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Número atual: Março 2003 - Volume 10  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Disfunções músculo-esqueléticas em pacientes com hipotireoidismo subclínico

Skeletal Muscle Dysfunction in Patients with Subclinical Hypothyroidism

Vaneska Spinelli Reuters; Patrícia de Fátima dos Santos Teixeira; Carmen Lucia Natividade de Castro; Cloyra Pereira Almeida; Helena Roisman Cardoso; Igor Mamed Porciúncula; Thais Helena Serta Nobre; Fabíola Alves Aarão Reis; Alexandru Buescu; Mario Vaisman

Acta Fisiátr.2003;10(1):7-11

Mialgia e fadiga são queixas freqüentes no consultório do Fisiatra e as disfunções tireoideanas, incluindo-se o hipotireoidismo sub-clinico (HS), devem ser sempre consideradas no diagnóstico diferencial. Alterações clínicas e psiquiátricas parecem também estar relacionadas ao HS, no entanto, o tratamento com Levotiroxina, ainda é controverso. O presente trabalho objetiva verificar a presença de alterações músculo-esqueléticas em pacientes com HS.
PACIENTES E MÉTODOS: avaliados 31 pacientes acompanhados no ambulatório de endocrinologia do HUCFFUFRJ (27 mulheres e 2 homens com idade entre 18 e 75 anos) com pelo menos duas dosagens elevadas de TSH. Todos receberam uma pontuação (score) baseada na escala de Billewicz modificada por Zulewski. Foram aplicados testes musculares manuais (TMM) para as cinturas escapular e pelvica; medida a força muscular de quadríceps em dinamômetro de cadeira eletromecânico; e estimada a força dos músculos inspiratórios através do registro da pressão inspiratória máxima com manovacuômetro.
RESULTADOS: Score < 3 (normal) foi observado em 11 pacientes (35,5%); entre 3 e 5 (disfunção subclínica) em 14 (45,1%) e superior a 5 (hipotireoidismo) em 6 (19,4%). Fadiga foi uma queixa freqüente (45%) e apresentou associação positiva com score maior que 2. O comprometimento da força muscular periférica (alteração no TMM) foi encontrado em 14% dos pacientes. Diminuição grave da força inspiratória (< 60% do previsto) estava presente em 28 participantes (51,6%). Nenhuma das demais alterações encontradas mostraram associação com o escore ou níveis de TSH.
DISCUSSÃO: A redução da força muscular inspiratória e proximal pode contribuir para a referida fadiga. A ausência de associação estatística entre essas variáveis deverá ser melhor esclarecida com o aumento da amostra e com a inclusão de um grupo controle pareado além do desenvolvimento de um estudo prospectivo com utilização de levotiroxina e placebo.

Palavras-chave: Disfunção músculo esquelética. Hipotireoidismo. Fadiga.

2 - Estudo comparativo entre os métodos de estimativa visual e goniometria para avaliação das amplitudes de movimento da articulação do ombro

A comparative study between visual estimation and goniometry for the assessment of range of motion of the shoulder joint

Júnia Amorim Andrade; Vilnei Mattioli Leite; Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela; Pola Maria Poli de Araújo; Yara Juliano

Acta Fisiátr.2003;10(1):12-16

OBJETIVO: comparar a utilização das técnicas de estimativa visual e de goniometria para medidas de amplitudes de movimento (ADM´s) do ombro (elevação, extensão, abdução e rotações externa/interna a 90° de abdução) e indicar o melhor procedimento e referência para medidas das ADM's da articulação do ombro.
MÉTODOS: dois profissionais da área de saúde com diferentes experiências na avaliação de ADM's avaliaram noventa e sete indivíduos normais de ambos os sexos com idade entre 20 a 50 anos, utilizando os métodos de estimativa visual recomendados pela American Academy Orthopaedic Surgeons (AAOS) e o método de goniometria recomendado por Norkin e White (1997). Comparações entre os métodos apresentaram diferenças significativas para todos os movimentos.
CONCLUSÕES: existem diferenças entre os valores das ADM's do ombro avaliadas pelo método de estimativa visual da AAOS e os valores obtidos pela goniometria, sugerindo que a goniometria é até o momento, o melhor método para avaliar diferenças discretas entre as medidas.

Palavras-chave: Avaliação, amplitude de movimento, estimativa visual, goniometria, ombro

3 - Terapia Ocupacional e o uso do computador como recurso terapêutico

Occupational Therapy and the use of the computer as a resource in Rehabilitation

Marli Kiyoko Fujikawa Watanabe; Denise Rodrigues Tsukimoto; Gracinda Rodrigues Tsukimoto

Acta Fisiátr.2003;10(1):17-20

Atualmente a tecnologia da informática vem se ampliando para diversas áreas de atuação profissional, inclusive para o campo da Terapia Ocupacional, aonde vem sendo aplicada na prática clínica como modalidade de tratamento. Neste artigo tem-se como objetivo apresentar a atuação do terapeuta ocupacional junto a pessoas com lesão cerebral e lesão medular, utilizando o computador e suas ferramentas e aplicações como recurso terapêutico que potencializa o processo de reabilitação de modo geral. Foram selecionados pacientes em programa de reabilitação que apresentavam dificuldades motoras e percepto-cognitivas, que participaram de atendimentos de Terapia Ocupacional com duração de trinta minutos a uma hora, sendo possível avaliar e documentar a evolução dos pacientes através das atividades realizadas no computador e da utilização de softwares, hardwares e adaptações. Foi possível observar que houve aumento da motivação, melhora das habilidades motoras e percepto-cognitivas, repercutindo de forma positiva no processo de reabilitação como um todo.

Palavras-chave: Terapia Ocupacional. Métodos. Reabilitação. Desempenho psicomotor. Software.

4 - O impacto da movimentação passiva contínua no tratamento de pacientes submetidos a artroplastia total de joelho

Impact of continuous passive motion for the treatment of total knee replacement patients

Luci Fuscaldi Teixeira Salmela; Bárbara Gazolla de Macedo; Cristina Mendes de Aguiar; Lenise Aparecida Bahia

Acta Fisiátr.2003;10(1):21-27

O objetivo desta revisão bibliográfica foi avaliar evidências da eficácia da movimentação passiva contínua para o ganho de amplitude de movimento em pacientes submetidos a artroplastia total de joelho (ATJ). A movimentação passiva contínua (MPC) tem sido empregada no pós-operatório de ATJ com vários objetivos dentre eles, o aumento da amplitude de movimento do joelho, controle da dor e do edema, redução de incidência de trombose venosa profunda e manipulações do joelho. Na metodologia deste estudo foram selecionados somente ensaios clínicos randomizados que abordassem a utilização da MPC no pós-operatório de ATJ. Os resultados desta revisão foram controversos com relação à utilização da MPC, devido a metodologia de intervenção muito variada dos estudos dificultando a análise da eficácia e de evidência científica. Porém, os resultados foram positivos para o ganho da flexão do joelho, a curto prazo, quando a MPC foi aplicada no pós-operatório imediato. Não houve evidência científica quanto ao ganho de extensão do joelho pela MPC. Portanto, se faz necessário uma sistematização da metodologia dos trabalhos de MPC para avaliar a força de evidência científica deste método.

Palavras-chave: Artroplastia do joelho. Reabilitação. Fisioterapia. Terapia passiva contínua de movimento.

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

5 - A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

The International Classification of Functioning , Disability and Health

Cassia Maria Buchalla

Acta Fisiátr.2003;10(1):29-31

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) é um novo instrumento da Organização Mundial de Saúde para a mensuração de condições relacionadas à saúde. Aprovada em 2001 é apresentada neste texto que aponta sua estrutura e suas várias utilizações. Constituindo a base para definições, medidas e formulação de políticas para a saúde e para as incapacidades.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade. Classificação Internacional de Incapacidades.

RELATO DE CASO

6 - Gasto energético em paciente amputado transtibial com prótese e muletas

Metabolic output in a transtibial amputee using crutches and prosthesis

Alexandra Passos Gaspar; Sheila Jean McNeill Ingham; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2003;10(1):32-34

Pacientes com amputação transtibial têm um maior gasto energético durante a marcha com a prótese, necessitando consumir 20% a mais de oxigênio quando comparados a indivíduos normais na mesma velocidade relativa. Fisher et al. estudaram o gasto energético em pacientes não amputados em uso de muletas em terreno plano e escadas; concluíram que o volume de oxigênio (VO2) destes indivíduos atingia 40% do máximo esperado para os mesmos e que a freqüência cardíaca chegava à 62% da máxima prevista e portanto, que o uso de muletas em pacientes cardiopatas deveria ser feito com restrições. O gasto energético durante a marcha com muletas axilares é aproximadamente duas vezes maior quando comparada à marcha normal. O objetivo deste trabalho é comparar o gasto energético em pacientes amputados de membro inferior com uso de prótese e muletas. O paciente foi avaliado em relação ao gasto energético com prótese e com muletas axilares através do teste de Shuttle. O instrumento para avaliação foi o K4b2Ò, espiromêtro portátil da Cosmed. Nossos dados mostram que o paciente possui menor gasto energético com a prótese e portanto, percorre uma distância maior do que com as muletas.

Palavras-chave: Amputados. Metabolismo energético. Prótese. Muletas.

Número atual: Agosto 2003 - Volume 10  - Número 2

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

1 - Interfaces da Medicina de Reabilitação com a Medicina do Trabalho e as Ciências Forenses

Linamara R. Battistella, Profª. Drª.

Acta Fisiátr.2003;10(2):52-53



Palavras-chave: Amputados. Metabolismo energético. Prótese. Muletas.

ARTIGO ORIGINAL

2 - Musculação e condicionamento aeróbio na performance funcional de hemiplégicos crônicos

Exercise Machines and aerobic conditioning on functional performance of chronic stroke survivors

Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela; Priscila Carvalho e Silva; Renata Cristina Magalhães Lima; Ana Cristina Costa Augusto; Aline Cristina de Souza; Fátima Goulart

Acta Fisiátr.2003;10(2):54-60

O objetivo do presente estudo foi investigar a performance funcional em indivíduos hemiplégicos crônicos, quando submetidos a um programa de fortalecimento muscular, utilizando a musculação e condicionamento aeróbio. Trinta pacientes foram recrutados na comunidade obedecendo aos critérios de inclusão, e submetidos ao programa de treinamento pré-estabelecido, três vezes por semana, durante 10 semanas. Os pacientes foram avaliados antes e após o treinamento nos seguintes parâmetros funcionais: velocidade de marcha, habilidade para subir escadas, endurance (velocidade máxima e índice de custo fisiológico) e simetria no sentar e levantar. Estatísticas descritivas e testes de normalidade (Shapiro-Wilk) foram utilizadas para todas as variáveis. Testes-t de Student para dados emparelhados foram utilizados para investigar o impacto do treinamento. Melhoras significativas (p<0,001) foram observadas na velocidade de marcha, habilidade para subir escadas e velocidade máxima. Não foram observadas diferenças significativas nas medidas de simetria e índice de custo fisiológico. Os achados demonstraram melhoras significativas nas medidas de performance funcional, após 10 semanas de treinamento, associando musculação e condicionamento aeróbio.

Palavras-chave: Acidente cerebrovascular, hemiplegia, fortalecimento muscular, musculação, condicionamento aeróbio, performance funcional.

3 - Padrão respiratório em pacientes portadores da doença de parkinson e em idosos assintomáticos

Breathing pattern in parkinson's disease patients and healthy elderly subjects

Verônica F. Parreira; Luciana U. Guedes; Dalila G. Quintão; Eduardo P. Silveira; Georgia M. Tomich; Rosana F. Sampaio; Raquel R. Britto; Fátima Goulart

Acta Fisiátr.2003;10(2):61-66

OBJETIVO: Caracterizar diferentes componentes do padrão respiratório em pacientes portadores da Doença de Parkinson (DP) e em idosos assintomáticos.
MATERIAL E MÉTODO: Foram estudados 10 pacientes com DP com grau de acometimento III-IV segundo a escala de Hoehn e Yahr e 10 idosos assintomáticos. Variáveis respiratórias analisadas: volume corrente, freqüência respiratória, ventilação minuto, porcentagem do tempo inspiratório, fluxo inspiratório médio, contribuição da caixa torácica e do abdômen para o volume corrente, através da pletismografia respiratória por indutância calibrada. A análise estatística foi feita através do teste t de Student para grupos independentes.
RESULTADOS: Os pacientes com DP apresentaram volume corrente e fluxo inspiratório médio menores (p=0,01 e p=0,03 respectivamente), uma freqüência respiratória maior (p=0,03), resultando numa ventilação minuto significativamente menor (p=0,02) comparados aos idosos assintomáticos. Não houve diferença significativa em relação à contribuição da caixa torácica e do abdômen entre os dois grupos.
CONCLUSÃO: Estes resultados apontaram alterações importantes em diferentes componentes do padrão respiratório em pacientes portadores da DP.

Palavras-chave: Doença de Parkinson. Padrão Respiratório. Pletismografia. Fisioterapia.

4 - Perfil epidemiológico dos pacientes amputados do Lar Escola São Francisco - estudo comparativo de 3 períodos diferentes

Epidemic profile of the amputee patients from Lar Escola São Francisco - comparison study between 3 different periods

Valéria Cassefo; Daniela Cristina Nacaratto; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr.2003;10(2):67-71

Foi realizado um estudo retrospectivo através da revisão de 262 prontuários de pacientes amputados do Lar Escola São Francisco - São Paulo, no período de janeiro de 1998 a dezembro de 2002, com o objetivo de traçar o perfil epidemiológico do serviço.
Houve predomínio do sexo masculino (71%), de amputações de membro inferior (85,9%), sendo a acima do joelho predominante (52,4%). A etiologia vascular foi a principal causa de amputação em pacientes com mais de 50 anos (72,9%).
Observou-se demora no início da reabilitação (média de 19,6 meses) e que o tempo médio de tratamento (10,7 meses) é maior que o descrito na literatura. Além disso, um número pequeno de pacientes adquire prótese (25,2%).
Posteriormente, correlacionamos nossos dados com 02 estudos anteriores realizados neste mesmo serviço, visando comparar os resultados obtidos em três períodos diferentes e observamos progressos no processo de reabilitação dos pacientes amputados atendidos em nossa Instituição.

Palavras-chave: Amputação. Reabilitação. Epidemiologia. Próteses.

5 - Avaliação epidemiológica dos pacientes com lesão medular atendidos no Lar Escola São Francisco

Epidemiological study of patients with spinal cord injury treated at the Lar Escola São Francisco

Alexandra Passos Gaspar; Sheila Jean McNeill Ingham; Patrícia C. Pontes Vianna; Francisco Prado E. dos Santos; Therezinha Rosane Chamlian; Eduardo Barros Puertas

Acta Fisiátr.2003;10(2):73-77

A lesão medular apresenta-se como um grande problema de saúde pública, uma vez que a maior parte dos pacientes lesados medulares são jovens e, portanto, encontram-se no auge de sua produtividade, tanto profissional, quanto pessoal. Neste trabalho procurou-se estudar o perfil epidemiológico dos pacientes atendidos no Lar Escola São Francisco, Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo.
Foram revisados 171 prontuários de pacientes atendidos no período de 1999 a 2001 e foi encontrado um predomínio de pacientes jovens (média 35,4 anos) e do sexo masculino (62,6%). A principal causa de lesão medular encontrada foi o ferimento por arma de fogo (30,1%) e a principal lesão foi a incompleta (59,6%) e espástica (57,3%). O nível neurológico mais frequente foi o torácico, em 59% dos pacientes.

Palavras-chave: Traumatismos da medula espinhal, epidemiologia.

RELATO DE CASO

6 - Pés reumatóides: avaliação pela podobarometria dinâmica computadorizada e restauração funcional com órteses plantares

Rheumatoid feet: evaluation with computerized dynamic pedobarography and functional restauration with foot orthosis

Eduardo de Paiva Magalhães; Donaldo Jorge Filho; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2003;10(2):78-82

Os pés são comumente acometidos na artrite reumatóide (AR), contribuindo em muito na dor e incapacidade observadas nessa doença. Este artigo descreve uma paciente com pés reumatóides, tratada com órteses para os pés. Foram discutidas as alterações mais freqüentes observadas nessa patologia, o tratamento com palmilhas e o uso da podobarometria dinâmica computadorizada (F-Scan) como método auxiliar diagnóstico e de acompanhamento.

Palavras-chave: Artrite reumatóide. Pé reumatóide. Aparelhos ortopédicos. Palmilhas. Análise da marcha. Podobarometria computadorizada.

7 - Avaliação computadorizada por fotografia digital, como recurso de avaliação na Reeducação Postural Global

Computerized evaluation by digital photography, an evaluation resource for Global Postural Reeducation

Pedro Claudio Gonsales de Castro; José Augusto Fernandes

Acta Fisiátr.2003;10(2):83-88

O trabalho é descrito por meio de fotografia digital, utilizando-se marcadores esféricos e reflexivos fixados em pontos anatômicos pré definidos, possibilitando a análise através de um programa de computador, denominado Fisiologic, que ao processar as fotos digitais, fornece coordenadas x e y dos marcadores corporais em pixels, sendo que estas coordenadas servem para gerar valores dos segmentos corporais utilizando a forma geométrica analítica. Relato aqui o caso de uma paciente com comprometimento postural, submetida ao método da Reeducação Postural Global, onde foi realizada avaliação fisioterapêutica e posteriormente fotografada e analisada antes e após a 21ª sessão. O programa apresentou resultados satisfatórios em relação à análise postural no acompanhamento dos segmentos corporais da paciente em estudo, bem como demonstraram os exames radiológicos.
Concluiu-se portanto, ser este um método eficaz de avaliação na Reeducação Postural Global.

Palavras-chave: Avaliação computadorizada. Fotografia digital. Reeducação Postural Global.

Número atual: Dezembro 2003 - Volume 10  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Envelhecimento e participação social

Coming of age and social participation

Mônica Cordeiro de Azevedo; Maria Luísa Barca Gazetta; Arlete Camargo de Melo Salimene

Acta Fisiátr.2003;10(3):102-106

O presente estudo tem como objetivo conhecer como se processa a participação social dos idosos integrantes do Programa de Atendimento Global na terceira idade da Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo do ano de 2001. Este é um programa terapêutico que objetiva proporcionar ao idoso a melhoria da capacitação física, psicológica e social. Realizou-se pesquisa quantitativa e qualitativa baseada no Instrumento de Avaliação Social, utilizado pelas assistentes sociais da Divisão, sendo pesquisado um total de dezessete pacientes. O grupo é composto predominantemente por mulheres, que associaram os relacionamentos interpessoais à possibilidade de participação social. A vontade de estar se relacionando com outras pessoas é o principal fator que lhes motiva a procurar atividades. Constata-se que os membros deste grupo podem ser considerados participativos socialmente, segundo os conceitos de participação que sugerem ao indivíduo a busca de novas atividades e relacionamentos com a chegada da terceira idade.

Palavras-chave: Idosos. Participação social. Trabalho. Serviço Social

2 - A sexualidade no envelhecer: um estudo com idosos em reabilitação

The Sexuality in aging: a study with elderly under rehabilitation

Renata Maria Ortiz De Silva

Acta Fisiátr.2003;10(3):107-112

O objetivo deste estudo descritivo foi caracterizar os participantes do Grupo de Educação a Saúde (GES) da Divisão de Medicina de Reabilitação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (DMR-HCFMUSP) quanto à prática de atividade sexual de idosos, identificando as alterações na função sexual e expectativas dos mesmos com relação à sexualidade. Para a coleta de dados utilizou-se instrumento especifico, com três partes, na primeira foram informados dados sócio-demográficos; nas demais partes tanto homens quanto mulheres foram questionados quanto a regiões do corpo onde preferiam a estimulação sexual, a freqüência da atividade sexual e formas de obtenção de prazer. Para os homens foram direcionadas questões específicas sobre ereção, ejaculação. Para mulheres investigou-se a ocorrência de orgasmos e libido, bem como aspectos fisiológicos envolvidos no ato sexual. Nossa amostra foi de 36 pacientes, cuja média de idade era 70 a 75 anos, sendo 31 mulheres (86%). Quanto ao estado civil: 16 eram viúvos (44%) 10 casados (28%); 5 solteiros (14%) e 5 divorciados (14%). Os dados apontam que 12 dos participantes praticam sexo de 0 a 3 vezes por semana.Em relação à freqüência das atividades sexuais 77% participantes julgaram-na satisfatória e 21 afirmaram sentir prazer (81%). A forma de estímulo preferida foi o uso de carícias 10 (56%), seguida por carícias e beijos em 4 (22%) ou masturbação em outros 4 (22%). Como zona erógena, 8 (30%) pessoas mencionam a cabeça, seguida de boca e pescoço 6 (22%), mamilos, peito e genitais 2 (7%). O estudo permitiu a verificação das características peculiares da atividade sexual em idosos, servindo como base para investigações clínicas aprofundadas a partir das quais abordagens mais amplas podem ser implementadas.

Palavras-chave: Sexualidade. Reabilitação. Idosos. Gerontologia

PALAVRA DO EDITOR

3 - Palavra do editor

Marcelo Riberto

Acta Fisiátr.2003;10(3):113



Palavras-chave: Sexualidade. Reabilitação. Idosos. Gerontologia

ARTIGO ESPECIAL

4 - O Envelhecimento

Aging

Cesar Timo-Iaria

Acta Fisiátr.2003;10(3):114-120

O crescimento da população idosa vem se tornando uma preocupação. Atualmente essa população consegue trabalhar até uma idade avançada, ocupando empregos que poderiam ser de jovens que buscam entrar no mercado de trabalho, em países onde a previdência social é atribuição governamental, os gastos com aposentadoria estão se tornando cada vez mais onerosos para os orçamentos nacionais.
O envelhecimento ou senescência, configura-se como um processo múltiplo e desigual de comprometimento das funções que caracterizam o organismo vivo.
Cada ser vivo dura o suficiente para se reproduzir e ser substituído pela geração subsequente, o que explica que exista uma expectativa de vida média mais ou menos constante em cada espécie biológica. Tudo indica que a ocorrência da senescência resulta de processos presentes no núcleo celular, ligados à produção de certas proteínas como a terminina.
Pesquisas mais recentes apontam também para a relevância da liberação e inativação insuficiente de radicais livres no desencadeamento e progresso da senescência.
Sabe-se que na Grécia antiga a duração média de vida atingiu valores que nos outros locais só se encontrariam no século XX. A longevidade dos gregos antigos ainda é um mistério, o mais provável é que se tratasse de uma característica genética que se diluiu progressivamente pelas conquistas militares gragas.
A longevidade atual deriva sem dúvida nenhuma da conquista da medicina e da educação que possibilitam que o progresso médico se estenda a fração apreciável de suas populações.

Palavras-chave: Envelhecimento. Idoso

PALAVRA DO EDITOR

5 - Palavra do editor

Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr.2003;10(3):121



Palavras-chave: Envelhecimento. Idoso

ARTIGO ESPECIAL

6 - Fisiologia do sistema nervoso neurovegetativo

José Brenha Ribeiro Sobrinho

Acta Fisiátr.2003;10(3):122-132

Uma análise das conexões anatômicas e funcionais do sistema neurovegetativo, permite o entendimento de suas relações com os núcleos hipotalamicos e com o sistema imunitário. No presente artigo está descrito o centro neurovegetativo no córtex cerebral com as reações características deste nível - reações neurovegetativas de reforço, de acompanhamento e psíquica. Apresenta-se as áreas diencefálicas, com as conexoões talâmicas, descrevendo as influências provenientes de formação reticular.
As vias e centros neurovegetativos do tronco cerebral, são estudadas a partir dos centros ortossimpático e centros parassimpáticos, relacionando-os com as vias neurovegetativas da medula.
A última parte é dedicada a uma conceituação sobre o sistema neurovegetativo periférico e sua expressão clínica dentro do entendimento dos fenômenos motores e sensitivos do controle medular.
O trabalho é finalizado lembrando a conexão do sistema neurovegetativo com o sistema imunitário.

Palavras-chave: Sistema nervoso autônomo. Regulação do sistema nervoso autônomo. Reações neurovegetativas.

ARTIGO DE REVISÃO

7 - Importância do treinamento de força na reabilitação da função muscular, equilíbrio e mobilidade de idosos

The importance of strength training programs for the rehabilitation of muscle function, equilibrium and mobility of the elderly

Juliana de Castro Faria; Carolina Carla Machala; Rosângela Corrêa Dias; João Marcos Domingues Dias

Acta Fisiátr.2003;10(3):133-137

Com o processo de envelhecimento ocorrem modificações fisiológicas na função neuro-músculo-esquelética. Associadas a doenças crônico-degenerativas, altamente prevalentes nos idosos, essas modificações poderão levar a déficits de equilíbrio e alterações na marcha que predispõem à ocorrência de quedas, ocasionando graves conseqüências sobre o desempenho funcional e na realização de atividades de vida diária (AVDs). Não é correto atribuir-se a deterioração dessas capacidades como conseqüência inevitável do envelhecimento. Contudo, está claro que muito dessa deterioração pode ser atribuída a níveis reduzidos de atividade física. Isso significa que a implementação de um programa de exercícios, mesmo em idades extremas, é capaz de minimizar ou mesmo evitar o declínio funcional acentuado, amenizando os efeitos das doenças, ou mesmo prevenindo-as. Esta revisão bibliográfica teve como objetivo analisar estudos que estabeleceram correlações entre programas de fortalecimento muscular e o desempenho funcional de idosos no equilíbrio e na marcha. Para tanto, foi feita uma busca na base de dados MEDLINE e LILACS de estudos que se propuseram a estabelecer estas correlações.

Palavras-chave: Idoso. Terapia por Exercício. Treinamento de Força. Equilíbrio. Marcha.

8 - O movimento de passar de sentado para de pé em idosos: implicações para o treinamento funcional

The sit-to-stand movement in elderly people: implications for functional training

Fátima Goulart; Carolina Mitre Chaves; Márcia L. D. Chagas e Vallone; Juliana Azevedo Carvalho; Kátia Regina Saiki

Acta Fisiátr.2003;10(3):138-143

O movimento de passar de sentado para de pé (ST-DP) é de grande importância no dia a dia das pessoas. Dificuldades na realização deste movimento podem ocorrer no idoso em decorrência de fatores intrínsecos ou extrínsecos, limitando a sua participação em atividades cotidianas. O objetivo da presente revisão foi caracterizar o movimento de ST-DP, identificar as limitações no idoso que interferem na sua habilidade de executar esse movimento e discutir como tais limitações podem ser minimizadas através do tratamento fisioterapêutico. O movimento de ST-DP é gerado por um momento de inércia horizontal e outro vertical e ressalta-se a ativação dos músculos tibial anterior, sóleo, gastrocnêmio, quadríceps, isquiotibiais, glúteo máximo, abdominais, paravertebral lombar, trapézio e esternocleidomastóideo durante a realização do mesmo. Fatores relacionados à dificuldade de passar de ST-DP em idosos incluem fatores fisiológicos, ambientais e a posição inicial de segmentos corporais. O tratamento fisioterapêutico deve abordar o ganho de força muscular, o alongamento da musculatura específica e a manutenção das amplitudes articulares para otimizar a performance desse movimento em idosos. Além disso, a adoção de determinadas medidas como a modificação da altura do assento, a presença de apoio para os braços e o posicionamento adequado dos pés podem facilitar a habilidade do idoso em realizar a tarefa de ST-DP. O treinamento funcional específico pode melhorar a performance motora e promover maior independência em indivíduos nesta faixa etária.

Palavras-chave: Movimento. Idoso. Reabilitação.

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