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Número atual: Março 2015 - Volume 22  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Validação do Questionário "Life Space Assessment - LSA" em um grupo de pacientes hemiplégicos

Validation of the "Life Space Assessment - LSA" Questionnaire in a group of hemiplegic patients

Ana Eduarda Marques Seixas Estima; Bruna Motta Taulois Dutra; José Vicente Pereira Martins; Ana Cristina Oliveira Bruno Franzoi

Acta Fisiátr.2015;22(1):1-4

A mobilidade do paciente hemiplégico é uma interação entre a sua habilidade funcional e fatores externos. O questionário "Life Space Assessment" (LSA) é uma ferramenta que avalia essa mobilidade em 5 níveis. Objetivo: Validar o LSA em uma população de hemiplégicos em tratamento fisioterapêutico em um centro de reabilitação, correlacionando-o com medidas de performance física. Método: Instrumentos utilizados na validação concorrente: Teste Timed Up and Go (TUG), Postural Assessment Scale (PASS), Índice de Mobilidade de Rivermead. Estatística: descritiva, Índice de Spearman e Índice de Correlação Intra Classe (ICC). Resultados: Foram avaliados 30 hemiplégicos por sequela de AVE (73% do sexo masculino, idade média 58,6 anos, tempo médio de lesão 1,9 anos). O LSA apresentou correlação significativa (p < 0,01) com a idade, o TUG, o PASS e o Rivermead. Concordância entre examinadores: ICC 0,941 e Intra examinadores 0,981. Conclusão: O LSA se mostrou uma medida válida numa população de hemiplégicos crônicos, com excelente correlação intra e entre examinadores, tendo se correlacionado significativamente com medidas de função e estrutura corporal e atividades (TUG, PASS e Rivermead).

Palavras-chave: Hemiplegia, Locomoção, Estudos de Validação

2 - Alterações socioeconômicas e familiares de pacientes com hemiparesia decorrentes de acidente vascular encefálico

Familial and socio-economic changes of patients with hemiparesis stemming from stroke

Aline Ferreira Placeres; Maysa Alahmar Bianchin

Acta Fisiátr.2015;22(1):5-8

O acidente vascular encefálico (AVE) é considerado uma doença de grande impacto social por causar grandes rupturas como a perda do emprego, a diminuição da renda, troca de papéis ocupacionais, podendo se tornar um problema familiar grave. Objetivo: Analisar as alterações no trabalho e família, causadas pela hemiparesia em pacientes que sofreram AVE (Acidente Vascular Encefálico). Métodos: Trata-se de um estudo quantitativo onde participaram trinta pacientes com hemiparesia decorrente de AVE no Hospital de Base de São José do Rio Preto. Os instrumentos utilizados foram a ficha de identificação contendo nome, idade, gênero, profissão atual e profissão anterior entre outras, e questionário adaptado pelo serviço de Terapia Ocupacional com dez questões fechadas, onde o participante tinha opção de resposta "sim" ou "não". Resultados: A pesquisa mostrou que antes da disfunção física 87% dos participantes trabalhavam e recebiam um salário e após a disfunção nenhum realiza atividade remunerada. As relações familiares dos participantes são mais comprometidas em pacientes que sofreram disfunção a mais tempo do que outros pacientes que possuem a disfunção há menos tempo. Conclusão: Este estudo observou que pacientes com hemiparesia decorrente de AVE podem sofrer alterações nas relações laborais, socioeconômicas e familiares e esses dados são relevantes para que os profissionais de saúde possam auxiliar o retorno desses sujeitos às atividades ocupacionais, após AVE.

Palavras-chave: Fatores Socioeconômicos, Acidente Vascular Cerebral, Paresia, Terapia Ocupacional

3 - Avaliação do índice de sobrecarga de cuidadores primários de crianças com paralisia cerebral e sua relação com a qualidade de vida e aspectos sócioeconômicos

Assessing the burden on primary caregivers of children with cerebral palsy and its relation to quality of life and socioeconomic aspects

Mariana Ceravolo Ferreira; Brunna Loureiro Di Naccio; Myssao Yumi Costa Otsuka; Aurélio de Melo Barbosa; Paulo Fernando Lôbo Corrêa; Giulliano Gardenghi

Acta Fisiátr.2015;22(1):9-13

As crianças com Paralisia Cerebral (PC) apresentam distúrbios permanentes da postura e movimento, caracterizada por um prejuízo motor que provoca dificuldade na realização das atividades de vida diária e, consequentemente uma dependência funcional. Assim, a tarefa de assistir crianças com PC pode levar ao cansaço, isolamento e estresse dos cuidadores, além de gerar sobrecarga física e emocional e uma possível diminuição da qualidade de vida dessa população. Objetivo: Avaliar o índice de sobrecarga dos cuidadores primários de crianças com PC, comparar a qualidade de vida e a idade entre cuidadores com e sem sobrecarga, bem como associar as variáveis classe econômica e status laboral à variável sobrecarga. Método: O estudo caracterizou-se por ser analítico e transversal. Participaram do estudo 31 cuidadores primários de crianças com diagnóstico de PC de 0 a 18 anos. Os instrumentos utilizados na pesquisa foram um questionário sóciodemográfico para caracterização da amostra, o questionário da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) para classificação econômica, o Medical Outcome Study 36 (SF-36) para avaliação da qualidade de vida dos cuidadores e a Escala de Sobrecarga do Cuidador Zarit Burden Interview (ZBI) para avaliar a sobrecarga subjetiva e objetiva dos cuidadores. Resultados: Os resultados da amostra apontaram que 67,7% dos cuidadores apresentaram sobrecarga e que as médias de alguns domínios do SF-36 ("limitação por aspectos físicos", "dor", "vitalidade" e "limitação por aspectos sociais") neste grupo eram significativamente menores do que no grupo sem sobrecarga. Não houve associação estatisticamente significativa no teste de qui-quadrado entre a classe socioeconômica dos cuidadores e a sobrecarga e entre o status laboral e a sobrecarga. Conclusão: A presença de sobrecarga em cuidadores de crianças com PC tem relação com uma menor qualidade de vida, mas a sobrecarga não foi associada com a idade do cuidador, o status laboral e a classe econômica dos mesmos.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Efeitos Psicossociais da Doença, Qualidade de Vida, Cuidadores

4 - Análise comparativa da flexibilidade de mulheres idosas ativas e não ativas

Comparative analysis of flexibility in active and inactive elderly women

Thiago Barbosa Zambon; Pamela Roberta Gomes Gonelli; Rodrigo Detone Gonçalves; Bruno Luis Amoroso Borges; Maria Imaculada de Lima Montebelo, Marcelo de Castro Cesar

Acta Fisiátr.2015;22(1):14-18

Com o envelhecimento ocorre um declínio na aptidão física, uma variável muito atingida é a flexibilidade, e a prática de exercícios físicos pelos idosos é um importante fator para a manutenção da saúde e aptidão física no decorrer do processo de envelhecimento. Objetivo: Comparar a flexibilidade de mulheres idosas praticantes hidroginástica, treinamento combinado e não ativas. Participaram 60 voluntárias, idade entre 60 e 80 anos, agrupadas em: ativas praticantes de hidroginástica (G1) 20 voluntárias; ativas praticantes de treinamento combinado (G2) 20 voluntárias; não ativas (G3) 20 voluntárias. Métodos: As voluntárias foram submetidas à avaliação antropométrica com medidas de massa corporal, estatura e circunferência da cintura e da flexibilidade com medidas da distância alcançada no teste de sentar e alcançar e da amplitude da flexão e extensão do quadril através do goniômetro. Foram verificados os pressupostos de normalidade por meio do teste de Shapiro-Wilk, para a comparação entre os grupos (G1, G2, G3) foram realizados o teste Anova one way, seguido do post hoc de Tukey para os dados com distribuição paramétrica, e o teste de Friedman para amostras com distribuição não paramétrica. Aplicou-se o nível de significância de p < 0,05. Resultados: Nas variáveis antropométricas não foram encontradas diferenças significativas entre grupos. Na flexibilidade, foi encontrada diferença significativa na flexão e na extensão de quadril, os grupos G1 e G2 apresentaram maiores valores que o G3, não houve diferença significativa entre G1 e G2, não existindo outras diferenças significativas entre os grupos. Conclusão: Os resultados sugerem que os treinamentos de hidroginástica e combinado proporcionaram melhora na flexão e extensão do quadril das mulheres idosas, sem influência nas outras variáveis estudadas.

Palavras-chave: Educação Física e Treinamento, Maleabilidade, Idoso, Mulheres

5 - Lesão muscular induzida por eletroestimulação neuromuscular (EENM) com frequências de 30 Hz e 100 Hz

Muscle damage induced by neuromuscular electrical stimulation (NMES) with frequencies of 30 Hz and 100 Hz

Marina Tessarolo Souza; Wladimir Musetti Medeiros

Acta Fisiátr.2015;22(1):19-23

A eletroestimulação-neuromuscular (EENM) é a ação de estímulos elétricos terapêuticos sobre o tecido muscular, visando a contração muscular e consequentemente a melhora dos status muscular. Objetivo: Avaliar a lesão muscular decorrente da contração muscular isométrica induzida por meio da EENM de baixa frequência (30 Hz) e de alta frequência (100 Hz). Métodos: Estudo experimental tipo Cross-over, randomizado e não cego. Participaram do estudo 10 universitários voluntários, gênero masculino, idade de 24,4 ± 6,0 anos, peso de 77,1 ± 11,8 kg, altura de 176,1 ± 5,6 cm e IMC de 24,8 ± 3,4 kg/m2. Dois protocolos (A) e (B) com intervalo de 7 dias entre eles. (A) - 20 minutos de EENM no quadríceps com frequência de 30 Hz. (B) - 20 minutos de EENM com frequência de 100 Hz. Analisado lactato, creatinafosfoquinase e desidrogenase láctica antes, imediatamente após, 6h e 48h após os protocolos. Resultados: Comparando 30 Hz vs. 100 Hz observou-se: lactato (23,7 ± 6,7 vs. 13,4 ± 3,0 mg/dL, p = 0,001); CPK (195,4 ± 116,1 vs. 262,9 ± 153,6 UI, p = 0,022); DHL (374,3 ± 64 vs. 366,6 ± 84,1 UI, ns). A percepção de eficiência contrátil diminuiu significativamente (p = 0,016) no protocolo com 100 Hz. Conclusão: Tanto a EENM de baixa frequência (30 Hz) quanto de alta frequência (100 Hz) elevam os marcadores sanguíneos de lesão muscular, sendo esta elevação, ainda mais acentuada na alta frequência. Entretanto os valores alcançados refletem uma resposta normal para um exercício de moderada intensidade.

Palavras-chave: Estimulação Elétrica, Músculo Esquelético, Creatina Quinase, Lactato Desidrogenases

6 - Disfagia orofaríngea na doença de Chagas crônica: avaliação fonoaudiológica, videofluoroscópica e esofagomanométrica

Oropharingeal dysphagia in patients with chronic Chagas disease: phonoaudiological, videofluoroscopic, and manometric evaluations

Danielly Moreira Gonçalves Cabral; Luiz João Abrahão Júnior; Charles Henrique Dias Marques; Basílio de Bragança Pereira; Roberto Coury Pedrosa

Acta Fisiátr.2015;22(1):24-29

Objetivo: Em pacientes chagásicos crônicos, determinar a frequência dos episódios de penetração e aspiração laríngea e avaliar sua relação de interpretação, não só com os padrões exibidos na videofluoroscopia e na esofagomanometria, mas também, com a triagem clínica, a avaliação fonoaudiológica estrutural e funcional. Método: 22 indivíduos foram incluídos no estudo, sendo 15 mulheres e 7 homens, média de idade de 55,9 ± 10,2. Os pacientes foram submetidos à avaliação clínica, fonoaudiológica (estrutural e funcional), e aos exames de videofluoroscopia e esofagomanometria computadorizada. Resultados: Dentre as queixas na triagem clínica, 18,2% relataram engasgos, 13,6% pigarro, 40,9% azia, 22,7% regurgitação e 36,4% sensação de alimento parado na garganta. Apenas 18,2% apresentavam uma dentição adequada. Na avaliação funcional da deglutição 31,8% tiveram diagnóstico de deglutição funcional. Na videofluoroscopia foi encontrada permanência de resíduos na faringe em 18,2% dos casos, seguida de deglutições múltiplas em 95,4% e escape posterior em 100%. Observou-se 4 casos de penetração laríngea de grau 2 (disfagia) e em 82% dos casos os achados foram semelhantes entre a videofluoroscopia e avaliação funcional da deglutição, quanto a não ocorrência de penetração laríngea. Os valores de abertura do esfíncter esofágico superior indicam uma relação com o volume de bolo deglutido. Já na manometria foram encontrados 42,1% de alterações em corpo do esôfago e 5,3% em faringe. Conclusão: A penetração laríngea foi prevalente em 18,2% dos casos com uma relação de interpretação importante entre a avaliação fonoaudiológica funcional e os achados videofluoroscópicos, quanto à ausência de penetração laríngea, com resultados semelhantes em 82% dos casos.

Palavras-chave: Doença de Chagas, Transtornos da Motilidade Esofágica, Transtornos de Deglutição, Manometria, Fluoroscopia

7 - Escalada terapêutica: uma possibilidade de intervenção para crianças com paralisia cerebral

Therapeutic climbing: a possibility of intervention for children with cerebral palsy

Huayna Gabriel Barrios Koch; Gabriela de Oliveira Peixoto; Rita Helena Duarte Dias Labronici; Natália Cristina de Oliveira Vargas e Silva; Fabio Marcon Alfieri; Leslie Andrews Portes

Acta Fisiátr.2015;22(1):30-33

A escalada terapêutica, uma adaptação da "Escalada Esportiva", pode promover melhoria da coordenação motora, do equilíbrio e resistência muscular. Objetivo: Avaliar o efeito dessa intervenção na força de preensão manual, controle postural, mobilidade funcional e controle da espasticidade de crianças com paralisia cerebral. Método: Estudo do tipo série de casos, descritivo, com 7 pacientes com idade de 9,6 ± 3,7 anos, que passaram por sessões de escalada terapêutica, 1 hora/sessão, duas vezes/semana. Resultados: Após 19 sessões foi verificado aumento de força na mão direita (p = 0,022) e melhoria do equilíbrio estático e da marcha (p = 0,007). Observou-se também melhora da mobilidade funcional (p = 0,014). O escore na escala Ashworth modificada mostrou controle eficiente da espasticidade, ainda que a diferença não tenha atingido significância estatística. Conclusão: A escalada terapêutica melhorou a força de preensão manual, o controle postural e a mobilidade funcional dos pacientes.

Palavras-chave: Criança, Paralisia Cerebral, Modalidades de Fisioterapia

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Efeitos do treino de marcha com assistência robótica em pacientes pós - acidente vascular encefálico

Effects of robot-assisted gait training in stroke patients

Juliana Morales Ronchi; Pedro Cláudio Gonsales de Castro; Maria Cecília dos Santos Moreira

Acta Fisiátr.2015;22(1):34-38

Pacientes acometidos por acidente vascular encefálico (AVE) apresentam déficit significativo de marcha em decorrência da complexidade de suas deficiências. O treino de marcha com assistência robótica (TMR), além de diminuir a carga física imposta sobre o terapeuta, garante um ambiente simplificado e seguro para o treino de marcha, no qual padrões simétricos e constantes de movimentos de membros inferiores podem ser desenvolvidos e em maiores velocidades, além de permitir uma terapia com maior tempo de duração. Apesar do uso crescente deste equipamento em reabilitação pouco se sabe sobre os efeitos promovidos na reabilitação da marcha pós-AVE, assim como os protocolos de intervenção empregados para se alcançá-los. Objetivo: Avaliar as evidências atuais quanto à eficácia do TMR em indivíduos pós-AVE, com ênfase no desempenho da marcha. Método: Para isso, foi realizado um levantamento literário dos estudos publicados nos últimos 10 anos (2003-2013) com os termos "stroke" and "gait" and "robotics" nas bases de dados PubMed, MedLine e LILACS. Resultados: Foram selecionados 5 estudos que preencheram os critérios de inclusão, entre eles o de utilizar o dispositivo robótico Lokomat (Hocoma, Volketswil) para o treino de marcha em pacientes pós-AVE. A análise dos resultados obtidos em cada estudo considerou os ganhos promovidos nos parâmetros lineares da marcha (velocidade e distância percorrida) pela terapia robótica em comparação à terapia convencional. Conclusão: Os dados sugerem que o emprego da terapia robótica na reabilitação da marcha do paciente pós-AVE não produz ganhos adicionais aos obtidos com a terapia convencional.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Marcha, Robótica, Reabilitação

RELATO DE CASO

9 - Efeito da fotobiomodulação no músculo masseter de criança com paralisia cerebral: relato de caso

Photobiomodulation effect on the masseter muscle in children with cerebral palsy: a case report

Maria Teresa Botti Rodrigues Santos; Marcio da Silva Pinto; Karla Santos do Nascimento; Simone Carazzato Maciel

Acta Fisiátr.2015;22(1):39-42

A espasticidade acarreta hipertonia nos músculos mastigatórios dos indivíduos com paralisia cerebral (PC), interferindo na amplitude de abertura bucal, dificultando a realização da higiene oral predispondo estes indivíduos a condições consideradas de risco para o desenvolvimento de doenças bucais. Objetivo: Avaliar o efeito da fotobiomodulação com laser de diodo, de baixa intensidade na espessura do músculo masseter em uma criança com PC do tipo espástico. Método: O relato do cuidador era que a criança apresentava grande dificuldade na realização da higiene bucal e com movimentos de fuga da cabeça quando a escova dental tocava a região de molares superiores. Com relação ao desconforto da criança, a mãe referiu como extremo. A 1ª avaliação ultrassonográfica foi realizada na avaliação inicial, e a 2ª avaliação após 6 sessões de aplicação de fobioestimulação. Foi empregado o Laser infravermelho, de Diodo, de baixa intensidade, As-Ga-Al, (λ = 808 ± 3 nm, 120 mW; Twin Flex Evolution Laser MMOptics São Paulo, Brazil), usando 5,0 J/cm2 energia dose/local, com 20 segundos de exposição/local. A área do músculo masseter irradiado bilateralmente foi o ponto médio no sentido da sua extensão e largura. Foram realizadas seis sessões, com intervalo de 7 dias entre elas. Resultados: Ao final da sexta sessão da fotobioestimulação, a responsável relatou que a criança dormia melhor, apresentava redução no número de movimentos involuntários realizados pela mandíbula e a realização da higiene bucal era possível sem expressão dolorosa da criança. Durante a palpação observou-se menor hipertonia em masseter bilateral, ganho em espessura, e aumento na distância inter-incisal de 7 mm. Conclusão: A fotobioestimulação com laser de diodo parece ser efetiva na redução da espasticidade no músculo masseter de crianças com PC do tipo espástico.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Músculo Masseter, Ultrassonografia, Lasers

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

10 - A clínica da dor crônica como ninho de pacientes difíceis: o papel da identificação projetiva

Chronic pain clinic as a haven for difficult patients: the role of projective identification

João Paulo Consentino Solano

Acta Fisiátr.2015;22(1):43-50

Pacientes difíceis - ou de personalidade difícil - são frequentemente encontrados na clínica da dor crônica não-oncológica, impondo à relação médico-paciente sobrecargas que vão além das complexidades da doença e do tratamento. Esta revisão/relato de experiência discute o papel que o processo psicológico e comunicacional da identificação projetiva exerce sobre as relações entre pacientes e médicos (e outros profissionais) nas equipes de dor crônica. São revisados os conceitos de identificação projetiva, na sua forma benigna e maligna. Duas vinhetas clínicas são dadas como exemplos de cada uma. São apresentadas situações no cenário da comunicação médico-paciente em que a identificação projetiva opera complicando a relação terapêutica. Ao final, recomendações são dadas sobre o manejo do paciente difícil que se comunica maciçamente por identificação projetiva, assim como às equipes multiprofissionais que lidam com estes pacientes. Os pacientes difíceis de nossa clínica de dor crônica têm em comum o fato de se comunicarem pela forma maligna de identificação projetiva e terem organizações imaturas de personalidade. Nas equipes de dor crônica, as relações entre pacientes e profissionais (assim como as relações entre os profissionais), podem ser otimizadas se a equipe for capaz de identificar precocemente o fenômeno da identificação projetiva e manejá-lo de forma terapêutica. Para o paciente, a psicoterapia de longo prazo é o tratamento de eleição.

Palavras-chave: Dor Crônica, Dor Intratável, Projeção, Identificação (Psicologia), Transtornos da Personalidade

Número atual: Junho 2015 - Volume 22  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Comparação da função motora em solo e imersão de pacientes com distrofia muscular de Duchenne em acompanhamento fisioterapêutico - follow-up de 2 anos

Comparison of motor function in patients with Duchenne muscular dystrophy in physical therapy in and out of water: 2-year follow-up

Adriana Valéria Silva Ferreira; Priscila Santos Albuquerque Goya; Renata Ferrari; Martina Durán; Roberta Vieira Franzini; Fátima Aparecida Caromano; Francis Meire Favero; Acary Souza Bulle Oliveira

Acta Fisiátr.2015;22(2):51-54

O tratamento para pacientes com Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é multidisciplinar. Faz-se necessário entender os efeitos das atividades executadas em solo e imersão para permitir o desenvolvimento de protocolos de intervenção. Objetivo: Comparar a função motora em solo e imersão, no período de 2 anos, em crianças com DMD em acompanhamento fisioterapêutico. Método: Estudo retrospectivo com 23 pacientes diagnosticados DMD, de 8 a 24 anos, assistidos pela Associação Brasileira de Distrofia Muscular (ABDIM). Foram coletados dados da avaliação em imersão (adaptação ao meio líquido, bipedestação, sedestação, rotação transversal, longitudinal, nado e marcha) e em solo (Escalas Egan Klassification e Vignos), no período de dois anos. Resultados: Na análise das avaliações entre os semestres, no período de 2 anos, houve diferença no desempenho das atividades em imersão (p < 0,001) e não foi observada diferença na Escala Egan Klassification (p < 0,003) e na Escala Vignos (p < 0,012). Conclusão: Devido aos princípios físicos da água os pacientes apresentaram manutenção e melhora do escore da avaliação da função motora em imersão. Em contrapartida, foi demonstrada piora dos escores das Escalas Egan Klassification e Vignos que representam a função motora em solo.

Palavras-chave: Distrofias Musculares, Imersão, Modalidades de Fisioterapia

2 - Traumatismo crânio encefálico e suas implicações cognitivas e na qualidade de vida

Traumatic brain injury and its implications on cognition and quality of life

Bruna Petrucelli Arruda; Patricia Yumi Funagoshi Akamatsu; Andreza Pereira Xavier; Regina Celia Villa Costa; Gláucia Somensi de Oliveira-Alonso; Iracema Maceira Pires Madaleno

Acta Fisiátr.2015;22(2):55-59

O traumatismo cranioencefálico é uma das principais causas de mortalidade em crianças e adultos jovens. Os pacientes com traumatismo cranioencefálico moderado ou grave podem apresentar sequelas motoras, cognitivas, emocionais, comportamentais e de funcionalidade social, provocando impacto negativo para o próprio indivíduo, sua família e também para a sociedade. Objetivo: Verificar o impacto que o traumatismo cranioencefálico grave ocasionou na vida de pacientes que apresentaram a lesão durante a infância e adolescência, considerando-se questões cognitivas, emocionais e de qualidade de vida, bem como verificar se existem diferenças com relação à idade na época da lesão. Método: Estudo quantitativo, qualitativo de abordagem transversal. Realizado no Centro de Reabilitação da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), unidade Ibirapuera. Participaram do estudo, 13 pacientes com traumatismo cranioencefálico grave, procedentes do estado de São Paulo, atendidos entre janeiro de 2010 e março de 2014. Os instrumentos utilizados foram: questionário sociodemográfico, Short Form Health Survey (SF-36), Escala Geral das Matrizes Progressivas de Raven e as Pirâmides Coloridas de Pfister. Os dados obtidos na avaliação foram avaliados na amostra geral e posteriormente divididos em dois grupos com base na idade no ato da lesão, considerando grupo 1 (3 a 7 anos e 11 meses) e grupo 2 (8 à 16 anos e 11 meses). Resultados: Com relação ao Raven, 76,9% dos participantes apresentaram indício de deficiência mental. Todos os participantes obtiveram boa avaliação da qualidade de vida. Sobre os aspectos afetivos-emocionais observou-se boa capacidade de adaptação e interação. Na comparação entre os grupos, não se evidenciaram diferenças. Conclusão: Os resultados obtidos foram compatíveis com estudos que indicam comprometimento cognitivo e boa percepção da qualidade de vida.

Palavras-chave: Traumatismos Encefálicos, Cognição, Qualidade de Vida

3 - Avaliação da força de preensão e amplitude de movimentos dos membros superiores em pacientes com mucopolissacaridose VI

Evaluation of grip strength and range of motion of the upper limbs in patients with mucopolysaccharidosis VI

Jéssica Nayara Silva de Medeiros; Bárbara Bernardo Rinaldo da Silva; Daniel da Rocha Queiroz; Maria Teresa Cattuzzo; Karen Maciel Sobreira Soares

Acta Fisiátr.2015;22(2):60-64

Objetivo: O presente estudo tem como objetivo avaliar a força de preensão manual e amplitude de movimento dos membros superiores de pacientes com Mucopolissacaridose VI afim de observar o quanto tais fatores podem vir a afetar e se correlacionar com as atividade de vida diária. Método: A amostra foi composta por 13 pacientes, sendo 8 homens e 5 mulheres com média de idade de 17,76 anos e médias de peso e altura de 31,30Kg e 1,17cm respectivamente que aceitaram participar do estudo e que atendessem aos critérios de inclusão pedidos. O estudo foi realizado no estado de Pernambuco no Centro de Tratamento de Erros Inatos do Metabolismo, localizado no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP), coletou-se medidas de amplitude de movimentos (ADM) dos membros superiores, força de preensão manual além de perguntas através de um questionário estruturado. Resultados: No presente estudo a flexão da articulação do ombro que apresenta maior comprometimento em sua maioria, não seguiu tal padrão visto que a média de ADM da articulação foi 90,38 para membro esquerdo e 93,38 em membro direito. A ADM mais abaixo da média predita encontrada no estudo foi da extensão de punho tanto em membro esquerdo como direito. Na avaliação de dinamometria apenas 1 indivíduo apresentou média acima da predita, 9 (69,21%) mostraram grau de força entre 0 e 2 libras (lb) em mão direita e 8 (61,52%) em mão esquerda. Conclusão: Esperamos que o estudo sirva como forma de acompanhamento e evolução da MPS VI, e que possa subsidiar novos estudos e protocolos de avaliação e reabilitação motora.

Palavras-chave: Mucopolissacaridose VI, Extremidade Superior, Força da Mão, Modalidades de Fisioterapia

4 - Adaptação transcultural da Motor Assessment Scale (MAS) para o Brasil

Cross-cultural adaptation of the Motor Assessment Scale (MAS) for Brazil

Elaine Lima Silva Wanderley; Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela; Glória Elizabeth Laurentino; Luan César Simões; Andrea Lemos

Acta Fisiátr.2015;22(2):65-71

Objetivo: Realizar a adaptação transcultural da MAS para o Brasil. Método: O processo de adaptação transcultural ocorreu em cinco estágios: 1) tradução da versão original da MAS por dois tradutores bilíngues independentes; 2) síntese das traduções (criação da versão 1); 3) retrotradução (a versão 1 em português foi revertida para o inglês por dois tradutores bilíngues independentes); 4) análise do comitê de especialistas (4 tradutores e dois fisioterapeutas); 5) pré-teste (aplicação do instrumento na população alvo). Também foi realizado um estudo Delphi e o instrumento foi submetido à opinião de 10 fisioterapeutas, de diferentes estados do País. Resultados: O consenso sobre a clareza, equivalência semântica e relevância técnico-científica da MAS foi obtido na segunda fase do estudo Delphi, com concordância entre 80 e 100%. Na primeira fase do estudo Delphi, foram dadas sugestões para melhorar a clareza dos itens, que resultaram na lista Delphi 2. Conclusão: A MAS-Brasil foi criada através de um adequado processo de adaptação transcultural, garantindo a sua equivalência semântica e adequação cultural. Ainda é necessário verificar as propriedades de medida desta versão para a sua adequada utilização clínica e em pesquisas.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Validade dos Testes, Reprodutibilidade dos Testes

5 - Efeito do treino de isostretching na flexibilidade e na força muscular

Effect of isostretching training on flexibility and muscle strength

Maria Silvia Pardo; Ana Angélica Ribeiro de Lima; Mariene Scaranello Simões; Priscila Santos Albuquerque Goya; Mariana Calil Voos; Fátima Aparecida Caromano

Acta Fisiátr.2015;22(2):72-76

Objetivo: Avaliar efeitos do treino de exercícios de isostreching na flexibilidade e força muscular. Método: Trinta e um indivíduos saudáveis (27 mulheres), de 18 a 28 anos, divididos em 2 grupos: Grupo A, isostretching, submeteu-se a programa de exercícios baseados na técnica isostretching e Grupo B, padrão, submeteu-se aos mesmos exercícios utilizando princípios técnicos clássicos do alongamento, por 12 semanas, duas vezes por semana, uma hora por sessão. Foram avaliadas no pré e pós-teste, flexibilidade por meio de fotogrametria pesquisando a distância punho-chão e a classificação da postura segundo categorias de encurtamentos musculares descritas por Kendall e, força muscular por meio de dinamometria. Resultados: Não houve diferença estatisticamente significante no teste de flexibilidade nos dois grupos. Análise de significância clínica e melhora pelo Índice de Mudança Confiável (IMC) mostrou ganho na flexibilidade atingindo 14 participantes de ambos os grupos. Análise de contorno do corpo do grupo A apresentou atenuações nas curvaturas da coluna cervical, lombar e torácica e ângulo de flexão de quadril. O grupo B apresentou atenuações na curvatura da coluna cervical e ângulo de flexão de quadril. Em relação à força muscular, o grupo A apresentou diferença estatisticamente significante em alguns grupos musculares específicos, porém sem significância clínica. Conclusão: As duas intervenções afetam a flexibilidade de forma estatisticamente semelhante, porém com impacto diferente nas curvaturas da coluna. O isostretching afetou clinicamente a flexibilidade de indivíduos saudáveis, com indícios de que treinamentos mais intensos ou longos possam afetar a força muscular.

Palavras-chave: Força Muscular, Exercícios de Alongamento Muscular, Postura, Fisioterapia

6 - Factor structure, validity, and internal consistency of the Body Appreciation Scale for physically active Brazilian men with spinal cord injuries

Angela Nogueira Neves; Grace Altmann Lorey; Mateus Betanho Campana; Lucilene Ferreira; Dirceu da Silva

Acta Fisiátr.2015;22(2):77-82

Objetivo: Examinar as propriedades psicométricas, a saber, a validade de constructo e consistência interna, da Body Appreciation Scale para pessoas com lesões na medula espinhal no Brasil. Método: A amostra não-probabilística de 70 homens adultos entre 18 e 59 anos de idade participaram neste estudo. Mínimos quadrados parciais com modelagem de caminho, variância média extraída, quadrado da correlação dos fatores, correlação bivariada, análise de variância, teste alpha de Cronbach e teste de confiabilidade Composta foram conduzidos para avaliar estrutura fatorial, validade convergente, discriminante, concorrente, divergente e consistência interna, respectivamente. Resultados: A análise fatorial confirmatória confirmou o modelo de dois fatores, previsto pela teoria. Foram fornecidas fortes evidências de validade convergente e discriminante. Valores de consistência interna foram satisfatórios. Fraca evidência de validade concorrente e divergente foram geradas. Conclusão: A Body Appreciation Scale parece ser uma escala válida e confiável para os investigadores, especialmente em amostras de homens com lesão medular fisicamente ativos. Esta nova escala poderia ser utilizado para avaliar o impacto da terapia física na imagem corporal, bem como o impacto da prática de esportes. Desta forma, poderia fornecer informações relevantes com os quais médicos, fisioterapeutas e educadores físicos podem orientar as suas intervenções.

Palavras-chave: Imagem Corporal, Traumatismos da Medula Espinal, Psicometria

7 - Influência do tratamento por ondas de choque sobre a dor em mulheres portadoras de osteoartrite de joelho

Influence of shockwave therapy on pain in women with knee osteoarthritis

Marta Imamura; Fabio Marcon Alfieri; Pérola Grinberg Plapler; Wu Tu Hsing; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2015;22(2):83-86

A osteoartrite é a doença articular mais comum causando dores em seus portadores. Diversos tratamentos podem ser usados, dentre eles o de ondas de choque. Objetivo: Observar a influência do tratamento por ondas de choque na intensidade da dor em mulheres idosas com AO de joelho. Método: Participaram do estudo, 40 idosas (69,57 ± 6,42 anos) submetidos a tratamento semanalmente por ondas de choque com 2000 impulsos à de 2,5 a 4,0 bar, na frequência de 8Hz, no local mais doloroso à palpação da interlinha articular medial do joelho, durante três semanas consecutivas. O efeito da aplicação sobre a dor foi avaliado pela escala visual analógica antes e depois do tratamento. Resultados: Houve diminuição significante (p < 0,0001) da intensidade da dor das voluntárias, passando de 7,86 ± 1,07 cm para 5,32 ± 2,26 cm. Conclusão: A aplicação de ondas de choque mostrou-se benéfica para redução da dor em idosas portadoras de osteoatrite.

Palavras-chave: Osteoartrite do Joelho, Artralgia, Reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Atuação da fisioterapia nas disfunções sexuais femininas: uma revisão sistemática

Physical therapy in sexually dysfunctional women: a systematic review

Raquel Eleine Wolpe; Ariana Machado Toriy; Fabiana Pinheiro da Silva; Kamilla Zomkowski; Fabiana Flores Sperandio

Acta Fisiátr.2015;22(2):87-92

As disfunções sexuais femininas (DSFs) são consideradas um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Consistem em inúmeras desordens, como distúrbio da excitação feminina, distúrbio do desejo sexual hipoativo, transtorno sexual do orgasmo feminino, dispareunia e vaginismo. As DSFs são detectadas em 67,9% das mulheres no mundo e estão presentes em 50% das asiáticas, em 30 a 50% das americanas e em 30% das brasileiras. Objetivo: Revisar sistematicamente a literatura sobre as diferentes técnicas de fisioterapia utilizadas no tratamento das DSFs. Métodos: Realizou-se uma busca sistemática, nas bases de dados EMBASE, PEDro e MedLine, de artigos publicados até junho de 2013, através da combinação entre palavras e descritores de tratamentos fisioterapêuticos e disfunções sexuais femininas. Foram excluídos os artigos sobre disfunção sexual masculina, estudos pilotos, papers ou projetos multicêntricos, que não estivessem disponíveis na íntegra ou duplicados em outra base de dado. Após a seleção final dos estudos, foi verificada a pontuação dos ensaios clínicos randomizados na Escala de Avaliação PEDro. Resultados: 11 artigos foram incluídos e, destes, seis passaram para a avaliação qualitativa na Escala PEDro. Este estudo seguiu a estruturação metodológica do PRISMA (Statement for Reporting Systematic Reviews and Meta-Analyses of Studies). Todos os estudos encontrados utilizaram questionários para avaliar os efeitos da intervenção fisioterapêutica nas DSFs. Foi verificado um total de cinco tipos de intervenções diferentes: cinesioterapia (exercícios de Kegel e treinamento muscular do assoalho pélvico - TMAP), terapia cognitivo-comportamental (CGBT), biofeedback, eletroterapia (TENS - eletroestimulação transcutânea e US - ultrassom terapêutico) e terapia manual. As limitações encontradas nesta revisão sistemática foram referentes a não disponibilização dos artigos na íntegra e à baixa qualidade metodológica dos estudos. Conclusão: Todos os estudos mostraram melhora na função sexual após intervenção fisioterapêutica. Não há um consenso sobre a intervenção com melhores resultados, no entanto, a cinesioterapia através do TMAP mostrou-se vantajosa por ser de fácil aplicação, baixo custo, aprendizado imediato e promover resultados duradouros em um curto período de tempo. No entanto, existem lacunas metodológicas que ainda precisam ser preenchidas para determinar o tratamento fisioterapêutico eletivo para as DSFs, assim como definir a melhor dosagem, o protocolo a ser seguido, a duração desta terapia, aliados ao melhor custo-benefício.

Palavras-chave: Disfunção Sexual Fisiológica/reabilitação, Mulheres, Modalidades de Fisioterapia

9 - Neuroplasticidade e recuperação funcional na reabilitação pós-acidente vascular encefálico

Neuroplasticity and functional recovery in rehabilitation after stroke

Thais Raquel Martins Filippo; Fabio Marcon Alfieri; Flavio Rodrigo Cichon; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2015;22(2):93-96

O conceito de reabilitação no acidente vascular encefálico (AVE) atualmente é baseado em evidências da neuroplasticidade, considerada responsável pela recuperação após AVE. A escassez de informações na literatura e, principalmente, de métodos que avaliem especificamente a neuroplasticidade não condiz com a sua importância funcional. A literatura aborda, geralmente, as avaliações funcionais dos membros após o AVE e poucos estudos se concentram no comprometimento cerebral. Objetivo: Revisar a literatura para avaliar os programas de reabilitação atuais em AVE e seu potencial para promover melhorias funcionais e plasticidade neuronal. Método: Foi realizada uma revisão de literatura com busca na base de dados do PubMed de artigos publicados de 2000 a 2015. Os descritores utilizados para a pesquisa foram: "Stroke/rehabilitation" OR "Stroke/therapy" AND "Neuronal Plasticity". Resultados: Foram encontrados 86 estudos, 36 foram classificados como Therapy/Narrow, sendo 17 artigos excluídos por não preencherem os critérios de inclusão ou por não apresentarem tema relevante à pesquisa. Após a seleção por título e resumo, 19 artigos foram lidos na íntegra. Destes, 6 foram excluídos por não contemplarem o objetivo da presente pesquisa. No total, 13 artigos foram revisados. Dentre estes 13 artigos, os instrumentos de avaliação variaram entre a ressonância magnética funcional, estimulação magnética transcraniana e tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT). As intervenções utilizadas foram específicas para os membros superiores, exceto por um artigo que teve a intervenção através da terapia de oxigênio hiperbárica. Conclusão: Poucos estudos avaliam a plasticidade neuronal na reabilitação do AVE, e a maioria dos artigos apresentou melhorias tanto funcionais quanto na neuroplasticidade. Entretanto, maiores estudos devem investigar e correlacionar ambos os aspectos na reabilitação dos pacientes com AVE.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Plasticidade Neuronal, Reabilitação

RELATO DE CASO

10 - Resultados de um programa de condicionamento físico em um paciente com hemofilia A grave

Results of a physical fitness program for a patient with severe hemophilia A

Leonardo Danelon da Cruz; Cristiane Gonçalves da Mota; Cristiane Vieira Cardoso; Katia Lina Miyahara; Rodrigo Luis Yamamoto; Donaldo Jorge Filho

Acta Fisiátr.2015;22(2):97-100

A hemofilia é uma doença que afeta a coagulação do sangue pela falta ou diminuição do fator de coagulação VIII ou IX. Esta deficiência faz com que a pessoa sangre por um tempo maior do que uma pessoa normal se não for medicada. Foi avaliado um indivíduo do sexo masculino de 31 anos com hemofilia A grave, artropatia hemofílica em cotovelo esquerdo e tornozelo direito. Foram realizadas 20 meses de treinamento resistido e aeróbio. As musculaturas envolvidas nos exercícios resistidos foram o peitoral maior, latíssimo do dorso, bíceps braquial, tríceps braquial, deltoide, quadríceps e isquiotibiais, sendo realizadas duas séries de 10 repetições para cada um e intervalo de 45 segundos, com intensidade de acordo com o teste inicial de 10 RM baseados na percepção de esforço de 11 a 13 da Escala de Borg. O exercício aeróbio foi realizado em bicicleta ergométrica horizontal com duração de 20 minutos, sendo aferida a frequência cardíaca de repouso, aos 10 e aos 20 minutos do exercício, e após três minutos do término. Nos seis meses antes de iniciar o programa o paciente sofreu três hemorragias, duas espontâneas, em cotovelo e tornozelo esquerdos e uma em coxa direita por pequeno trauma não identificado - em todas fazendo uso do FAH. Durante os 20 meses, o paciente teve uma hemorragia após oito meses de tratamento, no cotovelo esquerdo por trauma durante os exercícios após aumento de carga. Após este episódio, o paciente teve outro sangramento, porém espontâneo, na mesma articulação 12 meses depois. O menor ganho de força foi de tríceps braquial com 33% e o maior foi 257% em extensores de joelho, sendo a média de ganho geral de força muscular de 121%. A prática de exercícios físicos de forma supervisionada é um importante instrumento auxiliar no tratamento das pessoas com hemofilia, demonstrando a necessidade de treino de força e resistência muscular específico para este grupo de pessoas quanto à prevenção de lesões, evitando o desgaste e comprometimento do sistema musculoesquelético. O propósito deste estudo é apresentar os resultados obtidos em um programa de Condicionamento Físico, na prevenção de hemorragias de uma pessoa com hemofilia A grave e sua ação profilática, sem a administração do fator anti-hemofílico (FAH).

Palavras-chave: Hemofilia A, Condicionamento Físico Humano, Força Muscular, Exercício

Número atual: Setembro 2015 - Volume 22  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Avaliação da qualidade de vida de portadores de insuficiência cardíaca congestiva e sua correlação com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

Assessment of quality of life in patients with congestive heart failure and its correlation with the International Classification of Functioning, Disability, and Health

Renata Souza Zaponi; Andersom Ricardo Frez; Cintia Teixeira Rossato Mora; João Afonso Ruaro; Christiane Riedi Daniel

Acta Fisiátr.2015;22(3):105-110

Objetivo: Avaliar a qualidade de vida de pacientes com insuficiência cardíaca e correlacionar com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Método: Trata-se de um estudo transversal, com amostra de 19 pacientes, com idade média de 66,28 ± 10,93 anos cuja qualidade de vida foi avaliada através do questionário de qualidade de vida Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire (MLHFQ), sendo que para cada questão foi determinado uma categoria da CIF e estes resultados foram correlacionados. Resultados: A média do escore do questionário MLHFQ foi de 61,21 ± 17,56. Verificou-se correlação positiva entre a qualidade de vida e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (r = 0,75; p = 0,0006), fato que não ocorreu ao comparar a qualidade de vida com a classe funcional. Observou-se alta correlação entre as respostas dos pacientes e a avaliação do fisioterapeuta utilizando a CIF. Conclusões: O questionário MLFHQ contempla as exigências da CIF, possuindo alta correlação entre as respostas de ambos, sendo considerado global, o que possibilita o emprego destes instrumentos na avaliação de pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC).

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Insuficiência Cardíaca, Qualidade de Vida

2 - Investigação dos saberes quanto à capacidade funcional e qualidade de vida em idosas institucionalizadas, sob a ótica da CIF

Investigating information regarding functional capacity and quality of life in institutionalized elderly according to the ICF

Luize Bueno de Araujo; Natália Boneti Moreira; Isabela Lúcia Pelloso Villegas; Ana Paula Cunha Loureiro; Vera Lúcia Israel; Simone Alves Gato; Gisele Kliemann

Acta Fisiátr.2015;22(3):111-117

Objetivo: Avaliar a funcionalidade por meio da capacidade funcional e qualidade de vida (QV), sob a ótica da CIF, de idosas institucionalizadas. Método: Foi realizado um estudo observacional transversal com 22 idosas (77,9 ± 9,41 anos) de uma instituição de longa permanência da cidade de Curitiba/Paraná. Foram aplicados os seguintes instrumentos de avaliação: Índice de Barthel, Questionário Perfil de Saúde de Nottingham e a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). A descrição dos dados foi feita por meio de medidas de tendência central (média) e dispersão (desvio-padrão). A CIF foi analisada de acordo com a distribuição de frequência relativa e absoluta. Resultados: A maioria das idosas apresentaram um médio estado cognitivo e dependência funcional leve. O domínio que mais interferiu a QV das idosas foi a habilidade física, nível energético, sono, dor, emocional e social, respectivamente. A distribuição de frequência da CIF evidenciou aspectos não observados na avaliação convencional das idosas, sobretudo, apresentou grande especificidade nas funções mentais, sensoriais e dor, sistema digestivo, metabólico e endócrino, psicomotora, movimento, cuidado pessoal, apoio e relacionamentos e atividades individuais. Conclusão: Espera-se que a CIF seja incorporada e utilizada em diversos setores da saúde, inclusive em instituições de longa permanência e equipes multidisciplinares, para que profissionais tenham ações de saúde que contemplem o indivíduo como um todo.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Qualidade de Vida, Idoso

3 - Perfil epidemiológico de crianças diagnosticadas com paralisia cerebral atendidas no Centro de Reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos

Health profile of children diagnosed with cerebral palsy treated at the Lucy Montoro Rehabilitation Center in São José dos Campos

Carolina Abud Weber de Toledo; Cinthia Hermínia Carvalho Nascimento Pereira; Marilia Menezes Vinhaes; Maria Izabel Romão Lopes; Maria Angélica Ratier Jajah Nogueira

Acta Fisiátr.2015;22(3):118-122

A Paralisia Cerebral é um distúrbio da postura e do movimento decorrente de uma lesão cerebral podendo resultar em comprometimentos neuromotores, geralmente associados à gravidade da sequela e idade da criança. Objetivo: Avaliar o perfil epidemiológico das crianças diagnosticadas com Paralisia Cerebral atendidas no Centro de Reabilitação Lucy Montoro de São José dos Campos. Método: Foram revisados 83 prontuários no período de dezembro de 2011 até dezembro de 2014. Foram verificados os fatores como idade, gênero, procedência, realização prévia de fisioterapia, tipos de paralisia cerebral de acordo com a distribuição anatômica, crises convulsivas, órteses, aplicação de toxina botulínica, meios auxiliares de locomoção, pontuação no GMFM e nível no GMFCS. Resultados: Houve predominância do gênero masculino (55%) e com faixa etária de 4 a 6 anos (32%). A maioria foi proveniente de São José dos Campos (33 indivíduos). Quanto aos tipos de Paralisia Cerebral observamos maior prevalência para tetraplegia e diplegia (43% cada); 61% dos pacientes não apresentaram crises convulsivas e 30% aplicaram toxina botulínica. Os que faziam uso de meios auxiliares de locomoção totalizaram 41%. A pontuação prevalente do GMFM foi de 0 a 25% (22 indivíduos) e a maioria dos pacientes (29%) classificados como nível IV no GMFCS. Conclusão: São necessários mais estudos que definam o perfil epidemiológico das crianças com Paralisia Cerebral para melhor caracterização desta população e direcionamento de futuras pesquisas.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Perfil de Saúde, Centros de Reabilitação, Modalidades de Fisioterapia

4 - Perfil, critérios de indicação e desfecho da inserção de gastrostomia em um hospital pediátrico universitário

Profile, recommendation criteria, and outcome of gastrostomy tube insertions in a pediatric teaching hospital

Luise Alexandre Rocha Soutinho; Danyelle Araujo Fontes; Yonatta Salarini Vieira de Carvalho; Mariana Pinheiro Brendim; Charles Henrique Dias Marques

Acta Fisiátr.2015;22(3):123-129

Objetivo: Descrever o perfil dos pacientes submetidos à gastrostomia, os critérios de indicação e o desfecho dessa inserção em um hospital pediátrico universitário. Método: Estudo retrospectivo, quantitativo e descritivo, através de pesquisa em prontuários de pacientes submetidos à gastrostomia no período entre janeiro/2010 e dezembro/2012. Resultados: As doenças e condições de base mais frequentes foram: encefalopatia crônica da infância (77,5%), pneumonia (67,5%), crise convulsiva (57,5%) e desnutrição (42,5%). Apesar da maioria dos pacientes apresentar história de disfagia (62,5%), observou-se como via de nutrição mais frequente antes da inserção da gastrostomia a via oral (42,5%), seguida pela nasoenteral (40%). A introdução de dieta pela gastrostomia foi bem sucedida e ocorreu em média 2,82(± 1,19) dias após a sua inserção. Após seis meses de realização da gastrostomia, 80% dos pacientes permaneceram alimentando-se exclusivamente através desta via e somente 2,5% retirou a gastrostomia. 45% dos participantes apresentaram complicações da gastrostomia, sendo extravasamento do material gástrico (15%) e inflamação local (15%) as mais frequentes. Conclusão: O perfil dos pacientes submetidos à gastrostomia é de indivíduos, em sua maioria, com doença neurológica e respiratória, sem suporte respiratório, do sexo masculino e alimentando-se por via oral ou sonda nasoenteral por período prolongado. Os principais critérios de indicação foram doença neurológica e disfagia. Em relação ao desfecho, a introdução de dieta pela gastrostomia é bem sucedida, a maioria dos indivíduos permanece com este suporte nutricional a longo prazo e as complicações mais frequentes são extravasamento do material gástrico e inflamações na área da gastrostomia.

Palavras-chave: Gastrostomia, Transtornos de Deglutição, Apoio Nutricional

5 - Prevalência de incontinência urinária entre idosos institucionalizados e sua relação com o estado mental, independência funcional e comorbidades associadas

Prevalence of urinary incontinence among institutionalized elderly and its relationship to mental state, functional independence, and associated comorbidities

Layse Biz de Quadros; Alessandra Aguiar; Alessandra Vieira Menezes; Elysama Fernandes Alves; Tatyana Nery; Poliana Penasso Bezerra

Acta Fisiátr.2015;22(3):130-134

Incontinência urinária é definida como a perda involuntária de urina pela uretra podendo causar diversos problemas sociais e higiênicos, além de alterações que comprometem o convívio social como depressão, vergonha e isolamento, tendo maior prevalência nas mulheres do que nos homens. Objetivos: Determinar a prevalência de incontinência urinária em uma amostra de idosos institucionalizados e analisar sua relação com características sociodemográficas, comorbidades associadas, função cognitiva e independência funcional. Métodos: Estudo transversal, descritivo e exploratório. Participaram 27 idosos que atenderam aos critérios de inclusão, de ambos os sexos, residentes em uma instituição de longa permanência. Prevalência foi determinada pela porcentagem de idosos que apresentaram incontinência urinária; características sociodemográficas e comorbidades avaliadas através de uma ficha de anamnese padrão, revisados com os dados dos prontuários; função cognitiva avaliada através do Mini-Exame do Estado Mental e independência funcional através da escala de Barthel modificada. Comparação entre grupos - teste t de Student e associações - teste do qui-quadrado. Resultados: Nove idosos (33,33%) apresentaram incontinência urinária. Houve associação entre sexo e incontinência urinária, com prevalência maior para o sexo feminino (p = 0,029). A incontinência urinária possui associação com a baixa escolaridade (p = 0,014), o tempo de admissão na instituição (p = 0,004), classificação funcional (p = 0,003) e déficit cognitivo (p = 0,001). Conclusão: Incontinência urinária é frequente em idosos residentes em instituições de longa permanência, com maior prevalência no sexo feminino, havendo relação com a baixa escolaridade, maior tempo de admissão, maior dependência na realização das atividades e pior déficit cognitivo.

Palavras-chave: Idoso, Institucionalização, Cognição, Incontinência Urinária, Atividades Cotidianas

6 - Qualidade de vida e desempenho ocupacional de indivíduos com esclerose múltipla

Quality of life and occupational performance of people with multiple sclerosis

Valeria Sousa de Andrade; Maysa de Oliveira Silva

Acta Fisiátr.2015;22(3):135-140

A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica degenerativa e crônica com ampla gama de sinais e sintomas que podem comprometer a qualidade de vida (QV) e o desempenho ocupacional (DO) dos indivíduos que a exibem. Objetivo: Resumiu-se em avaliar a existência de possível correlação entre DO e QV em população com essa doença. Método: Trata-se de uma pesquisa transversal e quantitativa cujos indivíduos frequentavam o ambulatório de neurologia do hospital de clínicas de uma universidade federal no estado de Minas Gerais. O DO e a QV dos indivíduos foram obtidos através da versão em português dos instrumentos Medida Canadense de Desempenho Ocupacional (COPM) e Escala de Determinação Funcional da Qualidade de Vida (DEFU), respectivamente. A análise dos dados foi realizada por meio do Coeficiente de Correlação de Pearson. Resultados: A amostra envolveu 24 sujeitos, sendo 66,7% do sexo feminino com idade média de 48,3 anos (DP = 10,21). O tipo remitente recorrente (RR) de EM foi o mais observado (91,7%). Os resultados da COPM revelaram que a maior parte dos participantes apresentou desempenho variando de moderado a ruim, tendo sido enumeradas as atividades "andar na rua, subir e descer escadas, ir à casa de familiares e amigos, dançar e ler" como mais difíceis de serem realizadas. Mais de 75% dos indivíduos obtiveram escores abaixo de 6,7 pontos. A DEFU indicou que a QV dos participantes se configurou como boa, tendo 90% dos indivíduos alcançando escore acima de 72 pontos. A associação entre o escore da DEFU e seus domínios com os escores de desempenho e satisfação da COPM não apresentou correlação estatisticamente significante. A correlação entre a "mobilidade" da DEFU apresentou correlação significativa com o escore de desempenho da COPM (r = 0,438, p = 0,032). Conclusão: A fadiga é uma das manifestações mais comuns e perturbadoras e pode comprometer o desempenho nas funções individuais de forma variada, sendo relatada por 92% dos indivíduos deste estudo. Isto pode ser explicado pelo diminuído número de surtos observados, pela predominância do tipo RR da doença, possível suporte familiar e social. Salienta-se também que alguns participantes da pesquisa mencionaram inteirar-se quanto aos aspectos da doença através da internet ou e reuniões em associações, fato que, segundo eles, os levou a se tornar a par do caráter evolutivo e deteriorante da doença. Isto pode tê-los levado a refletir sobre sua situação de vida e ter influenciado sua opinião sobre a qualidade da mesma.

Palavras-chave: Esclerose Múltipla, Qualidade de Vida, Atividades de Lazer, Autocuidado, Trabalho, Terapia Ocupacional

7 - Desempenho funcional de jogadores de basquete em cadeira de rodas com traumatismo da medula espinal

Functional performance of wheelchair basketball players with spinal cord injury

Andersom Ricardo Fréz; Andrezza Thimoteo de Souza; Cíntia Raquel Bim Quartiero

Acta Fisiátr.2015;22(3):141-144

Os traumatismos da medula espinal comprometem as atividades diárias e limitam a mobilidade e a participação na comunidade. A prática do esporte adaptado melhora a funcionalidade, pois ela complementa o processo de reabilitação de pessoas que precisam de cadeira de rodas para locomoção. Objetivo: Avaliar o desempenho funcional de atletas praticantes de basquetebol em cadeira de rodas com disfunções por traumatismo da medula espinal. Método: Foi realizado um estudo transversal com 12 atletas. Para avaliar o desempenho funcional foi aplicado o Índice de Barthel Modificado, o teste Zigue-zague adaptado e o teste de arremesso de medicineball. A correlação do grau de dependência funcional com os demais testes de desempenho funcional foi realizada pelo teste de correlação não paramétrica de Spearman. Resultados: Seis atletas apresentavam dependência moderada e seis dependência leve. O tempo médio para percorre o teste de agilidade em zigue-zague foi de 27,3 ± 3,8 segundos. A distância média para arremesso de medicineball foi de 5,2 ± 0,9 metros. Observou-se correlação negativa e forte entre o Índice de Barthel e o teste de agilidade (r = -0,9193, p < 0,0001). Conclusão: A amostra estudada apresentou-se como dependente moderada e leve para a realização das atividades de vida diária, com potência de membro superior e cintura escapula semelhante aos descritos na literatura e agilidade abaixo dos valores citados na literatura.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Avaliação em Saúde, Atividade Motora, Cadeiras de Rodas

8 - Diferenças no arremesso de jogadores de basquete em cadeira de rodas e convencional

Differences of free-throw shot in wheelchair basketball and conventional players

Giovana Duarte Eltz; Enaile Farias Moraes; Cíntia Mussi Alvim Stocchero; Clarice Sperotto dos Santos Rocha; Mauro Gomes Matos

Acta Fisiátr.2015;22(3):145-149

O basquete em cadeira de rodas (BCR) segue praticamente as mesmas regras do basquete convencional (BC). Objetivo: Avaliar a ativação eletromiográfica dos músculos peitoral maior (PM), deltóide anterior (DA) e tríceps braquial (TB) durante o arremesso em atletas de BC e BCR. Método: Estudo transversal, no qual onze sujeitos foram submetidos a uma avaliação eletromiográfica dos músculos PM, DA, TB no membro que realiza o arremesso. Foi utilizado um eletromiógrafo de 4 canais (Miotec/Brasil) (2000Hz/canal). Resultados: Na comparação entre os músculos, o grupo BC mostrou diferença significativa, sendo observada maior ativação do músculo DA em relação aos demais, já no grupo BCR, não houve diferença. Na comparação entre os grupos, o músculo PM mostrou maior ativação no grupo BCR, enquanto o músculo DA estava mais ativo no grupo BC. O músculo TB não apresentou diferença significativa entre os grupos. Conclusão: A partir dos resultados do presente estudo os atletas dos grupos BC e BCR apresentaram diferenças na ativação elétrica durante o movimento do arremesso. Entretanto ambos os grupos ativaram mais o DA, seguido do TB e o músculo menos ativado foi o PM, sendo estas diferenças mais visíveis no grupo BC.

Palavras-chave: Esportes para Pessoas com Deficiência, Basquetebol, Extremidade Superior, Eletromiografia

ARTIGO DE REVISÃO

9 - Avaliações que mensurem a percepção dos déficits em indivíduos com lesão cerebral adquirida: uma revisão da literatura

Assessments measuring the perception of deficits in individuals with acquired brain injuries: a review of the literature

Fernanda de Sousa Forattore; Rafaela Larsen Ribeiro

Acta Fisiátr.2015;22(3):150-154

Objetivo: Através de uma revisão da literatura, selecionar avaliações que mensurem a percepção dos déficits do indivíduo com lesão cerebral adquirida submetido à intervenção de autoconsciência. Método: Foi realizada revisão nas bases de dados da BIREME e PubMed, referente aos últimos 10 anos. Resultados: Foram selecionados no trabalho onze artigos que incluíram avaliações de autoconsciência antes e depois de uma intervenção terapêutica e que tivessem como público indivíduos com diagnósticos de traumatismo crânio-encefálico (TCE), acidente vascular encefálico (AVE) ou tumor cerebral. Conclusão: Observou-se um número significativo de publicações na Austrália, nos países europeus e nos Estados Unidos. Os instrumentos mais utilizados nos estudos foram o Self-awareness of Deficits Interview (SADI) e Awareness Questionnaire (AQ). Não foram encontrados estudos e avaliações padronizadas e validadas no Brasil. Dessa forma, se faz necessário o desenvolvimento, tradução e adaptação de avaliações, que mensurem a percepção da consciência na população brasileira para proporcionar uma prática baseada em evidências pela utilização de modelos específicos de intervenção.

Palavras-chave: Traumatismos Encefálicos, Acidente Vascular Cerebral, Consciência, Questionários, Reabilitação

10 - Efeito do uso das órteses no prolongamento da marcha de pacientes com distrofia muscular de Duchenne: revisão da literatura

Effect of using orthoses on prolonging ambulation in patients with Duchenne Muscular Dystrophy: review of literature

Mariana Angélica de Souza; Ananda Cezarani; Ana Cláudia Mattiello-Sverzut

Acta Fisiátr.2015;22(3):155-159

A capacidade de marcha em pacientes com distrofia muscular de Duchenne diminui progressivamente devido ao avanço da fraqueza e encurtamento muscular. As órteses para membros inferiores são frequentemente prescritas na tentativa de prolongar a marcha nestes pacientes. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura a fim de verificar o efeito do uso das órteses em relação ao prolongamento do tempo de marcha. Método: Foi realizado um levantamento bibliográfico nas bases PUBMED, PEDRO e SCIELO com as palavras-chave orthoses, bracing, gait, gait loss, ambulation, Duchenne muscular dystrophy. Resultados: Nos quatorze artigos selecionados foi identificada a prescrição das órteses do tipo KAFO (também chamadas de órteses longas) e AFO, sempre associada a outra intervenção terapêutica. A maioria dos estudos relatou que o uso do dispositivo prolonga o tempo de marcha. Conclusão: O uso da órtese, independentemente do tipo, prolonga a deambulação, pois retarda o avanço de encurtamentos. Assim, sugere-se o início precoce da AFO a fim de minimizar o prejuízo funcional característico da doença.

Palavras-chave: Distrofia Muscular de Duchenne, Aparelhos Ortopédicos, Marcha

Número atual: Dezembro 2015 - Volume 22  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Ansiedade, depressão e desesperança no cuidador familiar de pacientes com alterações neuropsicológicas

Anxiety, depression and hopelessness in family caregivers of patients with neuropsychological sequelae

Isadora Di Natale Nobre; Carolina dos Santos Lemos; Adriana Cristina Guimarães Pardini; Janaína de Carvalho; Isabel Chateaubriand Diniz Salles

Acta Fisiátr.2015;22(4):160-165

Objetivo: Identificar a incidência de ansiedade, depressão e desesperança em 54 cuidadores familiares de pacientes com alteração neuropsicológica após lesão encefálica ocorrida na idade adulta. Métodos: Trata-se de um estudo observacional com corte transversal e análise quantitativa, desenvolvido em um centro de reabilitação (Associação de Assistência à Criança Deficiente - AACD) localizado na cidade de São Paulo. Foram aplicados os instrumentos: Inventário de Ansiedade Beck (BAI), Inventário de Depressão Beck (BDI) e Escala de Desesperança Beck (BHS), juntamente com um questionário de caracterização da amostra. Resultados: Os dados foram analisados estatisticamente e dos familiares entrevistados 55,6% apresentou índices de ansiedade, 20,4% apresentou depressão e 31,5% desesperança. Conclusão: Os cuidadores familiares desta pesquisa apresentaram relevante sofrimento psíquico, apontando a necessidade de ações voltadas especificamente a eles nos programas de reabilitação.

Palavras-chave: Ansiedade, Depressão, Cuidadores, Neuropsicologia

2 - Avaliação da destreza manual em indivíduos com artrite reumatoide

Evaluation of manual dexterity in individuals with rheumatoid arthritis

Karen Kowalski Armanini; Fernanda Matos Weber; Caren Fernanda Muraro; Noé Gomes Borges Junior; Susana Cristina Domenech; Monique da Silva Gevaerd

Acta Fisiátr.2015;22(4):166-171

Objetivo: Analisar a destreza manual de pacientes com AR em função do nível de atividade da doença. Métodos: Foram avaliados 23 indivíduos com AR, com média de idade de 54,78 ± 12,54 anos. Todos os participantes foram submetidos a uma entrevista para coleta dos dados de identificação e história clínica, coleta de sangue para análise da Proteína C-Reativa, determinação do nível de atividade da doença por meio do Disease Activity Score (DAS-28) e avaliação da destreza manual pelo Moberg Picking-Up Test (MPUT). Para descartar problemas de sensibilidade tátil dos indivíduos, foi aplicado o teste de sensibilidade dos monofilamentos de Semmes-Weinstein. Resultados: Foi observado que o grupo classificado em moderada atividade da doença apresentou maior tempo para execução do MPUT com olhos abertos na mão dominante, quando comparado ao grupo em baixa atividade. O grupo em alta atividade da doença também demorou mais para realizar o MPUT com os olhos fechados na mão dominante, em comparação ao grupo em baixa atividade. Adicionalmente, houve uma correlação positiva entre o DAS-28 e o tempo de realização do MPUT com os olhos fechados na mão dominante. Conclusão: A destreza manual de indivíduos com AR pode estar prejudicada em função do nível de atividade da doença, repercutindo na dificuldade para a realização das atividades de vida diária. Estes dados podem contribuir para a determinação de estratégias de tratamento visando a melhoria da qualidade de vida de pacientes com AR.

Palavras-chave: Artrite, Reumatoide, Destreza Motora, Mãos

3 - Fatores de risco cardiovasculares em pacientes com fibromialgia

Cardiovascular risk factors in patients with fibromyalgia

Hugo Ribeiro Zanetti; Tábata de Paula Facioli; Roberto Furlanetto Júnior; Eduardo Gaspareto Haddad; Leandro Teixeira Paranhos Lopes; Alexandre Gonçalves

Acta Fisiátr.2015;22(4):172-175

Objetivo: Verificar os fatores de risco cardiovasculares em pacientes com fibromialgia (FM). Métodos: O estudo foi composto por 40 mulheres diagnosticadas com FM e encaminhadas para o setor de Reabilitação Física do Hospital de Clínicas de Uberlândia. Foi aplicado um questionário do American College of Sports Medicine contendo perguntas sobre histórico familiar; tabagismo; hipertensão; dislipidemia; glicose de jejum alterada; obesidade; sedentarismo e etilismo. Resultados: O sedentarismo teve prevalência de 92,5%, hereditariedade 52,5%, obesidade 50%, hipertensão arterial 45%, dislipidemia 37,5%, tabagismo 25%, etilismo 8% e diabetes 7,5%. Além disso, 60% da amostra apresentou três ou mais fatores de risco, 30% apresentou 2 fatores e 10% apresentou apenas um fator de risco. Conclusão: Pacientes com FM apresentam vários fatores de risco cardiovasculares, desse modo, deve-se orientar tais pacientes à mudança do estilo de vida, a fim de reduzir tais fatores e consequentemente eventos cardíacos futuros, e proporciona melhora do quadro de dor.

Palavras-chave: Fibromialgia, Fatores de Risco, Estilo de Vida Sedentário

4 - Permanência prolongada na postura sentada e desconforto físico em estudantes universitários

Prolonged sitting and physical discomfort in university students

Fátima Aparecida Caromano; Cristina Aparecida Padoin de Amorim; Cristina de Fátima Rebelo; Adriana Maria Contesini; Francis Meire Fávero; Jecilene Rosana Costa Frutuoso; Milena Missa Kawai; Mariana Callil Voos

Acta Fisiátr.2015;22(4):176-180

A evolução do homem promoveu adoção da postura sentada por períodos prolongados, induzindo alterações biomecânicas e fisiológicas no corpo. No ensino, a adoção desta postura pode induzir distúrbios musculoesqueléticos e desconforto físico, associado ou não com aprendizagem. Objetivo: Quantificar e caracterizar o tempo de permanência na postura sentada por estudantes universitários e avaliar relação do tempo com queixas de dor e/ou desconforto. Método: Estudo quali-quantitativo. Coleta dos dados feita por meio de diário. Participaram 47 universitários que registraram número de horas na postura sentada, atividades, presença de dor e/ou desconforto e responderam pergunta aberta sobre suas observações referentes ao período experimental. Foi realizada análise estatística descritiva e calculado o coeficiente de correlação de Spearman entre elas, duas a duas. As respostas à pergunta aberta foram categorizadas e agrupadas segundo a frequência e similaridade. REsultados: Estudantes avaliados permaneceram longos períodos sentados (13,4 DP 1,5 horas). Percepção de desconforto do mobiliário foi relevante. Queixas de desconforto e/ou dor podem estar relacionadas com a permanência prolongada na postura sentada. Os locais com mais queixas de dor foram a cabeça, região cervical, ombros e lombossacral. Quanto maior o tempo na postura sentada, maior a incidência de queixas dor. Não se pode afirmar que a dor provoque ou aumente o nível de estresse. Conclusão: O diário foi ferramenta útil para coleta de dados e serviu como instrumento de interferência na auto-observação e autocuidado. Este estudo contribui para o entendimento de como a postura sentada afeta universitários e fornece indicadores para futuras intervenções.

Palavras-chave: Postura, Dor, Fadiga, Estilo de Vida Sedentário

5 - Associação entre desempenho funcional e quedas em idosas classificadas segundo a faixa etária

Association between functional performance and falls in older women classified by age

Thiago Rogério Padilha Amarante; Anna Raquel Silveira Gomes; Flavia Pinotti dos Santos; Rodrigo Augusto Coelho; Silvia Valderramas

Acta Fisiátr.2015;22(4):181-185

Objetivo: Avaliar o desempenho funcional e o histórico de quedas de idosas. Método: Estudo observacional de corte transversal, onde foram selecionadas 57 idosas da comunidade, divididas em 3 grupos, segundo a faixa etária: G1- 60 a 69 anos; G2- 70 a 79 anos e G3- 80 a 89 anos. Foram avaliados: mobilidade funcional ("Timed Up & Go Test"); potência muscular (Teste de sentar e levantar 5 vezes); força de preensão manual (dinamômetro manual JAMAR®), histórico e prevalência de quedas. A análise das diferenças intergrupos foi realizada por meio da ANOVA One way e post hoc Tukey. As correlações foram avaliadas por meio do teste de Spearman. Resultados: Idosas do G3 quando comparadas aos grupos G1 e G2, apresentaram diminuição da FPM (18,08 ± 3,29 Kgf vs. 28,10 ± 4,26 Kgf; 18,08 ± 3,29Kgf vs. 22,92 ± 4,01, p = 0,001), da potencia muscular (14,44 ± 2,85s vs. 12,27 ± 2,34s; 14,44 ± 2,85s vs. 13,16 ± 2,27s, p = 0,04) e da mobilidade funcional (11,56 ± 3,10s vs. 8,57 ± 2,25s; 11,56 ± 3,10s vs. 10,30 ± 2,58s, p = 0,004). A maior prevalência de quedas foi nas idosas do G2 (52,6%) sendo que, nos últimos 6 meses, 26% caíram 1 vez, 5% caíram 2 vezes; 10% caíram 3 e 4 vezes. As idosas do G1 e G3 caíram 1 vez. A frequência de quedas apresentou correlação com mobilidade funcional (r = -0,52, p = 0,018). A idade apresentou correlação com a força de preensão manual (r = -0,67, p = 0,0001), potencia muscular (r = 0,31, p = 0,02) e com mobilidade funcional (r = 0,49, p = 0,0001). Conclusão: A prevalência de quedas foi maior na faixa etária entre 70-79 anos e quanto maior a idade pior o desempenho musculoesquelético e funcional.

Palavras-chave: Idoso, Força Muscular, Acidentes por Quedas

6 - A influência da postura corporal nos parâmetros do sistema de oscilometria de impulso em crianças

The influence of body posture on the impulse oscillometry system parameters in children

Letícia Goulart Ferreira; Renata Maba Gonçalves; Maíra Seabra de Assumpção; Camila Isabel Santos Schivinski

Acta Fisiátr.2015;22(4):186-191

Oscilometria de impulso (IOS) é um método alternativo e complementar de avaliação da mecânica respiratória, mas cuja técnica de execução ainda necessita padronização. Objetivo: Analisar e comparar os resultados de parâmetros do IOS quando realizado em escolares nas posições ortostática e sentada. Método: estudo analítico observacional transversal. Escolares saudáveis de 6 a 12 anos foram submetidos à espirometria e dois exames de IOS randomizados quanto à postura (sentada e ortostática). Os dados foram analisados no SPSS 20.0. Utilizou-se o teste Shapiro-Wilk e, segundo a normalidade dos dados, aplicou-se o teste de Wilcoxon ou t de Student para comparação das posturas. Na correlação entre dados antropométricos e as variáveis oscilométricas empregou-se o teste de Pearson ou Spearman, com p < 0,05. Resultados: participaram 72 crianças, idade média de 8,42 ± 1,26. Não houve diferença entre as variáveis oscilométricas nas duas posturas. Na posição sentada, houve correlação negativa baixa entre altura de tronco (Altronco) e variáveis: resistência a 20Hz (R20) (p = 0,034) e a 5Hz (R5) (p = 0,041), resistência central (Rescent) (p = 0,018) e impedância (Z) (p = 0,030). Em ortostatismo verificou-se correlação negativa baixa entre idade e resistência periférica (Resper) (p = 0,011), R5 (p = 0,014) e Z (p = 0,009). Conclusão: Não houve diferença nos valores das variáveis oscilométricas entre a postura sentada e ortostática. Contudo, a resistência das vias aéreas foi influenciada pela Altronco, estatura e idade. O ortostatismo parece ser a melhor posição para análise da Resper.

Palavras-chave: Criança, Postura, Mecânica Respiratória, Testes de Função Respiratória

7 - A CIF-CJ para crianças e adolescentes com osteogênese imperfeita: a perspectiva de especialistas

The ICF-CY for children and adolescents with osteogenesis imperfecta: the perspective of specialists

Tatiana Vasconcelos dos Santos; Juan Clinton Llerena Júnior; Carla Trevisan Martins Ribeiro

Acta Fisiátr.2015;22(4):192-198

Objetivo: A partir da perspectiva de especialistas em Osteogênese Imperfeita (OI), identificar as categorias da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde-versão crianças e jovens (CIF-CJ) mais relevantes para avaliação de pacientes. Métodos: Três etapas de questionários enviados por correio eletrônico para cinco especialistas em OI utilizando o método Delphi modificado. Os participantes escolheram a partir de uma lista de categorias de segundo nível da CIF-CJ, as mais relevantes para avaliação da funcionalidade em crianças e adolescentes com OI. Ao final da terceira etapa, foram selecionadas as categorias escolhidas por no mínimo 80% dos respondentes. Resultados: Todos os componentes atingiram categorias com consenso. Os componentes com maior número de categorias escolhidas foram Atividades e Participação e Fatores Ambientais. Conclusão: Uma lista de categorias da CIF-CJ relevantes para OI pôde ser elaborada a partir da perspectiva de especialistas. Esta é uma importante etapa na elucidação do que deve ser avaliado em crianças e adolescentes com OI.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Osteogênese Imperfeita, Consenso

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Como o estilo de vida tem sido avaliado: revisão sistemática

How life style has been evaluated: a systematic review

Elias Ferreira Pôrto; Claudia Kümpel; Antônio Adolfo Mattos de Castro; Isis Modesto de Oliveira; Fábio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2015;22(4):199-205

O estilo de vida corresponde ao conjunto de hábitos e costumes que são influenciados e modificados que podem contribuir para a promoção da saúde. Objetivo: Realizar uma revisão sobre os métodos que têm sido utilizados para a avaliação do estilo de vida, assim como identificar o que tem sido considerado como estilo de vida saudável. Método: Este estudo consistiu em uma revisão sistemática sobre os possíveis métodos de avaliação do estilo de vida e hábitos que são considerados estilo de vida saudável. A pesquisa foi realizada nas bases de dados nacionais e internacionais: LILACS, MEDLINE, PubMed e SciELO, e busca livre no Google acadêmico, como os seguintes descritores: "estilo de vida" "estilo de vida saudável". Resultados: foram encontrados 142 artigos, sobre estilo de vida saudável, 105 não preencheram os critérios estabelecidos, 28 foram considerados elegíveis e foram incluídos no estudo, 10 tinham amostra randomizados, e um pseudo-randomizada, 17 não havia aleatorização no processo. Entre os artigos selecionados havia quatro propostas para validar instrumentos de avaliação de estilo de vida, e uma revisão sistemática. Os instrumentos utilizados nestes estudos não eram muito confiáveis para avaliar estilo de vida, os métodos destes apresentaram baixa responsividade. Conclusão: Podemos concluir que o estilo de vida saudável deve ser iniciado precocemente e continuar durante toda a vida, e as principais ações relacionadas a um estilo de vida saudável, controle de parâmetros metabólico, realizar atividades física, e alimentação saudável, entretanto os instrumentos de avaliação do estilo de vida ainda são pobre na capacidade de resposta.

Palavras-chave: Estilo de Vida, Questionários, Avaliação

9 - Dupla tarefa como estratégia terapêutica em fisioterapia neurofuncional: uma revisão da literatura

Dual task training as a therapeutic strategy in neurologic physical therapy: a literature review

Tassiana Mendel; Wilames Oliveira Barbosa; Adriana Campos Sasaki

Acta Fisiátr.2015;22(4):206-211

Objetivo: Discutir as possibilidades de utilização da dupla tarefa no âmbito da reabilitação de pacientes neurológicos. Métodos: Foram realizadas buscas nas bases de dados PUBMED, MEDLINE, LILACS e PEDro, com o termo em inglês dual task associados a cada uma das palavras, em separado: treatment, physicaltherapy, rehabilitation, exercise, training, dividedattention, executivefunctions e attentionaldemands. Foram selecionados apenas ensaios clínicos que utilizaram o treinamento de dupla tarefa em população adulta com doença ou lesão neurológica. Resultados: Dos 2024 artigos encontrados, 1017 foram excluídos por se tratarem de artigos duplicados. Dentre os 1007 restantes, 998 foram excluídos após a análise dos resumos. Os nove artigos selecionados avaliaram pacientes com acidente vascular encefálico, traumatismo encefálico, doença de Alzheimer e de Parkinson. A maioria utilizou a marcha como tarefa primária, e uma tarefa cognitiva como secundária. Os programas variaram entre 9 e 48 horas totais de treinamento. Conclusão: O treinamento de dupla tarefa parece ter efeitos positivos na marcha, cognição, habilidades de automatização e transferência de aprendizado, sugerindo que essa pode ser uma estratégia valiosa para a reabilitação neurológica. Entretanto, ainda se faz necessário explicar quais as tarefas que são mais eficientes, o período de intervenção adequado e a extensão do período de retenção do aprendizado.

Palavras-chave: Função Executiva, Terapia por Exercício, Atenção, Neurologia, Reabilitação

RELATO DE CASO

10 - Ganglionopatia como manifestação inicial de neoplasia pulmonar: relato de caso

Ganglionopathy as the initial manifestation of neoplastic lung disease: a case report

Caio Ribeiro Azevedo Gomes; Bruno Nogueira Silva; Gustavo Carneiro Ferrão; Andressa Silvia Faé Nunes; Arquimedes de Moura Ramos; Tae Mo Chung; Lucas Martins de Exel Nunes

Acta Fisiátr.2015;22(4):212-214

A ganglionopatia é uma entidade rara que consiste na afecção dos neurônios sensitivos da raiz dorsal, fazendo parte do grupo das polineuropatias periféricas do tipo exclusivamente sensitivo com comprometimento axonal e tendo seu diagnóstico feito através de estudo eletroneuromiográfico. A associação entre a ganglionopatia e outras patologias como neoplasias, doenças autoimunes, doença celíaca, entre outras é amplamente citada na literatura. O objetivo deste trabalho é descrever o caso clínico de um paciente com diagnóstico de neoplasia pulmonar cuja manifestação inicial foi a ganglionopatia, incluindo a descrição detalhada do exame eletroneuromiográfico que auxiliou no processo diagnóstico do médico assistente. Concluímos ser importante que o médico neurofisiologista tenha em mente as possíveis causas da ganglionopatia e saiba apontar o médico assistente para que a investigação possa ser realizada de maneira completa e precoce.

Palavras-chave: Polineuropatias, Neoplasias Pulmonares, Relatos de Casos

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