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Número atual: Março 2014 - Volume 21  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Associação entre sintomas depressivos, trabalho e grau de incapacidade na hanseníase

Relationship between depression, work, and grade of impairment in leprosy

Bruna Janerini Corrêa; Lúcia Helena Soares Camargo Marciano; Susilene Tonelli Nardi; Tatiani Marques; Thássia Ferraz de Assis; Renata Bilion Ruiz Prado

Acta Fisiátr.2014;21(1):1-5

A depressão é o transtorno psiquiátrico mais comum na hanseníase e com alto índice de sintomas depressivos.
OBJETIVO: Verificar a frequência dos sintomas depressivos e sua relação com o grau de incapacidade (GI) da OMS e variáveis sociodemográficas.
MÉTODO: Aplicou-se um questionário, contendo aspectos sociodemográficos, clínicos e o GI. Foi aplicada a escala original do BDI para identificar a frequência dos sintomas depressivos (21 itens) e a subescala cognitiva chamada BDI-Short Form - BDI-SF (1-13 itens), recomendada para avaliar sintomas depressivos em indivíduos com diagnóstico de alguma patologia. Foi utilizada análise estatística descritiva, com distribuição de frequência para a caracterização da casuística e para o cruzamento das variáveis, foi utilizado o Teste Chi-square-corrected (Yates), considerando resultados significantes valor - p < 0,05.
RESULTADOS: Foram avaliados 130 pacientes que tem ou tiveram hanseníase. A idade média dos pacientes foi de 49,64 (SD 14,04). Houve predomínio do sexo masculino (64,6%), dos que vivem com familiares (87,7%), com ensino fundamental incompleto (66,2%), união civil estável (61,6%), não trabalham (75,4%) e recebem aposentadoria ou auxílio saúde (63,9%). Em relação aos aspectos clínicos, 94,5% são multibacilares, 74,6% concluíram a poliquimioterapia e a maioria apresenta perda da sensibilidade protetora e/ou deformidades (31,5% grau 1 e 37% grau 2). Dentre os casos avaliados 43,1% apresentou sintomas depressivos de intensidade moderada a grave. Não houve correlação significativa entre BDI-SF e GI (valor - p = 0,950), mas, "não trabalhar" associou-se com sintomas depressivos (BDI-SF) (valor - p = < 0,05). Preocupação somática foi o sintoma mais frequente (80,7%), seguido de dificuldade no trabalho (78,5%), irritabilidade (68,5%), fadiga (67,7%), auto-acusação (62,3%) e choro fácil (60%).
CONCLUSÃO: Conclui-se que sintomas depressivos moderados e graves acometeram 43,1% dos casos avaliados, independentemente de ter ou não deficiências físicas (GI 1 e 2). As pessoas que não trabalhavam foram mais acometidas por sintomas depressivos em comparação aos que exerciam alguma atividade profissional.

Palavras-chave: Pessoas com Deficiência, Hanseníase, Depressão, Trabalho

2 - Prevalência de dor osteomuscular em profissionais de enfermagem de equipes de cirurgia em um hospital universitário

Prevalence of musculoskeletal pain among nursing surgery teams

Cristiane da Rocha Vidor; Mahmud Ahmad Ismail Mahmud; Leonardo Fontanive Farias; César Augusto Silva; Juliana Nery Ferrari; João Carlos Comel; Maurice Zanini; Rosane Maria Nery; Antônio Cardoso dos Santos; Marco Antônio Stefani

Acta Fisiátr.2014;21(1):6-10

Dentre as profissões da área da saúde, a enfermagem, em particular, tem sido afetada pelos distúrbios musculoesqueléticos produzindo alterações na vida desses trabalhadores, impossibilitando-os de realizarem atividades cotidianas e laborais.
OBJETIVO: Investigar a prevalência de dor osteomuscular e a associação com a qualidade de vida em profissionais de enfermagem que atuam em equipes de cirurgia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
MÉTODO: Estudo transversal realizado entre março de 2011 e janeiro de 2012, em um hospital universitário terciário do sul do Brasil. Foram avaliados 110 trabalhadores de enfermagem das equipes de cirurgia. Foram excluídos os trabalhadores em licença saúde, férias ou outro tipo de afastamento durante o período de coleta dos dados. A dor osteomuscular foi avaliada através do questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares e a qualidade de vida foi avaliada através do questionário Medical Outcomes Study 36 - Item Short-Form Survey (SF-36). As relações entre dor osteomuscular e qualidade de vida foram analisadas através do Teste U de Mann-Whitney, utilizando nível de significância de 95%.
RESULTADOS: A prevalência de dor osteomuscular encontrada neste estudo foi de 91,81%. Com relação às regiões anatômicas, considerou-se as queixas de dor osteomuscular retroativo há doze meses, onde o predomínio foi de dor no pescoço (56%) e ombros (56%). Quando consideramos afastamento por dor osteomuscular encontramos a prevalência de dor lombar (34%). O grupo que não relatou dor osteomuscular apresentou melhores índices de qualidade de vida nos domínios de capacidade funcional, aspectos físicos, dor, vitalidade, aspectos sociais e saúde mental.
CONCLUSÃO: A dor osteomuscular apresenta maior prevalência nas regiões do pescoço e ombros. Além disso, o maior número de afastamentos ocorre por prevalência de dor lombar entre os trabalhadores de enfermagem das equipes de cirurgia. A dor influenciou na qualidade de vida afetando seis dos domínios avaliados.

Palavras-chave: Transtornos Traumáticos Cumulativos, Enfermagem de Centro Cirúrgico, Qualidade de Vida

3 - Análise da ativação neuromuscular do vasto medial oblíquo e vasto lateral com o uso da bandagem funcional

Analysis of neuromuscular activation of the vastus medialis obliquus and vastus lateralis with the use of functional taping

Andrielle Elaine Capote; Sibele de Andrade Melo Knaut; Rina Márcia Magnani; Walkyria Vilas Boas Fernande; Lyonn Jean Carneiro; Miriam Hatsue Takemoto

Acta Fisiátr.2014;21(1):11-15

Alterações musculares e anatômicas são em sua maioria responsáveis pela síndrome patelofemoral (SDPF). Sabendo que a musculatura do quadríceps é de grande importância na estabilização da patela, questiona-se como o músculo Vasto Medial Oblíquo (VMO) influencia na estabilização patelar evitando a SDPF. Muitos pesquisadores tem investigado o uso da bandagem funcional como meio de ativação muscular.
OBJETIVO: O presente estudo teve como objetivo analisar o uso da bandagem como meio de ativação do VMO no exercício de agachamento.
MÉTODO: A atividade dos músculos VMO e Vasto lateral (VL) foi avaliada através de eletromiografia durante o agachamento com adução e o agachamento com o uso de bandagem. A amostra composta por 39 indivíduos foi dividida em quatro grupos: indivíduos do sexo masculino sedentários e atletas, e indivíduos do sexo feminino sedentárias e atletas.
RESULTADOS: Embora tenha sido encontrada uma maior ativação do VMO em relação ao VL, com a presente metodologia e variáveis estudadas, não foi possível demonstrar diferença estatística entre os grupos nos agachamentos com e sem o uso da bandagem. No entanto, é importante ressaltar que a ausência de diferença na ativação do VMO durante o agachamento com adução e com bandagem sugerem um efeito positivo e facilitador da bandagem na ativação muscular. Este resultado é muito importante no tratamento de lesões agudas onde o movimento ativo está limitado.
CONCLUSÃO: Sugere-se a execução de novos estudos aonde outros parâmetros da eletromiografia e estimulação reflexa sejam abordados, a fim de investigar o real papel da bandagem funcional na ativação muscular.

Palavras-chave: Atletas, Síndrome da Dor Patelofemoral, Músculo Quadríceps, Eletromiografia, Reabilitação

4 - Avaliação da função motora grossa pela GMFM pré e pós cirurgia ortopédica de membros inferiores em pacientes com paralisia cerebral

Evaluating gross motor function of cerebral palsy patients using the GMFM pre and post lower extremity orthopedic surgery

Caio Ribeiro Azevedo Gomes; Isolda Ferreira de Araújo; Simone Carazzato Maciel

Acta Fisiátr.2014;21(1):16-20

Em pacientes com paralisia cerebral (PC) deambuladores, a cirurgia ortopédica é bastante utilizada para melhora do padrão de marcha. Conforme aumenta o acometimento motor, os objetivos podem mudar, contudo, uma melhora na mobilidade é importante e pode ser conseguida através de procedimentos cirúrgicos. A Gross Motor Function Measure (GMFM) é uma escala quantitativa da função motora grossa, utilizada para diversos fins, como controle da evolução terapêutica, progressos na reabilitação e, em nosso serviço, avaliação de cirurgias ortopédicas.
OBJETIVO: A avaliação padronizada e sistematizada dessas cirurgias, comparando a GMFM pré e pós procedimento.
MÉTODO: Incluímos no estudo aqueles pacientes que apresentam uma maior limitação da mobilidade e com potencial para melhorar sua movimentação (níveis III e IV da Gross Motor Function Classification System), operados entre janeiro de 2010 e dezembro de 2012 obtendo 36 pacientes.
RESULTADOS: Notamos que não houve diferença estatisticamente significante entre os momentos da GMFM, a não ser, no domínio C (engatinhar e ajoelhar), no qual notamos uma queda da pontuação. A idade dos pacientes, o tempo de aferição entre as medidas, a natureza da cirurgia e, principalmente, o método de avaliação, que em nosso caso, foi a GMFM, foram citados na literatura como dificuldades em se quantificar objetivamente o resultado obtido pelas cirurgias ortopédicas de membros inferiores em pacientes com PC.
CONCLUSÃO: Uma avaliação de um número maior de pacientes, talvez com um instrumento diferente do utilizado em nosso trabalho, se faz necessária para uma melhor percepção do real efeito da cirurgia ortopédica de membros inferiores em pacientes com PC.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Extremidade Inferior, Avaliação, Escalas

5 - Quantificação do equilíbrio pelo videogame: estudo piloto

Balance quantification with videogame: pilot study

Alessandra Ferreira Barbosa; Thais Delamuta Ayres da Costa; Maria Fernanda Pauletti Oliveira; Pedro Claudio Gonsales de Castro; Maria Cecília dos Santos Moreira; Daniel Gustavo Goroso; José Augusto Fernandes Lopes; Denise Vianna Machado Ayres; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2014;21(1):21-25

Os videogames (VG) de sétima geração propõe uma avaliação física que inclui diversos testes de equilíbrio. Porém não são reportados na literatura os parâmetros utilizados para fornecer a pontuação destes testes e se estes podem ser relacionados a prática clínica e funcionalidade do usuário.
OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi de correlacionar as pontuações obtidas pelos testes da plataforma de equilíbrio do VG Wii® com as variáveis cinéticas fornecidas pela plataforma de força, a qual estava integrada a plataforma de equilíbrio do VG.
MÉTODO: Participaram deste estudo piloto, dois indivíduos com diagnóstico de acidente vascular encefálico (AVE) e dois de traumatismo craniano (TCE). As variáveis cinéticas analisadas foram área, velocidade de deslocamento e valor quadrático médio da posição média (RMS) nos eixos médio-lateral (x) e antero-posterior (y) do deslocamento do centro de pressão (COP) que foram processadas pelo software Matlab 7.0 e correlacionadas com a pontuação do console pelo coeficiente de Pearson e Spearman, ambos com (p < 0,05).
RESULTADOS: Os resultados apresentaram correlação significativa apenas para o SL e RMSy, porém moderada (r = 0,5839). Quando comparada a pontuação do ST com as variáveis Área (r = 0,8164), RMSx (r = -0,6418) e RMSy (r = -0,8094) a correlação foi moderada a forte.
CONCLUSÃO: Não encontrou-se correlação com nenhum dos testes do console quando comparados com a velocidade de deslocamento do centro de pressão medido na plataforma de força. Conclui-se que a pontuação do VG apresentou correlação significativa com as variáveis cinéticas, porém o método é pouco prático para ser empregado na avaliação clínica.

Palavras-chave: Jogos de Vídeo, Equilíbrio Postural, Acidente Vascular Cerebral, Reabilitação

6 - Reabilitação física na síndrome de fragilidade do idoso

Physical rehabilitation in the frailty syndrome among the elderly

Milene Silva Ferreira; Lilian Tiemi Sonoda; Sandra Alves Barbosa; Fabio Gazelato de Mello Franco; José Antônio Maluf de Carvalho

Acta Fisiátr.2014;21(1):26-28

São considerados idosos frágeis aqueles com vulnerabilidade intrínseca a desenvolver incapacidades e eventos adversos relacionados à saúde. A prevalência de fragilidade aumenta com a idade e a Associação Médica Americana estima que 40% das pessoas com mais de 80 anos são frágeis.
OBJETIVO: Demonstrar os resultados obtidos com o protocolo de reabilitação para idosos frágeis, implementado no Hospital Israelita Albert Einstein-Unidade Vila Mariana.
METÓDO: Estudo do tipo série de casos, descritivo, retrospectivo, com 12 idosos que cumpriram o programa de reabilitação física, do ambulatório de geriatria, da Unidade Vila Mariana, do Hospital Israelita Albert Einstein.
RESULTADOS: A média de idade foi de 77 anos, 75% dos participantes eram do sexo feminino e apresentavam em média 7,5 diagnósticos. Houve melhora em todos os domínios avaliados: equilíbrio (p = 0,02), velocidade de marcha (p < 0,01), força de membros inferiores (p < 0,01) e força de preensão (p < 0,01) na população estudada. Os idosos com 80 anos ou mais apresentaram melhora de 83% enquanto aqueles com menos de 80 anos mostraram melhora de 41%. Verificou-se que 8 dos 10 idosos que encontravam se na faixa de alto risco para incapacidade, hospitalização e morte (SPPB igual ou menor que 9) conseguiram sair da faixa de risco. Todos demonstraram melhora em pelo menos um domínio. Nenhuma piora ou complicação foi verificada.
CONCLUSÃO: O protocolo de reabilitação para síndrome de fragilidade do idoso, utilizado no ambulatório da Unidade Vila Marina, do Hospital Israelita Albert Einstein, foi capaz de melhorar os domínios equilíbrio, velocidade de marcha, força de membros inferiores e força de preensão palmar na população estudada.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Marcha, Reabilitação

7 - Fatores que podem influenciar na saúde gengival de crianças com paralisia cerebral

Factors that can influence the gingival health of children with cerebral palsy

Taciana Mara Couto Silva; Caroline Pequeño de Paula; Dorothy de Souza Alves Moura Coelho; Letícia Cardoso Tapia; Rosangela Aparecida Pereira; Regina Celia Villa Costa; Giuliana Tessicini; Marcela de Oliveira Conde; Daniela Pimenta Bittar; Louise Jimenez; Therezinha Rosane Chamlian; Maria Teresa Botti Rodrigues Santos

Acta Fisiátr.2014;21(1):29-35

Estudos têm demonstrado que, quanto maior a severidade do dano neurológico em crianças com paralisia cerebral (PC), maior é o risco das doenças orais.
OBJETIVO: Avaliar a influência dos fatores: déficit intelectual, sensibilidade oral, habilidade manual e padrões clínicos da PC sobre a saúde gengival de crianças com PC.
MÉTODO: Participaram do estudo 106 crianças (10,7 ± 3,6) com PC, que frequentavam um programa de prevenção em Odontologia numa instituição de referência em reabilitação em São Paulo - SP. Os dados relativos ao sexo, desordem do movimento, tipo clínico da PC e uso contínuo de drogas foram coletados dos prontuários. As avaliações clínicas odontológicas incluíram o Índice de Higiene Oral Simplificado (OIHS), o Índice Gengival (IG) e presença do reflexo de mordida. Ainda foram realizadas as avaliações da sensibilidade oral, intelectual pelo Raven test e a habilidade manual pelo Sistema de Classificação da Habilidade Manual (MACS). Foram utilizados os testes t-Student, Qui-quadrado e regressão logística. Fixou-se nível de significância em 5%.
RESULTADOS: O grupo 1 (G1) era composto por 47 crianças sem gengivite e o grupo 2 (G2) por 59 crianças com gengivite. As crianças do G2 eram significantemente mais velhas (p = 0,001), com tetraparesia (p = 0,016), em uso de medicamentos (p < 0,001) e com reflexo de mordida (p = 0,025). As crianças do G2 apresentaram valores significantemente maiores para o IHOS (p < 0,001) e IG (p < 0,001); porcentagens significantemente maiores de crianças com percentis inferiores a 10 (p = 0,036) para o teste Raven e com habilidade manual níveis IV e V (p = 0,002) do MACS. A chance de uma criança apresentar gengivite cresce 23,5% para cada ano de idade, até 5 vezes para cada 1 unidade de aumento do IHOS e cerca de 4,5 vezes com utilização de medicamento.
CONCLUSÃO: O aumento da idade, o acúmulo do biofilme e o uso de medicamentos aumentam o risco de gengivite em crianças com PC.

Palavras-chave: Crianças com Deficiência, Paralisia Cerebral, Gengivite

8 - Alterações dos parâmetros da marcha e déficit sensório-motor associado à neuropatia diabética periférica

Changes of the gait parameters and sensory-motor deficit associated with peripheral diabetic neuropathy

Alessandra Rezende Martinelli; Alessandra Madia Mantovani; Andrea Jeanne Lourenço Nozabieli; Dalva Minonroze Albuquerque Ferreira; Cristina Elena Prado Teles Fregonesi

Acta Fisiátr.2014;21(1):36-40

Quando há dano no sistema nervoso periférico, com prejuízos sensoriais e motores, como observado em neuropatas diabéticos, podem ocorrer graves repercussões sobre o equilíbrio e a locomoção nesta população.
OBJETIVO: Avaliar o desempenho da marcha e alterações sensório-motoras, decorrentes da neuropatia diabética periférica.
MÉTODO: Participaram 24 indivíduos neuropatas diabéticos e 28 indivíduos saudáveis sem alterações glicêmicas indicativas de diabete. Os participantes foram submetidos inicialmente a avaliações clínicas para confirmação de diagnóstico de neuropatia diabética por meio de teste de sensibilidade tátil da sola dos pés com monofilamentos. Posteriormente, foram submetidos à avaliação da variação angular do tornozelo, em condição estática e durante a marcha, por meio de cinemetria. A força muscular do tornozelo foi investigada por meio de dinamometria digital.
RESULTADOS: Foi demonstrado maior duração nos períodos de duplo apoio e apoio total da marcha em indivíduos com neuropatia diabética quando comparados com o grupo controle, confirmando uma maior dificuldade no equilíbrio dinâmico destes indivíduos. Para o grupo experimental de indivíduos neuropatas foi evidenciado redução da força muscular, tanto para os músculos dorsiflexores, quanto para os plantiflexores de tornozelo.
CONCLUSÃO: As perdas sensório-motoras decorrentes da NDP podem implicar em prejuízo no desempenho da marcha, com consequente perda de equilíbrio.

Palavras-chave: Marcha, Força Muscular, Equilíbrio Postural, Neuropatias Diabéticas

RELATO DE CASO

9 - A influência de um treinamento de caratê nas funções cognitivas e funcional em idoso com demência mista

The influence of a karate training in motor and cognitive functions in older with mixed dementia

Ana Clara de Souza Paiva; Eduardo Dias Viana; Larissa Pires de Andrade; Thais Delamuta Ayres da Costa; José Luiz Riani Costa

Acta Fisiátr.2014;21(1):41-45

Dentre as diferentes e recentes formas de intervenções não-farmacológicas para pacientes com demência realizadas no Brasil, não foram encontrados estudos que investigaram o efeito de um protocolo de caratê em pacientes com este quadro clínico, mais especificamente em idosos com diagnóstico de demência mista, doença de Alzheimer associada com demência vascular.
OBJETIVO: O presente estudo teve como objetivo analisar os efeitos de um treinamento de caratê nas funções cognitivas e funcionais de um idoso com demência mista.
MÉTODO: O participante, clinicamente diagnosticado com demência mista, passou por uma anamnese, seguida de avaliação cognitiva e funcional, antes e depois de um treinamento de quatro meses. O treinamento de caratê foi adaptado e sistematizado, visando fortalecimento muscular, flexibilidade, técnicas de posturas, ataque (socos e chutes), bloqueios (defesas) e katas (luta imaginária com vários oponentes), três vezes por semana, com duração de uma hora sessão em dias não consecutivos.
RESULTADOS: Os resultados encontrados foram manutenção das funções cognitivas e melhora no equilíbrio estático e dinâmico.
CONCLUSÃO: Conclui-se que o treinamento adaptado e sistematizado do caratê contribui para melhora de equilíbrio estático e dinâmico e manutenção do status cognitivo. Podendo contribuir assim para uma nova alternativa de intervenção não-farmacológica em idosos com demência mista.

Palavras-chave: Idoso, Demência, Atividade Motora, Terapia por Exercício, Artes Marciais

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

10 - CIF ou CIAP: o que falta classificar na atenção básica?

ICF or ICPC: what is missing for primary care?

Eduardo Santana de Araújo; Sebastião Fernando Pacini Neves

Acta Fisiátr.2014;21(1):46-48

A Classificação Internacional de Atenção Primária (CIAP) tem sido, frequentemente, confundida com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) por se tratar de uma ferramenta que indica problemas relacionados à saúde, mas que não são doenças. Embora tenha sua importância reconhecida na atenção básica, a CIAP aponta, por exemplo, as razões para contato com serviços de saúde, informações clínicas por consulta e algumas intervenções. Em nenhum desses aspectos, a CIAP aborda a questão da funcionalidade e da incapacidade, tampouco, as relações dos fatores ambientais no desempenho humano. Sendo uma mera intermediária para a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), a CIAP não contempla todas as informações necessárias para um diagnóstico da situação de saúde e seus determinantes nas populações. Dessa forma, os gestores precisam conhecer a CIF de maneira mais aprofundada, já que trata-se de uma classificação referência da Organização Mundial da Saúde, sendo a verdadeira complementar da CID para informações populacionais. A CIF contém as características necessárias para estimular o trabalho trans-setorial, mas tem sido levada apenas para a atenção especializada, deixando-se de lado todo o potencial de sua aplicação na atenção primária.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Atenção Primária à Saúde, Classificação Internacional de Atenção Primária

Número atual: Junho 2014 - Volume 21  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Análise da reprodutibilidade da circumetria do joelho em indivíduos com osteoartrite

Reproducibility analysis of knee circumference in individuals with osteoarthritis

Antonio Eduardo Leite da Silva; Ana Luiza Cabrera Martimbianco; José Carlos Baldocchi Pontin; Gisele Landim Lahoz; Mário Carneiro Filho; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2014;21(2):49-52

A osteoartrite de joelho apresenta como principais sintomas a dor, perda de função e edema articular. O edema articular é definido como um acúmulo de líquido na articulação decorrente do processo inflamatório progressivo contribui para o dano articular, provoca limitação da amplitude de movimento do joelho, diminuição da propriocepção articular e afeta a capacidade funcional e a qualidade de vida do indivíduo. A mensuração do volume articular é fundamental na prática clínica. A circumetria de joelho utilizando-se uma fita métrica é uma técnica amplamente utilizada, acessível e de baixo custo. No entanto, por ser considerada subjetiva não há embasamento científico que suporte seu uso.
OBJETIVO: Analisar a reprodutibilidade desta técnica em indivíduos com osteoartrite do joelho.
MÉTODO: Os participantes foram submetidos a duas avaliações realizadas por dois examinadores independentes, em momentos distintos. A mensuração da circumetria do joelho foi realizada utilizando-se uma fita métrica de 150 cm de comprimento, adotando como referência o polo superior da patela.
RESULTADOS: Foram incluídos 114 indivíduos. De acordo com o coeficiente de correlação intraclasse (CCI), foi possível observar forte correlação (CCI = 0,98) entre os examinadores.
CONCLUSÃO: A utilização de uma fita métrica como recurso para mensurar a circumetria do joelho em indivíduos com osteoartrite é um método confiável e reprodutível.

Palavras-chave: Osteoartrite do Joelho, Reprodutibilidade dos Testes, Reabilitação

2 - Efeitos da terapia manual na cefaleia do tipo cervicogênica: uma proposta terapêutica

Effects of manual therapy on cervicogenic headaches: a therapeutic approach

Renato Santos de Almeida; Vanessa Gomes; Carolina de Magalhães Gaullier; Karla Kristine Dames; Leandro Alberto Calazans Nogueira

Acta Fisiátr.2014;21(2):53-57

A coluna cervical é considerada como possível fonte de dor de cabeça, entretanto ainda existem algumas controvérsias a respeito da fisiopatogênese, quadro clínico e tratamento.
OBJETIVO: Propor um protocolo com abordagem multimodal para tratamento fisioterápico de pacientes com cefaleia cervicogênica e avaliar os efeitos deste protocolo em tais pacientes.
MÉTODO: Trata-se de um estudo experimental não controlado, no qual 9 pacientes da Clínica Escola de Fisioterapia do UNIFESO (Teresópolis, RJ) com diagnóstico de cefaleia cervicogênica foram submetidos a 10 intervenções fisioterapêuticas com técnicas de terapia manual. O protocolo experimental incluiu técnicas articulares, miofasciais e de recrutamento muscular. Como ferramentas de mensuração foram utilizadas a escala funcional Neck Disabilty Index (NDI), a escala visual analógica de dor (EVA) e o registro do padrão do quadro álgico.
RESULTADOS: Dos 9 pacientes selecionados, todos eram do gênero feminino, e possuíam média de idade de 43,3 anos (± 15,5). Observou-se diferença entre as médias da intensidade do quadro álgico (EVA) antes do tratamento (8,0 ± 1,3) e após (2,2 ± 0,9; p < 0,01). O índice de incapacidade cervical também mostrou melhora após intervenção de 63,9% (p < 0,01). Em relação à frequência das crises semanais observa-se uma diminuição de 70% após a intervenção (p < 0,01). De maneira similar, houve redução do tempo de permanência das crises antes (4 horas ± 1,5) e após (1 hora ± 0,5) (p < 0,01).
CONCLUSÃO: A abordagem multimodal por meio de técnicas de terapia manual foi benéfica na redução do quadro sintomático dos pacientes e ainda proporcionou diminuição do grau de incapacidade da região cervical.

Palavras-chave: Transtornos da Cefaleia, Terapia Combinada, Manipulações Musculoesqueléticas, Modalidades de Fisioterapia

3 - Prevalência de fatores de risco cardiovascular em idosos realizando atividade física adaptada

Cardiovascular risk factors prevalent among elderly performing adapted physical activity

Lucas Caseri Câmara; Therezinha Rosane Chamlian; Ricardo Yudiro Tanaka; Marcelo Andrade Starling; Erika Magalhães Suzigan

Acta Fisiátr.2014;21(2):58-62

A prevalência de fatores de risco para doenças cardiovasculares (FRCV) aumenta em linearidade com o envelhecimento. Doenças debilitadoras do espectro de ação da medicina física e reabilitação podem promover o aparecimento ou agravar comorbidades prévias e FRCV. Em idosos em acompanhamento ambulatorial regular, realizando atividade física adaptada (AFA) como terapia em centro de reabilitação, notou-se alta frequência da presença de fatores de risco cardiovascular constadas em prontuário médico.
OBJETIVO: Avaliar a prevalência de fatores de risco cardiovascular em idosos encaminhados para realização de atividade física adaptada, visando mapeamento do perfil de risco desta população específica.
MÉTODO: Coleta e análise observacional de dados constados em prontuário médico, de idosos (> 60 anos), em realização de AFA e acompanhamento ambulatorial regular, sobre diversos FRCV (Hipertensão Arterial Sistêmica - HAS; Diabetes Melitus - DM, Dislipidemia - DLP; Tabagismo; Sobrepeso/Obesidade - Sobrep/OB; História familiar - HF).
RESULTADOS: Foram encontrados cento e dez (n = 110) pacientes idosos (média de idade 72,9 ± 7,1 anos). Informações constadas em prontuário sobre tabagismo, Sobrep/OB e HF, foram apenas encontradas em 11,8%, 52,7%, e 0%, respectivamente, e assim excluídas de posteriores análises. A prevalência de HAS, DLP e DM foram de 69,0%, 46,3% e 27,2%, respectivamente. Apenas 18,2% dos idosos não apresentavam nenhum FRCV (HAS, DLP, DM), 34,5% um fator associado, 33,6% dois fatores, 13,7% três fatores. Dos idosos avaliados, 28,2% já apresentavam cardiopatia instalada.
CONCLUSÃO: Foi verificada alta prevalência de HAS, DLP, DM e cardiopatia já instalada em idosos em realização regular de AFA em centro de reabilitação, fazendo desta, população de alto risco. Fatores de risco cardiovascular de suma importância como tabagismo, obesidade e história familiar de DCV não foram adequadamente mapeados, com déficits de informação constada nos prontuários médicos avaliados. Devido ao tamanho e especificidade da amostra do presente estudo, estes resultados podem não representar a realidade atual dos centros de reabilitação em âmbito nacional, devendo ser melhor investigados em estudos futuros. No entanto, os dados apresentados são alarmantes e devem ser considerados com especial atenção, visto que não houve adequado mapeamento de todos os FRCV.

Palavras-chave: Doenças Cardiovasculares, Fatores de Risco, Atividade Física, Idoso

4 - Estudo observacional de ganhos funcionais de pacientes com síndrome de Guillain-Barre

Observational study of functional gains in patients with Guillain-Barre syndrome

Rodrigo Parente Medeiros; Ana Cristina Rodrigues e Silva

Acta Fisiátr.2014;21(2):63-65

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença de baixa incidência, porém com quadro clínico súbito e preocupante na sua fase aguda. Embora seja uma doença de caráter remissivo, a importância de terapias para recuperação motora funcional tem sido solicitado precocemente pelo médico assistente. A reabilitação com objetivo de tornar o paciente independente nas atividades de vida diárias é a meta inicial da equipe multidisciplinar, e o ganho da marcha é sempre o maior desejo do paciente e de seus familiares.
OBJETIVO: Avaliar o papel da reabilitação sob a forma de internação, em que o paciente recebe uma grande quantidade de estímulos num período de estabilização do quadro.
MÉTODO: Foram avaliados 27 pacientes, com diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré, que permaneceram internados no Hospital de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo, Goiânia-GO, no período entre julho de 2008 a julho de 2013.
RESULTADOS: A análise de 27 pacientes com média de idade de 39,4 anos, estes pacientes foram admitidos na reabilitação após 47,8 dias do quadro clínico e permaneceram em média 43,8 dias internados no CRER. Comparando a recuperação da marcha em relação a idade, não foi observada diferenças de ganho entre jovens ou adultos. Quanto a Medida de Independência Funcional (MIF) a média na admissão foi de 75,2 elevando para 109,1 no dia da alta. E um dos principais fatores que interferem para esse aumento no valor do MIF foi que no fator marcha, em que 11 pacientes eram deambuladores na internação e na alta subiu para 23 (p < 0.001).
CONCLUSÃO: Neste trabalho foi encontrado como significante a relação entre a marcha na alta da internação e na admissão, houve um aumento importante entre os valores do MIF nesse mesmo período. Não encontramos relação de melhora entre o uso de imunoglobulina e melhora motora.

Palavras-chave: Síndrome de Guillain-Barré, Marcha, Reabilitação

5 - Contribuições da dançaterapia no aspecto emocional de pessoas com deficiência física durante programa de reabilitação

Contributions of dance therapy to the emotional aspect of people with physical disabilities in a rehabilitation program

Rute Heckert Viriato; Nadir Lopes Hmeliowski; Daniella Branco Nolasco; Fabiana Pavani Sancinetti

Acta Fisiátr.2014;21(2):66-70

A dançaterapia estimula a descoberta de movimentos, a percepção das emoções e o reconhecimento de possibilidades que favorecem a inclusão social.
OBJETIVO: Analisar a contribuição da dançaterapia no aspecto emocional dos pacientes em reabilitação, a partir da percepção deles mesmos.
MÉTODO: Participaram deste estudo 23 pacientes, em 4 grupos, que tiveram a duração de 4 meses cada um. Utilizamos um questionário, aplicado ao inicio e final do programa, e solicitamos que desenhassem um desenho de si mesmos nesses dois momentos.
RESULTADOS: 69,56% referem boa autoestima antes, e ao final, 95,65%. Observamos melhora na sociabilidade, pois antes 69,56% se consideravam tímidos, e depois, 43,47%. Identificamos maior criatividade, 86,95% dos pacientes (inicialmente 65,21%); e menor sensação de tristeza, apenas 4,43% (antes 52,17%). Quanto à dificuldade para se comunicar, houve uma redução significativa: inicialmente 13,04% referiam sempre ter, 4,34% depois do programa. Os desenhos na 2ª avaliação estão mais detalhados, proporcionais, e ocupam espaço mais central na folha; percebemos maior consciência corporal, melhor autoestima e percepção de características pessoais.
CONCLUSÃO: A dançaterapia favoreceu uma mudança significativa no aspecto emocional dos participantes deste trabalho, permitindo melhora na percepção de suas possibilidades, melhora na autoestima, e maior socialização; favoreceu o contato com próprio corpo, colaborando para uma nova percepção de si mesmos.

Palavras-chave: Terapia através da Dança, Emoções, Pessoas com Deficiência, Reabilitação

6 - Prevalência da disfunção miofascial em indivíduos com dor lombar

Prevalence of myofascial dysfunction in patients with low back pain

Daniel Martins Coelho; Rafael Inacio Barbosa; Ana Maria Pavan; Anamaria Siriani de Oliveira; Debora Bevilaqua-Grossi; Helton Luiz Aparecido Defino

Acta Fisiátr.2014;21(2):71-74

OBJETIVO: Examinar a prevalência da disfunção miofascial em indivíduos com dor lombar e quantificar limiar de dor destes através do algômetro.
MÉTODO: Foram avaliados 70 indivíduos com idade média de 48 (± 11,76) com história de dor lombar crônica, sendo investigada a presença de pontos-gatilho nos músculos: quadrado lombar, iliopsoas, glúteos máximo, médio e mínimo, e piriforme. A prevalência foi determinada pela porcentagem de indivíduos com pontos gatilhos presentes e o limiar de dor foi determinado pela média de três avaliações de pressão de cada ponto-gatilho.
RESULTADOS: Demonstraram que 90% dos indivíduos apresentaram disfunção miofascial, dentre eles, 76% no músculo quadrado lombar, 69% no glúteo médio, 56% no piriforme, 40% no glúteo mínimo, 31% no íliopsoas e 29% no glúteo máximo. O limiar de dor por pressão dos músculos quadrado lombar foi de 1,71 Kg/cm2, de 2,39 Kg/cm2 para o glúteo médio, de 2,34 Kg/cm2 para o piriforme, de 2,58 Kg/cm2 para o glúteo mínimo, de 2,11 Kg/cm2 para o iliopsoas e de 2,19 Kg/cm2 para o glúteo máximo.
CONCLUSÃO: Na amostra analisada, os dados deste estudo demonstram a grande prevalência desta disfunção e sugere que a mesma merece atenção específica no tratamento da lombalgia em indivíduos com dor crônica.

Palavras-chave: Síndromes da Dor Miofascial, Dor Lombar, Prevalência

7 - Elaboração de um manual de exercícios e orientações para pacientes com fasciíte plantar

Development of an exercise manual and guidelines for patients with plantar fasciitis

Rafael Henrique da Silva; José Carlos Baldocchi Pontin; Thiago Ragusa Costa; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2014;21(2):75-79

A fasciíte plantar é causa frequente de dor no calcanhar e no pé que afeta cerca de 2 milhões de americanos por ano. A fisioterapia é o tratamento inicialmente prescrito, e o sucesso do tratamento depende da adesão dos pacientes.
OBJETIVO: Elaborar um manual de orientações e exercícios para pacientes com fasciíte plantar, analisar a clareza, nível de compreensão e a satisfação dos pacientes leigos e fisioterapeutas acerca do manual.
MÉTODO: Foram selecionados 30 fisioterapeutas e 30 pacientes que não fossem analfabetos e que não apresentassem nenhum déficit cognitivo. Foi aplicado um manual contendo 10 exercícios e orientações para pacientes com fasciíte plantar.
RESULTADOS: Todos os exercícios e orientações tiveram alto índice de compreensão (acima de 90%). O manual foi considerado excelente pelos leigos e ótimo pelos fisioterapeutas.
CONCLUSÃO: O manual apresentou um nível relevante de compreensão tanto entre os fisioterapeutas como entre os leigos, além de alto índice de satisfação entre as populações abordadas. Portanto, o manual pode servir de ferramenta complementar no tratamento dos pacientes com fasciíte plantar.

Palavras-chave: Fasciíte Plantar, Terapia por Exercício, Modalidades de Fisioterapia, Guia de Prática Clínica

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Exercício físico na osteogênese imperfeita

Exercise in osteogenesis imperfecta

Mateus Betanho Campana; Vanessa Fabiana da Costa Sannomiya; Lucilene Ferreira; Angela Nogueira Neves Betanho Campana

Acta Fisiátr.2014;21(2):80-86

A osteogênese imperfeita (OI) é um distúrbio hereditário do tecido conjuntivo, caracterizada por fragilidade óssea e baixa densidade óssea, com um amplo espectro de expressão clínica. O exercício físico orientado é reconhecido como uma prática relevante no tratamento conservador.
OBJETIVO: Reunir e sistematizar o conhecimento referente à avaliação física, indicação de exercícios, progressão de carga e sistemática de treinamento para pessoas com OI.
MÉTODO: As bases de dados SciELO, LILACS, MedLine, Scopus, PubMed, Web of Science, PEDro e a Cochrane BVS foram usadas para busca. Dois pesquisadores independentes selecionaram os estudos elegíveis. Todos os estudos clínicos randomizados, estudos exploratórios transversais, relatos de casos clínicos e relatos de experiências nos quais houvesse a descrição dos exercícios físicos empregados, testes utilizados para avaliação física, regras gerais para conduta de um programa de exercícios e descrição dos efeitos dos exercícios foram incluídos.
RESULTADOS: A busca eletrônica resultou em um total de 961 referências publicadas em inglês, português, francês e alemão. Aplicando-se os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, 9 estudos foram selecionados, sendo apenas dois estudos clínicos. Todas as recomendações e conclusões dizem respeito às condutas adequadas para crianças, já que todos os estudos tinham este público como alvo. Apenas dois estudos incluiriam amostras de adolescentes até 12 anos. Os tipos de OI investigados foram os tipos I e IV, sendo que algumas recomendações foram estendidas aos outros tipos de OI. A natação é o exercício físico mais recomendado. Exercícios de força, com progressão de carga leve são também recomendados, assim como exercícios aeróbios em bicicleta, estacionária ou não. Há alguns cuidados no manejo e no atendimento deste público que devem ser observados, para evitar danos.
CONCLUSÃO: Foi possível obter alguma sistematização e orientações para a condução de intervenções com exercícios físicos, mas são ainda escassas as evidências que suportam a prescrição e a conduta na progressão do treinamento para pessoas com OI.

Palavras-chave: Osteogênese Imperfeita, Exercício, Literatura de Revisão como Assunto

9 - Validação da acelerometria para medida do gasto energético: revisão sistemática

Validation of accelerometry for measuring energy expenditure: a systematic review

Christiane Riedi Daniel; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2014;21(2):87-92

OBJETIVO: Examinar a qualidade dos estudos de validação da acelerometria comparados com o consumo máximo de oxigênio (VO2máx) e como objetivo secundário apresentar as principais características dos estudos inseridos e os principais modelos de acelerômetros testados.
MÉTODO: Após pesquisa na base de dados MedLine, LILACS, Embase e CLINAHL com os descritores "Oxygen Consumption" OR "Energy Metabolism" AND "Accelerometry" AND "Validation Studies" , os dois autores realizaram a seleção dos artigos de acordo com título, leitura do resumo e do texto completo. Após a inclusão dos artigos, estes tiveram sua qualidade avaliada pela ferramenta QUADAS-2 que avalia o risco de viés e a preocupação com a aplicabilidade do teste.
RESULTADOS: Foram selecionados 11 trabalhos que se ajustaram aos critérios de inclusão. A análise QUADAS-2 mostrou que para o risco de viés houve problemas com a sua identificação principalmente no que diz respeito ao teste proposto e o padrão-ouro, em relação à aplicabilidade na maioria dos estudos o risco foi baixo. O acelerômetro mais utilizado foi o Actgraph e SenseWear Armband Pro3 que foi testado em 3 estudos.
CONCLUSÃO: Conclui-se através desta revisão sistemática que são necessárias mais informações a respeito da metodologia proposta nos estudos para classificação da qualidade dos mesmos e que a acelerometria é uma alternativa válida para medida do gasto energético em condições de atividades livres e controladas independente do tipo de acelerômetro.

Palavras-chave: Acelerometria, Consumo de Energia, Estudos de Validação

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

10 - Fracasso crônico no tratamento da dor crônica? A influência silenciosa da personalidade e seus transtornos

Chronic failure in the treatment of chronic pain? The silent influence of the personality and its disorders

João Paulo Consentino Solano

Acta Fisiátr.2014;21(2):93-100

Transtornos psiquiátricos são comuns entre pacientes com dor crônica não oncológica. Em uma amostra de pacientes que foram encaminhados para avaliação psiquiátrica, transtornos de personalidade foram encontrados mais frequentemente que qualquer outro diagnóstico psiquiátrico, incluindo-se depressão maior. Os transtornos de personalidade borderline e narcisista foram os mais prevalentes. O presente artigo discute tais achados à luz de uma revisão de literatura em que os termos chronic pain, borderline personality disorder, narcissistic personality disorder foram adequadamente combinados como descritores. Além dos critérios diagnósticos para cada um dos transtornos, discutem-se alguns "sinais sutis" que podem orientar na identificação de traços de cada um deles, e duas vinhetas clínicas são apresentadas para ilustrar os transtornos de personalidade em discussão. Ao final, dão-se recomendações que podem facilitar o seguimento destes pacientes em equipes multiprofissionais de dor crônica.

Palavras-chave: Dor Crônica, Transtornos da Personalidade, Transtorno da Personalidade Borderline, Narcisismo

Número atual: Setembro 2014 - Volume 21  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Confiabilidade de um teste funcional de desempenho do membro superior: Teste Elui

Reliability of the ELUI Upper Extremity Functionality Test

Valéria Meirelles Carril Elui; Daniela Nakandakari Goia; Flávia Pessoni Faleiros Macêdo Ricci; Marisa de Cássia Registro Fonseca

Acta Fisiátr.2014;21(3):101-106

A destreza manual é uma habilidade fundamental para o desempenho das atividades cotidianas. Medidas da força muscular, amplitude de movimento e sensibilidade isoladamente podem não refletir o status funcional na avaliação físico-funcional. É importante também o uso de questionários autoaplicáveis e testes funcionais específicos que avaliem o desempenho levando em consideração o membro superior e que possam testar aspectos como a destreza, coordenação e qualidade da preensão, podendo variar em termos de padronização e propriedades psicométricas. A partir desta necessidade foi desenvolvido o Teste Funcional de Membro Superior Elui que visou oferecer um instrumento nacional de mensuração e de referência a ser utilizado na prática clínica, porém suas propriedades psicométricas ainda não são definidas. Objetivo: Analisar a confiabilidade interexaminador e teste re-teste do Teste Funcional de Membro Superior Elui. Método: 50 voluntários saudáveis, de ambos os sexos, com idade média de 32,62 anos que não apresentassem disfunção ou sintomatologia nos membros superiores foram submetidos ao teste por dois examinadores e após 30 dias por um examinador. A aplicação deste teste requer materiais simples presentes no cotidiano, divididos em 10 subitens: Simular Escrita, Virar Chave, Pegar pequenos objetos, Simular alimentação, Despejar água, Abrir Potes, Cortar com a Faca, Simular Vestuário, Pegar objetos Grandes e leves e Pegar objetos grandes e pesados. Cada voluntário avaliado deveria realizar cada item do teste com ambas as mãos ou com a mão dominante, dependendo do subitem analisado, sendo adaptada a lateralidade quando necessário. Resultados: A análise estatística foi realizada visando comparar as diferenças das medidas de cada sub-item do teste em segundos e a análise da confiabilidade interexaminadores e teste reteste pelo Coeficiente de Correlação Intraclasse (ICC) com intervalo de confiança de 95% e p < 0,05. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa local e todos os voluntários assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Os resultados mostraram que com exceção da tarefa pegar pequenos objetos que teve ICC considerado não aceitável (0,65), todos os outros 9 itens apresentaram excelente confiabilidade interexaminadores entre 0,95-0,99 e Alpha de Cronbach entre 0,97-0,99. Para o teste reteste as tarefas com excelente confiabilidade foram despejar água ICC 0,98 e simular escrita ICC 0,91, boa confiabilidade para as tarefas pegar objetos grandes e pesados ICC 0,85, cortar com faca ICC 0,85 e simular alimentação ICC 0,80; confiabilidade aceitável dos itens virar chave ICC 0,74 e simular vestuário ICC 0,76; com Alpha de Cronbach de todas as tarefas entre 0,79 e 0,99. Conclusão: O Teste Elui apresentou excelente repetitividade tanto entre examinadores como em medidas repetidas ao longo do tempo pelo mesmo examinador na maioria dos subitens, sendo considerado confiável para a amostra estudada, sendo utilizada a terceira medida.

Palavras-chave: Mãos, Destreza Motora, Habilidades para Realização de Testes

2 - Envelhecimento e dor crônica: um estudo sobre mulheres com fibromialgia

Aging and chronic pain: a study of women with fibromyalgia

Maria Angelica Schlickmann Pereira Hayar; Arlete Camargo de Melo Salimene; Ursula Margarida Karsch; Marta Imamura

Acta Fisiátr.2014;21(3):107-112

Objetivo: Desvendar o processo de envelhecimento de mulheres acometidas por fibromialgia e o impacto dessa patologia nos âmbitos físico, pessoal e social, agregado às alterações dele decorrentes. Método: O universo da pesquisa abrangeu 66 mulheres com diagnóstico clínico de fibromialgia, com idades entre 30 e 68 anos de idade, residentes em São Paulo/SP. Para a pesquisa qualitativa, foi selecionado, de forma aleatória, um grupo de quinze das 66 mulheres: cinco na faixa etária entre 30 e 49 anos, cinco entre 50 e 59 anos de idade e cinco de 60 anos e mais. Foram realizadas entrevistas individuais, gravadas e posteriormente transcritas na íntegra, com aplicação de instrumento semiestruturado elaborado pela autora. O instrumento buscou estimular os sujeitos a refletirem, a fim de possibilitar o acesso às representações sociais da dor, da doença o do envelhecimento com dor crônica. Como procedimento metodológico para tratamento dos dados da pesquisa qualitativa, foi utilizada a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Resultados: Os dados indicaram que há maior incidência da fibromialgia entre as mulheres idosas, mas o impacto na qualidade de vida medido pelo FIQ foi maior entre aquelas que estavam na meia idade (50 a 59 anos). Houve prevalência de mulheres com baixa escolaridade, mas constatou-se que o impacto da fibromialgia foi mais significativo em mulheres com escolaridade maior. A presença da religiosidade foi bem marcada neste grupo de sujeitos. Conclusão: O trabalho de atenção básica sob a Estratégia de Saúde da Família requer uma adequada abordagem da pessoa com uma doença crônica tão peculiar como a fibromialgia. Essa abordagem deve ser estendida aos idosos, respeitando o que preconiza a política de humanização do SUS numa perspectiva de promoção da saúde.

Palavras-chave: Envelhecimento, Doença Crônica, Fibromialgia, Mulheres, Gênero e Saúde

3 - Dor relacionada à amputação e funcionalidade em indivíduos com amputações de membros inferiores

Pain related to amputation and functionality of individuals with lower limb amputations

Therezinha Rosane Chamlian; Juliana Kliemke dos Santos; Cecília Caruggi de Faria; Maria Silvia Pirrelo; Caio Pereira Leal

Acta Fisiátr.2014;21(3):113-116

A presença de dor persistente, seja no coto de amputação, dor fantasma ou no membro contralateral, pode interferir negativamente na obtenção de marcha com prótese no paciente amputado. Objetivo: Investigar a presença de dor relacionada à amputação nos pacientes amputados de membros inferiores em tratamento de reabilitação, avaliar seus status funcionais, sem e com próteses e verificar se há associação entre a presença de dor e a função de marcha. Método: Estudo transversal com 60 pacientes amputados unilaterais de membros inferiores em tratamento em um centro de reabilitação em São Paulo, com investigação de: idade, gênero, tempo decorrido da amputação, nível e etiologia da amputação, numero de comorbidades, presença de dor no coto, no membro contralateral ou fantasma (em caso afirmativo, tipo de dor, intensidade, frequência, fatores de melhora e piora e uso de medicação), protetização, tipo de marcha com prótese (comunitária, terapêutica ou domiciliar) e uso de auxiliares de locomoção e foi feita aplicação da Medida de Independência Funcional (MIF). O método de análise dos dados foi feito por meio de valores absolutos e relativos e testes estatísticos paramétricos (ANOVA) e não paramétricos (igualdade de duas proporções), X2, intervalo de confiança para média de 95% e P-valor < 0,05. Resultados: 73,4% homens, amputados havia 1 ano, no nível transtibial, de etiologia vascular com 2 comorbidades compuseram a amostra de forma estatisticamente significante (p < 0,001). Não houve diferença entre protetizados e não protetizados quanto à dor no coto e dor fantasma, mas houve com relação à dor no membro contralateral, estatisticamente significante nos não protetizados. Embora tenha havido diferença média entre os pacientes protetizados e não protetizados para os três escores da MIF, as mesmas não podem ser consideradas estatisticamente significantes. Conclusão: A maioria dos pacientes amputados unilaterais de membros inferiores em reabilitação na AACD - Lar Escola, na época deste estudo, teve baixa prevalência de dor relacionada à amputação e esta não interferiu na aquisição de marcha com prótese.

Palavras-chave: Dor Crônica, Amputação, Extremidade Inferior, Marcha

4 - Características clínicas e epidemiológicas do paciente adolescente portador de osteossarcoma

Clinical and epidemiological characteristics of adolescent patients with osteosarcoma

Juliana Ramiro Luna Castro; Cíntia Maria Torres Rocha Silva; Karoline Sampaio Nunes Barroso; Jaqueline Pereira Lopes

Acta Fisiátr.2014;21(3):117-120

O Osteossarcoma (OS) é uma neoplasia maligna que afeta o tecido ósseo, sem causa aparente, acomete mais o esqueleto apendicular, principalmente fêmur e tíbia de crianças e adolescentes. O tratamento consta de cirurgias de ressecção do tumor ou amputação de membros associados à quimioterapia. Quanto mais cedo se descobrir e tratar o OS, e quanto menor for a sua extensão melhor o prognóstico. Objetivo: Conhecer as características clínicas e epidemiológicas do paciente adolescente portador de OS atendido no Hospital do Câncer do Ceará (HCC) no Município de Fortaleza. Para isso foi investigado dados clínicos e epidemiológicos referentes aos pacientes adolescentes (de 10 à 19 anos) portadores de OS. Método: Realizou-se um estudo documental retrospectivo através dos prontuários dos pacientes atendidos nesse hospital no período de Janeiro de 2006 a Dezembro de 2007. Os dados foram coletados através de uma ficha semi-estruturada que constava de questões referentes às características clínicas e epidemiológicas dos pacientes, além dos dados de identificação. Foram selecionados 29 prontuários, sendo utilizados 26 para análise, pois 03 estavam incompletos por abandono de tratamento ou transferência hospitalar. Resultados: O OS foi mais frequente em pacientes do sexo masculino (57,7%), com idade entre 10 e 15 anos (73,1%), de raça afro-descendente (50%) e que residiam no interior (73,1%); 30,8% apresentavam história de câncer na família. O sintoma em comum detectado na queixa principal foi a dor (24 pacientes), seguida do aumento do volume local (20) e trauma prévio (08). O fêmur foi acometido em 65,4% dos casos, com ocorrência de metástase (76,9%), quase sempre ao diagnóstico e sua maioria (15 pacientes) para o pulmão. O tratamento consistia em quimioterapia (96,2%) associada a ressecção cirúrgica (69,2%) e amputação (73,1%) ou substituição por endoprótese. Outras especialidades como a fisioterapia foi prescrita em 42,3% dos casos tendo início no período do pós-operatório (23,1%) e geralmente para tratar as complicações. O paciente portador de OS se caracteriza por ser homem, afro-descendente, proveniente do interior e com antecedentes familiares de câncer. Conclusão: É necessário e importante conhecer as características clínicas e epidemiológicas do paciente portador de OS, redirecionando o olhar dos profissionais de saúde para a importância da inclusão de uma equipe multidisciplinar ao diagnóstico.

Palavras-chave: Osteossarcoma Justacortical, Adolescente, Epidemiologia

5 - Análise do hábito alimentar e do estado nutricional de pacientes com lesão medular após intervenção nutricional

Analysis of the dietary habits and nutritional status of patients with spinal cord injury after nutritional intervention

Elizabete Alexandre dos Santos; Vera Lúcia Rodrigues Alves; Silvia Ramos; Vera Silvia Frangella

Acta Fisiátr.2014;21(3):121-131

De acordo com a Organização Mundial da Saúde a deficiência física é definida como restrições de estrutura ou funções corporais que não são compensadas por medidas sociais, sendo a lesão da medula espinhal (LME) um tipo comum de deficiência física. Diversos fatores podem influenciar o estado nutricional de indivíduos com LME e complicações metabólicas podem levar a uma série de alterações agudas e crônicas no organismo, que estão relacionadas com o surgimento de doenças crônicas e obesidade. A avaliação e o manejo nutricional adequado do paciente com LME podem auxiliar na adequação do estado nutricional, minimizar as complicações associadas com a lesão e favorecer a reabilitação em longo prazo. Objetivo: Avaliar o efeito das medidas de intervenção nutricional, utilizadas em um ambulatório de nutrição clínica, sobre o hábito alimentar e o estado nutricional de pacientes com lesão medular. Método: Trata-se de um estudo exploratório transversal e retrospectivo em que foi analisado o hábito alimentar de todos os pacientes com LME, atendidos em um ambulatório no período de abril de 2012 a outubro de 2013. Resultados: Foram avaliados 30 pacientes com média de idade igual a 46 ± 15,29 anos, sendo 70% do sexo masculino. Após a intervenção nutricional houve diminuição no consumo de gorduras saturadas, diminuição na ingestão de cereais refinados e aumento no consumo de hortaliças e frutas. Conclusão: Observou-se a importância da intervenção nutricional na adequação dos hábitos alimentares dos indivíduos, sendo que a educação nutricional deve ser precoce, para prevenir complicações secundárias à lesão.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinhal, Estado Nutricional, Hábitos Alimentares, Educação Alimentar e Nutricional

6 - Análise da atividade muscular do tornozelo de idosos e jovens

Ankle electromyography among the young and the elderly

Roberta Sillis; Lucas Barbosa de Souza; Leslie Andrews Portes; Fabio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2014;21(3):132-134

O envelhecimento altera a função musculoesquelética prejudicando a marcha e a manutenção do equilíbrio corporal. Objetivo: Verificar e comparar a atividade eletromiográfica (EMG) da região do tornozelo de idosos e jovens fisicamente ativos. Método: Participaram deste ensaio 40 indivíduos de ambos os sexos considerados fisicamente ativos mediante o Questionário Internacional de Atividade Física - IPAQ (formato curto). Não participaram do estudo aqueles com algum tipo de condição clínica que afetasse o equilíbrio e contração muscular. Avaliou-se a atividade eletromiográfica (EMG) dos músculos tibial anterior e tríceps sural na posição bipodal (BA) e unipodal (UA), com olhos abertos. Para a captação dos sinais EMG foram utilizados eletrodos monopolares de superfície Ag/AgCl da KENDALL (MEDITRACETM 200). O teste t de Student foi utilizado para a comparação entre os grupos. O nível de significância adotado foi p < 0,05. Resultados: Os idosos exibiram valores superiores quanto a frequência de potenciais de ação em 3 das 4 condições avaliadas. Conclusão: Os idosos deste estudo exibiram maior frequência de disparos e recrutamento de unidades motoras dos músculos do tornozelo para a manutenção das posturas unipodal e bipodal, em comparação aos jovens.

Palavras-chave: Eletromiografia, Equilíbrio Postural, Idoso

7 - Identificação dos conceitos de medidas de desfechos de ensaios clínicos em osteogênese imperfeita utilizando a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde - versão crianças e jovens

Identifying the concepts in outcome measures of clinical trials on osteogenesis imperfecta using the International Classification of Functioning, Disability and Health - version for children and youth

Tatiana Vasconcelos dos Santos; Juan Clinton Llerena Júnior; Carla Trevisan Martins Ribeiro; Saint Clair dos Santos Gomes Júnior

Acta Fisiátr.2014;21(3):135-140

O modelo biopsicossocial da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) tem sido utilizado como referência na prática clínica para identificação e análise dos componentes da funcionalidade presentes em medidas de desfechos. Objetivo: Este estudo tem como objetivos identificar os conceitos de medidas de desfecho de ensaios clínicos em Osteogênese Imperfeita, analisar como estes conceitos se relacionam com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde versão crianças e jovens (CIF-CJ) e descrever quais componentes da funcionalidade mais avaliados. Método: Ensaios clínicos realizados entre 2000 e 2013 em crianças com diagnóstico de Osteogênese Imperfeita foram selecionados a partir de uma revisão nas bases de dados MedLine e Cochrane. As medidas de desfecho foram extraídas e os conceitos significativos de cada medida foram relacionados à CIF-CJ. Resultados: Foram incluídos para o estudo 14 artigos. Os conceitos de medidas clínicas e técnicas e de um instrumento de avaliação padronizado (Pediatric Evaluation of Disability Inventory - PEDI) foram identificados. Os conceitos das medidas clínicas e técnicas relacionaram-se ao componente da CIF-CJ Funções e Estruturas do Corpo. Os conceitos do PEDI relacionaram-se aos componentes Funções do Corpo e principalmente Atividade e Participação. Conclusão: Através do link dos conceitos das medidas de desfecho com a CIF-CJ foi verificado que os ensaios clínicos em OI avaliam principalmente o componente Funções e Estruturas do Corpo. As avaliações da Atividade e Participação e os fatores contextuais ainda são pouco contempladas nestes estudos havendo necessidade de novas pesquisas sobre o efeito das intervenções nestes componentes.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Osteogênese Imperfeita, Avaliação de Resultados (Cuidados de Saúde)

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Exercícios resistidos na osteoartrite: uma revisão

Resistance exercise in osteoarthritis: a review

Natália Cristina de Oliveira; Fabio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2014;21(3):141-146

A osteoartrite é a doença articular mais comum em nível mundial, e no Brasil estima-se que ela afeta de 6 a 12% dos adultos e mais de um terço dos idosos. Há evidências de que o exercício, especialmente o resistido, pode reduzir a progressão da doença. Objetivo: Revisar na literatura os trabalhos sobre exercícios resistidos como forma de tratamento da osteoartrite. Método: Foram revisados artigos indexados na base de dados PubMed, com aplicação do filtro "therapy narrow" da interface "clinical queries". Vinte artigos foram selecionados para revisão na íntegra. Várias modalidades de intervenção com exercício resistido, de diferentes intensidades, duração e velocidades de execução foram estudadas por outros autores. Resultados: Todas as formas de exercício resistido parecem ser seguras e eficazes para promover melhorias funcionais e redução da dor em pacientes com osteoartrite. Exercícios em baixa intensidade ou em isometria também podem promover benefícios aos pacientes. Conclusão: A adesão aos programas é próxima de 50% e a utilização combinada de suplementos ou medicamentos com o exercício ainda foi pouco estudada até o momento nesta população.

Palavras-chave: Osteoartrite, Exercício, Reabilitação

9 - Tratamento fisioterapêutico da fasciíte plantar

Physiotherapeutic treatment of plantar fasciitis

José Carlos Baldocchi Pontin; Thiago Ragusa Costa; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2014;21(3):147-151

A fasciíte plantar ou síndrome da dor do calcanhar é uma causa frequente de dor no calcanhar e no pé em adultos que acomete cerca de 2 milhões de americanos por ano e estima-se que cerca de 10% da população mundial já apresentou ou irá apresentar queixa de dor no pé em algum momento da vida. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura a fim de verificar a efetividade das modalidades de tratamento fisioterapêutico em pacientes com fasciíte plantar. Método: Foi realizada uma busca eletrônica nas bases de dados Cochrane Library, Medline (via Pubmed), PEDro, LILACS, sem restrições de data e idioma. Foram incluídos, no presente estudo, os artigos que abordaram o tratamento fisioterapêutico na fasciíte plantar e excluídos os artigos que tiveram como foco o tratamento cirúrgico. Resultados: No total, 23 estudos cumpriram os critérios de inclusão. As modalidades encontradas foram: Alongamento de tríceps sural, terapia manual, bandagens, órteses/palmilhas e eletroterapia. Conclusão: Há evidência moderada de que os exercícios para alongamento do tríceps sural proporcionam benefícios aos pacientes com fasciite plantar. A evidência da aplicação de bandagens ainda é fraca, porém alguns estudos relatarem melhora da dor e função a curto prazo. Há evidência de qualidade que suporte que o uso de palmilhas customizadas proporciona melhora da dor e função a curto prazo em pacientes com fasciíte plantar. A utilização de talas noturnas apresenta resultados controversos, apesar de alguns estudos terem apresentado bons resultados.

Palavras-chave: Fasciíte Plantar, Modalidades de Fisioterapia, Reabilitação

10 - Toxina Botulínica Tipo A no tratamento da dor miofascial relacionada aos músculos da mastigação

Botulinum Toxin Type A in the treatment of myofascial pain related to masticatory muscles

Maria Matilde de Mello Sposito; Stephanie Alderete Feres Teixeira

Acta Fisiátr.2014;21(3):152-157

Objetivo: Sistematizar as evidências científicas sobre a eficácia da toxina botulínica tipo A no tratamento da dor miofascial relacionada aos músculos mastigatórios. Método: A busca bibliográfica foi realizada através de uma pesquisa nas bases de dados PubMed Central Jornal e Allergan Product Literature - botulinum toxin (APL) compreendendo o período dos últimos 12 anos, com os descritores: "myofascial pain", "botulinum toxin", "treatment", "masticatory muscles". A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada pela Escala de Jadad. Foram selecionados quatro estudos do tipo ensaio clínico randomizado duplo-cego. Resultados: Pudemos notar que, as pesquisas sobre a utilização de toxina botulínica tipo A para dor miofascial estão contribuindo para aprimorar os tratamentos existentes até o momento para essa condição clínica. Conclusão: É indispensável um maior número de estudos e formas de avaliação precisas e quantitativas para uma resposta definitiva sobre eficácia e segurança deste tratamento.

Palavras-chave: Síndromes da Dor Miofascial, Transtornos da Articulação Temporomandibular, Músculos Mastigatórios, Toxinas Botulínicas Tipo A

Número atual: Dezembro 2014 - Volume 21  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Associação dos níveis de GMFCS com grau de escolaridade, tipo de marcha, empregabilidade e dor em adultos com paralisia cerebral

The association of GMFCS levels with education, type of motion, pain, and employability in adults with cerebral palsy

Natali Zanelato; Giselle Cristina Lopes Rosanova; Fernanda Santucci; Debora da Silva Fragoso de Campos; Lisa Carla Narumia; Márcia Harumi Uema Ozu

Acta Fisiátr.2014;21(4):158-161

Adultos com paralisia cerebral (PC) apresentam um envelhecimento precoce associado ao declínio da função. E apesar da melhoria na assistência a saúde, estudos mostram que estes indivíduos possuem menos oportunidades de possuir algum grau de escolaridade e emprego. Além de apresentarem queixas com relação a dor e alteração quanto sua capacidade de marcha. Objetivo: Verificar a associação dos níveis de GMFCS para os parâmetros: empregabilidade, grau de escolaridade, nível de marcha e queixa de dor em adultos com PC. Método: Foram selecionados 671 prontuários para análise de correlação entre as variáveis citadas acima. Resultado: Foi observado que aqueles com níveis mais acometidos da PC possuem menos chance de terem algum nível de escolaridade e emprego, além de apresentarem pior nível de marcha. Conclusão: Não foi encontrada correlação entre os níveis de GMFCS para o item dor.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Limitação da Mobilidade, Dor, Emprego, Escolaridade

2 - A cadeira de rodas e seus componentes essenciais para a locomoção de pessoas com tetraplegia por lesão da medula espinhal

The wheelchair and its essential components for the mobility of quadriplegic persons with spinal cord injury

Vinícius Aparecido Yoshio Ossada; Márcia Regina Garanhani; Roger Burgo de Souza; Viviane de Souza Pinho Costa

Acta Fisiátr.2014;21(4):162-166

Objetivo: Compreender quais itens são essenciais à cadeira de rodas (CR) na perspectiva da pessoa tetraplégica por lesão da medula espinhal (LME). Método: O estudo qualitativo foi com entrevista semi-estruturada e análise de discurso, bem como, checklist da CR em uso e do Sistema Único de Saúde (SUS). Resultados: No total foram dez entrevistados: nove homens e uma mulher, média de idade de 42,3 anos (± 9,23), dois advogados, um economista e demais aposentados. As causas da LME foram acidente automobilístico (60%), mergulho em águas rasas (30%) e atropelamento (10%), respectivamente. O tempo de lesão foi em média 16,3 anos (± 7,14) e todos realizavam fisioterapia. Os números de CR, até a adequada, foram duas a cinco e todos praticavam esporte adaptado ou lazer com CR. O checklist apontou itens insuficientes na CR do SUS e da análise dos discursos resultaram em quatro categorias: Itens, materiais e condições necessárias; A conquista da funcionalidade; Vantagens e desvantagens da CR; e Sentimentos vivenciados. A CR é essencial para a locomoção das pessoas com tetraplegia e conhecer modelos, experimentar e ter orientações sobre os itens adequados são importantes para a aquisição. Os itens adequados facilitam a aceitação, melhor adaptação, locomoção e autonomia. Conclusão: A cadeira do SUS mostrou-se insuficiente, o que leva ao abandono. A adquirida por funcionalidade, com itens essenciais, o que responde a individualidade e ao gosto do usuário, mostrou-se útil e adequada apesar de seu elevado custo.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Quadriplegia, Cadeiras de Rodas, Locomoção, Autonomia Pessoal

3 - Orientação de higiene bucal e experiência de cárie em pacientes com paralisia cerebral em uso de medicamentos

Oral hygiene orientation and caries experience for cerebral palsy patients using oral medication

Taciana Mara Couto Silva; Mariana Lopes; Ana Paula Yumi Ikeda; Marcelo Furia Cesar; Maria Teresa Botti Rodrigues Santos

Acta Fisiátr.2014;21(4):167-170

A presença de prejuízos associados à paralisia cerebral (PC) requer muitas vezes o uso de medicamentos de uso contínuo e por longos períodos de tempo. Dentre os efeitos colaterais adversos destes medicamentos destacam-se a diminuição do fluxo salivar e aumento do risco para doença cárie. Objetivo: Verificar se os responsáveis pelos pacientes com PC receberam orientações quanto à realização da higiene bucal após a administração dos medicamentos de uso contínuo via oral e a experiência de cárie nos pacientes com PC. Método: Participaram deste estudo transversal, 205 crianças com diagnóstico médico de PC, de ambos os gêneros, com idades entre 0 a 12 anos (6,6 ± 2,9) que frequentavam um programa de prevenção em Odontologia numa instituição de referência em reabilitação em São Paulo-SP. Os dados relativos ao gênero, desordem do movimento e padrão clínico da PC foram coletados dos prontuários. Sob a forma de entrevista, os responsáveis relatavam se a criança fazia uso ou não de algum medicamento de uso contínuo, e, em caso afirmativo, qual a forma de apresentação dos mesmos; se os responsáveis haviam recebido orientação prévia sobre a importância da realização higiene bucal após a utilização dos medicamentos, quem realizava a higiene bucal da criança, e com que frequência esta era realizada. A experiência de cárie foi registrada segundo o índice de dentes cariados (C, c) perdidos (P, e) ou obturados (O, o) por dente (D, d) (CPOD). Foram constituídos dois grupos segundo o uso (grupo 1: G1) ou não (grupo 2: G2) de medicamentos sob a forma contínua. Foram usados os testes do Qui-quadrado e teste t de Student. Fixou-se o nível de significância em 5%. Resultados: Os grupos G1 (n = 110) e o G2 (n = 95) eram homogêneos quanto ao gênero (p = 0,343) e a idade (p = 0,514). Entretanto diferiram significantemente em relação ao padrão clínico, apresentando G1 porcentagens significantemente maiores de pacientes com tetraparesia (p < 0,001). Analisando apenas o G1, observou-se que os subgrupos em uso de medicamentos sob a forma solução oral (solução; n = 65) ou em uso de comprimidos (comprimido; n = 45) diferiram significantemente quanto à orientação prévia para a realização da higiene bucal (p = 0,013), apresentando o grupo solução maior porcentagem dos responsáveis orientados. Com relação à realização da higiene oral, o subgrupo solução apresentou porcentagens significantemente maiores (p = 0,044) de crianças que requeriam supervisão e realização da higiene bucal dos responsáveis quando comparado ao grupo comprimido. A comparação da experiência de cárie entre os grupos G1 e G2 mostrou que o G1 apresentou valores significantemente maiores para o valor do índice CPOD (p = 0,048), e menor número de pacientes livres de cárie (p = 0,016) quando comparado a G2. Conclusão: Embora os responsáveis pelos pacientes que recebiam medicamento sob a forma de solução oral sob a forma contínua fossem os mais orientados quanto à realização da higiene bucal após a administração dos medicamentos, estes pacientes apresentavam maior experiência de cárie.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Higiene Bucal, Cárie Dentária, Administração Oral

4 - Estudo comparativo da reabilitação virtual e cinesioterapia em relação ao torque do joelho em idosos

Comparative study of virtual rehabilitation and kinesiotherapy for knee torque among the elderly

Márcia Barbanera; Dayane Nunes Rodrigues; Francini de Santana Cardoso; André Lucas de Marco; Patrícia Martins Franciulli; Juliana Valente Francica; Flávia de Andrade e Souza Mazuchi; Aline Bigongiari

Acta Fisiátr.2014;21(4):171-176

O envelhecimento provoca uma série de alterações neuropsicomotoras, como a diminuição da força muscular, da propriocepção, do equilíbrio, da cognição, entre outros. Os exercícios terapêuticos visam diminuir estes déficits e contribuir para uma melhora funcional e da qualidade de vida. Objetivo: Este estudo teve como objetivo comparar os efeitos da reabilitação virtual e cinesioterapia, no torque do joelho em idosos saudáveis. Método: Os idosos foram divididos em dois grupos aleatoriamente: sete participantes realizaram exercícios com reabilitação virtual formando o grupo Reabilitação Virtual (RV) (69,7 ± 5,5 anos; 71,8 ± 13,7 kg), e sete participantes realizaram cinesioterapia formando o grupo Cinesio (75,4 ± 5,7 anos; 64,7 ± 17,2 kg). O torque dos músculos extensores e flexores do joelho foi avaliado no dinamômetro isocinético, da marca Biodex, System 3. O protocolo consistiu de três contrações isométricas de 5 segundos, nas posições angulares de 45 e 600 de flexão do joelho e cinco repetições de contrações isocinéticas concêntricas nas velocidades de 60, 180 e 3000/s. O protocolo de tratamento foi realizado no período de 3 meses, com duas sessões por semana e 50 minutos cada sessão. No grupo RV foram utilizadas duas modalidades de jogos, incluindo tarefas de desafios e feedback interativo da percepção corporal. Para o grupo Cinesio, foram realizados os mesmos exercícios do protocolo de reabilitação virtual, porém sem estímulo do video game. Para análise estatística, foi utilizado o teste ANOVA, seguido de post hoc Tukey HDS com nível de significância de 0,05. Resultados: O pico de torque isocinético concêntrico e isométrico de extensão e flexão do joelho foram maiores após a intervenção para ambos os grupos. Conclusão: A cinesioterapia, assim como a reabilitação virtual, são eficazes para o aumento do torque extensor e flexor do joelho, o que pode auxiliar na diminuição da incidência de quedas em idosos.

Palavras-chave: Envelhecimento, Exercício, Força Muscular, Reabilitação

5 - O perfil e as adaptações sexuais de homens após a lesão medular

Sexual profile and adaptations of men after spinal cord injury

Bianca Teixeira Costa; Larissa Amaral Torrecilha; Simone Antunes Paloco; Joice Maria Victoria de Assunção Spricigo; Roger Burgo de Souza; Suhaila Mahmoud Smaili Santos

Acta Fisiátr.2014;21(4):177-182

Lesão medular (LM) consiste em qualquer tipo de lesão nos elementos neurais do canal medular, acarretando inúmeros comprometimentos, sendo a alteração nos padrões da resposta sexual um deles, condicionada por fatores físicos, psíquicos e sociais. Em função destas alterações, os pacientes necessitam realizar adaptações sexuais para manterem a atividade sexual. Objetivo: Verificar o perfil e adaptações sexuais de homens após a LM e associar o diagnóstico neurofuncional com frequência sexual, ereção, uso de adaptação, tipo de adaptação, e a utilização de adaptação com frequência e satisfação sexual após a lesão. Método: Trata-se de um estudo transversal com 36 homens lesados medulares que foram entrevistados por meio do questionário (QSH-LM). Resultados: Média de idade é 36,64 anos com prevalência decorrente de acidente de trânsito, de paraplegia e de lesão medular completa. Após a LM, 52,8% estão casados, 75,5% mantém atividade sexual sendo que 44,4% têm menos de 1 relação sexual/semana, 80,6% estão satisfeitos sexualmente, 50,0% têm ereção, 38,9% ejaculação e 44,4% orgasmo. Quanto ao uso de adaptação para ter/manter a ereção, 61,1% utilizam, sendo 25,5% por não conseguirem manter a ereção e 22% optam pelo anel peniano. Houve associação significativa de que paraplégicos utilizam adaptações com mais frequência e preferem o anel peniano e pacientes que utilizam adaptação sexual tem maior frequência sexual e estão satisfeitos sexualmente (p = 0,02). Conclusão: Através deste trabalho podem-se conhecer o perfil sexual dos pacientes após a LM e as adaptações sexuais mais utilizadas, resultados que subsidiam informações que poderão auxiliar os profissionais de saúde a acompanharem e orientarem de maneira adequada os seus pacientes.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Comportamento Sexual, Homens

6 - Redução da força muscular respiratória em indivíduos com artrite reumatoide

Reduction of respiratory muscle strength in subjects with rheumatoid arthritis

Fernanda Matos Weber; Rodrigo da Rosa Iop; Ana Paula Shiratori; Susana Cristina Domenech; Noé Gomes Borges Júnior; Monique da Silva Gevaerd

Acta Fisiátr.2014;21(4):183-188

Objetivo: Avaliar a força muscular respiratória de pacientes com Artrite Reumatoide (AR) em comparação a indivíduos saudáveis e correlacionar com o nível de atividade da doença (DAS-28) e índice de massa corporal (IMC). Método: Estudo transversal onde foram avaliadas 18 mulheres, com média de idade de 57,94 anos, sendo 8 com AR (Grupo AR) e 10 saudáveis (Grupo Controle), pareadas por idade. Todas foram submetidas às seguintes avaliações: ficha cadastral -dados de identificação e clínicos; exame físico -massa corporal, estatura e IMC; DAS-28; dosagem de proteína C-reativa (PCR) e determinação dos valores de Pressão Inspiratória Máxima (PImáx) e Pressão Expiratória Máxima (PEmáx), por meio de um manovacuômetro. Foi adotado o nível de significância de 5%. Resultados: Houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos AR e Controle em relação à PImáx (-46,25 ± 17,67 cmH2O vs. -81,00 ± 19,69 cmH2O; p < 0,01) e PEmáx (58,75 ± 17,26 cmH2O vs. 78,00 ± 6,32 cmH2O; p < 0,01). Também verificou-se diferença entre o grupo AR e valores preditos para a idade em relação à PImáx (-46,25 ± 17,67 cmH2O vs. -81,06 ± 4,11 cmH2O; p < 0,01) e PEmáx (58,75 ± 17,26 cmH2O vs. 78,92 ± 5,33 cmH2O; p < 0,01). Adicionalmente, foi encontrada correlação significativa entre a PEmáx e IMC (p = 0,03). Não houve correlação significativa entre as variáveis PImáx - PCR, DAS-28 e IMC, e entre PEmáx - DAS e PCR. Conclusão: Esses dados reforçam o caráter sistêmico da AR e levantam a necessidade de uma avaliação global do paciente, que não foque apenas no componente articular, mas verifique também a força dos músculos respiratórios desses indivíduos, para determinação de estratégias terapêuticas mais específicas e adequadas.

Palavras-chave: Artrite Reumatoide, Força Muscular, Músculos Respiratórios

7 - Terapia de ultrassom e estimulação elétrica transcutânea neuromuscular para a tratamento do linfedema de membro superior pós-mastectomia

Ultrasound therapy and transcutaneous electrical neuromuscular stimulation for management of post-mastectomy upper limb lymphedema

Marisa Augusta Gomes de Sousa; Rebeca Boltes Cecatto; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Christina May Moran de Brito; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2014;21(4):189-194

Objetivo: Avaliar o efeito da estimulação elétrica transcutânea ou terapia de ultra-som no tratamento de pós-mastectomia linfedema do membro superior. Método: revisão sistemática da literatura foi realizada 1980-2012 do MedLine, Cochrane Library, LILACS e SciELO. Os termos utilizados na pesquisa foram (neoplasia de mama ou câncer de mama ou de linfedema) e (hipertermia, induzido ou diatermia ou terapia de ultra-som ou ultra-som ou a estimulação elétrica nervosa transcutânea ou dezenas). As seleções dos estudos eram de pacientes mulheres com linfedema pós-mastectomia membro superior que foram submetidos a diatermia por terapia de ultra-som e estimulação elétrica nervosa transcutânea. Só randomizado (RCT) e projetos quase randomizados do estudo foram incluídos (ambos estreita e Broad Therapy). Somente estudos publicados no formato de artigo completo foram incluídos. Depois de analisar os 2.158 resumos resultantes da pesquisa, foram selecionados apenas dois artigos. Dois pesquisadores analisaram os dois artigos, usando o Van Tulder e JADAD escalas para avaliação da qualidade. Resultados: Ambos os trabalhos avaliaram o uso da terapia de ultra-som e estimulação elétrica para o tratamento do linfedema pós-mastectomia. Um total de 132 indivíduos foram incluídos em ambos os estudos, e pouca melhora foi observada em redução ou a qualidade de vida da dor. Somente o estudo usando a terapia de ultra-som identificada uma pequena redução nos sintomas de linfedema. No entanto evidências que suportam a aplicação deste método está faltando. Conclusão: Mais estudos são necessários para avaliar o uso da terapia de ultra-som ou eletroterapia para o tratamento de linfedema pós-mastectomia e para avaliar o efeito potencial dessas terapias no desenvolvimento posterior da doença metastática.

Palavras-chave: Neoplasias da Mama, Linfedema, Reabilitação, Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea

ARTIGO DE REVISÃO

8 - Uso do teste de caminhada de seis minutos para avaliar a capacidade de deambulação em pacientes com acidente vascular cerebral

Using the six minute walk test to evaluate walking capacity in patients with stroke

Christiane Riedi Daniel; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2014;21(4):195-200

O teste de caminhada de 6 minutos (TC6) mede a distância máxima que uma pessoa pode caminhar em 6 minutos. O teste está ganhando popularidade porque avalia a capacidade do estado funcional dos pacientes com diferentes patologias e é considerando simples, seguro, válido, barato e não invasivo. Objetivo: O objetivo desta revisão foi investigar a aplicabilidade do teste de caminhada de seis minutos em sobreviventes de AVC. Método: A pesquisa bibliográfica foi realizada na base de dados MedLine (PubMed) de 1 de Janeiro de 2000 a Abril, 16 2013 Os termos de pesquisa utilizados foram AVC (acidente vascular cerebral e/ou hemiplegia) e caminhada (limitação da mobilidade). O primeiro autor revisou os títulos e/ou resumos de artigos encontrados e determinou relevância para a revisão. Cópias de texto completo de artigos relevantes foram obtidas. Após a leitura foram selecionados os artigos mais relevantes. Apenas artigos escritos em Inglês foram incluídos nesta revisão. Resultados: Os 31 estudos incluídos foram divididos em 9 estudos de ensaio clinico randomizado, 2 estudos caso-controle, 5 estudos prospectivos e 15 estudos transversais e envolveu 1.824 pacientes sobreviventes de AVC, 146 controles saudáveis e 38 pacientes com Esclerose Múltipla. Conclusão: O TC6 é útil para avaliar a capacidade de funcional em pacientes com acidente vascular cerebral, no entanto deve ser usado em conjunto outras ferramentas de avaliação para determinar o perfil geral desses pacientes. Mais estudos são necessários para verificar os fatores que influenciam o resultado do teste e a forma de complementá-lo.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Hemiplegia, Limitação da Mobilidade, Caminhada

9 - Toxina Botulínica Tipo A para bruxismo: analise sistemática

Botulinum Toxin A for bruxism: a systematic review

Maria Matilde de Mello Sposito; Stephanie Alderete Feres Teixeira

Acta Fisiátr.2014;21(4):201-204

Objetivo: Sistematizar as evidências científicas sobre a eficácia da toxina botulínica tipo A no tratamento do bruxismo. Método: A busca bibliográfica foi realizada através de uma pesquisa nas bases de dados PubMed Central Journals e Allergan Product Literature - botulinum toxin (APL) compreendendo o período dos últimos 10 anos, com os descritores: "bruxism", "botulinumt oxin", "treatament". A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada pela Escala de Jadad. Resultados: Foram selecionados dois estudos do tipo ensaio clínico randomizado duplo-cego. Os dois estudos clínicos mostram que as aplicações de toxina botulínica podem diminuir os níveis de dor, frequência dos eventos de bruxismo e satisfazer os pacientes no que diz respeito à eficácia da toxina botulínica nesta patologia. Além de não provocar efeitos adversos importantes. Assim, o tratamento com toxina botulínica tipo A pode apresenta-se como um tratamento possível para pacientes com bruxismo. Conclusão: Há necessidade de maior numero de estudos que sigam critérios de qualidade para se chegar a uma conclusão definitiva quanto a eficácia e segurança.

Palavras-chave: Toxinas Botulínicas Tipo A, Bruxismo, Dor, Reabilitação

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

10 - Protocolo de estimulação motora à criança e ao adolescente dos 4 aos 17 anos de idade do ambulatório de cuidado à pessoa com síndrome de Down

Motor stimulation protocol for children and adolescents 4 to 17 years old in an outpatient clinic for persons with Down's syndrome

Cristiane Gonçalves da Mota; Cristiane Vieira Cardoso; Leandro Lanchotti Cavalcante; Ednaldo Ardelino; Katia Lina Miyahara; Patricia Zen Tempski

Acta Fisiátr.2014;21(4):205-209

O estágio de desenvolvimento motor é o período em que a criança vivencia suas capacidades motoras e conforme a estimulação do ambiente e a proposta de tarefas poderá alcançar desenvolvimento global satisfatório. As crianças com síndrome de Down podem alcançar desenvolvimento satisfatório e até adequado para sua idade cronológica se receberem estímulos adequados, mesmo apresentando atraso para adquirir habilidades motoras. Na adolescência o trabalho de desenvolvimento motor deve ser continuado com atividades especializadas como as esportivas para que assim, mantenha-se e refine-se o desenvolvimento adquirido. O objetivo desse artigo é apresentar o programa de estimulação motora desenvolvido do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IMREA-HCFMUSP). Acredita-se que, um trabalho de estimulação motora estruturado de maneira adequada para crianças e adolescentes com síndrome de Down atua como importante meio de intervenção para proporcionar desenvolvimento adequado das habilidades motoras fundamentais e especializadas.

Palavras-chave: Criança, Síndrome de Down, Atividade Motora

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