ISSN 0104-7795 Versão Impressa
ISSN 2317-0190 Versão Online

Logo do Instituto de Medicina Física e Reabilitação HC FMUSP

Número atual: Março 2011 - Volume 18  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Impacto da correção cirúrgica dos membros inferiores na qualidade de vida de pacientes com a doença de Charcot-Marie-Tooth

Impact of surgical lower limb procedures on Charcot-Marie-Tooth patients' quality of life

Maria Lucia Goffi Costacurta; Pedro Paulo Camargo de Sousa; Alexandre Zuccon; Mauro César de Morais Filho; Fernanda Moraes Rocco; Alexandra Passos Gaspar

Acta Fisiátr.2011;18(1):1-5

Há poucos estudos sobre a reabilitação de pacientes com a doença de Charcot Marie. Estes pacientes apresentam sintomas da doença precocemente e têm sobrevida longa o que determina alterações biomecânicas que afetam a qualidade de vida dos mesmos e por esta razão o estudo de possíveis tratamentos para estes pacientes são de grande importância. A intervenção cirúrgica das extremidades inferiores é uma destas possibilidades. Apesar de não haver conclusões ainda sobre qual a técnica cirúrgica e se a mesma é o melhor tratamento, a mesma é realizada para melhorar a qualidade de marcha e qualidade de vida destes pacientes. O estudo tem então o objetivo de avaliar o impacto do procedimento cirúrgico na qualidade de vida dos pacientes com doença de Charcot Marie Tooth. Foram avaliados 9 pacientes antes e após procedimento cirúrgico através de análise do laboratório de marcha, questionário MFM e SF 36. Houve diferença significativa nas avaliações pré e pós operatórias no MFM e SF36. Neste estudo, a cirurgia corretiva de membros inferiores mostrou ter um impacto positivo na qualidade de vida dos pacientes com a doença de CMT, principalmente através da melhora do desempenho motor e da dor.

Palavras-chave: Extremidade Inferior/cirurgia, Dor, Marcha, Qualidade de Vida, Doença de Charcot-Marie-Tooth

2 - Impacto da mielopatia associada ao HTLV/paraparesia espástica tropical (TSP/HAM) nas atividades de vida diária (AVD) em pacientes infectados pelo HTLV-1

Impact of HTLV-associated myelopathy/T tropical spastic paraparesis (HAM/TSP) on activities of daily living (ADL) in HTLV-1 infected patients

Isa de Jesus Coutinho; Bernardo Galvão-Castro; Juliana Lima; Camila Castello; Diego Eiter; Maria Fernanda Rios Grassi

Acta Fisiátr.2011;18(1):6-10

OBJETIVO: Descrever o desempenho nas atividades de vida diária (AVD) em pacientes infectados pelo HTLV-1 com TSP/HAM e medir o impacto da doença sobre a qualidade de vida dos pacientes.
MÉTODO: Trata-se de um estudo descritivo, de corte transversal. Um total de setenta e três pacientes com TSP/HAM acompanhados no Centro de HTLV da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública, Salvador, Bahia, Brasil foram selecionados. O índice de independência funcional foi calculada usando o Health Assessment Questionnaire (HAQ). A qualidade de vida foi avaliada incluindo a capacidade funcional, dor e aspecto físico, utilizando do Short-Form Health Survey (SF-36).
RESULTADOS: Um total de setenta e três pacientes com TSP/HAM foram avaliados: a idade média foi de 48,9 ± 11,4 anos, e 57 (78,1%) eram mulheres. A duração da doença TSP/HAM foi de 10 a 37 anos em 50,7% dos pacientes. Trinta e seis pacientes (49,3%) necessitavam de ajuda de suportes para andar. As pontuações mais baixas no desempenho das AVD foram observadas entre as mulheres e se referiam à locomoção e à mobilidade / (98,2%), ao vestuário (73,7%) e ao autocuidado (57,9%). O escore de qualidade de vida para o aspecto físico foi 24,2 e o da capacidade funcional foi 27,1. A média de dor foi 41,7.
CONCLUSÃO: A TSP/HAM afeta negativamente a qualidade de vida e o desempenho nas AVD dos pacientes. Dispositivos de tecnologia assistiva devem ser usados para melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida desses pacientes.

Palavras-chave: Paraparesia Espástica Tropical, Virus Linfotrópico de Células T Humanas Tipo 1, Atividades Cotidianas, Qualidade de Vida

3 - O efeito da rizotomia dorsal seletiva no quadro clínico e nos cuidados diários de crianças com paralisia cerebral espástica

Effect of the selective dorsal rhizotomy on the clinical presentation and daily care of children with spastic cerebral palsy

Renata Viana Brígido de Moura Jucá; Carlos Eduardo Barros Jucá; Carla Andrea Tanuri Caldas; Enrico Salomão Ioriatti; Cyntia Rogean de Jesus Alves de Baptista; Hélio Rubens Machado

Acta Fisiátr.2011;18(1):11-15

A Paralisia Cerebral (PC) acomete 4 a cada 1000 crianças no mundo, representando uma grave problema para o sistema de saúde. Essa entidade nosológica, caracterizada por déficit motor instalado durante o desenvolvimento cerebral, pode acarretar a condição clínica denominada espasticidade, uma hipertonia muscular causada por exarcebação do arco reflexo medular na ausência da inibição advinda de vias superiores. A espasticidade acarreta diversos comprometimentos motores e funcionais para a criança, dificultando o posicionamento e os cuidados de higiene. É de fundamental importância, portanto, o estudo da associação de intervenções cirúrgicas e tratamentos fisioterapêuticos que proporcionem controle da espasticidade.
OBJETIVO: avaliar o impacto da Rizotomia Dorsal Seletiva (RDS) no quadro clínico de crianças espásticas e na realização dos cuidados diários.
MÉTODOS: Participaram do estudo 7 crianças com espasticidade, GMFCS de 4 a 5, de 5 a 11 anos de idade. Antes e depois da cirurgia, os seguintes dados foram avaliados: grau de espasticidade dos grupos musculares adutores do quadril e isquiotibiais nos membros inferiores e para o grupo flexor do cotovelo nos membros superiores (escala de Ashworth Modificada); medida do ângulo poplíteo unilateral e bilateral, do ângulo de abdução do quadril e de dorsiflexão do tornozelo com goniometria. Além disso, foi aplicado questionário às famílias para avaliar o grau de dificuldade para os cuidados diários e o grau de satisfação após a RDS.
CONCLUSÕES: Houve redução da espasticidade no pós-operatório em todos os grupos musculares testados, em todos os pacientes. Houve alteração significativa da goniometria para o ângulo poplíteo bilateral (p<0,05). Das 7 famílias questionadas, 6 (85,7%) relataram melhora para o posicionamento, alimentação, higiene e facilidade para vestir e instalar órteses. Desse modo, a RDS mostra-se uma opção para o tratamento de casos de espasticidade refratária ao tratamento clínico em crianças com PC quadriespásticas graves, mostrando-se capaz de melhorar a qualidade de vida delas e de seus cuidadores.

Palavras-chave: Criança, Paralisia Cerebral, Espasticidade Muscular, Rizotomia

4 - Confiabilidade do limiar de lactato identificada pelo método visual

Reliability of identifying lactate threshold by use of visual method

Sueli Ferreira da Fonseca; Mateus Ramos Amorim; Arthur Nascimento Arrieiro; Marco Fabrício Dias Peixoto; Fernando Joaquim Gripp Lopes; Núbia Carelli Pereira Avelar; Ana Cristina Rodrigues Lacerda

Acta Fisiátr.2011;18(1):16-20

O limiar de lactato (LL) é utilizado como um marcador da acidose metabólica e representa o momento durante o exercício em que o lactato sanguíneo começa aumentar de forma exponencial. Este LL tem sido utilizado como medidor de condicionamento físico, indicador sensível do estado do treinamento aeróbico em sujeitos saudáveis e doentes, além disso, auxilia na identificação do estímulo de treinamento ideal e na prescrição da intensidade de treinamento. O objetivo do presente estudo foi avaliar a confiabilidade intra e interexaminadores das medidas do LL obtidas através do método de detecção visual. Para isso, 31 voluntárias do sexo feminino (67,50 ± 4,41 anos; 1,52 ± 0,07 m; 64,55 ± 11,46 kg), aparentemente saudáveis e no período pós-menopausa, participaram do estudo. O LL foi determinado a partir de um teste realizado na esteira ergométrica até a fadiga, que consistiu de estágios com carga progressiva (variação da velocidade e/ou inclinação). Amostras de sangue foram coletadas por meio de uma punção na polpa digital do dedo médio a cada 3 minutos durante o teste. Em seguida, foram construídos os gráficos do método de detecção visual (software Prisma5) a partir da concentração de lactato sanguíneo coletado a cada estágio do exercício (intervalo de 3 minutos) em função da taxa de trabalho correspondente ao consumo de oxigênio (VO2) estimado durante o teste na esteira. A análise estatística foi realizada através do Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI). A confiabilidade intraexaminador foi excelente (0,950 - 0,952) e a confiabilidade interexaminadores foi boa (0,789 - 0,770). Dessa forma, sugere-se que o método de detecção visual é uma forma segura e confiável para detectar o LL na prática clínica e em pesquisas.

Palavras-chave: Ácido Láctico, Limiar Anaeróbio, Exercício, Mulheres

5 - Efeitos da plataforma vibratória no equilíbrio em idosos

Effects of a whole body vibrating platform on postural balance in elderly persons

Patrícia Zambone da Silva; Rodolfo Herberto Schneider

Acta Fisiátr.2011;18(1):21-26

O envelhecimento determina uma série de alterações fisiológicas, dentre elas, perda da massa muscular, diminuição do equilíbrio e dos reflexos posturais. Como conseqüência destas transformações, o risco de quedas aumenta, o que é um evento marcante, podendo instituir início do declínio da saúde no idoso. Diversas abordagens têm sido utilizadas na prevenção das quedas, sendo que, mais recentemente, a plataforma vibratória, tem sido avaliada para aumentar o equilíbrio e controle postural nos idosos, portanto reduzindo os riscos de quedas e suas conseqüências. Esta revisão bibliográfica tem como foco os artigos mais relevantes sobre o tema. Os resultados obtidos indicaram melhora do equilíbrio e controle postural nesta população quando comparada com exercícios, fisioterapia ou sedentarismo. No entanto, há inúmeros protocolos de treinamento diferentes, o que dificulta a comparação de resultados. Esta revisão demonstra que a plataforma vibratória é uma promissora intervenção na prevenção de quedas em idosos, porém são necessários mais estudos para determinar o protocolo mais adequado de tratamento para melhorar o equilíbrio.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Acidentes por Quedas, Vibração/uso terapêutico

6 - Há correlação entre classe social e a prática de atividade física?

Is there a correlation between social class and physical activity?

Anna Paula Martinez; José Eduardo Martinez; Leni Boghossian Lanza

Acta Fisiátr.2011;18(1):27-31

O exercício físico é recomendado para promover a saúde e melhorar a qualidade de vida. As condições para a realização de atividade física devem incluir local, roupas, supervisão e elaboração de antemão. O objetivo desta pesquisa verificar se existe influência da renda familiar na freqüência e na forma de se praticar exercícios físicos. Utilizou-se um questionário especialmente elaborado para os dados sociodemográficos, freqüência, tipo e condições da prática de exercícios. Setenta pacientes, divididos em dois grupos: assistidos por instituições públicas de saúde (A) e assistidos por organizações privadas (B). Em ambos os grupos se observou uma maioria de mulheres (A - 66%; B - 60%) e casados. Em relação ao status sócio-econômico, os membros do grupo A têm maior renda e escolaridade. Os resultados mostram maior freqüência de atividade física entre os conveniados. Ambos os grupos têm a maioria dos componentes que não praticam exercícios. Entre aqueles que praticam exercício regularmente, a maior parte o faz de 1-3 vezes por semana, com duração entre 30-50 minutos. A modalidade principal é caminhar sem supervisão ou preparação como aquecimento ou alongamento. Os níveis econômicos e educacionais não influenciam a freqüência, tipo e condições da prática de exercícios.

Palavras-chave: Qualidade de Vida, Exercício, Classe Social, Renda, Brasil

ARTIGO DE REVISÃO

7 - Aspectos da sexualidade em indivíduos com traumatismo crânio-encefálico: revisão da literatura

Aspects of sexuality in individuals with traumatic brain injury: literature review

Carlos Souto dos Santos Filho; Giancarlo Spizzirri

Acta Fisiátr.2011;18(1):32-37

Os transtornos sexuais após lesão encefálica traumática são pouco abordados na literatura científica. O impacto na sexualidade dos pacientes, na parceria, na família e na sociedade ainda é pouco compreendido pelos profissionais de reabilitação. Diante disto, fez-se uma revisão da literatura sobre diversos aspectos da sexualidade após trauma de crânio. Este estudo teve por objetivo investigar a epidemiologia, a etiologia, os diagnósticos, a classificação, as modalidades terapêuticas que vêm sendo adotadas e o prognóstico dos transtornos sexuais de portadores de traumatismo craniano. Realizou-se uma revisão de 39 artigos selecionados nas seguintes bases de dados científicas: MEDLINE, Cochrane Library, LILACS e Scielo, usando como descritores: brain Injuries; traumatic brain Injury; sexuality, sexual behavior; sexual dysfunction psychological; sex education; sexual violence, referentes à pacientes maiores de 18 anos, de ambos os gêneros, no período de janeiro 1966 a maio 2011, nas línguas inglesa, espanhola e portuguesa. Alguns artigos e livros de referencia devido à relevância histórica neste assunto foram incluídos. Os autores abordaram os aspectos clínico-funcionais, psicológicos e sociais da sexualidade desses indivíduos.
CONCLUSÃO: a avaliação completa por profissionais capacitados na área de sexualidade é recomendada durante o processo de reabilitação para uma melhor reintegração na sociedade. São necessários mais estudos para delinear as disfunções sexuais apresentadas por esses pacientes e suas parcerias, a fim de desenvolver estratégias de tratamento que contemplem suas necessidades possibilitando melhora no relacionamento, satisfação sexual e conseqüentemente na qualidade de vida.

Palavras-chave: Traumatismos Encefálicos, Sexualidade, Comportamento Sexual

RELATO DE CASO

8 - Fisioterapia aquática no paciente sobrevivente da Poliomielite traqueostomizado com suporte ventilatório: relato de caso

Aquatic physical therapy for a poliomyelitis survivor with tracheostomy and ventilatory support: a case report

Douglas Martins Braga; Daniela Potas Cavalheiro; Adriane Fukui Ogura; Tatiana Camargo Guimarães; Fernando Farcetta Junior; Sheila Jean McNeill Ingham

Acta Fisiátr.2011;18(1):38-41

Muitos pacientes sobreviventes da poliomielite apresentam importante comprometimento da função respiratória. A fisioterapia aquática é indicada para esta população, porém, a presença da traqueostomia leva a uma maior dificuldade de tratamento no meio líquido pela dificuldade da manipulação. O objetivo deste trabalho é verificar os benefícios que uma paciente traqueostomizada, com suporte ventilatório não invasivo, pode ter com a abordagem da fisioterapia aquática. A paciente sofreu intervenção de vinte sessões de fisioterapia aquática. Para avaliação foram usadas as Escalas de Fadiga, Dor e Qualidade de vida e analisados os parâmetros: Saturação de Oxigênio (SatO2), Freqüência Cardíaca (FC)e Freqüência Respiratória (FR). Foi constatada melhora na pontuação de todas as escalas de fadiga utilizadas: inicial 55 e final 28, demonstrando ao final do estudo ausência de fadiga Fator esse também verificado na qualidade de vida principalmente na dimensão de vitalidade inicial 29,16 e final 50. A FC, a (excluir) FR e a SatO2 não sofreram alterações significativas, observando dessa maneira a segurança durante o atendimento. No término do tratamento, o quadro álgico cessou nos principais grupos articulares. Os resultados demonstraram que o meio líquido foi favorável para o tratamento dessa paciente, garantindo a segurança, diminuindo a fadiga e a dor, melhorando assim a qualidade de vida.

Palavras-chave: Poliomielite, Traqueostomia, Modalidades de Fisioterapia, Hidroterapia

9 - Avaliação da marcha em paciente com paralisia cerebral submetido à estimulação elétrica dos compartimentos anterior e lateral da perna

Gait analysis of a cerebral palsy patient submitted to electrical stimulation of the anterior and lateral compartments of the leg

Tiago Lazzaretti Fernandes; Klévia Bezerra Lima; Paulo Roberto Santos-Silva; Milton Seigui Oshiro; Adilson de Paula

Acta Fisiátr.2011;18(1):42-44

Crianças com lesão do neurônio motor superior possuem déficits funcionais desafiadores. As alterações de marcha são conseqüências da espasticidade, padrão primitivo locomotor, pobre controle motor central e controle debilitado da propriocepção. O objetivo do presente estudo é mostrar os benefícios da eletro-estimulação no padrão da marcha do paciente com paralisia cerebral através do laboratório de marcha e teste ergoespirométrico.
MÉTODO: Paciente do grupo de Neuro-ortopedia do IOT HC-FMUSP, sexo feminino, 24 anos, estudante, portadora de paralisia cerebral do tipo diplégico espástico, deambuladora comunitária e pés eqüinos flexíveis. Equipamento de análise de marcha: HAWK, Motion Analysis Corporation. Analisador metabólico CPX-D, Medgraphics, EUA. Estimulador elétrico modelo EEF-4, Lynx Tecnologia. Frequência de estímulo de 20Hz, ON/OFF 5s/10s, 40min, 3X/semana por 1,5 meses nos compartimentos anterior e lateral das pernas.
RESULTADO: dorsiflexão fase de balanço pé direito e esquerdo anterior ao estímulo: 2,12º e -0,17º, respectivamente. Após 1,5 meses do término do protocolo: dorsiflexão pé direito=7,54º, dorsiflexão pé esquerdo=5,31º. Ergoespirometria: Aumento do tempo de tolerância ao exercício (TT) em 194%, PO2 em 50%, VO2 em 17% e economia energética relativa a 22% da FC.
CONCLUSÃO: a estimulação elétrica da perna pode ser responsável por alterações na cinemática não só do tornozelo, mas de todo o membro inferior, influenciando o padrão da marcha e a condição cardiopulmonar do paciente com paralisia cerebral.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Pé Equino, Estimulação Elétrica, Marcha, Consumo de Oxigênio

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

10 - Unidade de quedas: uma possibilidade de prevenção de quedas em idosos

Unit of falls: a possibility of prevention falls in elderly

Linamara Rizzo Battistella; Fábio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2011;18(1):45-48

As quedas são um problema de saúde pública entre os idosos. Como o envelhecimento populacional está ocorrendo rapidamente, são desejáveis intervenções nesta questão. O objetivo desta reflexão foi o de relatar um exemplo de uma Unidade de Quedas do Hospital Universitário Mútua de Terrassa/Barcelona/Espanha. Esta unidade possui atividades de avaliação e orientação dos fatores de risco de quedas e programa de exercícios para indivíduos com história de quedas, bem como para aqueles que possuem riscos de quedas. Acreditamos que programas como este que apresentam viabilidade operacional são necessários e devem ser incorporados por hospitais e centros de saúde para que haja diminuição das quedas e suas conseqüências.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Acidentes por Quedas, Prevenção de Acidentes

Número atual: Junho 2011 - Volume 18  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Avaliação do equilíbrio de pacientes com distrofia muscular de duchenne

Balance evaluation of patients with duchenne muscular dystrophy

Mayra Priscila Boscolo Alvarez; Francis Meire Fávero; Cristina dos Santos Cardoso de Sá

Acta Fisiátr.2011;18(2):49-54

A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é uma doença genética que afeta apenas indivíduos do gênero masculino, causando fraqueza muscular progressiva. Conforme a doença progride, surgem algumas outras alterações como, por exemplo, deformidades osteoarticulares e dificuldades na manutenção do equilíbrio estático e dinâmico. Avaliar o equilíbrio de pacientes com DMD deambuladores e comparar a participação da informação sensorial no ajuste postural destes pacientes. Dez pacientes, entre sete e quatorze anos de idade, com diagnóstico de DMD foram avaliados pelo teste de organização sensorial modificada (OSM) da posturografia dinâmica computadorizada. O teste OSM consiste na manutenção da posição bípede sem movimentação sobre uma plataforma em quatro condições distintas: (1) olhos abertos e plataforma fixa, (2) olhos fechados e plataforma fixa, (3) olhos abertos e plataforma móvel, (4) condição olhos fechados e plataforma móvel. Para a análise dos dados foi utilizada análise de variância para medidas repetidas (ANOVA) tendo como fator as condições de teste, e análise de contraste ajustada para múltiplas comparações (Teste de Tukey) no caso de comparações significativas. Não foram observadas diferenças significativas na área de excursão do centro de pressão nas diferentes condições de teste e no COPx e no COPy. Foi observada diferença significativa na VMx e na VMy entre as condições plataforma fixa/olhos abertos e plataforma móvel/olhos abertos, e entre as condições plataforma fixa/olhos fechados e plataforma móvel/olhos fechados. O teste OSM forneceu dados para a avaliação do equilíbrio desses pacientes, indicando que a privação dos sistemas somatossensorial e visual, em determinadas situações, não foi capaz de provocar grandes alterações de equilíbrio. Contudo, a velocidade do deslocamento do COP, que retrata o ajuste postural, é maior nas diferentes condições testadas.

Palavras-chave: Avaliação, Equilíbrio Postural, Distrofia Muscular de Duchenne

2 - Estudo descritivo sobre o desempenho ocupacional do sujeito com epilepsia: o uso da CIF como ferramenta para classificação da atividade e participação

Descriptive study of the occupational performance of individuals with epilepsy: the use of the ICF as a tool to describe the activity and participation

Renato Nickel; Joana Rostirolla Batista de Souza; Nicolle Lucena da Silveira; Cassiano Robert; Andressa Pereira Lima; Elaine Janeckzo Navarro; Lauren Machado Pinto

Acta Fisiátr.2011;18(2):55-59

A literatura mostra que os sujeitos com Epilepsia apresentam dificuldades para o engajamento no desempenho de atividades em todos ou quase todos os aspectos da vida. Visando melhor compreender os problemas de desempenho ocupacional do sujeito com epilepsia, os objetivos desta pesquisa foram: avaliar e classificar, de acordo com a CIF, quais os problemas de desempenho ocupacional apresentados por sujeitos com Epilepsia e discutir os dados levantados de acordo com a literatura. Foram entrevistados 34 sujeitos, onde os principais problemas de desempenho relatados foram: Manter um emprego (d8451) com 18 queixas, Treinamento profissional (d825) e Deslocar-se por diferentes locais (d460), ambos com 15 queixas. Observou-se que os fatores determinantes para os problemas de desempenho encontrados são facilmente classificados na CIF e, suas limitações para atividades e restrições para participação estão em acordo com o modelo de saúde apresentado pela classificação, onde além das deficiências relacionadas às funções do corpo também os fatores ambientais e pessoais interferem na vida desses sujeitos.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, Terapia Ocupacional, Análise e Desempenho de Tarefas, Epilepsia

3 - Estudo sobre depressão reativa e depressão secundária em pacientes após acidente vascular encefálico

Study on reactive and secondary depression in patients following a stroke

Priscila Aparecida Rodrigues; Sandra Regina Schewinsky; Vera Lúcia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr.2011;18(2):60-65

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma das patologias que mais acarreta comorbidades e alterações incapacitantes, tanto em relação a aspectos físicos, como em relação a aspectos cognitivos e afetivo emocionais. Após a ocorrência do AVE, freqüentemente o quadro de depressão encontra-se associado. Os tipos mais freqüentes que podem ocorrer são depressão reativa e depressão secundária a lesão encefálica. O manejo terapêutico do profissional de Psicologia é fundamental para o tratamento da depressão, sendo reativa ou secundária, interferindo diretamente no processo de reabilitação após o AVE. A presente pesquisa consiste em identificar, na literatura, os sintomas da depressão reativa e secundária em pacientes após AVE e qual a aplicabilidade da avaliação psicológica diferencial no contexto de reabilitação.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Depressão, Transtornos de Adaptação, Reabilitação

4 - Fatores associados à independência funcional de idosos residentes em instituição de longa permanência

Factors associated with the functional independence of elderly residents in long-term institutions

Fernanda Macedo Pereira; Mariela Besse

Acta Fisiátr.2011;18(2):66-70

O objetivo do estudo foi conhecer o perfil da independência funcional de idosos em uma instituição de longa permanência, através das associações entre as variáveis sociodemográficas (idade, gênero, escolaridade, e tempo de institucionalização) e as variáveis clínicas (motivo da internação, medicação, quantidade de doenças e hipótese diagnóstica), verificando se há impacto na independência funcional de acordo com o escore da MIF (medida de independência funcional) motora, cognitiva social e total. Realizou-se um estudo clínico quantitativo, do tipo descritivo analítico com corte transversal, retrospectivo por meio de investigação de fontes indiretas de dados (prontuários), no período de julho e agosto de 2010 numa instituição de longa permanência para idosos no município de São Paulo. Constatou-se que o maior grau de dependência funcional está associado aos idosos do sexo feminino, naqueles com idade superior ou igual a 80 anos, nos que têm escolaridade inferior a 8 anos, naqueles com 37 à 47 meses de institucionalização, nos que foram institucionalizados por vontade da família, naqueles que possuem de 7 à 9 doenças , nos que utilizam um número maior ou igual a 15 medicações e naqueles que sofrem de neoplasias. Concluiu-se que mais estudos devem ser realizados, para que se possa ampliar o conhecimento e obter mais clareza sobre a associação do processo de institucionalização da população idosa com os fatores associados à independência funcional.

Palavras-chave: Idoso, Avaliação Geriátrica, Instituição de Longa Permanência para Idosos

5 - Grupo de atividades de vida diária: influência do procedimento em pacientes adultos com acidente vascular encefálico isquêmico

Daily life activities group: the influence of the procedure in ischemic stroke adult patients

Camila Pontes Albuquerque; Eleanora Vitagliano; Juliana Yumi Yamada; Carem Fagundes; Rafael Eras Garcia; Rebeca Braga; Renata Cristina Verri Bezerra Carramenha; Sarah Monteiro dos Anjos; Milene Silva Ferreira; Alexandra Passos Gaspar

Acta Fisiátr.2011;18(2):71-74

O acidente vascular encefálico (AVE) pode gerar seqüelas motoras acarretando dificuldades em vários aspectos funcionais da vida diária do indivíduo. O terapeuta ocupacional pode intervir com essa população, com o objetivo de diminuir as limitações adquiridas. Uma das modalidades de tratamento é o atendimento em grupo, em função da riqueza das trocas existentes no mesmo. Este estudo visou analisar os resultados do procedimento do grupo de Atividades de Vida Diária (AVDs) composto por pacientes com seqüelas de AVE isquêmico. Foram incluídos 10 sujeitos com seqüelas de AVE isquêmico, que participaram do grupo de AVDs, sendo os mesmos avaliados por meio da HAQ (Health Assessment Questionnaire) e da FAQ (Functional Activities Questionnaire), em dois momentos pré e pós intervenção. Para a análise dos dados foi utilizado o teste Wilcoxon com p < 0,05. Após análise de resultados pré e pós intervenção verificou-se diferença significativa para ambos os instrumentos de avaliação (HAQ p=0.001 e FAQ p=0,0117). O estudo mostrou a eficácia do procedimento - grupo de AVDs, composto por sujeitos com sequelas de AVE isquêmico em fase crônica, através da mensuração dos ganhos funcionais obtidos pela HAQ e FAQ. Estudos com um número maior de pacientes são necessários para uma maior generalização das conclusões.

Palavras-chave: Terapia Ocupacional, Acidente Cerebral Vascular, Atividades Cotidianas, Reabilitação

6 - Relação entre a força de preensão palmar e a espasticidade em pacientes hemiparéticos após acidente vascular cerebral

Relationship between grip strength and spasticity in hemiparetic patients after stroke

Leonardo Petrus da Silva Paz; Vera Regina Fernandes da Silva Marães; Guilherme Borges

Acta Fisiátr.2011;18(2):75-82

O objetivo deste trabalho foi investigar a relação entre a força muscular isométrica máxima de preensão e a espasticidade de músculos da extremidade superior parética. Foram incluídos 33 pacientes com diagnóstico clínico de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em diferentes estágios de recuperação sensório-motora, de ambos os sexos com média de idade de 50,84 (±13,69 anos) e que foram atendidos no Hospital das Clínicas de Campinas-SP ou centros de reabilitação. Em estudo descritivo transversal foram colhidos em sessão única os seguintes dados: a)-força isométrica máxima de preensão, utilizando-se dinamômetro hidráulico em três tentativas alternadas para cada membro; b) grau de espasticidade graduado por meio da escala de tônus de Ashworth de 8 grupos músculos da extremidade superior parética (AS). Para caracterização da amostra foram utilizados itens da extremidade superior da escala de desempenho físico de Fugl-Meyer (UE-FMA) para avaliação da recuperação sensório motora; o nível de independência funcional foi avaliado com o Índice de Barthel e a capacidade funcional com Teste da Ação para Extremidade Superior (ARA). A força de preensão foi avaliada com dinamômetro pela média e pelo melhor valor de três tentativas para o membro parético (mais fraco) e para o membro mais forte (não parético). A força de preensão foi estatisticamente maior no lado mais forte (p<0,05) e os valores de ambos os membros superiores estão abaixo de valores normativos da literatura para indivíduos normais de mesmo sexo, idade e lado testado. O valor médio de preensão da extremidade superior "mais forte" de 31,17 KgF (±10,22) e para o membro parético, foi de 10,88 ±8,82 KgF. Houve apenas uma fraca correlação entre a força muscular e o tônus muscular dos músculos avaliados, incluindo músculos flexores dos dedos, adutores de polegar e flexores de cotovelo (r<0,60). Estes dados sugerem que o dinamômetro hidráulico pode ser utilizado para mensuração de força muscular em pacientes com preensão débil conforme protocolo apresentado.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Espasticidade Muscular, Força Muscular, Hemiplegia, Idoso

ARTIGO DE REVISÃO

7 - Características biomecânicas da articulação escapulotorácica no retorno da elevação dos membros superiores: uma revisão da literatura

Biomechanical characteristics of the scapulothoracic joint while lowering the arms: a literature review

Eva Guedes Cota; Christina Danielli Coelho de Morais Faria

Acta Fisiátr.2011;18(2):83-90

Observações clínicas indicam que os indivíduos com disfunções no complexo articular do ombro descrevem o movimento de retorno da elevação dos membros superiores (MMSS) como mais doloroso que a elevação. O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão da literatura sobre as características biomecânicas da articulação escapulotorácica no retorno da elevação dos MMSS em indivíduos saudáveis e com disfunções no complexo articular do ombro. Para isso, foram realizadas pesquisas nas bases de dados MedLine (PubMed), LILACS, Scielo e PEDRo seguida de busca manual e, após análise de um total de 232 estudos encontrados, 14 foram selecionados por atenderam aos critérios de inclusão previamente estabelecidos. Desses, oito investigaram características cinemáticas, seis características eletromiográficas, sendo que dois estudos investigaram as duas características associadas e apenas dois apresentaram resultados relacionados a indivíduos com disfunções no complexo articular do ombro. Os resultados desses estudos demonstraram que, durante o retorno, os movimentos tridimensionais da articulação escapulotorácica envolvem a combinação de rotação inferior (eixo perpendicular ao plano da escápula), inclinação anterior (eixo medial-lateral) e rotação interna (eixo vertical) seja o retorno realizado no plano frontal (retorno da abdução), sagital (retorno da flexão) ou no plano escapular. Dessa forma, o retorno da elevação dos MMSS resulta em reversão dos movimentos escapulotorácicos que ocorrem durante a elevação, mas apresenta diferenças significativas nas posições angulares da articulação escapulotorácica em relação à elevação, principalmente para os movimentos de rotação interna e inclinação anterior. A escassez de estudos que avaliaram as características biomecânicas da articulação escapulototácica em indivíduos com disfunções no complexo articular do ombro limita a compreensão da cinemática e atividade muscular nessa população específica.

Palavras-chave: Biomecânica, Escápula, Membros Superiores, Eletromiografia

8 - Treinamento resistido como intervenção na reabilitação em pacientes com lesão medular: uma revisão de literatura

The effects of resistance training intervention in the rehabilitation of patients with spinal cord injury: a literature review

Frederico Ribeiro Neto; Paulo Gentil

Acta Fisiátr.2011;18(2):91-96

OBJETIVO: analisar os indícios na literatura sobre os efeitos do treinamento resistido como forma de intervenção na reabilitação de pacientes com lesão medular traumática ao longo do tempo.
MÉTODO: Fontes das informações: uma busca sistematizada da literatura em cinco bancos de dados (MEDLINE, LILACS, SciELO, IBECS e Biblioteca Cochrane) foi realizada até agosto de 2010. Seleção dos estudos: estudos observacionais e de intervenção que incluíam treinamento resistido em pessoas com lesão medular traumática. Variáveis analisadas: foram analisados os desfechos de ordem fisiológica (força, potência e capacidade cardiorrespiratória), escalas funcionais (FIM, WISCI, WUSPI e Berg), velocidade de marcha e percepções subjetivas (melhora de funcionalidade e relato de dores ou lesões).
RESULTADOS: foram encontrados 16 artigos que preencheram os critérios de inclusão. Nenhum encontrou qualquer tipo de prejuízo ou lesão para essa população. Oito estudos avaliaram o VO2 e detectaram melhoras significativas entre 10% e 30%. Força e potência foram verificadas em dez estudos, mas a magnitude variou de forma distinta (8% a 34% e 6% a 81%, respectivamente). A análise da resposta favorável do treinamento resistido relacionada com escalas funcionais (FIM, WISCI, WUSPI e Berg) ou com velocidade de marcha ocorreu em três investigações.
CONCLUSÕES: em todos os artigos analisados, as respostas decorrentes da intervenção foram positivas e favoráveis à melhora física e funcional aumentando, conseqüentemente, a independência nas atividades diárias. Os autores sugerem a inclusão do treinamento resistido sistematizado na reabilitação de acordo com a demanda diária do indivíduo em prol de um ganho funcional, prevenção de lesões, melhora da saúde e da qualidade de vida.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Terapia por Exercício, Treinamento de Resistência, Reabilitação

RELATO DE CASO

9 - Habilidades funcionais de criança com síndrome da imunodeficiência adquirida

Functional abilities of children with acquired immunodeficiency syndrome

Amanda Polin Pereira; Daniela Baleroni Rodrigues Silva; Luzia Iara Pfeifer; Maria Paula Panuncio-Pinto

Acta Fisiátr.2011;18(2):97-101

A encefalopatia associada ao vírus da imunodeficiência humana é uma conseqüência importante das infecções neurológicas que atingem crianças com a síndrome da imunodeficiência adquirida. Tal conseqüência pode gerar perdas no desenvolvimento neuropsicomotor levando a dificuldades em atividades fundamentais para a independência da criança. O objetivo do estudo é descrever os ganhos funcionais nas áreas de auto-cuidado e mobilidade de uma criança com síndrome da imunodeficiência adquirida. Foi aplicado junto ao cuidador da criança o Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI), antes e após o processo de reabilitação com intervalo de 12 meses. Os resultados demonstram que houve melhora funcional nos aspectos avaliados. Na área de auto-cuidado houve alteração de escores de 53,65 na primeira avaliação para 60,06 na segunda avaliação. Na área de mobilidade a criança passou de um escore de 24,29 para 38,66. Os resultados sugerem que as estratégias utilizadas no processo de reabilitação, bem como atuação da equipe multidisciplinar permitiram o desenvolvimento de habilidades para melhor desempenho ocupacional da criança.

Palavras-chave: Criança, Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, Encefalopatia Crônica, Reabilitação

10 - Treino de força muscular de membros superiores orientado à tarefa na distrofia miotônica do tipo 1: estudo de caso

Task-oriented upper limb strength training in myotonic dystrophy type 1: case study

Joyce Martini; Camila Quel de Oliveira; Heloise Cazangi Borges; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2011;18(2):102-106

O objetivo do presente estudo foi verificar os efeitos do treino de força muscular dos membros superiores a partir da abordagem orientada à tarefa, com relação à força muscular, à funcionalidade e à qualidade de vida de um indivíduo adulto com distrofia miotônica do tipo1. Foi realizado um treino de força muscular submáximo (60% da resistência máxima), na freqüência de três terapias semanais, num período de 16 semanas, constituído de três avaliações, a inicial, a final e a de seguimento de um mês do término do protocolo, com base na Medical Research Council scale (MRC), no Total Muscle Score (TMS), na Medida de Função Motora (MFM) e na versão brasileira do questionário de qualidade de vida SF-36. Com relação à força muscular, houve um incremento de 5% no TMS. Na funcionalidade, a MFM apresentou um acréscimo de 1,04% na avaliação final, o qual se perdurou na avaliação de seguimento. Na SF-36, o participante apresentou um acréscimo de 2,12% na segunda avaliação, retornando à pontuação inicial após um mês do protocolo; porém no domínio de capacidade funcional manteve-se o aumento de 20%. O treino de força muscular submáximo orientado à tarefa mostrou-se benéfico com base na força muscular e no domínio de capacidade funcional do questionário de qualidade de vida; porém denotou restrita variação quantitativa no âmbito da funcionalidade.

Palavras-chave: Distrofia Miotônica, Exercício, Força Muscular, Qualidade de Vida

Número atual: Setembro 2011 - Volume 18  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - O impacto da cifose congênita nas habilidades de autocuidado na mielomeningocele de nível torácico

The impact of congenital kyphosis on self-care skills in patients with thoracic myelomeningocele

Daniel Marinho Cezar da Cruz; Mariane Aparecida Almenara Maricato Martins; Aline Stoeterau Navarro; Ana Luiza Console Andreotti; Maria Cristina de Oliveira

Acta Fisiátr.2011;18(3):107-111

Este estudo teve por objetivos: comparar o desempenho no autocuidado de crianças com mielomeningocele em relação ao de crianças típicas, identificar o impacto da cifose congênita nesta área e investigar possíveis correlações entre as tarefas de autocuidado pesquisadas.
MÉTODOS E RESULTADOS: A amostra foi composta de 30 crianças com mielomeningocele divididas em 2 grupos (com e sem cifose congênita) com média de idade 54,73 meses. Os dados foram coletados através da versão brasileira do Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade. Os resultados indicaram déficit funcional em todas as crianças (escore<30) e diferenças significativas entre os grupos (p<0,01) com pontuações inferiores na presença de cifose nas tarefas de higiene oral, banho, fechos, entre outras. A análise inter-itens indicou que, para esta amostra, há associação entre algumas das tarefas de autocuidado com baixa pontuação.
CONCLUSÃO: A mielomeningocele repercute em atraso funcional, e este é maior quando acompanhado de cifose congênita. Este tipo de informação é essencial para o planejamento de programas de reabilitação com enfoque para a independência dessas crianças nas atividades da vida diária.

Palavras-chave: Meningomielocele, Cifose, Autocuidado, Atividades Cotidianas, Análise e Desempenho de Tarefas

2 - A funcionalidade de usuários acometidos por AVE em conformidade com a acessibilidade à reabilitação

The functionality of patients afflicted with EVA according to their access to rehabilitation

Eleazar Marinho de Freitas Lucena; Jairo Domingos de Morais; Hermínio Rafael Lopes Batista; Luciana Moura Mendes; Kátia Suely Queiroz Ribeiro Silva; Robson da Fonseca Neves; Geraldo Eduardo Guedes Brito

Acta Fisiátr.2011;18(3):112-118

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma doença crônico-degenerativa e representa um desafio tanto pelo impacto social, quanto pelas repercussões na vida das pessoas, pois, quando não letal, o AVE geralmente provoca graves repercussões para o indivíduo, a família e a sociedade. O presente estudo tem como objetivo descrever e analisar a funcionalidade dos usuários com AVE, adscritos na área de cobertura das Equipes de Saúde da Família do município de João Pessoa, em conformidade com o acessibilidade que tenham tido à reabilitação. Trata-se de um estudo transversal de base populacional com amostra de 140 indivíduos com idade acima de 18 anos, acometidos por AVE no período entre os anos de 2006 e 2010. As variáveis descritivas foram aquelas que identificam os sujeitos da amostra e caracterizam o AVE clinicamente. Para avaliar a funcionalidade dos sujeitos utilizou-se o domínio Atividade e Participação da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). A associação das categorias de atividade e participação com a acessibilidade à reabilitação foi verificada por meio do teste Qui-Quadrado com nível de significância de 5%. Constatou-se maior comprometimento nas categorias Uso fino da mão, Recreação e Lazer, Deslocar-se e Fala no grupo dos participantes que tiveram acessibilidade aos serviços de reabilitação, indicando que a dificuldade nestas atividades provoca no individuo a necessidade de inserção nos serviços destinados a reabilitação. Este estudo demonstrou que a maioria dos pacientes pós-AVE apresenta consequências crônicas em suas funções corporais, predispondo a necessidade de inserção contínua nos serviços de reabilitação para maximizar a funcionalidade nas atividades cotidianas e facilitar a participação social.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Acesso aos Serviços de Saúde, Reabilitação, Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

3 - Alterações clínicas dos pacientes com lesão encefálica adquirida que interferem no tratamento odontológico

Clinical impairments of patients with acquired encephalic lesions that interfere with their dental treatment

Ana Claudia Darré Peres; Carolina Asano; Cristina Lima Leite Carvalhaes; Marcelo Furia Cesar

Acta Fisiátr.2011;18(3):119-123

Lesão Encefálica Adquirida (LEA) é uma lesão que ocorre no encéfalo após o nascimento e não está relacionada a doenças hereditárias, congênitas, degenerativas ou traumas de parto, podendo causar seqüelas físicas e cognitivas. Pacientes portadores de necessidades especiais estão cada vez mais presentes na prática diária do cirurgião dentista, porém, muitos profissionais ainda encontram dificuldades em atender estes pacientes. O objetivo deste estudo foi detectar alterações clínicas nos pacientes com LEA e relatar como estas podem interferir no atendimento odontológico. Foram avaliados 101 pacientes, com 18 a 87 anos de idade, de ambos os sexos, pertencentes à Clínica de LEA da Associação de Assistência à Criança Deficiente de São Paulo (AACD-SP). As informações foram coletadas através de consulta de prontuários, questionário fechado e exame clínico do paciente. Neste estudo, 70,30% dos pacientes apresentavam espasticidade, 51,49% disfagia, 44,55% convulsão, 75,25% déficit cognitivo, 9,90% limitação de abertura bucal e 40,59% eram dependentes para a higiene oral. O cirurgião dentista deve estar atento às alterações clínicas dos pacientes com LEA, minimizando possíveis intercorrências clínicas por meio de uma anamnese detalhada e planejamento clínico.

Palavras-chave: Assistência Odontológica para Pessoas com Deficiências, Pessoas com Deficiência, Acidente Cerebral Vascular

4 - Análise dos acidentes motociclísticos no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER)

Analysis of motorcycle accidents at the Dr. Henrique Santillo Rehabilitation and Readaptation Center (CRER)

Angélle Aragonez Essado Jácomo; Ana Cristina Ferreira Garcia

Acta Fisiátr.2011;18(3):124-129

INTRODUÇÃO: na última década, dentre os acidentes automobilísticos, observa-se um número crescente envolvendo motocicletas, veículo que ganha cada vez mais aceitação e aprovação da população. Nestes acidentes, as lesões neurológicas mais freqüentes são o traumatismo cranioencefálico (TCE), seguido de lesão medular (LM), ambas de grande importância devido à gravidade das seqüelas que provocam.
OBJETIVOS: identificar o perfil dos pacientes vítimas de acidentes de tráfego com motocicletas no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER), tipo de lesão neurológica, incapacidades adquiridas, reinserção laboral e capacidade para conduzir veículos após o trauma.
PACIENTES E MÉTODOS: realizou-se uma análise descritiva dos prontuários dos pacientes internados no CRER, no período de 2007 a 2010, selecionando apenas as vítimas de acidente motociclístico, assim como da atual situação produtiva dos mesmos através de contato telefônico no período de 01-07-2011 a 20-07-2011, utilizando formulário previamente elaborado.
RESULTADOS: houve predomínio de homens jovens economicamente ativos, sendo que a maioria não retornou sua vida laboral (86%) e está usufruindo de benefício previdenciário (79,6%).
CONCLUSÃO: faz-se primordial a elaboração de estratégias para prevenção e controle dos traumas por motos, assim como medidas que estimulem a reinserção desses indivíduos incapacitados.

Palavras-chave: Acidentes de Trânsito, Motocicletas, Traumatismos da Medula Espinal, Traumatismo Cerebrovascular, Centros de Reabilitação

5 - Associar ou não o alongamento ao exercício resistido para melhorar o equilíbrio em idosos?

Whether or not to affiliate stretching with resistance training to improve equilibrium in the elderly

Anna Raquel Silveira Gomes; Priscila Wischneski; Rosana Rox

Acta Fisiátr.2011;18(3):130-135

O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do exercício resistido e/ou alongamento e destreinamento no equilíbrio de idosos. Quarenta e seis idosos foram divididos em 4 grupos: Controle (C, n=12): receberam orientações sobre prevenção de quedas. Alongamento (A, n=12); Exercício Resistido (ER, n=13); Exercício Resistido e Alongamento (ERA, n=9). Foram realizados exercícios com resistência progressiva e/ou alongamento, em membros inferiores, 2x/semana, durante 12 semanas. Utilizou-se a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB) e o Índice da Marcha Dinâmica (IMD), aplicados na 1ª, 6ª, 12ª semana e 6 semanas após o término. Utilizou-se ANOVA por medidas repetidas post hoc Fisher (p< 0,05), para comparação entre grupos ao longo das 4 avaliações. O ERA (12ª) aumentou a pontuação da EEB comparado ao ER (55±1 vs 53±2, p=0,03). No IMD 12 semanas de ERA aumentaram o escore em relação ao pré treinamento (ERA) (23±2 vs 21±3; p=0,0009). Após destreinamento o IMD do ERA foi superior, comparado ao pré treinamento (23±1 vs 21±3; p=0,003). A associação do exercício resistido com alongamento (ERA) demonstrou ser mais eficaz para o equilíbrio funcional relacionado ao ambiente (EEB) do que exercício resistido isolado em idosos. Porém, somente o equilíbrio durante a marcha (IMD) foi mantido pelo ERA após o destreinamento.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Força Muscular, Exercícios de Alongamento Muscular

6 - Avaliação do equilíbrio postural sob condição de tarefa única e tarefa dupla em idosas sedentárias e não sedentárias

Evaluation of postural balance under single and double task conditions in sedentary and non-sedentary elderly females

Verena de Vassimon Barroso Carmelo; Patrícia Azevedo Garcia

Acta Fisiátr.2011;18(3):136-140

INTRODUÇÃO: Uma das queixas mais freqüentes da população idosa é a dificuldade de manter o controle postural e prevenir quedas. O controle postural é acompanhado, no dia a dia, por uma atividade motora ou cognitiva não relacionada com a postura, caracterizando a condição de dupla-tarefa, que pode prejudicar o desempenho da tarefa postural quando comparado à condição de tarefa única.
OBJETIVO: avaliar e comparar o equilíbrio dinâmico sob a condição de tarefa única e de dupla-tarefa de idosas praticantes de exercício físico regular e idosas sedentárias. Métodos: a amostra foi composta por 28 idosas, sendo 14 idosas não-sedentárias (67,20±4,21 anos) e 14 idosas sedentárias (68,78±5,26 anos). Para avaliação do equilíbrio e mobilidade foi utilizado o teste Timed Get up and Go simples e associado à tarefa motora (carregar uma bandeja com dois copos plásticos vazios) e à tarefa cognitiva (contar regressivamente a partir de cem). Foram aplicados os testes t-student para amostras independentes e t-student pareado, considerando o nível de significância de α=0,05.
RESULTADOS: As idosas não sedentárias realizaram em tempo significativamente menor que as idosas sedentárias o teste simples (9,40 vs 11,21 segundos; p=0,016) e o teste associado a tarefa motora (9,41 vs 11,81 segundos; p=0,007). Não houve diferença estatisticamente significativa entre as médias do tempo de realização da tarefa cognitiva entre os dois grupos de idosas (p=0,169). No grupo de idosas não sedentárias, o tempo para realização da tarefa cognitiva foi significativamente maior do que no teste simples e na tarefa motora (p=0,021 e p=0,014, respectivamente) assim como no grupo de idosas sedentárias (p=0,000 e p=0,002, respectivamente). Nos dois grupos foram observadas correlações significativas positivas moderada a alta entre os desempenhos nos testes simples e duplo cognitivo, simples e duplo motor, duplo motor e duplo cognitivo.
CONCLUSÃO: O estudo demonstrou a influência positiva da prática de atividade física regular na funcionalidade e o impacto negativo da adição da tarefa cognitiva no equilíbrio e mobilidade de idosas.

Palavras-chave: Idoso, Equilíbrio Postural, Atividade Motora, Exercício

7 - Características das vítimas de acidentes motociclisticos atendidas em um centro de reabilitação de referência estadual do sul do Brasil

Characteristics of motorcycle accident victims treated at a leading rehabilitation center in the south of Brazil

Soraia Dornelles Schoeller; Albertina Bonetti; Gelson Aguiar da Silva;André Rocha; Francine Lima Gelbcke; Patricia Khan

Acta Fisiátr.2011;18(3):141-145

Esta investigação caracteriza os usuários vítimas de acidentes de moto atendidos em um centro de reabilitação de referência estadual do sul do Brasil. É parte de pesquisa voltada ao trauma raquimedular - TRM. Estudo descritivo e quantitativo. Foram investigadas em 207 prontuários: procedência, idade, sexo, data e causa da lesão. Constatou-se que as vítimas de acidentes motociclísticos são homens (81.09%) jovens, dos quais, 10% menores de 18 anos. Metade dos usuários tiveram lesões extremamente ou muito graves - TRM, traumatismo crânio encefálico e amputação de membros inferiores. O coeficiente de mortalidade por acidentes motociclísticos no Brasil e em Santa Catarina cresceu 250% no período de 2000 a 2009, enquanto o crescimento populacional foi de 16%. Os acidentes motociclísticos constituem-se grave problema de saúde pública pelo número cada vez maior de pessoas atingidas e gravidade das lesões. Urge estabelecer políticas públicas - educação, segurança pública e saúde, objetivando inverter esta tendência.

Palavras-chave: Acidentes de Trânsito, Motocicletas, Características da População, Centros de Reabilitação

8 - Relação entre cadência da subida e descida de escada, recuperação motora e equilíbrio em indivíduos com hemiparesia

Relationship between stair-climbing rate, balance and motor recovery in individuals with hemiparesis

Mavie Amaral-Natalio; Guilherme da Silva Nunes; Vanessa Herber; Stella Maris Michaelsen

Acta Fisiátr.2011;18(3):146-150

INTRODUÇÃO: As disfunções da marcha são os principais fatores agravantes da funcionalidade apresentada por indivíduos com hemiparesia em decorrência de Acidente Vascular Encefálico (AVE).
OBJETIVO: Verificar a relação entre a cadência de subida e descida de escada, e os graus de recuperação motora de membros inferiores e de equilíbrio dinâmico de indivíduos com hemiparesia.
METODOLOGIA: Participaram do estudo 16 indivíduos com hemiparesia devido AVE, sendo 13 homens, com idade média de 56,6±12,6 anos. A cadência de subida e descida de escada foi mensurada através do tempo decorrido (degraus/minuto), separadamente, para subir e descer uma escada de 4 degraus (altura: 17 cm), em velocidade confortável, sendo permitido o uso do corrimão, quando necessário. De forma complementar, foi avaliada a necessidade do uso do corrimão, de auxílio externo e o tipo de passo. O grau de recuperação motora de membros inferiores foi determinado através da Escala de Fugl-Meyer, e o equilíbrio dinâmico foi avaliado através do Teste de Levantar e Andar (Timed Up and Go - TUG).
RESULTADOS: A média da cadência de subida de escada foi 60,4±22,6 degraus/minuto e a de descida de escada foi 58,7±23,6 degraus/minuto. O grau de recuperação motora de membros inferiores foi de 24,8±5,2 pontos na Escala Fugl-Meyer, e a média no TUG foi de 19,8±23,1 segundos. Foi verificada correlação moderada entre a medida de cadência de subida de escada e os graus de recuperação motora (r=0,60, p=0,01) e de equilíbrio dinâmico (r= -0,61, p=0,01). Da mesma forma, a medida de cadência de descida de escada apresentou correlação moderada com o grau de recuperação motora (r=0,58, p=0,02), e com o grau de equilíbrio dinâmico (r= -0,64, p=0,007). Verificou-se que o grau de recuperação motora compartilha 36% de variância com a medida da cadência de subida de escada e 33% com a cadência de descida. CONCLUSÕES: A habilidade de subir e descer escada apresenta relação com a recuperação motora de membros inferiores, sendo que o equilíbrio dinâmico apresenta maior associação com a cadência de descida de escada em indivíduos com hemiparesia.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Paresia, Marcha, Atividade Motora, Equilíbrio Postural

ARTIGO DE REVISÃO

9 - Contribuições da terapia da mão na paralisia cerebral: uma revisão sistemática

Hand therapy contributions in cerebral palsy: a systematic review

Alyne Kalyane Câmara de Oliveira; Mariana Seabra da Silva; Alaine Aparecida Benetti De Grande; Iracema Serrat Vergotti Ferrigno

Acta Fisiátr.2011;18(3):151-156

Este trabalho teve como objetivo identificar contribuições da área da terapia da mão para pessoas com paralisia cerebral, disponível na literatura bibliográfica nacional e internacional on-line, analisando a produção existente e verificando a existência de trabalhos estruturados. Configurou-se como sendo um estudo descritivo, retrospectivo, através critérios de revisão sistemática da literatura para coleta, seleção e análise dos dados. A busca foi realizada no período de fevereiro de 2010 a janeiro de 2011, nas bases de dados LILACS, MEDLINE, BIREME, SCOPUS e CINAHL, publicados em português e inglês, no período de 2003 a 2010. Onze artigos foram incluídos na revisão e utilizou-se um formulário elaborado pelas pesquisadoras para avaliá-los conforme a caracterização e qualidade das informações contidas. Os resultados evidenciaram que os assuntos com maior enfoque na amostra foram sobre intervenção ortótica, estimulação elétrica neuromuscular, toxina botulínica e função manual. Apesar de contribuírem com o conhecimento sobre intervenções na paralisia cerebral, os estudos não citam claramente os achados como contribuições da especialidade terapia da mão sobre o tema, e limitações metodológicas foram encontradas, inferindo-se a necessidade de maior rigor metodológico e qualidade das informações nos trabalhos científicos.

Palavras-chave: Traumatismos da Mão/reabilitação, Paralisia Cerebral, Terapia Ocupacional, Literatura de Revisão como Assunto

RELATO DE CASO

10 - Reabilitação virtual através do videogame: relato de caso no tratamento de um paciente com lesão alta dos nervos mediano e ulnar

Virtual rehabilitation using video games: a case report of the treatment of a patient with high median and high ulnar nerve lesions

Alaine Aparecida Benetti De Grande; Fábio Ricardo de Oliveira Galvão; Luiz Carlos Alves Gondim

Acta Fisiátr.2011;18(3):157-162

O uso da reabilitação virtual através do videogame visa simulação de situações reais; percebe-se que o uso desta, afasta o paciente do foco da dor ou do incomodo; melhora na funcionalidade dos membros acometidos e o leva a retomar as atividades nas áreas de desempenho ocupacional. Este estudo teve como objetivo verificar o uso da reabilitação virtual, como recurso terapêutico ocupacional, em um paciente com lesão alta dos nervos mediano e ulnar, bem como descrever e comparar os graus da amplitude de movimento das articulações do membro lesado. Trata-se de uma pesquisa do tipo longitudinal com um paciente de 09 anos de idade, sexo masculino, diagnosticado com lesão nervosa, na Clínica Escola de Terapia Ocupacional da Universidade Potiguar, no período de maio a setembro de 2010. Nos 13 encontros, foram utilizados televisão, o videogame Nintendo® Wii e quatro jogos e um goniômetro como instrumentos de intervenção e coleta de dados. Na reavaliação, observou-se a movimentação ativa e o aumento da amplitude de movimento em todas as articulações medidas: cotovelo em flexão e extensão; antebraço em pronação e supinação; punho em flexão, extensão, desvio ulnar e desvio radial; polegar em flexão de metacarpofalangiana, flexão interfalangiana, abdução e estágio III de oponência (Kapangji); II, III, IV e V quirodátilos. Os metacarpos apresentaram ganhos em flexão e extensão. Os resultados desse estudo evidenciaram a eficácia do videogame, comprovado através da avaliação goniométrica. O indivíduo estudado voltou a realizar as atividades de vida diária de forma independente e retornou as suas atividades esportivas de forma competitiva.

Palavras-chave: Terapia Ocupacional, Nervos Periféricos, Reabilitação, Jogos de Vídeo

Número atual: Dezembro 2011 - Volume 18  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - Estudo retrospectivo do estado funcional de pacientes com fratura do rádio distal submetidos à osteossíntese com placa LCP

A retrospective study of functionality of patients with distal radius fracture after osteosynthesis with an LCP volar plate

Paula Guaraldo Villa Clé; Luiz Eduardo Tasso; Rafael Inácio Barbosa; Marisa de Cássia Registro Fonseca; Valéria Meirelles Carril Elui; Frederico Balbão Roncaglia; Nilton Mazzer; Cláudio Henrique Barbieri

Acta Fisiátr.2011;18(4):163-168

As fraturas do rádio distal estão entre as mais comuns do esqueleto humano, correspondendo a um sexto de todas as fraturas. Para seu tratamento, existem diversas técnicas cirúrgicas e materiais de síntese que podem ser utilizados, no entanto, o uso de placa volar tem se mostrado eficiente e apresentado poucas complicações.
OBJETIVO: Realizar uma análise retrospectiva do estado funcional de pacientes com fratura do radio distal submetidos à osteossíntese com placa volar LCP que passaram por um programa de reabilitação.
MÉTODO: A amostra foi composta por 14 pacientes com fratura unilateral de rádio distal submetidos à osteossíntese com placa volar LCP 2,4 mm ou 3,5 mm. Os indivíduos foram divididos em dois grupos: grupo acometido (n = 14), composto pelos punhos fraturados; grupo controle (n = 14) composto pelos punhos contralaterais. Foram realizadas medidas de amplitude de movimento (ADM) ativa e passiva do punho, força de preensão e pinças e aplicado um questionário de disfunção do membro superior (DASH). Para a análise dos dados, foi realizada comparação entre os grupos, acometido e controle, por meio de testes de significância de duas amostras independentes para médias.
RESULTADOS: A média encontrada para o questionário DASH foi de 10,63 pontos (± 12,23). Em relação às medidas de força de preensão e pinças, e de ADM de punho, não houve diferenças significantes na comparação entre os grupos (p > 0,05).
CONCLUSÃO: Na amostra analisada, pode-se concluir que, após um ano de pós-operatório, os pacientes apresentam resultados semelhantes na comparação, o que evidencia uma recuperação satisfatória do estado funcional.

Palavras-chave: fixadores internos, fraturas do rádio, reabilitação

2 - Estado cognitivo dos usuários com AVE na atenção primária à saúde em João Pessoa - PB

Cognitive condition of patients with CVA in primary health care in João Pessoa - PB

Luciana Moura Mendes; Robson da Fonseca Neves; Kátia Suely Queiroz Silva Ribeiro; Geraldo Eduardo Guedes de Brito; Eleazar Marinho de Freitas Lucena; Hermínio Rafael Lopes Batista; Jairo Domingos de Morais

Acta Fisiátr.2011;18(4):169-174

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) apresenta alta prevalência em todo o mundo, desencadeando incapacidades neurológicas em adultos. O déficit cognitivo é uma das sequelas mais importantes, sendo difícil o seu reconhecimento, podendo interferir no processo de reabilitação e acarretar impactos na qualidade de vida dos usuários acometidos.
OBJETIVO: Estimar a prevalência de déficit cognitivo em usuários com AVE na Atenção Primária à Saúde (APS), bem como descrever as características sociodemográficas, clínicas e dimensões cognitivas afetadas.
MÉTODO: Estudo de corte transversal desenvolvido no Município de João Pessoa-PB com 140 indivíduos adscritos no Programa Saúde da Família que foram acometidos por AVE nos últimos cinco anos.
RESULTADOS: Mais da metade dos indivíduos analisados apresenta quadro sugestivo de comprometimento cognitivo (54,9%), nas seguintes dimensões: memória de evocação (70%), atenção e cálculo (60%) e ler e executar (60%); além disso, a maioria era de idosos (73,1%);no que se refere às características clínicas do AVE declaram que nos últimos cinco anos tiveram apenas um episódio (64,2%) desencadeado nos últimos 13 meses ou mais (76,1%). A metade dos participantes não soube informar o tipo de AVE (50,7%).
CONCLUSÃO: As dimensões cognitivas afetadas pelo AVE precisam de maiores investigações, afim de fornecer mais subsídios para melhorar a assistência prestada no âmbito da APS.

Palavras-chave: acidente vascular cerebral, atenção primária à saúde, cognição, fatores socioeconômicos, testes neuropsicológicos

3 - Protocolo de cuidado à saúde da pessoa com síndrome de Down - IMREA/HCFMUSP

Down syndrome health care protocol - IMREA/HCFMUSP

Patricia Zen Tempski; Kátia Lina Miyahara; Munique Dias Almeida; Ricardo Bocatto de Oliveira; Aline Oyakawa; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2011;18(4):175-186

A síndrome de Down (SD) ou trissomia do cromossomo 21 é a cromossomopatia mais comum no ser humano, acontece independente de sexo, etnia ou classe social. No Brasil, nasce aproximadamente uma criança com SD para cada 700 nascimentos. Sabe-se que as pessoas com síndrome de Down, quando bem atendidas e estimuladas, têm potencial para plena inclusão social. Este protocolo foi elaborado pela equipe multiprofissional de Cuidado à Saúde da Pessoa com síndrome de Down do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
OBJETIVO: Oferecer orientações para o cuidado à saúde da pessoa com Síndrome de Down, nos diferentes níveis de atenção a saúde, em todo o seu ciclo vital.
MÉTODO: A elaboração do protocolo de cuidado integral à saúde da pessoa com síndrome de Down baseou-se em buscas no sistema PubMed, SciELO e no Cochrane Database of Systematic Reviews utilizando como palavras chaves: "Down Syndrome" e "Síndrome de Down"; "Trisomy 21", "Trisomíadel Cromosoma 21" e "Trissomia do Cromossomo 21" e "Growth", "Desarollo" e "Crescimento".
RESULTADOS: Os artigos revistos foram publicados no período de 1972 a 2011 e limitados às línguas: inglesa, espanhola e portuguesa. Priorizamos revisões sistemáticas e metanálises. Foram incluídos também registros prévios a 1972 considerados históricos.
CONCLUSÃO: Os dados foram analisados por um grupo de especialistas que discutiu os resultados e elaborou este protocolo.

Palavras-chave: centros de reabilitação, equipe interdisciplinar de saúde, síndrome de down

4 - Avaliação do comportamento lúdico da criança com paralisia cerebral e da percepção de seus cuidadores

Evaluation of ludic behavior in children with cerebral palsy and of their caretakers' perception

Camila Gomes Silva Zaguini; Maysa Alahmar Bianchin; Rui Vicente Lucato Junior; Regina Helena Morganti Fornari Chueire

Acta Fisiátr.2011;18(4):187-191

O brincar, para a criança, ajuda no desenvolvimento de suas habilidades e na aquisição de estratégias de ação e adaptação. A criança com Paralisia Cerebral, dependendo do seu diagnóstico, dos distúrbios associados ou não, pode apresentar dificuldades no processo de aquisição de habilidades gerais do seu desenvolvimento, inclusive no brincar.
OBJETIVO: Avaliar o comportamento lúdico da criança com paralisia cerebral e verificar a percepção de seus cuidadores em relação à ação lúdica da criança, para, posteriormente, oferecer tratamento terapêutico ocupacional.
MÉTODO: Pesquisa transversal qualitativa e quantitativa. Para a coleta de dados foram utilizados: Entrevista Inicial com os pais e a Avaliação do Comportamento Lúdico com a criança.
RESULTADOS: Por meio da entrevista, pode-se perceber que 90% se interessam pela presença de outras crianças, que os materiais mais utilizados nas brincadeiras são os estímulos sonoros (90%), em suas formas de expressão, que a maioria, com 31,5%, se expressa por gestos em suas necessidades, em seus sentimentos 25% o fazem por expressão do rosto. De acordo com seus interesses, 42,5% se expressam por palavras e 55% das crianças sempre apresentam atitudes para no brincar. Na avaliação com o sujeito, vimos que 69,1% têm atitude no brincar e apenas 46,64% têm capacidade para o lúdico.
CONCLUSÃO: O estudo mostrou que a Entrevista Inicial com os Pais foi fundamental para auxiliar na Avaliação do Comportamento Lúdico. Com essa avaliação, pode-se observar que a capacidade lúdica é limitada, mas não interfere no interesse e na atitude lúdica da criança. Assim, o brincar é indispensável como recurso da Terapia Ocupacional na reabilitação das crianças com Paralisia Cerebral.

Palavras-chave: criança, cuidadores, ludoterapia, paralisia cerebral

5 - Prevalência da síndrome do Túnel do Carpo em usuários de cadeira de rodas devido à lesão medular

Prevalence of Carpal Tunnel syndrome in wheel-chair users due to medullary lesion

Lucas Martins de Exel Nunes; Verônica Magalhães Raimundo; Quirino Cordeiro; Karen Fraga Moreira Guerrini; Arquimedes de Moura Ramos; Tae Mo Chung; Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2011;18(4):192-195

A lesão medular acarreta inúmeras limitações funcionais diretamente relacionadas à perda das funções nervosas. Todavia, a mecânica associada ao uso de cadeiras de rodas impõe uma sobrecarga aos membros superiores que parece estar associada ao aparecimento de lesões secundárias em estruturas tendíneas e nervosas.
OBJETIVO: Avaliar o surgimento de sinais eletromiográficos de comprometimento do nervo mediano na altura do túnel do carpo em indivíduos usuários de cadeiras de rodas devido à lesão medular.
MÉTODO: Seguindo um desenho transversal, todos os indivíduos com lesão medular sob programa de reabilitação no Instituto de Medicina Física e Reabilitação do HC-FMUSP no ano 2010 foram submetidos a estudo de condução nervosa e eletromiografia. Esses achados foram correlacionados com variáveis biodemográficas e clínicas, bem como características do uso de cadeiras de rodas.
RESULTADOS: Foram avaliados 28 indivíduos, com média de idade de 41,4 anos (60,7% homens). A maioria dos pacientes tocava a cadeira de rodas por um tempo inferior a quatro horas e percorria uma distância tocando a cadeira de rodas inferior a 500 metros por dia. A ausência de sintomas dolorosos ocorreu em 67,9%, enquanto apenas 7,1% apresentavam o teste de Phalen e/ou Tinel positivos. Metade da amostra apresentava o diagnóstico neurofisiológico de síndrome do túnel do carpo (STC), que apresentou associação estatisticamente significante com a idade (p = 0,024), mas não com tempo e distância percorrida tocando a cadeira de rodas diariamente, uso de proteção ou adaptação na cadeira de rodas, sintomatologia dolorosa em membros superiores ou presença de sinais positivos para STC ao exame físico.
CONCLUSÃO: Os sinais eletromiográficos de STC são muito prevalentes nesses indivíduos, o que sugere maiores situações de risco para a integridade dos membros superiores e exige o desenvolvimento de estratégias biomecanicamente mais eficazes para a prevenção.

Palavras-chave: cadeiras de rodas, neurofisiologia, síndrome do túnel carpal, traumatismos da medula espinal

6 - A mesoterapia melhora a amplitude articular em pacientes com tendinite do manguito rotador

Mesotherapy improves range of motion in patients with rotator cuff tendinitis

Maria Matilde de Melo Sposito; Daniele Rivera; Marcelo Riberto; Leonardo Metsavaht

Acta Fisiátr.2011;18(4):196-199

Há evidências publicadas sobre o efeito da mesoterapia para as doenças inflamatórias do ombro.
OBJETIVO: Avaliar o ganho de amplitude de movimento (ADM) em pacientes com tendinopatia do manguito rotador tratados com mesoterapia. Uma série retrospectiva de casos conduzida a partir de prontuários médicos. Um serviço ambulatorial de reabilitação e ortopedia. População: 145 pacientes com diagnóstico clínico de tendinopatia do manguito rotador, com limitação da amplitude de movimento ativa.
MÉTODO: Os sujeitos do estudo foram tratados com mesoterapia entre 1995 e 2008, as mesclas foram selecionadas de acordo com o perfil do paciente e sua tolerância. O efeito sobre a ADM foi qualificado como "sem melhora" ou "com melhora". A melhora da sintomatologia foi correlacionada com a idade, duração dos sintomas e drogas usadas na mesoterapia. A realização concomitante de fisioterapia também foi correlacionada com o desfecho. Os efeitos adversos foram avaliados sistematicamente.
RESULTADOS: 117 pacientes (80,7%) apresentaram melhor objetiva da ADM ou a dor. O resultado não foi influenciado pela idade, duração dos sintomas ou pela realização concomitante de fisioterapia. Apenas efeitos adversos menores foram observados.
CONCLUSÃO: Este estudo sugere que a mesoterapia pode ser eficaz no tratamento da tendinopatia do manguito rotador, seja pela melhora da dor, ADM ou função global do membro superior. O impacto clínico deste estudo é que a mesoterapia pode ser associada ao tratamento fisioterapêutico padrão para melhorar ADM e dor na tendinopatia do manguito rotador.

Palavras-chave: infiltração, manguito rotador, mesoterapia, ombro, tendinopatia

7 - Desempenho dos segurados no serviço de reabilitação do Instituto Nacional de Seguridade Social

Performance of insured workers in the rehabilitation service at the National Institute for Social Security

Jerri Estevan Vacaro; Fleming Salvador Pedroso

Acta Fisiátr.2011;18(4):200-205

O objetivo principal deste trabalho é verificar o desempenho dos segurados que participaram do programa de reabilitação profissional junto ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) de Porto Alegre/RS.
MÉTODO: Foram estudados todos os segurados participantes do processo de reabilitação profissional ao longo do ano de 2008 no INSS de Porto Alegre/RS. Por meio do Sistema de Administração de Benefício por Incapacidade e do Cadastro Nacional de Informações Sociais, foram coletadas todas as informações referentes aos seus benefícios e ao programa de reabilitação profissional. Os dados foram tabulados no programa SPSS for Windows 17.0, a partir do qual foram feitas todas as análises.
RESULTADOS: Os dados mostraram que 553 (69%) dos segurados eram homens e 249 (31%), mulheres. Quanto à idade, variou entre 18 e 60 anos, com média de 38,9 anos. Inicialmente, 645 (80,4%) estavam empregados e 157 (19,6%), desempregados. Após um ano do término do programa de reabilitação, 29,4% dos segurados estavam trabalhando. Os segurados empregados tiveram um retorno de 40,6% e 76,7% dos desempregados não retornaram ao trabalho. Segurados em benefício por acidente de trabalho retornaram em 58,7 % dos casos e 29,6% dos segurados em auxílio-doença. Os segurados que permaneceram até um ano em benefício tiveram sucesso de 72,4% e com mais de cinco anos, 24,7%.
CONCLUSÃO: Os segurados empregados, em benefício espécie acidente de trabalho, durante tempo menor em benefício e que foram reabilitados dentro da própria empresa, alcançaram índice maior de retorno ao trabalho se comparados ao índice dos desempregados, com longos benefícios e aqueles cuja empresa não ofereceu outra função.

Palavras-chave: reabilitação profissional, seguridade social, trabalhadores

8 - Composição corporal de esportistas com lesão medular e com poliomielite

Body composition of active persons with spinal cord injury and with poliomyelitis

Sandra Maria Lima Ribeiro; Joseph Kehayias; Regina Célia da Silva; Julio Tirapegui

Acta Fisiátr.2011;18(4):206-210

O presente estudo teve por objetivos avaliar a composição corporal de esportistas com lesão medular traumática e poliomielite.
MÉTODO: Dois grupos de homens e mulheres, esportistas, com idades e índice de massa corporal (IMC) similares, foram distribuídos em dois grupos, de acordo com a origem da deficiência: LM-lesão medular traumática baixa (T5-T12) e P - sequelas de poliomielite em apenas um dos membros inferiores. Composição corporal analisada por DEXA (gordura e massa magra corporais); bioimpedância elétrica por análise vetorial-BIVA (resistência, reactância e ângulo de fase). Os participantes do mesmo gênero foram comparados de acordo com a origem da deficiência; os grupos foram comparados à população de referência, quando esses dados eram disponíveis.
RESULTADOS: Os vetores gerados na análise por bioimpedância foram avaliados pelo teste Hotelling's T2 e suas distâncias comparadas (Mahalanobis distance, D) entre si e com uma população de referência. Na análise por DEXA, os homens com LM apresentam maior quantidade absoluta de massa magra e, consequentemente, o maior índice de massa magra do que os P. Ambos apontaram valores inferiores à população de referência. Na análise por bioimpedância, os homens do grupo P apresentaram maior resistência que os LM e, como consequência, os menores ângulos de fase. O grupo LM foi o que mais se aproximou da população de referência.
CONCLUSÃO: Considerando a composição corporal como indicador indireto do estado nutricional, o presente estudo aponta que, embora ambas as origens de deficiência apresentem valores de massa magra inferiores e valores de resistência superiores aos estudos de referência, as pessoas com poliomielite podem estar em risco nutricional aumentado em relação às pessoas com lesão medular. Esse risco parece ser maior nos homens do que nas mulheres. Dados adicionais de avaliação nutricional, como o uso de marcadores bioquímicos e dietéticos, e com um maior número de avaliados, certamente poderão explorar e elucidar melhor esses achados.

Palavras-chave: atividade motora, avaliação nutricional, composição corporal, paraplegia, poliomielite

9 - O uso da estimulação elétrica computadorizada associada à cicloergometria em indivíduos com lesão medular é benéfico para os parâmetros musculares?

Is the use of computerized electrical stimulation associated with cycloergometrics in individuals with medullary lesion beneficial for the muscular parameters?

Igor Kaoru Naki; Marcelo Riberto; Maria Cecília dos Santos Moreira; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2011;18(4):211-216

Este artigo tem como objetivo revisar a literatura sobre o uso do Computerized Functional Electrical Stimulation (CFES) com desfechos musculares para os indivíduos com lesão medular.
MÉTODO: Foi realizada revisão bibliográfica sistemática nas bases eletrônicas de dados MEDLINE, PubMed, LILACS e Portal SciELO, sem delimitação de tempo ou idioma. Utilizou-se da estratégia PICO para pesquisa, as palavras-chave foram selecionadas a partir dos descritores em ciências de saúde e relacionaram-se com lesão medular, estimulação elétrica e parâmetros musculares.
RESULTADOS: Foram encontrados 554 artigos. Desses, 432 foram excluídos pelo título, resultando em 122 artigos. Destes, foram excluídas as duplicidades, resultando num total de 73 artigos; 36 foram excluídos pelo resumo e 33 após a leitura do estudo. Quatro estudos foram selecionados. Dois artigos incluíram homens e mulheres em seus estudos, dois apenas homens. Três estudos incluíram tetraplégicos e paraplégicos no mesmo estudo, um incluiu apenas tetraplégicos. Um dos estudos utilizou frequência de treinamento maior, sete vezes por semana, três fizeram uso de uma frequência de treinamento de três vezes por semana. A duração dos estudos teve grande variação, de seis semanas até um ano. As medidas de resultado para a avaliação de força e resistência foram realizadas de diversas maneiras, por medida de área de secção transversal dos músculos, circunferência do membro e a biópsia muscular; contudo, todos os estudos apresentavam ao menos uma das medidas fornecidas pelo equipamento, a avaliação de potência gerada (power output) ou do trabalho realizado (work output). Em todos os estudos, houve melhora da potência gerada ou do trabalho realizado. Apesar da heterogeneidade encontrada nestes estudos, os desfechos dos estudos avaliados indicam aumento significativo de potência gerada e trabalho realizado após os períodos de treinamentos, com ganhos a partir de seis semanas e treinamentos a partir de três vezes por semana.
CONCLUSÃO: Estudos futuros são necessários para avaliar as respostas em diferentes grupos de sujeitos, paraplégicos e tetraplégicos, em diferentes frequências de treinamento e em diferentes períodos de treinamento, proporcionando, assim, a elaboração de protocolos de treinamento cada vez mais direcionados.

Palavras-chave: estimulação elétrica, exercício, paraplegia, quadriplegia, traumatismos da medula espinal

ARTIGO DE REVISÃO

10 - Uso de um ambiente de realidade virtual para reabilitação de acidente vascular encefálico

Use of interactive video game for stroke rehabilitation

Lucas Barbosa de Souza; Chennyfer da Rosa Paino Paim; Marta Imamura; Fabio Marcon Alfieri

Acta Fisiátr.2011;18(4):217-221

O acidente vascular encefálico (AVE) é uma condição clínica isquêmica ou hemorrágica que compromete o sistema nervoso central e pode desencadear déficits motores e cognitivos. Muitas pesquisas são feitas para buscar formas de amenizar os sintomas e recuperar o máximo de funções dos indivíduos. Atualmente, as últimas tendências da reabilitação são explorar o avanço tecnológico e aparelhos de realidade virtual, como o Nintendo Wii®.
OBJETIVO: Identificar os resultados funcionais obtidos na reabilitação de indivíduos com AVE utilizando a interface de jogos do Nintendo Wii®.
MÉTODO: Para esta revisão da literatura foram selecionados artigos dos bancos de dados MEDLINE, PubMed e biblioteca Cochrane pela estratégia PICO. Os descritores usados foram: User-Computer Interface AND Stroke AND Rehabilitation.
RESULTADOS: De 229 artigos encontrados, apenas três foram utilizados nessa revisão, pois apresentavam relação direta ente Wii e AVE. Todos os trabalhos apresentaram benefícios motores, como melhora da coordenação e da agilidade de membros superiores com o uso do Wii associado a terapias convencionais, como a fisioterapia e terapia ocupacional.
CONCLUSÃO: Novos estudos devem ser realizados com o Wii e as novas tecnologias de realidade virtual que surgem a cada dia a fim de melhorar o nível de evidência científica quanto ao uso destes recursos na reabilitação de indivíduos portadores de sequela de AVE.

Palavras-chave: acidente vascular cerebral, interface usuário-computador, reabilitação

Revista Associada

Logo Associação Brasileira de Editores Científicos

©2017 Acta Fisiátrica - Todos os Direitos Reservados

Logo Acta Fisiátrica

Logo GN1