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Número atual: Agosto 2004 - Volume 11  - Número 2


EDITORIAL

O conhecimento científico


Marcelo Riberto




O conhecimento científico inicia-se na observação dos fenômenos da natureza e descrição dos mesmos por meio de leis. Esse é o primeiro passo para a percepção de relações entre possíveis fatores causais e seus efeitos, o que, aos olhos de observadores mais atentos, pode resultar no estabelecimento de hipóteses a respeito dos mecanismos intermediários a uns e outros. Os estudos de casos e estudos epidemiológicos descritivos são os meios usados para este fim nas ciências da saúde.

A partir das observações realizadas no ambiente clínico, bem como do uso de técnicas e instrumentos de avaliação válidos, podem ser criados protocolos de experimentação que validem as hipóteses elaboradas ou determinem o redirecionamento da pesquisa em sentido a outras explicações possíveis para os dados de estudos observacionais.

Desta forma, a Acta Fisiátrica tem reservado, desde a sua criação, espaço para as observações clínicas de casos específicos, com evoluções peculiares. Esse procedimento tem como intenção estimular a atenção da equipe multiprofissional que atua junto aos indivíduos sob reabilitação, bem como o relato desses casos, pois assim a troca de experiências pelos vários profissionais permitirá o crescimento do corpo de conhecimento em reabilitação. Neste número, os dois casos descritos apresentam evoluções peculiares de pacientes sob reabilitação, um com amputação e outro com hemiplegia. Destacam-se nesses casos as intervenções realizadas, tratando-se de relatos válidos pela sugestão de formas efetivas de atuação sobre os pacientes.

No artigo a respeito do perfil demográfico e clínico dos pacientes com dor crônica, percebemos as particularidades do atendimento em diferentes níveis do sistema de saúde, o que nos permite indagar os motivos de tais diferenças, bem como sugerir intervenções para o aprimoramento do tratamento de dor crônica em cada um desses níveis.

O desenvolvimento de pesquisa exige o uso de instrumentos de avaliação confiáveis, pois uma observação pode ser comprometida e contestada uma vez que se baseie em medidas de pouco rigor. Portanto, o estabelecimento de propriedades psicométricas para cada instrumento de avaliação utilizado - reprodutibilidade, sensibilidade, validade - torna-se uma questão fundamental para o crédito nos resultados atingidos. A avaliação postural é uma questão que habitualmente impacta contra o fato da subjetividade da avaliação, por isso várias técnicas de observação têm sido sistematizadas. O método descrito para a avaliação da postura deitada é inovador, pois aborda uma questão pouco explorada pelo ambiente acadêmico, porém trata-se de uma demanda freqüentemente enfrentada pelos profissionais envolvidos com o tratamento da dor musculoesquelética.

A Medida de Independência Funcional (MIF) é outro tema que merece atenção da comunidade envolvida com a reabilitação no Brasil, pois permite a obtenção de resultados sistematizados sobre os efeitos do processo de reabilitação, podendo ser encarada por um lado com instrumento de avaliação clínica, mas também como um parâmetro de qualidade. A MIF vem sendo pouco utilizada em nosso meio como instrumento de avaliação clínica, porém há a intenção de disseminar sua aplicação rotineira em vários serviços brasileiros, à moda do que se observa em outros países. Como parâmetro de qualidade, a MIF permite a comparação dos resultados de serviços de reabilitação, a remuneração conforme os ganhos obtidos e o acompanhamento da evolução da reabilitação por serviços de auditoria.

Enfim, neste número da Acta Fisiátrica reforçamos a importância da sistematização de registros a fim de embasar a pesquisa científica, conferindo-lhe maior credibilidade.

Marcelo Riberto

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