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Número atual: Março 2017 - Volume 24  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Prevalência de dificuldade de locomoção em idosos institucionalizados

Prevalence of mobility impairment in institucionalized elderly

Franciane Giaquini; Ezequiel Vitório Lini; Marlene Doring

Acta Fisiátr.2017;24(1):1-6

Objetivo: Identificar a prevalência de dificuldade de locomoção em idosos institucionalizados e sua correlação com o perfil clínico-funcional, realizou-se um estudo transversal com 191 pessoas com idade ≥ 60 anos residentes em 13 instituições de longa permanência para idosos de Passo Fundo, no ano de 2014. Método: Utilizou-se um questionário estruturado, aplicado aos idosos ou aos responsáveis técnicos das instituições. Foram contempladas variáveis sociodemográficas, relacionadas à saúde e questões específicas sobre dificuldades na deambulação. Considerou-se dificuldade de locomoção a necessidade de qualquer ajuda ou apoio para caminhar, seja bengala, andador ou mesmo restrição ao leito. Realizou-se análise descritiva e bivariada dos dados. Para verificar a associação entre as variáveis categóricas foram aplicados os testes qui-quadrado de Pearson e exato de Fisher a um nível de significância de 5%. Resultados: A prevalência de dificuldade de locomoção foi de 50,3%. Utilizavam cadeira de rodas 41,7%, acamados 24%, andador 16,7%, bengala 14,6% e muletas 3,1%. Dos idosos com dificuldade de locomoção, 89,6% eram dependentes para as atividades básicas de vida diária e 62,5% consideraram sua saúde como regular, ruim ou muito ruim. Conclusão: A alta prevalência de dificuldade de locomoção, inclusive com muitos idosos restritos ao leito, alerta para a necessidade de intervenções preventivas antes da institucionalização e a minimização das complicações que estas condições podem trazer.

Palavras-chave: Idoso, Locomoção, Marcha, Instituição de Longa Permanência para Idosos

2 - Avaliação da funcionalidade e qualidade de vida em pacientes críticos: série de casos

Evaluation of functionality and quality of life in critical patients: case series report

Jéssica Rosa Vargas Wiethan; Janice Cristina Soares; Juliana Alves Souza

Acta Fisiátr.2017;24(1):7-12

A hospitalização em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), geralmente resulta em declínio funcional e da qualidade de vida. Riscos de sequelas a longo prazo decorrem de fatores relacionados a doença, tratamento realizado e repouso no leito. Objetivo: Avaliar a funcionalidade e qualidade de vida de pacientes que realizaram fisioterapia durante a internação na UTI e correlacionar essas variáveis após 30 dias de alta. Métodos: Foi realizado um estudo descritivo, do tipo série de casos com 15 pacientes. Avaliou-se a funcionalidade pela Medida de Independência Funcional-MIF (antes da UTI, após alta e após 30 dias) e a qualidade de vida pelo questionário SF-36 (após 30 dias). Resultados: A média de idade da amostra foi de 43,20±16,92 anos, predominaram causas de internação neurológicas, o tempo de ventilação mecânica foi de 14(9-14) dias e de UTI 15,80±7,16 dias, todos pacientes apresentaram complicações durante a internação. A avaliação de funcionalidade mostrou que antes da UTI os indivíduos possuíam nível de independência completa a modificada (MIF=126), após a alta houve um declínio para dependência modificada (MIF=48) e após 30 dias houve melhora da funcionalidade, mas ainda compreendendo dependência modificada (MIF=92). Os domínios de funcionalidade autocuidado, mobilidade e locomoção tiveram maiores alterações após a UTI e uma melhora significativa aos 30 dias, controle de esfíncteres, comunicação e cognição social tiveram menores alterações após a UTI e nos 30 dias seguintes os valores se aproximaram aos prévios. A qualidade de vida foi afetada no decorrer de 30 dias, o que foi observado pelos baixos escores em todos os domínios, quando comparados ao valor total que poderia ser alcançado e os domínios mais comprometidos foram capacidade funcional, limitação por aspectos físicos, dor e aspectos sociais. Ao correlacionar os domínios da MIF e SF-36, destacaram-se principalmente as correlações positivas entre os domínios controle de esfíncteres, locomoção e mobilidade (funcionalidade) e capacidade funcional (qualidade de vida). Conclusão: A internação em UTI afetou negativamente a funcionalidade, principalmente na alta imediata. Após 30 dias, houve uma melhora, o que em partes, pode-se atribuir à fisioterapia, já que todos os pacientes receberam este tipo de tratamento durante a estadia na UTI e grande parte deles continuou a realizar após a alta. Entretanto, alguns déficits ainda permaneceram, comprometendo também, a qualidade de vida.

Palavras-chave: Unidades de Terapia Intensiva, Recuperação de Função Fisiológica, Modalidades de Fisioterapia, Qualidade de Vida

3 - Caracterização do paciente acometido por acidente vascular encefálico atendido no Centro de Reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos

Characterization of patients with stroke treated at Lucy Montoro Rehabilitation Center of São José dos Campos

Karina Costa Dias; Maria Angélica Nader Miranda Duarte; Nathália Borloni Silva; Maria Izabel Romão Lopes; Maria Angélica Ratier Jajah Nogueira

Acta Fisiátr.2017;24(1):13-16

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é o evento neurológico que mais acomete a sociedade nos últimos anos, gerando incapacidades na população e morte. Pode ser definido como um conjunto de afecções neurológicas de causa vascular com sintomatologia semelhante, mas com etiologias diferentes. Atualmente o Centro de Reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos é referência no tratamento de pacientes com lesões neurológicas do Vale do Paraíba. Objetivo: Realizar um levantamento epidemiológico do perfil dos pacientes acometidos pelo AVE na região e atendidos neste centro. Métodos: Foram analisados os prontuários dos pacientes recebidos neste centro entre setembro de 2011 e dezembro de 2014. Foram excluídos pacientes com hemiplegia causada por outras etiologias. Resultados: Dos 230 prontuários válidos para o estudo, 60% eram homens e o perfil sócio demográfico mostrou que destes, 76% tinham idade superior a 50 anos. Tratando-se do tipo de evento, o AVE isquêmico foi o mais prevalente em nossa amostra. Foi constatada equivalência de acometimento da amostra, hemicorpos direito e esquerdo acometidos igualmente, 46% e 8 % classificados em dupla hemiparesia, já o padrão motor predominante da amostra foi de paresia 87%. Conclusão: Foi verificado que a população atendida pelo Centro de Reabilitação Lucy Montoro de SJC é constituída por maioria de homens acima dos 50 anos de idade, acometidos pelo AVE isquêmico (direito ou esquerdo) e com padrão motor parético prevalente.

Palavras-chave: Centros de Reabilitação, Acidente Vascular Cerebral, Epidemiologia

4 - Fatores associados ao nível de atividade física de idosos usuários das academias da terceira idade

Factors associated with physical activity level of elderly users of the third age gyms

Daniel Vicentini de Oliveira; Maria do Carmo Correia de Lima; Luana Caroline Contessoto; Jean Carlos Cremonez; Mateus Dias Antunes; José Roberto Andrade do Nascimento Júnior

Acta Fisiátr.2017;24(1):17-21

Objetivo: Analisar os fatores associados ao nível de atividade física de idosos usuários das Academias da Terceira Idade (ATIs). Método: Participaram 115 idosos de ambos os sexos, com média de idade de 67,5 anos (±6,42), usuários das ATIs. Foi utilizado um questionário sócio demográfico e o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ). A análise dos resultados foi realizada mediante abordagem de estatística descritiva e inferencial por meio do teste Qui-quadrado de Pearson, com cálculo dos odds ratios brutos, análise de regressão logística binária, utilizando-se análise hierarquizada e um modelo final de regressão com cálculo dos odds ratios ajustado. Resultados: Foi encontrada associação significativa do nível de atividade física com o sexo (p=0,004), nível de escolaridade (p=0,048), percepção de saúde (p=0,046) e com a importância do exercício para a saúde (p<0,001). Ressalta-se que a mulheres apresentaram um fator de proteção de 0,262, ou seja, possuem 73,8% de chance a mais de serem ativas/muito ativas em comparação aos homens. Além disso, os idosos que possuem percepção de saúde boa/muito boa e que consideram o exercício como importante para a saúde apresentaram um fator de proteção de 0,276 e 0,097, respectivamente. Conclusão: Diante dos resultados obtidos, conclui-se o sexo feminino, a alta escolaridade, a percepção de boa saúde e o conhecimento da importância do exercício para a saúde estiveram associados ao nível ativo/muito ativo de atividades física nas ATIs.

Palavras-chave: Idoso, Atividade Motora, Promoção da Saúde, Academias de Ginástica

5 - Maior índice de massa corporal e menor circunferência da cintura estão associados com maior desempenho físico (SPPB) somente em idosas dinapênicas

Higher body mass index and lower waist circumference are associated to higher physical performance (SPPB) solely in dynapenic elderly women

Bruno Teodoro Biloria; Ana Alice Neves da Costa; Aletéia de Paula Souza; Fernanda Maria Martins; Anselmo Alves de Oliveira; Paulo Ricardo Prado Nunes; Darlene Mara dos Santos Tavares; Erick Prado de Oliveira; Fábio Lera Orsatti

Acta Fisiátr.2017;24(1):22-26

A limitação na capacidade física, definida como dificuldades em realizar tarefas físicas, é crítica para independência funcional de idosos. A capacidade física limitada é associada fortemente com o aumento de quedas, hospitalizações, doenças cardíacas e cerebrovasculares e mortalidade em idosos. O impacto do status da massa corporal e da baixa força muscular (dinapenia) sobre a capacidade física de idosos é bem documentado. Contudo, a interação desses fatores (força muscular e status da massa corporal) sobre a capacidade física de idosos ainda não é clara. Objetivo: Verificar o poder preditivo do índice de massa corpórea (IMC) associada com a circunferência da cintura (CC) na capacidade física de mulheres idosas com ou sem dinapenia (baixa força muscular). Método: Foram avaliadas 142 idosas atendidas na especialidade de Geriatria e Gerontologia. Foram realizadas as seguintes medidas: antropométricas (IMC e CC), força de preensão manual (FPM) e capacidade física (SPPB). As idosas foram classificadas em dinapênicas (FPM < 20 kg) ou não dinapênicas (FPM ≥ 20 kg). Resultados: A análise de regressão linear múltipla indicou que o IMC e a CC, analisados separadamente, não se associaram com SPPB em nenhum dos grupos. Porém, quando analisados concomitantemente, o IMC (associação positiva) e a CC (associação negativa) foram significantemente associados com SPPB somente no grupo dinapenia. Conclusão: Os principais achados deste estudo sugerem que a CC e IMC aplicados conjuntamente, mas não separados, são preditores da capacidade física em mulheres idosas com dinapenia. Esses resultados são importantes para a prática ambulatorial devido à fácil aplicabilidade e baixo custo das medidas.

Palavras-chave: Sarcopenia, Mulheres, Atividades Cotidianas, Força da Mão

6 - Grau de incapacidade física na população idosa afetada pela hanseníase no estado da Bahia, Brasil

Physical disability degree in the elderly population affected by leprosy in the state of Bahia, Brazil

Carlos Dornels Freire de Souza; Tania Rita Moreno de Oliveira Fernandes; Thais Silva Matos; José Maurício Ribeiro Filho; Grayce Kelly Alencar de Almeida; Jefferson César Bezerra Lima; Adriana Rodrigues Sousa Santos; Bruna Ângela Antonelli; Denilson José de Oliveira

Acta Fisiátr.2017;24(1):27-32

Objetivo: Analisar o grau de incapacidade física na população idosa afetada pela hanseníase no estado da Bahia, entre 2001 e 2012. Métodos: Os dados referentes aos casos de hanseníase foram obtidos do Sistema Nacional de Agravos de Notificação. Variáveis analisadas: sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, classificação clínica e operacional, grau de incapacidade física no diagnóstico e na alta. Foram calculados indicadores epidemiológicos relacionados à incapacidade física. Resultados: A hanseníase apresenta elevada magnitude na população idosa, com coeficiente de detecção de casos novos superior ao da população geral, situando-se em nível hiperendêmico. Quanto ao perfil epidemiológico da hanseníase em idosos, destaca-se: homens, faixa etária 60 a 69 anos, raça branca, baixa escolaridade, forma clínica dimorfa e classificação operacional multibacilar. 36,25% dos casos diagnosticados apresentavam incapacidade física no momento do diagnóstico, com destaque para o gênero masculino. Conclusão: A elevada proporção de indivíduos com incapacidades físicas no momento do diagnóstico sugere diagnóstico tardio e prevalência oculta da doença, sobretudo em indivíduos do gênero masculino.

Palavras-chave: Hanseníase, Imunidade, Pessoas com Deficiência, Idoso

7 - Fisioterapia nos pacientes politraumatizados graves: modelo de assistência terapêutica

Physiotherapy in severe polytrauma patients: a therapeutic care model

Cauê Padovani; Janete Maria da Silva; Clarice Tanaka

Acta Fisiátr.2017;24(1):33-39

Objetivo: Conhecendo-se o alto grau de complexidade que o paciente politraumatizado representa à equipe multiprofissional na elaboração e execução do seu plano assistencial na unidade de terapia intensiva (UTI), aliado à carência de evidencias sobre o tema, o presente estudo sugere um modelo de assistência fisioterapêutica precoce aos pacientes críticos politraumatizados com base na experiência clínica dos últimos anos. Método: O modelo foi elaborado a partir das práticas verificadas nos registros de 6388 sessões de fisioterapia realizadas em 198 pacientes internados entre dezembro de 2009 e setembro de 2011 em UTI especializada em politrauma. As atividades/cuidados foram inseridas no modelo após aprovadas em discussão com a equipe multiprofissional. Todos os pacientes atendidos tinham idade igual ou maior que 18 anos e eram vítimas de trauma grave de acordo com o Injury Severity Score (ISS). Resultados: O modelo proposto foi estruturado de forma que as atividades/cuidados da assistência fisioterapêutica fossem organizadas de acordo com a região corpórea lesada do paciente (traumatismo cranioencefálico, fraturas de face, fraturas de coluna, trauma torácico, trauma abdominal, fratura de pelve e fraturas de extremidades). A rotina da unidade apregoava discussões diárias com a equipe médica para se conhecer as particularidades de cada caso clínico, estabelecer meta terapêutica e traçar o programa de reabilitação. Conclusão: O modelo proposto se tornou rotina e consolidou a atuação fisioterapêutica na respectiva unidade assistencial. A equipe de fisioterapia passou a atuar 24 horas por dia. O modelo possibilitou padronização da assistência fisioterapêutica e maior segurança para o paciente politraumatizado grave.

Palavras-chave: Centros de Traumatologia, Unidades de Terapia Intensiva, Ferimentos e Lesões, Modalidades de Fisioterapia, Terapia por Exercício, Reabilitação

8 - Hiperalgesia secundária na lombalgia crônica inespecífica

Secondary hyperalgesia in chronic nonspecific low back pain

Fabio Marcon Alfieri; Karoline Mayara de Aquiles Bernardo

Acta Fisiátr.2017;24(1):40-43

Objetivo: A hiperalgesia secundária pode estar presente na lombalgia crônica inespecífica. O estudo comparou o limiar de tolerância de dor à pressão (LTDP) nos músculos paravertebrais lombares e torácicos em indivíduos com lombalgia crônica inespecífica correlacionando-as com a incapacidade, mobilidade funcional, idade e índice de massa corporal. Método: Trata-se de um estudo transversal no qual participam indivíduos de ambos os sexos diagnosticados com lombalgia crônica não específica, com idade entre 18 a 65 anos, possuindo dor de intensidade moderada a grave e com o tempo de dor de > 12 semanas. Os voluntários foram avaliados em relação a intensidade da dor por meio da Escala Visual Analógica (EVA), incapacidade pelo questionário Roland Morris, mobilidade funcional pelo teste Timed Up and Go e limiar de tolerância de à dor à pressão (LTDP) pela algometria. Foram usados o teste t e feita Correlação de Pearson para análise dos dados que foi feita no programa Graph Pad Instat. Resultados: Participaram do estudo, 50 indivíduos (53,75±13,65 anos) e quando comparados os valores de LTDP entre a região torácica e lombar não foi verificada diferença significativa (p=0,19). Foi observada correlação moderada apenas entre o LTDP lombar e torácica (r=0,65). Outras correlações embora algumas significantes, todas foram fracas. Conclusão: Os dados deste estudo permitem concluir que provavelmente indivíduos com lombalgia crônica apresentam hiperalgesia secundária, pois os indivíduos apresentaram valores semelhantes entre o LTDP lombares e torácicas, além de apresentar correlação significante entre estas duas medidas.

Palavras-chave: Hiperalgesia, Dor Lombar, Medição da Dor

9 - Modelo de reabilitação hospitalar após acidente vascular cerebral em país em desenvolvimento

Intensive hospital rehabilitation model for patients with stroke in a developing country

Thais Raquel Martins Filippo; Fabio Marcon Alfieri; Christiane Riedi Daniel; Daniel Rubio de Souza; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2017;24(1):44-47

Os serviços de reabilitação intensiva para os sobreviventes de acidente vascular cerebral (AVC) com tratamento padronizado são desejáveis porque esses programas de reabilitação contribuem para a melhoria funcional em contextos com menos recursos. Objetivo: Verificar se o programa de reabilitação hospitalar contribui para a melhora da funcionalidade em indivíduos com sequela de AVC. Método: Trata-se de um estudo transversal retrospectivo dos primeiros (2009-2010) e últimos 100 (2014-2015) pacientes neurológicos consecutivos admitidos na Rede de Reabilitação Lucy Montoro (Unidade Morumbi). Para esta análise, os pacientes foram analisados no dia da admissão e no dia de alta, utilizando a Escala de Rankin modificada (mRS). Para a comparação dos resultados foi utilizado o teste t para amostras independentes. A análise intragrupal com base no mRS foi realizada com o teste não paramétrico de Wilcoxon. Por outro lado, a análise intergrupos utilizou o teste não paramétrico de MannWhitney. O nível de significância para todos os testes estatísticos foi p <0,05. Os resultados funcionais < 3 na alta foram considerados favoráveis. Resultados: As Pontuações de Rankin modificadas (mRS) foram avaliadas imediatamente antes do início das terapias e na alta dos pacientes. O escore mRS mediano na admissão foi de 4 e 3 no momento da alta (p=0,0001), após 4 a 6 semanas no programa de AVC para ambos os grupos. Conclusão: O modelo de admissão em um serviço de reabilitação hospitalar que inclui terapias multidisciplinares promove ganhos funcionais em indivíduos com sequelas de AVC e ressaltase que esses ganhos são obtidos em um curto espaço de tempo.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Serviços de Reabilitação, Pacientes Internados, Avaliação de Resultados (Cuidados de Saúde)

ARTIGO DE REVISÃO

10 - Eficácia de intervenções para a melhora da resistência muscular em idosos: revisão sistemática de literatura

Effectiveness of interventions in the improvement of muscle resistance in the elderly: a systematic review

Gesylâine Marques Luiz; Christina Danielli Coelho de Morais Faria

Acta Fisiátr.2017;24(1):48-55

O envelhecimento populacional mundial vem sendo muito discutido na última década. China, Japão e países da Europa e da América do Norte já convivem há muito tempo com um grande contingente de idosos e com todos os problemas associados a este processo de envelhecimento. Porém, a população idosa brasileira, mais especificamente a feminina, vem crescendo de forma acelerada: o processo de envelhecimento no Brasil está ocorrendo em um curto período de tempo. Com o envelhecimento, é comum a perda da massa muscular esquelética como um todo. O comprometimento da força muscular no indivíduo idoso é evidente, uma vez que a perda de fibras do tipo II é maior do que do tipo I. Entretanto, a perda de fibras musculares do tipo I também ocorre durante o envelhecimento e, portanto, características relacionadas a este tipo de fibra, como a resistência muscular, também devem ser consideradas pelos profissionais da área da saúde. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática da literatura para determinar a eficácia de programas de intervenção na melhora da resistência muscular em idosos. O objetivo secundário foi avaliar a eficácia destes programas na melhora de outros desfechos funcionais e de saúde nesta população. Método: Revisão sistemática de literatura elaborada conforme o protocolo Prisma (Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses), com buscas nas bases de dados MEDLINE, PEDro, LILACS e SCIELO, utilizando-se estratégia de busca específica envolvendo descritores relacionados a idoso e resistência muscular. Foram incluídos estudos publicados em português e inglês, do tipo quase-experimental (QE) ou ensaio clinico aleatorizado (ECA), que envolveram idosos e abordaram a musculatura esquelética de membros inferiores, superiores ou tronco, e que avaliaram a eficácia de intervenções para a melhora da resistência muscular. Resultados: Foi encontrado um total de 133 estudos com a busca eletrônica. Destes, apenas 13 atenderam aos critérios de inclusão, sendo 7 ECA e 6 QE. A média da pontuação obtida pelos ECA na escala PEDro foi de 5,57, enquanto a média obtida pelos QE na escala TREND foi de 18,57. Dentre os sete ECA, todos foram classificados como tendo adequada qualidade metodológica. Conclusão: Segundo os resultados da maioria dos estudos incluídos, os programas de intervenções elaborados seguindo as características específicas do conceito de resistência muscular são eficazes para melhora da resistência muscular e de outros desfechos de funcionalidade e de saúde de idosos saudáveis. São necessários mais estudos que investiguem a eficácia de intervenções direcionadas para a melhora da resistência muscular de idosos que apresentam alguma condição de saúde associada ou incapacidade específica.

Palavras-chave: Treinamento de Resistência, Fadiga Muscular, Idoso

Número atual: Junho 2017 - Volume 24  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Nível de atividade física de usuários da atenção primária: comparação entre indivíduos saudáveis e pós acidente vascular cerebral

Physical activity levels of a primary health care users: comparisons between healthy subjects and subjects with stroke

Tamires Fernanda Pedrosa Simões; Ananda Jacqueline Ferreira; Júlia Caetano Martins; Christina Danielli Coelho de Morais Faria

Acta Fisiátr.2017;24(2):56-61

Indivíduos acometidos pelo Acidente Vascular Cerebral (AVC) comumente apresentam um baixo nível de atividade física (AF), o que é fator de risco para recorrência do AVC, surgimento de outras doenças cardiovasculares e aumento das incapacidades. A manutenção de um bom nível de AF associa-se a uma melhora funcional e da saúde desses indivíduos. Objetivo: Comparar o nível de AF de indivíduos saudáveis e indivíduos pós-AVC usuários da atenção primária do SUS. Método: Todos os indivíduos pós-AVC (G1; n=37) usuários de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade de Belo Horizonte, MG com condições clínicas para responder a um questionário, e indivíduos saudáveis pareados (G2; n=37), também usuários da UBS, foram avaliados quanto ao nível de AF pelo questionário Perfil de Atividade Humana (PAH). Estatísticas descritivas, teste-t de student, teste qui-quadrado e teste de Mann-Whitney foram utilizados para as análises (α=0,05). Resultados: Os grupos foram semelhantes quanto à idade, sexo e nível de exercício físico (p>0,05). Houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos para todas as variáveis do PAH (0,001≤p≤0,011). Conclusão: Indivíduos pós-AVC apresentaram piores pontuações ou classificações quando comparados a indivíduos saudáveis pareados para todos os desfechos do PAH relacionados ao nível de atividade física.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Modalidades de Fisioterapia, Atividades Humanas, Sistema Único de Saúde

2 - Estresse infantil e a percepção do suporte familiar das crianças submetidas à cirurgia ortopédica

Childhood stress and the perception of family support of children undergoing orthopedic surgery

Gabriella Ribeiro Nakao; Paula Hiromi Ito; Rafael de Oliveira Pontes; Regina Célia Villa Costa

Acta Fisiátr.2017;24(2):62-66

Objetivo: Investigar a correlação existente entre o nível de estresse de crianças pós-operadas, de 11 a 14 anos de idade, em relação à qualidade da percepção destes pacientes sobre o suporte familiar recebido durante o processo de reabilitação física. Método: Trata-se de um estudo transversal, com análise qualitativa e quantitativa, desenvolvido em um centro de reabilitação, no município de São Paulo. Os instrumentos aplicados nos pacientes foram: Escala de Stress Infantil (ESI), Inventário de Percepção do Suporte Familiar (IPSF) e no respectivo cuidador, um questionário de caracterização dos participantes. Resultados: Os dados foram analisados estatisticamente e se observou significância estatística entre o fator Adaptação (IPSF) com a dimensão Reações psicológicas com componente depressivo (ESI). Houve associação significativa entre o escore total da ESI e do IPSF. Neste estudo, das crianças com sinais significativos de estresse, a maioria apresentou baixa/ médio-baixa percepção do suporte familiar. Discussão: A percepção do paciente sobre o meio pelo qual se relaciona é um importante indício do enfrentamento às situações adversas vividas no meio social, conforme associação encontrada neste estudo. Conclusão: Os aspectos relacionados à maturidade cognitiva e emocionais da criança contribuem na qualidade da percepção do suporte familiar. É importante que novos estudos sejam realizados para ampliar as discussões nessa área.

Palavras-chave: Ortopedia, Reabilitação, Adaptação Psicológica, Relações Familiares

3 - Barreiras da reabilitação cardíaca em uma cidade do nordeste do Brasil

Barriers to cardiovascular rehabilitation care in a northeast city of Brazil

Luciano Sá Teles de Almeida Santos; Emanuella Gomes; Júlia Vilaronga; Walleska Nunes; Alan Carlos Nery dos Santos; Fernanda Oliveira Baptista de Almeida; Jefferson Petto

Acta Fisiátr.2017;24(2):67-71

Averiguar as barreiras por regiões do Brasil, pode ser uma valiosa estratégia para melhorar a inserção e adesão dos pacientes cardiopatas a programas de reabilitação cardiovascular. Objetivo: Identificar e descrever os motivos que levam a não inclusão de indivíduos cardiopatas em programas de reabilitação cardiovascular. Métodos: Estudo descritivo de corte transversal com 79 indivíduos de ambos sexos, com idade superior a 50 anos, cardiopatas provenientes de cinco clínicas particulares de cardiologia. Para identificação dos fatores que interferiam na inclusão dos pacientes aos programas de reabilitação cardiovascular, foi aplicada a escala de barreiras para reabilitação cardíaca. Esse instrumento é composto de 22 itens, sendo que 21 são questões fechadas e objetivas. Os indivíduos foram instruídos a assinalar "SIM" ou "NÃO" para cada item objetivo da escala, caso identificassem o item como uma barreira ou não para a inclusão/adesão. Resultados: 64(81%) da amostra não sabia da existência da reabilitação cardiovascular e dos seus benefícios. Para 50(63%) a distância da residência até o centro de reabilitação foi uma barreira. Além disso, o custo com mobilidade urbana 37 (47%) e a não indicação do médico por achar desnecessário 32 (40%) também foram apontadas como barreiras. Conclusão: Os resultados deste estudo indicam que as principais bramireis para a não inserção em programas de reabilitação cardiovascular foram a falta de conhecimento sobre os benefícios desse tipo de programa, a distância da residência dos pacientes até o centro mais próximo e o custo com deslocamento.

Palavras-chave: Doenças Cardiovasculares, Insuficiência Cardíaca, Medicina Física e Reabilitação, Barreiras de Comunicação

4 - Desempenho isocinético dos músculos do joelho de atletas de futsal durante a pré-temporada e o meio de temporada

Isokinetic performance of knee muscles in futsal athletes during pre-season and middle-season

Augusto Rech Stedile; Lidiane Aparecida Pasqualotto; Gerson Saciloto Tadiello; André Luis Temp Finger; Thiago de Marchi; Leandro Viçosa Bonetti

Acta Fisiátr.2017;24(2):72-76

O futsal é um esporte de múltiplos sprints, com constantes mudanças de direção, de velocidade e chutes. Além disso, as demandas impostas aos atletas durante uma temporada regular podem resultar em desequilíbrios musculares entre os membros e entre os músculos extensores e flexores do joelho, consequentemente, diminuindo a performance muscular e aumentando o risco de lesões nos atletas. Objetivo: Analisar as diferenças bilaterais; e o impacto de uma temporada regular na força dos músculos do joelho e as relações entre os músculos extensores e flexores. Método: As informações provenientes de um banco de dados sobre as avaliações de pré-temporada e meio de temporada de 15 atletas profissionais de futsal do sexo masculino foram analisadas. O dinamômetro isocinético foi utilizado no modo concêntrico-concêntrico para avaliar os músculos extensores e flexores do joelho nas velocidades angulares de 60º/s, 120º/s, 180º/s e 240º/s. Resultados: Não foram encontradas diferenças significativas nos valores de pico de torque (PT) dos extensores e flexores do joelho e na razão flexores/extensores na comparação entre os membros quando comparados na mesma avaliação e velocidade angular. Entretanto, os valores de PT da avaliação do meio de temporada mostraram-se, em sua maioria, significativamente maiores quando comparados às avaliações de pré-temporada. Conclusão: Estes achados indicam que o treinamento prescrito durante a temporada foram adequados, permitindo aos atletas o aumento da força muscular e evitando desequilíbrios musculares.

Palavras-chave: Força Muscular, Joelho, Atletas

5 - Comparação entre alterações eletrofisiológicas e ganhos funcionais de pacientes com síndrome de Guillain Barré internados no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER)

Comparison between electrhyphysiological changes and functional gains of patients with Guillain Barré syndrome in the Rehabilitation and Readaptation Center Dr. Henrique Santillo (CRER)

Cícero Soares de Melo Neto; Rodrigo Parente Medeiros

Acta Fisiátr.2017;24(2):77-81

Polirradiculopatia inflamatória, aguda, de caráter progressivo, a Síndrome de Guillain Barré normalmente acontece pós exposição a um agente infeccioso, ou a um estímulo, desencadeando o comprometimento dos motoneurônios periféricos. Objetivo: Comparar alterações eletrofisiológicas com ganhos funcionais na SGB, observando a relação entre prognóstico e alteração no exame eletroneuromiográfico e verificando a condição dos pacientes após um ano do início do quadro clínico. Métodos: Revisão de prontuários dos pacientes atendidos no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo - CRER, no período de 2008 a 2014. Resultados: Inicialmente localizados quarenta e oito casos, destes apenas dezenove, inicialmente, foram selecionados por terem estado internados no CRER no período selecionado para o estudo, houve exclusão de um paciente por não constar em prontuário o resultado da eletroneuromiografia, permanecendo na pesquisa, então, dezoito pacientes. Conclusão: A reabilitação tem um papel fundamental no resultado final e cuidados ao longo prazo em pacientes que tiveram SGB, sendo um trabalho diferenciado a internação em centro de reabilitação melhorando a capacidade de diminuir os danos causados pela doença, independente dos déficits funcionais adquiridos. Os dados apontaram que os ganhos funcionais ao longo de um ano após início da doença, não têm relação direta com o que é encontrado no exame eletroneuromiográfico.

Palavras-chave: Síndrome de Guillain-Barré, Eletromiografia, Reabilitação, Centros de Reabilitação

6 - Funcionalidade na doença de Alzheimer leve, moderada e grave: um estudo transversal

Functionality on mild, moderate and severe Alzheimer's disease: a cros-sectional study

Maria Vaitsa Loch Haskel; Juliana Sartori Bonini; Suzane Cristina Santos; Weber Cláudio Francisco Nunes da Silva; Camilla Fagundes de Oliveira Bueno; Marciane Conti Zornita Bortolanza; Christiane Riedi Daniel

Acta Fisiátr.2017;24(2):82-85

Objetivo: Avaliar a funcionalidade de pacientes com Doença de Alzheimer (DA) residentes na comunidade, no município de Guarapuava - PR, região Sul do Brasil. Métodos: Foi realizado um estudo transversal, com pacientes com DA residentes na comunidade, no município de Guarapuava - PR. Os participantes foram classificados de acordo com a Escala Clínica de Demência em CDR 1 (DA leve), CDR 2 (DA moderada) e CDR 3 (DA severa). O estado mental foi avaliado através do Mini Exame do Estado Mental; as atividades básicas de vida diária (ABVD) através do Índice de Barthel e as atividades instrumentais de vida diária (AIVD) através do Índice de Lowton e Brody. Resultados: Foram avaliados 58 idosos com diagnóstico de DA, dos quais 14 (24,1%) estavam em CDR 1, 21 (36,2%) em CDR 2 e 23 (39,7%) em CDR 3. Houve diferença significativa entre os níveis de dependência para a realização das ABVD e AIVD entre todas as fases da DA (p <0,001), sendo que a dependência foi maior nos participantes estadeados em CDR 2 e CDR 3. Conclusão: O nível de dependência para a realização das atividades básicas e instrumentais de vida diária é maior nas fases mais avançadas da DA e a dependência para a realização das AIVD está presente em todas as fases da doença, sendo maior do que a dependência para a realização das ABVD desde a fase inicial da DA, sugerindo uma perda progressiva da funcionalidade.

Palavras-chave: Doença de Alzheimer, Demência, Idoso, Atividades Cotidianas

7 - Papel da reabilitação com realidade virtual na capacidade funcional e qualidade de vida de indivíduos com doença de Parkinson

The role of rehabilitation with virtual reality in functional ability and quality of life of individuals with Parkinson's disease

Vanessa Carla Bezerra Fontoura; João Gabriel Figuêredo de Macêdo; Liliane Pereira da Silva; Ivson Bezerra da Silva; Maria das Graças Wanderley de Sales Coriolano; Douglas Monteiro

Acta Fisiátr.2017;24(2):86-91

A doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa e progressiva podendo causar algumas limitações motoras que, por sua vez, podem impactar negativamente na qualidade de vida (QV) de indivíduos com DP. A realidade virtual (RV) vem sendo utilizada como tratamento destes pacientes. Objetivo: Avaliar a capacidade funcional e a QV de indivíduos com DP submetidos à RV com X-Box Kinect®. Método: Foram selecionados 20 indivíduos entre 50 a 80 anos, nos estágios 1 a 3 da doença. Divididos através de sorteio em dois grupos, o controle (GC) e o experimental (GE). O GC tratado com fisioterapia convencional, no período de cinco semanas, com duas sessões semanais de 60 minutos, enquanto o GE passou a metade do tempo com fisioterapia convencional e a outra metade realizou a RV. Os indivíduos foram submetidos a avaliações antes e após o tratamento através das seguintes escalas: UPDRS e PDQ-39. Resultados: Encontrou-se redução nos escores de todos os domínios da UPDRS e do PDQ-39 de ambos os grupos, sendo significativo apenas no grupo da GE. Conclusão: A RV aliada à fisioterapia é um método eficiente, influenciando no aspecto clínico e melhora da QV de indivíduos com DP.

Palavras-chave: Doença de Parkinson, Modalidades de Fisioterapia, Terapia de Exposição à Realidade Virtual, Qualidade de Vida

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Teste de caminhada de seis minutos em pediatria: discutindo evidências em situações específicas

Six minutes walk test in pediatrics: discussing evidence in specific situations

Paloma Lopes Francisco Parazzi; Renata Tiemi Okuro; José Dirceu Ribeiro; Maria Ângela Gonçalves de Oliveira Ribeiro; Renata Pedrolongo Basso-Vanelli; Camila Isabel Santos Schivinski

Acta Fisiátr.2017;24(2):92-97

Teste de caminhada de seis minutos (TC6) tem se mostrado uma ferramenta bem tolerada, confiável e de baixo custo para monitorar a capacidade funcional de crianças e adolescentes saudáveis e em diferentes situações clínicas. Objetivo: Verificar e discutir as evidências científicas do TC6 utilizado em 4 situações específicas da criança com: 1) asma; 2) fibrose cística 3) obesidade e 4) higidez. Método: A busca nas bases de dados foi conduzida utilizando-se as palavras-chaves: teste de caminhada de seis minutos, crianças, adolescentes, obesos, fibrose cística e asma. Consultou-se as bases Pubmed (Medline), Lilacs e PEDro. Foram considerados os ensaios clínicos em português, inglês e espanhol, publicados no período de 2005 a 2016 e incluídos os estudos que abordam o TC6como método de avaliação, monitorização e prognóstico de crianças e adolescentes saudáveis, com diagnósticos de asma, fibrose cística e obesidade. Resultados: Identificou-se 97 artigos, sendo 48 duplicados. Conduziu-se a pré-seleção de 43 estudos dos quais 6foram excluídos, pelo título ou resumo, por não atenderem aos critérios de inclusão. A seleção final totalizou 39 manuscritos para a apreciação na íntegra e discussão na presente revisão. Conclusão: TC6 é reprodutível e validado para a população pediátrica, sendo considerado um instrumento importante para avaliar as implicações das doenças crônicas na capacidade funcional. 1) TC6 tem se mostrado útil pra identificação do prejuízo das atividades de vida diária durante a crise de asma e fora dela, assim como do comprometimento da capacidade funcional diante do hábito de vida sedentário. 2) É adequado para avaliação de programas de reeducação alimentar na obesidade. 3) Na fibrose cística é uma boa ferramenta para avaliação de programas de reabilitação pulmonar e acompanhamento da progressão da doença. 4) Entre os saudáveis observa-se a busca por valores de referência e falta de um consenso sobre a forma de aplicabilidade do teste.

Palavras-chave: Teste de Caminhada, Pediatria, Asma, Fibrose Cística, Obesidade

9 - Intervenções fisioterapêuticas utilizadas em pessoas amputadas de membros inferiores pré e pós-protetização: uma revisão sistemática

Physiotherapy intervention during pre and post-prosthetic fitting of lower limb amputees: a systematic review

Rafael Isac Vieira; Soraia Cristina Tonon da Luz; Kadine Priscila Bender dos Santos; Erádio Gonçalvez Junior; Paloma Vanessa Coelho Campos

Acta Fisiátr.2017;24(2):98-104

Intervenções fisioterapêuticas no paciente amputado antes e após a colocação de uma prótese são utilizadas em diversos serviços de fisioterapia, no entanto, faz-se necessária a sistematização de evidências sobre protocolos para condução da reabilitação. Objetivo: Agregar evidências científicas para guiar a prática fisioterapêutica nas fases pré e pós protetização da pessoa amputada de membro inferior. Método: Realizou-se uma revisão sistemática durante os meses de agosto à dezembro de 2014 nas bases de dados: Lilacs, Medline, Pedro, Pubmed, Scielo e Cochrane. Selecionaram-se artigos publicados no período de 2000 até o primeiro semestre de 2014, utilizando unitermos em português, inglês e espanhol. Resultados: Seis artigos atenderam aos critérios de inclusão, sendo que apenas um esteve relacionado à fase pré-protetização destacando a intervenção: enfaixamento do coto. As demais intervenções referiram-se à fase pós-protetização como fortalecimentos musculares, treino aeróbio, funcional e de marcha. Conclusão: Foram encontrados poucos artigos com evidências científicas relacionadas às principais intervenções pré e pós protetização rotineiramente usadas pelo fisioterapeuta, o que dificulta o estabelecimento de protocolos e conclusões sobre a eficácia das terapêuticas comumente descritas.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Modalidades de Fisioterapia, Reabilitação

10 - Relação entre força e ativação da musculatura glútea e a estabilização dinâmica do joelho: revisão sistemática da literatura

Relationships between strength and activation of the gluteal muscles and dynamic stabilization of the knee: a systematic review

Lucas Martins de Morais; Christina Danielli Coelho de Morais Faria

Acta Fisiátr.2017;24(2):105-112

O joelho recebe, absorve e dissipa importante parte das forças impostas por atividades diárias, como marcha, subir e descer degraus e saltos. Dada a grande demanda imposta a esta articulação, as disfunções no joelho são muito comuns. A capacidade para responder a esta demanda parece estar relacionada com as funções da musculatura do quadril, que parece ter um papel importante nas características biomecânicas, dentre elas a estabilidade dinâmica, da articulação do joelho. Objetivo: Realizar revisão sistemática da literatura para apontar as possíveis características e ações da musculatura glútea relacionadas com a estabilização dinâmica do joelho e investigar a eficácia de programas de intervenção direcionados à musculatura glútea na melhora de desfechos funcionais ou sintomatológicos relacionados às disfunções na articulação do joelho. Métodos: Revisão sistemática desenvolvida de acordo com o protocolo PRISMA (Preferred Report Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). Foram realizadas buscas nas bases de dados eletrônicas MEDLINE, SCIELO, COCHRANE, LILACS e PEDro, conforme estratégia de busca dada pela combinação de termos referentes ao assunto da pesquisa. Critérios de inclusão: estudos publicados até março de 2016, amostra de indivíduos com idade entre 18 e 60 anos, sem restrição de idioma de publicação, ter envolvido a avaliação ou o tratamento de alguma característica da musculatura do quadril relacionando à estabilização dinâmica do joelho. Resultados: Dos 109 estudos encontrados, onze foram incluídos por atenderem aos critérios de inclusão. Destes, oito (73%) foram do tipo observacional exploratório e três (27%) ensaio clínico aleatorizado (ECA) (5≤PEDro≤8). Todos os ECA incluíram adultos jovens, do sexo feminino, com síndrome da dor femoropatelar e avaliaram o músculo glúteo médio. Segundo os resultados da maioria dos estudos, os músculos glúteos apresentam relação com a manutenção do alinhamento do membro inferior no plano frontal, reduzindo o valgo dinâmico em atividades funcionais, sendo mais importante a magnitude da ativação muscular do que o tempo desta ativação. Os ECA evidenciaram a importância de se intervir no fortalecimento da musculatura glútea em programas de reabilitação do joelho: em indivíduos sintomáticos com síndrome da dor femoropatelar houve melhora funcional e sintomatológica significativa após este tipo de intervenção, que foi realizada associada ao tratamento convencional no joelho ou tronco. Conclusão: A magnitude de ativação e a força muscular dos músculos glúteos têm papel importante na estabilidade dinâmica do joelho. Intervenções nestas musculaturas, associadas ao tratamento convencional, são eficazes para melhora de desfechos funcionais e sintomatológicos relacionados à articulação do joelho.

Palavras-chave: Articulação do Quadril; Articulação do Joelho; Fisioterapia

Número atual: Setembro 2017 - Volume 24  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Análise do incremento da força muscular para reaquisição de ortostatismo em idosos com síndrome do imobilismo temporário

Analysis of the muscle strength increase for recovery of ortostatism in elderlies with temporary immobility syndrome

Jefferson Lucio da Silva; Eduardo Filoni; Carolina Miyuki Suguimoto

Acta Fisiátr.2017;24(3):113-119

A Síndrome do Imobilismo (SI), frequente entre idoso, ocorre no indivíduo acamado por período prolongado, acarretando perda de força muscular (FM) e consequentemente morbidade e mortalidade. Objetivo: Analisar ganho de FM necessário para reaquisição de ortostatismo em idosos com SI temporário. Métodos: Trinta idosos com SI foram triados pelos critérios de inclusão/exclusão, e 14 idosos obedeceram aos critérios. Eles foram avaliados quanto à FM (em quilogramas) dos músculos quadríceps e glúteos, e posteriormente realizaram sessões de fortalecimento. Ao final do programa, realizou-se tentativa de ortostatismo. Aqueles que readquiriram a postura foram chamados de G1; aqueles que não readquiriram foram chamados de G2. Analisou-se incremento das cargas, número de sessões necessárias, peso do participante, idade e tempo de imobilismo. Resultados: Dez participantes (71,4%) readquiriram o ortostatismo (G1), obtendo média de 21,4 sessões e incremento de força para quadríceps em média de 6kg, correspondendo a um aumento de 177%; e G2 aumentou em média 4,125kg, aumentando-se 117% (p=0,001). Para m glúteo, houve ganho de FM em média de 2,2kg (aumento de 102%) para G1 e 1,625kg para G2, aumentando-se 39%. (p=0,0002). Houve forte correlação para peso do participante com ganho de FM de quadríceps e glúteos (-0,96 e -0,84 respectivamente) e moderada correlação com idade de G1 e G2 (0,59 e 0,58 respectivamente) e com tempo de imobilismo (0,53 para glúteos e 0,50 para quadríceps). Conclusão: O incremento da FM foi essencial para reaquisição do ortostatismo, e o peso, idade e tempo de imobilismo interferiram na reaquisição desta postura.

Palavras-chave: Idoso Fragilizado, Treinamento de Resistência, Força Muscular

2 - Avaliação da qualidade de vida, grau de incapacidade e do desenho da figura humana em pacientes com neuropatias na hanseníase

Quality of life, physical disability, and the human figure drawing assessment of patients with neuropathies in leprosy

Camila Beltrame Benedicto; Tatiani Marques; Arianni Pereira Milano; Noêmi Garcia de Almeida Galan; Susilene Tonelli Nardi; Frank Duerksen; Lúcia Helena Soares Camargo Marciano; Renata Bilion Ruiz Prado

Acta Fisiátr.2017;24(3):120-126

Resumo: Na hanseníase, a presença de sintomas dermatoneurológicos com potencial evolução para incapacidades físicas pode comprometer a qualidade de vida (QV) e a imagem corporal do paciente. Objetivo: Avaliar as possíveis associações entre a QV, o Grau de Incapacidade (GI) e o Desenho da Figura Humana (DFH) em indivíduos com neuropatia hansênica. Método: Este estudo consiste em um estudo descritivo, com abordagem quanti-qualitativa. Foram utilizados quatro instrumentos de avaliação: Questionário sociodemográfico, NeuroQol (Neuropathy - Specific Quality of Life Questionnaire), DFH e Formulário de avaliação do GI. Foram incluídos pacientes com GI 1 ou 2 nos pés e idade igual ou superior a 18 anos. Resultados: Foram avaliados 100 indivíduos. Entre aqueles com GI 2, houve uma tendência à omissão do nariz (p=0,050) e DFH no tamanho pequeno (p=0,047). Houve associação entre o DFH e o domínio QV Sintomas difuso sensitivo-motores (p=0,035), sugerindo que a omissão dos pés no DFH pode representar perda da QV. Conclusão: Indivíduos com neuropatia hansênica apresentam QV boa à moderada. A omissão de segmentos do corpo pode indicar conflitos e sentimentos de insegurança. Há indícios de perda de autonomia quando o paciente omite ou corta os pés no DFH.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência, Hanseníase, Reabilitação, Imagem Corporal, Qualidade de Vida

3 - Performance of quality of life and functional capacity in women with knee osteoarthritis treated with viscosupplementation and strength training

Performance of quality of life and functional capacity in women with knee osteoarthritis treated with viscosupplementation and strength training

Paulo Cesar Hamdan; Blanca Elena Rios Gomes Bica; Laura Maria Carvalho de Mendonça; Thiago Gomes de Paula; Victor Rodrigues Amaral Cossich; Eduardo Becker Nicoliche

Acta Fisiátr.2017;24(3):127-132

The viscosupplementation and strength training are interventions accepted in the treatment of knee osteoarthritis. Objective: The study describes the effect of two interventions in quality of life and functional capacity. Method: Thirty women diagnosed with bilateral knee osteoarthritis of grade II and III by radiological criteria of Kellgren & Lawrence, were randomized into three groups with ten patients each: VSTF group submitted to viscosupplementation and strength training, TF group submitted only to strength training and VS group submitted only to viscossuplementation. Moments of the study were defined as pre-procedure (PRE), after 48 hours of VS (POS-VS) after 12 weeks of training (POS T) and after eight weeks of detraining (POS D). Quality of life was assessed by the SF-36 BRAZIL, functional capacity by Lequesne index. Intraarticular infiltrations were carried out with a single dose of 6 ml / 48 mg with 6,000,000 kDa Hylan GF-20 and strength training sessions were held for twelve weeks. Results: Strength training and viscosupplementation were effective in the treatment of knee osteoarthritis. Both interventions promoted improvements in quality of life and in functional capacity (p < 0.001), with advantage to the groups that trained force. Conclusion: Strength training is a possible replacement of viscosupplementation in the treatment of osteoarthritis of women's knees. However, the beneficial effect of viscosupplementation in pain reduction suggests better efficiency in the strength training execution which may be an advantage of the association of both.

Palavras-chave: Osteoarthritis, Knee, Viscosupplementation, Resistance Training, Quality of Life

4 - A importância pratica da cinesioterapia em grupo na qualidade de vida de idosos

The importance of kinesiotherapy group practice on the quality of life of the elderly

Juscelino Francisco Vilela-Junio, Vitor Marcilio Gomes Soares, Ana Maria Sá Barreto Maciel

Acta Fisiátr.2017;24(3):133-137

Resumo: Analisar o efeito da cinesioterapia em grupo sobre a qualidade de vida, adesão e desistência do programa, capacidade funcional, equilíbrio e marcha de idosas sedentárias. Método: Estudo experimental, amostra de idosas com média de idade de 69,83 (±7,76), que foram submetidas a um protocolo de cinesioterapia e randomizadas em três grupos (N=48), cinesioterapia em grupo (CG), cinesioterapia individual (CI) e controle (C); durante 12 semanas. A qualidade de vida foi avaliada por meio do questionário SF-36, e as variáveis de equilíbrio e marcha através do teste de Tinetti. Utilizando os procedimentos estatísticos descritivos (média e desvio padrão) e o teste de Wilcoxon, admitindo-se o nível de significância de p < 0, 05. Resultados: Taxa de permanência: CG:n=9; GI:n=10; C:n=8 ;Teste de Tinetti:Grupo CG: escore total 9.26 X 13.1; Grupo GI 11.37 X 14.5. Não houve melhora no grupo C. SF-36: média de escores: (CG) Dor: 33.2 X 70.7; Aspectos emocionais 33.3 X 66.6; (GI) Capacidade funcional: 64 X 85.5; Aspectos emocionais: 77.7 X 88; Limitação funcional: 72.5X 100. Não houve melhora estatisticamente significativas no grupo C. Conclusão: Não foram encontradas diferenças expressivas em relação a taxa de desistência entre a dinâmica em grupo e a dinâmica individual no programa de cinesioterapia, no entanto os grupos experimentais apresentaram diferenças significativas com os testes, antes e pós intervenção, para melhora nos aspectos emocionais, melhora de limitações físicas, redução de dor, melhora no equilíbrio e marcha, mostrando assim eficácia e importância dessa atividade.

Palavras-chave: Envelhecimento, Exercício, Saúde, Qualidade de Vida

5 - Análise das variáveis espaços temporais e angulares da marcha em indivíduos cegos

Analysis of the spatial-temporal and angular variables of gait of blind individuals

Caroline Cunha do Espírito Santo; Graziela Morgana Silva Tavares; Thiele de Cássia Libardoni; Larissa Sinhorim; Gilmar Moraes Santos

Acta Fisiátr.2017;24(3):138-142

Resumo: Analisar e descrever as variáveis espaços temporais e angulares da marcha de indivíduos cegos totais. Método: Estudo foi composto por 19 indivíduos com idade média de 28±6 anos, sendo estes divididos em dois grupos, o primeiro composto por oito indivíduos cegos totais (GCT), e o segundo grupo por 11 indivíduos com visão normal (GVN). As variáveis foram coletadas pelo sistema Peak Motus e analisadas no software Ariel Performance Analysis System. Os indivíduos caminharam em um trajeto com sete metros de extensão, livre de obstáculos, em velocidade auto selecionada, até que seis passadas fossem consideradas válidas. Para o tratamento estatístico dos dados utilizou-se o Teste t de student, com nível de significância de p≤0,05. Resultados: Os sujeitos do GCT apresentaram redução significativa da velocidade da marcha, cadência, comprimento da passada, fase de balanço e do ângulo máximo de flexão do joelho, bem como aumento da fase de apoio e do período de duplo apoio, quando comparados com os sujeitos no GVN. Não foi encontrada diferença significativa para ângulo máximo de extensão do quadril entre os grupos pesquisados. Conclusão: Os achados deste estudo mostraram que a ausência da informação visual induz nos sujeitos cegos uma marcha mais lenta, com redução do comprimento da passada, ângulo de flexão do joelho e fase de balanço, e, aumento da fase de apoio e do período de duplo apoio, quando comparados a sujeitos de visão normal.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência Visual, Fenômenos Biomecânicos, Marcha

ARTIGO DE REVISÃO

6 - Tratamento por ondas de choque extracorpórea na síndrome do estresse tibial: uma revisão da literatura

Treatment of medial tibial stress syndrome with extracorporeal shockwave treatment: a literature review

Marcus Yu Bin Pai; Mariana Hida Nakagawa; Juliana Takiguti Toma; Bruno Schiefer dos Santos; Paulo Roberto Dias dos Santos; Carlos Vicente Andreoli; Benno Ejnisman

Acta Fisiátr.2017;24(3):143-146

A síndrome do estresse tibial medial é uma lesão comum devido a sobrecarga mecânica, principalmente em atletas, devido a inflamação local e estresse ósseo. A terapia de ondas de choque (TOC) vem sendo utilizada como tratamento para esta patologia por seus efeitos analgésicos e anti-inflamatórios. Objetivo: Avaliar a eficácia da TOC no tratamento analgésico da síndrome do estresse tibial medial e medidas de funcionalidade. Métodos: Foi realizada uma revisão da literatura, sendo incluídos estudos clínicos em humanos. Resultados: 3 artigos preencheram os critérios de inclusão, incluindo 166 pacientes. Os trabalhos trouxeram uma ampla variedade de intervenções, tipos de aparelhos, frequência e energia utilizada, além de diferenças nas quantidades de sessões e tipos de ondas de choque utilizado no tratamento. Conclusão: Ainda não há evidências consistentes quanto ao uso da TOC no tratamento conservador da síndrome do estresse tibial medial, com estudos pequenos, de qualidade metodológica baixa. Os estudos inclusos no trabalho não relataram efeitos colaterais significativos.

Palavras-chave: Condutas Terapêuticas, Resultado do Tratamento, Ondas de Choque de Alta Energia

7 - Uso da termografia como método de avaliação na medicina física e de reabilitação

The use of thermography as an assessment tool in physical medicine and rehabilitation – a review study

Fábio Marcon Alfieri; Artur Cesar Aquino dos Santos; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2017;24(3):147-150

Por indicar a temperatura corporal, a avaliação termográfica pode servir como indicativo de alteração fisiológica em algumas condições clínicas nas quais a reabilitação se faz necessária. Objetivo: Conhecer a quantidade de publicações sobre o uso da termografia como instrumento de avaliação de desfecho de pesquisa clínica em estudos de reabilitação. Método: Foi feita uma busca na base de dados PubMed. Como descritor foi utilizado somente o MeSH term Thermography e escolhidos os artigos que reportavam pesquisa clínica. Resultados: De 6957 artigos encontrados, 316 eram Clinical trials, destes, 304 foram excluídos por não atenderem os critérios de inclusão, permanecendo assim 12 estudos. Estes foram classificados segundo a escala de JADAD. Apenas três estudos foram considerados com boa qualidade metodológica. Nos estudos incluídos, as condições clínicas avaliadas foram: dor muscular tardia, lombalgia, artrite reumatoide, síndrome da dor complexa regional, dor miofascial, osteoartrite, Fenômeno de Raynaud's, e tendinites. Diversos recursos terapêuticos foram utilizados, sendo o laser usado em 5 estudos. Apenas um estudo não conseguiu identificar mudanças após os procedimentos de reabilitação quando usada a termografia como avaliação. Conclusão: Essa revisão mostrou que poucos estudos e com baixa qualidade metodológica usaram a termografia como método de avaliação em programas de reabilitação.

Palavras-chave: Termografia, Avaliação, Reabilitação

RELATO DE CASO

8 - Manifestações musculoesqueléticas na síndrome de Klippel-Trenaunay

Musculoskeletal manifestations in syndrome Klippel-Trenaunay

Patricia Yuri Capucho; Natalia Cristina Thinen; Mariana Cavazzoni Lima de Carvalho

Acta Fisiátr.2017;24(3):151-153

A síndrome de Klippel-Trenaunay é uma doença congênita rara de etiologia não definida, caracterizada pela presença da tríade: manchas vinho do porto, malformações venosas ou veias varicosas e hipertrofia óssea e/ou tecidual. Acomete mais frequentemente os membros inferiores. O tratamento em geral é conservador, sendo as intervenções limitadas ao tratamento das complicações. Objetivo: Apresentar relato de caso de uma criança com manifestações musculoesqueléticas da síndrome avaliada por equipe multiprofissional, composta pelo serviço social, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, enfermagem e médico fisiatra. Método: Após avaliação foi definido trabalhar consciência e correção da postura assim como a percepção corporal, realização de atividade em ortostatismo, treino de equilíbrio, dissociação de cinturas e trocas posturais. Resultados: Paciente participou dos atendimentos multiprofissionais por dois meses, obteve melhor estabilidade da marcha, passando a ter marcha independente na comunidade, com velocidade maior e menor número de quedas. Conclusão: Recebeu alta com objetivos atingidos e pais sensibilizados quanto à importância de manter o seguimento multiprofissional e seguir os objetivos traçados em domicílio.

Palavras-chave: Síndrome de Klippel-Trenaunay-Weber, Hipertrofia, Hemangioma, Sindactilia

9 - Órtese com impressão 3D para ombro: relato de caso

3D print orthesis for shoulder: case report

Danielle Aline Barata Assad; Valeria Meirelles Carril Elui; Vincent Wong; Carlos Alberto Fortulan

Acta Fisiátr.2017;24(3):154-159

Subluxação do ombro é a complicação musculoesquelética mais comum das afecções do Sistema Nervoso Central e Periférico, que leva a diminuição do movimento, da função e aumento de dor. Órtese é um dos recursos auxiliares utilizados no tratamento desta patologia e visa corrigir deformidade, diminuir dor e proporcionar função ao membro acometido. Objetivo: Este trabalho propõe uma nova metodologia para projetar e fabricar órteses customizadas estabilizadoras de ombro utilizando as tecnologias de aquisição 3D por escaneamento e de fabricação por Impressão 3D, e assegurar melhor adaptabilidade e maior conforto para o usuário. Método: A metodologia utilizada neste estudo foi dividida em cinco fases: estudo de caso, escaneamento, modelagem e impressão em 3D; e acabamento. O estudo de caso do usuário com lesão de plexo braquial motivou o projeto de desenho original de órtese híbrida, personalizada e manufaturada em 3D, usando estrutura rígida e faixas de tração, com objetivo de estabilizar o ombro, diminuir a dor e permitir função. Resultados: Após escaneamento em 3D utilizou-se softwares especializados para processar a imagem tridimensional STL. Realizaram-se otimizações do projeto com geração de modelos e peças prototipadas em FDM; avaliada pelo usuário. O conceito desenvolvido foi: órtese personalizada, fácil de higienizar e vestir, resistente, articulada, veste nos dois braços com faixas de tração em tecido rígido acoplado à cintura. Conclusão: O teste com usuário corroborou com o conceito projetado e mostrou um protótipo preliminar com bom acoplamento ao tronco, tração satisfatória e possibilidade de realizar um maior número de AVD´s com menos dor e/ou sensação de cansaço.

Palavras-chave: Extremidade Superior, Aparelhos Ortopédicos, Desenvolvimento Tecnológico, Impressão Tridimensional

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

10 - Uso prático da AbobotulinumtoxinA no tratamento de espasticidade em crianças com paralisia cerebral

Practical use of AbobotulinumtoxinA for the treatment of spasticity in children with cerebral palsy

Sandro Rachevsky Dorf; Carla Andrea Cardoso Tanuri Caldas; Regina Helena Morganti Fornari Chueire; José Henrique Carvalho; João Amaury Francês Brito; Simone Carazzato Maciel; Elder Machado Sarmento; Arquimedes Moura Ramos

Acta Fisiátr.2017;24(3):160-164

AbobotulinumtoxinA (ABO) tem sido utilizada para o tratamento da espasticidade em crianças com paralisia cerebral (PC). Seu uso requer uma administração cuidadosa, quanto à dosagem, seleção de locais de aplicação, intervalo entre aplicações, eficácia e segurança. Este foi o primeiro painel de especialistas no tratamento da espasticidade que desenvolveu um guia sobre questões gerais relacionadas a terapêutica de médicos que utilizam ABO, incluindo a indicação da dosagem a ser aplicada por músculo. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido, idealmente entre dois e seis anos de idade. Uma avaliação clínica deve identificar os músculos espásticos e determinar o objetivo: melhora funcional, analgesia, facilidade de cuidados e posicionamento, prevenção da luxação dos quadris, melhora da marcha e postura, facilitação do processo de educação, maior participação social e/ou melhora estética. Os pré-requisitos para alcançar bons resultados são a seleção muscular adequada, a dosagem de ABO e a técnica de injeção. Muitos padrões patológicos comuns podem ser tratados se vários músculos forem simultaneamente injetados em uma única sessão de tratamento; O planejamento da dose de ABO por músculo deve levar em consideração a dosagem máxima em unidades por músculo e a dose de ABO máxima total por sessão (30 U / kg de peso corporal do paciente, não superior a 1000 U). Após a aplicação, as crianças devem ser submetidas a programas de fisioterapia e terapia ocupacional, focadas em orientações domiciliares e em orientações para a família, aumentando as chances de ganho terapêutico. O tratamento com ABO é multidisciplinar e requer abordagens integradas.

Palavras-chave: Crianças com Deficiência, Paralisia Cerebral, Espasticidade Muscular, Toxinas Botulínicas Tipo A

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