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Número atual: Abril 2000 - Volume 7  - Número 1


ARTIGO ORIGINAL

Estudo ergométrico evolutivo de portadoras de fibromialgia primária em programa de treinamento cardiovascular supervisionado


Lívia Maria dos Santos Sabbag1; Maristela Palácios Dourado2; Paulo Yasbek Júnior1; Neil F. Novo3; Helena Hideko Seguchi Kaziyama4; Margarida Harumi Miyazaki4; Linamara Rizzo Battistella5

1. Médica cardiologista - Divisão de Medicina de Reabilitação - HCFMUSP
2. Professora de Educação Física - Divisão de Medicina de Reabilitação - HCFMUSP
3. Professor Doutor em bioestatística da Escola Paulista de Medicina - Unifesp
4. Médica fisiatra - Instituto de Ortopedia e Traumatologia - HCFMUSP
5. Profa. Dra., Diretora da Divisão de Medicina de Reabilitação - HCFMUSP


Resumo

Fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada1,2,3,4,5. Na última década, o exercício físico tornou-se promissor como opção terapêutica da síndrome6,7,8,9,10,11,12,13,14.
OBJETIVO: avaliação ergométrica prospectiva de portadoras de fibromialgia primária (FP) em programa de treinamento cardiovascular supervisionado (TCS).
Treze mulheres, média de idade de 48,9 anos, portadoras de FP, submeteram-se a teste ergométrico (TE) em esteira rolante, protocolo de Ellestad, no tempo zero, 3º e 6º meses de TCS. Os critérios de interrupção do TE foram cansaço e dor. Para o TCS, foi estabelecida uma faixa de 60% a 70% da freqüência cardíaca (FC) máxima, calculada pelo método de Karvonen. A assiduidade foi superior a 80% de 72 sessões, 3 vezes por semana, com duração de 60 minutos. Realizada a avaliação subjetiva da dor muscular e analisadas as variáveis do TE. Análise estatística: variância dos postos de Friedman e teste de comparações múltiplas15.
RESULTADOS: no 3º mês, houve aumento significativo da resposta cronotrópica. No 3º e 6º meses, foram significativos: aumento do tempo de exercício, capacidade funcional, trabalho total e diminuição da FC carga máxima comum. Não houve diferença significante da ΔPAS, duplo produto (DP), DP carga máxima comum e %FC máxima. Comparadas com o final do TE do tempo zero, a maior porcentagem de pacientes atingiu cargas mais elevadas e a mesma intensidade de dor no 3º e 6º meses de TCS.
CONCLUSÃO: a partir do 3º mês de TCS, as portadoras de FP apresentaram maior tolerância à dor muscular e ao esforço, melhora da capacidade funcional cardiovascular e muscular periférica.

Palavras-chave: Fibromialgia. Teste ergométrico. Exercício físico.




INTRODUÇÃO

A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada. Os principais sinais e sintomas são: presença de pelo menos 11 dos 18 pontos dolorosos específicos à palpação (tender points), fadiga intensa, distúrbio do sono e rigidez matinal1,3,16,17,18,19,20,21,22.

Na comunidade geral, 0,6% dos indivíduos preenchem os critérios para FM do Colégio Americano de Reumatologia (1990)4. Na clínica reumatológica, a prevalência é de 2% a 6%. É mais freqüente no sexo feminino, relação de 7 a 8 mulheres para 1 homem. O início dos sintomas ocorre entre 30 e 40 anos1.

De etiologia e fisiopatologia17,21,23,24,25,26,27,28 não elucidadas, apesar das várias teorias patogênicas (hipóteses: central, periférica, imunológica, infecciosa, integrada), a doença pode ocasionar limitação das atividades ocupacionais, redução do tempo de vida produtiva e inatividade física29,30.

Em estudos prévios realizados pelo nosso grupo31,32,33, observamos que portadoras de FP interrompem precocemente o teste ergométrico principalmente por dor muscular e exaustão física. Apresentam capacidade funcional inferior à de mulheres normais sedentárias pareadas para idade e peso, resposta cardiovascular normal ao exercício e limitações ao esforço devido ao sistema musculoesquelético.

Na última década, o exercício físico, especialmente o treinamento aeróbio, tornou-se promissor como opção terapêutica da síndrome 6,7,8,9,10,11,12,13,14.


OBJETIVO

Avaliação ergométrica prospectiva de pacientes (P) portadoras de fibromialgia primária (FP) em programa de treinamento cardiovascular supervisionado (TCS).


MATERIAL E MÉTODO

Casuística - 13 pacientes do sexo feminino, média de idade de 48,9 anos, portadoras de fibromialgia primária (sem patologias subjacentes ou concomitantes) há mais de 5 anos e sedentárias há mais de 2 anos.

Teste ergométrico - submeteram-se a TE em esteira rolante Imbramed 10000 interligada ao sistema de ergometria e software Micromed e impressora Hewlett Packard Deskjet 650C. Utilizado protocolo de Ellestad34,35, no tempo 0, 3º e 6º meses de TCS. Os critérios de interrupção do TE foram cansaço físico e dor. Utilizada escala visual para avaliação subjetiva da dor muscular no final de cada exame (Tabela 1).




Treinamento cardiovascular supervisionado - Programação: 6 meses de TCS, freqüência de 3 vezes por semana, duração de 60 minutos, compreendendo 10 minutos de alongamento de membros inferiores, 20 minutos de marcha rápida e/ou corrida, 10 minutos de alongamento de membros inferiores e 20 minutos de fundamentos da natação em piscina aquecida a 34°C - 36°C.

Prescrição da intensidade do exercício: 60% a 70% da freqüência cardíaca máxima atingida no TE calculada pelo método de Karvonen35,36.

O controle da FC durante o treinamento foi feito pela palpação do pulso por 15 segundos multiplicado por 4.

A assiduidade das pacientes foi superior a 80% de 72 sessões.

Foram analisadas as seguintes variáveis ergométricas:

Tempo de exercício (minutos).

Trabalho total (kgm) - é diretamente relacionada à carga de esforço37.

VO2 máximo (ml/kg/min) = capacidade funcional34,35,36,38,39,40,41,42,43 - é a capacidade de o indivíduo sintetizar aerobicamente ATP, sendo índice indireto de débito cardíaco máximo durante o exame (VO2 máx. = D.C. x diferença arteriovenosa).

% FC máxima (atingida no TE) - FC final do teste em relação à FC máxima preconizada para a idade e sexo.

Δ FC (bpm) = reserva cronotrópica34,35,38,39,40 - é a diferença entre a freqüência cardíaca final e a freqüência cardíaca inicial do TE.

Δ PAS (mmHg) - é a diferença entre a pressão arterial sistólica final e a pressão arterial sistólica inicial do TE40.

Duplo produto - é o produto da freqüência cardíaca pela pressão sistólica finais do TE.

Duplo produto da carga máxima comum - é o duplo produto da carga máxima comum a todos os indivíduos do grupo.

Análise estatística - variância dos postos de Friedman complementada pelo teste de comparações múltiplas (Siegel, 1988)15, com a finalidade de estudar as diferenças entre TE inicial e 3º e 6º meses de TCS. Foi fixado nível de significância em 0,05 (p< 0,05).


RESULTADOS

Durante o exame, não houve referência de dor precordial e não foram observadas alterações isquêmicas, arritmias ou manifestação clínica de insuficiência cardíaca. As respostas de freqüência cardíaca, pressão arterial sistólica e diastólica ao esforço obedeceram às curvas normais.

No terceiro mês de TCS, houve aumento significativo da reserva cronotrópica (Gráfico 1).


Gráfico 1



No terceiro e sexto meses de TCS, foram significativos: aumento do tempo de exercício (Gráfico 2), trabalho total (Gráfico 3) e da capacidade funcional (Gráfico 4); diminuição da FC da carga máxima comum (Gráfico 5). Não houve diferença estatisticamente significativa da ΔPAS (Gráfico 6), DP (Gráfico 7), DP da carga máxima comum (Gráfico 8) e %FC máxima (Gráfico 9).


Gráfico 2


Gráfico 3


Gráfico 4


Gráfico 5


Gráfico 6


Gráfico 7


Gráfico 8


Gráfico 9



Avaliação subjetiva da dor no término do TE no tempo zero: 15% das P sem dor, 15%, pouca dor, 23%, dor moderada, 15%, dor severa, 32%, dor limitante (Gráfico 10).


Gráfico 10



Após três meses de TCS, o escore de dor no final do TE permaneceu igual em 69,2% das P, melhorou em 15,4% e piorou em 15,4%. Após 6 meses, em 46,2% das P, a intensidade de dor no final do TE permaneceu inalterado, em 15,4% melhorou e em 28,4% piorou (Gráfico 11).


Gráfico 11



DISCUSSÃO

Portadoras de FP no terceiro mês de TCS apresentaram melhora da reserva cronotrópica. Como ΔFC é a diferença entre a FC final e a inicial do TE e não houve diferença estatisticamente significativa da FC final, a melhora é devida à diminuição da FC inicial do exame. Denota maior adaptação cardiovascular ao exercício.

Em testes ergométricos seriados, observamos, a partir do terceiro mês de condicionamento físico: aumento do tempo de exercício e conseqüente aumento do trabalho total, variável diretamente relacionada à carga de esforço, melhora da capacidade funcional e diminuição da freqüência cardíaca da carga máxima comum, indicando maior adaptação física ao esforço.

Grande porcentagem das fibromiálgicas interrompeu o TE no tempo zero por dor muscular limitante (32%). Quinze por cento apresentaram pouca dor, 23%, moderada, 15%, severa e 15% terminaram o exame sem dor. Os escores mantiveram-se os mesmos em 69,2% das pacientes no terceiro mês e em 46,2% no sexto mês de TCS, em maiores cargas de esforço; 15,4% obtiveram diminuição da algia no 3º e 6º meses; 15,4% pioraram na segunda avaliação e 28,4 %, na terceira.

Concluímos que a melhora do desempenho físico foi devida à maior tolerância à dor muscular, já que realizaram maior esforço e tempo de exercício sem decréscimo da intensidade de dor muscular.


CONCLUSÃO

A partir do terceiro mês de TCS, as portadoras de FP apresentaram maior tolerância à dor muscular e ao esforço, melhora da capacidade funcional cardiovascular e muscular periférica.


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Trabalho vencedor do Prêmio "Dr. Gilberto da Almeida Fonseca", na categoria de pôster, no XVI Congresso Brasileiro de Medicina Física e de Reabilitação e da XIV Jornada Paulista de Fisiatria. Realizado na Divisão de Medicina de Reabilitação - HCFMUSP

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