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Número atual: Março 2013 - Volume 20  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Utilização da CIF em fisioterapia do trabalho: uma contribuição para coleta de dados sobre funcionalidade

Using the ICF in work-related physiotherapy: a contribution to data collection about functioning

Eduardo Santana de Araújo; Cassia Maria Buchalla

Acta Fisiátr.2013;20(1):1-7

INTRODUÇÃO: A notificação da saúde do trabalhador, no Brasil, é feita por meio da Classificação Internacional de Doenças (CID). No entanto, para se conhecer a funcionalidade e a incapacidade, a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) é mais adequada, por constituir-se numa ferramenta capaz de gerar dados sobre a funcionalidade humana no trabalho e sobre a influência do ambiente no desempenho das atividades ocupacionais.
OBJETIVO: Este trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de uma ficha de coleta de dados para uso em Fisioterapia do Trabalho com o intuito de facilitar a notificação de incapacidades ou de influências ambientais na funcionalidade.
MÉTODO:Por meio de um consenso com especialistas, baseado na técnica Delphi, foram escolhidas categorias relevantes da CIF e estruturado um instrumento de coleta de dados que, ao final, foi remetido aos participantes desse processo de seleção para avaliação de sua aplicabilidade.
RESULTADOS: Obtivemos um instrumento de coleta de dados contendo 24 categorias da CIF com a possibilidade de uso de três qualificadores criados para esse propósito. Essa ficha de coleta foi considerada de fácil uso, segundo avaliação dos participantes.
CONCLUSÃO: O instrumento de coleta que resultou deste estudo está disponível para ser testado na área de Fisioterapia do Trabalho e espera-se que possa ajudar na obtenção de dados sobre a funcionalidade do trabalhador.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Saúde do Trabalhador, Coleta de Dados, Fisioterapia

2 - Processos comunicativos dos indivíduos com lesão do hemisfério direito

Communicative processes of individuals with injuries of the right cerebral hemisphere

Aline Rodrigues Pinto; Ana Paula Ferreira Gastão; Milene Silva Ferreira; Marla Fabiana Rodrigues Oliveira Sakamoto; Andréa Siqueira Kokanj Santana

Acta Fisiátr.2013;20(1):8-13

OBJETIVO: O presente estudo teve como objetivo traçar o perfil de linguagem de pacientes com lesão de hemisfério direito atendidos na Associação de Assistência a Criança Deficiente (AACD/Unidade Ibirapuera - Central), bem como verificar a percepção dos cuidadores e dos pacientes em relação à presença ou não de alterações de linguagem pós-acidente vascular cerebral.
MÉTODO: O estudo descritivo foi desenvolvido de julho a setembro de 2009 com 11 indivíduos adultos por meio da aplicação da Bateria Montreal de Avaliação da Comunicação/Bateria MAC, prova Questionário sobre a Consciência das Dificuldades e o questionário Triagem de Distúrbios Comunicativos em Indivíduos com quadro neurológico, direcionado aos familiares e/ou cuidadores.
RESULTADOS: Verificou-se que 90,9% dos pacientes com Lesão de Hemisfério Direito apresentaram déficit em pelo menos uma das provas que compunham a Bateria MAC de avaliação da linguagem.
CONCLUSÃO: Mostra-se também de extrema importância o achado relacionado à ausência de percepção dos pacientes em relação as suas próprias alterações linguístico-cognitivas, não pela inexistência de impactos em sua vida diária, mas devido à agnosia.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Transtornos da Linguagem, Agnosia, Comunicação

3 - Perfil dos pacientes com lesões traumáticas do membro superior atendidos pela fisioterapia em hospital do nível terciário

Profile of patients with traumatic injuries of the upper limb treated in a tertiary hospital

Rafael Inácio Barbosa; Karoline Cipriano Raimundo; Marisa de Cássia Registro Fonseca; Daniel Martins Coelho; Aline Miranda Ferreira; Amira Mohamede Hussein; Nilton Mazzer; Cláudio Henrique Barbieri

Acta Fisiátr.2013;20(1):14-19

A incidência de lesões traumáticas dos membros superiores em um hospital terciário além de ser elevada, possui uma grande variedade. Neste sentido torna-se importante a criação de um banco de dados único, para conhecer o perfil dos pacientes atendidos.
OBJETIVO: Traçar o perfil dos pacientes com lesões traumáticas dos membros superiores, atendidos pela Fisioterapia no Centro de Reabilitação do Hospital das Clínicas de Ribeirão.
MÉTODO: Foram avaliadas 223 fichas de pacientes (58 mulheres e 116 homens), com idade média de 34,54 (± 19,05) anos, encaminhados pelo ambulatório de ortopedia do referido hospital.
RESULTADOS: Do total de casos analisados, as lesões de punho e mão obtiveram maior incidência (60,99%), seguidos por lesões de ombro (20,63%), cotovelo (12,55%), braço (3,59%) e antebraço (2,24%). Nas lesões de punho e mão o mecanismo de trauma com maior porcentagem foi o acidente de moto, relacionado com as fraturas múltiplas de ossos da mão. Queda da própria altura, acidente motociclístico e queda de escada foram os mecanismos de trauma, correlacionando com as fraturas de úmero proximal, luxação de ombro e fraturas de escápula respectivamente.
CONCLUSÃO: Foi verificada a incidência de lesão, mecanismo de trauma e as características da população para futuramente aprimorar os protocolos específicos para as disfunções e investir em campanhas de prevenção

Palavras-chave: Traumatismos da Mão, Traumatismos do Antebraço, Traumatismos do Braço, Centros de Reabilitação, Perfil de Saúde

4 - Comparação da força muscular respiratória entre idosos após acidente vascular cerebral

Comparison of respiratory muscle strength between elderly subjects after a stroke

Soraia Micaela Silva; João Carlos Ferrari Corrêa; Fernanda Cordeiro da Silva; Luciana Maria Malosá Sampaio; Fernanda Ishida Corrêa

Acta Fisiátr.2013;20(1):20-23

A diminuição do recolhimento elástico dos pulmões e da complacência da caixa torácica são uma das principais mudanças no sistema respiratório com o avançar da idade, quando essas alterações estão associadas às manifestações clínicas subjacentes ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), a força muscular respiratória dos idosos pode ser gravemente afetada, portanto, faz-se necessário investigar as condições da força muscular respiratória de hemiparéticos idosos tanto em fase aguda como crônica.
OBJETIVO: Comparar a força muscular respiratória de idosos hemiparéticos em fase aguda e crônica após AVC, avaliadas por meio dos valores das pressões respiratórias máximas, para que assim, a reabilitação desses indivíduos seja mais orientada.
MÉTODO: Foram avaliados 29 indivíduos hemiparéticos, 17 em fase aguda e 12 em fase crônica, os valores da pressão inspiratória máxima (PImáx) e pressão expiratória máxima (PEmáx) coletados por meio de um manovacuômetro.
RESULTADOS: Não houve diferença entre a fase aguda e crônica, no entanto, as medidas de PImáx e PEmáx apresentaram diminuição estatisticamente significante quando comparadas ao valores preditos.
CONCLUSÃO: Não houve diferença da força muscular respiratória entre as fases aguda e crônica, no entanto, a PImáx e PEmáx apresentou-se diminuída em todos os indivíduos avaliados, isto sugere fraqueza semelhante da musculatura respiratória em ambas as fases após AVC, e este quadro pode ser agravado pelo processo de senescência. Sugere-se que seja abordado um programa de treinamento da musculatura respiratória desses indivíduos para melhor reabilitação após AVC.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Sarcopenia, Capacidade Vital, Idoso

5 - Relação entre a Medida de Independência Funcional e o Core Set da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde para acidente vascular encefálico

The Relationship between the Functional Independence Measure and the International Classification of Functioning, Disability, and Health Core Set for stroke

Andersom Ricardo Fréz; Bruna Antinori Passeggio Vignola; Helena Hideko Seguchi Kaziyama; Luisa Carmen Spezzano; Thais Raquel Martins Filippo; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(1):24-28

Para a avaliação da funcionalidade do paciente com acidente vascular encefálico (AVE) existem diversos instrumentos, entre eles a Medida de Independência Funcional (MIF). A partir da aprovação da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) foi desenvolvido o Core Set para indivíduos com AVE, o qual passou a considerar os componentes da CIF para o entendimento da funcionalidade e da incapacidade física destas pessoas.
OBJETIVO: Foi estabelecer uma relação entre a MIF e o Core Set da CIF para pacientes com sequelas de AVE.
MÉTODO: Considerando as descrições das atividades da MIF e as definições das categorias da CIF, foram selecionadas as categorias do Core Set da CIF para pessoas com AVE relacionados às tarefas avaliadas pela MIF. Foi considerado o que contemplava cada atividade da MIF, a descrição detalhada e as definições de cada categoria da CIF. Foi proposta uma relação entre os indicadores quantitativos e qualitativos da CIF e as escalas e níveis de função da MIF. Estabeleceu-se uma relação inversa entre a escala da MIF e os qualificadores da CIF, pois quanto menor a escala da MIF maior o comprometimento, já para a CIF, quanto menor o qualificador menor o comprometimento.
RESULTADOS: Das 130 categorias de segundo nível utilizadas no Core Set 27 (20,8%) foram relacionadas às atividades da MIF, sendo oito (29,6%) dos componentes das funções do corpo, 17 (63%) das atividades e participação e dois (7,4%) dos fatores ambientais. Para as 10 categorias que fazem parte da versão abreviada deste Core Set, apenas cinco foram relacionadas às atividades da MIF.
CONCLUSÃO: O presente estudo evidenciou que a escala MIF está centrada no indivíduo, não correlacionando fatores externos que influenciam na realização das atividades. A escala CIF possui parâmetros adequados e permite uma visão biopsicossocial do indivíduo, abrangendo desde as disfunções e deficiências dos indivíduos acometidos com por AVE até a influência destes fatores nas atividades sociais e no meio ambiente.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

6 - Publicações brasileiras referentes à Classificação Internacional de Funcionalidade

Brazilian publications on the International Classification of Functioning

Luciana Castaneda; Shamyr Sulyvan de Castro

Acta Fisiátr.2013;20(1):29-36

Considerando o aumento das doenças crônicas e da expectativa de vida, é de grande interesse atual a mensuração dos fenômenos de funcionalidade e incapacidade. A Organização Mundial de Saúde há cerca de 30 anos vem desenvolvendo ferramentas para entendimento e classificação destes processos, sendo o modelo atual a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF). A CIF propõe uma mudança de paradigma, onde o modelo biopsicossocial substitui o modelo biomédico predominante. É o mais recente e abrangente modelo taxonômico para a funcionalidade e incapacidade dentro de uma perspectiva universal e unificada.
OBJETIVO: Em virtude do crescente interesse da comunidade científica pelo tema, o objeto do trabalho é descrever e classificar por áreas de conhecimento as publicações referentes à CIF.
MÉTODO: As bases de dados utilizadas foram Lilacs e Scielo. Foram selecionadas 39 publicações.
RESULTADOS: A maioria das publicações foi referente a artigos originais (51,3%) e a área de conhecimento com maior número de trabalhos foi a Neurologia.
CONCLUSÃO: Os resultados apontam que houve um crescimento elevado de publicações nos últimos cinco anos.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Prática Clínica Baseada em Evidências, Coleta de Dados, Literatura de Revisão como Assunto

7 - Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde e seu uso no Brasil

The use of the International Classification of Functioning, Disability and Health in Brazil

Ismênia de Carvalho Brasileiro; Thereza Maria Magalhães Moreira; Cássia Maria Buchalla

Acta Fisiátr.2013;20(1):37-41

OBJETIVO: Trata-se de uma revisão cujo objetivo é analisar o uso da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) no Brasil.
MÉTODO: O estudo ocorreu nas bases LILACS, MedLine, SciELO, IBECS e Cochrane. Foram selecionados artigos publicados entre 2003 e 2011. Foram identificados 75 trabalhos. Após leitura dos resumos foram selecionados 17 estudos que compuseram a amostra e que abordaram o uso CIF. O método para análise foi o de revisão integrativa.
RESULTADOS: A classificação tem sido utilizada em estudos no Brasil, em especial nos últimos cinco anos, mais nas regiões sul e sudeste. Há diversidade de amostras e tipos de estudos e consonância de uso da CIF com diversos instrumentos e escalas. O componente Atividade e Participação é o mais utilizado. Foi observada forte tendência para descrever a incapacidade dos casos estudados.
CONCLUSÃO: A CIF vem sendo aplicada em pesquisas brasileiras de forma diversificada sendo considerada adequada por abordar espectros da funcionalidade humana. A classificação foi mais utilizada para descrever situações de incapacidades nos estudos analisados. Situações como dimensões subjetivas e interveniência de fatores ambientais nem sempre abordados em outros instrumentos, são contempladas na CIF, o que nos direcionam para uma nova perspectiva em entender a saúde das pessoas e populações.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Literatura de Revisão como Assunto, Brasil

8 - Aplicação das escalas Fugl-Meyer Assessment (FMA) e Wolf Motor Function Test (WMFT) na recuperaçãofuncional do membro superior em pacientespós-acidente vascular encefálico crônico: revisão de literatura

Application of the Fugl-Meyer Assessment (FMA) and the Wolf Motor Function Test (WMFT) in the recovery of upper limb function in patients after chronic stroke: a literature review

Cauê Padovani; Cristhiane Valério Garabello Pires; Fernanda Pretti Chalet Ferreira; Gabriela Borin; Thais Raquel Martins Filippo; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(1):42-49

Estima-se que de 45 a 75% dos adultos que sofreram um Acidente Vascular Encefálico (AVE) têm dificuldade de utilizar o membro superior (MS) hemiparético nas atividades de vida diária (AVD's) na fase crônica. Escalas funcionais são utilizadas na prática da reabilitação e em pesquisas para diagnósticos, prognósticos e resposta a tratamentos. As escalas Wolf Motor Function Test (WMFT) e Fugl-Meyer Assessment (FMA) são instrumentos muito citados na literatura.
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi verificar a aplicação das escalas WMFT e FMA na recuperação funcional do membro superior em pacientes pós AVE crônico.
MÉTODO: Foi realizada uma revisão de literatura com busca nas bases de dados do MedLine (PubMed) de artigos publicados de 2000 a 2013. Adotou-se como estratégia de pesquisa o método (P.I.C.O.). Os descritores utilizados para a pesquisa foram: (stroke OR cerebrovascular disorders OR intracranial arteriosclerosis OR intracranial embolism and thrombosis) AND (fugl-meyer assessment OR wolf motor function test). Foi utilizado therapy narrow como filtro de busca.
RESULTADOS: Foram encontrados 181 estudos, 89 foram eliminados por não preencherem os critérios de inclusão ou por não apresentarem tema relevante à pesquisa. Após a seleção por título e resumo, 92 artigos foram lidos na íntegra. Destes, 47 foram excluídos por não contemplarem o objetivo da presente pesquisa. No total, 45 artigos foram revisados. Houve predomínio da utilização da ferramenta FMA e verificou-se que 80% dos estudos aplicaram esta escala para avaliar respostas a diferentes tipos de terapias. Nestes estudos, a intervenção mais utilizada foi a Terapia de Contensão Induzida (TCI) (25%), seguida pela Terapia Robótica (22,2%). Apesar do WMFT ter sido inicialmente desenvolvido para avaliar os efeitos da TCI, nos dias de hoje verifica-se sua utilização para avaliar a recuperação funcional de pacientes com sequelas de AVE após aplicação de outras técnicas. Em nossa pesquisa, 44,4% dos estudos utilizaram o WMFT, destes, 35% avaliaram os efeitos da TCI, 15% da terapia robótica de MS e 65% usaram diferentes terapias.
CONCLUSÃO: Em estudos controlados randomizados, a FMA foi a escala mais utilizada para avaliar a recuperação funcional do MS em pacientes com AVE crônico, inclusive após aplicação de terapia robótica. Porém, verificamos que ela não é a escala mais indicada para avaliar os mesmos desfechos após utilização da TCI. Entretanto, a WMFT foi a escala mais utilizada para avaliação funcional após aplicação da TCI e mostrou-se mais sensível que a FMA na terapia bilateral, além de alta aplicabilidade na terapia de realidade virtual.

Palavras-chave: Acidente Vascular Encefálico, Extremidade Superior, Reabilitação, Questionários, Literatura de Revisão como Assunto

RELATO DE CASO

9 - Análise do controle postural após a aplicação da eletroestimulação funcional no acidente vascular encefálico

Analysis of postural control after the application of functional electrical stimulation in stroke patients

Thais Delamuta Ayres da Costa; Alessandra Ferreira Barbosa; Maria Fernanda Pauletti Oliveira; Pedro Cláudio Gonsales de Castro; Denise Vianna Machado Ayres; Maria Cecília dos Santos Moreira; José Augusto Fernandes Lopes; Daniel Gustavo Goroso

Acta Fisiátr.2013;20(1):50-54

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é o principal acometimento neurológico em adultos no mundo. Pode resultar em déficits neuromotores e cognitivos. Entre os déficits neuromotores observa-se a espasticidade, esta interfere no planejamento dos movimentos e no controle da postura. O sistema de controle da postura é primordial para a independência funcional nas atividades de vida diária e, por isso, é um dos principais objetivos a se atingir em programas de reabilitação. Nestes, diversas condutas terapêuticas visam dar estímulos ao indivíduo para que consiga realizar mais eficientemente os movimentos e controlar a postura. E, entre tantas técnicas, está a estimulação elétrica neuromuscular, a qual contribui para diminuição da espasticidade, além de outros benefícios. Quando utilizada para tarefas funcionais é então denominada estimulação elétrica funcional conhecida como Functional Eletrical Stimulation (FES). Tendo em vista a importância do controle da postura nas atividades de vida diária e as contribuições advindas da FES.
OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi de observar a resposta do controle postural em dois indivíduos com hemiparesia por AVE após a aplicação de FES em um curto período de tempo.
MÉTODO: O protocolo experimental contou com quatro fases; A: pré FES; B: Imediatamente após a aplicação da FES; C: 45 minutos após a aplicação da FES; D: 90 minutos após aplicação da FES. Em cada fase o participante posicionava-se sobre uma plataforma de força e realizava por três tentativas a tarefa escolhida, o teste do terceiro dedo ao chão.
RESULTADOS: O software Matlab 7.0 forneceu a variável de Velocidade média do Centro de Pressão no sentido médio-lateral (Vmx) e ântero-posterior (Vmy). Dessa forma, foi possível constatar que mesmo quando os participantes apresentaram uma redução na Vmx e Vmy estas foram menores que 1%.
CONCLUSÃO: Isto possivelmente indique atividade regulatória postural semelhante a etapa pré FES, e, ainda uma menor atividade regulatória postural, quando a Vmx ou Vmy foram maiores que do início, mesmo após a aplicação da FES (90 minutos).

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Postura, Terapia por Estimulação Elétrica

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

10 - A intervenção fisioterapêutica no ambulatório de cuidado a pessoa com síndrome de Down no Instituto de Medicina Física e Reabilitação HC FMUSP

Physiotherapeutic intervention in the outpatient care of persons with Down syndrome at the Institute of Physical Medicine and Rehabilitation at HC FMUSP

Munique Dias de Almeida; Maria Cecilia dos Santos Moreira; Patricia Zen Tempski

Acta Fisiátr.2013;20(1):55-62

A Síndrome de Down (SD) é a cromossosmopatia mais comum do ser humano. Sabe-se que estas pessoas quando estimuladas adequadamente apresentam potencial para uma plena inclusão social. O objetivo deste texto é divulgar o trabalho realizado junto a esta população pelo serviço de Fisioterapia que compõem a equipe multiprofissional do Ambulatório de Cuidado a Pessoa com SD do Instituto de Medicina Física e Reabilitação - HC FMUSP. Tal ambulatório desenvolve atividades terapêuticas com pessoas entre zero e 18 anos de idade. Os trabalhos são realizados em modelos que são subdivididos em: Modelo de Etimulação Global, que atende de zero a três anos cujos os objetivos são voltados a aquisição dos marcos motores, essenciais para o desenvolvimento neuropsicomotor; Modelo de Desenvolvimento Infantil que aborda crianças dos quatro aos onze anos e estão focados no desenvolvimento de habilidades motoras mais avançadas, força, estruturação postural, aprimoramento da motricidade, equilíbrio e propriocepção para otimização da atividade cerebelar e consequente melhora do equilíbrio estático e dinâmico; Modelo Adolescentes Down dos doze aos dezoito anos e Modelo Adulto Down a partir de dezenove anos que visa tratar do reestabelecimento ortopédico e postural, além de fornecer orientações de promoção e prevenção em saúde. O acompanhamento fisioterapêutico é fundamental dentro do ambulatório do cuidado à pessoa com SD pois estimula junto à equipe mustiprofissional e à família, o desenvolvimento motor destas crianças, respeitando o seu tempo e valorizando suas potencialidades, além de atuar como educador em saúde junto á família, com objetivo de prevenção e promoção da saúde da pessoa com SD e seu núcleo familiar.

Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

Número atual: Junho 2013 - Volume 20  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Câncer de pulmão: reabilitação

Lung neoplasms: rehabilitation

Rebeca Boltes Cecatto; Elisangela Marinho Pinto Almeida; Maíra Saul; Christina May Moran de Brito; Rodrigo Guimarães Andrade; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Wanderley Marques Bernardo; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):63-67



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

2 - Distonias: reabilitação

Dystonias: rehabilitation

Tatiane Lopes Teixeira Almeida; Lilian Falkenburg; Maria Angela de Campos Gianni; Maria Inês Paes Lourenção; Maria Inês Nacarato; Tatiana Domingues Pedroso; Thaís Tavares Terranova; Lucas Martins de Exel Nunes; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):68-74



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

3 - Hérnia de disco lombar: tratamento

Lumbar disc herniation: treatment

Lilian Braighi Carvalho, Aline Oyakawa; Renato Silva Martins; Pedro Claudio Gonsales de Castro; Luísa Moares Nunes Ferreira; Julia Santos Assis de Melo; Tays Rodrigues Dilda; Fábio Marcon Alfieri; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Wanderley Marques Bernardo; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):75-82



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

4 - LER-DORT em membros superiores: reabilitação

Cumulative trauma disorders in upper limbs: rehabilitation

Gustavo Fadel; Viviane Duarte Correia; Arlete Camargo de Melo Salimene; Fábio Marcon Alfieri; Marta Imamura; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Wanderley Marques Bernardo; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):83-88



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

5 - Neuropatias - Síndrome de Guillain-Barré: reabilitação

Neuropathies - Guillain-Barré syndrome: rehabilitation

Tatiana Amadeo Tuacek; Gracinda Rodrigues Tsukimoto; Carmen Silvia Figliolia; Maiara Celina de Carvalho Cardoso; Denise Rodrigues Tsukimoto; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):89-95



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

6 - Síndrome do manguito rotador: reabilitação

Rotator cuff syndrome: rehabilitation

Roberto Abi Rached; Danielle Bianchini Rampim; Rafael Hossamu Yamauti; Meyre Sato Azeka; Renata Moraes dos Santos; Beatriz Guidolin; Pericles Tey Otani; Ricardo Bocatto Oliveira; Carolina Pastorin Castineira; Fernanda Martins; Fábio Marcon Alfieri; Sandra Alamino Felix de Moraes; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella; Wanderley Marques Bernardo

Acta Fisiátr.2013;20(2):96-105



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

7 - Ulceras por pressão: tratamento

Pressure ulcer: treatment

Talita Justino dos Santos Rosa; Lisley Keller Liidtke Cintra; Karla Barbosa de Freitas; Priscila Ferreira Dourado Laurindo de Alcântara; Fernando Spacassassi; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Marta Imamura; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):106-111



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

8 - Osteoporose em lesão medular: reabilitação

Osteoporosis in spinal cord injury: rehabilitation

Marta Imamura; Marina da Paz Takami; Sofia Bonna Boschetti Barbosa; Alyne Rangifo da Silva; Carolina Mendes Pinheiro; Leda Maria de Campos Guerra; Chennyfer Dobbins Paes da Rosa; Wanderley Marques Bernardo; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(2):112-117



Palavras-chave: Síndrome de Down, Desenvolvimento Infantil, Destreza Motora, Modalidades de Fisioterapia, Centros de Reabilitação

Número atual: Setembro 2013 - Volume 20  - Número 3

1 - Reequilíbrio tóraco-abdominal em recém-nascidos prematuros: efeitos em parâmetros cardiorrespiratórios, no comportamento, na dor e no desconforto respiratório

Rebalancing thoracoabdominal movements in preterms infants: effects on cardiorespiratory parameters, in behavior, in pain and in the respiratory effort

Kethlen Roberta Roussenq; Janaina Cristina Scalco; George Jung da Rosa; Gesilane Júlia da Silva Honório; Camila Isabel Santos Schivinski

Acta Fisiátr.2013;20(3):118-123

OBJETIVO: Avaliar o efeito de manuseios do método fisioterapêutico de Reequilíbrio Tóraco-Abdominal (RTA) em parâmetros cardiorrespiratórios, em sinais clínicos de esforço respiratório, no comportamento e na dor de recém-nascidos (RN) prematuros com baixo peso internados em unidade de terapia intensiva.
MÉTODO: Ensaio clínico controlado, randomizado com avaliador cego. Os RN foram caracterizados segundo: sexo, idade gestacional (IG), idade gestacional corrigida (IgC), peso, altura, índice de massa corpórea (IMC), tipo de parto, ventilação mecânica (VM), oxigenoterapia (O2) e Apgar. Através de sorteio foram divididos em dois grupos: G1 - grupo controle e G2 - grupo que recebeu RTA. Os RN foram avaliados antes e imediatamente após um dos procedimentos. Foram verificados os parâmetros cardiorrespiratórios de frequência respiratória (FR), frequência cardíaca (FC) e saturação periférica de oxigênio (SpO2), analisado o desconforto respiratório através do Boletim de silvermann-anderson (BSA), a dor através da Neonatal Infant Pain Scale (NIPS) e o comportamento pela escala de Prechtl e Beinteman (EPB). O G1 permaneceu em repouso por 20 minutos e o G2 foi submetido a 20 minutos de intervenção, composta por 4 manuseios da técnica (apoio íleo-costal, apoio tóraco-abdominal, apoio abdominal inferior e apoio toraco-abdominal e abdominal inferior simultaneamente), cada um com 5 minutos de duração. Foram aplicados os testes qui-quadrado, teste de Wilcoxon e de Mann Whitney, para comparação intra e intergrupos, respectivamente. Adotou-se um nível de significância de 5% (p = 0,05).
RESULTADOS: Houve diminuição significativa da FR (54,08 ± 8,34rpm x 49,77 ± 2,82 rpm, p = 0,0277) e do BSA (0,62 ± 0,96 x 0,00 ± 0,60; p = 0,0431) nos RN submetidos ao RTA. Também verificou-se menor pontuação na escala EPB do G2 em comparação ao G1 (1,00 ± 0,00 x 1,54 ± 1,13, com p = 0,0492). As outras variáveis não diferiram entre os grupos.
CONCLUSÃO: Os RN prematuros de baixo peso submetidos aos manuseios do método RTA apresentaram redução da FR e do desconforto respiratório. Não houve prejuízo alteração no comportamento dos neonatos com a aplicação da técnica.

Palavras-chave: Recém-Nascido, Transtornos Respiratórios/reabilitação, Modalidades de Fisioterapia, Terapia Intensiva Neonatal

2 - Avaliação do perfil, satisfação e efetividade do tratamento fisioterapêutico em grupo nos pacientes com osteoartrite de joelho

Evaluation of the profile, satisfaction and effectiveness of group physiotherapy in pacients with knee osteoarthritis

Rafaela Castro Rodrigues; José Carlos Baldocchi Pontin; Sandra Martim Falcon; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(3):124-128

A osteoartrite (OA) é uma doença crônica degenerativa de progressão lenta que mais frequentemente afeta o joelho. Dentre os fatores predisponentes estão envelhecimento, obesidade, lesões ou cirurgias prévias, esforço ocupacional e recreacional cumulativo, mau alinhamento articular e fraqueza muscular. A fisioterapia no tratamento conservador objetiva a melhora da força muscular, amplitude de movimento e estabilidade articular. A fisioterapia em grupo é realizada duas vezes por semana, com exercícios de alongamento e fortalecimento de membros inferiores e treino sensório-motor.
OBJETIVO: Os objetivos deste estudo foram caracterizar perfis socioeconômico e de saúde, distribuição por gênero e idade e melhora da dor e satisfação dos pacientes com OA de joelho que realizaram fisioterapia em grupo entre janeiro de 2005 a julho de 2011.
MÉTODO: Para isso, foram contactados via telefone 45 pacientes com média de 59,1 ± 8,17 anos que permaneceram em tratamento por 246 ± 99 dias, sendo que destes 28,9% eram aposentados, 49% hipertensos, 57,7% tinham dificuldade para subir 1 lance de escada e 80% vinham à fisioterapia de ônibus.
RESULTADOS: Houve uma melhora de dor estatisticamente significativa para os pacientes atendidos nos anos de 2007 (p = 0,006), 2008 (p = 0,001), 2009 (p = 0,003) e 2010 (p = 0,048).
CONCLUSÃO: Por meio da análise de determinantes pessoais e físicos podemos concluir que o tratamento fisioterapêutico em grupo pôde atender satisfatoriamente a população levando a uma melhora de 35,82% da média de dor e, consequentemente à satisfação de 95,6% dos pacientes incluídos nesse estudo.

Palavras-chave: Osteoartrite do Joelho, Fisioterapia, Reabilitação

3 - Um estudo do processo expressivo de afásicos sob enfoque da psicologia junguiana

A study of the aphasics expressive process under the jungian psychological focus

Paola Vieitas Vergueiro; Liliana Liviano Wahba; Adriana Bastos Conforto; Maria Lucia Hage Masini; Simone Freitas Fuso

Acta Fisiátr.2013;20(3):129-137

Este artigo descreve uma pesquisa exploratória em que se aplica técnica expressiva plástica a afásicos de expressão, vítimas de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) no hemisfério esquerdo.
OBJETIVO: Investigar os resultados da intervenção realizando estudos de caso com base no método clínico e análise qualitativa, com enfoque teórico da psicologia junguiana.
MÉTODO: Utiliza testes antes e depois da intervenção, como critério externo: a técnica projetiva HTP -House-Tree-Person, aponta mudanças de personalidade condizentes com as observadas no processo; o teste de percepção emocional International Affective Picture System - IAPS, e seu sistema de registro de respostas Self-Assessment Manikin - SAM, auxilia a lançar hipóteses sobre a transformação emocional dos participantes; o European Brain Injury Questionnaire - EBIQ, fornece substratos para discutir a transformação da visão dos sujeitos sobre seus próprios problemas. Mediante o método do Discurso do Sujeito Coletivo identifica etapas do processo expressivo com conteúdos comuns ao grupo atendido.
RESULTADOS: Os resultados dos estudos de caso, do DSC e dos instrumentos de avaliação revelam que, ao final, os participantes, sem exceção, mostraram-se fortalecidos, mais próximos da sua própria realidade e enriquecidos no contato consigo mesmos e com o mundo externo.
CONCLUSÃO: Os instrumentos de avaliação o confirmam, assinalando o valor terapêutico da técnica proposta e sugerindo que esta forma de intervenção pode ser útil no processo de reabilitação de afásicos.

Palavras-chave: Acidente Vascular Cerebral, Afasia, Terapia pela Arte, Reabilitação, Psicologia

4 - Efeitos da imersão em gelo na força de preensão palmar em adultos jovens

Effects of cold immersion on hand grip in adults

Luana Barbosa; Érika Baptista Gomes; Gustavo de Azevedo Carvalho; Hudson Azevedo Pinheiro

Acta Fisiátr.2013;20(3):138-141

OBJETIVO: Avaliar os efeitos da imersão em gelo por 30 segundos na força de preensão palmar (FPP) em acadêmicos do curso de fisioterapia.
MÉTODO: Foi realizado um estudo transversal e a amostra foi por conveniência realizada com 30 sujeitos adultos, sendo 15 homens e 15 mulheres, onde foi avaliada a FPP por meio de um dinamômetro em três momentos distintos: pré-imersão, imediatamente após a imersão e uma hora após a imersão em gelo. A imersão foi feita em um balde com capacidade de 30 litros, com temperatura controlada de até 5o C, sendo o membro superior imerso até a linha interarticular de cotovelo por 20 segundos.
RESULTADOS: Observou-se alterações altamente significativas entre a pré imersão e imediatamente após a imersão em gelo em ambos os grupos, masculino e feminino (p < 0,01) e, mesmo após uma hora, ainda observou-se diferenças significativas na FPP.
CONCLUSÃO: A imersão em gelo durante 30 segundos a uma temperatura de até 5 ºC diminuiu de forma significativa a FPP.

Palavras-chave: Crioterapia, Força da Mão, Estudos de Intervenção

ARTIGO DE REVISÃO

5 - Benefícios da marcha com assistência robótica na lesão medular: uma revisão sistemática

Benefits of robotic-assisted gait in spinal cord injury: a systematic review

Francine Bertolais do Valle Souza; Pedro Cláudio Gonsales de Castro; Denise Vianna Machado Ayres; Maria Cecilia dos Santos Moreira; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2013;20(3):142-146

OBJETIVO: Avaliar a qualidade atual de evidências quanto à eficácia da marcha robótica com suspensão de peso corporal em indivíduos com lesão medular, com ênfase no desempenho da marcha.
MÉTODO: O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases de dados PubMed, LILACS e EMBASE referentes às publicações de ensaios clínicos dos últimos doze anos (2000-2012), utilizando-se a relação entre as palavras chave Spinal cord injury AND (gait OR walking OR deambulation) reahbilitation AND robotic AND (lokomat OR ReoAmbulator OR Formador Gait).
RESULTADOS: Dos oito estudos selecionados, apenas um não observou melhora no padrão de desempenho da marcha. Dos estudos que encontraram melhora, 6 encontraram melhora estatisticamente significativa e um não encontraram nenhuma diferença significativa, apesar de uma tendência de melhora ter sido observada. As conclusões destes estudos foram obtidas por meio de ferramentas de avaliação como o teste de caminhada de 6 minutos e de 10 metros, MIF (medida de independência funcional, WISCI II (Índice de caminhada de Lesão Medular), entre outros. Alguns estudos apontam uma diminuição na necessidade de órteses e dispositivos auxiliares nesse grupo. Quanto à qualidade metodológica, seis artigos apresentaram escores inferiores a 3 pontos e apenas um artigo teve a pontuação máxima de 5 na escala JADAD (baixa qualidade pontuação inferior a 3) Implicação/Impacto na reabilitação.
CONCLUSÃO: Apesar da pequena quantidade de artigos encontrados, da baixa qualidade metodológica e o fato desta ser uma intervenção nova e de alto custo, os resultados são significativos quando comparados com a terapia física convencional e outras técnicas bem estabelecidas na fisioterapia.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Marcha, Robótica, Reabilitação

6 - Toxina Botulínica Tipo A para o tratamento da Sialorréia: revisão sistemática

Botulinum Toxin A to sialorrhea treatment: a systematic review

Maria Matilde de Mello Sposito; Stephanie Alderete Feres Teixeira

Acta Fisiátr.2013;20(3):147-151

OBJETIVO: Sistematizar as evidências científicas sobre a eficácia da toxina botulínica tipo A no tratamento da sialorréia.
MÉTODO: A busca bibliográfica foi realizada através de uma pesquisa nas bases de dados PubMed Central Journals e Allergan Product Literature - botulinum toxin (APL) compreendendo o período dos últimos 10 anos, com os descritores: "sialorrhea", "botulinum toxin", "treatment", "hypersalivation", "drooling". A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada pela Escala de Jadad.
RESULADOS: Foram selecionados quatro estudos do tipo ensaio clínico randomizado duplo-cego. Os estudos selecionados mostram que as aplicações de toxina botulínica podem diminuir a sialorréia e suas consequências de forma satisfatória no que diz respeito à eficácia, além de não provocar efeitos adversos importantes. Assim, o tratamento com toxina botulínica tipo A pode apresentar-se como uma opção terapêutica possível para pacientes com sialorréia.
CONCLUSÃO: Há necessidade de maior número de estudos, que sigam critérios de qualidade, para se chegar a uma conclusão definitiva quanto a eficácia e segurança deste procedimento em pacientes com sialorréia.

Palavras-chave: Toxinas Botulínicas Tipo A, Sialorréia, Reabilitação

7 - Suplementação de creatina como potencial agente terapêutico na reabilitação da doença arterial obstrutiva periférica

Creatine supplementation as a potential therapeutic aid in peripheral arterial obstructive disease rehabilitation

Lucas Caseri Câmara; Erika Magalhães Suzigan; Marcelo Andrade Starling

Acta Fisiátr.2013;20(3):152-156

Suplementação de Creatina (Cr) têm sido utilizada de forma segura e eficaz em diversas condições de saúde e doença, incluindo fraqueza, atrofia e distúrbios metabólicos musculares. Na Doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), a isquemia crônica promove atrofia, denervação e prejuízos metabólicos musculares, reduzindo a força e resistência, prejudicando a aptidão física geral. Tomando em conjunto, os benefícios conhecidos da suplementação de Cr e a apresentação clínica da DAOP, apresentam a suplementação de Cr como potencial agente terapêutico a ser considerado.
OBJETIVO: Realizar uma revisão sistemática da literatura científica procurando por estudos envolvendo a suplementação de Cr em portadores de DAOP, publicados nos últimos dez anos.
MÉTODO: Uma pesquisa por artigos escritos em português e inglês no período descrito, incluindo o cruzamento de termos relacionados a DAOP e a suplementação de Cr foi realizada no PubMed, SciELO, e LILACS.
RESULTADOS: Um único estudo avaliou a influência da suplementação de Cr na amostra desejada (DAOP), descrevendo efeitos positivos na distância de caminhada e em propriedades sanguíneas. Devido à escassez de dados sobre o tema, o potencial uso da Cr na DAOP incluindo considerações metabólicas, funcionais e estruturais foi discutido.
CONCLUSÃO: Apesar das apresentadas considerações para a utilização da Cr como potencial agente terapêutico na DAOP, apenas um estudo prévio verificou benefícios. Assim ainda há uma grande lacuna na literatura científica, deixando campo aberto para futuros estudos na procura de possíveis benefícios no combate a perda funcional, prejuízo da estrutura e metabolismo muscular de indivíduos doentes.

Palavras-chave: Creatina, Doença Arterial Obstrutiva Periférica/reabilitação, Claudicação Intermitente

8 - Efetividade e segurança do ultrassom terapêutico nas afecções musculoesqueléticas: overview de revisões sistemáticas Cochrane

Effectiveness and safety of therapeutic ultrasound in musculoskeletal disorders: overview of Cochrane systematic reviews

Ana Paula Bezerra Leite; José Carlos Baldocchi Pontin; Ana Luiza Cabrera Martimbianco; Gisele Landim Lahoz; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(3):157-160

O Ultrassom terapêutico (UST) é um recurso frequentemente utilizado na prática clinica do fisioterapeuta. Entretanto, não há consenso na literatura em relação à efetividade desse recurso.
OBJETIVO: Os objetivos do presente estudo foram verificar e sintetizar as informações contidas nas revisões sistemáticas Cochrane relacionadas ao tratamento das afecções musculoesqueléticas com o UST.
MÉTODO: Foi realizada uma busca na base de dados "Cochrane Library" e selecionadas as revisões sistemáticas que abordavam o UST como modalidade de tratamento.
RESULTADOS: Foram incluídas seis revisões sistemáticas Cochrane que analisaram a efetividade do UST em diferentes afecções musculoesqueléticas demonstrando redução significativa da dor apenas na osteartrite de joelho; não há relatos de eventos adversos decorrentes do UST em todas as revisões incluídas, sendo considerado um tratamento seguro.
CONCLUSÃO: Os resultados apresentados nesse estudo devem ser analisados com cautela, pois a baixa qualidade metodológica e a heterogeneidade dos ensaios clínicos randomizados (ECRs) incluídos nas revisões sistemáticas são fatores limitantes para a confiabilidade dos dados apresentados.

Palavras-chave: Terapia por Ultrassom, Modalidades de Fisioterapia, Doenças Musculoesqueléticas, Literatura de Revisão como Assunto

RELATO DE CASO

9 - Tratamento intensivo do linfedema, pós-tratamento de câncer de mama, em pacientes com lesão neurológica

Intensive treatment of breast cancer-related lymphedema in patients with neurological injuries

Maria de Fatima Guerreiro Godoy; Daniel Libanori; Renata Lopes Pinto; Jose Maria Pereira de Godoy

Acta Fisiátr.2013;20(3):161-163

O objetivo do presente estudo é relatar o tratamento intensivo do linfedema, após câncer de mama, em paciente com perda da força muscular do membro. Relata-se o caso de uma paciente de 51 anos de idade, que evoluiu com linfedema pós-tratamento do câncer de mama, com mastectomia + esvaziamento axilar + quimioterapia e radioterapia. Após procurar a Clínica Godoy para tratamento em agosto de 2012, foi avaliada com a bioimpedância e volumetria inicial e diária. Realizou tratamento intensivo durante três dias consecutivos, por um período de 6 horas, com Terapia Linfática Manual, Terapia Linfática Mecânica (RA Godoy®) e uso de braçadeira de gorgorão, sendo feitos ajustes diários. Na avaliação inicial, apresentava dor de intensidade 10 (Escala de Dor), parestesia em todo o braço e uma diferença de volume total do edema de 577g em relação ao membro contra-lateral. No primeiro dia de tratamento obteve redução da parestesia com o uso da braçadeira de gorgorão e Terapia Linfática Mecânica; no segundo dia, a dor havia diminuído para a intensidade sete (Escala de Dor); no terceiro dia, a dor diminuiu para intensidade cinco (Escala de Dor) e a diferença de volume total do edema passou a ser de 193g. A paciente retornou para sua casa mantendo as mesmas recomendações e tratamento propostos na clínica. O acompanhamento é feito com avaliações de rotina e orientações sobre a importância do uso da braçadeira de gorgorão e drenagem linfática mecânica.

Palavras-chave: Neoplasias da Mama, Linfedema, Reabilitação, Resultado de Tratamento

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

10 - Etapas da elaboração do Instrumento de Classificação do Grau de Funcionalidade de Pessoas com Deficiência para Cidadãos Brasileiros: Índice de Funcionalidade Brasileiro - IF-Br

Development of a grading instrument of functioning for Brazilian citizens: Brazilian Functioning Index - IF-Br

Ana Cristina Franzoi; Denise Rodrigues Xerez; Maurício Blanco; Tatiana Amaral; Antonio José Costa; Patricia Khan; Shirley Rodrigues Maia; Carolina Magalhães; Izabel Loureiro Maior; Miryan Bonadiu Pelosi; Normélia Quinto dos Santos; Manuel Thedim; Lailah Vasconcelos de Oliveira Vilela; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2013;20(3):164-170

Os sistemas usados no Brasil para definir a incapacidade variam de acordo com o setor. A partir de uma recomendação da Presidência da República, uma força-tarefa interministerial foi organizada em janeiro de 2011 para desenvolver um modelo único de avaliação e classificação da incapacidade a ser usado em todo o país. O grupo de trabalho partiu de uma avaliação ampla de informações biodemográficas das pessoas com deficiência no Brasil obtidas a partir de fontes como o censo populacional, censo escolar, relação anual de informações sociais e pesquisa de informações básicas municipais, bem como grupos focais realizados com representantes de vários estados da federação, diferentes deficiências e faixas etárias. Por meio de reuniões mensais num período de 8 meses, foi escolhido o modelo conceitual da Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Saúde como base teórica e partir do qual foram selecionadas as 41 atividades e fatores ambientais que deveriam ser contemplados no em cada uma delas. A pontuação de cada atividade foi definida numa escala de 25 a 100, de acordo com o nível de independência. Ajustes para crianças foram realizados comparando o instrumento ao desenvolvimento esperado para cada faixa etária de acordo com a descrição presente em outros instrumentos. Além da avaliação quantitativa do grau de incapacidade, foi desenvolvida uma avaliação qualitativa seguindo a lógica fuzzy, específica para as deficiências visual, motora, auditiva e intelectual. A definição de notas de corte não foi efetuada e exige estudos futuros.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Políticas Públicas de Saúde, Pessoas com Deficiência, Ambiente, Questionários, Brasil

Número atual: Dezembro 2013 - Volume 20  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Retorno ao trabalho de pacientes com amputação traumática de membros inferiores

Return to work in traumatic lower limb amputees patients

Márcia Cristina Matos Macêdo; Therezinha Rosane Chamlian; Caio Augusto Pereira Leal; Mariana Matteis Martins Bonilha; Flávia Rezende

Acta Fisiátr.2013;20(4):179-182

O paciente com amputação traumática é, em geral, aquele com pouca ou nenhuma comorbidade e está no auge da vida produtiva. Mesmo em condições de reabilitação adequada, diversos autores têm citado dificuldade no processo de retorno à atividade laborativa, e a sua relação com outros determinantes além da aptidão física.
OBJETIVO: Avaliamos o índice de retorno ao trabalho após reabilitação de pacientes atendidos no Lar Escolar São Francisco de Jan/2007 a Dez/2010 com amputação traumática de membros inferiores.
MÉTODO: Foram pesquisados os fatores sociais e econômicos possivelmente relacionados a esse desfecho. A amostra final foi de 13 pacientes, todos com amputação unilateral, com uso regular da prótese. Dois eram do sexo feminino. Nove (69%) retornaram ao trabalho. Outras seqüelas consideráveis estavam presentes em 23% dos pacientes - lesão de plexo braquial e dor fantasma - e se mostrou o fator isolado mais importante para o não retorno ao trabalho.
RESULTADOS: Não encontramos relação importante entre retorno ao trabalho e fatores como recebimento de benefício previdenciário, idade ou amputação por acidente de trabalho.
CONCLUSÃO: Há dados ainda inconclusivos que justificam a realização de novos estudos sobre a relação independente entre os diversos fatores mencionados e o retorno ao trabalho de pacientes amputados.

Palavras-chave: Amputados, Extremidade Inferior, Reabilitação, Readaptação ao Emprego

2 - Análise dos índices de reabilitação para o trabalho nos pacientes amputados na região sul de Santa Catarina no ano de 2011

Analysis of indices for rehabilitation work in amputees in the southern region of Santa Catarina of the year 2011

Davi Francisco Machado; Marcelo Emilio Beirão

Acta Fisiátr.2013;20(4):183-186

As amputações geram um importante impacto socioeconômico, com perda da capacidade laboral, de socialização e, consequentemente, da qualidade de vida, associando-se à alta morbidade, incapacidade e mortalidade. Dentre as suas etiologias, as secundárias ao trauma representam uma importante fonte de incapacidade e limitação funcional entre adolescentes e adultos jovens. Os objetivos finais da amputação costumam ser a otimização funcional do paciente e a redução do nível de morbidade. Neste momento, o retorno ao trabalho precisa ser francamente incentivado, pois proporciona bem estar, melhora da autoestima e do convívio social, além de dar mais um sentido a vida destes indivíduos.
OBJETIVO: Conhecer o índice de reabilitação para o trabalho nos pacientes amputados acompanhados pelo Instituto Nacional de Seguro Social na Região Sul de Santa Catarina, no ano de 2011, avaliando o índice de retorno ao mercado de trabalho, além de verificar o acesso às próteses disponibilizadas pelo INSS, as principais etiologias das amputações, o sexo e a faixa etária mais comuns.
MÉTODO: Este estudo foi realizado através da análise dos dados obtidos por prontuários do INSS - Unidade de Criciúma (SC), de pacientes atendidos neste local no ano de 2011.
RESULTADOS: A amostra foi composta por 83 cadastros, 74 homens e 9 mulheres, com média de idade de 37,27 anos. Nos prontuários disponíveis, 87,3% apresentavam trauma como etiologia da amputação, 54,3% retiraram o membro esquerdo e 90,4% os membros inferiores. Sessenta pacientes (72,3%) receberam a prótese, porém somente 62,7% adaptaram-se a ela e usaram-na. Treze prontuários (15,7%) relatavam dor fantasma. O retorno ao trabalho foi visualizado em 78% dos casos. Não houve relevância estatística na análise da reinserção trabalhista de acordo com cada variável estudada.
CONCLUSÃO: Encontramos uma taxa satisfatória de retorno ao trabalho, ato que pode ser atribuído à eficácia do Serviço de Reabilitação do INSS. Outros estudos podem ser realizados para avaliarem o tempo entre a cirurgia e o recebimento da prótese e para analisarem o retorno à atividade profissional anterior ao procedimento. Maiores amostras são necessárias para inferir quais as variáveis mais envolvidas ao retorno ao trabalho.

Palavras-chave: Amputação, Aparelhos Ortopédicos, Reabilitação, Retorno ao Trabalho

3 - Validação e reprodutibilidade da versão em Português da Lower Limb Amputee Measurement Scale

Validation and reliability of the Lower Limb Amputee Measurement Scale in Portuguese

Beatriz Sernajoto Cristiani; Juliana Mantovani de Resende; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(4):187-193

A LLAMS é uma escala criada em 2007 com o objetivo de prever o tempo de permanência hospitalar de amputados de membros inferiores; é constituída de 6 domínios (médico, cognitivo, social, físico, atividades de vida diária e outros) e a versão em português da LLAMS foi criada em 2008.
OBJETIVO: Validar a versão em português da LLAMS e avaliar sua reprodutibilidade inter e intra-avaliador.
MÉTODO: A LLAMS foi aplicada em 50 amputados de membro inferior atendidos no Lar Escola São Francisco. A reprodutibilidade foi analisada por duas avaliadoras que efetuaram 3 entrevistas utilizando a LLAMS. As duas primeiras entrevistas foram realizadas no mesmo dia, sendo que a primeira entrevista foi realizada pela primeira avaliadora e a segunda entrevista foi realizada pela segunda avaliadora. Entre 7-15 dias depois, a primeira avaliadora reaplicou a LLAMS nos pacientes pela terceira vez. Além disso, foi verificada a correlação da LLAMS.
RESULTADOS: Na reprodutibilidade intra-avaliador, os domínios Médico e Social obtiveram concordância ótima; já os domínios Cognitivo, Físico, Outros e o Total da escala obtiveram concordância substancial. Na avaliação inter-avaliador, o domínio Médico obteve concordância ótima e os domínios Cognitivo, Outros e o Total da escala obtiveram concordância substancial. Na correlação entre as escalas, o domínio Cognitivo da LLAMS apresentou significante correlação com o item comunicação da MIF (p = 0,0045); após regressão linear foi observada relação inversamente proporcional entre esses itens. Os demais domínios das escalas não apresentaram correlação com a MIF e o SF-36.
CONCLUSÃO: Foi realizada a validação da versão em português da Lower Limb Amputee Measurement Scale. Todos os domínios apresentaram reprodutibilidade de moderada a ótima, com exceção do domínio AVD que obteve mínima concordância na avaliação inter-avaliador. O domínio cognitivo da LLAMS apresentou correlação inversamente proporcional com o item Comunicação da MIF. Não houve correlação entre o SF-36 e a LLAMS.

Palavras-chave: Amputados, Escalas, Estudos de Validação, Reabilitação

4 -  Avaliação pré e pós protética da circumetria dos cotos de amputados transtibiais

Pre-and post prosthetic transtibial stump circumference

Adriane Daolio Matsumura; Juliana Mantovani de Resende; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(4):194-199

O edema no coto é umas das complicações mais comuns após uma amputação e pode ser reduzido com o enfaixamento elástico, sendo controlado por medidas da circumetria, utilizando-se fita métrica. A protetização precoce e a prevenção de contraturas são prioridades na reabilitação.
OBJETIVO: Avaliar as medidas da circumetria do coto de amputados transtibiais, após o período pré-protetização e pós-protetização.
MÉTODO: Foram incluídos sete pacientes amputados transtibiais, com média de idade de 54 anos. Foram consideradas três medidas da circumetria: medida 1 (durante a avaliação da Fisiatria), medida 2 (no 1º dia com prótese - período pré-protetização) e medida 3 (após 12 semanas de uso de prótese - período Pós-Protetização).
RESULTADOS: Os dados mostraram a variação das medidas da circumetria dos cotos dos pacientes, tanto no período pré-protetização, como no pós-protetização.
CONCLUSÃO: O período pré-protetização, com o uso de enfaixamento elástico e realização de exercícios, assim como o pós-protetização, com o treino de marcha com prótese, são capazes de alterar a circumetria do coto. Sugere-se a confecção de uma prótese provisória até a estabilização das medidas do coto para posteriormente confeccionar a prótese definitiva.

Palavras-chave: Amputação, Cotos de Amputação, Membros Artificiais, Extremidade Inferior

5 - Análise funcional e prognóstico de marcha no paciente amputado de extremidade inferior

Functional outcome and gait prognosis on the lower limb amputee

Therezinha Rosane Chamlian; Miriam Weintraub; Juliana Mantovani de Resende

Acta Fisiátr.2013;20(4):200-206

A amputação da extremidade inferior pode afetar a condição física, psíquica e social de um indivíduo. A reabilitação pré e pós protetização é importante para melhorar a funcionalidade e habilidade de deambulação. Os pacientes devem ser avaliados de forma precisa e para isso existem instrumentos específicos como a Amputee Mobility Predictor (AMP), que é uma escala de fácil aplicação cuja função seria predizer o prognóstico funcional dos pacientes.
OBJETIVO: Avaliar o valor preditivo dos resultados da escala AMP em pacientes submetidos à amputação unilateral da extremidade inferior, que realizaram o tratamento de reabilitação no Lar Escola São Francisco - Centro de Reabilitação entre 2007 e 2010.
MÉTODO: Foi realizado um estudo longitudinal prospectivo, com a aplicação da AMP em 73 pacientes com amputação unilateral transtibial ou transfemoral antes do programa de reabilitação. Vinte e dois pacientes foram reavaliados após receberem alta da reabilitação. Os dados encontrados foram tabulados e submetidos à análise estatística; nível de significância adotado foi de p < 0,05.
RESULTADOS: Houve aumento significativo da pontuação da avaliação inicial e da avaliação final da AMP, tanto no grupo transtibial como no grupo transfemoral. Não houve diferença entre os grupos quanto ao intervalo entre a amputação e o início do tratamento, nem ao tempo de reabilitação. Encontrou-se correlação entre o aumento da idade dos pacientes com menor pontuação da AMP ao final da reabilitação.
CONCLUSÃO: A escala AMP não foi preditiva em relação à funcionalidade e ao prognóstico de marcha dos pacientes amputados unilateralmente da extremidade inferior que realizaram a reabilitação no Lar Escola São Francisco - Centro de Reabilitação entre 2007 e 2010.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Marcha, Reabilitação

6 - Avaliação do padrão postural e marcha de pacientes amputados vasculares transtibiais protetizados

Postural pattern evaluation and gait of unilateral transtibial dysvascular amputees with prosthesis

Therezinha Rosane Chamlian; Pedro Giaffredo Angrisani; Juliana Mantovani de Resende; Melissa Leandro Celestino; Karina Gramani Say; Ana Maria Forti Barela

Acta Fisiátr.2013;20(4):207-212

OBJETIVO: Avaliar o padrão postural e a marcha de pacientes amputados transtibiais unilaterais, de etiologia vascular que realizaram o processo de protetização e reabilitação no setor de Fisioterapia do Lar Escola São Francisco - Centro de Reabilitação.
MÉTODO: Trata-se de um estudo Observacional Prospectivo Transversal. Participaram do estudo oito sujeitos com média de idade de 60, 4 anos, submetidos à amputação transtibial unilateral até 5 anos da data da análise, por etiologia vascular e que concluíram o processo de protetização com alta da reabilitação até 24 meses. Foi avaliado o padrão postural com o paciente em ortostatismo, sobre uma plataforma de força com os olhos abertos e olhos fechados alternadamente, e também foi avaliada a marcha em uma passarela de 6 metros utilizando uma plataforma de força nivelada e escondida no meio da passarela. Foram colocados marcadores reflexivos no quinto metatarso, maléolo lateral, côndilo lateral do fêmur e trocânter maior, pois duas filmadoras foram dispostas lateralmente para a obtenção das imagens e sendo sincronizadas com a plataforma de força.
RESULTADOS: Os dados achados para controle postural em amplitude média de oscilação MANOVA revelaram diferença na visão (olhos abertos e olhos fechados) para direções ântero-posterior (F1,7 = 13.223 p < 0,05) e médio-lateral (F1,7 = 7.872 p < 0,05). Na análise de marcha, a velocidade média foi de 0,72 (m/s) ± 0,18, e não foram achadas diferenças significativas na comparação entre os dois membros nos dados analisados.
CONCLUSÃO: O estudo demonstrou aumento significativo da oscilação em ortostatismo dos indivíduos com os olhos fechados em comparação com olhos abertos. Parâmetros da marcha não tiveram diferença significativa entre o membro protético e o não protético.

Palavras-chave: Marcha, Amputados, Postura, Avaliação

7 - Tradução e adaptação cultural da escala "Lower Limb extremity Amputee Measurement Scale" para a língua portuguesa

Translation and cultural adaptation of the scale "Lower Limb extremity Amputee Measurement Scale" into Portuguese

Ana Maria Vieira Gardin; Juliana Mantovani de Resende; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2013;20(4):213-218

OBJETIVO: Traduzir a versão original da escala Lower Limb extremity AmputeeMeasurement Scale (LLAMS) da língua inglesa para a portuguesa; verificar o nível de compreensão da escala entre os profissionais da saúde e construir uma versão adaptada culturalmente aos profissionais da população brasileira.
MÉTODO: Foram realizadas duas traduções da escala original americana para o português, e a tradução consensual foi convertida em duas novas versões para a língua inglesa. Estas duas versões foram comparadas com a versão original do instrumento americano e novamente as divergências foram analisadas e modificadas para um consenso com a versão original. Obteve-se uma versão brasileira da LLAMS modificada que foi avaliada em relação à sua equivalência cultural e conteúdo. A versão brasileira da LLAMS foi aplicada em profissionais da área da saúde (n = 20) para avaliação do nível de compreensão de cada sentença.
RESULTADOS: Na primeira aplicação, obteve-se 35% de não compreensão no item "data clínica," e este item foi substituído por "data da consulta médica". A escala foi então reaplicada, obtendo-se 100% de compreensão.
CONCLUSÃO: Foi realizada a tradução e a adaptação cultural da versão original do LLAMS da língua inglesa para a portuguesa e quantificou-se o nível de compreensão dos profissionais, obtendo-se 100% de compreensão dos itens após duas aplicações. Com isso, construiu-se uma versão adaptada culturalmente aos profissionais e pacientes da população brasileira.

Palavras-chave: Escalas, Avaliação, Amputados, Reabilitação

8 - Perfil epidemiológico dos pacientes amputados de membros inferiores atendidos no Lar Escola São Francisco entre 2006 e 2012

Epidemiological profile of lower limb amputees patients assisted at the Lar Escola São Francisco between 2006 and 2012

Therezinha Rosane Chamlian; Renata dos Ramos Varanda; Caio Leal Pereira; Juliana Mantovani de Resende; Cecília Caruggi de Faria

Acta Fisiátr.2013;20(4):219-223

OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico dos pacientes amputados de membros inferiores atendidos no Lar Escola São Francisco de 2006 a 2012.
MÉTODO: A coleta de dados foi realizada de modo retrospectivo com 474 prontuários selecionados para verificar: gênero, idade, etnia, etiologia e nível de amputação, doenças associadas, intervalos de tempo entre a amputação e avaliação inicial e entre a avaliação inicial e a alta, presença de dor fantasma, uso de dispositivo auxiliar para marcha ou locomoção e independência em AVD. Os dados foram analisados descritivamente (porcentagem e média) e foi utilizado o teste do qui-quadrado, com p < 0,05, como teste de diferença de proporção para etnia e etiologia.
RESULTADOS: Trezentos e trinta e nove pacientes (72%) eram homens com média de idade de 56,2 anos; os níveis de amputação foram 43% transfemoral e 44% transtibial; a etiologia da amputação foi vascular em 341 pacientes (72%) sendo 73% em caucasianos; hipertensão arterial sistêmica e diabetes melitus foram as doenças associadas mais prevalentes; 267 pacientes (56%) foram protetizados, 100 pacientes (21%) abandonaram o tratamento.
CONCLUSÃO: A população de amputados atendida no Lar Escola São Francisco no período estudado é composta, em sua maioria, por pacientes do gênero masculino, na quinta década da vida, com amputação de origem vascular nos níveis transfemoral e transtibial. Pouco mais da metade é protetizado, o índice de abandono do tratamento é elevado e o intervalo de tempo para reabilitação ainda é longo.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Centros de Reabilitação

9 - Ansiedade, depressão e desesperança em pacientes amputados de membros inferiores

Anxiety, depression and hopelessness in lower limb amputees patients

Stephanie Di Martino Sabino; Richelle Maitê Torquato; Adriana Cristina Guimarães Pardini

Acta Fisiátr.2013;20(4):224-228

Amputação consiste na retirada de um membro, total ou parcialmente, por cirurgia ou trauma. A causa mais frequente de amputações é vascular (75% em membros inferiores), seguida por traumas (20%) e tumores (5%). Após a amputação, o paciente geralmente passa por uma série de reações emocionais. Dentre as mais comuns, pacientes amputados podem apresentar quadros de ansiedade, depressão e desesperança.
OBJETIVO: Verificar a incidência de Ansiedade, Depressão e Desesperança em pacientes com amputação de membros inferiores que chegaram ao Centro de Reabilitação.
MÉTODO: Participaram desta pesquisa 31 pacientes no período de maio a agosto de 2011. Os pacientes foram submetidos à realização de um questionário de caracterização da amostra e as escalas Beck de Ansiedade, Depressão e Desesperança.
RESULTADOS: Os pacientes que tinham companheiro apresentaram menores níveis de Ansiedade e Desesperança e os pacientes que saíam semanalmente apresentaram menores pontuações na escala de depressão.
CONCLUSÃO: Os pacientes com amputação de membros inferiores apresentaram boas estratégias de enfrentamento ou estão em processo de negação de sua condição atual, ou ainda aliviados pela melhora do quadro álgico.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Ansiedade, Depressão

ARTIGO DE REVISÃO

10 - Avaliação da qualidade de vida e função em amputados bilaterais de membros inferiores: revisão da literatura

Assessment of quality of life and function in bilateral lower limb amputees: literature review

Therezinha Rosane Chamlian; Marcelo Starling

Acta Fisiátr.2013;20(4):229-233

Amputação de membros inferiores é uma condição de saúde crônica comum e importante causa de incapacidade em longo prazo. Independentemente da causa, a amputação traz uma dramática mudança funcional, prejudicando muitos aspectos da vida diária e conseqüentemente da qualidade de vida (QV).
OBJETIVO: Este estudo tem como objetivo revisar os artigos publicados sobre pacientes com amputação bilateral dos membros inferiores e identificar os instrumentos utilizados para avaliar qualidade de vida e função.
MÉTODO: Foi realizada busca de artigos científicos em bases de dados eletrônicas (MedLine, PubMed e LILACS) e por meio de busca não eletrônica, a partir das referências dos artigos selecionados, sem restrição do ano de publicação, nos idiomas português, inglês, francês e espanhol.
RESULTADOS: Foram incluídos 29 estudos.
CONCLUSÃO: Não foi encontrada uma classificação clínica específica globalmente aceita para esta população, e poucos questionários podem ser aplicados a todas as culturas para permitir ao profissional de saúde comparar e compartilhar o desfecho de pessoas com amputação bilateral de membros inferiores.

Palavras-chave: Amputação, Extremidade Inferior, Marcha, Qualidade de Vida

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