA revelaram diferença na visão (olhos abertos e olhos fechados) para direções ântero-posterior (F1,7 = 13.223 p < 0,05) e médio-lateral (F1,7 = 7.872 p < 0,05). Na análise de marcha, a velocidade média foi de 0,72 (m/s) ± 0,18, e não foram achadas diferenças significativas na comparação entre os dois membros nos dados analisados.
CONCLUSÃO: O estudo demonstrou aumento significativo da oscilação em ortostatismo dos indivíduos com os olhos fechados em comparação com olhos abertos. Parâmetros da marcha não tiveram diferença significativa entre o membro protético e o não protético.

Palavras-chave: Marcha, Amputados, Postura, Avaliação

7 - Tradução e adaptação cultural da escala "Lower Limb extremity Amputee Measurement Scale" para a língua portuguesa

Translation and cultural adaptation of the scale "Lower Limb extremity Amputee Measurement Scale" into Portuguese

Ana Maria Vieira Gardin; Juliana Mantovani de Resende; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(4):213-218

OBJETIVO: Traduzir a versão original da escala Lower Limb extremity AmputeeMeasurement Scale (LLAMS) da língua inglesa para a portuguesa; verificar o nível de compreensão da escala entre os profissionais da saúde e construir uma versão adaptada culturalmente aos profissionais da população brasileira.
MÉTODO: Foram realizadas duas traduções da escala original americana para o português, e a tradução consensual foi convertida em duas novas versões para a língua inglesa. Estas duas versões foram comparadas com a versão original do instrumento americano e novamente as divergências foram analisadas e modificadas para um consenso com a versão original. Obteve-se uma versão brasileira da LLAMS modificada que foi avaliada em relação à sua equivalência cultural e conteúdo. A versão brasileira da LLAMS foi aplicada em profissionais da área da saúde (n = 20) para avaliação do nível de compreensão de cada sentença.
RESULTADOS: Na primeira aplicação, obteve-se 35% de não compreensão no item "data clínica," e este item foi substituído por "data da consulta médica". A escala foi entao reaplicada, obtendo-se 100% de compreensão.
CONCLUSÃO: Foi realizada a tradução e a adaptação cultural da versão original do LLAMS da língua inglesa para a portuguesa e quantificou-se o nível de compreensão dos profissionais, obtendo-se 100% de compreensão dos itens após duas aplicações. Com isso, construiu-se uma versão adaptada culturalmente aos profissionais e pacientes da população brasileira.

Palavras-chave: Escalas, Avaliação, Amputados, Reabilitação

8 - Perfil epidemiológico dos pacientes amputados de membros inferiores atendidos no Lar Escola São Francisco entre 2006 e 2012

Epidemiological profile of lower limb amputees patients assisted at the Lar Escola Sao Francisco between 2006 and 2012

Therezinha Rosane Chamlian; Renata dos Ramos Varanda; Caio Leal Pereira; Juliana Mantovani de Resende; Cecília Caruggi de Faria

Acta Fisiátr.2013;20(4):219-223

OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico dos pacientes amputados de membros inferiores atendidos no Lar Escola São Francisco de 2006 a 2012.
MÉTODO: A coleta de dados foi realizada de modo retrospectivo com 474 prontuários selecionados para verificar: gênero, idade, etnia, etiologia e nível de amputação, doenças associadas, intervalos de tempo entre a amputação e avaliação inicial e entre a avaliação inicial e a alta, presença de dor fantasma, uso de dispositivo auxiliar para marcha ou locomoção e independência em AVD. Os dados foram analisados descritivamente (porcentagem e média) e foi utilizado o teste do qui-quadrado, com p < 0,05, como teste de diferença de proporção para etnia e etiologia.
RESULTADOS: Trezentos e trinta e nove pacientes (72%) eram homens com média de idade de 56,2 anos; os níveis de amputação foram 43% transfemoral e 44% transtibial; a etiologia da amputação foi vascular em 341 pacientes (72%) sendo 73% em caucasianos; hipertensão arterial sistêmica e diabetes melitus foram as doenças associadas mais prevalentes; 267 pacientes (56%) foram protetizados, 100 pacientes (21%) abandonaram o tratamento.
CONCLUSÃO: A população de amputados atendida no Lar Escola São Francisco no período estudado é composta, em sua maioria, por pacientes do gênero masculino, na quinta década da vida, com amputação de origem vascular nos níveis transfemoral e transtibial. Pouco mais da metade é protetizado, o índice de abandono do tratamento é elevado e o intervalo de tempo para reabilitação ainda é longo.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Centros de Reabilitação

9 - Ansiedade, depressão e desesperança em pacientes amputados de membros inferiores

Anxiety, depression and hopelessness in lower limb amputees patients

Stephanie Di Martino Sabino; Richelle Maitê Torquato; Adriana Cristina Guimaraes Pardini

Acta Fisiátr.2013;20(4):224-228

Amputação consiste na retirada de um membro, total ou parcialmente, por cirurgia ou trauma. A causa mais frequente de amputações é vascular (75% em membros inferiores), seguida por traumas (20%) e tumores (5%). Após a amputação, o paciente geralmente passa por uma série de reações emocionais. Dentre as mais comuns, pacientes amputados podem apresentar quadros de ansiedade, depressão e desesperança.
OBJETIVO: Verificar a incidência de Ansiedade, Depressão e Desesperança em pacientes com amputação de membros inferiores que chegaram ao Centro de Reabilitação.
MÉTODO: Participaram desta pesquisa 31 pacientes no período de maio a agosto de 2011. Os pacientes foram submetidos à realização de um questionário de caracterização da amostra e as escalas Beck de Ansiedade, Depressão e Desesperança.
RESULTADOS: Os pacientes que tinham companheiro apresentaram menores níveis de Ansiedade e Desesperança e os pacientes que saíam semanalmente apresentaram menores pontuações na escala de depressão.
CONCLUSÃO: Os pacientes com amputação de membros inferiores apresentaram boas estratégias de enfrentamento ou estao em processo de negação de sua condição atual, ou ainda aliviados pela melhora do quadro álgico.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Ansiedade, Depressão

ARTIGO DE REVISÃO

10 - Avaliação da qualidade de vida e função em amputados bilaterais de membros inferiores: revisão da literatura

Assessment of quality of life and function in bilateral lower limb amputees: literature review

Therezinha Rosane Chamlian; Marcelo Starling

Acta Fisiátr.2013;20(4):229-233

Amputação de membros inferiores é uma condição de saúde crônica comum e importante causa de incapacidade em longo prazo. Independentemente da causa, a amputação traz uma dramática mudança funcional, prejudicando muitos aspectos da vida diária e conseqüentemente da qualidade de vida (QV).
OBJETIVO: Este estudo tem como objetivo revisar os artigos publicados sobre pacientes com amputação bilateral dos membros inferiores e identificar os instrumentos utilizados para avaliar qualidade de vida e função.
MÉTODO: Foi realizada busca de artigos científicos em bases de dados eletrônicas (MedLine, PubMed e LILACS) e por meio de busca não eletrônica, a partir das referências dos artigos selecionados, sem restrição do ano de publicação, nos idiomas português, inglês, francês e espanhol.
RESULTADOS: Foram incluídos 29 estudos.
CONCLUSÃO: Não foi encontrada uma classificação clínica específica globalmente aceita para esta população, e poucos questionários podem ser aplicados a todas as culturas para permitir ao profissional de saúde comparar e compartilhar o desfecho de pessoas com amputação bilateral de membros inferiores.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Marcha, Qualidade de Vida

Número atual: Março 2012 - Volume 19  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Análise das forças de reação do solo durante a marcha de indivíduos sadios com e sem uso de calcanheiras corretivas

Ground reaction forces analyses during the gait of healthy individuals with and without the use of a calcaneus insole

Ana Francisca Rozin Kleiner; Aline Araujo do Carmo; Regina Kletecke; Danielle Burgos; Marcio Ferreira de Souza; Ricardo Machado Leite de Barros

Acta Fisiátr.2012;19(1):1-5

O pé constitui a base de apoio e propulsão para a marcha. É conhecido que a supinação e a pronação excessiva ou prolongada podem alterar a mecânica da marcha. Assim, o uso de calcanheiras corretivas para o desvio do calcâneo (valgo/varo) tem sido recomendado.
OBJETIVO: Deste estudo foi analisar a influência do uso de calcanheiras na marcha de indivíduos normais através da Força de Reação do Solo (FRS).
MÉTODO: Participaram do estudo dez adultos (31,9 ± 6,7 anos, 65,9 ± 15,4 kg e 1,7 ± 0,1 m) sem alterações aparentes de marcha ou patologias com reflexo sobre o aparelho locomotor. Foram comparadas as seguintes condições de marcha: descalça, tênis e tênis com calcanheira. As variáveis dependentes foram as componentes vertical, médio-lateral e ântero-posterior da FRS. Para a análise estatística a ANOVA one-way com medidas repetidas no fator condição (descalço, tênis e calcanheira) foi empregada (α < 0,05). Foram reveladas diferenças estatisticamente significativas entre as condições descalço e calçado com tênis e calcanheira para a componente vertical da FRS na fase de contato inicial Fz1 (F2,59 = 3,4; p < 0,0406) e na fase de apoio terminal para a componente antero-posterior Fy2 (F2,59 = 3,63; p < 0,0332).
RESULTADOS: Esses indicam que o uso de calcanheiras aumenta o impacto vertical sobre o aparelho locomotor na fase de resposta à carga, provavelmente devido a sua maior rigidez comparada ao pé descalço ou calçado com tênis. A calcanheira alterou também o padrao de resposta da componente antero-posterior da FRS na fase de terminal do apoio, que corresponde à fase de aceleração/propulsão na marcha.
CONCLUSÃO: Baseado apenas na análise das variáveis dinâmicas foi possível concluir que o uso de calcanheira não induziu aumento significativo de forças laterais que poderiam indicar redução da pronação ou supinação excessiva durante a fase de resposta à carga. O uso da calcanheira produziu efeito dinâmico significativo sobre a pronação/supinação apenas na fase propulsiva da marcha.

Palavras-chave: marcha, postura, pronação, pé, supinação

2 - Efeito da dominância lateral no desempenho da destreza manual em pessoas com síndrome de Down

Effect of lateral dominance on manual dexterity in people with Down syndrome

Renata Guimaraes; Silvana Maria Blascovi-Assis; Elizeu Coutinho de Macedo

Acta Fisiátr.2012;19(1):6-10

OBJETIVOS: Avaliar o efeito da dominância lateral na destreza manual em um grupo de crianças e adolescentes com Síndrome de Down (SD) e comparar o resultado de participantes com SD com pessãos sem a síndrome.
MÉTODOS: Participaram do estudo 100 crianças e adolescentes de ambos os sexos e idade variando de 7 a 9 anos e de 14 e 15 anos. 50 pessãos tinham diagnóstico de SD (GSD) e 50 sem a síndrome (GC). O Teste Caixa e Blocos (TCB) foi usado por possibilitar avaliação da atividade motora a partir da contagem do número de blocos transferidos entre duas divisões de uma caixa padronizada. O TCB é simples e sua aplicação não demanda habilidades cognitivas complexas.
RESULTADOS: O número de blocos transferidos por minuto foi menor nos participantes do GSD do que os do GC, com evidente desvantagem na destreza manual para ambas as mãos. Não foi observado efeito de dominância no GSD, mas no GC este efeito foi observado com melhor desempenho no lado dominante.
CONCLUSÕES: O TCB foi útil para a quantificação da destreza manual em pessãos com SD já que é de fácil aplicação e compreensão por pessãos com déficit cognitivo.

Palavras-chave: criança, destreza motora, mãos, síndrome de Down

3 - Efeitos da geoterapia e fitoterapia associadas à cinesioterapia na osteoartrite de joelho: estudo randomizado duplo cego

Effects of geotherapy and phytotherapy associated with kinesiotherapy in the knee osteoarthritis: randomized double blind study

Katleen Arthur; Ligia Carla do Nascimento; Delize Alves da Silva Figueiredo; Lucas Barbosa de Souza; Fábio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2012;19(1):11-15

A geoterapia é o uso terapêutico de argilas, que são definidas como materiais naturais terrosos que possuem em sua composição diferentes tipos de minerais.
OBJETIVO: Este trabalho teve como objetivo comparar a dor, mobilidade, descarga de peso e prejuízos funcionais em indivíduos com osteoartrite de joelho, submetidos a dois tipos de tratamentos fisioterapêutico: grupo de geoterapia associada a cinesioterapia (GGC) e grupo de geoterapia associada a fitoterapia e cinesioterapia (GGFC).
MÉTODO: O estudo foi um ensaio clínico randomizado duplo-cego no qual participaram 25 indivíduos de ambos os sexos com idade acima de 43 anos. Ambos submetidos a 10 sessões com duração de 45 minutos. Os indivíduos realizaram as avaliações para verificação da dor pela Escala visual analógica (EVA), para avaliar a mobilidade funcional o teste Timed Up and Go (TUG), para avaliar a incapacidade e sintomas o Questionário Algo funcional de Lequesne, e para medir a descarga de peso entre os membros o Nintendo Wii Fitr.
RESULTADOS: Mostraram que apenas o GGFC obteve melhora da mobilidade funcional. Ambos os grupos melhoraram a intensidade da dor e sintomas após a intervenção sendo que a melhora do GGFC foi superior ao GGC em relação aos sintomas da OA. Ambos os grupos não mostraram melhoras quanto à descarga de peso.
CONCLUSÃO: A geoterapia e fitoterapia associada à cinesioterapia podem ser benéficas quanto à redução da dor e prejuízos funcionais associados à OA de joelho.

Palavras-chave: argila, fitoterapia, osteoartrite do joelho, terapia por exercício

4 - Avaliação dos grupos musculares adutores e abdutores do quadril por meio da dinamometria isocinética

Evaluation of hip adductor and abductor muscles using an isokinetic dynamometer

Fábio Teodoro Coelho Lourencin; Osmair Gomes de Macedo; Ennio da Silveira Scarpellini; Júlia Maria D'Andrea Greve

Acta Fisiátr.2012;19(1):16-20

OBJETIVO: Avaliar a atividade dos grupos musculares adutor e abdutor do quadril em adultos jovens através de dinanômetro isocinético.
MÉTODOs: Foram selecionados 20 voluntários do sexo masculino, com idade variando entre 21 e 30 anos para avaliação no dinamômetro isocinético Cybex 6000, nas velocidades angulares de 60º/s e 120º/s.
RESULTADOS: Em relação à dominância, não houve diferença estatística significante nas duas velocidades estudadas. Quanto às duas velocidades estudadas o torque máximo, o trabalho total e a potência média apresentaram diferença estatística significante em todas as comparações. Na comparação entre os grupos musculares foi observada diferença estatisticamente significante para o trabalho total com valores médios maiores no grupo muscular abdutor em ambas as velocidades estudadas e para a potência média foi encontrado valores médios maiores na velocidade de 120º/s no mesmo grupo muscular.
CONCLUSÃO: Não foi observada diferença estatística significante em relação à dominância. Na comparação entre as velocidades, todas as variáveis apresentaram diferença estatística significante com predomínio do torque máximo e do trabalho total a 60º/s e da potência média a 120º/s. Quanto à comparação entre os grupos musculares, foi observada diferença estatística significante para o trabalho total em ambas as velocidades e para a potência média na velocidade de 120º/s.

Palavras-chave: articulação do quadril, biomecânica, dinamômetro de força muscular

5 - Efeitos da imersão nos parâmetros ventilatórios de pacientes com distrofia muscular de Duchenne

Effects of immersion on the breathing parameters of patients with Duchenne muscular dystrophy

Camila de Almeida; Raphael Augusto Fernandes de Oliveira; Daiane Spalvieri; Douglas Braga; Maria Misão

Acta Fisiátr.2012;19(1):21-25

Em muitos centros de reabilitação, a fisioterapia aquática é utilizada para o tratamento de pacientes com distrofia muscular de Duchenne (DMD). Entretanto, são escassas as evidências científicas sobre os efeitos da imersão nos parâmetros ventilatórios desses pacientes.
OBJETIVO: Avaliar os efeitos da imersão no nível da sétima vértebra cervical (C7) com relação aos parâmetros ventilatórios de pacientes com DMD.
MÉTODO: Participaram do estudo quinze meninos com diagnóstico de DMD e média de idade de 12 anos. Coletados dados gerais e história clínica, os pacientes foram avaliados em solo e em imersão sob seguintes parâmetros: Saturação parcial de oxigênio (SpO2), frequência cardíaca (FC), pressões inspiratórias (PI Máx.) e expiratórias (PE Máx.) máximas, Volume Minuto (VM), Frequência Respiratória (FR), Volume Corrente (VC), Capacidade Vital Forçada (CVF) e Pico de Fluxo Expiratório (PFE). A SpO2 sofreu uma redução após a avaliação no meio líquido quando comparada aos valores anteriores à avaliação no mesmo meio (p = 0,01).
RESULTADOS: A FR foi maior em meio líquido que em solo (p = 0,02). As PI Máx. e as PE Máx. não se modificaram em meio líquido. Dentre os volumes analisados, a CVF e o PFE apresentaram valores menores em meio líquido quando comparada aos valores mensurados em solo (p = 0,004). VM e VC não sofreram alteração. Ao se relacionar os valores de CVF em solo e em meio líquido, assim como, os valores de PFE, observa-se que há correlação positiva entre os dados coletados em solo e em meio líquido (CVF: r = 0,692, p = 0,006; PFE: r = 0,913, p = 0,0001). A imersão no nível de C7 foi capaz de reduzir a CVF e o PFE de pacientes com DMD, bem como provocar aumento da FR dos mesmos.
CONCLUSÃO: Com os dados de correlação entre valores em solo e em meio líquido da CVF e do PFE, há possibilidade de se sugerir um valor para estas variáveis em meio líquido a partir de valores mensurados em solo. Estes dados podem fornecer um melhor embasamento para avaliar a indicação de atividades em meio líquido para pacientes com DMD, em diferentes estágios de evolução da doença.

Palavras-chave: distrofia muscular de duchenne, hidroterapia, imersão, ventilação pulmonar

6 - Imagem corporal em pessoas com esclerose múltipla ativas e sedentárias

Body Image in active and sedentary people with multiple sclerosis

Maria da Consolação Gomes Cunha Fernandes Tavares; Angela Nogueira Neves Betanho Campana

Acta Fisiátr.2012;19(1):26-31

OBJETIVO: Desta pesquisa foi verificar aspectos perceptivos e atitudinais da imagem corporal pessãos com Esclerose Múltipla e as diferenças destas variáveis entre praticantes e não praticantes de atividade física.
MÉTODO: Esta foi uma pesquisa descritiva e exploratória, de corte transversal. A amostra foi composta por 26 voluntários, com Expanded Disability Status Scale (EDSS) até 6. Os instrumentos utilizados foram: o Software de Avaliação Perceptiva (SAP), o Adaptive Probit Estimation, Escala de Apreciação do Próprio Corpo, Escala de Sintomas e um questionário demográfico. Os dados nominais foram submetidos a uma análise descritiva e os intervalares à análises inferenciais.
RESULTADOS: Principais indicam acurácia na percepção do corpo, com alta sensibilidade a mudanças corporais, sendo os praticantes de atividade física os mais sensíveis. Ainda, que 73% estao insatisfeitos com sua aparência e que o tipo de dor em formigamento é a queixa mais frequente. Não houve uma associação entre insatisfação com partes do corpo e áreas dolorosas, e os motivos para a insatisfação aglutinam-se em razoes estéticas.
CONCLUSÃO: A prática regular de atividade física parece contribuir para aumentar a percepção corporal, mas não a satisfação com o corpo. A dor estabeleceu-se como um fato real, porém independente da aparência física, indicando aos profissionais de saúde que trabalham com estas pessãos que a aparência e a função do corpo são elementos distintos da identidade corporal, e tanto um quanto o outro provoca impacto na relação do sujeito com seu corpo.

Palavras-chave: dor, esclerose múltipla, imagem corporal

7 - Funcionalidade após a cirurgia de quadril: correlação entre equilíbrio, idade, independência e depressão em idosos

Functionality after hip surgery: correlation between balance, age, independence, and depression among the elderly

Marcela de Abreu Silva Couto, Rodrigo Reiff, Alessandra Paiva de Castro

Acta Fisiátr.2012;19(1):32-36

OBJETIVO: Verificar correlações entre a idade e o equilíbrio, a independência, tempo de internação, e a depressão em idosos que sofreram fratura do quadril após quedas.
MÉTODO: A amostra consecutiva incluiu idosos que sofreram fratura de quadril há até 24 meses. Foram avaliados 14 idosos (12 mulheres e dois homens), com idade média de 78 anos ± 6,9. Foi aplicado um questionário para obtenção de dados gerais, Time Up and Go (TUG test), Escala de Equilíbrio Berg (EEB), Escala de Depressão Geriátrica Abreviada (EDGA), Indice de Barthel e Razao cintura-quadril (RCQ). Foi aplicado ANOVA one-way, teste t e teste de correlação de Pearson com um nível de significância de 5%.
RESULTADOS: As médias dos testes: EEB (35,38 ± 33,06), o TUG test (28,40 ± 10,59); a EDGA pré-queda 6,33 ± 1,52; a EDGA pós-queda 7,66 ± 1,52; o RCQ 1,05 ± 0,35 para homens e 0,92 ± 0,12 para mulheres. O Indice de Barthel pré-queda 16, 20 ± 5,4 e o Indice de Barthel pós-queda 15,12 ± 6,78. Quanto maior a idade, maior é o tempo de internação e que não há correlação entre idade e função (IC: 0,643; valor p < 0,013). Houve correlação negativa entre idade e equilíbrio, mas a idade não está relacionada ao nível de depressão (IC: -0,556; valor p < 0,048).
CONCLUSÃO: Foi verificada correlação positiva entre idade e tempo de internação e correlação negativa entre idade e equilíbrio. Houve a diminuição da pontuação de EEB, aumento do tempo do TUG Test e aumento da RQC.

Palavras-chave: acidentes por quedas, equilíbrio postural, fraturas do fêmur, fraturas do quadril, idoso

ARTIGO DE REVISÃO

8 - A influência da terapia por exercício com espelho nas limitações funcionais dos pacientes hemiparéticos: uma revisão sistemática

The influence of mirror therapy on functional limitations of hemiparetic patients: a systematic review

Lívia Portugal da Conceição; Priscila de Souza; Leyne de Andrade Cardoso

Acta Fisiátr.2012;19(1):37-41

O objetivo do estudo foi verificar a influência da terapia por exercício com espelho (TEE) nos déficits sensoriais e motores dos pacientes hemiparéticos acometidos por Acidente Cerebrovascular (ACV), através de revisão sistemática.
MÉTODO: Foi realizada a revisão nas bases de dados LILACS, MEDLINE, SciELO e PubMed, referente aos últimos 12 anos. A qualificação dos artigos foi feita através da plataforma PEDro.
RESULTADOS: Foram incluídos no trabalho cinco artigos em que todos eram ensaios clínicos, randomizado e controlado, que utilizaram a TEE no tratamento de pacientes hemiparéticos. A pontuação dos estudos variou de 4 a 7 pela escala PEDro, com uma nota média de 6,2.
DISCUSSÃO: Alguns estudos mostraram que a TEE é benéfica para aumentar a destreza, amplitude e velocidade do movimento, e outros evidenciaram que há uma maior função e recuperação motora nos pacientes tratados com a TEE. Um estudo analisou pacientes hemiparéticos na fase aguda do ACV e com a Síndrome da dor complexa regional tipo 1 (SDCRt1) e verificou que a TEE aumenta a função motora e sensorial.
CONCLUSÃO: A TEE é benéfica para a recuperação motora, função sensório-motora e para a diminuição da dor. Indivíduos acometidos por ACV necessitam de fisioterapia e, claro, a quantidade de terapia pode influenciar no aprendizado motor, bem como a plasticidade neural. Sabemos a importância da estimulação de forma intensiva para aumentar a capacidade adaptativa do Sistema Nervoso Central em resposta a experiências, adaptações e condições diversas a estímulos repetidos. Dessa forma, se faz necessária a realização de novos protocolos de atendimento com diferentes frequências para evidenciar futuros resultados com a realidade em centros de reabilitação.

Palavras-chave: acidente vascular cerebral, destreza motora, reabilitação, terapia por exercício

RELATO DE CASO

9 - Interferência da fisioterapia aquática na agilidade de paciente com distrofia muscular de Duchenne não deambulador

The impact of aquatic therapy on the agility of a non-ambulatory patient with Duchenne muscular dystrophy

Kaitiana Martins da Silva; Douglas Martins Braga; Ricardo Cristian Hengles; Allan Rogers Venditi Beas; Fernanda Moraes Rocco

Acta Fisiátr.2012;19(1):42-45

A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é uma doença progressiva. A incapacidade de andar em geral acontece no início da adolescência, posteriormente ocorre à restrição na cadeira de rodas (CR), nesta fase da doença a cadeira de rodas é a única forma de locomoção. A agilidade na CR é um fator fundamental para a independência funcional desses indivíduos.
OBJETIVO: O objetivo deste trabalho é verificar a interferência da fisioterapia aquática na agilidade de uma criança com DMD não deambuladora.
MÉTODO: Este estudo é de caráter clínico prospectivo intervencional. O paciente foi submetido a dez sessões de fisioterapia aquática como forma de intervenção, utilizando como instrumentos de avaliação: Escala EgenKlassifikationteste de agilidade em ziguezague, saturação de oxigênio (SatO2), frequência respiratória (FR), capacidade vital forçada (CVF), volume corrente (VC), volume minuto (VM), pico de fluxo de tosse (PFT), pressão inspiratória (PImáx) e pressão expiratória máxima (PEmáx). O protocolo de intervenção da fisioterapia aquática foi definido com enfoque na agilidade com deslocamento com CR.
RESULTADOS: Foi possível observar melhora da agilidade no deslocamento com cadeira de rodas, manutenção do escore da escala EK, diminuição do VC, VM e PFT.
CONCLUSÃO: Os resultados demonstraram que para este paciente a fisioterapia aquática pode interferir de forma positiva na agilidade no deslocamento com a cadeira de rodas.

Palavras-chave: criança, distrofia muscular de duchenne, hidroterapia

10 - Estimulação elétrica funcional otimizada em pacientes com hemiparesia por doença cerebrovascular

Functional electrical stimulation optimized in patients with hemiparesis due to cerebrovascular disease

Simone Hitomi Oshiro; Carolina Lemes de Oliveira; Amanda Carolina da Silva Bim; Gisele Saraiva Reis de Oliveira; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2012;19(1):46-49

A Estimulação Elétrica Funcional (FES) é uma das técnicas utilizadas em pacientes com sequelas motoras como a hemiparesia após acidente vascular cerebral (AVC). Estudos recentes mostram resultados positivos para o uso de FES no aumento da força muscular isométrica de extensores de punho e redução do tônus para pacientes com extensão ativa de punho superior a 20º antes da intervenção.
OBJETIVO: Com relação à amplitude de movimento e redução do tônus para pacientes com 10º e 20º de extensão ativa de punho, não se observaram ganhos significativos.
MÉTODO: Este estudo avaliou a eficácia da estimulação elétrica funcional otimizada (FES-O) por duas semanas sobre a destreza manual e a amplitude de movimento (ADM) em três indivíduos apresentando hemiparesia decorrente de AVC.
RESULTADOS: Todos os pacientes apresentaram melhora em um ou mais itens da avaliação (destreza manual e ADM).
CONCLUSÃO: Podemos concluir que a aplicação de estimulação de acordo com este novo parâmetro mostrou-se benéfica,em pouco tempo de estimulação naquelespacientes com apenas esboço de movimento de dedos.

Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

Número atual: Junho 2012 - Volume 19  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Acidente vascular cerebral crônico: reabilitação

Chronic cerebral vascular accident: rehabilitation

Thaís Tavares Terranova; Fabiola Olea Albieri; Munique Dias de Almeida; Denise Vianna Machado Ayres; Sissi Farrardo da Cruz; Mariana Vita Milazzotto; Denise Rodrigues Tsukimoto; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):50-59



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

2 - Acidente vascular encefálico agudo: reabilitação

Acute encephalic vascular accident: rehabilitation

Igor Kaoru Naki; Thais Amanda Rodrigues; Tatiana Simoes de Andrade; Ana Paula de Carvalho Andrade Esotico; Daniella Heyn; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):60-65



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

3 - Câncer de mama: reabilitação

Breast cancer: rehabilitation

Christina May Moran Brito; Maria Inês Paes Lourenção; Maíra Saul; Mellik Bazan; Priscilla Pereira Santos Otsubo; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):66-72



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

4 - Cervicalgia: reabilitação

Neck pain: rehabilitation

Paula Domingues Delfino; Danielle Bianchini Rampim; Fabio Marcon Alfieri; Luis Carlos Onoda Tomikawa; Gustavo Fadel; Patrick Raymond Nicolas Andre Ghislain Stump; Satiko Tomikawa Imamura; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):73-81



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

5 - Exercício em pacientes oncológicos: reabilitação

Exercise for oncological patients: rehabilitation

Elisangela Marinho Pinto Almeida; Rodrigo Guimaraes Andrade; Rebeca Boltes Cecatto; Christina May Moran Brito; Fernanda Pereira de Camargo; Cesar Antonio Pinto; Wellington Pereira dos Santos Yamaguti; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):82-89



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

6 - Lesão medular: reabilitação

Spinal Cord injury: rehabilitation

Marina da Paz Takami; Carmem Silvia Figliolia; Gracinda Rodrigues Tsukimoto; Maria Cecilia dos Santos Moreira; Simone Ferraz; Sofia Bonna Boschetti Barbosa; Tatiana Amadeo Tuacek; Thiago de Oliveira Ramos; Wagner Lopes da Silva; Daniel Rubio de Souza; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):90-98



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

7 - Lombalgia inespecífica crônica: reabilitação

Chronic lumbar pain: rehabilitation

Roberto Del Valhe Abi Rached; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Fabio Marcon Alfieri; Silvia Maria Camillo Amaro; Bruno Nogueira; Luciana Dotta; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):99-113



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

8 - Paralisia cerebral - membros inferiores: reabilitação

Cerebral palsy - lower limbs: rehabilitation

Patrícia Yuri Capucho; Sarah Almeida Del Cid Carnier; Priscila de Souza; Débora Ciotek de Castro; Ana Paula Finocchio; Danieli Morais de Oliveira, Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):114-122



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

9 - Paralisia cerebral - membros superiores: reabilitação

Cerebral palsy- upperlimbs: rehabilitation

Vanessa Cristina Arakaki; Maiara Celina de Carvalho Cardoso; Natalia Cristina Thinen; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):123-129



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

10 - Traumatismo cranioencefálico: reabilitação

Traumatic brain injury: rehabilitation

Tatiane Lopes Teixeira Almeida; Lilian Falkenburg; Roberta Zanardi Ruiz Nascimento; Cristina Arruda Reis; Viviane Carolina Sales; Tatiana Domingues Pedroso; Rebeca Boltes Ceccato; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(2):130-137



Palavras-chave: acidente vascular cerebral/reabilitação, estimulação elétrica, hemiparesia

Número atual: Setembro 2012 - Volume 19  - Número 3

1 - Novos tempos, novas práticas: os desafios na formação dos profissionais de terapia ocupacional

New times, new practices: challenges in the training of occupational therapy

Isa de Jesus Coutinho; Karla Ribeiro dos Santos; Ana Joaquina das Mercês Mariani Passos

Acta Fisiátr.2012;19(3):138-141

A Aprendizagem Baseada em Problemas ABP é um método de ensino-aprendizagem que se baseia em problemas reais ou simulados, focalizando conhecimentos, habilidades, atitudes e valores. Embora várias universidades no mundo tenham experimentado essa metodologia, poucos estudos trazem resultados sobre a sua utilização.
OBJETIVO: Esta pesquisa tem como objetivo descrever a experiência com a ABP no curso de Terapia Ocupacional da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP) em Salvador/Bahia.
MÉTODO: Trata-se de uma abordagem qualitativa, que envolveu dezessete alunas do sexto semestre do curso de Terapia Ocupacional. Um instrumento padrao foi elaborado previamente para a pesquisa contendo sete questoes.
RESULTADOS: Os principais resultados indicaram o uso da metodologia como positivo para a formação do terapeuta ocupacional, mas também o aspecto desafiador que o método apresenta para o aluno iniciante, além da necessidade de melhoria na formação profissional dos docentes envolvidos em sua aplicação.
CONCLUSÃO: A insegurança dos participantes em gerir o próprio conhecimento, ou seja, a qualidade e necessidade do que foi aprendido - o "aprender a aprender, o aprender a ser e o aprender a fazer" - também foi sinalizada.

Palavras-chave: aprendizagem baseada em problemas, educação superior, terapia ocupacional

2 - Conceito Halliwick inclusão e participação através das atividades aquáticas funcionais

The Halliwick Concept, inclusion and participation through aquatic functional activities

Mauricio Koprowski Garcia; Edenilson Cordeiro Joares; Marcelo Alves Silva; Renato Rocha Bissolotti; Suzana Oliveira; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(3):142-150

Este trabalho apresenta os resultados qualitativos e quantitativos de um grupo 674 usuários que por 12 meses participaram do Projeto Halliwick - atividades aquáticas funcionais - do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas FMUSP e suas amplas repercussões na vida da pessão com deficiência. O conceito Halliwick foi desenvolvido em 1949 por James McMillan na Inglaterra e está fundamentado em princípios da hidrostática, hidrodinâmica e na mecânica dos corpos na água.
OBJETIVO: O Programa dos 10 Pontos do conceito Halliwick é a aplicação prática e fornece estrutura aos processos de ensinar e aprender com segurança, lógica e progressivamente.
MÉTODO: O trabalho se desenvolve em grupos que motivam e favorecem a interação social, ao mesmo tempo que otimizam o aprendizado. O Halliwick introduz a água como um novo fator ambiental para se trabalhar estratégias do movimento e controle motor de forma diferente. Os atributos da piscina, especificamente as propriedades físicas de água, promovem o bem estar de estruturas físicas e função corporal, independência funcional, novos padroes de movimentos, entendimento de diferentes conceitos sobre motricidade, processamento sensorial, aprendizado cognitivo, organização de padroes de movimentos e controle de atividades diversas. A fisiologia da imersão responde pela ativação de orgaos e sistemas do corpo melhorando seus desempenhos.
RESULTADOS: Com apoio da Associação Halliwick Internacional e Associação Brasil Halliwick o projeto, pioneiro no país, possibilitou atendimento a milhares de usuários garantindo acesso igualitário, pois foca a inclusão e participação da pessão com e sem deficiência.
CONCLUSÃO: A característica holística do Halliwick influenciou sobre maneira o tradicional ensino de natação e trouxe uma série de refinamentos às técnicas de hidroterapia, demonstrando que programas terapêuticos e recreativos combinados oferecem uma reabilitação contínua para todas as pessãos. Ainda permite o alcance do máximo potencial, trazendo benefícios físicos, psicológicos e social.

Palavras-chave: hidroterapia, imersão, pessoas com deficiência, reabilitação, terapia por exercício

3 - Aptidao motora e atenção em dependentes de drogas psicotrópicas ilícitas

Motor ability and attention span among individuals dependent on illicit psychotropic drugs

André Luiz Bertoncini de Souza; Júlia Magnus Cintrao; Maria Eduarda Merlin da Silva; Adriana Coutinho de Azevedo Guimaraes; Silvia Rosane Parcias

Acta Fisiátr.2012;19(3):151-155

As substâncias psicoativas atuam no sistema nervoso central produzindo alterações mentais e de comportamento levando a manifestações clínicas associadas ao uso abusivo de drogas.
OBJETIVO: Avaliar a aptidao motora e a atenção em indivíduos dependentes de drogas psicotrópicas ilícitas, que se encontravam internados em Hospital Psiquiátrico.
MÉTODO: Estudo de caso único, cuja unidade de análise foi uma unidade hospitalar, o qual avaliou a aptidao motora e a atenção em 10 indivíduos dependentes de drogas psicotrópicas ilícitas, do sexo masculino, com média de idade de 31,9 ± 7,07 anos e média de internação de 23,9 dias. Utilizados os seguintes instrumentos: entrevista estruturada sócio-demográfica e Escala Motora para Terceira Idade (EMTI) adaptada e Teste de Traços (TMT A e B). A idade média de início do consumo 15,1 anos; maior tempo de execução do TMT A e B em todas as faixas etárias.
RESULTADOS: Na aptidao motora geral os indivíduos foram classificados: dois como "superior", dois "normal alto", cinco "normal médio" e um "inferior". A organização temporal foi a variável com desempenho mais baixo.
CONCLUSÃO: Foi encontrado déficit na atenção, com média da aptidao motora geral normal e forte associação negativa ou correlação entre o desempenho motor e atenção.

Palavras-chave: atenção, atividade motora, transtornos relacionados ao uso de substâncias

4 - Independência funcional de idosas residentes em instituições de longa permanência

Functional independence in elderly residents in long-term institutions

Flávia Ravany Carneiro; Ismênia de Carvalho Brasileiro; Thiago Brasileiro de Vasconcelos; Vanessa da Ponte Arruda; Raquel Sampaio Florêncio; Thereza Maria Magalhaes Moreira

Acta Fisiátr.2012;19(3):156-160

OBJETIVO: Avaliar a independência funcional de idosas institucionalizadas no município de Fortaleza - CE.
MÉTODO: Trata-se de um estudo exploratório, descritivo com abordagem quantitativa, realizado com 59 idosas residentes em duas Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPI) no município de Fortaleza - CE, durante o segundo semestre de 2010. O instrumento de avaliação inicial foi constituído por dados pessãois, sócio-demográficos e clínicos. Além disso, foi aplicada a Medida de Independência Funcional (MIF), visando medir o grau de necessidade de cuidados para tarefas motoras e cognitivas.
RESULTADOS: As idosas apresentavam 8,32 (± 9,46) anos de institucionalização. A idade média das participantes foi de 76,72 (± 9,81) anos. A maioria do grupo alimenta-se de modo independente, bem como realizam higiene pessãol e tomam banho. Quanto à locomoção 50,85% deslocam-se sem ajuda, e 62,71% só conseguem subir escadas com auxílio. Quanto à cognição social, possuem boa comunicação, 49,15% não precisam de ajuda para compreender palavras, 62,71% se expressam livremente, e 50,85% possuem déficit de memória.
CONCLUSÃO: As idosas se mostraram independentes, uma vez que são capazes de desempenhar atividades como alimentação, higiene pessãol, banho, mobilidade, e possuem controle esfincteriano sem auxílio. São dependentes de auxílio relacionados à memória e à locomoção em escadas.

Palavras-chave: avaliação em saúde, habitação para idosos, idoso, saúde do idoso institucionalizado

5 - Restrição visual e oscilações corporais ântero-posteriores na doença de Parkinson

Visual restriction and anterior-posterior body oscillations in Parkinson's disease

Mônica Del Rosario Sánchez-Arias; Ana Francisca Rozin Kleiner; Agata Yoko Yasue Hamanaka; Paulo Roberto Pereira Santiago; Lilian Teresa Bucken Gobbi; Florindo Stella

Acta Fisiátr.2012;19(3):161-166

Sem visão poucos ajustes antecipatórios e/ou compensatórios ocorrem na doença de Parkinson e as evidências destes ajustes são menores quando a evolução da doença e as oscilações corporais são consideradas.
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi evidenciar os efeitos da restrição visual sobre os ângulos das oscilações corporais ântero-posteriores na postura ereta de parkinsonianos considerando os estágios inicias de evolução da doença.
MÉTODO: Dez idosos com Doença de Parkinson até o estágio 2 de Hoehn & Yahr (HY) ficaram de pé parados por 30 segundos para medir os ângulos das oscilações corporais com e sem visão.
RESULTADOS: ANOVA two-way com medidas repetidas revelou efeito principal de visão (F(1,7) = 8,931; p < 0,02).
CONCLUSÃO: Os ângulos das oscilações corporais ântero-posteriores sem visão foram maiores do que com visão, estes não diferiram entre si quanto aos estágios de HY e as condições de visão interferiram no controle da postura independente do estágio de evolução da Doença de Parkinson.

Palavras-chave: doença de parkinson, postura, transtorno de movimento estereotipado, transtornos da visão

6 - Prevalência de dor fantasma em amputados do Lar Escola São Francisco

Prevalence of phantom pain among amputees at Lar Escola Sao Francisco

Therezinha Rosane Chamlian; Mariana Matteis Martins Bonilha; Márcia Cristina Matos Macêdo; Flávia Rezende; Caio Augusto Pereira Leal

Acta Fisiátr.2012;19(3):167-170

A fisiopatologia da sensação dolorosa do membro fantasma, ou da dor fantasma, é caracterizada pela reorganização do mapeamento das estruturas representadas no córtex cerebral, um processo de plasticidade sensitiva e motora. Sua presença pode interferir na reabilitação física e psicossocial do paciente amputado, comprometendo a aquisição de habilidades e a qualidade de vida.
OBJETIVO: Aferir a prevalência de dor fantasma nos pacientes amputados do Lar Escola São Francisco (LESF).
MÉTODO: Foram pesquisados os prontuários dos pacientes atendidos no Grupo de Amputações e Próteses no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2010 e analisada a presença ou ausência de queixa de dor fantasma.
RESULTADOS: Dos 330 prontuários analisados, em dez havia referencia de queixa de dor fantasma, equivalendo à proporção de 3,3% dos pacientes.
CONCLUSÃO: A prevalência de dor fantasma foi baixa entre os amputados estudados do LESF. Sua abordagem precisa ser mais bem estudada dentro da avaliação individual do paciente amputado.

Palavras-chave: amputados, dor, membro-fantasma

7 - Estudo sobre as características da dor em pacientes com lesão medular

Study on the characteristics of pain in patients with spinal cord injury

Adriana Vieira Rodrigues; Wesley Araújo Sampaio Vidal; Joseane Andréa Lemes; Carolina Spagnuolo Gôngora; Thalita Correa Neves; Suhaila Mahmoud Smaili Santos; Roger Burgo de Souza

Acta Fisiátr.2012;19(3):171-177

Além da perda da funcionalidade após a lesão medular (LM), a dor é tida como uma das principais complicações mais incapacitantes e vivenciadas no processo de reabilitação, mesmo com o avanço significativo na compreensão da fisiopatologia e tratamento da dor, a abordagem desse sintoma ainda é precária na lesão medular.
OBJETIVO: Descrever as características do quadro álgico nessa população e associar a dor com o tipo de lesão, interferência nas atividades de vida diária (AVD's) e o seu aparecimento.
MÉTODO: Trata-se de estudo transversal com um roteiro de entrevista semiestruturado aplicado a 77 pacientes. Foram calculadas a média e desvio padrao, frequências absolutas e relativas, para a associação entre as variáveis qualitativas foi utilizado teste Qui-quadrado (χ2).
RESULTADOS: A idade foi de 38,26 ± 12,43 anos, sendo 84,4% homens e 80,5% de paraplégicos. Trinta e um foram por acidente automobilístico e 29 por ferimento de arma de fogo, sendo 61,0% com lesão medular completa. Quanto à dor, 44,2% relataram dor severa e 29,8% a moderada, em 50,6% não sentiam dor acima da lesão e 58,4% sentiam-na abaixo. Trinta e nove relataram sentir dor em queimação, 40,0% relataram que a dor surgiu no primeiro ano após a LM. A intensidade da dor foi de 5,44 ± 3,18 pontos, sendo 5,20 ± 3,07 nos homens, 6,75 ± 3,54 nas mulheres, 4,13 ± 3,18 nos tetraplégicos e 5,76 ± 3,12 nos paraplégicos. Para 27 pacientes a dor piorou permanecendo na mesma posição, para 22 melhorou realizando fisioterapia e para 21 com a mudança de posição. Para 68,8% a dor não interferiu nas AVD's. Vinte e oito utilizaram medicação analgésica. Houve associação significativa de que a presença de dor abaixo da lesão interfere nas AVD's (p = 0,04) e surge no primeiro ano após a lesão acima e abaixo da lesão (p = 0,05 e p = 0,01), respectivamente.
CONCLUSÃO: A dor foi prevalente nos lesados medulares, mais evidenciada nas mulheres e na maioria surgiu no primeiro ano após a lesão e interfere AVD's. A fisioterapia e a mudança de posição diminuíram a dor. Portanto, as orientações e intervenções por parte da equipe multiprofissional devem ser imediatas após a lesão, pois a prevenção ou diminuição desta complicação refletirá na melhoria da qualidade de vida e na readaptação do paciente à sua vida familiar e social.

Palavras-chave: atividades cotidianas, dor/complicações, traumatismos da medula espinal

8 - Melhora na qualidade de vida e da dor referida em trabalhadores com síndrome do impacto após aplicação do método Isostretching

Improvement in the quality of life and pain intensity among workers with shoulder impingement syndrome after application of the Isostretching method

Érica Carvalho Barbosa; Claudia Maria Peres; Sérgio Roberto de Lucca; José Inácio de Oliveira

Acta Fisiátr.2012;19(3):178-183

Entre os Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT), a Síndrome do Impacto do ombro (SI) é a principal causa de incapacidade para o trabalho. Além do afastamento do trabalho, muitos casos necessitam de tratamento fisioterapêutico. O método Isostretching pode ser uma das alternativas e pode contribuir para a melhora da qualidade de vida dos trabalhadores com SI.
OBJETIVO: Verificar os efeitos da aplicação de um protocolo de tratamento baseado no método Isostretching, em indivíduos portadores de SI, na melhora da qualidade de vida e intensidade da dor.
MÉTODO: Mediante a analise de prontuários de pacientes, em tratamento no ambulatório de medicina do trabalho e outros ambulatórios da Unicamp, foram selecionados 30 voluntários, submetidos á aplicação de 12 sessões de fisioterapia com o método Isostretching, durante 6 semanas. Os voluntários foram avaliados antes e após o protocolo proposto através do questionário de qualidade de vida SF-36 e escala visual numérica de dor. Os dados foram analisados mediante uma análise de variâncias (ANOVA), o qual foi realizado através do software R, versão 2.12.0.
RESULTADOS: Os obtidos no questionário de qualidade de vida SF-36 mostraram diferenças estatisticamente significantes (p < 0,05) para a maioria dos domínios. Na escala visual numérica, de zero a dez, o valor médio foi de 6,63 pré-tratamento e, no pós-tratamento foi de 3,23 pontos, foi significativo (p < 0,05).
CONCLUSÃO: O protocolo proposto foi eficaz na melhora da qualidade de vida e na diminuição do quadro álgico do grupo de voluntários estudado.

Palavras-chave: dor, qualidade de vida, síndrome de colisão do ombro, trabalhadores

ARTIGO DE REVISÃO

9 - Efetividade da escola postural em portadores de dor lombar crônica inespecífica

Effectiveness of back school in patients with chronic nonspecific low back pain

Adriane Vieira; Rafaela de Macedo Braga; Patrícia Thurow Bartz; Claudia Tarragô Candotti

Acta Fisiátr.2012;19(3):184-191

As dores na coluna afetam em torno de 70% a 80% da população adulta em algum momento da vida e são consideradas uma das razoes mais comuns de aposentadoria precoce por incapacidade total ou parcial. O alto custo dos tratamentos e a falta de eficácia das práticas terapêuticas convencionais deram origem à Escola Postural (EP).
OBJETIVO: Realizar uma revisão sistemática da literatura nos últimos dez anos a fim de verificar a efetividade da Escola Postural em portadores de dor lombar crônica inespecífica.
MÉTODO: A busca foi conduzida nas bases de dados computadorizadas Medline, Embase e Lilacs. Os critérios de busca nas três bases de dados foram artigos randomizados sobre a efetividade da Escola Postural publicados nos últimos dez anos. A qualidade metodológica dos estudos selecionados nesta revisão foi avaliada através de um conjunto composto por nove critérios.
RESULTADOS: No total, cinco estudos foram incluídos nessa revisão, sendo quatro considerados de alta qualidade. Dois dos artigos considerados nesse estudo foram realizados no Brasil, mostrando o interesse de pesquisadores no país por essa proposta educativa na abordagem de dor lombar crônica inespecífica. Todos os estudos apresentaram resultados positivos quanto à efetividade da Escola Postural a curto e médio prazo.
CONCLUSÃO: Com esta revisão, pode-se concluir que os programas de Escola Postural vêm sendo considerados como uma ferramenta importante tanto no tratamento como na prevenção de dor lombar crônica inespecífica, porém são necessários mais estudos que avaliem essa ferramenta no longo prazo e com procedimentos metodológicos padronizados.

Palavras-chave: dor lombar, postura, qualidade de vida

10 - Efeitos da oclusão vascular parcial no ganho de força muscular

The effects of partial vascular occlusion on gaining muscle strength

Gabriela Perpétua Neves da Costa; Valéria Perpétua Moreira; Amir Curcio dos Reis; Saulo Nani Leite; Samuel Straceri Lodovichi

Acta Fisiátr.2012;19(3):192-197

OBJETIVO: Investigar os efeitos do exercício resistido de baixa intensidade associado à oclusão vascular no ganho de força e volume muscular.
MÉTODO: Foi realizada uma busca sistematizada nos bancos de dados eletrônicos: Science Direct, PEDro e Pubmed, onde foram revisados somente ensaios clínicos randomizados e com pontuação acima de 50% de acordo com a escala de PEDro.
RESULTADOS: Durante a pesquisa foram pré-selecionados e analisados 440 artigos e ao final da seleção, sete artigos preencheram todos os critérios de inclusão e especificações estabelecidas.
CONCLUSÃO: Conclui-se que o exercício de baixa intensidade com oclusão sanguínea é uma alternativa eficaz na indução de hipertrofia muscular, sendo vista como uma nova possibilidade de treinamento muscular orientado para jovens e idosos saudáveis. No entanto, há necessidade de realizar novos estudos, pois ainda existem pontos que permanecem sem explicação, como dor e desconforto durante o treinamento.

Palavras-chave: exercício, força muscular, hipertrofia

Número atual: Dezembro 2012 - Volume 19  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - O impacto de dois diferentes programas de exercício físico na performance física e na fadiga relacionada ao câncer

Impact of two different exercise programs on persistent cancer-related fatigue and physical fitness

Fabiana Reis; Rebeca Boltes Cecatto; Christina May Moran de Brito; Paulo Marcelo Gehm Hoff; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2012;19(4):198-202

A fadiga relacionada ao câncer é um dos sintomas mais comuns entre pacientes com câncer, relatada em 70% a 100% desses pacientes resultando em uma redução significativa da qualidade de vida, funcionalidade e independência. O exercício físico tem sido identificado como um elemento central de reabilitação de muitas doenças crônicas como câncer, e cada vez mais evidências apoiam a tese de que a atividade física é uma intervenção útil, que pode ser utilizada em conjunto com terapias convencionais durante o tratamento da fadiga relacionada ao câncer.
OBJETIVO: O objetivo deste estudo é avaliar o impacto de dois programas de exercício físico sobre os níveis de fadiga e desempenho físico de pacientes com câncer.
MÉTODO: Relato de uma série consecutiva de 44 doentes adultos com doença neoplásica (sólido ou hematológicas), e diagnóstico médico de fadiga, submetidos a dois diferentes programas de exercício físico. Todos os doentes foram avaliados quanto a desempenho físico com o uso do teste de caminhada de 6 minutos e avaliados quanto aos níveis de fadiga com o teste de Piper, antes e depois de 4 meses de atividade física supervisionada (exercícios aeróbicos isolados e treino de resistência combinado ao exercícios aeróbicos).
RESULTADOS: Após 16 semanas, os doentes que participaram do programa de exercícios aeróbicos ou que participaram do protocolo de exercício aeróbico combinado com anaeróbio, relataram níveis significativamente mais elevados do desempenho físico (6 minutos teste de caminhada, p = 0,0009 e p = 0,001, respectivamente) e níveis de fadiga significativamente menor (PFS- R, p = 0,003 e p = 0,002, respectivamente) do que no início do programa de exercícios.
CONCLUSÃO: Estes resultados demonstram que tanto um protocolo de exercício aeróbico quanto de exercício aeróbico combinado com exercício anaeróbio apresentam melhora significativa do desempenho físico e dos níveis de fadiga de doentes oncológicos. Os dados deste estudo corroboram a literatura mostrando que a atividade física é uma estratégia eficaz para o tratamento da fadiga. Os resultados deste estudo confirmam que o exercício físico pode ser útil na reabilitação de sobreviventes de câncer, especialmente para pacientes com fadiga oncológica.

Palavras-chave: aptidao física, exercício, fadiga, neoplasias, reabilitação

2 - Estimulação elétrica funcional na recuperação do membro superior de hemiparéticos após acidente vascular encefálico

Functional electrical stimulation in upper extremity recovery of hemiparetic patients after stroke

Antonio Vinicius Soares; Leila Poluceno; Caroline da Rosa Cremonini; Priscila Baracho Ponsoni; Susana Cristina Domenech; Noé Gomes Borges Júnior

Acta Fisiátr.2012;19(4):203-206

A reabilitação do membro superior de pacientes hemiparéticos por acidente vascular encefálico (AVE) é um grande desafio. Dentre os recursos terapêuticos utilizados, a estimulação elétrica funcional (EEF) tem sido um recurso bastante explorado nos programas de tratamento desses pacientes.
OBJETIVO: Avaliar os efeitos da EEF nos extensores de punho e dedos numa tarefa especifica (TE).
MÉTODO: Foi realizado um estudo pré-experimental (pré e pós-testes) com oito pacientes crônicos com idade média de 63,4 ± 6,1 anos. Os parâmetros de avaliação foram a motricidade da mão através da escala de movimentos da mão (EMM), a força de preensão pela dinamometria (Din), a destreza do membro superior pelos testes de caixa e blocos (CB) e dos 9 pinos e buracos (9PB), a espasticidade pela escala de Ashworth modificada (EAM) e a independência funcional pelo índice de Barthel (IB). A TE era realizar o movimento de alcance e preensão de garrafas plásticas de diferentes tamanhos com o membro superior afetado em diferentes combinações de posições, num total máximo de 54 repetições por sessão. A EEF era usada para auxiliar a mão para pegar e soltar o objeto durante a TE. Foram realizadas em média 20 sessões com frequência de 2x/semana.
RESULTADOS: Demonstraram melhora em todos os parâmetros avaliados, a diferença foi estatisticamente significativa nos testes, exceto para a Din.
CONCLUSÃO: No grupo estudado, a EEF na TE proposta resultou em melhora o desempenho na função do membro superior dos pacientes submetidos ao tratamento.

Palavras-chave: acidente vascular cerebral, destreza motora, estimulação elétrica, paresia, reabilitação

3 - Implicações das alterações de cognição social no processo de reabilitação global do paciente vítima de traumatismo crânioencefálico

Implications of changes in social cognition in the general rehabilitation process of patients with traumatic brain injury

Sheila Cruz; Sandra Regina Schewinsky; Vera Lúcia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr.2012;19(4):207-215

A cognição social pode ser compreendida como o funcionamento dos processos cognitivos aplicados aos relacionamentos, modulando a resposta comportamental dos seres humanos dentro de um grupo social.
OBJETIVO: Nesta perspectiva, o presente trabalho tem como objetivo rever os conceitos de cognição social e suas alterações em vítimas de traumatismo crânio-encefálico com lesões na regiao frontal e as implicações dessas na afetividade do sujeito, bem como, as influências no processo de reabilitação global. A relevância do estudo deve-se ao fato de que atualmente existe um número crescente de pessãos acometidas por lesões neurológicas, vítimas de suas implicações.
MÉTODO: Para esta finalidade, a metodologia utilizada foi a de revisão bibliográfica que considerou livros e artigos nacionais sobre o tema publicados no período de 1994 a 2011.
RESULTADOS: A discussão visa contribuir para maior entendimento dos prejuízos do acometimento neurológico, podendo assim colaborar com o processo de reabilitação e com uma melhor qualidade de vida desses pacientes.
CONCLUSÃO: Conclui-se que a alteração de cognição social e afetividade trazem implicações diversas no que tange ao desenvolvimento do programa de reabilitação, sendo relevante considerar nesses casos, a reabilitação neuropsicológica como um processo que propicia o reestabelecimento das relações sociais, sendo papel do psicólogo auxiliar na construção de estratégias de enfrentamento da condição atual das pessãos que sofreram esse acometimento visando proporcionar-lhes uma melhor qualidade de vida.

Palavras-chave: cognição, reabilitação, traumatismos craniocerebrais

4 - Correlação entre os testes Pick-Up de Moberg e a estesiometria após reconstrução do nervo mediano

Correlation between Moberg Pick-Up test and sensation threshold test after median nerve reconstruction

Alexandre Marcio Marcolino; Rafael Inacio Barbosa; Daniela Neto Aguiar de Souza; Rafaela de Barros Rebelo; Priscila Martins Delgado; Nilton Mazzer; Valéria Meirelles Carril Elui; Marisa de Cássia Registro Fonseca

Acta Fisiátr.2012;19(4):216-221

A avaliação funcional da sensibilidade é essencial para analisar o estado, recuperação, e efetividade do programa de tratamento em pacientes que sofreram perdas decorrentes de deficiência motora e/ou sensitiva, após lesões nervosas periféricas. Estas lesões geram a interrupção das sensações ocasionando a perda da sensibilidade e uma significante perda funcional da mão.
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi correlacionar o teste funcional Pick-Up de Moberg com o teste de limiar sensitivo Estesiômetro SORRIr na reconstrução do nervo mediano.
MÉTODO: Foram analisados 14 homens com idade entre 18 e 40 anos que sofreram ferimento corto-contuso na regiao volar do punho e tratamento cirúrgico há pelo menos um ano de pós-operatório. Foram utilizados para a avaliação da sensibilidade cutânea o Estesiômetro SORRIr e o teste Pick-Up de Moberg modificado, no qual a avaliação foi dividida em duas fases, olhos abertos e fechados, ambas realizadas com a mão dominante e não dominante, e em duas etapas com diferentes avaliadores, sendo repetidas três vezes em cada mão. A sequência dos avaliadores foi sorteada e mantida durante toda a avaliação. Na análise dos dados foi utilizado o coeficiente de Pearson e aplicado o teste não-paramétrico de Mann-Whitney com o nível de significância α = 0,05.
RESULTADOS: A média da idade foi de 27,14 anos (± 6,43), com maior frequência entre 21 a 30 anos sendo que 64% apresentaram lesão na mão dominante. O coeficiente de Pearson (r) entre o Estesiômetro e o Pick-Up foi entre 0,5 e 0,7, com p-valor < 0,05. Os intervalos de confiança e p-valores dos testes de Mann-Whitney não indicaram diferenças estatisticamente significantes.
CONCLUSÃO: Apesar do teste Pick-Up de Moberg não possuir medidas padronizadas, na amostra estudada pode-se concluir que existe correlação entre o teste funcional e o teste de limiar sensitivo. Novos estudos são necessários para a validação e confiabilidade de ambos os métodos.

Palavras-chave: mão, reabilitação, traumatismos dos nervos periféricos

5 - A percepção emocional do cuidador familiar frente à técnica do cateterismo intermitente limpo na mielomeningocele

Emotional perception of family-member caregivers regarding the clean intermittent catheterization in myelomeningocele cases

Regina Célia Villa Costa; Elizabete Tsubomi Saito Guiotoku; Helena Kravchychyn; Juliana Rocha; Mariana Magalhaes do Carmo; Yara Pisanelli Gustavo Castro

Acta Fisiátr.2012;19(4):222-227

Os cuidados do trato urinário necessários à criança com mielomeningocele demandam auxílio constante de um cuidador, que frequentemente é um membro da família e que por vezes vivencia dúvidas, angústias e dificuldades com relação à técnica do cateterismo intermitente limpo que se faz necessário para essas crianças.
OBJETIVO: Dessa forma, esta pesquisa tem como objetivo investigar pensamentos e sentimentos do cuidador familiar sobre a realização dessa técnica na criança e analisar se o cuidador visualiza a possibilidade da criança fazer o autocateterismo no futuro.
MÉTODO: O estudo tem abordagem quantitativa e qualitativa, observacional e transversal. Realizado com 15 cuidadores familiares provenientes de uma instituição de reabilitação da cidade de São Paulo, de abril a agosto de 2012, por meio de entrevista estruturada gravada em áudio. Para a análise de conteúdo e léxica das questoes abertas usou-se o software SPAD-Tr versão 1.5.
RESULTADOS: As categorias encontradas foram: Impressões do cuidador sobre o cateterismo; Tempo de adaptação ao procedimento; Percepções do cuidador sobre as impressões da criança; Referências à intervenção do profissional; Percepções do cuidador sobre o autocateterismo; Percepções do cuidador sobre o potencial da criança; Referências à (in)dependência na relação cuidador-criança. Para a análise estatística utilizou-se o software SPSSr 15.0.
CONCLUSÃO: Todos os cuidadores apresentaram sentimentos e pensamentos negativos a respeito do cateterismo, apesar de alguns também mencionarem conteúdos positivos. Além disso, a maior parte dos cuidadores não soube responder com clareza se a criança realizará o autocateterismo futuramente.

Palavras-chave: cateterismo urinário, cuidado da criança, cuidadores, meningomielocele

6 - Práticas de autocuidado para funcionamento intestinal em um grupo de pacientes com trauma raquimedular

Self-care practice for bowel functioning in a group of patients with spinal cord injury

Laura Terenciani Campoy; Soraia Assad Nasbine Rabeh; Paula Cristina Nogueira; Patrícia Carla Vianna; Margareth Yuri Miyazaki

Acta Fisiátr.2012;19(4):228-232

Estudo descritivo exploratório.
OBJETIVO: Caracterizar os indivíduos com trauma raquimedular (TRM) atendidos em um centro de reabilitação de um hospital terciário do interior do estado de São Paulo e identificar as suas práticas de autocuidado intestinal.
MÉTODO: Após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e o consentimento dos participantes, os dados foram coletados por meio de análise do prontuário e entrevista. Dos 30 indivíduos entrevistados, houve predomínio do sexo masculino, estado civil solteiro, ensino médio completo, com idade média de 35 anos.
RESULTADOS: A principal causa do TRM foi acidente automotor com prevalência de lesão completa em nível cervical. As práticas de autocuidado mais referidas foram o controle nutricional seguido da massagem abdominal. Quanto às complicações intestinais relatadas, houve predomínio de impactação fecal seguida por incontinência fecal.
CONCLUSÃO: Programa de reabilitação intestinal deve ser instituído para indivíduos com TRM o mais precoce possível de modo a minimizar complicações.

Palavras-chave: atividades cotidianas, intestino neurogênico, reabilitação, traumatismos da medula espinal

7 - Capacidade funcional do idoso frequentador do Programa Saúde da Família do bairro Viveiros do município de Feira de Santana, Bahia

Functional capacity of elderly people attending the Family Health Program at Viveiros, Feira de Santana, Bahia

Priscilla Oliveira Santos; Ivana Soares da Silva; Menilde Araújo Silva

Acta Fisiátr.2012;19(4):233-236

Com o avançar da idade, as perdas funcionais tornam-se evidentes e o idoso vai deixando de realizar atividades básicas de vida, diminuindo assim sua capacidade funcional que é dimensionada em termos de habilidade e independência para realizar determinadas atividades diárias.
OBJETIVO: Verificar o nível de capacidade funcional do idoso frequentador do Programa Saúde da Família do Bairro Viveiros do município de Feira de Santana-BA.
MÉTODO: Este estudo é uma pesquisa de corte transversal, com abordagem quantitativa. A amostra foi constituída por 34 idosos de ambos os sexos, com idade acima de 75 anos. Foi realizado visita domiciliar a cada idoso para aplicação de três tipos de testes: Indice de Barthel, Indice de Lawton e o Mini Exame do Estado Mental.
RESULTADOS: Os resultados encontrados demonstram que 54,5% dos idosos avaliados apresentaram-se como independentes para o Indice de Barthel, 51,5% são totalmente dependentes para o Indice de Lowton e 87,9% apresentam algum tipo de déficit cognitivo para o Mini Exame do Estado Mental.
CONCLUSÃO: É importante que os profissionais que atuam em Programas de Saúde da Família atentem para as condições de saúde do idoso, planejando a assistência de acordo com suas reais necessidades. Esperamos que outros pesquisadores se interessem pelo tema proposto, com o objetivo de ampliar pesquisas nesta área do conhecimento, que encontram-se escassas, para que o idoso receba mais atenção e orientações, ampliando a oferta de serviços e programas disponíveis.

Palavras-chave: atividades cotidianas, envelhecimento, idoso fragilizado, programa saúde da família

8 - Abordagem das atividades funcionais e da influência dos fatores ambientais em pacientes hemiparéticos pós-AVE antes e após o tratamento fisioterapêutico

Addressing functional activities and the influence of environmental factors in post-stroke hemiparetic patients before and after physical therapy

Geovanna Lemos Lopes; Luciana Castaneda; Luciane Lobato Sobral

Acta Fisiátr.2012;19(4):237-242

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é a principal causa de incapacidade neurológica, sendo a hemiparesia a sequela mais comum da doença. As limitações físico-funcionais associadas à influência de fatores ambientais afetam diretamente a funcionalidade dos indivíduos. Para a efetividade da reabilitação neurológica é indispensável que o fisioterapeuta conheça o perfil funcional do paciente a fim de traçar o plano de tratamento que atenda as reais necessidades.
OBJETIVO: Analisar as atividades funcionais e a influência dos fatores ambientais em pacientes hemiparéticos pós-AVE antes e após o tratamento fisioterapêutico.
MÉTODO: Foram avaliados 12 pacientes hemiparéticos pós-AVE antes e após 20 sessões de fisioterapia, utilizando-se o Indice de Barthel (IB) e um modelo avaliativo baseado no core set abreviado da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) para AVE, com base no sistema de qualificadores genéricos da CIF.
RESULTADOS: Observou-se melhora significativa para as atividades andar (d450) (p = 0,0033), vestir (d540) (p = 0,018) e comer (d550) (p = 0,018), de acordo com um modelo avaliativo baseado na CIF. Por meio do IB, detectou-se melhora significativa para as atividades de alimentação (p = 0,0341), vestir (p = 0,0277), toalete (p = 0,0117) e subir/descer escadas (p = 0,0077). Os fatores ambientais família imediata (e310) e profissionais da saúde (e355) foram os que mais influenciaram positivamente na condição de saúde dos pacientes.
CONCLUSÃO: A Fisioterapia mostrou-se eficaz para melhorar a condição de saúde dos pacientes, visto que de acordo com a percepção deles algumas atividades diárias puderam ser executadas com mais facilidade ao final do tratamento fisioterapêutico. Para atender às necessidades do paciente, é importante elaborar o plano de tratamento individual, ressaltando o contexto em que ele está inserido, visando atender as reais limitações nas atividades e restrições à participação.

Palavras-chave: acidente vascular encefálico/reabilitação, coleta de dados, questionários, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

RELATO DE CASO

9 - Polineuropatia sensitiva induzida por talidomida e estudo eletrofisiológico do nervo sural como forma de screening diagnóstico: relato de caso

Thalidomide-induced sensory polyneuropathy and electrophysiological study of the sural nerve as a screening diagnosis: a case report

Rodrigo Luiz Yamamoto; Tae Mo Chung; Eduardo Freire de Oliveira; Arquimedes de Moura Ramos; Lucas Martins de Exel Nunes; Jose Alcyr Exel Nunes

Acta Fisiátr.2012;19(4):243-245

Polineuropatia é uma condição clínica freqüente com sintomatologia debilitante e o tratamento depende fundamentalmente da etiologia. Inúmeras são as causas possíveis deste tipo de distúrbio e o diagnóstico etiológico nem sempre é fácil. Neste relato de caso descrevemos um caso de um paciente com mieloma múltiplo que evoluiu com polineuropatia puramente sensitiva, comprovada por estudo eletrofisiológico, induzida por talidomida.

Palavras-chave: nervo sural, polineuropatias, processos eletrofisiológicos, reabilitação, talidomida

ARTIGO DE REVISÃO

10 - A estimulação elétrica funcional (FES) e a plasticidade do sistema nervoso central: revisão histórica

Functional electrical stimulation (FES) and neuronal plasticity: a historical review

Rebeca Boltes Cecatto; Gerson Chadi

Acta Fisiátr.2012;19(4):246-257

Estudos têm revelado modificações plásticas neuronais concomitantes a melhora clínica de pacientes portadores de lesões neurológicas e submetidos às terapias de estimulação, sugerindo que as respostas plásticas observadas no tecido neuronal podem refletir a recuperação funcional encontrada e ser dependentes, pelo menos em parte, da estimulação externa. A literatura já indica também que as terapias de reabilitação mais promissoras são aquelas que interagem com as características plásticas naturais do SNC, encontrando no potencial endógeno de recuperação do tecido lesado o substrato anatômico necessário para a sua atuação. A interpretação desses resultados permanece ambígua, já que há uma grande variabilidade nas respostas neurofisiológicas e comportamentais para as técnicas de estimulação estudadas. Nesse sentido, uma nova área de atuação surge como perspectiva futura promissora no entendimento dos mecanismos que regulam a recuperação funcional após lesões neurológicas: o uso terapêutico da estimulação da plasticidade do SNC. Por exemplo com o uso de terapias de estimulação sensitiva, terapias baseadas na robótica e na realidade virtual e as terapias de neuromodulação baseadas na estimulação cortical direta, na estimulação com o TMS e na estimulação elétrica funcional periférica (FES).
OBJETIVO: Este estudo tem por objetivo realizar uma revisão histórica da literatura para pontuar os principais marcos no estudo da estimulação elétrica periférica e de seus possíveis efeitos no SNC, sobretudo em relação a FES.
MÉTODO: Foi utilizada a base de dados PUBMED e foram selecionados 169 artigos de melhor rigor metodológico, maior relevância histórica e maior contribuição na construção dos paradigmas que norteiam o estudo dos efeitos da FES na plasticidade do sistema nervoso central.
RESULTADOS: A FES pode ser encarada como uma técnica promissora na recuperação motora de doentes com sequela de alterações neurológicas de origem central tanto pela sua capacidade de levar a um treino funcional e melhora clínica sensitivomotora, aspectos já consagrados na literatura, quanto pela sua capacidade de interagir com a plasticidade do SNC, um aspecto que ainda precisa ser estudado.

Palavras-chave: estimulação elétrica, plasticidade neuronal, reabilitação, revisão

Número atual: Março 2011 - Volume 18  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Impacto da correção cirúrgica dos membros inferiores na qualidade de vida de pacientes com a doença de Charcot-Marie-Tooth

Impact of surgical lower limb procedures on Charcot-Marie-Tooth patients' quality of life

Maria Lucia Goffi Costacurta; Pedro Paulo Camargo de Sousa; Alexandre Zuccon; Mauro César de Morais Filho; Fernanda Moraes Rocco; Alexandra Passos Gaspar

Acta Fisiátr.2011;18(1):1-5

Há poucos estudos sobre a reabilitação de pacientes com a doença de Charcot Marie. Estes pacientes apresentam sintomas da doença precocemente e têm sobrevida longa o que determina alterações biomecânicas que afetam a qualidade de vida dos mesmos e por esta razao o estudo de possíveis tratamentos para estes pacientes são de grande importância. A intervenção cirúrgica das extremidades inferiores é uma destas possibilidades. Apesar de não haver conclusões ainda sobre qual a técnica cirúrgica e se a mesma é o melhor tratamento, a mesma é realizada para melhorar a qualidade de marcha e qualidade de vida destes pacientes. O estudo tem entao o objetivo de avaliar o impacto do procedimento cirúrgico na qualidade de vida dos pacientes com doença de Charcot Marie Tooth. Foram avaliados 9 pacientes antes e após procedimento cirúrgico através de análise do laboratório de marcha, questionário MFM e SF 36. Houve diferença significativa nas avaliações pré e pós operatórias no MFM e SF36. Neste estudo, a cirurgia corretiva de membros inferiores mostrou ter um impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes com a doença de CMT, principalmente através da melhora do desempenho motor e da dor.

Palavras-chave: Extremidade Inferior/cirurgia, Dor, Marcha, Qualidade de Vida, Doença de Charcot-Marie-Tooth

2 - Impacto da mielopatia associada ao HTLV/paraparesia espástica tropical (TSP/HAM) nas atividades de vida diária (AVD) em pacientes infectados pelo HTLV-1

Impact of HTLV-associated myelopathy/T tropical spastic paraparesis (HAM/TSP) on activities of daily living (ADL) in HTLV-1 infected patients

Isa de Jesus Coutinho; Bernardo Galvao-Castro; Juliana Lima; Camila Castello; Diego Eiter; Maria Fernanda Rios Grassi

Acta Fisiátr.2011;18(1):6-10

OBJETIVO: Descrever o desempenho nas atividades de vida diária (AVD) em pacientes infectados pelo HTLV-1 com TSP/HAM e medir o impacto da doença sobre a qualidade de vida dos pacientes.
MÉTODO: Trata-se de um estudo descritivo, de corte transversal. Um total de setenta e três pacientes com TSP/HAM acompanhados no Centro de HTLV da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública, Salvador, Bahia, Brasil foram selecionados. O índice de independência funcional foi calculada usando o Health Assessment Questionnaire (HAQ). A qualidade de vida foi avaliada incluindo a capacidade funcional, dor e aspecto físico, utilizando do Short-Form Health Survey (SF-36).
RESULTADOS: Um total de setenta e três pacientes com TSP/HAM foram avaliados: a idade média foi de 48,9 ± 11,4 anos, e 57 (78,1%) eram mulheres. A duração da doença TSP/HAM foi de 10 a 37 anos em 50,7% dos pacientes. Trinta e seis pacientes (49,3%) necessitavam de ajuda de suportes para andar. As pontuações mais baixas no desempenho das AVD foram observadas entre as mulheres e se referiam à locomoção e à mobilidade / (98,2%), ao vestuário (73,7%) e ao autocuidado (57,9%). O escore de qualidade de vida para o aspecto físico foi 24,2 e o da capacidade funcional foi 27,1. A média de dor foi 41,7.
CONCLUSÃO: A TSP/HAM afeta negativamente a qualidade de vida e o desempenho nas AVD dos pacientes. Dispositivos de tecnologia assistiva devem ser usados para melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida desses pacientes.

Palavras-chave: Paraparesia Espástica Tropical, Virus Linfotrópico de Células T Humanas Tipo 1, Atividades Cotidianas, Qualidade de Vida

3 - O efeito da rizotomia dorsal seletiva no quadro clínico e nos cuidados diários de crianças com paralisia cerebral espástica

Effect of the selective dorsal rhizotomy on the clinical presentation and daily care of children with spastic cerebral palsy

Renata Viana Brígido de Moura Jucá; Carlos Eduardo Barros Jucá; Carla Andrea Tanuri Caldas; Enrico Salomão Ioriatti; Cyntia Rogean de Jesus Alves de Baptista; Hélio Rubens Machado

Acta Fisiátr.2011;18(1):11-15

A Paralisia Cerebral (PC) acomete 4 a cada 1000 crianças no mundo, representando uma grave problema para o sistema de saúde. Essa entidade nosológica, caracterizada por déficit motor instalado durante o desenvolvimento cerebral, pode acarretar a condição clínica denominada espasticidade, uma hipertonia muscular causada por exarcebação do arco reflexo medular na ausência da inibição advinda de vias superiores. A espasticidade acarreta diversos comprometimentos motores e funcionais para a criança, dificultando o posicionamento e os cuidados de higiene. É de fundamental importância, portanto, o estudo da associação de intervenções cirúrgicas e tratamentos fisioterapêuticos que proporcionem controle da espasticidade.
OBJETIVO: avaliar o impacto da Rizotomia Dorsal Seletiva (RDS) no quadro clínico de crianças espásticas e na realização dos cuidados diários.
MÉTODOS: Participaram do estudo 7 crianças com espasticidade, GMFCS de 4 a 5, de 5 a 11 anos de idade. Antes e depois da cirurgia, os seguintes dados foram avaliados: grau de espasticidade dos grupos musculares adutores do quadril e isquiotibiais nos membros inferiores e para o grupo flexor do cotovelo nos membros superiores (escala de Ashworth Modificada); medida do ângulo poplíteo unilateral e bilateral, do ângulo de abdução do quadril e de dorsiflexão do tornozelo com goniometria. Além disso, foi aplicado questionário às famílias para avaliar o grau de dificuldade para os cuidados diários e o grau de satisfação após a RDS.
CONCLUSÕES: Houve redução da espasticidade no pós-operatório em todos os grupos musculares testados, em todos os pacientes. Houve alteração significativa da goniometria para o ângulo poplíteo bilateral (p<0,05). Das 7 famílias questionadas, 6 (85,7%) relataram melhora para o posicionamento, alimentação, higiene e facilidade para vestir e instalar órteses. Desse modo, a RDS mostra-se uma opção para o tratamento de casos de espasticidade refratária ao tratamento clínico em crianças com PC quadriespásticas graves, mostrando-se capaz de melhorar a qualidade de vida delas e de seus cuidadores.

Palavras-chave: Criança, Paralisia Cerebral, Espasticidade Muscular, Rizotomia

4 - Confiabilidade do limiar de lactato identificada pelo método visual

Reliability of identifying lactate threshold by use of visual method

Sueli Ferreira da Fonseca; Mateus Ramos Amorim; Arthur Nascimento Arrieiro; Marco Fabrício Dias Peixoto; Fernando Joaquim Gripp Lopes; Núbia Carelli Pereira Avelar; Ana Cristina Rodrigues Lacerda

Acta Fisiátr.2011;18(1):16-20

O limiar de lactato (LL) é utilizado como um marcador da acidose metabólica e representa o momento durante o exercício em que o lactato sanguíneo começa aumentar de forma exponencial. Este LL tem sido utilizado como medidor de condicionamento físico, indicador sensível do estado do treinamento aeróbico em sujeitos saudáveis e doentes, além disso, auxilia na identificação do estímulo de treinamento ideal e na prescrição da intensidade de treinamento. O objetivo do presente estudo foi avaliar a confiabilidade intra e interexaminadores das medidas do LL obtidas através do método de detecção visual. Para isso, 31 voluntárias do sexo feminino (67,50 ± 4,41 anos; 1,52 ± 0,07 m; 64,55 ± 11,46 kg), aparentemente saudáveis e no período pós-menopausa, participaram do estudo. O LL foi determinado a partir de um teste realizado na esteira ergométrica até a fadiga, que consistiu de estágios com carga progressiva (variação da velocidade e/ou inclinação). Amostras de sangue foram coletadas por meio de uma punção na polpa digital do dedo médio a cada 3 minutos durante o teste. Em seguida, foram construídos os gráficos do método de detecção visual (software Prisma5) a partir da concentração de lactato sanguíneo coletado a cada estágio do exercício (intervalo de 3 minutos) em função da taxa de trabalho correspondente ao consumo de oxigênio (VO2) estimado durante o teste na esteira. A análise estatística foi realizada através do Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI). A confiabilidade intraexaminador foi excelente (0,950 - 0,952) e a confiabilidade interexaminadores foi boa (0,789 - 0,770). Dessa forma, sugere-se que o método de detecção visual é uma forma segura e confiável para detectar o LL na prática clínica e em pesquisas.

Palavras-chave: Acido Láctico, Limiar Anaeróbio, Exercício, Mulheres

5 - Efeitos da plataforma vibratória no equilíbrio em idosos

Effects of a whole body vibrating platform on postural balance in elderly persons

Patrícia Zambone da Silva; Rodolfo Herberto Schneider

Acta Fisiátr.2011;18(1):21-26

O envelhecimento determina uma série de alterações fisiológicas, dentre elas, perda da massa muscular, diminuição do equilíbrio e dos reflexos posturais. Como conseqüência destas transformações, o risco de quedas aumenta, o que é um evento marcante, podendo instituir início do declínio da saúde no idoso. Diversas abordagens têm sido utilizadas na prevenção das quedas, sendo que, mais recentemente, a plataforma vibratória, tem sido avaliada para aumentar o equilíbrio e controle postural nos idosos, portanto reduzindo os riscos de quedas e suas conseqüências. Esta revisão bibliográfica tem como foco os artigos mais relevantes sobre o tema. Os resultados obtidos indicaram melhora do equilíbrio e controle postural nesta população quando comparada com exercícios, fisioterapia ou sedentarismo. No entanto, há inúmeros protocolos de treinamento diferentes, o que dificulta a comparação de resultados. Esta revisão demonstra que a plataforma vibratória é uma promissora intervenção na prevenção de quedas em idosos, porém são necessários mais estudos para determinar o protocolo mais adequado de tratamento para melhorar o equilíbrio.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Acidentes por Quedas, Vibração/uso terapêutico

6 - Há correlação entre classe social e a prática de atividade física?

Is there a correlation between social class and physical activity?

Anna Paula Martinez; José Eduardo Martinez; Leni Boghossian Lanza

Acta Fisiátr.2011;18(1):27-31

O exercício físico é recomendado para promover a saúde e melhorar a qualidade de vida. As condições para a realização de atividade física devem incluir local, roupas, supervisão e elaboração de antemão. O objetivo desta pesquisa verificar se existe influência da renda familiar na freqüência e na forma de se praticar exercícios físicos. Utilizou-se um questionário especialmente elaborado para os dados sociodemográficos, freqüência, tipo e condições da prática de exercícios. Setenta pacientes, divididos em dois grupos: assistidos por instituições públicas de saúde (A) e assistidos por organizações privadas (B). Em ambos os grupos se observou uma maioria de mulheres (A - 66%; B - 60%) e casados. Em relação ao status sócio-econômico, os membros do grupo A têm maior renda e escolaridade. Os resultados mostram maior freqüência de atividade física entre os conveniados. Ambos os grupos têm a maioria dos componentes que não praticam exercícios. Entre aqueles que praticam exercício regularmente, a maior parte o faz de 1-3 vezes por semana, com duração entre 30-50 minutos. A modalidade principal é caminhar sem supervisão ou preparação como aquecimento ou alongamento. Os níveis econômicos e educacionais não influenciam a freqüência, tipo e condições da prática de exercícios.

Palavras-chave: Qualidade de Vida, Exercício, Classe Social, Renda, Brasil

ARTIGO DE REVISÃO

7 - Aspectos da sexualidade em indivíduos com traumatismo crânio-encefálico: revisão da literatura

Aspects of sexuality in individuals with traumatic brain injury: literature review

Carlos Souto dos Santos Filho; Giancarlo Spizzirri

Acta Fisiátr.2011;18(1):32-37

Os transtornos sexuais após lesão encefálica traumática são pouco abordados na literatura científica. O impacto na sexualidade dos pacientes, na parceria, na família e na sociedade ainda é pouco compreendido pelos profissionais de reabilitação. Diante disto, fez-se uma revisão da literatura sobre diversos aspectos da sexualidade após trauma de crânio. Este estudo teve por objetivo investigar a epidemiologia, a etiologia, os diagnósticos, a classificação, as modalidades terapêuticas que vêm sendo adotadas e o prognóstico dos transtornos sexuais de portadores de traumatismo craniano. Realizou-se uma revisão de 39 artigos selecionados nas seguintes bases de dados científicas: MEDLINE, Cochrane Library, LILACS e Scielo, usando como descritores: brain Injuries; traumatic brain Injury; sexuality, sexual behavior; sexual dysfunction psychological; sex education; sexual violence, referentes à pacientes maiores de 18 anos, de ambos os gêneros, no período de janeiro 1966 a maio 2011, nas línguas inglesa, espanhola e portuguesa. Alguns artigos e livros de referencia devido à relevância histórica neste assunto foram incluídos. Os autores abordaram os aspectos clínico-funcionais, psicológicos e sociais da sexualidade desses indivíduos.
CONCLUSÃO: a avaliação completa por profissionais capacitados na área de sexualidade é recomendada durante o processo de reabilitação para uma melhor reintegração na sociedade. São necessários mais estudos para delinear as disfunções sexuais apresentadas por esses pacientes e suas parcerias, a fim de desenvolver estratégias de tratamento que contemplem suas necessidades possibilitando melhora no relacionamento, satisfação sexual e conseqüentemente na qualidade de vida.

Palavras-chave: Traumatismos Encefálicos, Sexualidade, Comportamento Sexual

RELATO DE CASO

8 - Fisioterapia aquática no paciente sobrevivente da Poliomielite traqueostomizado com suporte ventilatório: relato de caso

Aquatic physical therapy for a poliomyelitis survivor with tracheostomy and ventilatory support: a case report

Douglas Martins Braga; Daniela Potas Cavalheiro; Adriane Fukui Ogura; Tatiana Camargo Guimaraes; Fernando Farcetta Junior; Sheila Jean McNeill Ingham

Acta Fisiátr.2011;18(1):38-41

Muitos pacientes sobreviventes da poliomielite apresentam importante comprometimento da função respiratória. A fisioterapia aquática é indicada para esta população, porém, a presença da traqueostomia leva a uma maior dificuldade de tratamento no meio líquido pela dificuldade da manipulação. O objetivo deste trabalho é verificar os benefícios que uma paciente traqueostomizada, com suporte ventilatório não invasivo, pode ter com a abordagem da fisioterapia aquática. A paciente sofreu intervenção de vinte sessões de fisioterapia aquática. Para avaliação foram usadas as Escalas de Fadiga, Dor e Qualidade de vida e analisados os parâmetros: Saturação de Oxigênio (SatO2), Freqüência Cardíaca (FC)e Freqüência Respiratória (FR). Foi constatada melhora na pontuação de todas as escalas de fadiga utilizadas: inicial 55 e final 28, demonstrando ao final do estudo ausência de fadiga Fator esse também verificado na qualidade de vida principalmente na dimensão de vitalidade inicial 29,16 e final 50. A FC, a (excluir) FR e a SatO2 não sofreram alterações significativas, observando dessa maneira a segurança durante o atendimento. No término do tratamento, o quadro álgico cessou nos principais grupos articulares. Os resultados demonstraram que o meio líquido foi favorável para o tratamento dessa paciente, garantindo a segurança, diminuindo a fadiga e a dor, melhorando assim a qualidade de vida.

Palavras-chave: Poliomielite, Traqueostomia, Modalidades de Fisioterapia, Hidroterapia

9 - Avaliação da marcha em paciente com paralisia cerebral submetido à estimulação elétrica dos compartimentos anterior e lateral da perna

Gait analysis of a cerebral palsy patient submitted to electrical stimulation of the anterior and lateral compartments of the leg

Tiago Lazzaretti Fernandes; Klévia Bezerra Lima; Paulo Roberto Santos-Silva; Milton Seigui Oshiro; Adilson de Paula

Acta Fisiátr.2011;18(1):42-44

Crianças com lesão do neurônio motor superior possuem déficits funcionais desafiadores. As alterações de marcha são conseqüências da espasticidade, padrao primitivo locomotor, pobre controle motor central e controle debilitado da propriocepção. O objetivo do presente estudo é mostrar os benefícios da eletro-estimulação no padrao da marcha do paciente com paralisia cerebral através do laboratório de marcha e teste ergoespirométrico.
MÉTODO: Paciente do grupo de Neuro-ortopedia do IOT HC-FMUSP, sexo feminino, 24 anos, estudante, portadora de paralisia cerebral do tipo diplégico espástico, deambuladora comunitária e pés eqüinos flexíveis. Equipamento de análise de marcha: HAWK, Motion Analysis Corporation. Analisador metabólico CPX-D, Medgraphics, EUA. Estimulador elétrico modelo EEF-4, Lynx Tecnologia. Frequência de estímulo de 20Hz, ON/OFF 5s/10s, 40min, 3X/semana por 1,5 meses nos compartimentos anterior e lateral das pernas.
RESULTADO: dorsiflexão fase de balanço pé direito e esquerdo anterior ao estímulo: 2,12º e -0,17º, respectivamente. Após 1,5 meses do término do protocolo: dorsiflexão pé direito=7,54º, dorsiflexão pé esquerdo=5,31º. Ergoespirometria: Aumento do tempo de tolerância ao exercício (TT) em 194%, PO2 em 50%, VO2 em 17% e economia energética relativa a 22% da FC.
CONCLUSÃO: a estimulação elétrica da perna pode ser responsável por alterações na cinemática não só do tornozelo, mas de todo o membro inferior, influenciando o padrao da marcha e a condição cardiopulmonar do paciente com paralisia cerebral.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Pé Equino, Estimulação Elétrica, Marcha, Consumo de Oxigênio

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - Unidade de quedas: uma possibilidade de prevenção de quedas em idosos

Unit of falls: a possibility of prevention falls in elderly

Linamara Rizzo Battistella; Fábio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2011;18(1):45-48

As quedas são um problema de saúde pública entre os idosos. Como o envelhecimento populacional está ocorrendo rapidamente, são desejáveis intervenções nesta questao. O objetivo desta reflexão foi o de relatar um exemplo de uma Unidade de Quedas do Hospital Universitário Mútua de Terrassa/Barcelona/Espanha. Esta unidade possui atividades de avaliação e orientação dos fatores de risco de quedas e programa de exercícios para indivíduos com história de quedas, bem como para aqueles que possuem riscos de quedas. Acreditamos que programas como este que apresentam viabilidade operacional são necessários e devem ser incorporados por hospitais e centros de saúde para que haja diminuição das quedas e suas conseqüências.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Acidentes por Quedas, Prevenção de Acidentes

Número atual: Junho 2011 - Volume 18  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Avaliação do equilíbrio de pacientes com distrofia muscular de duchenne

Balance evaluation of patients with duchenne muscular dystrophy

Mayra Priscila Boscolo Alvarez; Francis Meire Fávero; Cristina dos Santos Cardoso de Sá

Acta Fisiátr.2011;18(2):49-54

A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é uma doença genética que afeta apenas indivíduos do gênero masculino, causando fraqueza muscular progressiva. Conforme a doença progride, surgem algumas outras alterações como, por exemplo, deformidades osteoarticulares e dificuldades na manutenção do equilíbrio estático e dinâmico. Avaliar o equilíbrio de pacientes com DMD deambuladores e comparar a participação da informação sensorial no ajuste postural destes pacientes. Dez pacientes, entre sete e quatorze anos de idade, com diagnóstico de DMD foram avaliados pelo teste de organização sensorial modificada (OSM) da posturografia dinâmica computadorizada. O teste OSM consiste na manutenção da posição bípede sem movimentação sobre uma plataforma em quatro condições distintas: (1) olhos abertos e plataforma fixa, (2) olhos fechados e plataforma fixa, (3) olhos abertos e plataforma móvel, (4) condição olhos fechados e plataforma móvel. Para a análise dos dados foi utilizada análise de variância para medidas repetidas (ANOVA) tendo como fator as condições de teste, e análise de contraste ajustada para múltiplas comparações (Teste de Tukey) no caso de comparações significativas. Não foram observadas diferenças significativas na área de excursão do centro de pressão nas diferentes condições de teste e no COPx e no COPy. Foi observada diferença significativa na VMx e na VMy entre as condições plataforma fixa/olhos abertos e plataforma móvel/olhos abertos, e entre as condições plataforma fixa/olhos fechados e plataforma móvel/olhos fechados. O teste OSM forneceu dados para a avaliação do equilíbrio desses pacientes, indicando que a privação dos sistemas somatossensorial e visual, em determinadas situações, não foi capaz de provocar grandes alterações de equilíbrio. Contudo, a velocidade do deslocamento do COP, que retrata o ajuste postural, é maior nas diferentes condições testadas.

Palavras-chave: Avaliação, Equilíbrio Postural, Distrofia Muscular de Duchenne

2 - Estudo descritivo sobre o desempenho ocupacional do sujeito com epilepsia: o uso da CIF como ferramenta para classificação da atividade e participação

Descriptive study of the occupational performance of individuals with epilepsy: the use of the ICF as a tool to describe the activity and participation

Renato Nickel; Joana Rostirolla Batista de Souza; Nicolle Lucena da Silveira; Cassiano Robert; Andressa Pereira Lima; Elaine Janeckzo Navarro; Lauren Machado Pinto

Acta Fisiátr.2011;18(2):55-59

A literatura mostra que os sujeitos com Epilepsia apresentam dificuldades para o engajamento no desempenho de atividades em todos ou quase todos os aspectos da vida. Visando melhor compreender os problemas de desempenho ocupacional do sujeito com epilepsia, os objetivos desta pesquisa foram: avaliar e classificar, de acordo com a CIF, quais os problemas de desempenho ocupacional apresentados por sujeitos com Epilepsia e discutir os dados levantados de acordo com a literatura. Foram entrevistados 34 sujeitos, onde os principais problemas de desempenho relatados foram: Manter um emprego (d8451) com 18 queixas, Treinamento profissional (d825) e Deslocar-se por diferentes locais (d460), ambos com 15 queixas. Observou-se que os fatores determinantes para os problemas de desempenho encontrados são facilmente classificados na CIF e, suas limitações para atividades e restrições para participação estao em acordo com o modelo de saúde apresentado pela classificação, onde além das deficiências relacionadas às funções do corpo também os fatores ambientais e pessãois interferem na vida desses sujeitos.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Terapia Ocupacional, Análise e Desempenho de Tarefas, Epilepsia

3 - Estudo sobre depressão reativa e depressão secundária em pacientes após acidente vascular encefálico

Study on reactive and secondary depression in patients following a stroke

Priscila Aparecida Rodrigues; Sandra Regina Schewinsky; Vera Lúcia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr.2011;18(2):60-65

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma das patologias que mais acarreta comorbidades e alterações incapacitantes, tanto em relação a aspectos físicos, como em relação a aspectos cognitivos e afetivo emocionais. Após a ocorrência do AVE, freqüentemente o quadro de depressão encontra-se associado. Os tipos mais freqüentes que podem ocorrer são depressão reativa e depressão secundária a lesão encefálica. O manejo terapêutico do profissional de Psicologia é fundamental para o tratamento da depressão, sendo reativa ou secundária, interferindo diretamente no processo de reabilitação após o AVE. A presente pesquisa consiste em identificar, na literatura, os sintomas da depressão reativa e secundária em pacientes após AVE e qual a aplicabilidade da avaliação psicológica diferencial no contexto de reabilitação.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Depressão, Transtornos de Adaptação, Reabilitação

4 - Fatores associados à independência funcional de idosos residentes em instituição de longa permanência

Factors associated with the functional independence of elderly residents in long-term institutions

Fernanda Macedo Pereira; Mariela Besse

Acta Fisiátr.2011;18(2):66-70

O objetivo do estudo foi conhecer o perfil da independência funcional de idosos em uma instituição de longa permanência, através das associações entre as variáveis sociodemográficas (idade, gênero, escolaridade, e tempo de institucionalização) e as variáveis clínicas (motivo da internação, medicação, quantidade de doenças e hipótese diagnóstica), verificando se há impacto na independência funcional de acordo com o escore da MIF (medida de independência funcional) motora, cognitiva social e total. Realizou-se um estudo clínico quantitativo, do tipo descritivo analítico com corte transversal, retrospectivo por meio de investigação de fontes indiretas de dados (prontuários), no período de julho e agosto de 2010 numa instituição de longa permanência para idosos no município de São Paulo. Constatou-se que o maior grau de dependência funcional está associado aos idosos do sexo feminino, naqueles com idade superior ou igual a 80 anos, nos que têm escolaridade inferior a 8 anos, naqueles com 37 à 47 meses de institucionalização, nos que foram institucionalizados por vontade da família, naqueles que possuem de 7 à 9 doenças , nos que utilizam um número maior ou igual a 15 medicações e naqueles que sofrem de neoplasias. Concluiu-se que mais estudos devem ser realizados, para que se possa ampliar o conhecimento e obter mais clareza sobre a associação do processo de institucionalização da população idosa com os fatores associados à independência funcional.

Palavras-chave: Idoso, Avaliação Geriátrica, Instituição de Longa Permanência para Idosos

5 - Grupo de atividades de vida diária: influência do procedimento em pacientes adultos com acidente vascular encefálico isquêmico

Daily life activities group: the influence of the procedure in ischemic stroke adult patients

Camila Pontes Albuquerque; Eleanora Vitagliano; Juliana Yumi Yamada; Carem Fagundes; Rafael Eras Garcia; Rebeca Braga; Renata Cristina Verri Bezerra Carramenha; Sarah Monteiro dos Anjos; Milene Silva Ferreira; Alexandra Passos Gaspar

Acta Fisiátr.2011;18(2):71-74

O acidente vascular encefálico (AVE) pode gerar seqüelas motoras acarretando dificuldades em vários aspectos funcionais da vida diária do indivíduo. O terapeuta ocupacional pode intervir com essa população, com o objetivo de diminuir as limitações adquiridas. Uma das modalidades de tratamento é o atendimento em grupo, em função da riqueza das trocas existentes no mesmo. Este estudo visou analisar os resultados do procedimento do grupo de Atividades de Vida Diária (AVDs) composto por pacientes com seqüelas de AVE isquêmico. Foram incluídos 10 sujeitos com seqüelas de AVE isquêmico, que participaram do grupo de AVDs, sendo os mesmos avaliados por meio da HAQ (Health Assessment Questionnaire) e da FAQ (Functional Activities Questionnaire), em dois momentos pré e pós intervenção. Para a análise dos dados foi utilizado o teste Wilcoxon com p < 0,05. Após análise de resultados pré e pós intervenção verificou-se diferença significativa para ambos os instrumentos de avaliação (HAQ p=0.001 e FAQ p=0,0117). O estudo mostrou a eficácia do procedimento - grupo de AVDs, composto por sujeitos com sequelas de AVE isquêmico em fase crônica, através da mensuração dos ganhos funcionais obtidos pela HAQ e FAQ. Estudos com um número maior de pacientes são necessários para uma maior generalização das conclusões.

Palavras-chave: Terapia Ocupacional, Acidente Cerebral Vascular, Atividades Cotidianas, Reabilitação

6 - Relação entre a força de preensão palmar e a espasticidade em pacientes hemiparéticos após acidente vascular cerebral

Relationship between grip strength and spasticity in hemiparetic patients after stroke

Leonardo Petrus da Silva Paz; Vera Regina Fernandes da Silva Maraes; Guilherme Borges

Acta Fisiátr.2011;18(2):75-82

O objetivo deste trabalho foi investigar a relação entre a força muscular isométrica máxima de preensão e a espasticidade de músculos da extremidade superior parética. Foram incluídos 33 pacientes com diagnóstico clínico de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em diferentes estágios de recuperação sensório-motora, de ambos os sexos com média de idade de 50,84 (±13,69 anos) e que foram atendidos no Hospital das Clínicas de Campinas-SP ou centros de reabilitação. Em estudo descritivo transversal foram colhidos em sessão única os seguintes dados: a)-força isométrica máxima de preensão, utilizando-se dinamômetro hidráulico em três tentativas alternadas para cada membro; b) grau de espasticidade graduado por meio da escala de tônus de Ashworth de 8 grupos músculos da extremidade superior parética (AS). Para caracterização da amostra foram utilizados itens da extremidade superior da escala de desempenho físico de Fugl-Meyer (UE-FMA) para avaliação da recuperação sensório motora; o nível de independência funcional foi avaliado com o Indice de Barthel e a capacidade funcional com Teste da Ação para Extremidade Superior (ARA). A força de preensão foi avaliada com dinamômetro pela média e pelo melhor valor de três tentativas para o membro parético (mais fraco) e para o membro mais forte (não parético). A força de preensão foi estatisticamente maior no lado mais forte (p<0,05) e os valores de ambos os membros superiores estao abaixo de valores normativos da literatura para indivíduos normais de mesmo sexo, idade e lado testado. O valor médio de preensão da extremidade superior "mais forte" de 31,17 KgF (±10,22) e para o membro parético, foi de 10,88 ±8,82 KgF. Houve apenas uma fraca correlação entre a força muscular e o tônus muscular dos músculos avaliados, incluindo músculos flexores dos dedos, adutores de polegar e flexores de cotovelo (r<0,60). Estes dados sugerem que o dinamômetro hidráulico pode ser utilizado para mensuração de força muscular em pacientes com preensão débil conforme protocolo apresentado.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Espasticidade Muscular, Força Muscular, Hemiplegia, Idoso

ARTIGO DE REVISÃO

7 - Características biomecânicas da articulação escapulotorácica no retorno da elevação dos membros superiores: uma revisão da literatura

Biomechanical characteristics of the scapulothoracic joint while lowering the arms: a literature review

Eva Guedes Cota; Christina Danielli Coelho de Morais Faria

Acta Fisiátr.2011;18(2):83-90

Observações clínicas indicam que os indivíduos com disfunções no complexo articular do ombro descrevem o movimento de retorno da elevação dos membros superiores (MMSS) como mais doloroso que a elevação. O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão da literatura sobre as características biomecânicas da articulação escapulotorácica no retorno da elevação dos MMSS em indivíduos saudáveis e com disfunções no complexo articular do ombro. Para isso, foram realizadas pesquisas nas bases de dados MedLine (PubMed), LILACS, Scielo e PEDRo seguida de busca manual e, após análise de um total de 232 estudos encontrados, 14 foram selecionados por atenderam aos critérios de inclusão previamente estabelecidos. Desses, oito investigaram características cinemáticas, seis características eletromiográficas, sendo que dois estudos investigaram as duas características associadas e apenas dois apresentaram resultados relacionados a indivíduos com disfunções no complexo articular do ombro. Os resultados desses estudos demonstraram que, durante o retorno, os movimentos tridimensionais da articulação escapulotorácica envolvem a combinação de rotação inferior (eixo perpendicular ao plano da escápula), inclinação anterior (eixo medial-lateral) e rotação interna (eixo vertical) seja o retorno realizado no plano frontal (retorno da abdução), sagital (retorno da flexão) ou no plano escapular. Dessa forma, o retorno da elevação dos MMSS resulta em reversão dos movimentos escapulotorácicos que ocorrem durante a elevação, mas apresenta diferenças significativas nas posições angulares da articulação escapulotorácica em relação à elevação, principalmente para os movimentos de rotação interna e inclinação anterior. A escassez de estudos que avaliaram as características biomecânicas da articulação escapulototácica em indivíduos com disfunções no complexo articular do ombro limita a compreensão da cinemática e atividade muscular nessa população específica.

Palavras-chave: Biomecânica, Escápula, Membros Superiores, Eletromiografia

8 - Treinamento resistido como intervenção na reabilitação em pacientes com lesão medular: uma revisão de literatura

The effects of resistance training intervention in the rehabilitation of patients with spinal cord injury: a literature review

Frederico Ribeiro Neto; Paulo Gentil

Acta Fisiátr.2011;18(2):91-96

OBJETIVO: analisar os indícios na literatura sobre os efeitos do treinamento resistido como forma de intervenção na reabilitação de pacientes com lesão medular traumática ao longo do tempo.
MÉTODO: Fontes das informações: uma busca sistematizada da literatura em cinco bancos de dados (MEDLINE, LILACS, SciELO, IBECS e Biblioteca Cochrane) foi realizada até agosto de 2010. Seleção dos estudos: estudos observacionais e de intervenção que incluíam treinamento resistido em pessãos com lesão medular traumática. Variáveis analisadas: foram analisados os desfechos de ordem fisiológica (força, potência e capacidade cardiorrespiratória), escalas funcionais (FIM, WISCI, WUSPI e Berg), velocidade de marcha e percepções subjetivas (melhora de funcionalidade e relato de dores ou lesões).
RESULTADOS: foram encontrados 16 artigos que preencheram os critérios de inclusão. Nenhum encontrou qualquer tipo de prejuízo ou lesão para essa população. Oito estudos avaliaram o VO2 e detectaram melhoras significativas entre 10% e 30%. Força e potência foram verificadas em dez estudos, mas a magnitude variou de forma distinta (8% a 34% e 6% a 81%, respectivamente). A análise da resposta favorável do treinamento resistido relacionada com escalas funcionais (FIM, WISCI, WUSPI e Berg) ou com velocidade de marcha ocorreu em três investigações.
CONCLUSÕES: em todos os artigos analisados, as respostas decorrentes da intervenção foram positivas e favoráveis à melhora física e funcional aumentando, conseqüentemente, a independência nas atividades diárias. Os autores sugerem a inclusão do treinamento resistido sistematizado na reabilitação de acordo com a demanda diária do indivíduo em prol de um ganho funcional, prevenção de lesões, melhora da saúde e da qualidade de vida.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Terapia por Exercício, Treinamento de Resistência, Reabilitação

RELATO DE CASO

9 - Habilidades funcionais de criança com síndrome da imunodeficiência adquirida

Functional abilities of children with acquired immunodeficiency syndrome

Amanda Polin Pereira; Daniela Baleroni Rodrigues Silva; Luzia Iara Pfeifer; Maria Paula Panuncio-Pinto

Acta Fisiátr.2011;18(2):97-101

A encefalopatia associada ao vírus da imunodeficiência humana é uma conseqüência importante das infecções neurológicas que atingem crianças com a síndrome da imunodeficiência adquirida. Tal conseqüência pode gerar perdas no desenvolvimento neuropsicomotor levando a dificuldades em atividades fundamentais para a independência da criança. O objetivo do estudo é descrever os ganhos funcionais nas áreas de auto-cuidado e mobilidade de uma criança com síndrome da imunodeficiência adquirida. Foi aplicado junto ao cuidador da criança o Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI), antes e após o processo de reabilitação com intervalo de 12 meses. Os resultados demonstram que houve melhora funcional nos aspectos avaliados. Na área de auto-cuidado houve alteração de escores de 53,65 na primeira avaliação para 60,06 na segunda avaliação. Na área de mobilidade a criança passou de um escore de 24,29 para 38,66. Os resultados sugerem que as estratégias utilizadas no processo de reabilitação, bem como atuação da equipe multidisciplinar permitiram o desenvolvimento de habilidades para melhor desempenho ocupacional da criança.

Palavras-chave: Criança, Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, Encefalopatia Crônica, Reabilitação

10 - Treino de força muscular de membros superiores orientado à tarefa na distrofia miotônica do tipo 1: estudo de caso

Task-oriented upper limb strength training in myotonic dystrophy type 1: case study

Joyce Martini; Camila Quel de Oliveira; Heloise Cazangi Borges; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2011;18(2):102-106

O objetivo do presente estudo foi verificar os efeitos do treino de força muscular dos membros superiores a partir da abordagem orientada à tarefa, com relação à força muscular, à funcionalidade e à qualidade de vida de um indivíduo adulto com distrofia miotônica do tipo1. Foi realizado um treino de força muscular submáximo (60% da resistência máxima), na freqüência de três terapias semanais, num período de 16 semanas, constituído de três avaliações, a inicial, a final e a de seguimento de um mês do término do protocolo, com base na Medical Research Council scale (MRC), no Total Muscle Score (TMS), na Medida de Função Motora (MFM) e na versão brasileira do questionário de qualidade de vida SF-36. Com relação à força muscular, houve um incremento de 5% no TMS. Na funcionalidade, a MFM apresentou um acréscimo de 1,04% na avaliação final, o qual se perdurou na avaliação de seguimento. Na SF-36, o participante apresentou um acréscimo de 2,12% na segunda avaliação, retornando à pontuação inicial após um mês do protocolo; porém no domínio de capacidade funcional manteve-se o aumento de 20%. O treino de força muscular submáximo orientado à tarefa mostrou-se benéfico com base na força muscular e no domínio de capacidade funcional do questionário de qualidade de vida; porém denotou restrita variação quantitativa no âmbito da funcionalidade.

Palavras-chave: Distrofia Miotônica, Exercício, Força Muscular, Qualidade de Vida

Número atual: Setembro 2011 - Volume 18  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - O impacto da cifose congênita nas habilidades de autocuidado na mielomeningocele de nível torácico

The impact of congenital kyphosis on self-care skills in patients with thoracic myelomeningocele

Daniel Marinho Cezar da Cruz; Mariane Aparecida Almenara Maricato Martins; Aline Stoeterau Navarro; Ana Luiza Console Andreotti; Maria Cristina de Oliveira

Acta Fisiátr.2011;18(3):107-111

Este estudo teve por objetivos: comparar o desempenho no autocuidado de crianças com mielomeningocele em relação ao de crianças típicas, identificar o impacto da cifose congênita nesta área e investigar possíveis correlações entre as tarefas de autocuidado pesquisadas.
MÉTODOS E RESULTADOS: A amostra foi composta de 30 crianças com mielomeningocele divididas em 2 grupos (com e sem cifose congênita) com média de idade 54,73 meses. Os dados foram coletados através da versão brasileira do Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade. Os resultados indicaram déficit funcional em todas as crianças (escore<30) e diferenças significativas entre os grupos (p<0,01) com pontuações inferiores na presença de cifose nas tarefas de higiene oral, banho, fechos, entre outras. A análise inter-itens indicou que, para esta amostra, há associação entre algumas das tarefas de autocuidado com baixa pontuação.
CONCLUSÃO: A mielomeningocele repercute em atraso funcional, e este é maior quando acompanhado de cifose congênita. Este tipo de informação é essencial para o planejamento de programas de reabilitação com enfoque para a independência dessas crianças nas atividades da vida diária.

Palavras-chave: Meningomielocele, Cifose, Autocuidado, Atividades Cotidianas, Análise e Desempenho de Tarefas

2 - A funcionalidade de usuários acometidos por AVE em conformidade com a acessibilidade à reabilitação

The functionality of patients afflicted with EVA according to their access to rehabilitation

Eleazar Marinho de Freitas Lucena; Jairo Domingos de Morais; Hermínio Rafael Lopes Batista; Luciana Moura Mendes; Kátia Suely Queiroz Ribeiro Silva; Robson da Fonseca Neves; Geraldo Eduardo Guedes Brito

Acta Fisiátr.2011;18(3):112-118

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma doença crônico-degenerativa e representa um desafio tanto pelo impacto social, quanto pelas repercussões na vida das pessoas, pois, quando não letal, o AVE geralmente provoca graves repercussões para o indivíduo, a família e a sociedade. O presente estudo tem como objetivo descrever e analisar a funcionalidade dos usuários com AVE, adscritos na área de cobertura das Equipes de Saúde da Família do município de Joao Pessoa, em conformidade com o acessibilidade que tenham tido à reabilitação. Trata-se de um estudo transversal de base populacional com amostra de 140 indivíduos com idade acima de 18 anos, acometidos por AVE no período entre os anos de 2006 e 2010. As variáveis descritivas foram aquelas que identificam os sujeitos da amostra e caracterizam o AVE clinicamente. Para avaliar a funcionalidade dos sujeitos utilizou-se o domínio Atividade e Participação da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). A associação das categorias de atividade e participação com a acessibilidade à reabilitação foi verificada por meio do teste Qui-Quadrado com nível de significância de 5%. Constatou-se maior comprometimento nas categorias Uso fino da mão, Recreação e Lazer, Deslocar-se e Fala no grupo dos participantes que tiveram acessibilidade aos serviços de reabilitação, indicando que a dificuldade nestas atividades provoca no individuo a necessidade de inserção nos serviços destinados a reabilitação. Este estudo demonstrou que a maioria dos pacientes pós-AVE apresenta consequências crônicas em suas funções corporais, predispondo a necessidade de inserção contínua nos serviços de reabilitação para maximizar a funcionalidade nas atividades cotidianas e facilitar a participação social.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Acesso aos Serviços de Saúde, Reabilitação, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

3 - Alterações clínicas dos pacientes com lesão encefálica adquirida que interferem no tratamento odontológico

Clinical impairments of patients with acquired encephalic lesions that interfere with their dental treatment

Ana Claudia Darré Peres; Carolina Asano; Cristina Lima Leite Carvalhaes; Marcelo Furia Cesar

Acta Fisiátr.2011;18(3):119-123

Lesão Encefálica Adquirida (LEA) é uma lesão que ocorre no encéfalo após o nascimento e não está relacionada a doenças hereditárias, congênitas, degenerativas ou traumas de parto, podendo causar seqüelas físicas e cognitivas. Pacientes portadores de necessidades especiais estao cada vez mais presentes na prática diária do cirurgiao dentista, porém, muitos profissionais ainda encontram dificuldades em atender estes pacientes. O objetivo deste estudo foi detectar alterações clínicas nos pacientes com LEA e relatar como estas podem interferir no atendimento odontológico. Foram avaliados 101 pacientes, com 18 a 87 anos de idade, de ambos os sexos, pertencentes à Clínica de LEA da Associação de Assistência à Criança Deficiente de São Paulo (AACD-SP). As informações foram coletadas através de consulta de prontuários, questionário fechado e exame clínico do paciente. Neste estudo, 70,30% dos pacientes apresentavam espasticidade, 51,49% disfagia, 44,55% convulsão, 75,25% déficit cognitivo, 9,90% limitação de abertura bucal e 40,59% eram dependentes para a higiene oral. O cirurgiao dentista deve estar atento às alterações clínicas dos pacientes com LEA, minimizando possíveis intercorrências clínicas por meio de uma anamnese detalhada e planejamento clínico.

Palavras-chave: Assistência Odontológica para Pessoas com Deficiências, Pessoas com Deficiência, Acidente Cerebral Vascular

4 - Análise dos acidentes motociclísticos no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER)

Analysis of motorcycle accidents at the Dr. Henrique Santillo Rehabilitation and Readaptation Center (CRER)

Angélle Aragonez Essado Jácomo; Ana Cristina Ferreira Garcia

Acta Fisiátr.2011;18(3):124-129

INTRODUÇÃO: na última década, dentre os acidentes automobilísticos, observa-se um número crescente envolvendo motocicletas, veículo que ganha cada vez mais aceitação e aprovação da população. Nestes acidentes, as lesões neurológicas mais freqüentes são o traumatismo cranioencefálico (TCE), seguido de lesão medular (LM), ambas de grande importância devido à gravidade das seqüelas que provocam.
OBJETIVOS: identificar o perfil dos pacientes vítimas de acidentes de tráfego com motocicletas no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER), tipo de lesão neurológica, incapacidades adquiridas, reinserção laboral e capacidade para conduzir veículos após o trauma.
PACIENTES E MÉTODOS: realizou-se uma análise descritiva dos prontuários dos pacientes internados no CRER, no período de 2007 a 2010, selecionando apenas as vítimas de acidente motociclístico, assim como da atual situação produtiva dos mesmos através de contato telefônico no período de 01-07-2011 a 20-07-2011, utilizando formulário previamente elaborado.
RESULTADOS: houve predomínio de homens jovens economicamente ativos, sendo que a maioria não retornou sua vida laboral (86%) e está usufruindo de benefício previdenciário (79,6%).
CONCLUSÃO: faz-se primordial a elaboração de estratégias para prevenção e controle dos traumas por motos, assim como medidas que estimulem a reinserção desses indivíduos incapacitados.

Palavras-chave: Acidentes de Trânsito, Motocicletas, Traumatismos da Medula Espinal, Traumatismo Cerebrovascular, Centros de Reabilitação

5 - Associar ou não o alongamento ao exercício resistido para melhorar o equilíbrio em idosos?

Whether or not to affiliate stretching with resistance training to improve equilibrium in the elderly

Anna Raquel Silveira Gomes; Priscila Wischneski; Rosana Rox

Acta Fisiátr.2011;18(3):130-135

O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do exercício resistido e/ou alongamento e destreinamento no equilíbrio de idosos. Quarenta e seis idosos foram divididos em 4 grupos: Controle (C, n=12): receberam orientações sobre prevenção de quedas. Alongamento (A, n=12); Exercício Resistido (ER, n=13); Exercício Resistido e Alongamento (ERA, n=9). Foram realizados exercícios com resistência progressiva e/ou alongamento, em membros inferiores, 2x/semana, durante 12 semanas. Utilizou-se a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB) e o Indice da Marcha Dinâmica (IMD), aplicados na 1ª, 6ª, 12ª semana e 6 semanas após o término. Utilizou-se ANOVA por medidas repetidas post hoc Fisher (p< 0,05), para comparação entre grupos ao longo das 4 avaliações. O ERA (12ª) aumentou a pontuação da EEB comparado ao ER (55±1 vs 53±2, p=0,03). No IMD 12 semanas de ERA aumentaram o escore em relação ao pré treinamento (ERA) (23±2 vs 21±3; p=0,0009). Após destreinamento o IMD do ERA foi superior, comparado ao pré treinamento (23±1 vs 21±3; p=0,003). A associação do exercício resistido com alongamento (ERA) demonstrou ser mais eficaz para o equilíbrio funcional relacionado ao ambiente (EEB) do que exercício resistido isolado em idosos. Porém, somente o equilíbrio durante a marcha (IMD) foi mantido pelo ERA após o destreinamento.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Força Muscular, Exercícios de Alongamento Muscular

6 - Avaliação do equilíbrio postural sob condição de tarefa única e tarefa dupla em idosas sedentárias e não sedentárias

Evaluation of postural balance under single and double task conditions in sedentary and non-sedentary elderly females

Verena de Vassimon Barroso Carmelo; Patrícia Azevedo Garcia

Acta Fisiátr.2011;18(3):136-140

INTRODUÇÃO: Uma das queixas mais freqüentes da população idosa é a dificuldade de manter o controle postural e prevenir quedas. O controle postural é acompanhado, no dia a dia, por uma atividade motora ou cognitiva não relacionada com a postura, caracterizando a condição de dupla-tarefa, que pode prejudicar o desempenho da tarefa postural quando comparado à condição de tarefa única.
OBJETIVO: avaliar e comparar o equilíbrio dinâmico sob a condição de tarefa única e de dupla-tarefa de idosas praticantes de exercício físico regular e idosas sedentárias. Métodos: a amostra foi composta por 28 idosas, sendo 14 idosas não-sedentárias (67,20±4,21 anos) e 14 idosas sedentárias (68,78±5,26 anos). Para avaliação do equilíbrio e mobilidade foi utilizado o teste Timed Get up and Go simples e associado à tarefa motora (carregar uma bandeja com dois copos plásticos vazios) e à tarefa cognitiva (contar regressivamente a partir de cem). Foram aplicados os testes t-student para amostras independentes e t-student pareado, considerando o nível de significância de α=0,05.
RESULTADOS: As idosas não sedentárias realizaram em tempo significativamente menor que as idosas sedentárias o teste simples (9,40 vs 11,21 segundos; p=0,016) e o teste associado a tarefa motora (9,41 vs 11,81 segundos; p=0,007). Não houve diferença estatisticamente significativa entre as médias do tempo de realização da tarefa cognitiva entre os dois grupos de idosas (p=0,169). No grupo de idosas não sedentárias, o tempo para realização da tarefa cognitiva foi significativamente maior do que no teste simples e na tarefa motora (p=0,021 e p=0,014, respectivamente) assim como no grupo de idosas sedentárias (p=0,000 e p=0,002, respectivamente). Nos dois grupos foram observadas correlações significativas positivas moderada a alta entre os desempenhos nos testes simples e duplo cognitivo, simples e duplo motor, duplo motor e duplo cognitivo.
CONCLUSÃO: O estudo demonstrou a influência positiva da prática de atividade física regular na funcionalidade e o impacto negativo da adição da tarefa cognitiva no equilíbrio e mobilidade de idosas.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Atividade Motora, Exercício

7 - Características das vítimas de acidentes motociclisticos atendidas em um centro de reabilitação de referência estadual do sul do Brasil

Characteristics of motorcycle accident victims treated at a leading rehabilitation center in the south of Brazil

Soraia Dornelles Schoeller; Albertina Bonetti; Gelson Aguiar da Silva;André Rocha; Francine Lima Gelbcke; Patricia Khan

Acta Fisiátr.2011;18(3):141-145

Esta investigação caracteriza os usuários vítimas de acidentes de moto atendidos em um centro de reabilitação de referência estadual do sul do Brasil. É parte de pesquisa voltada ao trauma raquimedular - TRM. Estudo descritivo e quantitativo. Foram investigadas em 207 prontuários: procedência, idade, sexo, data e causa da lesão. Constatou-se que as vítimas de acidentes motociclísticos são homens (81.09%) jovens, dos quais, 10% menores de 18 anos. Metade dos usuários tiveram lesões extremamente ou muito graves - TRM, traumatismo crânio encefálico e amputação de membros inferiores. O coeficiente de mortalidade por acidentes motociclísticos no Brasil e em Santa Catarina cresceu 250% no período de 2000 a 2009, enquanto o crescimento populacional foi de 16%. Os acidentes motociclísticos constituem-se grave problema de saúde pública pelo número cada vez maior de pessãos atingidas e gravidade das lesões. Urge estabelecer políticas públicas - educação, segurança pública e saúde, objetivando inverter esta tendência.

Palavras-chave: Acidentes de Trânsito, Motocicletas, Características da População, Centros de Reabilitação

8 - Relação entre cadência da subida e descida de escada, recuperação motora e equilíbrio em indivíduos com hemiparesia

Relationship between stair-climbing rate, balance and motor recovery in individuals with hemiparesis

Mavie Amaral-Natalio; Guilherme da Silva Nunes; Vanessa Herber; Stella Maris Michaelsen

Acta Fisiátr.2011;18(3):146-150

INTRODUÇÃO: As disfunções da marcha são os principais fatores agravantes da funcionalidade apresentada por indivíduos com hemiparesia em decorrência de Acidente Vascular Encefálico (AVE).
OBJETIVO: Verificar a relação entre a cadência de subida e descida de escada, e os graus de recuperação motora de membros inferiores e de equilíbrio dinâmico de indivíduos com hemiparesia.
METODOLOGIA: Participaram do estudo 16 indivíduos com hemiparesia devido AVE, sendo 13 homens, com idade média de 56,6±12,6 anos. A cadência de subida e descida de escada foi mensurada através do tempo decorrido (degraus/minuto), separadamente, para subir e descer uma escada de 4 degraus (altura: 17 cm), em velocidade confortável, sendo permitido o uso do corrimão, quando necessário. De forma complementar, foi avaliada a necessidade do uso do corrimão, de auxílio externo e o tipo de passo. O grau de recuperação motora de membros inferiores foi determinado através da Escala de Fugl-Meyer, e o equilíbrio dinâmico foi avaliado através do Teste de Levantar e Andar (Timed Up and Go - TUG).
RESULTADOS: A média da cadência de subida de escada foi 60,4±22,6 degraus/minuto e a de descida de escada foi 58,7±23,6 degraus/minuto. O grau de recuperação motora de membros inferiores foi de 24,8±5,2 pontos na Escala Fugl-Meyer, e a média no TUG foi de 19,8±23,1 segundos. Foi verificada correlação moderada entre a medida de cadência de subida de escada e os graus de recuperação motora (r=0,60, p=0,01) e de equilíbrio dinâmico (r= -0,61, p=0,01). Da mesma forma, a medida de cadência de descida de escada apresentou correlação moderada com o grau de recuperação motora (r=0,58, p=0,02), e com o grau de equilíbrio dinâmico (r= -0,64, p=0,007). Verificou-se que o grau de recuperação motora compartilha 36% de variância com a medida da cadência de subida de escada e 33% com a cadência de descida. CONCLUSÕES: A habilidade de subir e descer escada apresenta relação com a recuperação motora de membros inferiores, sendo que o equilíbrio dinâmico apresenta maior associação com a cadência de descida de escada em indivíduos com hemiparesia.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Paresia, Marcha, Atividade Motora, Equilíbrio Postural

ARTIGO DE REVISÃO

9 - Contribuições da terapia da mão na paralisia cerebral: uma revisão sistemática

Hand therapy contributions in cerebral palsy: a systematic review

Alyne Kalyane Câmara de Oliveira; Mariana Seabra da Silva; Alaine Aparecida Benetti De Grande; Iracema Serrat Vergotti Ferrigno

Acta Fisiátr.2011;18(3):151-156

Este trabalho teve como objetivo identificar contribuições da área da terapia da mão para pessãos com paralisia cerebral, disponível na literatura bibliográfica nacional e internacional on-line, analisando a produção existente e verificando a existência de trabalhos estruturados. Configurou-se como sendo um estudo descritivo, retrospectivo, através critérios de revisão sistemática da literatura para coleta, seleção e análise dos dados. A busca foi realizada no período de fevereiro de 2010 a janeiro de 2011, nas bases de dados LILACS, MEDLINE, BIREME, SCOPUS e CINAHL, publicados em português e inglês, no período de 2003 a 2010. Onze artigos foram incluídos na revisão e utilizou-se um formulário elaborado pelas pesquisadoras para avaliá-los conforme a caracterização e qualidade das informações contidas. Os resultados evidenciaram que os assuntos com maior enfoque na amostra foram sobre intervenção ortótica, estimulação elétrica neuromuscular, toxina botulínica e função manual. Apesar de contribuírem com o conhecimento sobre intervenções na paralisia cerebral, os estudos não citam claramente os achados como contribuições da especialidade terapia da mão sobre o tema, e limitações metodológicas foram encontradas, inferindo-se a necessidade de maior rigor metodológico e qualidade das informações nos trabalhos científicos.

Palavras-chave: Traumatismos da Mao/reabilitação, Paralisia Cerebral, Terapia Ocupacional, Literatura de Revisão como Assunto

RELATO DE CASO

10 - Reabilitação virtual através do videogame: relato de caso no tratamento de um paciente com lesão alta dos nervos mediano e ulnar

Virtual rehabilitation using video games: a case report of the treatment of a patient with high median and high ulnar nerve lesions

Alaine Aparecida Benetti De Grande; Fábio Ricardo de Oliveira Galvao; Luiz Carlos Alves Gondim

Acta Fisiátr.2011;18(3):157-162

O uso da reabilitação virtual através do videogame visa simulação de situações reais; percebe-se que o uso desta, afasta o paciente do foco da dor ou do incomodo; melhora na funcionalidade dos membros acometidos e o leva a retomar as atividades nas áreas de desempenho ocupacional. Este estudo teve como objetivo verificar o uso da reabilitação virtual, como recurso terapêutico ocupacional, em um paciente com lesão alta dos nervos mediano e ulnar, bem como descrever e comparar os graus da amplitude de movimento das articulações do membro lesado. Trata-se de uma pesquisa do tipo longitudinal com um paciente de 09 anos de idade, sexo masculino, diagnosticado com lesão nervosa, na Clínica Escola de Terapia Ocupacional da Universidade Potiguar, no período de maio a setembro de 2010. Nos 13 encontros, foram utilizados televisão, o videogame Nintendor Wii e quatro jogos e um goniômetro como instrumentos de intervenção e coleta de dados. Na reavaliação, observou-se a movimentação ativa e o aumento da amplitude de movimento em todas as articulações medidas: cotovelo em flexão e extensão; antebraço em pronação e supinação; punho em flexão, extensão, desvio ulnar e desvio radial; polegar em flexão de metacarpofalangiana, flexão interfalangiana, abdução e estágio III de oponência (Kapangji); II, III, IV e V quirodátilos. Os metacarpos apresentaram ganhos em flexão e extensão. Os resultados desse estudo evidenciaram a eficácia do videogame, comprovado através da avaliação goniométrica. O indivíduo estudado voltou a realizar as atividades de vida diária de forma independente e retornou as suas atividades esportivas de forma competitiva.

Palavras-chave: Terapia Ocupacional, Nervos Periféricos, Reabilitação, Jogos de Vídeo

Número atual: Dezembro 2011 - Volume 18  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Estudo retrospectivo do estado funcional de pacientes com fratura do rádio distal submetidos à osteossíntese com placa LCP

A retrospective study of functionality of patients with distal radius fracture after osteosynthesis with an LCP volar plate

Paula Guaraldo Villa Clé; Luiz Eduardo Tasso; Rafael Inácio Barbosa; Marisa de Cássia Registro Fonseca; Valéria Meirelles Carril Elui; Frederico Balbao Roncaglia; Nilton Mazzer; Cláudio Henrique Barbieri

Acta Fisiátr.2011;18(4):163-168

As fraturas do rádio distal estao entre as mais comuns do esqueleto humano, correspondendo a um sexto de todas as fraturas. Para seu tratamento, existem diversas técnicas cirúrgicas e materiais de síntese que podem ser utilizados, no entanto, o uso de placa volar tem se mostrado eficiente e apresentado poucas complicações.
OBJETIVO: Realizar uma análise retrospectiva do estado funcional de pacientes com fratura do radio distal submetidos à osteossíntese com placa volar LCP que passaram por um programa de reabilitação.
MÉTODO: A amostra foi composta por 14 pacientes com fratura unilateral de rádio distal submetidos à osteossíntese com placa volar LCP 2,4 mm ou 3,5 mm. Os indivíduos foram divididos em dois grupos: grupo acometido (n = 14), composto pelos punhos fraturados; grupo controle (n = 14) composto pelos punhos contralaterais. Foram realizadas medidas de amplitude de movimento (ADM) ativa e passiva do punho, força de preensão e pinças e aplicado um questionário de disfunção do membro superior (DASH). Para a análise dos dados, foi realizada comparação entre os grupos, acometido e controle, por meio de testes de significância de duas amostras independentes para médias.
RESULTADOS: A média encontrada para o questionário DASH foi de 10,63 pontos (± 12,23). Em relação às medidas de força de preensão e pinças, e de ADM de punho, não houve diferenças significantes na comparação entre os grupos (p > 0,05).
CONCLUSÃO: Na amostra analisada, pode-se concluir que, após um ano de pós-operatório, os pacientes apresentam resultados semelhantes na comparação, o que evidencia uma recuperação satisfatória do estado funcional.

Palavras-chave: fixadores internos, fraturas do rádio, reabilitação

2 - Estado cognitivo dos usuários com AVE na atenção primária à saúde em Joao Pessoa - PB

Cognitive condition of patients with CVA in primary health care in Joao Pessoa - PB

Luciana Moura Mendes; Robson da Fonseca Neves; Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro; Geraldo Eduardo Guedes de Brito; Eleazar Marinho de Freitas Lucena; Hermínio Rafael Lopes Batista; Jairo Domingos de Morais

Acta Fisiátr.2011;18(4):169-174

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) apresenta alta prevalência em todo o mundo, desencadeando incapacidades neurológicas em adultos. O déficit cognitivo é uma das sequelas mais importantes, sendo difícil o seu reconhecimento, podendo interferir no processo de reabilitação e acarretar impactos na qualidade de vida dos usuários acometidos.
OBJETIVO: Estimar a prevalência de déficit cognitivo em usuários com AVE na Atenção Primária à Saúde (APS), bem como descrever as características sociodemográficas, clínicas e dimensões cognitivas afetadas.
MÉTODO: Estudo de corte transversal desenvolvido no Município de Joao Pessoa-PB com 140 indivíduos adscritos no Programa Saúde da Família que foram acometidos por AVE nos últimos cinco anos.
RESULTADOS: Mais da metade dos indivíduos analisados apresenta quadro sugestivo de comprometimento cognitivo (54,9%), nas seguintes dimensões: memória de evocação (70%), atenção e cálculo (60%) e ler e executar (60%); além disso, a maioria era de idosos (73,1%);no que se refere às características clínicas do AVE declaram que nos últimos cinco anos tiveram apenas um episódio (64,2%) desencadeado nos últimos 13 meses ou mais (76,1%). A metade dos participantes não soube informar o tipo de AVE (50,7%).
CONCLUSÃO: As dimensões cognitivas afetadas pelo AVE precisam de maiores investigações, afim de fornecer mais subsídios para melhorar a assistência prestada no âmbito da APS.

Palavras-chave: acidente vascular cerebral, atenção primária à saúde, cognição, fatores socioeconômicos, testes neuropsicológicos

3 - Protocolo de cuidado à saúde da pessoa com síndrome de Down - IMREA/HCFMUSP

Down syndrome health care protocol - IMREA/HCFMUSP

Patricia Zen Tempski; Kátia Lina Miyahara; Munique Dias Almeida; Ricardo Bocatto de Oliveira; Aline Oyakawa; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2011;18(4):175-186

A síndrome de Down (SD) ou trissomia do cromossomo 21 é a cromossomopatia mais comum no ser humano, acontece independente de sexo, etnia ou classe social. No Brasil, nasce aproximadamente uma criança com SD para cada 700 nascimentos. Sabe-se que as pessãos com síndrome de Down, quando bem atendidas e estimuladas, têm potencial para plena inclusão social. Este protocolo foi elaborado pela equipe multiprofissional de Cuidado à Saúde da Pessão com síndrome de Down do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
OBJETIVO: Oferecer orientações para o cuidado à saúde da pessão com Síndrome de Down, nos diferentes níveis de atenção a saúde, em todo o seu ciclo vital.
MÉTODO: A elaboração do protocolo de cuidado integral à saúde da pessão com síndrome de Down baseou-se em buscas no sistema PubMed, SciELO e no Cochrane Database of Systematic Reviews utilizando como palavras chaves: "Down Syndrome" e "Síndrome de Down"; "Trisomy 21", "Trisomíadel Cromosoma 21" e "Trissomia do Cromossomo 21" e "Growth", "Desarollo" e "Crescimento".
RESULTADOS: Os artigos revistos foram publicados no período de 1972 a 2011 e limitados às línguas: inglesa, espanhola e portuguesa. Priorizamos revisões sistemáticas e metanálises. Foram incluídos também registros prévios a 1972 considerados históricos.
CONCLUSÃO: Os dados foram analisados por um grupo de especialistas que discutiu os resultados e elaborou este protocolo.

Palavras-chave: centros de reabilitação, equipe interdisciplinar de saúde, síndrome de down

4 - Avaliação do comportamento lúdico da criança com paralisia cerebral e da percepção de seus cuidadores

Evaluation of ludic behavior in children with cerebral palsy and of their caretakers' perception

Camila Gomes Silva Zaguini; Maysa Alahmar Bianchin; Rui Vicente Lucato Junior; Regina Helena Morganti Fornari Chueire

Acta Fisiátr.2011;18(4):187-191

O brincar, para a criança, ajuda no desenvolvimento de suas habilidades e na aquisição de estratégias de ação e adaptação. A criança com Paralisia Cerebral, dependendo do seu diagnóstico, dos distúrbios associados ou não, pode apresentar dificuldades no processo de aquisição de habilidades gerais do seu desenvolvimento, inclusive no brincar.
OBJETIVO: Avaliar o comportamento lúdico da criança com paralisia cerebral e verificar a percepção de seus cuidadores em relação à ação lúdica da criança, para, posteriormente, oferecer tratamento terapêutico ocupacional.
MÉTODO: Pesquisa transversal qualitativa e quantitativa. Para a coleta de dados foram utilizados: Entrevista Inicial com os pais e a Avaliação do Comportamento Lúdico com a criança.
RESULTADOS: Por meio da entrevista, pode-se perceber que 90% se interessam pela presença de outras crianças, que os materiais mais utilizados nas brincadeiras são os estímulos sonoros (90%), em suas formas de expressão, que a maioria, com 31,5%, se expressa por gestos em suas necessidades, em seus sentimentos 25% o fazem por expressão do rosto. De acordo com seus interesses, 42,5% se expressam por palavras e 55% das crianças sempre apresentam atitudes para no brincar. Na avaliação com o sujeito, vimos que 69,1% têm atitude no brincar e apenas 46,64% têm capacidade para o lúdico.
CONCLUSÃO: O estudo mostrou que a Entrevista Inicial com os Pais foi fundamental para auxiliar na Avaliação do Comportamento Lúdico. Com essa avaliação, pode-se observar que a capacidade lúdica é limitada, mas não interfere no interesse e na atitude lúdica da criança. Assim, o brincar é indispensável como recurso da Terapia Ocupacional na reabilitação das crianças com Paralisia Cerebral.

Palavras-chave: criança, cuidadores, ludoterapia, paralisia cerebral

5 - Prevalência da síndrome do Túnel do Carpo em usuários de cadeira de rodas devido à lesão medular

Prevalence of Carpal Tunnel syndrome in wheel-chair users due to medullary lesion

Lucas Martins de Exel Nunes; Verônica Magalhaes Raimundo; Quirino Cordeiro; Karen Fraga Moreira Guerrini; Arquimedes de Moura Ramos; Tae Mo Chung; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2011;18(4):192-195

A lesão medular acarreta inúmeras limitações funcionais diretamente relacionadas à perda das funções nervosas. Todavia, a mecânica associada ao uso de cadeiras de rodas impoe uma sobrecarga aos membros superiores que parece estar associada ao aparecimento de lesões secundárias em estruturas tendíneas e nervosas.
OBJETIVO: Avaliar o surgimento de sinais eletromiográficos de comprometimento do nervo mediano na altura do túnel do carpo em indivíduos usuários de cadeiras de rodas devido à lesão medular.
MÉTODO: Seguindo um desenho transversal, todos os indivíduos com lesão medular sob programa de reabilitação no Instituto de Medicina Física e Reabilitação do HC-FMUSP no ano 2010 foram submetidos a estudo de condução nervosa e eletromiografia. Esses achados foram correlacionados com variáveis biodemográficas e clínicas, bem como características do uso de cadeiras de rodas.
RESULTADOS: Foram avaliados 28 indivíduos, com média de idade de 41,4 anos (60,7% homens). A maioria dos pacientes tocava a cadeira de rodas por um tempo inferior a quatro horas e percorria uma distância tocando a cadeira de rodas inferior a 500 metros por dia. A ausência de sintomas dolorosos ocorreu em 67,9%, enquanto apenas 7,1% apresentavam o teste de Phalen e/ou Tinel positivos. Metade da amostra apresentava o diagnóstico neurofisiológico de síndrome do túnel do carpo (STC), que apresentou associação estatisticamente significante com a idade (p = 0,024), mas não com tempo e distância percorrida tocando a cadeira de rodas diariamente, uso de proteção ou adaptação na cadeira de rodas, sintomatologia dolorosa em membros superiores ou presença de sinais positivos para STC ao exame físico.
CONCLUSÃO: Os sinais eletromiográficos de STC são muito prevalentes nesses indivíduos, o que sugere maiores situações de risco para a integridade dos membros superiores e exige o desenvolvimento de estratégias biomecanicamente mais eficazes para a prevenção.

Palavras-chave: cadeiras de rodas, neurofisiologia, síndrome do túnel carpal, traumatismos da medula espinal

6 - A mesoterapia melhora a amplitude articular em pacientes com tendinite do manguito rotador

Mesotherapy improves range of motion in patients with rotator cuff tendinitis

Maria Matilde de Melo Sposito; Daniele Rivera; Marcelo Riberto; Leonardo Metsavaht

Acta Fisiátr.2011;18(4):196-199

Há evidências publicadas sobre o efeito da mesoterapia para as doenças inflamatórias do ombro.
OBJETIVO: Avaliar o ganho de amplitude de movimento (ADM) em pacientes com tendinopatia do manguito rotador tratados com mesoterapia. Uma série retrospectiva de casos conduzida a partir de prontuários médicos. Um serviço ambulatorial de reabilitação e ortopedia. População: 145 pacientes com diagnóstico clínico de tendinopatia do manguito rotador, com limitação da amplitude de movimento ativa.
MÉTODO: Os sujeitos do estudo foram tratados com mesoterapia entre 1995 e 2008, as mesclas foram selecionadas de acordo com o perfil do paciente e sua tolerância. O efeito sobre a ADM foi qualificado como "sem melhora" ou "com melhora". A melhora da sintomatologia foi correlacionada com a idade, duração dos sintomas e drogas usadas na mesoterapia. A realização concomitante de fisioterapia também foi correlacionada com o desfecho. Os efeitos adversos foram avaliados sistematicamente.
RESULTADOS: 117 pacientes (80,7%) apresentaram melhor objetiva da ADM ou a dor. O resultado não foi influenciado pela idade, duração dos sintomas ou pela realização concomitante de fisioterapia. Apenas efeitos adversos menores foram observados.
CONCLUSÃO: Este estudo sugere que a mesoterapia pode ser eficaz no tratamento da tendinopatia do manguito rotador, seja pela melhora da dor, ADM ou função global do membro superior. O impacto clínico deste estudo é que a mesoterapia pode ser associada ao tratamento fisioterapêutico padrao para melhorar ADM e dor na tendinopatia do manguito rotador.

Palavras-chave: infiltração, manguito rotador, mesoterapia, ombro, tendinopatia

7 - Desempenho dos segurados no serviço de reabilitação do Instituto Nacional de Seguridade Social

Performance of insured workers in the rehabilitation service at the National Institute for Social Security

Jerri Estevan Vacaro; Fleming Salvador Pedroso

Acta Fisiátr.2011;18(4):200-205

O objetivo principal deste trabalho é verificar o desempenho dos segurados que participaram do programa de reabilitação profissional junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) de Porto Alegre/RS.
MÉTODO: Foram estudados todos os segurados participantes do processo de reabilitação profissional ao longo do ano de 2008 no INSS de Porto Alegre/RS. Por meio do Sistema de Administração de Benefício por Incapacidade e do Cadastro Nacional de Informações Sociais, foram coletadas todas as informações referentes aos seus benefícios e ao programa de reabilitação profissional. Os dados foram tabulados no programa SPSS for Windows 17.0, a partir do qual foram feitas todas as análises.
RESULTADOS: Os dados mostraram que 553 (69%) dos segurados eram homens e 249 (31%), mulheres. Quanto à idade, variou entre 18 e 60 anos, com média de 38,9 anos. Inicialmente, 645 (80,4%) estavam empregados e 157 (19,6%), desempregados. Após um ano do término do programa de reabilitação, 29,4% dos segurados estavam trabalhando. Os segurados empregados tiveram um retorno de 40,6% e 76,7% dos desempregados não retornaram ao trabalho. Segurados em benefício por acidente de trabalho retornaram em 58,7 % dos casos e 29,6% dos segurados em auxílio-doença. Os segurados que permaneceram até um ano em benefício tiveram sucesso de 72,4% e com mais de cinco anos, 24,7%.
CONCLUSÃO: Os segurados empregados, em benefício espécie acidente de trabalho, durante tempo menor em benefício e que foram reabilitados dentro da própria empresa, alcançaram índice maior de retorno ao trabalho se comparados ao índice dos desempregados, com longos benefícios e aqueles cuja empresa não ofereceu outra função.

Palavras-chave: reabilitação profissional, seguridade social, trabalhadores

8 - Composição corporal de esportistas com lesão medular e com poliomielite

Body composition of active persons with spinal cord injury and with poliomyelitis

Sandra Maria Lima Ribeiro; Joseph Kehayias; Regina Célia da Silva; Julio Tirapegui

Acta Fisiátr.2011;18(4):206-210

O presente estudo teve por objetivos avaliar a composição corporal de esportistas com lesão medular traumática e poliomielite.
MÉTODO: Dois grupos de homens e mulheres, esportistas, com idades e índice de massa corporal (IMC) similares, foram distribuídos em dois grupos, de acordo com a origem da deficiência: LM-lesão medular traumática baixa (T5-T12) e P - sequelas de poliomielite em apenas um dos membros inferiores. Composição corporal analisada por DEXA (gordura e massa magra corporais); bioimpedância elétrica por análise vetorial-BIVA (resistência, reactância e ângulo de fase). Os participantes do mesmo gênero foram comparados de acordo com a origem da deficiência; os grupos foram comparados à população de referência, quando esses dados eram disponíveis.
RESULTADOS: Os vetores gerados na análise por bioimpedância foram avaliados pelo teste Hotelling's T2 e suas distâncias comparadas (Mahalanobis distance, D) entre si e com uma população de referência. Na análise por DEXA, os homens com LM apresentam maior quantidade absoluta de massa magra e, consequentemente, o maior índice de massa magra do que os P. Ambos apontaram valores inferiores à população de referência. Na análise por bioimpedância, os homens do grupo P apresentaram maior resistência que os LM e, como consequência, os menores ângulos de fase. O grupo LM foi o que mais se aproximou da população de referência.
CONCLUSÃO: Considerando a composição corporal como indicador indireto do estado nutricional, o presente estudo aponta que, embora ambas as origens de deficiência apresentem valores de massa magra inferiores e valores de resistência superiores aos estudos de referência, as pessãos com poliomielite podem estar em risco nutricional aumentado em relação às pessãos com lesão medular. Esse risco parece ser maior nos homens do que nas mulheres. Dados adicionais de avaliação nutricional, como o uso de marcadores bioquímicos e dietéticos, e com um maior número de avaliados, certamente poderao explorar e elucidar melhor esses achados.

Palavras-chave: atividade motora, avaliação nutricional, composição corporal, paraplegia, poliomielite

9 - O uso da estimulação elétrica computadorizada associada à cicloergometria em indivíduos com lesão medular é benéfico para os parâmetros musculares?

Is the use of computerized electrical stimulation associated with cycloergometrics in individuals with medullary lesion beneficial for the muscular parameters?

Igor Kaoru Naki; Marcelo Riberto; Maria Cecília dos Santos Moreira; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2011;18(4):211-216

Este artigo tem como objetivo revisar a literatura sobre o uso do Computerized Functional Electrical Stimulation (CFES) com desfechos musculares para os indivíduos com lesão medular.
MÉTODO: Foi realizada revisão bibliográfica sistemática nas bases eletrônicas de dados MEDLINE, PubMed, LILACS e Portal SciELO, sem delimitação de tempo ou idioma. Utilizou-se da estratégia PICO para pesquisa, as palavras-chave foram selecionadas a partir dos descritores em ciências de saúde e relacionaram-se com lesão medular, estimulação elétrica e parâmetros musculares.
RESULTADOS: Foram encontrados 554 artigos. Desses, 432 foram excluídos pelo título, resultando em 122 artigos. Destes, foram excluídas as duplicidades, resultando num total de 73 artigos; 36 foram excluídos pelo resumo e 33 após a leitura do estudo. Quatro estudos foram selecionados. Dois artigos incluíram homens e mulheres em seus estudos, dois apenas homens. Três estudos incluíram tetraplégicos e paraplégicos no mesmo estudo, um incluiu apenas tetraplégicos. Um dos estudos utilizou frequência de treinamento maior, sete vezes por semana, três fizeram uso de uma frequência de treinamento de três vezes por semana. A duração dos estudos teve grande variação, de seis semanas até um ano. As medidas de resultado para a avaliação de força e resistência foram realizadas de diversas maneiras, por medida de área de secção transversal dos músculos, circunferência do membro e a biópsia muscular; contudo, todos os estudos apresentavam ao menos uma das medidas fornecidas pelo equipamento, a avaliação de potência gerada (power output) ou do trabalho realizado (work output). Em todos os estudos, houve melhora da potência gerada ou do trabalho realizado. Apesar da heterogeneidade encontrada nestes estudos, os desfechos dos estudos avaliados indicam aumento significativo de potência gerada e trabalho realizado após os períodos de treinamentos, com ganhos a partir de seis semanas e treinamentos a partir de três vezes por semana.
CONCLUSÃO: Estudos futuros são necessários para avaliar as respostas em diferentes grupos de sujeitos, paraplégicos e tetraplégicos, em diferentes frequências de treinamento e em diferentes períodos de treinamento, proporcionando, assim, a elaboração de protocolos de treinamento cada vez mais direcionados.

Palavras-chave: estimulação elétrica, exercício, paraplegia, quadriplegia, traumatismos da medula espinal

ARTIGO DE REVISÃO

10 - Uso de um ambiente de realidade virtual para reabilitação de acidente vascular encefálico

Use of interactive video game for stroke rehabilitation

Lucas Barbosa de Souza; Chennyfer da Rosa Paino Paim; Marta Imamura; Fabio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2011;18(4):217-221

O acidente vascular encefálico (AVE) é uma condição clínica isquêmica ou hemorrágica que compromete o sistema nervoso central e pode desencadear déficits motores e cognitivos. Muitas pesquisas são feitas para buscar formas de amenizar os sintomas e recuperar o máximo de funções dos indivíduos. Atualmente, as últimas tendências da reabilitação são explorar o avanço tecnológico e aparelhos de realidade virtual, como o Nintendo Wiir.
OBJETIVO: Identificar os resultados funcionais obtidos na reabilitação de indivíduos com AVE utilizando a interface de jogos do Nintendo Wiir.
MÉTODO: Para esta revisão da literatura foram selecionados artigos dos bancos de dados MEDLINE, PubMed e biblioteca Cochrane pela estratégia PICO. Os descritores usados foram: User-Computer Interface AND Stroke AND Rehabilitation.
RESULTADOS: De 229 artigos encontrados, apenas três foram utilizados nessa revisão, pois apresentavam relação direta ente Wii e AVE. Todos os trabalhos apresentaram benefícios motores, como melhora da coordenação e da agilidade de membros superiores com o uso do Wii associado a terapias convencionais, como a fisioterapia e terapia ocupacional.
CONCLUSÃO: Novos estudos devem ser realizados com o Wii e as novas tecnologias de realidade virtual que surgem a cada dia a fim de melhorar o nível de evidência científica quanto ao uso destes recursos na reabilitação de indivíduos portadores de sequela de AVE.

Palavras-chave: acidente vascular cerebral, interface usuário-computador, reabilitação

Número atual: Março 2010 - Volume 17  - Número 1

EDITORIAL

1 - Classificação dos periódicos no Sistema QUALIS da CAPES - a mudança dos critérios é urgente!

Classificaçao dos periódicos no Sistema QUALIS da CAPES - a mudança dos critérios é urgente!

Adagmar Andriolo; Aécio Flávio Meireles Souza; Alberto Queiroz Farias; Alfredo José Afonso Barbosa; Antonio Spina França Netto; Arnaldo José Hernandez, et al.

Acta Fisiátr.2010;17(1):1-2



Palavras-chave: acidente vascular cerebral, interface usuário-computador, reabilitação

ARTIGO ORIGINAL

2 - Avaliação da confiabilidade interobservadores da volumetria das mãos em indivíduos sem alterações em membros superiores

Inter-tester reliability assessment of the volumetric measurement of the hand in subjects without any changes in their upper extremities

Renata Cristina Boffi Ribeiro; Simone Maria Puresa Fonseca Lima; Ana Cláudia Gomes Carreira; Danilo Masiero; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2010;17(1):3-7

Os objetivos do presente estudo foram avaliar a confiabilidade interobservador do instrumento volúmetro e determinar o índice normativo em indivíduos adultos do sexo feminino e sexo masculino sem alterações em membros superiores. A amostra foi composta por cem indivíduos (200 membros), sendo 50 do sexo feminino e 50 do sexo masculino, com idades entre 21 e 50 anos, sem comprometimento em membros superiores. O volume das mãos de cada indivíduo foi avaliado por meio da volumetria e o instrumento de avaliação utilizado foi o volúmetro. Este método foi aplicado por duas examinadoras, de modo que cada participante foi avaliado duas vezes consecutivas. Nas comparações realizadas entre os membros, sexos e examinadoras pode-se observar que a média do membro direito foi sempre maior que a do membro esquerdo, a média do volume das mãos dos homens sempre maior que a das mulheres e a média da segunda examinadora sempre maior que a da primeira. A partir de análise realizada, considerando os valores obtidos por ambas examinadoras, pode-se notar que a média final foi significante (p<0,001) à diferença entre o membro direito e o membro esquerdo na população geral, no sexo feminino e sexo masculino. É possível concluir que os resultados estao coesos e com boa confiabilidade e foram estatisticamente significantes para as médias finais da volumetria no sexo feminino, membro direito 402,40ml e membro esquerdo 397,15ml; sexo masculino, membro direito 516,10ml e membro esquerdo 505,30ml; e na população geral, membro direito 459,25ml e membro esquerdo 451,23ml.

Palavras-chave: Edema, Extremidade Superior, Avaliação

3 - Correlação entre instrumentos para se avaliar independência funcional e nível de atividade física em crianças

Correlation among tools for the assessment of functional independence and physical activity levels in infants

Tatiana Beline de Freitas; Cristina dos Santos Cardoso de Sá; Emerson Fachin Martins

Acta Fisiátr.2010;17(1):8-12

Instrumentos de avaliação para quantificar a independência funcional e o nível de atividade física são particularmente úteis para a tomada de decisões e monitoramento em programas de reabilitação. Existem muitos instrumentos disponíveis para se avaliar independência em crianças. Contudo, tais instrumentos podem ser mais ou menos responsivos às condições de independência. Assim, o objetivo deste estudo foi verificar a correlação entre parâmetros de independência funcional e nível de atividade física quantificados por diferentes instrumentos de avaliação em crianças de 4 e 5 anos de idade. Para isso 20 crianças com desenvolvimento motor compatível com sua idade foram avaliadas pelos instrumentos: (1) Inventário da Avaliação Pediátrica da Incapacidade (PEDI), (2) Catálogo de Avaliação do Nível de Independência de Crianças de 4 a 8 anos nas Atividades de Vida Diária (Catálogo) e (3) Questionário sobre atividade física regular (PAQ-C). Utilizou-se delineamento de estudo transversal, sendo as medições feitas em um único momento descrevendo as variáveis e seu padrao de distribuição e associação. Nesta faixa etária, somente nas habilidades funcionais para o autocuidado avaliado pelo PEDI foi observada correlação significativa com a idade indicando que os valores de maior independência eram obtidos pelas crianças mais velhas. Em todas as demais categorias do PEDI e nos outros instrumentos utilizados neste estudo, essa correlação entre independência e idade não foi significativa. Apesar de não ter sido encontrada correlações entre independência e idade nas crianças mais independentes avaliadas pelo Catálogo, correlações significativas foram observadas entre os valores obtidos pelo Catálogo e os valores de algumas das categorias quantificadas pelo PEDI. Nenhuma correlação significativa foi observada entre valores do PAQ-C com os demais instrumentos. Conclui-se que algumas categorias quantificadas pelo PEDI não se correlacionam com alterações da independência funcional detectadas por outras categorias da mesma avaliação. Ainda, correlações com o Catálogo foram observadas somente com algumas categorias do PEDI. Finalmente, o PAC-Q não se correlacionou com qualquer um dos outros dois instrumentos, sugerindo a necessidade de uma melhor investigação da responsividade das medidas em estudos psicométricos.

Palavras-chave: Instrumentação, pediatria, fisioterapia, aptidao, avaliação de processos e resultados

4 - Estudo descritivo do desempenho ocupacional do sujeito com doença de Parkinson: o uso da CIF como ferramenta para classificação da atividade e participação

Descriptive study of occupational performance of subjects with Parkinson's disease: the use of ICF as a tool for the classification of activity and participation

Renato Nickel; Lauren Machado Pinto; Andressa Pereira Lima; Elaine Janeckzo Navarro; Helio Afonso Ghizoni Teive; Nilson Becker; Renato Puppy Munhoz

Acta Fisiátr.2010;17(1):13-17

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), é uma proposta da Organização Mundial de Saúde (OMS), que surge como uma ferramenta para classificar e identificar fatores, que além da condição de saúde, estejam interferindo na funcionalidade de sujeitos na realização de atividades. Neste estudo transversal realizou-se a avaliação do desempenho ocupacional de 46 sujeitos diagnosticados com a Doença de Parkinson (DP), através da aplicação da Medida de Desempenho Ocupacional Canadense (MDOC) e classificação das mesma nos domínios da CIF. Sendo as atividades mais comprometidas a Vida Comunitária, Social e Cívica (32,6%); a Mobilidade (26,1%); o Cuidado Pessoal (27,1%); a Vida Doméstica (10,9%); e, Aprendizagem e Aplicação de Conhecimento (8,7%). Também foram levantadas informações sobre: sexo, estado civil, tipo de residência, necessidade ou não de assistência, Escala de Hoehn & Yahr, perfil de rigidez, estabilidade postural, idade e tempo de doença. Estas não apresentaram significância estatística (p< 0,05). Contudo na correlação entre variáveis levantadas, obteve-se, através do teste de correlação não-paramétrico de Spearman, que apenas a variável rigidez apresentou uma correlação média de "r-0,452" (p< 0,01) com os cinco domínios classificados na CIF. Os resultados evidenciam a importância da promoção e manutenção da Vida Comunitária, Social e Cívica para sujeitos com DP e a rigidez como componente importante de queixas em relação ao desempenho ocupacional. O Modelo de Saúde proposto pela CIF, em conjunto com a aplicação da MDOC, mostrou-se efetivo, permitindo a correlação quando a atividade é foco de avaliação, entre funções e estruturas do corpo, fatores ambientais e pessoais, com as dificuldades de desempenho na realização das atividades.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Doença de Parkinson, Terapia Ocupacional, Qualidade de Vida

5 - Ligação do King's Heath Questionário com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, para avaliação de pacientes com incontinência urinária pós cirurgia oncológica ginecológica

Link between the King's Health Questionnaire and the International Classification of Functioning, Disability and Health, for the evaluation of patients with urinary incontinence after gynecological oncology surgery

Luciana Castaneda; Tiago Plácido

Acta Fisiátr.2010;17(1):18-21

O tumor de colo uterino é o segundo mais incidente entre as mulheres no mundo e no Brasil estimam-se para 2008, 18.680 casos novos. O tratamento de escolha para esta neoplasia envolve procedimentos cirúrgicos, quimioterápicos e radioterápicos, que possibilitam a cura, mas que de forma negativa permitem o surgimento de seqüelas, como incontinência urinária. A incontinência apresenta-se como uma complicação precoce e comum ao tratamento cirúrgico destas pacientes e envolve deterioração da qualidade de vida, gerando níveis de morbidade, afetando domínios psicológicos, ocupacionais, domésticos, físicos e sexuais. Para a avaliação de qualidade de vida em pacientes portadoras de incontinência existem vários questionários que são divulgados na literatura científica mundial, dentre estes, o King s Health questionário (KHQ) é o mais utilizado como instrumento de pesquisa. Além dos questionários de qualidade (QV), a OMS vem preconizando a utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), como ferramenta de estatística, pesquisa, clinica e política social, para proporcionar uma linguagem comum das condições relacionadas à saúde. O presente trabalho teve como objetivo estabelecer a ligação entre o KHQ e a CIF. O KHQ foi relacionado através de dois profissionais (individualmente), seguido de discussão e conclusão dos domínios codificados. Foram encontrados 12 categorias de funções corporais (b), 22 para atividades e participação (d) e 4 para fatores ambientais (e), no entanto, 7 conceitos significativos do questionário não puderam ser ligados com a CIF. O KHQ tem enfoque predominante nas questoes referentes à atividade e participação. Trata-se de um estudo piloto que necessita de mais evidências para conclusão dos achados.

Palavras-chave: Incontinência Urinária, Qualidade de Vida, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

ARTIGO DE REVISÃO

6 - Farmacologia de drogas vasoativas

Pharmacology of vasoactive drugs

Estela Maris Freitas Muri; Maria Matilde de Mello Sposito; Leonardo Metsavaht

Acta Fisiátr.2010;17(1):22-27

As doenças vasculares periféricas (DVPS) caracterizam-se como um problema de circulação nas veias, artérias e sistema linfático. O tratamento primordial para as DVPS é a mudança de hábitos de vida, alimentação e prática de atividade física. A terapia farmacológica inclui a utilização de drogas vasãotivas, as quais são utilizadas nas arteriopatias e nas doenças veno-linfáticas. O objetivo deste estudo foi pesquisar em literatura científica sobre a utilização e farmacologia das drogas vasãotivas, enfatizando a eficácia da administração e ação local dessas drogas.

Palavras-chave: Doenças Vasculares Periféricas, Farmacologia, Literatura de Revisão como Assunto

7 - Efeitos secundários potencialmente desejáveis dos anestésicos locais

Potentially desirable secondary effects of local anesthetics

Estela Maris Freitas Muri; Maria Matilde de Mello Sposito; Leonardo Metsavaht

Acta Fisiátr.2010;17(1):28-33

Apesar do uso dos anestésicos locais (ALs) ter a finalidade principal de produzir bloqueios nervosos pela inibição dos canais de Na+, a literatura tem mostrado que esses agentes podem ter ações farmacológicas adicionais, afetando também, os canais de potássio e de cálcio e agindo em mecanismos intracelulares. Os ALs podem, além de causar anestesia, agir diretamente sobre outros receptores e suas vias de sinalização que estao envolvidos nos processos de inflamação, ativação plaquetária, nocicepção, dor periférica e arritmias, dentre outras, buscando cada vez mais, uma melhor eficácia e segurança clínica, além de novas e potencialmente úteis propriedades para os ALs. Assim, o objetivo deste estudo foi pesquisar em literatura científica e descrever uma revisão da farmacologia e dos efeitos adicionais potencialmente desejáveis dos principais anestésicos locais usados na clínica médica.

Palavras-chave: Anestésicos Locais/farmacologia, Canais de Sódio, Literatura de Revisão como Assunto

TENDENCIAS E REFLEXÕES

8 - Lesoes no judô: repercussão na prática esportiva

Judo injuries: their repercussions on the practice of the sport

Thiago de Sá Oliveira; Eduardo Monnerat; Joao Santos Pereira

Acta Fisiátr.2010;17(1):34-36

O objetivo deste estudo foi verificar a freqüência de lesões durante a pratica de judô, tempo de afastamento da atividade esportiva e tratamento utilizado em atletas federado praticantes de judô de academias e agremiações no Município do Rio de Janeiro.
MÉTODO: Participaram do estudo trinta e cinco atletas, sexo masculino, com idade entre 8 e 30 anos e atividade mínima no esporte de 12 meses. Utilizou-se para avaliação um questionário estruturado validado, composto de 18 perguntas abertas e fechadas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Verificou-se que a maioria das lesões ocorreu durante os treinamentos (82,86%). A maioria permaneceu afastada da pratica esportiva em média entre 15 e 30 dias. Em relação à terapêutica, observou-se que medicamentos antiinflamatórios foram freqüentemente utilizados (71,4%), seguindo-se repouso (62,9%), imobilização (60%) e gelo local (crioterapia) com 51,4%, sendo esta conduta associada à fisioterapia em 40% das lesões. Necessitaram de intervenção cirúrgica 14,3% dos casos.
CONCLUSÃO: A ocorrência de lesões durante a prática de Judô predomina nos treinamentos, tendo a maioria dos atletas recuperação em tempo inferior a um mês, sendo a principal opção terapêutica o tratamento conservador.

Palavras-chave: Traumatismos em Atletas, Artes Marciais, Reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

9 - O planejamento da reabilitação na fase aguda após o acidente vascular encefálico

Rehabilitation planning in the acute phase after encephalic vascular accident

Rebeca Boltes Cecatto; Cristiane Isabela de Almeida

Acta Fisiátr.2010;17(1):37-43

A reabilitação de pacientes portadores de lesões encefálicas é um processo que visa a recuperação precoce dos déficits e a preparação para uma reintegração na vida em comunidade, com o melhor resultado funcional possível, independência e qualidade de vida. Este estudo tem por objetivo levar ao conhecimento do corpo assistencial brasileiro os pontoschave referentes aos programas de reabilitação especializados na fase aguda do Acidente Vascular Encefálico desde o evento inicial até a transição para a comunidade. Para isso, baseandose em sua expertise, os autores realizaram uma discussão de 58 artigos selecionados nas bases de dados MEDLINE e COCHRANE LIBRARY, usando como descritores "Stroke" and Rehabilitation", referentes a pacientes maiores de 18 anos, de ambos os sexos, no período de 1990 a 2008, nas línguas inglesa, portuguesa, francesa e espanhola. Mais estudos serao necessários no futuro para a discussão de questoes como: medidas de qualidade de vida, prognóstico das deficiências, estratificação dos pacientes quanto à resposta à reabilitação, intensidade e duração da reabilitação à médio e longo prazo e medidas de qualidade dos serviços de reabilitação.

Palavras-chave: Centros de Reabilitação, Acidente Cerebral Vascular/reabilitação, Qualidade de Vida

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - A medicina física e reabilitação no século XXI: desafio e oportunidades

Physical and rehabilitation medicine in the XXI century: challenges and opportunities

Filipa Faria

Acta Fisiátr.2010;17(1):44-48

Neste trabalho efetua-se uma reflexão sobre algumas das questoes que estao a influenciar a reabilitação na atualidade. As alterações demográficas e a epidemiologia das doenças, o aumento das expectativas dos doentes, o crescimento dos custos dos cuidados de reabilitação, e também a dificuldade em estabelecer os limites entre a MFR, as outras especialidades médicas e outros profissionais de saúde, são alguns dos desafios da nossa prática diária. Por outro lado, as mudanças nos conceitos, mentalidades e políticas relacionadas com a deficiência tal como a evolução tecnológica, são oportunidades para alargar o campo de intervenção da Medicina de Reabilitação, confirmando o seu papel decisivo na promoção do entendimento social sobre a deficiência. Finalmente, abordam-se algumas novas perspectivas para a reabilitação no século XXI.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência, Medicina Física, Políticas Públicas

Número atual: Junho 2010 - Volume 17  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Avaliação da funcionalidade da criança com paralisia cerebral espástica

Functionality evaluation of children with spastic cerebral palsy

Maria Matilde de Mello Sposito; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2010;17(2):50-61

A paralisia cerebral é resultante de uma lesão não progressiva sobre o sistema nervoso central em desenvolvimento e que pode levar a disfunções motoras, distúrbios no movimento, deficiências mentais e alterações funcionais. A espasticidade é a anormalidade motora e postural mais comumente vista na paralisia cerebral. Considerando as múltiplas repercussões da espasticidade sobre a funcionalidade do indivíduo com paralisia cerebral, torna-se claro que uma avaliação do quadro clínico deve ser precisa e direcionar-se aos aspectos específicos que exigem intervenção. Este texto tem como objetivo servir de guia aos médicos ou terapeutas na escolha de instrumentos de medição quantitativa e qualitativa.

Palavras-chave: Criança, Paralisia Cerebral, Espasticidade Muscular, Escalas

2 - Tratamento farmacológico da espasticidade na paralisia cerebral

Pharmacological spasticity treatment on cerebral palsy

Maria Matilde de Mello Sposito; Simone Bio Albertini

Acta Fisiátr.2010;17(2):62-67

A espasticidade é uma desordem motora caracterizada por aumento dos reflexos de estiramento tônicos (tônus muscular), velocidade dependente, resultado da hiper excitabilidade deste reflexo, como um componente da Síndrome do Neurônio Superior, extremamente comum a várias condições neuropáticas. Neste artigo faremos uma revisão da fisiopatologia da espasticidade e dos principios fármacos utilizados no seu tratamento.

Palavras-chave: Criança, Paralisia Cerebral, Espasticidade Muscular/ efeitos de drogas, Toxina Butulínica Tipo A

3 - Bloqueios químicos para o tratamento da espasticidade na paralisia cerebral

Chemical blockage for cerebral palsy spasticity treatment

Maria Matilde de Mello Sposito

Acta Fisiátr.2010;17(2):68-83



Palavras-chave: Criança, Paralisia Cerebral, Espasticidade Muscular/ efeitos de drogas, Toxina Butulínica Tipo A

ARTIGO DE REVISÃO

4 - Cirurgias e intervenções físicas no tratamento da espasticidade na paralisia cerebral

Surgeries and physical interventions in the treatment of cerebral palsy spasticity

Maria Matilde de Mello Sposito

Acta Fisiátr.2010;17(2):84-91

Apesar de tratamento da espasticidade em pacientes com paralisia cerebral fundamenta-se, essencialmente, na cinesioterapia e medicamentos administrados como infiltrações ou por via oral, ocorrem situações nas quais tais intervenções não surtem os efeitos desejados, seja em virtude da gravidade da espasticidade ou da contra-indicação e efeitos adversos ao uso da toxina butulínica. Também podem ocorrer distorções do aparelho locomotor resultantes do constante estímulo deformante da espasticidade e da alteração biomecânica que ela impoe ao posicionamento de membros durante a marcha, ortostatismo ou outras posições de repouso. Nestas últimas situações, estao indicados procedimentos cirúrgicos que visam a melhoria da condição biomecânica, adequação do posicionamento e maior eficiência da movimentações em geral. Este artigo de revisão tem por objetivo apresentar as formas alternativas de administração de drogas para o controle da espasticidade e de suas conseqüências como deformidades e alteração de função além de procedimentos fisioterapêuticos e uso de órteses sempre com o objetivo de redução dos quadros espásticos.

Palavras-chave: Espasticidade Muscular, Paralisia Cerebral, Toxina Botulínica Tipo A

Número atual: Setembro 2010 - Volume 17  - Número 3

EDITORIAL

1 - Mudança dos critérios Qualis!

Adagmar Andriolo; Alfredo José Afonso Barbosa; Arnaldo José Hernandez; Aroldo F. Camargos; Benedito Barraviera; Bogdana Victoria Kadunc; et al.

Acta Fisiátr.2010;17(3):92-93



Palavras-chave: Espasticidade Muscular, Paralisia Cerebral, Toxina Botulínica Tipo A

ARTIGO ORIGINAL

2 - Uma abordagem qualitativa das interações entre os domínios da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

A qualitative approach of interactions between the domains of the International Classification of Functionality, Disability, and Health

Alexandra de Lima; Carina Souza Viegas; Maria Elizarda Machado de Paula; Fabiana Caetano Martins Silva; Rosana Ferreira Sampaio

Acta Fisiátr.2010;17(3):94-102

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) baseia-se no modelo biopsicossocial e permite a compreensão dos processos de funcionalidade e incapacidade através da interação dos seus componentes. O objetivo deste estudo foi analisar as inter-relações entre os domínios da CIF, descrevendo o processo de funcionalidade e de incapacidade a partir da percepção do indivíduo. Utilizou-se abordagem qualitativa com realização de entrevistas e de grade de vida, construídas a partir dos domínios da CIF, aplicadas a 11 pacientes, seguida por preenchimento de um diário de atividades semanais. A maioria dos entrevistados fez ou faz uso de produtos e tecnologias como bengalas, prótese ou órteses, e não teve dificuldade na aquisição dos mesmos através do SUS. Os fatores pessãois que se destacaram foram as formas de enfrentamento da nova condição de saúde e a ressignificação de suas vidas. Durante as entrevistas, a importância do suporte social, sobretudo aquele oferecido pelos familiares e amigos, as barreiras encontradas na utilização do transporte público, além do acesso aos serviços de saúde e benefícios da Previdência Social foram ressaltados. A elaboração de estratégias foi um tema que aponta para a reorganização do cotidiano e que os entrevistados desenvolveram para minimizar as dificuldades vivenciadas em seu dia-a-dia. A análise das entrevistas permitiu confirmar a existência de interação entre os componentes da CIF. Este modelo mostrou-se uma ferramenta importante para compreender o processo de funcionalidade e incapacidade humana a partir da subjetividade e individualidade do paciente, bem como para elaborar intervenções e nortear políticas públicas e pesquisas na área de saúde.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Pessoas com Deficiência, Apoio Social, Políticas Públicas de Saúde

3 - Relações entre bem-estar subjetivo e mobilidade e independência funcional por função de grupo de faixas etárias e de gêneros em idosos

Relationships between subjective well-being, mobility, and independence as a function of age bracket and gender among the elderly

Giovana Sposito; Maria José D'Elboux Diogo; Fernanda Aparecida Cintra; Anita Liberalesso Neri; Maria Elena Guariento; Maria da Luz Rosário de Sousa

Acta Fisiátr.2010;17(3):103-108

Este estudo teve como objetivo investigar as associações de bemestar subjetivo, a independência nas atividades cotidianas e as medidas de mobilidade e flexibilidade de membros inferiores em idosos em acompanhamento ambulatorial, em relação a grupos etários e de gêneros. Foram avaliados 125 idosos de ambos os gêneros com idade igual ou superior a 60 anos. Os instrumentos utilizados foram: Medida da Independência Funcional (MIF) para avaliar as atividades cotidianas, Short Physical Performance Battery (SPPB) para o desempenho físico, Bem-estar Subjetivo (BES) para satisfação com a vida. Os resultados revelaram que mulheres têm pior desempenho físico e menor independência funcional do que os homens. Os idosos mais velhos tiveram pior pontuação no desempenho físico e são mais dependentes nas atividades de vida diária que os idosos mais jovens. Entretanto eles são mais satisfeitos com vida do que os demais. Os resultados sugerem que indivíduos mais velhos e mulheres têm maior limitação funcional. Entretanto os idosos mais velhos apresentam maior satisfação com a vida.

Palavras-chave: Idoso, Atividades Cotidianas, Qualidade de Vida

4 - Efeito da exposição cirúrgica de nervos e músculos no teste neurofisiológico em ratos

The effect of surgical exposure of nerves and muscles in neurophysiologic tests on rats

Elisangela Jeronymo Stipp-Brambilla; Adriana Maria Romão; José Antonio Garbino; Manoel Henrique Salgado; Fausto Viterboz

Acta Fisiátr.2010;17(3):109-111

O estudo neurofisiológico, na modalidade da eletroneuromiografia (ENMG), determina e quantifica a integridade de componentes da unidade motora. Os principais dados fornecidos pelo exame eletroneuromiográfico são os estudos de condução nervosa motora, sensitiva e eletromiografia. No entanto, vários fatores podem interferir sobre a resposta nervosa à eletroestimulação, tais como: idade, sexo, temperatura, umidade e outros. O objetivo deste trabalho foi verificar o efeito da exposição cirúrgica dos nervos ciático, fibular comum, tibial e do músculo tibial cranial no teste neurofisiológico em ratos. Foram utilizados 20 ratos, Wistar, machos com aproximadamente 80 dias, divididos em dois grupos. No grupo normal o exame foi realizado sem a exposição cirúrgica do nervo fibular. No grupo cirúrgico houve a exposição do nervo fibular comum. Com o modelo experimental utilizado, concluiu-se que o teste neurofisiológico realizado em animais com nervos e músculos expostos cirurgicamente é viável, uma vez que a alteração da temperatura do animal não interferiu significativamente nos valores dos parâmetros eletrofisiológicos observados. Além disso, a exposição de nervos e músculos permite estimular um ponto exato no nervo alvo.

Palavras-chave: Neurofisiologia, Eletromiografia, Nervo Ciático/cirurgia, Nervo Fibular/cirurgia, Ratos

5 - Estudo do tratamento da lombalgia crônica por meio da Escola de Postura

Study of chronic low back pain treatment using the Back School

Andrea Tobo; Marcelo El Khouri; Quirino Cordeiro; Moisés da Cunha Lima; Carlos Alexandrino de Brito Junior; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2010;17(3):112-116

O objetivo do presente trabalho foi analisar a resposta ao tratamento dos pacientes com dor lombar crônica, atendidos pela "Escola de Postura" do IMREA-HCFMUSP. Os questionários utilizados para avaliação da resposta terapêutica foram a escala "Oswestry Low Back Pain Disability Questionnaire", a Escala Visual Analógica (EVA), e um diagrama corporal de dor. A amostra foi composta por 43 pacientes com lombalgia crônica encaminhados, avaliados e tratados pela Escola de Postura. Observou-se que os indivíduos que concluíram a Escola apresentaram melhora significativa com relação às três escalas de avaliação aplicadas. Cabe ressaltar que o período de estudo de avaliação da Escola de Postura foi de dois meses, sendo que os resultados não possibilitam afirmar que tal método terapêutico também é eficaz em longo prazo. Mais estudos, quantitativos e qualitativos, devem ser realizados de modo a oferecer subsídios à equipe multiprofissional da Escola que permitam operar mudanças e ampliar recursos terapêuticos no tratamento de pacientes com lombalgia crônica.

Palavras-chave: Dor Lombar, Qualidade de Vida, Questionários, Resultado de Tratamento

6 - Medo do idoso em sofrer quedas recorrentes: a marcha como fator determinante da independência funcional

Fear among the elderly of suffering recurring falls: the gait as a determining factor of functional independence

Adriana Arruda Barbosa Rezende; Iris Lima e Silva; Fabrício Bruno Cardoso; Heron Beresford

Acta Fisiátr.2010;17(3):117-121

As quedas trazem repercussões psicológicas, como o medo de cair, podendo desencadear prejuízos consideráveis na autonomia do idoso. O objetivo deste estudo, efetuado com 60 idosas, sedentárias, com idades entre 68 e 70 anos, com relatos de quedas, cadastradas no Programa "Idoso Feliz" na cidade do Rio de Janeiro/RJ, foi identificar o medo de sofrer quedas recidivantes no relato de pessoas idosas. Inicialmente foi feito um questionamento acerca da ocorrência de quedas no grupo participante da pesquisa. Em seguida, uma entrevista por meio da Falls Efficacy Scale-International-Brasil para avaliar o grupo com relação à preocupação em cair durante a prática de 16 atividades diárias. Foi também avaliado o perfil da marcha dinâmica utilizando-se o teste de Indice de Marcha Dinâmica. O tratamento estatístico se concentrou na análise descritiva por meio da estimativa de medidas de localização (mínimo, máximo e média) e medidas percentuais e os resultados mostraram que a freqüência das quedas aumentou proporcionalmente com a idade. Em relação à preocupação das idosas em cair, 40,11% não referiu preocupação, 30% relatou um pouco de preocupação, 25,33% moderada preocupação e 4,6% muita preocupação. As atividades para as quais se mostraram mais preocupadas foram: tomar banho, andar em superfícies escorregadias ou irregulares, andar em um local onde haja multidao e sair para eventos sociais. Na avaliação do índice de marcha dinâmica a maioria da população teve um resultado considerado preditivo de quedas, já que todas as idosas perfizeram menos que 19 pontos. Pôde-se concluir que a maioria da população investigada apresentou preocupação, mesmo que pouca ou moderada, em sofrer quedas recorrentes na prática de atividades da vida diária, atividades físicas e atividades sociais, especialmente quando estas requerem força muscular e equilíbrio. Isto pode ser justificado, em parte, pelo insatisfatório índice da marcha dinâmica detectado, o que faz subentender-se a presença de anormalidades naquela função biomecânica.

Palavras-chave: Idoso, Acidentes por Quedas, Marcha, Atividades Cotidianas

7 - O olhar do usuário sobre o acolhimento em um serviço de reabilitação

The client's perspective regarding their welcoming at a rehabilitation clinic

Sirlaine Vieira da Cruz; Liliane Dias Ribeiro; Lúcia Helena de Assis Cabral; Rosana Ferreira Sampaio

Acta Fisiátr.2010;17(3):122-125

Dentre as novas medidas de atenção aos usuários propostos na Política Nacional de Humanização, destaca-se o acolhimento, que consiste na busca constante do reconhecimento das necessidades dos usuários e das formas possíveis de satisfazê-las. Estudos têm demonstrado a importância de um atendimento humanizado, onde a escuta do usuário torna-se um valioso instrumento para avaliar a efetividade do serviço oferecido à determinada população. O objetivo deste estudo foi descrever, a partir da perspectiva dos usuários, como é realizado o acolhimento em um serviço de reabilitação da mão e analisar os fatores mais relevantes. Foi adotada abordagem qualitativa e o recurso metodológico utilizado foi a entrevista semiestruturada onde os usuários foram questionados em relação ao acolhimento, considerando suas três dimensões: acesso, postura e técnica. A análise de conteúdo foi o método escolhido e consistiu em ordenação, classificação e análise final dos resultados. Participaram do estudo 12 usuários de um hospital público da cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Os usuários consideraram que um bom acolhimento refere-se à forma mais humanizada de ser recebido, isto é, com atenção, educação e carinho. A comunicação entre terapeuta e usuário demonstrou ser importante para se criar um vínculo entre ambos, construindo uma relação de confiança, gerando a satisfação do usuário e favorecendo a evolução do tratamento. Evidenciouse que realizar um bom acolhimento é um valioso instrumento terapêutico para o profissional de reabilitação. Apresentar boa capacidade de escuta e mostrar-se sensível às necessidades do usuário ajuda na redução dos medos e ansiedades naturais no início da reabilitação, facilitando todo o processo.

Palavras-chave: Serviços de Reabilitação, Terapia Ocupacional, Traumatismos da Mao, Acolhimento

8 - Terapia com caixa de espelhos na síndrome dolorosa regional complexa tipo I

Mirror box therapy in the complex regional pain syndrome type I

Ana Teresa Gaspar; André Castro; Filipe Antunes

Acta Fisiátr.2010;17(3):126-129

A Síndrome dolorosa regional complexa (SDRC) tipo I é um quadro de dor neuropática, que afeta, sobretudo as extremidades dos membros após evento traumático e/ou período de imobilização, na ausência de lesão nervosa. Para além da dor, as características clínicas incluem alterações vasomotoras regionais e freqüentemente limitação da mobilidade da extremidade envolvida. Não está totalmente esclarecida a sua causa e existem poucos consensos em relação ao tratamento ideal. A caixa de espelhos é uma modalidade terapêutica baseada no feedback visual, como forma de construção de uma nova imagem mental do membro afetado, promovendo a reorganização cortical. Esta técnica tem sido utilizada na recuperação motora ou no controlo da dor em situações como o acidente vascular cerebral e o SDRC tipo I.

Palavras-chave: Síndromes da Dor Regional Complexa, Extremidade Superior, Terapêutica, Terapia

TENDENCIAS E REFLEXÕES

9 - Sobre o processo de triagem em centros de reabilitação

The triage process in rehabilitation centers

Marcelo Riberto; Sueli Satie Hamada Jucá; Margarida Harumi Miyazaki; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2010;17(3):130-133

O processo de triagem em centros de reabilitação consiste numa avaliação das condições do paciente potencial usuário dos serviços prestados nessas unidades do sistema de saúde. Em geral ela ocorre no primeiro contato com a equipe clínica. Por meio de agendamento, o paciente é submetido a entrevista com um médico, um assistente social e um psicólogo num só momento, onde são verificadas as condições clínicas, aspectos de dinâmica de relacionamento e psicopatológicos, bem como requisitos sociais para participação regular e supervisionada nas atividades propostas. O objetivo do processo de triagem não é obstruir o acesso de qualquer pessão aos serviços disponíveis, mas sim direcionar o potencial usuário para a forma mais ágil de atendimento ou mais apropriada às suas necessidades. Ao final do processo de triagem o paciente pode ser eleito para intervenção multiprofissional em vários dias da semana, outras alternativas de intervenção, seja terapêuticas ou de orientação, com recrutamento de número diferente de profissionais ou contatos semanais. Considerando a realidade de reabilitação no Brasil, que não contempla a internação, pode-se esperar um aproveitamento integral do programa de reabilitação somente em condições otimizadas. Os recursos para reabilitação não são ilimitados, assim, a sua otimização é necessária e o processo de triagem viabiliza o melhor aproveitamento desses recursos, e uma distribuição mais justa e ética dos mesmos.

Palavras-chave: Centros de Reabilitação, Administração em Saúde, Triagem, Pessoas com Deficiência/reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

10 - Técnicas de avaliação proprioceptiva do ligamento cruzado anterior do joelho

Techniques of proprioceptive evaluation of the anterior cruciate knee ligament

Angélica Castilho Alonso; Guilherme Carlos Brech; Julia Maria D'Andréa Greve

Acta Fisiátr.2010;17(3):134-140

O joelho apresenta pouca estabilidade, em virtude de sua forma anatômica, ao mesmo tempo em que possui grande flexibilidade, e por essas razoes, sua função depende das estruturas musculares e ligamentares. Uma lesão na articulação pode causar alterações nas informações sensoriais mantidas pelos mecanorreceptores. Com o aumento do interesse por atividades esportivas, bem como a vulnerabilidade e complexidade anatômica do joelho justificam um aumento crescente do número de pacientes com lesões ligamentares, principalmente do ligamento cruzado anterior (LCA). Entretanto qual é a melhor forma de avaliar a propriocepção do joelho?
OBJETIVO: Desta forma este estudo teve como objetivo identificar as técnicas de avaliação proprioceptivas do LCA do joelho, e se existe a melhor técnica.
MÉTODOS: Foi realizada uma revisão de literatura, tendo como critérios de inclusão os estudos publicados em revistas científicas indexadas, que se referiam a instrumentos de avaliação e/ou mensuração da propriocepção do joelho.
DISCUSSÃO: De acordo com a literatura revisada, existem diferentes técnicas de avaliação da propriocepção do LCA, dentre elas: estudos morfológicos anatômicos; avaliação neurofisiológica; e avaliação clínica que é dividida em três subtipos: a) sentido da posição estática; b) cinestesia; e c) equilíbrio postural. Ainda que a propriocepção seja importante no resultado final de um tratamento que envolva uma lesão ligamentar, sua avaliação ainda é uma dificuldade.
CONCLUSÃO: O método ideal deve ter alta sensibilidade e especificidade, além de boa reprodutibilidade e precisão. Porém não houve consenso na literatura referente à melhor técnica e os resultados são contraditórios, apesar da avaliação do equilíbrio ser uma técnica moderna e utilizada nos grandes centros de pesquisa, não é possível isolar o sistema proprioceptivo dos outros sistemas: visual e vestibular.

Palavras-chave: Propriocepção, Equilíbrio Postural, Ligamento Cruzado Anterior, Avaliação

Número atual: Dezembro 2010 - Volume 17  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Investigação dos efeitos do exercício terapêutico sobre a regeneração nervosa periférica

Investigation of therapeutic exercise effects on peripheral nerve regeneration

Fernanda Possamai; Cristiane Márcia Siepko; Edison Sanfelice André

Acta Fisiátr.2010;17(4):142-147

O sistema nervoso periférico apresenta relativa capacidade de regeneração após uma lesão. Após a axonotmese o nervo ciático produz respostas morfo-funcionais, no músculo alvo, no epicentro da lesão e alguns distritos neuronais retrógrados. Apesar dos avanços terapêuticos, a restauração funcional é incompleta na maioria dos casos. Neste contexto, nós testamos se o exercício (nado) é capaz de interferir na marcha funcional e reações de plasticidade nos motoneurônios da medula espinhal. Quarenta ratos foram divididos em quatro grupos (n=10 cada), submetidos a 30 min/dia de nado, iniciando no 1, 7, 14, 21 dias após lesão do nervo ciático. Todos os grupos apresentaram recuperação funcional, não observamos diferenças significantes nos números de motoneurônios da medula espinhal entre os diferentes grupos estudados. De acordo com a análise funcional e histológica, o exercício terapêutico, nas condições do presente estudo, foi incapaz de acelerar o processo regenerativo.

Palavras-chave: Sistema Nervoso Periférico, Regeneração Nervosa, Exercício, Ratos Wistar

2 - Prevalência de lombalgia em trabalhadores submetidos ao programa de reabilitação profissional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), São Luís, MA

Prevalence of low back pain among employees undergoing the Occupational rehabilitation program at Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Sao Luís, MA

Ana Teresa de Jesus Brito de Abreu; Camila Almeida Bezerra Ribeiro

Acta Fisiátr.2010;17(4):148-152

O presente estudo avalia a prevalência de lombalgia na população de trabalhadores inseridos no Programa de Reabilitação Profissional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na cidade de São Luís/ MA. Este programa apresenta como funções básicas a avaliação do potencial laborativo e a definição da real capacidade de retorno ao trabalho dos segurados atendendo aproximadamente 400 pessoas por mês. Através dos registros em prontuários, foi realizado um estudo de corte transversal retrospectivo em que foram separados 264 prontuários, válidos de 1995 a 2009, de trabalhadores afastados do trabalho e ainda com vínculo empregatício. Aqueles apresentados como desempregados foram excluídos do trabalho. Dessa amostra, selecionou-se somente os trabalhadores com diagnóstico de lombalgia, totalizando 88 prontuários, em que foram encontrados 83 casos do sexo masculino (94,3%), média de idade de 41 anos, variando de 24 a 53 anos. A prevalência de lombalgia foi de 33,3% em relação aos diagnósticos encontrados na amostra inicial. Observou-se que em sua maioria, a amostra era composta por trabalhadores casados, com baixa escolaridade, do sexo masculino, em idade produtiva e afastados do trabalho há mais de um ano, associada à realização de atividades profissionais às quais exigem postura estática, movimentos repetitivos e carregamento de peso.

Palavras-chave: Lombalgia, Prevalência, Trabalhadores, Reabilitação Profissional

3 - Uso de testes clínicos para verificação do controle postural em idosos saudáveis submetidos a programas de exercícios físicos

Use of clinical tests for verification of postural control in healthy elderly submitted to physical exercise programs

Fábio Marcon Alfieri; Marcelo Riberto; Lucila Silveira Gatz; Carla Paschoal Corsi Ribeiro; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2010;17(4):153-158

O controle postural no envelhecimento diminui e a prática de exercícios físicos pode melhorar esta importante função. A fim de medir estas possíveis melhoras, podem ser usados diversos testes. O objetivo deste estudo foi o de analisar o uso de testes clínicos de medidas indiretas para verificar as alterações sobre o controle postural de idosos saudáveis submetidos a programas de exercícios físicos. O desenho do estudo foi um ensaio clínico simples-cego e aleatorizado com braços paralelos. Participaram da pesquisa 46 idosos divididos aleatoriamente em dois grupos de exercícios: multissensoriais (GMS, n=23, 68,8±5,9 anos) e de fortalecimento (treino resistido) (GR, n=23, 70,18±4,8). Ambos os grupos realizaram 12 semanas (2dias/semana, 50m/dia) de exercícios. Para avaliação do controle postural foram utilizados os testes: Timed up and go (TUG), teste de apoio unipodal, bateria de testes de Guralnik e escala de equilíbrio funcional de Berg. Os indivíduos do GMS apresentaram melhora significativa nos testes TUG e bateria de testes de Guralnik e o GR não apresentou melhora em nenhum dos testes. A melhora no tempo de execução do teste TUG do GMS que foi de 9,1±8,04 para 8,0±1,0 segundos após a intervenção, foi estatisticamente superior ao resultado do GR. Acreditamos que o teste TUG e a bateria de testes de Guralnik são boas opções para avaliar o controle postural de idosos submetidos a programas de intervenção. Embora o TUG não possa ter seu tempo diminuído indefinidamente, permite verificar até mesmo dentro de um tempo de normalidade, alterações promovidas por exercícios físicos.

Palavras-chave: Envelhecimento, Exercício, Equilíbrio Postural, Avaliação

4 - Biofeedback eletromiográfico e parâmetros da dinamometria isocinética de joelho e tornozelo de jogadores de futebol amador

Electromyographic biofeedback and parameters of isokinetic dynamometry of knee and and ankle in amateur soccer players

Carina Elias Baron; Leonardo Luiz Barretti Secchi; Júlia Maria D'Andréa Greve; Vasthi Oliveira de Lima; Viviane Ribeiro Carvalho

Acta Fisiátr.2010;17(4):159-163

INTRODUÇÃO: A eletromiografia tem sido utilizada para avaliar o controle voluntário da atividade muscular. Dentre as técnicas destaca-se o biofeedback eletromiográfico como facilitador do aprendizado neuromotor, inclusive na prática esportiva.
OBJETIVO: Analisar o efeito do biofeedback eletromiográfico nos parâmetros isocinéticos dos flexores e extensores do joelho e inversores e eversores do tornozelo em jogadores de futebol amador.
CASUISTICA: 14 atletas de futebol amador do gênero masculino randomizados em dois grupos: Grupo Treino (GT) - sete atletas, idade de 23 ± 2 (22 e 28) anos, massa corpórea 75,7 ± 4,0(72 e 80) kg , estatura 182 ± 4 (176 e 188) cm e Grupo Controle (GC) - sete atletas com idade 24 ± 2 (21 e 28) anos, massa corpórea 72,3± 9,4 (59 e 79) kg, estatura 175± 5 (169 e 180) cm.
MÉTODO: Todos os atletas foram avaliados por um protocolo clínico: anamnese, incidência de lesões e escala visual análoga de dor e foram submetidos à dinamometria isocinética dos inversores e eversores do tornozelo e flexores e extensores do joelho. O GT realizou 12 sessões de biofeedback eletromiográfico, uma vez por semana. No final das sessões, todos os atletas foram reavaliados.
RESULTADOS: Na velocidade de 30º/ seg., o pico de torque 0,18 segundos (PT 0,18s) dos eversores do tornozelo foi maior no GT e no joelho, na velocidade de 60º/seg. o PT 0,18s dos flexores de joelho foram maiores no GT.
CONCLUSÃO: O biofeedback eletromiográfico melhorou os parâmetros isocinéticos dos jogadores de futebol amador.

Palavras-chave: Atletas, Eletromiografia, Amplitude de Movimento Articular, Joelho

5 - Adaptação da pessoa após acidente vascular encefálico e seu cuidador: ambiente domiciliar, cadeira de rodas e de banho

Adaptation of the person after stroke and their caregivers: home environment, wheelchair and bath chair

Márcia Regina Garanhani; Jaqueline Frazao Alves; Dirce Shizuko Fugisawa; Mara Lúcia Garanhani

Acta Fisiátr.2010;17(4):164-168

O acidente vascular encefálico causa incapacidade funcional. O envolvimento dos familiares influencia na recuperação dos pacientes e as barreiras arquitetônicas no domicílio dificultam a acessibilidade. O estudo qualitativo procurou identificar as dificuldades das pessoas após o acidente vascular encefálico em relação às barreiras arquitetônicas, ao manuseio da cadeira de rodas e de banho, por meio de entrevista semi-estruturada e roteiro de medidas de acessibilidade. Nove pacientes e seus cuidadores foram entrevistados e da análise dos discursos emergiram três categorias empíricas: acessibilidade andando, acessibilidade com a cadeira de rodas e de banho e o papel das orientações. As principais barreiras encontradas foram os corredores estreitos e circulação interna inadequada. As barreiras arquitetônicas dificultam o uso da cadeira de rodas e de banho no domicílio, sobrecarregando os cuidadores. O conhecimento da realidade destas pessoas facilita programas de orientações de atividades de vida diária centradas na realidade.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Atividades Cotidianas, Estruturas de Acesso, Cadeiras de Rodas

6 - Escala salsa e grau de incapacidades da Organização Mundial de Saúde: avaliação da limitação de atividades e deficiência na hanseníase

SALSA scale and disability grading system of the World Health Organization: evaluation of physical activity limitations and disability of individuals treated for leprosy

Eliyara Ikehara; Susilene Maria Tonelli Nardi; Iracema Serrat Vergotti Ferrigno; Heloisa da Silveira Paro Pedro; Vânia Del'Arco Paschoal

Acta Fisiátr.2010;17(4):169-174

Verificar o grau de incapacidades da OMS (GI-OMS) e a limitação de atividades avaliada pela escala Screening of Activity Limitation and Safety Awareness (SALSA) pós-alta medicamentosa dos pacientes que tiveram hanseníase. Estudo transversal que incluiu pacientes tratados entre 2007 a 2009, em São José do Rio Preto-SP, Brasil. Utilizouse protocolo próprio para coletar dados gerais e clínicos, construído com base no Check List da Classificação Internacional Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. A deficiência foi medida pelo GI-OMS e a limitação de atividades pelo SALSA que tem variação de 10 a 80 e ponto de corte > 25. De 84 pessãos tratadas no período, 54(64,3%) foram entrevistadas, sendo 31(57,4%) homens, idade 53,8(dp16,3) e 33(61,2 %) possuía até 6 anos de educação formal. A forma clinica dimorfa predominou 17(32,1%), 21(38,9%) considerou sua saúde física "boa". A analise dos escores SALSA e variáveis estudadas resultou em significância aos que relataram lesão significante (valor-p=0,04), baixa renda familiar (valor-p=0,04), baixa escolaridade (valor-p=0,00), formas clínicas multibacilares (valor-p=0,01) e deficiências avaliadas pelo GI-OMS (valor-p=0,01). As limitações de atividades são freqüentes (57,4%), assim como as deficiências medidas pelo GI-OMS (68,5%), atingem as formas multibacilares, pessãos que relataram lesão significante, de baixa renda e escolaridade.

Palavras-chave: Hanseníase, Atividades Cotidianas, Epidemiologia, Morbidade, Classificação Internacional de Funcionalidades; Incapacidades e Saúde

ARTIGO DE REVISÃO

7 - Benefícios do exercício físico para crianças e adolescentes com paralisia cerebral: uma revisão bibliográfica

Benefits of physical exercise for children and adolescents with cerebral palsy: a literature review

Marcel dos Santos Paiva; Marcia Galasso Nardi; Tatiana Galante Streiff; Terezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2010;17(4):175-179

Existem fortes evidências demonstrando que a aptidao física e o estado de saúde das crianças e adolescentes são realçados substancialmente pela prática de atividade física freqüente e, por outro lado, há poucos estudos que evidenciam os benefícios desta prática em populações com deficiência ou mobilidade reduzida. Com objetivo de relatar as alterações geradas pela aplicação de programas de exercícios físicos em crianças e adolescentes com paralisia cerebral com GMFCS I a III, focando as variáveis de força, função motora, espasticidade e qualidade de vida, foi realizada esta revisão bibliográfica utilizando as bases de dados MEDLINE, PubMed e Lilacs. Além de utilizar palavras-chave em português e em inglês para busca de artigos, os trabalhos foram selecionados a partir de uma análise prévia obedecendo aos critérios de inclusão a partir do ano de publicação, análise de título e resumo, sendo excluídos os estudos de revisão e revisão sistemática. Dos 8 estudos incluídos, somente 3 são randomizados variando a quantidade da amostra estudada entre 8 e 65 indivíduos com paralisia cerebral com idades de 6 a 18 anos. Estes estudos contrariam o paradigma de que o exercício físico com carga para pessãos com desordens neurológicas pode causar aumento da espasticidade. O trabalho também retrata os benefícios gerados pelo aumento de força muscular principalmente em membros inferiores através de exercícios que utilizam o princípio da sobrecarga. Os resultados são favoráveis com relação a melhora da função motora grossa além da qualidade de vida expressa em diversos fatores como maior motivação, participação em atividades, socialização e auto percepção.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Exercício, Aptidao Física, Revisão

8 - Terapia manipulativa ortopédica na dor vertebral crônica: uma revisão sistemática

Manipulative orthopedic therapy for chronic spinal pain: a systematic review

Freddy Beretta Marcondes; Samuel Satraceri Lodovichi; Milton Cera

Acta Fisiátr.2010;17(4):180-187

OBJETIVO: Analisar a eficácia da Terapia Manipulativa Ortopédica (TMO) nos casos de dores vertebrais crônicas.
MÉTODOS: Uma busca sistematizada foi realizada nas bases de dados PEDro, Medline e Science Direct no mês de junho de 2010, reunindo ensaios clínicos randomizados recentes que documentassem os efeitos da TMO na Dor Vertebral Crônica. Todos os trabalhos tiveram suas qualidades metodológicas avaliadas pela escala de PEDro e somente os estudos com notas acima de cinco foram revisados. Os dados foram extraídos de forma padronizada de cada estudo.
RESULTADOS: Foram revisados oito artigos sobre dor cervical crônica e onze sobre dor lombar crônica. Quanto a dor cervical crônica, seis estudos mostraram que a TMO associada a exercícios são eficazes, mantendo a melhora dos sintomas por até 24 meses. Um estudo mostrou que a TMO (sem exercícios) é superior à massagem e outro estudo mostrou que a TMO proporciona alívio imediato da dor. Quanto a dor lombar crônica, cinco ensaios clínicos mostraram que a TMO associada a exercícios são eficazes a curto e longo prazo; dois trabalhos mostraram que a TMO é mais eficaz do que analgésicos e anti-inflamatórios. Três estudos mostram que a TMO como único tratamento é eficaz, um estudo mostra que a manipulação não é mais eficaz que exercícios de extensão.
CONCLUSÃO: As técnicas de TMO (exceto osteopatia) são recursos eficazes nos casos de dores crônicas da coluna. Entretanto, seus efeitos de redução da dor ocorrem somente a curto prazo, sendo necessário a associação de exercícios terapêuticos para um resultado eficaz a longo prazo. Mais estudos devem ser feitos para comparar diferentes técnicas de TMO e diferentes técnicas de exercícios entre si nos casos de dores crônicas da coluna.

Palavras-chave: Manipulação Ortopédica, Manipulação da Coluna, Exercício, Revisão

9 - Eletroneuromiografia na avaliação das radiculopatias cervicais e lombossacrais

Electromyography in the evaluation of cervical and lumbosacral radiculopathy

Luciane Fachin Balbinot; José Antonio Garbino; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2010;17(4):188-192

A eletroneuromiografia (ENMG) é empregada como método de diagnóstico complementar no diagnóstico de radiculopatia desde 1950, contribuindo com importantes informações para o esclarecimento diagnóstico, planejamento do tratamento e acompanhamento evolutivo dos pacientes. A presente revisão baseada em evidências buscou referências com ênfase na indicação, sensibilidade, especificidade, reprodutibilidade e limitações do uso desse exame na avaliação das radiculopatias cervicais e lombossacrais. As referências apontam a ENMG como um exame bastante útil tanto na triagem quanto no diagnóstico diferencial na suspeita de radiculopatia cervical ou lombossacra, bem como na avaliação do grau e extensão da lesão, quando respeitadas as limitações da técnica.

Palavras-chave: Radiculopatia, Eletromiografia, Deslocamento do Disco Intervertebral, Dor Lombar

TENDENCIAS E OPINIÕES

10 - O estresse na reabilitação: a síndrome da adaptação geral e a adaptação geral e a adaptação do indivíduo à realidade da deficiência

Stress in rehabilitation: the general adaptation syndrome and the adaptation of the individual to the reality of the disability

Maria Inês Orsoni Chagas

Acta Fisiátr.2010;17(4):193-199

O presente artigo explora a idéia de que o ser humano possui em seu DNA a capacidade para a adaptação às mudanças drásticas que ocorrem na vida, propiciando-lhe a sobrevivência em situações adversas, neste contexto, a aquisição de seqüelas incapacitantes. E se a isso estiver somada a resiliência, enquanto capacidade de transcender à crise com vantagens pode ocorrer uma retomada do desenvolvimento e uma melhora na qualidade de vida do indivíduo, a despeito das seqüelas.

Palavras-chave: Deficiência, Estresse, Resiliência Psicológica, Reabilitação, Adaptação

Número atual: Março 2009 - Volume 16  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Declínio relacionado a idade sobre a taxa de desenvolvimento de força e o efeito do treinamento com pesos em idosas

Age-related decline on rate of force development and the effect of resistance training in older women

Bruna Helena Valeriano Barboza; André Luiz Demantova Gurjao; José Claudio Jambassi Filho; Raquel Gonçalves; Sebastiao Gobbi

Acta Fisiátr.2009;16(1):4-9

O presente estudo teve como objetivos: a) examinar as diferenças relacionadas a idade sobre o comportamento da taxa de desenvolvimento de força (TDF) obtida em diferentes instantes de tempo e TDF pico (TDFP) para os flexores de cotovelo e b) verificar o efeito do treinamento com pesos (TP) sobre essas variáveis em mulheres idosas. Para as análises transversais 40 mulheres foram separadas em grupo idosas (GI; 64,9 ± 5,5 anos; n=20) e grupo jovens (GJ; 20,7 ± 2,3 anos; n=20). Para verificar o efeito do TP o GI foi separado em grupo treinamento (GT; n=8) e grupo controle (GC; n=10). A TDF pico (TDFP) foi determinada como a inclinação mais íngreme da curva para os primeiros 200ms relativos ao início da contração. Os valores de TDF para os intervalos de tempo de 0-50; 0-100; 0-150 e 0-200 ms também foram obtidos. O protocolo de TP foi executado durante oito semanas consecutivas, com três sessões semanais, intensidade entre 10-12 repetições máximas e moderada velocidade de execução. Adultas idosas apresentaram menores TDF (entre -33,2 e -24,3%) e TDFP (-36,3%) quando comparadas as Jovens. Embora o TP tenha levado ao aumento das diferentes TDF entre 7,5 e 18,5%, interação Grupo vs. Tempo significativa foi observada apenas para a TDF entre 0 e 150ms. Em conclusão, o processo de envelhecimento pode comprometer negativamente a capacidade de realizar força muscular rapidamente. Uma rotina de TP caracterizada por moderada velocidade de execução, não leva a incrementos significativos nas diferentes TDF em idosas previamente ativas.

Palavras-chave: força muscular, envelhecimento, levantamento de peso

2 - Identificação das formas de comunicação em portadores de surdocegueira para planejamento da intervenção terapêutica

The identifying of deaf-blind communication forms for the planning of therapeutic interventions

Emerson Fachin Martins; Nadia Ivanov

Acta Fisiátr.2009;16(1):10-13

Alterações auditivas e visuais são capazes de afetar o desenvolvimento motor e cognitivo de crianças e comprometer a aquisição de habilidades funcionais no adulto. A deficiência sensorial pode alterar a qualidade de percepção apresentada ao cérebro e influenciar a aprendizagem. Desta forma, a adaptação sensorial é condição necessária para o fornecimento de informações que possam favorecer o desenvolvimento de sujeitos com surdocegueira. O presente estudo verificou as formas de comunicação apresentadas por crianças e adultos surdocegos visando identificar estratégias para o planejamento da intervenção terapêutica. Para isso, foram entrevistadas 19 famílias que possuíam um dos membros sendo portador de surdocegueira. Os sujeitos foram divididos em dois grupos etários que foram considerados como crianças (até 17 anos) ou adultos (acima de 17 anos). Os resultados não apontaram predominância de qualquer forma de comunicação expressiva nos dois grupos etários. Entretanto, para a comunicação receptiva, LIBRAS foi, significativamente, mais usada que as demais formas de comunicação receptiva pelos adultos. Conclui-se que profissionais que prestam atendimento a sujeitos com surdocegueira devem capacitar-se a diferentes modalidades de comunicação e habilitar-se a comunicação por LIBRAS para interagir com sujeitos surdocegos e planejar adequadamente sua intervenção terapêutica.

Palavras-chave: barreiras de comunicação, surdez, cegueira, terapêutica

3 - Limitação de atividades e participação social em pacientes com diabetes

Activity Limitation and social participation of patients with diabetes

Juliana de Camargo Fenley; Ludmilla Nadir Santiago; Susilene Maria Tonelli Nardi; Dirce Maria Trevisan Zanetta

Acta Fisiátr.2009;16(1):14-18

OBJETIVOS: Avaliar a limitação de atividades e a participação social em indivíduos portadores de diabetes melito tipo 2.
MÉTODOS: Foram avaliados 79 pacientes, utilizando-se a escala SALSA (Screening of Activity Limitation and Safety Awareness - Triagem de Limitação de Atividade e Consciência de Risco), e a escala de Participação, que abrange oito das nove principais áreas da vida definidas na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) da OMS.
RESULTADOS: A idade média dos participantes foi 61,6 ± 9,8 anos, sendo 55,7% do sexo feminino, 68,4% com companheiro(a), 32,9% com renda até 3 salários mínimos e em 13,9% o diabete influenciou na ocupação. O tempo médio de doença foi 10,3 ± 8,9 anos. Tratamento de 39,3% dos participantes foi com insulina, 70,9% com medicação oral, 51,9% com dieta e 45,6% com exercícios físicos. 48,1% apresentavam alguma complicação da doença. A média de pontos SALSA foi 26,5 ± 11,6 e houve maior pontuação quando o tempo de doença foi superior a 10 anos. Com a evolução do diabetes, pode haver necessidade de insulinoterapia, aparecem as complicações, que podem interferir na ocupação. Estes fatores parecem contribuir para a limitação de atividade. A média de pontos na Escala de Participação foi 9,8±10,9, com maior pontuação quando os entrevistados consideraram sua saúde física alterada no último ano e faziam uso de insulina.
CONCLUSÕES: A limitação de atividades no diabetes melito tipo 2 se associou ao tempo de doença, com possível contribuição de fatores que ocorrem com sua evolução. Auto-avaliação de saúde física alterada e insulinoterapia se associaram a restrição social.

Palavras-chave: diabetes mellitus, qualidade de vida, classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde

4 - Estabilidade postural de adultos jovens na privação momentânea da visão

Postural stability of young adults during momentary absence of vision

Regina Maria Carvalho Leme Costa; Daniel Gustavo Goroso; José Augusto Fernandes Lopes

Acta Fisiátr.2009;16(1):19-24

Esse trabalho teve como objetivo a análise da estabilidade postural de adultos jovens na privação momentânea da visão (PMV), no movimento de extensão de tronco para a postura ereta. Foi utilizado um sistema de plataformas de força (uma para cada pé), com freqüência de aquisição de 1000 Hz e um sistema de imagens, com freqüência de aquisição de 200 Hz; ambos os sistemas foram sincronizados. Foram obtidas as forças de reação ao solo (FRS) em cada pé de apoio e calculado o centro de pressão (COP: Center of Pressure). Também foi obtido o centro de gravidade (COG: Center of Gravity) por meio da reconstrução tridimensional das 8 câmeras. Os sinais cinéticos e cinemáticos brutos foram filtrados, utilizando filtro Butterworth de 6ª e 4a ordem, respectivamente, com freqüência de corte de 12 Hz. A coleta de dados foi realizada em 10 indivíduos, adultos jovens do sexo masculino, com média de idade de 25,6 ±2,3 anos, sob duas condições visuais: (1) Visão Preservada (VP) e (2) Privação Momentânea da Visão (PMV) e foram realizadas 5 tentativas para cada condição visual. A tarefa de movimento, denominada auto-perturbação, partiu da posição inicial de flexão de tronco (90º) até a postura ereta. Foi definida como variável de estudo a amplitude do módulo do vetor nos intervalos antes da perturbação, perturbação e pós-perturbação, a fim de quantificar o tempo de recuperação da estabilidade no intervalo pós-perturbação. A amplitude do módulo do vetor foi ajustada com uma curva exponencial. Os valores médios obtidos para o tempo de recuperação da estabilidade foram: 779,6 ms (±138,6) para condição VP e 404,8 ms (±170,2) para a condição PMV. Foi aplicado o teste de Kolmogorov-Smirnov para testar a normalidade das variáveis: tempo de recuperação da estabilidade e amplitude pósperturbação (p<0.05). Na seqüência foram aplicados os testes: t de Student para dados pareados e ANOVA bidirecional para as 5 tentativas de cada condição visual. Foram constatadas diferenças significativas (P<0,05) para as variáveis analisadas no intervalo de pós-perturbação. Concluiu-se que os indivíduos PMV utilizaram mecanismos de ajustes neuromusculares rápidos quando comparados com indivíduos VP para se estabilizar na postura ereta e não cair.

Palavras-chave: postura, marcha, transtornos da visão

ARTIGO DE REVISÃO

5 - Toxina Botulínica do Tipo A: mecanismo de ação

Botulinic Toxin Type A: action mechanism

Maria Matilde de Mello Sposito

Acta Fisiátr.2009;16(1):25-37

Neste trabalho de revisão, são abordados inicialmente aspectos históricos das pesquisas para a obtenção e utilização da toxina botulínica do tipo A (BoNT/A), inicialmente como arma biológica e depois como medicamento. Em seguida descreve-se detalhadamente a estrutura e síntese da BoNT/A, com ênfase às cadeias leve e pesada para na seqüência descrever-se o mecanismo de ação. O mecanismo de ação é explorado nos seus aspectos de relaxamento muscular sobre músculos estriados (inibição da liberação de acetilcolina) e ação sobre o reflexo de estiramento medula; ação antinociceptiva, através do bloqueio da liberação de peptídeos relacionados com a dor e sobre o sistema nervoso autônomo, atuando sobre glândulas (salivar, sudorípara e lacrimal) e sobre bexiga e próstata. Ainda discute-se os efeitos diretos e indiretos da BoNT/A sobre o Sistema Nervoso Central, os aspectos relacionados à antigenicidade quando utilização deste recurso terapêutico e as direções futuras para este recurso.

Palavras-chave: toxina botulínica tipo A, sistema nervoso central/efeitos de drogas, literatura de revisão como assunto

6 - A repercussão da lesão medular na identidade do sujeito

The repercussions of a spinal cord injury over the individual's identity

Maíra Baldan Fechio; Kátia Monteiro De Benedetto Pacheco; Harumi Nemoto Kaihami; Vera Lúcia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr.2009;16(1):38-42

O presente artigo decorre de pesquisa bibliográfica, qualitativa e exploratória, de publicações literárias científicas, vinculadas á temática da lesão medular e da análise e discussão crítica deste material pesquisado, fundamentada na concepção de identidade do autor Ciampa e nos pressupostos da abordagem da psicologia social. Através do trabalho de pesquisa e análise crítica buscou-se uma maior reflexão e uma maior compreensão acerca da instalação da lesão medular, da repercussão da lesão medular na identidade do sujeito. Procurou-se discutir o papel do programa de reabilitação no movimento de elaboração e de transformação do sujeito e a importância do reconhecimento de seus potenciais para posteriormente participar de forma ativa e auto determinada na sociedade, colaborando assim para uma transformação da própria sociedade.

Palavras-chave: traumatismos da medula espinal, reabilitação, psicologia social

RELATO DE CASO

7 - Bandagem úmida empregada com baixa elasticidade no tratamento de úlcera em paciente com lipolinfedema

Damp low-stretch bandage employed in the treatment of an ulcer in patient with lipolymphedema

José Maria Pereira de Godoy; Raul Augusto dos Santos; Rômulo Alberto Vilela Filho; Maria de Fátima Guerreiro Godoy

Acta Fisiátr.2009;16(1):43-45

O lipedema é caracterizado pelo aumento bilateral e simétrico dos membros inferiores, sem o acometimento dos pés, sinal de Stemmer negativo, podendo ocorrer hipotermia cutânea, alteração no suporte plantar e hiperalgesia. O objetivo do presente estudo é relatar uma forma incomum de lesão ulcerada em paciente com lipolinfedema tratado com bandagem úmida empregada com baixa elasticidade. Paciente, do sexo feminino, de 50 anos, com história familiar de lipedema refere vários episódios de erisipela em membro inferior esquerdo há cerca de 20 anos e com surgimento de úlceras de difícil cicatrização há mais de cinco anos. Foi tratada com bandagem úmida de baixa elasticidade e teve boa evolução com cicatrização da ferida. Lesões ulceradas são raras no lipolinfedema, porém a sua ocorrência esta associada com dificuldade na cicatrização.

Palavras-chave: linfedema, úlcera, bandagens

8 - Paracoccidioidomicose - acometimento encefálico e medular: relato de caso

Paracoccidioidomycosis - central nervous system and spinal cord involvement: report case

Maria Raquel Ramos Jubé; Caroline Campelo Feres; Gabriela Henrique de Souza Lima; Leonardo Eizo Watanabe; Renato da Silva Faria; Élbio Cândido de Paula; Ana Cristina Ferreira Garcia

Acta Fisiátr.2009;16(1):46-50

A paracoccidioidomicose (PCM) é uma micose sistêmica, tipo granulomatosa, sendo o Brasil responsável por 80% dos casos relatados no mundo. Mesmo em zonas endêmicas, sua incidência é baixa (3-4 novos casos/milhao até 1-3 novos casos/100mil habitantes ao ano). Relatamos um caso do sexo feminino, 54 anos, procedente do meio rural, regiao norte do estado de Goiás, centrooeste do Brasil. Durante investigação para síndrome compressiva medular foi identificada lesão tumoral em nível torácico, submetida á ressecção e firmado o diagnóstico de neuroparacoccidioidomicose no anatomopatológico. Foi admitida para reabilitação com diagnóstico de Paraplegia T9 Asia B. Durante a internação foram realizados exames (tomografia computadorizada (TC) de crânio e tórax) para investigação de acometimento de outros órgaos. A TC de tórax demonstrou aspecto sugestivo de PCM com micronódulos de localização centro-lobular e algumas opacidades em "árvore em brotamento" com discreta distorção da arquitetura pulmonar, além de focos de atenuação em "vidro fosco" de distribuição não homogênea. A TC crânio também se mostrou sugestiva de acometimento da PCM em fase ativa: áreas nodulares em cápsulonuclear á esquerda e tálamo correspondente, com edema reacional e importante realce periférico. A doença é um problema de saúde pública no Brasil devido ao seu potencial incapacitante, sendo o diagnóstico difícil especialmente quando acomete SNC, por ser uma manifestação pouco comum (maior acometimento pulmonar).

Palavras-chave: paracoccidioidomicose, paraplegia, micoses, reabilitação

Número atual: Junho 2009 - Volume 16  - Número 2

EDITORIAL

1 - Ação pública e reabilitação profissional

Açao pública e reabilitaçao profissional

José Marçal Jackson Filho

Acta Fisiátr.2009;16(2):0



Palavras-chave: paracoccidioidomicose, paraplegia, micoses, reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

2 - Reabilitação profissional como política de inclusão social

Occupational rehabilitation as a social inclusion policy

Maria Maeno; Mara Alice Conti Takahashi; Mônica Angelim Gomes de Lima

Acta Fisiátr.2009;16(2):53-58

Este artigo faz uma breve análise de aspectos históricos e institucionais da reabilitação profissional no Brasil, e propoe desafios conceituais e estruturais a serem superados, condição necessária para que seja construída uma política de inclusão social nessa área. Aborda o uso da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde - CIF, criada Organização Mundial de Saúde (OMS), no ano de 2001, como ferramenta na reabilitação profissional.

Palavras-chave: saúde do trabalhador, políticas públicas, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, reabilitação

3 - Tutela jurídica da saúde dos empregados de frigoríficos: considerações dos serviços públicos

Juridical tutelage concerning the health of meat packing workers: public service considerations

Sandro Eduardo Sarda ; Roberto Carlos Ruiz ; Guilherme Kirtschig

Acta Fisiátr.2009;16(2):59-65

O presente artigo pretende abordar as condições de trabalho nas empresas de abate e processamento de carnes (frigoríficos), setor econômico que apresenta alta prevalência de doenças ocupacionais. A prevenção de doenças ocupacionais por meio da redução dos riscos inerentes ao trabalho encerra valor jurídico fundante de todo o modelo de proteção á saúde dos trabalhadores. Não obstante, o elevado patamar que os direitos á vida, á saúde e ao meio ambiente equilibrado ocupam na Constituição Federal e a existência de verdadeira sinergia de fatores de risco á saúde dos trabalhadores (repetitividade, monotonia, pressão de tempo, frio, ritmo excessivo, jornadas exaustivas, posturas inadequadas) as empresas do setor não vem adotando as medidas preconizadas no ordenamento jurídico, gerando um elevado contingente de trabalhadores lesionados, sobretudo jovens empregados. O presente artigo tem por objetivo realizar uma descrição das condições de trabalho em duas empresas do setor. Esta análise foi realizada a partir dos dados do INSS, dos autos de infração lavrados por Auditores do Trabalho e demais provas existentes nos inquéritos civis instaurados pelo Ministério Público do Trabalho. Conclui-se que a realidade encontrada é caracterizada pelo descumprimento das normas de proteção a saúde dos trabalhadores preconizada na Constituição Federal.

Palavras-chave: doenças ocupacionais, ambiente de trabalho, condições de trabalho

ARTIGO ORIGINAL

4 - Programa de Reabilitação Ampliada (PRA): uma abordagem multidimensional do processo de reabilitação profissional

Extended rehabilitation program: a multidimensional approach to the occupational rehabilitation process

Carolina Bunn Bartilotti ; Paulo Renato de Andrade ; Juliana de Mattos Varandas ; Paula Cristina Gamba Ferreira ; Cristine Cabral

Acta Fisiátr.2009;16(2):66-75

O PRA foi desenvolvido a partir de uma demanda do Ministério Público do Trabalho (MPT) 12ª Regiao mediante denúncia de uma alta prevalência (10%)de doenças ocupacionais; em especial LER/DORT e transtornos mentais, em uma empresa do ramo de produção e abate de aves e suínos do meio oeste de Santa Catarina. A partir do estabelecimento de parcerias entre o INSS, Centro de Referência Estadual em Saúde do Trabalhador (CEREST/SC), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e MPT 12ª Regiao, o PRA foi desenvolvido como uma proposta de Termo de Ajuste de Conduta (TAC), sendo um projeto único no Brasil e constituído de três pilares: 1. assistencial; 2. vigilância; e 3. requalificação. Fizeram parte da equipe multidisciplinar 18 profissionais que ofereciam serviços de fisioterapia, terapia ocupacional (T.O.), psicologia, acupuntura, reeducação postural global (RPG), tai chi chuan, massoterapia, danças circulares, grupo informativo, condicionamento físico, hidroginástica, terapias complementares e assistência social. Este programa foi iniciado em novembro/2007 finalizando suas atividades em setembro/2008, atendendo durante este período 425 pessãos. Os objetivos principais deste artigo são: 1. descrever a estrutura do PRA e seus procedimentos no pilar assistencial e requalificação; 2. apresentar os principais resultados encontrados. Trata-se de um estudo quantitativo de corte transversal, com coleta de dados em dois momentos (inicio e término do tratamento). Os dados foram analisados utilizando estatísticas descritivas e inferenciais (média, DP), teste T e Chi-quadrado. Um grande número de trabalhadores apresentou melhoras significativas nos indicadores qualidade de vida, saúde global, capacidade funcional, depressão, aumento da amplitude de movimento. Cerca de 271 trabalhadores atendidos (64%) retornaram ou estao retornando ao trabalho, 68 (16%) ainda permanecem afastados, 32 (cerca de 7 %) foram aposentados, 24 (cerca de 6%) apresentaram outras patologias não contempladas pelo programa, 19 (cerca de 4%) ainda estao realizando algum tratamento, e 11 (3%) beneficiários abandonaram o programa de reabilitação. O que pode se concluir a partir desta experiência, é que o processo de reabilitação profissional deve abordar esta problemática a partir de um enfoque biopsicossocial. O foco principal da equipe de reabilitação não é na patologia instalada, e sim o restabelecimento das capacidades funcionais e desenvolvimento de novas possibilidades, a partir do grau de funcionalidade e escolaridade do trabalhador.

Palavras-chave: saúde do trabalhador, transtornos traumáticos cumulativos, transtornos mentais, reabilitação

5 - Preditores biopsicossociais de incapacidade física e depressão em trabalhadores do setor de frigoríficos atendidos em um programa de reabilitação profissional

Bio-psycho-social predictors of physical disability and depression among meat-packing workers attending an occupational rehabilitation program

Jamir Joao Sardá Junior ; Emil Kupek ; Roberto M. Cruz

Acta Fisiátr.2009;16(2):76-80

Um grande número de trabalhadores é acometido por doenças ocupacionais que tem, dentre seus sintomas, dores crônicas, incapacidade e depressão. Embora existam evidências sobre a contribuição de fatores relacionados ao ambiente de trabalho e fatores orgânicos em quadros de doenças ocupacionais, a incapacidade e a presença de depressão associadas a essas condições são fenômenos multifatoriais mediados por aspectos biopsicossociais. O presente artigo examina as relações entre fatores clínicos, ambientais, demográficos e incapacidade, depressão em uma população de trabalhadores do setor de frigoríficos (n=234) atendidos por um programa de reabilitação profissional. Este estudo pode ser descrito como de corte transversal, utilizando análises estatísticas descritivas e inferenciais (regressões multivariadas). Os dados foram coletados utilizando um questionário demográfico e clínico, o Questionário Roland e Morris, a escala de depressão do HADS e a Medida de Independência Funcional - MIF. Os resultados demonstraram que em todos os instrumentos utilizados, o escore final (após reabilitação) foi fortemente determinado pelo escore inicial (antes da reabilitação), com pouca influência das outras variáveis independentes. A mudança nos níveis de incapacidade parece estar associada a presença de ganho financeiro (p=0.057). O escore final do MIF foi inversamente relacionado com o tempo de afastamento (p=0.006). A variação dos escores finais entre as categorias do CID-10 não foi estatisticamente significativa para nenhum desfecho. De maneira geral, a maior prevalência de mulheres dentre os trabalhadores afastados, e a prevalência de doenças músculo-esqueléticas e depressão, ou a associação de ambas. A variável idade foi preditor de incapacidade (RM) e a variável tempo de afastamento foi preditora de incapacidade para o trabalho medida pelo MIF. Nenhuma das variáveis examinadas contribuiu para a mudança dos escores de depressão. De maneira geral, os resultados são consistentes com os achados descritos na literatura e, confirmam que diversos fatores contribuem para a incapacidade e depressão de trabalhadores com diagnóstico de doenças ocupacionais, tal como preconizado pelo modelo biopsicossocial.

Palavras-chave: doenças ocupacionais, ambiente de trabalho, questionários, reabilitação

6 - Preditores de retorno ao trabalho em uma população de trabalhadores atendidos em um programa de reabilitação profissional

Predicting factors for returning to work among a population of workers attending an occupational rehabilitation program

Jamir Joao Sardá Junior ; Emil Kupek ; Roberto M. Cruz ; Carolina Bartilotti ; Alfredo Jorge Cherem

Acta Fisiátr.2009;16(2):81-86

A alta prevalência de doenças ocupacionais é um problema de saúde coletiva com um alto custo econômico e social. Existem evidências de que as doenças ocupacionais são determinadas por diversos fatores associados a organização do trabalho em si e a fatores psicossociais. Existem poucos serviços de reabilitação profissional e os resultados destas ações raramente são avaliados. O presente estudo examina a relação entre fatores clínicos, demográficos e psicossociais e retorno ao trabalho em uma população de 425 trabalhadores atendidos por um serviço de reabilitação profissional. Esta pesquisa é um estudo de corte-transversal, documental, realizado em uma amostra não-probabilística, com os dados oriundos dos prontuários destes trabalhadores atendidos entre novembro de 2007 a setembro de 2008, em um serviço de reabilitação profissional. Os dados foram analisados utilizando os programas estatísticos SPSS-14 e STATA. Para caracterizar a população foram utilizadas análises estatísticas descritivas (média, DP, I/C) e, para comparar os grupos e examinar a contribuição das variáveis biopsicossociais para retorno ao trabalho, foram utilizados os testes Qui-quadrado, teste t, ANOVA e regressão logística múltipla. Os resultados sugerem que não ocorreram diferenças significativas entre os trabalhadores atendidos que retornaram ao trabalho e os que não retornaram nas variáveis idade, gênero, intensidade da dor, local da dor e tempo de afastamento. Por outro lado, os fatores tempo de trabalho, salário, níveis de incapacidade e depressão contribuíram para o não retorno ao trabalho nesta população. Os resultados obtidos fazem sentido clinicamente e são importantes do ponto de vista preventivo e de tratamento, além de serem suportados pela literatura.

Palavras-chave: doenças ocupacionais, condições de trabalho, reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

7 - O uso da termografia infravermelha na avaliação do retorno ao trabalho em programa de reabilitação ampliado (PRA)

The use of infrared thermography in evaluating returns to work in an extended rehabilitation program (PRA)

Marcos Leal Brioschi ; Alfredo Jorge Cherem ; Roberto Carlos Ruiz ; Jamir Joao Sardá Júnior ; Francisco Miguel Roberto Moraes Silva

Acta Fisiátr.2009;16(2):87-92

Em certas ocasioes, mesmo com tratamento corretamente instituído em pacientes com lesões por esforços repetitivos/distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (LER/DORT), depara-se com situações de difícil julgamento quanto ao retorno ao trabalho. Muitas vezes por uma queixa persistente de não melhora dos sintomas ou quando associado a outras comorbidades, como síndrome fibromiálgica. O objetivo deste estudo foi comparar os padroes térmicos encontrados com a avaliação pericial de retorno ao trabalho de pacientes acometidos por LER/DORT, por meio de avaliação clínica e termográfica duplo-cega. Foram avaliados 128 pacientes, acometidos por LER/DORT de uma empresa do setor da agroindústria-frigorífico, onde um grupo de 62 pacientes foi selecionado para perícia quanto ao retorno ao trabalho. Destes, 3,2% tiveram retorno imediato ao trabalho, 77,4% afastamento por 60 dias, 6,4%, afastamento por 6 meses e 12,9% aposentadoria por invalidez. As alterações térmicas tiveram direta correlação com a classificação de retorno às atividades realizadas pelos peritos, segundo critérios de número de lesões, natureza etiológica, diferencial térmico e índice termográfico para síndrome fibromiálgica. A termometria cutânea por termografia infravermelha demonstrou-se como método complementar útil e objetivo no apoio a avaliação pericial para definição de capacidade ou incapacidade para o trabalho.

Palavras-chave: lesões por esforços repetitivos, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, reabilitação, termografia

TENDENCIAS E REFLEXÕES

8 - Perícia médica e reabilitação profissional: o atual modelo de perícia e uma proposta multidimensional aplicada em um projeto piloto em Santa Catarina

The cross-examination of medical experts and occupational rehabilitation: the present cross-examination model and a multidimensional proposal applied in a pilot project in Santa Catarina

Alfredo Jorge Cherem ; Roberto Carlos Ruiz ; Alessandre Tramontim ; Domingos Lino

Acta Fisiátr.2009;16(2):93-98

Este artigo aborda aspectos da prática atual da perícia médica na área de Reabilitação Profissional (RP) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), bem como, descreve uma outra metodologia de trabalho aplicada em um projeto piloto coordenado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Assim, pretende-se discutir as possibilidades de aperfeiçoamento deste serviço através da interação entre o médico perito e a equipe multiprofissional. O modelo apresentado proporciona avanços na qualidade da perícia com fins de reabilitação, contribuindo desta forma com a tomada de decisão baseada em evidências a partir de dados apresentados e discutidos em equipe.

Palavras-chave: medicina ocupacional/legislação & jurisprudência, médicos do trabalho, reabilitação

Número atual: Setembro 2009 - Volume 16  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Análise dos resultados de qualidade de vida em idosos praticantes de dança sênior através do SF-36

Analysis of quality of life results by using the SF-36 among elderly persons practicing senior dance

Luciane Criado de Oliveira; Ercília Aparecida Pivoto; Patrícia Canteruccio Pontes Vianna

Acta Fisiátr.2009;16(3):101-104

Avaliar o impacto da prática da Dança Sênior na saúde de idosos, através da aplicação do questionário de qualidade de vida SF-36. Foram selecionados 103 indivíduos com idade mínima de 60 anos e alfabetizados. Participaram da Dança Sênior durante quatro meses com freqüência semanal e duração de 60 minutos. O questionário foi aplicado no início e no final das participações. Através da análise estatística de probabilidade do teste não-paramétrico de Wilcoxon, observamos que há aumento significativo do score em todos os componentes avaliados pelo SF-36 (p < 0,001) comparados os momentos inicial e final da participação da Dança Sênior. Baseado nos parâmetros avaliados pelo SF-36, concluímos que a Dança Sênior mostrou-se eficiente como possibilidade terapêutica na melhora da qualidade de vida dos idosos.

Palavras-chave: Idoso, Qualidade de Vida, Terapia através da Dança, Questionários

2 - Comparação das estratégias musculares entre dois grupos etários diferentes no movimento de passar de sentado para em pé

Comparison of muscle strategies between two different age groups in the sitting-to-standing movement Stella

Maris Lins Terena; Mario Augusto Taricco

Acta Fisiátr.2009;16(3):105-109

Investigar a ordem de ativação dos músculos tibial anterior (TA), reto femoral (RF), gastrocnêmio medial (GM), bíceps femoral (BF) e paravertebral lombar (PL) no movimento de passar de sentado para em pé comparando dois grupos etários diferentes.
SUJEITOS: Grupo A: vinte sujeitos com idade entre 25 à 35 anos, saudáveis, e o Grupo B: vinte sujeitos com idade entre 60 à 65 anos, sem patologias neurológicas associadas e sem histórico de quedas nos últimos 6 meses.
INTERVENÇÕES: Ambos os grupos foram solicitados a levantar de uma cadeira, sem apoio de braços ou apoio lombar. O movimento foi realizado em duas situações: com os olhos abertos e com os olhos fechados na maior velocidade que conseguissem. O Teste de Berg, um eletrogoniômetro bidimensional flexível foi usado para marcar o início do movimento articular, no quadril e joelho do mesmo lado. A eletromiografia de superfície foi utilizada para detectar a atividade elétrica dos músculos envolvidos, e o tempo do movimento foi cronometrado. O tempo total do movimento no grupo A foi menor de olhos abertos do que de olhos fechados. O grupo B em relação às duas condições não houve diferença estatística no tempo total da execução da tarefa (p< 0,05). A análise de variância de 1 fator foi usada para comparar a ordem de ativação muscular, e os resultados demonstraram que a ordem de ativação foi diferente no grupo A e no grupo B de olhos abertos e semelhante na condição de olhos fechados. O tibial anterior foi o primeiro músculo a ser ativado nos dois grupos e nas duas condições e os demais músculos tiveram ordem de ativação diferente; o tempo total de movimento foi menor no grupo A; a ausência momentânea da visão influenciou mais o grupo A do que o grupo B.

Palavras-chave: Grupos Etários, Postura, Movimento, Músculo Esquelético, Eletromiografia

3 - Desenvolvimento de recurso de animação como suporte informativo na incontinência urinária

Development of animation resource as information support in urinary incontinence

Patrícia Moreira Costa Collares; Milena Sampaio Magalhaes; Fátima Luna Pinheiro Landim; Rafael Barreto de Mesquita; Ana Karina Monte Cunha Marques

Acta Fisiátr.2009;16(3):110-115

Esta pesquisa buscou descrever as etapas do desenvolvimento de um recurso de animação como suporte informativo no tratamento da incontinência urinária, culturalmente adaptado em termos de linguagem, características e necessidades de mulheres idosas. Realizou- se estudo descritivo em serviço de atenção à saúde secundária. Subgrupo determinado entre março e abril de 2007. Levantou-se através de formulário, na primeira fase do trabalho, dados sobre variáveis sociodemográficas e antecedentes pessoais relacionados à perda urinária. Para a segunda fase utilizou-se a técnica de associação livre de palavras buscando conhecer o vocabulário empírico adotado pelas participantes para anatomia dos órgaos genitais e assoalho pélvico. Simultaneamente, trabalhou-se junto ao G 1000 para elaboração da tecnologia com imagens animadas e associadas às expressões culturais. Destacam-se 8 mulheres com história de incontinência urinária, destas 04 corresponderam ao subgrupo. A idade variou de 63 a 78 anos. Observou-se número elevado de gestações e de partos vaginais, o tempo de perda urinária variou de 1 a 8 anos, sendo que os episódios semanais aconteciam diariamente. Obteve-se uma diversidade de expressões que auxiliaram o processo de elaboração do recurso com o G1000. O recurso de animação poderá contribuir como estratégia de abordagem clínica na incontinência urinária pelo profissional de saúde.

Palavras-chave: Incontinência Urinária, Mulheres, Imagem Tridimensional, Apoio Social

4 - Efeito do peso para membros inferiores no equilíbrio estático e dinâmico nos portadores de ataxia

The effect of weights on lower limbs in static and dynamic balance for ataxia sufferers

Márcio Luís Dias ; Fernanda Toti ; Sara Regina Meira Almeida ; Telma Dagmar Oberg

Acta Fisiátr.2009;16(3):116-120

O objetivo da pesquisa foi avaliar o efeito do uso do peso em membros inferiores durante a marcha, nos indivíduos com ataxia. Acredita-se que o peso em membros inferiores traz benefícios na qualidade da marcha nos pacientes atáxicos, alterando a programação motora e conexoes neurais cerebelares que são possíveis de alterações na aprendizagem motora. Divididos aleatoriamente, 21 indivíduos em 2 grupos: com peso (GP n=10) e sem peso (SP n=11). Todos realizaram 20 sessões de fisioterapia, avaliados antes (primeira avaliação), depois do tratamento (segunda) e após 30 dias (terceira), através das escalas de Equilíbrio de Berg, Dynamic Gait Index, Equiscale, International Cooperative Ataxia Rating Scale e Medida de Independência Funcional. Foi utilizada a análise ANOVA para medidas repetidas para comparar a evolução das variáveis ao longo do tempo, com nível de significância p < 0.05. Os indivíduos do GP conseguiram melhores resultados após o tratamento quanto ao equilíbrio, coordenação e independência funcional comparados ao SP, sendo estatisticamente significantes. O GP conseguiu manter o ganho da primeira para a terceira avaliação demonstrada por quase todas as escalas, exceto a DGI. O estudo comprovou a efetividade do peso, melhorando o equilíbrio estático e dinâmico, coordenação da marcha e independência funcional.

Palavras-chave: Ataxia Cerebelar, Extremidade Inferior, Equilíbrio Musculosquelético, Marcha Atáxica

5 - Avaliação dos efeitos a longo prazo da acupuntura e exercícios terapêuticos em ombro congelado de pacientes com acidente cerebral vascula

Evaluation of long term effects of acupuncture and therapeutic exercises on frozen shoulder in stroke patients

Aleksandra Plavsic; Calogero Foti; Gessica Della Bella; Zorica Brdareski; Ljubica Nikcevic; Ljubica Konstantinovic

Acta Fisiátr.2009;16(3):121-125

OBJETIVO DO ESTUDO: Determinar como a acupuntura e a terapia com exercícios afetam a função motora e espasmodicidade das mãos de pacientes com acidente cerebral vascular 6 meses após eles terem recebido este tipo de terapia.
MÉTODOS: Estudo clínico prospectivo, aleatório e cego de 20 pacientes, com idades entre 60-70 anos, na fase crônica de 6 meses após o AVC. Os sujeitos do estudo foram divididos em dois grupos: Grupo A, o qual foi tratado com acupuntura e terapia de exercícios (AP-ET) 6 meses atrás e Grupo B, o qual foi tratado apenas com terapia de exercícios (ET) 6 meses atrás. A avaliação incluiu uma entrevista ampla e a administração dos estágios de Brunnstrom, a Medida de Independência Funcional (MIF), a Escala Modificada de Ashworth (MAS), o Teste de Funcionalidade das Extremidades Superiores (UEFT), o Registro de Atividade Motora (MAL), a Série de Movimentos ativos e passivos (ROM, pROM), o teste de FUGL-Meyer da função da extremidade superior (FMA), o Questionário de Croft sobre Incapacidade do Ombro (CSDQ) e a Escala Analógica Visual (VAS) de dor. O Teste-t de Gosset foi usado para uma análise estatística.
RESULTADOS: As análises mostraram uma diferença estatisticamente significativa nos SCORES do pós-tratamento em comparação com 6 meses após o tratamento com cada grupo de estudo, para todos os parâmetros examinados (p<0.01 em todos os casos) exceto pelo MAS. As análises mostraram uma diferença estatisticamente significativa em alguns parâmetros no grupo ET em comparação ao grupo AP-ET com valores médios maiores no grupo AP-ET para MAS e CSDQ. Todos os outros parâmetros não mostraram nenhuma diferença estatística entre os grupos diferentes de terapia 6 meses após a terapia.
CONCLUSÃO: Os resultados confirmam a hipótese de que a acupuntura e a terapia de exercícios são úteis no tratamento de ombro congelado em pacientes com AVC e que seus efeitos ainda estao presentes após seis meses de terapia, no entanto, dado o pequeno número de pacientes, mais estudos são necessários para verificar estes resultados.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Acupuntura, Reabilitação

6 - Importância do treinamento da propriocepção e do controle motor na reabilitação após lesoes músculo-esqueléticas

The importance of training the proprioception and motor control in rehabilitation following musculoskeletal injuries

Gustavo Leporace; Leonardo Metsavaht; Maria Matilde de Mello Sposito

Acta Fisiátr.2009;16(3):126-131

A propriocepção e o controle muscular possuem um papel fundamental na estabilidade articular dinâmica. Após lesões ortopédicas algumas características sensório-motoras são alteradas e devem ser focadas em programas de reabilitação, para que haja sucesso no retorno às atividades realizadas previamente a lesão. Desta forma, devem ser realizados exercícios proprioceptivos específicos desde início do período pós operatório ou após a fase aguda de lesões tratadas conservadoramente, com o objetivo de melhorar a acuidade proprioceptiva e a resposta muscular antecipatória e reativa, restabelecendo a estabilidade articular dinâmica. Neste artigo abordaremos o conceito original de propriocepção, a contribuição para a manutenção da estabilidade articular dinâmica, a influência da lesão na acuidade proprioceptiva e o treinamento da propriocepção e do controle neuromuscular.

Palavras-chave: Propriocepção, Atividade Motora, Sistema Musculosquelético/lesões, Reabilitação

7 - Interveniência dos fatores ambientais na vida de crianças com paralisia cerebral

Intervention of environmental factors in the life of children with cerebral

Ismênia de Carvalho Brasileiro; Thereza Maria Magalhaes Moreira; Maria Salete Bessa Jorge

Acta Fisiátr.2009;16(3):132-137

O presente estudo teve como objetivo descrever as características dos fatores ambientais que interferem na vida cotidiana de um grupo de crianças com paralisia cerebral atendidas em um núcleo de tratamento e estimulação precoce utilizando a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). O estudo descritivo foi desenvolvido de maio a setembro de 2006. A amostra foi constituída de 32 crianças com disfunção leve e moderada, assíduos ao tratamento fisioterapêutico. Os dados foram coletados e agrupados pelo programa Statistical Package of Social of Science (SPSS). Cerca de 70% dos casos não faz uso de medicação especial e grande parte necessita de equipamentos de auxílio para deslocamento. Ambientes internos não são pertinentes ao uso. A acessibilidade a locais públicos constituiu barreira que variou de intensidade. O apoio recebido em diversos aspectos é feito basicamente pelo núcleo familiar. A grande maioria não conta com sistemas e políticas públicas de transporte e educação e grande parte se beneficia do apoio financeiro do governo. A CIF proporcionou melhor compreensão quanto à capacidade funcional da criança, ao favorecer descrição menos subjetiva da interferência de fatores contextuais ambientais.

Palavras-chave: Criança, Paralisia Cerebral, Ambiente, Qualidade de Vida, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

8 - Obesidade infantil e suas relações com o equilíbrio corporal

Childhood obesity and its effect on corporeal balance

Luiz Fernando Cuozzo Lemos; Ana Cristina de David; Clarissa Stefani Teixeira; Carlos Bolli Mota

Acta Fisiátr.2009;16(3):138-141

As relações entre a estabilidade do corpo, problemas de saúde, gênero e idade ainda são escassas. Uma das maiores preocupações relaciona-se com crianças obesas. Mesmo que tal temática seja de suma importância, relações do equilíbrio corporal com a obesidade infantil mostram uma carência de investigações. Este estudo foi desenvolvido para identificar e relacionar os comprometimentos da obesidade com as aquisições da estabilidade e com a manutenção da postura corporal em crianças, por meio de uma revisão bibliográfica. Logo, este estudo objetivou identificar os aspectos relacionados ao equilíbrio corporal e a postura de crianças obesas. Foi realizada a busca bibliográfica em artigos indexados de três bases de dados: Lilacs, Sciencedirect, e Scielo, com as palavras equilíbrio, crianças, controle postural e obesidade, combinadas entre si. De acordo com os estudos encontrados, foi possível inferir que a dificuldade da manutenção do equilíbrio corporal de crianças obesas está relacionada principalmente às modificações físicas do corpo somadas às menores quantidades de vivências corporais. Porém, os estudos apresentam divergência sobre os efeitos da obesidade na infância e o equilíbrio corporal, demonstrando necessidade de novas pesquisas com métodos modernos e atuais.

Palavras-chave: Criança, Obesidade, Postura, Equilíbrio Musculosquelético

ARTIGO DE REVISÃO

9 - Diagnóstico da instabilidade atlanto-axial na Síndrome de Down: revisão de literatura

Atlantoaxial instability diagnosis in Down Syndrome: article review

Andréa Tobo; Marcelo El Khouri; Marcelo Alves Mourao

Acta Fisiátr.2009;16(3):142-145

A Síndrome de Down é a mais comum e a mais bem estudada alteração genética pelo ser humano. É caracterizada por másformações em diversos órgaos e sistemas, incluindo alterações músculo-esquelético, dentre os quais se destaca a instabilidade atlanto-axial (IAA) devido ao seu potencial de gravidade. Estudos têm sido realizados a fim de padronizar métodos e parâmetros para seu diagnóstico, tendo a radiografia simples em perfil o método mais empregado, porém ainda com grandes divergências sobre os melhores parâmetros adotados como referência de normalidade. Além da radiografia simples, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética vêm emergindo como grandes aliadas para tanto diagnóstico como planejamento terapêutico. O presente estudo visa discutir os métodos atuais mais empregados para o diagnóstico da IAA com base em revisão de literatura, focando no diagnóstico radiográfico simples como método de escolha inicial para detecção das IAA.

Palavras-chave: Síndrome de Down, Instabilidade Articular/diagnóstico, Literatura de Revisão como Assunto

RELATO DE CASO

10 - Abordagem global de uma intervenção fisioterapêutica na onfalocele gigante

Global approach to a physiotherapy intervention in giant omphalocele

Camila Isabel da Silva Santos; Renata Tiemi Okuro; Patricia Blau Margosian Conti; Michele Chiacchio Choukmaev; Milena Antonelli; Maria Angela Gonçalves de Oliveira Ribeiro

Acta Fisiátr.2009;16(3):146-149

Descrever os efeitos da utilização de recursos instrumentais e cinesioterapêuticos em parâmetros cardiorrespiratórios, espirométricos e na qualidade de vida de uma adolescente com diagnóstico de Onfalocele Gigante (OG), doença pouco abordada na literatura em relação à intervenção da fisioterapia respiratória e motora. Paciente de 16 anos, com diagnóstico de OG, realizou acompanhamento fisioterapêutico, cuja conduta envolveu o uso do Thresholdr, Respiron r, fortalecimento e alongamento da musculatura global e de grupos musculares específicos, para a melhora do padrao postural. Os dados de função pulmonar referente à saturação de oxigênio, freqüências respiratória e cardíaca, pressão inspiratória e expiratória máximas, teste de caminhada de seis minutos e parâmetros espirométricos foram as variáveis quantitativas de efeito consideradas antes e após o período de cinco meses de tratamento. Houve melhora de todas as variáveis quantitativas de função pulmonar em relação aos valores basais, bem como melhora da qualidade de vida e da sensação de dispnéia referidas pela adolescente. O uso de recursos fisioterapêuticos instrumentais para fortalecer a musculatura inspiratória, melhorar a ventilação, diminuir a dispnéia e aumentar a tolerância ao exercício, além de uma abordagem postural para desenvolver equilíbrio da biomecânica músculo-esquelética, podem ser uma alternativa a ser utilizada como conduta no tratamento de pacientes com OG.

Palavras-chave: Onfalocele, Exercícios Respiratórios, Fisioterapia (Especialidade), Reabilitação

Número atual: Dezembro 2009 - Volume 16  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - A velocidade média do teste de caminhada incentivada de 6 minutos como determinante da intensidade de treinamento para o recondicionamento físico de pneumopatas crônicos

The average speed from six minutes walk test as a parameter to determine the training load for physical reconditioning of chronic pulmonary disease patients

Pedro Henrique Scheidt Figueiredo; Fernando Silva Guimaraes

Acta Fisiátr.2009;16(4):156-161

O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia de um protocolo de recondicionamento aeróbico para a melhora da capacidade funcional e dispnéia de pacientes pneumopatas crônicos, tendo como referência o teste de caminhada de 6 minutos (6MWD) para determinação da carga de treinamento.
METODOLOGIA: foram selecionados 10 pacientes pneumopatas crônicos (9 M e 1 F) com média de idade de 61,5 ± 10,6 anos, apresentando estabilidade clínica e sem contra-indicações para a prática de exercício aeróbico. O protocolo foi realizado em esteira ergométrica, com freqüência semanal de 3 sessões, durante 8 semanas. A velocidade de caminhada na esteira foi estipulada em 85% da velocidade média obtida no 6MWD. A capacidade funcional e a dispnéia foram avaliadas no inicio e ao término do treinamento. Para análise estatística foram utilizados os testes t-pareado e Wilcoxon, conforme as características das variáveis. As diferenças foram consideradas estatisticamente significativas quando p < 0,05.
RESULTADOS: Foi observada melhora da capacidade funcional através de aumento da distância percorrida no 6MWD (média = 445,7 ± 175 m vs 565,8 ± 174 m; p < 0,01) assim como redução da dispnéia pela MMRC [mediana = 3 (2 - 4) vs 1 (0 - 3); p < 0,05].
CONCLUSÃO: A velocidade média do 6MWD é um parâmetro eficaz para determinação da carga de treinamento em programas de recondicionamento aeróbico para pacientes pneumopatas crônicos.

Palavras-chave: Caminhada, Exercício, Pneumopatias, Dispnéia

2 - Medida de independência funcional em adultos com paralisia cerebral: relação com habilidades cognitivas e perfil comportamental

Functional independence measure in adults with cerebral palsy: relation with cognitive abilities and behavioral profile

Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira; Deisy Ribas Emerich; Priscilla Veloz Cevallos; Milena Luchetta da Costa

Acta Fisiátr.2009;16(4):162-167

OBJETIVO: identificar relações entre a medida de independência funcional e o perfil comportamental e cognitivo de um grupo de pessoas adultas com Paralisia Cerebral.
MÉTODOS: Dezoito adultos institucionalizados e com diagnóstico de Paralisia Cerebral (12 do sexo masculino e 6 do sexo feminino) e seus respectivos cuidadores participaram do estudo. As técnicas de coleta de dados foram o Teste Não-Verbal de Inteligência (TONI-3), o Inventário de Comportamentos de Adultos de 18 a 59 anos (ABCL) e a Medida de Independência Funcional (MIF).
RESULTADOS: A pontuação total da MIF apresentou correlações negativas com a escala problemas de ansiedade do ABCL (rho= -0,511, p=0,030) e positivas com o TONI-3 (rho=0,540, p=0,021). Algumas alterações de comportamento do ABCL correlacionaram-se negativamente com o TONI-3, por exemplo, escala Problemas de Atenção (rho= -0,459, p=0,056) e a escala de Isolamento (rho= -0,545, p=0,019). A média dos valores de desempenho motor foi de 35,88; 28,5 no desempenho cognitivo e 64,38 na escala total.
CONCLUSÕES: Houve correlação entre problemas de comportamento, medida de independência funcional e habilidades cognitivas. Os resultados servem para orientar os cuidadores e a equipe da instituição no planejamento de programas de reabilitação para os pacientes pesquisados.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Adulto, Cognição, Comportamento

3 - O uso da bandagem elástica Kinesio no controle da sialorréia em crianças com paralisia cerebral

The use of the Kinesio taping method in the control of sialorrhea in children with cerebral palsy

Mariana de Oliveira Ribeiro; Renata de Oliveira Rahal; Andréa Siqueira Kokanj; Daniela Pimenta Bittar

Acta Fisiátr.2009;16(4):168-172

OBJETIVO: Verificar a eficiência da bandagem elástica Kinesio no controle de deglutição de saliva em crianças com paralisia cerebral.
MATERIAL E MÉTODO: A pesquisa foi realizada no Setor Escolar da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Participaram 42 crianças com idades entre 4 e 15 anos (média = 8 anos e 9 meses), de ambos os sexos, com diagnóstico de paralisia cerebral e queixa de sialorréia. Foi realizado um checklist com os pais da criança com perguntas referentes a sialorréia e posteriormente realizadas duas escalas para pontuação da freqüência e da gravidade dessa. Foram realizadas oito aplicações da Kinesio Tape na musculatura supra-hióidea e entao, o checklist e as escalas foram reaplicados.
RESULTADOS: Verificou-se que houve redução estatisticamente significante nos parâmetros utilizados para verificação da sialorréia, sendo eles: número de toalhas utilizadas por dia para secar a baba, pontuação na escala de freqüência e pontuação na escala de gravidade da sialorréia.
CONCLUSÃO: Conclui-se que o método Kinesio Taping é eficaz na melhora do controle de deglutição de saliva em crianças com Paralisia Cerebral.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Deglutição, Sialorréia, Bandagens

4 - Prevalência de úlcera por pressão em indivíduos com lesão de medula espinhal e a relação com a capacidade funcional pós-trauma

Prevalence of pressure ulcer in individuals whith spinal cord injury and the relationship whith post-trauma functional capacity

Soraia Assad Nasbine Rabeh; Maria Helena Larcher Caliri; Vanderlei José Haas

Acta Fisiátr.2009;16(4):173-178

O estudo observacional, transversal, teve por objetivos caracterizar indivíduos adultos que sofreram Lesão de Medula Espinhal (LME) entre janeiro de 2003 a Julho 2006 em hospitais credenciados ao SUS no município de Ribeirao Preto, avaliar a capacidade funcional utilizando a escala Medida de Independência Funcional (MIF), considerando o nível de lesão e identificar a prevalência de úlcera por pressão (UP). Após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa o estudo foi realizado, mediante consentimento dos participantes. As entrevistas e avaliações foram realizadas nos domicílios. Dos 22 individuos, 91% eram do sexo masculino, com predominância na faixa etária de 30 a 39 anos. Acidente de trânsito foi a etiologia principal (50%) da LME, seguida de queda (27,3%). Onze (50%), tiveram lesão cervical, dez (45,5%) lesão torácica e um lesão lombar. Indivíduos com lesão cervical apresentaram escores menores na MIF total e motora, entretanto, a MIF cognitiva atingiu o valor máximo independente do nível da lesão. Nenhum dos indivíduos apresentou grau de dependência completa. Onze (50,0%), apresentaram dependência mínima, 6 (27,3%) dependência máxima e 5 (22,7%) independência moderada ou completa. Os 7 (31,8%) participantes com UP tinham maior dependência funcional. O trauma causou maior impacto no domínio motor com diminuição da capacidade funcional nas diferentes atividades para os indivíduos com lesão cervical. Houve aumento dos escores da MIF com o aumento do tempo pós-lesão, independente da participação em programa de reabilitação. Os resultados apontaram aspectos essenciais para a proposição de programa de reabilitação para esta população no contexto estudado.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Ulcera por Pressão, Avaliação da Deficiência, Resultado de Tratamento

5 - A quantificação do trabalho mecânico como recurso de avaliação do controle postural

The quantification of mechanical work as a resource for analysis of postural control

Pedro Cláudio Gonsales de Castro ; Daniel Gustavo Goroso ; Daniel Boari Coelho ; José Augusto Fernandes Lopes ; Maria Cecília dos Santos Moreira

Acta Fisiátr.2009;16(4):179-185

O estudo tem por objetivo propor dois métodos de cálculo para a quantificação do trabalho mecânico (W) como recurso para análise do controle postural em indivíduos submetidos a perturbações motoras, visuais e/ou que estao em processo de reabilitação física. Neste estudo se aborda a quantificação do W realizado pelo sistema muscular após a extensão do tronco para postura ereta (auto-perturbação) em indivíduos com visão preservada (VP) e privação momentânea da visão (PMV) por meio de dois métodos denominados: i) Trabalho mecânico total (Wtot) e ii) Trabalho mecânico do centro de massa (WCM). A amostra constituiu-se de 10 voluntários saudáveis, do sexo masculino com idades de 25,6 (± 2,2) anos. Foram realizadas cinco tentativas para cada voluntário em ambas as condições. Para coleta dos dados foi utilizado um sistema de imagem para rastreamento optoeletrônico tridimensional, composto de 8 câmeras de vídeo, com freqüência de captação de 200 Hz. Observou-se pela análise de regressão linear que o Wtot e WCM apresentam forte correlação entre as duas condições (r2 = 0,77 para a condição VP e r2 = 0,84 para a condição PMV) e pelo teste t de Student observou-se diferenças estatisticamente significativas (p<0,10) na primeira tentativa entre os voluntários com VP e PMV para o Wtot durante o intervalo pós-perturbação, bem como diferenças no WCM nos intervalos [0,80]ms e [0,100]ms. Concluiu-se que os métodos que calculam o Wtot e o WCM possibilita investigar o controle postural após perturbações motoras e visuais podendo ser utilizado como recurso na reabilitação física.

Palavras-chave: Equilíbrio Postural, Biomecânica, Reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

6 - Antiinflamatórios não-esteroidais e sua farmacologia local

Nonsteroidal antiinflammatory drugs and their local pharmacology

Estela Maris Freitas Muri; Maria Matilde de Mello Sposito; Leonardo Metsavaht

Acta Fisiátr.2009;16(4):186-190

Os antiinflamatórios não-esteroidais (AINES) são geralmente usados para reduzir a dor e inflamação resultantes de diversos tipos de lesões. Apesar de normalmente serem administrados por via oral, seu uso local tem atraído a atenção de profissionais da área médica e de pesquisadores interessados em comprovar a disponibilidade aumentada desses medicamentos em locais próximos a área lesionada. A presente revisão enfatiza a terapia local, principalmente a via intradérmica, como uma alternativa altamente promissora para a administração de AINES.

Palavras-chave: Farmacologia, Antiinflamatórios não Esteróides, Ferimentos e Lesões/reabilitação

7 - Avaliação da estimulação elétrica no tratamento da disfagia secundário ao acidente vascular encefálico

Assessment of electrical stimulation in the treatment of the dysphagia caused by stroke

Thaís Miranda Curvelo Soares; Tatiana Maíta Alves Conceição; Fabrício Cardoso; Heron Beresford

Acta Fisiátr.2009;16(4):191-195

A disfagia neurogênica compreende as alterações da deglutição que ocorrem em virtude de uma doença neurológica, com os sintomas e complicações decorrentes do comprometimento sensório-motor dos músculos envolvidos no processo da deglutição. Este tipo de disfagia é particularmente debilitante, podendo levar a morte ou aumento do custo de saúde decorrentes da aspiração traqueal. Esta patologia é comum e consiste numa complicação potencialmente fatal para AVE agudo, ocorrendo em aproximadamente 50% desses pacientes. Dentre os possíveis tratamentos, a estimulação tátiltérmica e biofeedback têm um sucesso freqüente, variando de 0% a 83%. Estudos registram alto sucesso deste tratamento com pacientes que sofreram AVE, o que geralmente não incluem a mais severa forma de disfagia. Já o uso da estimulação elétrica no tratamento da disfagia foi primeiro descrito em 1996 por Freed et al e, posteriormente, por Park et al. O objetivo dessa estimulação elétrica era alcançar um ramo aferente do reflexo da deglutição em pacientes com atraso do início da deglutição. Sendo esta uma alternativa de tratamento ainda pouco explorada, o objetivo desse estudo foi realizar uma revisão bibliográfica sobre a utilização da estimulação elétrica no tratamento da disfagia em pacientes que sofreram acidente vascular encefálico.
CONCLUSÃO: A disfagia neurogência, por estar diretamente associada ao aumento da morbi-mortalidade, necessita da atenção especial dos profissionais da Saúde. Sendo a eletroestimulação uma terapêutica importante a ser explorada já que possui uma eficácia significativa nesta patologia.

Palavras-chave: Estimulação Elétrica, Transtornos de Deglutição, Acidente Vascular Encefálico

RELATO DE CASO

8 - Avaliação isocinética em nadador amputado de membro superior: relato de caso

Isokinetic evaluation in the upper limb amputee swimmer: a case report

Leonardo Luiz Barretti Secchi; Mavi Diehl Muratt; Michele Forgiarini Saccol; Julia Maria D'Andrea Greve

Acta Fisiátr.2009;16(4):196-199

A natação é um dos principais esportes de estudo, mas a natação em atletas com deficiência física abre um ramo de pesquisa.
OBJETIVO: Analisar através da dinamometria isocinética os grupos musculares: abdutores e adutores, flexores e extensores de ombro de um nadador da elite brasileira com amputação do terço proximal do rádio.
MÉTODOS: Paciente do gênero masculino com 18 anos de idade, sendo, nove deles competindo. Foi avaliado clinicamente e através do questionário funcional DASH e pelo questionário EROE quanto à atividade esportiva. Na avaliação no dinamômetro isocinético Biodex System 3 com o protocolo de 5 repetições a 60º/segundo e 20 repetições a 180º e 240º/segundo quanto aos movimentos abdução/adução e flexão/extensão.
RESULTADOS: Nos questionários não se observou dor ou outra alteração da avaliação clínica. No questionário DASH, o atleta referiu dificuldade grau médio. Seu desempenho na escala EROE foi excelente. Na avaliação isocinética o atleta apresentou diferenças no lado amputado comparado em relação ao sadio.
CONCLUSÃO: A avaliação isocinética é um bom parâmetro para estudo da força mesmo em nadadores com deficiência física, mostrando que estes atletas necessitam de um treinamento específico.

Palavras-chave: Pessoas Portadoras de Deficiências, Amputados, Extremidade Superior, Exercício, Natação

CARTA AO EDITOR

9 - Eletroestimulação neuromuscular na pressão plantar, simetria e funcionalidade de hemiparético

Neuromuscular electrical stimulation on plantar pressure, symmetry and hemiparetic funcionality

Janaine Cunha Polese; Daiane Mazzola; Rodrigo Costa Schuster

Acta Fisiátr.2009;16(4):200-202

Este estudo objetivou analisar os efeitos da Eletroestimulação Neuromuscular (EENM) na pressão plantar, simetria e funcionalidade de hemiparéticos. Participaram deste pacientes hemiparéticos crônicos, divididos em dois grupos: intervenção, composto por cinco pacientes, que receberam a corrente FES no tibial anterior, três vezes por semana, durante quatro semanas, por trinta minutos; controle, formado por dois pacientes que receberam, pelo mesmo período e no mesmo músculo, a corrente sham (50µs e 150Hz). Os sujeitos realizaram pré e pós tratamento avaliação da pressão plantar através do sistema de baropodometria computadorizada FScan, análise da simetria e avaliação da funcionalidade, através da Medida de Independência Funcional (MIF). A média de idade da amostra estudada foi 58,85 anos, todos com diagnóstico de AVE isquêmico crônico. Em relação à pressão plantar e funcionalidade, não houveram diferenças estatisticamente significativas tanto no grupo FES quanto no grupo sham. Os índices de simetria do grupo intervenção aumentaram 140,58% após o tratamento. Já no grupo sham, esse ganho foi de 57,65%. Através deste constatou-se que a EENM pode influenciar positivamente na simetria de pacientes hemiparéticos crônicos, podendo acarretar uma marcha mais satisfatória.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Estimulação Elétrica, Paresia, Marcha

TENDENCIAS E REFLEXÕES

10 - Controle postural no envelhecimento: um estudo comparativo entre Brasil e Espanha

Postural control in aging: a comparative study among Brazil and Spain

Fábio Marcon Alfieri; Marcelo Riberto; Carla Paschoal Corsi Ribeiro; Maria Angels Abril Carreres; Linamara Rizzo Battistella; Roser Garreta Figuera

Acta Fisiátr.2009;16(4):203-205

O envelhecimento traz consigo alterações nos sistemas sensoriais e músculo-esquelético, que juntos alteram o controle postural dos idosos. O objetivo deste estudo foi o de verificar e comparar o controle postural de idosos da cidade de São Paulo - Brasil, com idosos que vivem em Terrassa (Barcelona)- Espanha. Participaram da pesquisa, 36 idosos brasileiros (69,61±5,3 anos) e 33 idosos espanhóis (69,72±4,6 anos) considerados saudáveis, recrutados a partir de dois serviços de reabilitação. Os voluntários realizaram avaliações pertinentes ao controle postural por meio do teste Timed up and go e bateria de testes de Guralnik. Os dados foram analisados por meio do teste t e os resultados mostram que os grupos são semelhantes quanto a idade e a composição corporal, porém o grupo do Brasil apresentou melhores resultados nas duas avaliações realizadas quando comparado com o grupo da Espanha. Concluise que os indivíduos brasileiros deste estudo apresentaram melhor desempenho na realização dos testes sobre controle postural.

Palavras-chave: Equilíbrio Postural, Envelhecimento da População, Grupos Étnicos

Número atual: Março 2008 - Volume 15  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Resultados do core set da CIF de dor crônica generalizada em mulheres com fibromialgia no Brasil

Results of the ICF core sets for chronic widespread pain in women with fibromyalgia in Brazil

Marcelo Riberto; Thais Rodrigues Pato Saron; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2008;15(1):6-12

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) foi desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde para uniformizar a terminologia usada para descrever as situações incapacitantes. O core set da CIF para dor crônica generalizada (DCG) é um recurso derivado da CIF que sistematiza e agiliza a descrição da funcionalidade das pessoas com DCG, com o objetivo de fornecer informações para relatórios de saúde pública e para orientação de intervenções de reabilitação. Este estudo objetivou a descrição dos resultados da aplicação do core set da CIF para DCG em uma amostra de 29 pacientes com fibromialgia que terminaram o programa de reabilitação multidisciplinar. As categorias do core set nas quais 30% ou mais dos pacientes fossem considerados sem problema foram classificadas como "não relevantes" para a descrição da funcionalidade das pessoas com essa condição de saúde. Ao todo, 58,2% das categorias do core set foram classificadas como "não relevantes", correspondendo a 43,5% das funções corpóreas, 51,8% das atividades e participações e 68,8% dos fatores ambientais. Esses achados podem ter sido fortemente influenciados pelo fato de os pacientes serem pré-selecionados para a participação em atividades em grupo, o que pressupoe melhores condições emocionais e de relacionamento interpessoal. O fato de estarem ao final de um programa terapêutico com atividades de psicoterapia em grupo e condicionamento físico também pode ter favorecido o desempenho nas funções e atividades psicológicas e de relacionamento, assim como em várias atividades físicas. Apesar desses achados apontarem desfavoravelmente para a validação do core set da CIF para DCG, as características da amostra estudada não permitem a sua generalização.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidades, Incapacidades e Saúde, fibromialgia, dor, mulheres, Brasil

2 - Qualidade de vida em diabetes mellitus e Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde - estudo de alguns aspectos

Quality of life in diabetes mellitus and the International Classification of Functioning Disability and Health - a study of some aspects

Carmen Lucia Natividade de Castro; Valeria Bender Braulio; Frederico A. Lyra Dantas; Ana Paula Cony Barros Couto

Acta Fisiátr.2008;15(1):13-17

INTRODUÇÃO: O diabetes mellitus (DM) pode ter um efeito profundo na qualidade de vida dos pacientes e a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) é um instrumento válido para verificar a influência dos componentes de saúde na qualidade de vida. O objetivo deste estudo, é apresentar a distribuição de freqüência das categorias das CIF do Core Set resumido para DM, com comprometimento grave em um grupo de pacientes com a qualidade de vida muito afetada pelo diabetes.
MÉTODOS: Foram estudados 38 pacientes diabéticos, 76,3 % com DM2 e 23,7 % com DM1, utilizando-se dados clínicos, informação de qualidade de vida associada ao diabetes do questionário AddQoL e incapacidade associada ao diabetes: categorias do Core Set resumido da CIF com comprometimento grave e completo, e categorias cuja informação era insuficiente para especificar a gravidade do comprometimento. Análise estatística: análise descritiva dos dados.
RESULTADOS: Categorias de funções corporais mais gravemente afetadas foram b130, b210, b530, b540, de estruturas corporais foram s220, s410, s740, de atividades/participação foram d240, d570 e de fatores ambientais foram e110, e115. As estruturas menos classificadas foram pâncreas (s550), globo ocular (s220) e sistema nervoso parassimpático (s150).
CONCLUSÃO: No grupo estudado de diabéticos com complicações crônicas, control