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Número atual: Agosto 1997 - Volume 4  - Número 2


ARTIGO ORIGINAL

Efeitos do treinamento físico específico nas respostas cardiorrespiratórias e metabólicas em repouso e no exercício máximo em jogadores de futebol profissional


Paulo Roberto Santos Silva1; Angela Romano1; Paulo Yazbek Jr.2; Linamara Rizzo Battistella3

1. Fisiologista do exercício.
2. Cardiologista-chefe do laboratório de fisiologia.
3. Fisiatra e diretora da instituição.


Resumo

O objetivo deste estudo foi analisar as alterações provocadas pelo treinamento físico específico (TFE) nas respostas cardiorrespiratórias e metabólicas de 16 jogadores de futebol profissional, com média de idade de 24,2 ± 3,6 anos. Todos os atletas foram avaliados antes e depois de quinze semanas de um programa de TFE, durante período competitivo. Os futebolistas foram submetidos a teste máximo em esteira rolante, utilizando-se o protocolo de Ellestad. A resposta de freqüência cardíaca (FC) foi registrada por meio de um eletrocardiógrafo de 3 derivações simultâneas e a pressão arterial (PA), por meio de método auscultatório. A ventilação pulmonar (VE), o consumo de oxigênio (VO2), a produção de dióxido de carbono (VCO2) e a razão de troca respiratória (RER) foram calculados a partir de valores medidos por um sistema espirométrico computadorizado (BECKMAN) e a capacidade anaeróbia máxima, por meio da concentração sanguínea de ácido lático, utilizando-se analisador automático. O TFE não modificou significativamente a FC máxima (192 ± 8 versus 186 ± 6 bpm) e a PA sistólica máxima (196 ± 10 versus 198 ± 8 mmHg). A resposta ventilatória máxima foi significativamente aumentada (129 ± 19 versus 140 ± 16 L .min-1 [p< 0.05]), enquanto a capacidade aeróbia máxima não foi significativamente modificada (50,0 ± 6,0 vs 53,0 ± 5,0 ml.kg.-1min-1) por esse treinamento. Ao contrário, a capacidade anaeróbia máxima aumentou significativamente (8,3 ± 0,2 versus 9,8 ± 2,4 mmol. L-1 [p< 0,05]).
CONCLUIU-SE: 1) O TFE não modificou as respostas de FC e PA no repouso e no exercício máximo; 2) A maior VE no exercício máximo associada a elevada concentração sanguínea de ácido lático demonstraram que o TFE utilizado nesse estudo foi caracterizado por exercícios predominantemente intensos e 3) O TFE não representou estímulo adequado para aumentar a capacidade aeróbia máxima dos futebolistas.

Palavras-chave: Treinamento físico. Capacidade aeróbia. Capacidade anaeróbia. Freqüência cardíaca. Pressão arterial. Jogador de futebol.




INTRODUÇÃO

O futebol é um jogo de demanda energética multifatorial e sua variação é muito grande durante as partidas (Ekblom, 1986; Bangsbo, 1994). É uma modalidade esportiva extremamente popular e muito difundida em vários países. Entretanto, pouco se conhece a respeito das características fisiológicas de jogadores profissionais em nosso país. Além disso, as informações disponíveis são de jogadores amadores e profissionais de outros países (Caru e cols., 1970; Bell & Rhodes, 1975; Raven e cols., 1976; Berg e cols., 1985; Ramadan & Bird, 1987; Nowacki e cols., 1987; Chin e cols., 1994) o que torna o jogador profissional brasileiro ainda menos conhecido (Williams & Reid, 1973; Raven e cols., 1976; Thomas & Reilly, 1979; Ekblom, 1986; Bunc e cols.; 1992).

Alguns pesquisadores têm concentrado seus estudos nas respostas fisiológicas agudas de freqüência cardíaca (FC), concentração sanguínea de ácido lático e capacidade aeróbia máxima (VO2max.), sendo esta última considerada uma das mais importantes características para o sucesso nesse esporte. Por outro lado, é reconhecido que a importância de cada um desses parâmetros fisiológicos parece depender, em grande parte, da posição e das funções táticas durante o transcorrer do jogo, da motivação, nível de qualidade técnica, carga genética e do grau de aptidão física do jogador (Klissouras, 1971 e 1976; Rochcongar e cols., 1981; Bouchard e Lortie, 1984; Bouchard e cols., 1986; Apor, 1988; Puga e cols., 1993). Estudos longitudinais que demonstraram a evolução comparativa de respostas fisiológicas do treinamento físico específico (TFE), em meio à competição em futebolistas profissionais são escassos (Ekblom, 1986; Bangsbo, 1994).

Este estudo teve por objetivo analisar o comportamento cardiorrespiratório e metabólico, em repouso e no exercício máximo, de um grupo de jogadores de futebol profissional, pertencentes à primeira divisão do Estado de São Paulo, antes do início do campeonato (pré-temporada) e após quinze semanas de um programa de TFE e competição.


MATERIAL E MÉTODOS

Dezesseis jogadores de futebol profissional do sexo masculino, com média de idade de 24,2 ± 3,6 anos, peso de 75,0 ± 8,0 kg e estatura de 179 ± 5 cm, pertencentes à primeira divisão do Estado de São Paulo, foram avaliados em período de prétemporada e quinze semanas após o início do campeonato paulista, isto é, no período intermediário da competição (tabela 1).




Previamente à avaliação em esforço, cada jogador foi submetido a eletrocardiograma em repouso, com 12 derivações, registradas em eletrocardiógrafo da marca Hewlett-Packard, modelo 7826-B, para diagnosticar possíveis alterações eletrocardiográficas. Além dessa medida, a pressão arterial foi avaliada por meio de método indireto auscultatório, utilizando-se esfigmomanômetro aneróide.

Antecedendo ao período de TFE, os atletas foram submetidos a um teste máximo, em esteira rolante da marca Quinton modelo 18-54, utilizando-se o protocolo de Ellestad (Ellestad e cols., 1969).

A frequência cardíaca (FC) foi monitorada continuamente em repouso, durante o teste de esforço e na fase de recuperação, por meio de um eletrocardiógrafo da marca (Dixtal) modelo (DX2500)) com 3 derivações simultâneas nas posições (MC5, AVF e V2) e registrada a cada minuto. As pressões arteriais sistólica (PAS) e diastólica (PAD) em repouso e a PAS no final de cada estágio do teste de esforço foram medidas por meio de um esfigmomanômetro aneróide.

A ventilação pulmonar (VE), o consumo de oxigênio (VO2), a produção de dióxido de carbono (VCO2) e a razão de troca respiratória (RER[VCO2/VO2]) foram calculadas a partir de valores medidos por meio de um analisador de gases computadorizado da marca BECKMAN modelo MMC, que possui um sensor polarográfico (OM- 11) e um sistema infra-vermelho (LB-2) para avaliação das frações expiradas de oxigênio (FEO2) e de dióxido de carbono (FECO2), respectivamente (Yazbek Jr. e cols., 1985).

A capacidade anaeróbia lática máxima foi determinada pela concentração sanguínea de ácido lático, por meio de amostras de 60ul de sangue arterializado, colhidas da polpa do dedo médio, seguido de análise em sistema automático da marca YSI L-Lactate modelo 23 L. As determinações de ácido lático sanguíneo foram realizadas em repouso e no segundo minuto de recuperação.

Os dados foram analisados por meio do teste t de Student, fixando-se o nível de significância de p < 0,05, para dados pareados (Glantz, 1992) .


RESULTADOS

Respostas cardiovasculares: a FC e as PAS e PAD em repouso não foram modificadas significativamente pelo TFE (tabela 2). Resultados semelhantes foram observados no exercício máximo, ou seja, o TFE não modificou a PAS na intensidade máxima de exercício (tabela 2).




Respostas respiratórias e metabólicas no exercício máximo: a VE, na intensidade máxima de exercício, foi significativamente aumentada após o TFE. Isso representou um aumento de 11 L.min-1 ou um ganho de 9%, em conseqüência do TFE utilizado (tabela 3).




Resultados semelhantes foram verificados em relação à concentração sanguínea máxima de ácido lático que, após o TFE, apresentou aumento de 18% (tabela 3). Ao contrário, o VO2max foi modificado em apenas 6% após o TFE (tabela 3).


COMENTÁRIOS E DISCUSSÃO

O principal objetivo desse estudo foi verificar as alterações cardiorrespiratórias e metabólicas provocadas pelo TFE, comumente realizado por jogadores de futebol em período competitivo.

Apesar de o treinamento físico provocar bradicardia de repouso, tanto no homem (Raab e cols., 1960; Lin & Horvath, 1972; Katona e cols., 1982) como no animal (Tipton & Taylor, 1965; Tipton; Tipton, 1965; Tipton e cols., 1969; Sigvardsson e cols., 1977), na presente investigação esse fenômeno não foi verificado. Essa distinção evidencia que o TFE realizado pelos futebolistas não foi direcionado para exercícios de intensidade predominantemente moderada e de longa duração, pois é a partir do exercício realizado com essas características que se verifica diminuição da FC de repouso. A resposta cronotrópica máxima de exercício também não foi modificada significativamente pelo TFE.

O efeito do treinamento físico na PA de repouso é contraditório (Seals & Hagberg, 1984). Embora alguns autores sugiram que o treinamento físico diminui a PA de repouso, estes resultados não foram verificados no presente estudo.

A resposta ventilatória máxima verificada após o TFE foi significativamente aumentada. Resultados semelhantes foram encontrados por Raven e cols.(1976), em jogadores de futebol profissional. Esse aumento na VE pode ter sido determinado pela elevada intensidade do TFE utilizado. Tem sido demonstrado que o treinamento físico intenso aumenta a capacidade ventilatória de exercício, como um mecanismo de compensação da acidose metabólica (Astrand e cols., 1960; Wasserman e cols., 1973). A concentração sanguínea de ácido lático é, freqüentemente, utilizada como um indicador da produção de energia anaeróbia lática em futebolistas. A sua detecção tem sido realizada como rotina em laboratórios de fisiologia ou, mais especificamente, entre os períodos intermediário e final das partidas, o que demonstra de maneira mais real a participação desse metabólito como produtor de energia durante o transcorrer de um jogo de futebol.

Gerisch e cols.(1987) medindo ácido lático em futebolistas amadores ao final das duas etapas do jogo, verificaram no transcorrer de quatro jogos competitivos valores de 5,58 e 4,68 mmol.L-1 , taxas consideradas baixas, quando comparadas a atletas que solicitam eficientemente essa via metabólica. Entretanto, esses resultados devem ser analisados com cuidado, pois os jogadores eram amadores e jovens. Resultados semelhantes foram encontrados por Rhode & Espersen (1988) e Smith e cols. (1993), em jogadores dinamarqueses e colegiais ingleses.

Ekblom (1986), num estudo de grande profundidade, estudou várias divisões de categoria em jogadores de futebol da liga sueca adulta, e constatou que a capacidade anaeróbia máxima foi verificada nas divisões mais altas. Essa constatação feita por Ekblom (1986), veio confirmar os resultados de Nowacki e cols. (1987) que, testando os jogadores da seleção alemã de futebol que disputou a Copa do Mundo em 1982, verificaram valor médio de ácido lático de 12,3 mmol.L-1 , sendo que um futebolista atingiu 16,2 mmol.L-1 .

Em nosso estudo, a maior concentração sanguínea de ácido lático (18%), no exercício máximo, demonstrou que o TFE representou um estímulo eficiente para o aumento da capacidade anaeróbia dos jogadores. No entanto, há de se ressaltar uma possível predisposição dos futebolistas em assimilar esse tipo de treinamento, conforme demonstraram Jacobs e cols. (1982) em estudo sobre a distribuição de fibras musculares esqueléticas em futebolistas. Os jogadores de futebol profissional apresentaram, proporcionalmente, um maior número de fibras de contração rápida do tipo II (anaeróbias) em relação às fibras de contração lenta do tipo I (aeróbias), o que representa uma importante característica fisiológica para a assimilação de um treinamento físico anaeróbio. Entretanto, mais recentemente, Kuzon e cols.(1990), estudando futebolistas de alto nível por meio de biópsia músculo-esquelética, verificaram hipertrofia das fibras musculares dos tipos I e II, indicando simultaneamente a capacidade de adaptação em ambas as fibras, durante os treinamentos aeróbio e anaeróbio, respectivamente. Contudo, ainda não está claro se essas diferenças são motivadas por estímulos, que podem estar relacionadas a fatores como: comportamento do jogador durante a partida, característica dos jogos, motivação, morfologia muscular e estratégia tática.

Entretanto, a produção de energia anaeróbia lática é considerada um fator importante, pois o jogador com elevada capacidade anaeróbia estará melhor preparado para realizar exercício de alta intensidade, durante períodos da partida (Gerisch e cols.,1987).

Por outro lado, o consumo máximo de oxigênio (VO2max.) não foi significativamente alterado pelo TFE. Esses resultados reforçam a interpretação anterior de que o TFE empregado no presente estudo representou, por si só, pouco estímulo para aumentar a capacidade oxidativa máxima. Nessa investigação, o VO2max. aumentou apenas 6% (não significativo), após quinze semanas de TFE, o que contrasta com o aumento significativo de 15% verificado por Fardy (1969) em jogadores amadores, após cinco semanas de treinamento.

Entretanto, resultados semelhantes aos nossos foram observados por Bangsbo (1994) em jogadores de futebol dinamarqueses. Ele verificou um aumento de apenas 3% no VO2max. após cinco semanas de treinamento. Ao contrário, o tempo de tolerância a esforços de alta intensidade aumentou 10%, demonstrando que nesse período o treinamento físico aplicado desenvolveu-se através de exercícios predominantemente intensos. Além disso, é importante ressaltar que os resultados de VO2max., obtidos em nosso laboratório, são consistentemente inferiores aos de jogadores amadores e profissionais verificados por outros autores (Ekblom, 1986; Rhodes e cols., 1986; Nowacki e cols., 1987; Apor, 1988; Chin e cols. 1992 e 1994; Bangsbo, 1994).

A capacidade aeróbia máxima é considerada um fator importante para o sucesso de jogadores de futebol, pois alguns relatos (Astrand, 1960; Saltin & Hermansen, 1966) demonstraram que futebolistas de alto nível solicitam o metabolismo aeróbio em mais de 80% do máximo durante o jogo. Além disso, quando o jogo é realizado em condições normais de temperatura, há uma diminuição do peso corpóreo de aproximadamente 2 kg, o que mais uma vez sugere elevada demanda de energia proveniente desse sistema metabólico (Bangsbo, 1994).

Níveis elevados de VO2max. exercem também papel secundário importante na recuperação mais rápida da energia proveniente do sistema alático (ATP-CP), responsável por considerável fornecimento de energia durante períodos de alta intensidade como também na remoção mais eficiente do ácido lático nos momentos de repouso ativo e/ou diminuição da intensidade do exercício durante o jogo (Donovan & Brooks, 1983; Donovan & Pagliassotti,1989 e 1990; Mac Rae e cols., 1992).

Ekblom (1986), estudando esse parâmetro há mais de 20 anos, tem observado a sua crescente evolução em futebolistas. Entretanto, na literatura especializada não encontramos um padrão de referência absoluto para valores de VO2max. em futebolistas; ao contrário, verifica-se uma grande variação em sua detecção (Eclache e cols.,1981; e Nowacki citado por Losada, 1980). Além disso, tem sido discutido se essa variação está relacionada a aspectos como nível de qualidade técnica, motivação, estratégia tática com funções e/ou posições ocupadas em campo pelos jogadores, efeito de treinamento, carga genética ou até mesmo todos juntos (Klissouras, 1971 e 1976; Rochcongar e cols., 1981; Bouchard & Lortie, 1984; Bouchard e cols., 1986; Apor,1988; Van Gool, 1987; Gerisch e cols.,1987).

Segundo Ekblom (1986) e Rost & Hollmann (1983), valores de VO2max. entre 65 e 67 ml. kg.1 min-1 parecem ser ideais para o futebolista correr eficientemente durante os 90 minutos de jogo. Entretanto, Nowacki (1971) concorda que desenvolver a capacidade aeróbia máxima em jogadores de futebol é de grande importância, mas em sua opinião, valores acima de 70 ml.kg.-1min-1 ou em níveis extremos 85 ml.kg.-1min-1 tornam-se perigosos, pois podem comprometer a velocidade e a técnica (especificidade), qualidades muito importantes para o futebolista.

Há um consenso geral de que o futebol atual mudou suas características, quando comparado a décadas passadas. Na atualidade, verifica-se um maior grau de intensidade e volume de esforço realizado pelos jogadores ao final das partidas, o que seguramente tem modificado o padrão de solicitação física sobre os atletas. Portanto, é plenamente justificável a preocupação com o desenvolvimento adequado de uma elevada capacidade aeróbia máxima em futebolistas.

Os resultados de VO2max. verificados no presente estudo foram inferiores aos de jogadores juniores (Berg e cols., 1985; Chin e cols., 1992; Jones & Helmes, 1992; Nowacki e cols., 1987), e profissionais (Williams & Reid, 1973; Raven e cols., 1976; Eclache e cols., 1981; Ekblom, 1986; Apor, 1988; Bangsbo, 1994; Nowacki e cols., 1987) de diversos países, o que nos faz pensar que, no período, o TFE não se direcionou para o aumento da eficiência do sistema transportador de oxigênio dos jogadores.

Contudo, esses resultados não devem ser extrapolados para outras situações ou equipes, pois algumas limitações metodológicas não puderam ser eliminadas do estudo. A falta de um grupo controle e, portanto, de um planejamento experimental, o desconhecimento da intensidade dos exercícios físicos realizado nesse período, a característica dos jogos e dos jogadores, são fatores que não permitem uma interpretação mais objetiva dos resultados. Entretanto, é importante enfatizar que os resultados observados devem servir de alerta e até mesmo de reflexão para os preparadores físicos sobre a importância de um planejamento adequado, procurando desenvolver harmonicamente as qualidades físicas necessárias aos futebolistas, nas suas diversas fases de treinamento e competições.

É importante ressaltar que a supercompensação é o objetivo em qualquer programa de treinamento físico, pois é através dessa resposta que se verifica o aumento da aptidão física. Entretanto, ela depende de como cada processo orgânico se relaciona uns com os outros e como essa interrelação é afetada pelo treinamento. Deve ser lembrado que temos um limite biológico para a sua manifestação, pois sempre atingimos um ponto em que a intensidade não pode ser mais aumentada; e se ocorrer, o desequilíbrio homeostático é desenvolvido. As conseqüências geradas são drásticas e se manifestam de várias formas, entre elas: lesões musculares, alterações do humor, falta de apetite, alterações fisiológicas, etc. Apesar das limitações citadas anteriormente e de esse estudo ter se restringido a avaliações padronizadas no período pré-temporada e após quinze semanas de TFE e jogos competitivos, os resultados permitem sugerir que: 1) o programa de TFE e competições realizadas nesse período não modificaram as respostas de FC e PA em repouso e no exercício máximo; 2) a maior ventilação pulmonar no exercício máximo e a elevada concentração sanguínea de ácido lático demonstraram que as atividades físicas desenvolvidas foram caracterizadas por exercícios de alta intensidade e 3) o TFE e os jogos não apresentaram um estímulo adequado para aumentar a capacidade aeróbia máxima dos jogadores.


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