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Número atual: Março 2008 - Volume 15  - Número 1


ARTIGO ORIGINAL

A formação fisioterapêutica no campo da ortopedia: uma visão crítica sob a óptica da funcionalidade

The physical therapy background in the field of the orthopedics: a critical view under the optics of functioning


Ana Clarissa Lopes Silva1; Robson da Fonseca Neves2; Marcelo Riberto3

1. Acadêmica de Fisioterapia da UCSAL, Pesquisadora da FAPESB.
2. Professor de Fisioterapia preventiva da UCSAL, Coordenador do núcleo de Fisioterapia do Ambulatório de Dor da UFBA.
3. Médico fisiatra, Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas - FMUSP.


Endereço para correspondência:
na Clarissa Lopes Silva
Email: anaclarisssa@gmail.com

Recebido em 05 de Janeiro de 2008, aceito em 15 de Fevereiro de 2008.


Resumo

INTRODUÇÃO: a Organização Mundial de Saúde publicou a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) em 2001, que reflete a mudança de uma abordagem baseada na doença para enfatizar a funcionalidade como um componente da saúde.
OBJETIVO: este trabalho discute as características da formação fisioterapêutica frente ao processo de adoção e aplicação da funcionalidade na reabilitação de pacientes ortopédicos.
MÉTODOS: foram analisados 93 prontuários de fisioterapia de pacientes com afecções musculoesqueléticas, de onde foram obtidas informações com base em um formulário contendo categorias predefinidas da CIF. A tabulação dos dados foi feita com o pacote estatístico EPIINFO 6.04.
RESULTADOS: os prontuários preenchidos pelos alunos de graduação de fisioterapia relatavam e descreviam deficiências das funções do corpo em uma freqüência muito maior que as atividades e participações ou a influência de fatores ambientais sobre a funcionalidade dos pacientes.
CONCLUSÃO: os resultados mostram que os alunos da graduação de fisioterapia estão focalizando sua atenção preferencialmente sobre as funções e estruturas corpóreas, seguindo a formação biomédica. A falta de informações sobre outros componentes da funcionalidade indica que ainda há um distanciamento entre os conceitos da funcionalidade mais modernos e a formação fisioterapêutica no campo ortopédico.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidades, Incapacidades e Saúde, fisioterapia, ortopedia




INTRODUÇÃO

Os centros de tratamento de fisioterapia existentes no Brasil vão desde estabelecimentos ambulatoriais até instituições hospitalares de grande porte.1 Nesse cenário, incluem-se as clínicas escolas das universidades e faculdades. Estas por sua vez, se destinam a formação dos novos profissionais fisioterapeutas, possuindo espaços de teoria e prática, bem como de teste e aprimoramento de técnicas e tecnologias em prol da qualidade do movimento humano e da qualidade de vida dos que sofrem de distúrbios do aparelho locomotor.

Os centros de fisioterapia são pensados como espaços de ensino que valorizam a formação do profissional generalista com a atuação de prática supervisionada garantida.1,2,3 Nesses ambientes, deve-se priorizar o treinamento para o tratamento de excelência e qualidade para benefício da comunidade, adotando-se um sistema que possibilite a compreensão e uso de novas abordagens possíveis de serem aplicadas na prática acadêmica expandida para o uso público.1 Nesse sentido, o processo de avaliação dos pacientes precisa ser dotado de elementos que possibilite averiguar não somente as funções motoras, mas também as condições psicossociais e aspectos relacionados à funcionalidade e qualidade de vida, necessidades essas evidenciadas nas diretrizes curriculares.4

Apesar do conhecimento sobre a importância da abordagem baseada na funcionalidade aumentar a cada dia, o que se observa freqüentemente é a aplicação do modelo médico linear focado na doença, na deficiência e na incapacidade física, adotada na prática clínica do fisioterapeuta.5

A Organização Mundial de Saúde (OMS) após várias revisões propõe a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). A inovação trazida pela CIF está justamente no conceito de funcionalidade entendido aqui como um termo que classifica a capacidade e incapacidade do indivíduo e é constituída pelos componentes: estruturas e funções do corpo, atividade e participação social e fatores ambientais em uma perspectiva biopsicossocial.6,7,8 Em um mesmo plano, a CIF permite estabelecer uma linguagem comum a cerca da saúde e da funcionalidade, identificando e abordando suas diversas conseqüências nas afecções músculo-esqueléticas.9

Esse paradigma tem ganhado espaço e vem sendo definido pelo mundo de tal forma que nos remete a questionar como os centros formadores têm incorporado a visão da funcionalidade no processo de treinamento de novos fisioterapeutas.


OBJETIVO

A busca por uma avaliação e condutas baseadas na funcionalidade possibilita aos novos profissionais, a atuação e compreensão das condições biopsicossociais dos indivíduos com a finalidade de amplificar as possibilidades terapêuticas. Espera-se que a visão da funcionalidade permita ao acadêmico contribuir com pesquisas e novas condutas fisioterápicas, ajudando na obtenção de informações sobre a estrutura em saúde pública, e auxiliando na promoção de instruções para o paciente sobre como adaptar o meio a seu favor e de acordo com o seu estilo de vida. Portanto, objetiva-se nesse estudo saber quais são os aspectos da funcionalidade, conforme o modelo da CIF, aos quais os acadêmicos de fisioterapia atentam e registram em prontuário durante as avaliações dos pacientes em um setor ortopédico.


MÉTODO

Trata-se de um estudo de corte transversal realizado em uma instituição docente-assistencial de fisioterapia na cidade de Salvador, Bahia, Brasil. Essa unidade de atendimento está localizada dentro do campus de uma Universidade na cidade de Salvador. Conta atualmente com cerca de 16 profissionais, que dão supervisão a cerca de 100 estudantes de fisioterapia por semestre e atendem uma média mensal de 400 pacientes.

A fonte de dados que compõe o estudo é constituída por 93 registros de avaliações do setor ortopédico de Janeiro à Dezembro de 2006. Para a coleta de dados, foi utilizado um formulário padronizado aplicado em registros secundários, referentes às avaliações.

O instrumento utilizado foi preenchido com as informações tomadas como válidas a partir da Check-list da CIF/OMS, contendo 128 quesitos subdivididos em demanda do ambulatório, fatores pessoais do paciente, funções do corpo, estruturas do corpo, atividade e participação e fatores ambientais. Foram analisadas a partir da lista resumida das funções do corpo: funções mentais, sensoriais e dor, respiratória, neuromusculoesqueléticas e relacionadas ao movimento. As atividades e participação tiveram seus domínios verificados a partir da mobilidade e cuidado pessoal. Com base na lista reduzida do ambiente foram abordados os produtos, tecnologia, apoio e relacionamentos.

Foram selecionadas algumas categorias da CIF, para verificar quais delas foram abordadas pelos acadêmicos de fisioterapia durante a realização das avaliações de pacientes com afecções musculoesqueléticas. As variáveis utilizadas no estudo foram: os fatores pessoais incluindo idade em anos, sexo, estado ocupacional, o diagnóstico clínico e das funções corpóreas e os componentes da CIF. Para as categorias pertencentes às funções do corpo foi averiguado se o paciente apresentava deficiência: de consciência, do sono, vestibular, dos músculos repertórios da respiração, na sensação de dor, na força muscular, na amplitude de movimento articular (ADM) e no tônus muscular. As estruturas do corpo foram classificadas com relação aos segmentos corporais acometidos pelas afecções. Nas atividades e participação foram analisadas à capacidade do paciente de conseguir sentar-se, agachar-se, levantar-se, permanecer em pé, agarrar, pegar, lavar-se, vestir-se e andar. Os fatores ambientais foram verificados com base na possibilidade de uso de medicamento, auxiliar de marcha e relação familiar para apoio no cotidiano.

Os dados foram armazenados no pacote estatístico EPIINFO versão 6.04. Foram obtidas as freqüências simples das variáveis dos fatores pessoais dos pacientes, dos componentes da CIF, da quantidade de avaliações contidas nos prontuários e da variável sobre a existência do questionamento sobre as atividades de vida diária (AVD's) dos pacientes. As medidas estatísticas da média e desvio padrão foram descritas apenas para a variável idade.

Foram tomadas todas as medidas para estabelecer respeito, resguardar a identidade, proporcionar a beneficência e a nãomaleficência dos pacientes que foram investigados bem como a confidencialidade dos dados, segundo a resolução 196/96. O projeto de pesquisa foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Santa Izabel da cidade de Salvador, Bahia.


RESULTADOS

A amostra do estudo caracteriza-se por: 39 (42%) pacientes eram do sexo feminino. A média da variável idade foi de 41,5 ± 14,9 anos. Com relação à ocupação, 49 pacientes (52,9%) permaneciam empregados e o restante era economicamente inativo, incluindo estudantes, donas de casa, pacientes autônomos, trabalhadores afastados e aposentados.

A maior parte dos diagnósticos clínicos encontrados era de afecções como contusão, fratura e entorse que prevaleceram em 39 (42%) prontuários, problemas reumáticos como gonartrose, tendinose, espondilose, espondilartrose e quadros clínicos de algias foram averiguados em 26 (27,9%), afecções da coluna vertebral como hérnia, protusão ou extrusão discal e escoliose existiram em 10 prontuários (10,8%), 11 (11,8%) tiveram outros diagnósticos clínicos e em 7 (7,5%) não houve a informação sobre o diagnóstico (Figura 1).


Figura 1. Distribuição em percentagem dos diagnósticos clínicos dos prontuários do ambulatório de fisioterapia no setor de ortopedia, Salvador-BA, 2006.



Com relação ao diagnóstico das deficiências das funções corpóreas, houve registro da limitação de força muscular (FM) e da amplitude de movimento (ADM) em 58 prontuários (62,4%), a presença de dor ou parestesia foi verificada em 11 (11,8%) e em 24 (25,8%) não houve a informação sobre o diagnóstico das deficiências das funções corpóreas (Figura 2).


Figura 2. Distribuição em percentagem dos diagnósticos das funções corpóreas dos prontuários do ambulatório de fisioterapia no setor de ortopedia, Salvador-BA, 2006.



Quanto ao acometimento das estruturas do corpo, foi verificado que as estruturas do membro inferior são mais afetadas pelas afecções ortopédicas verificado em 39 (42%) prontuários, em 22 (23,6%) houve acometimento dos membros superiores e em 13 (14%) ambos os membros foram afetados (Figura 3).


Figura 3. Distribuição em percentagem das estruturas do corpo mais acometidas pelas afecções ortopédicas no ambulatório de fisioterapia, Salvador-BA, 2006.



A tabela 1 mostra que a maior parte dos prontuários continha dados relativos a apenas uma avaliação 38 (40%), enquanto 27 (29%) continham duas ou três avaliações e 28 (30%) de quatro a dez avaliações (Figura 4). Foi constatado que a maior quantidade de avaliações é proporcional a existência de mais relatos sobre as AVD's dos pacientes. Perguntas feitas pelos acadêmicos sobre as atividades diárias dos pacientes foram evidenciadas em 44 (47,3%) registros coletados (Tabela 1).


Figura 4. Quantidade de avaliações contidas nos prontuários de um ambulatório de fisioterapia, setor de ortopedia, Salvador-BA, 2006.




Três das oito funções do corpo selecionadas para o estudo apresentaram pouca abordagem durante a realização das avaliações pelos alunos de fisioterapia: as funções do sono, vestibular e dos músculos acessórios da respiração não foram mencionadas em 88 (94,6%), 84 (90,3%) e 78 (84,9%) prontuários, respectivamente. A maior percentagem das avaliações apresenta deficiências nas funções do corpo relacionadas à redução na ADM e déficit de força muscular verificado em 73 (78,5%) e 77 (82,8%) registros respectivamente (Tabela 2).




Nove categorias de atividades e participações foram selecionadas, todas referindo-se à mobilidade e cuidado pessoal. Estas categorias foram, em geral, pouco abordadas pelos alunos de fisioterapia. Atividades como lavar-se e vestir-se não foram abordadas em 91 (97,8%) registros, algumas informações sobre tarefas de mobilidade foram pouco investigadas como a capacidade do paciente conseguir sentar-se e conseguir levantar-se não foram abordadas em 90 (96,7%) e 87 (93,5%) prontuários respectivamente, já com relação à capacidade do paciente andar não foi especificado em 32 (34,4%) registros (Tabela 2).

Foram selecionadas 3 categorias de fatores ambientais - medicamentos, auxiliares de marcha e apoio de familiares. Contatou-se que nada foi averiguado com relação ao apoio familiar no cotidiano do paciente ou uso de medicamento em 88 (94,60%) e 36 (38,7%) prontuários respectivamente (Tabela 2).


DISCUSSÃO

Após a análise dos resultados constatou-se que a atuação da formação no setor ortopédico de fisioterapia está mais focada nas deficiências encontradas nos pacientes, o que foi evidenciado neste estudo pela mais freqüente ênfase às funções do corpo dos pacientes que apresentavam algum desvio do padrão biomédico de normalidade. A abordagem baseada na funcionalidade como foi proposta pela Organização Mundial de Saúde em 2001,10 ainda não está sendo totalmente adotada no processo de avaliação do paciente no setor ortopédico fisioterapêutico. O modelo biomédico configurado como um modo de atuação intervencionista focado nas afecções e em conseqüências físicas como limitação da ADM ou da força muscular, ainda predomina na conduta fisioterapêutica ortopédica nos tempos atuais, embora seja considerado uma forma reducionista de intervenção.5,11,12 A semiologia médica do aparelho locomotor na atualidade propõe que haja uma abordagem com base na saúde e doença desconsiderando na maioria das vezes os aspectos subjetivos, porém o que se tem comprovado atualmente é que os diversos fatores biopsicossociais podem influenciar positivo ou negativamente na vida deste sujeito.12,13 O sucesso da intervenção fisioterapêutica deve ser construído a partir da investigação destes fatores e de forma individual, pois existem culturas e comportamentos diferentes, que podem intervir na qualidade de vida diretamente ou não a depender do panorama fornecido por cada indivíduo.6,12,14,15

Houve uma carência de investigação sobre as atividades e participações dos pacientes, fato que contrasta com as funções do corpo que foram evidenciadas com base nas deficiências encontradas. Este retrato demonstrado pode está correlacionado com uma tentativa do acadêmico em promover uma melhor reabilitação para o paciente ou pode haver um erro nas orientações que enfatizam a estrutura e a função, em detrimento da funcionalidade. Existe ainda a possibilidade da funcionalidade do paciente ser menos enfatizada, pelo tempo destinado as avaliações ser insuficiente ou pode-se está sendo abordada, mas não relatada pela dispersão ou desmotivação durante a realização das anotações.

No que tange as funções do corpo, percebe-se que o acadêmico no setor musculoesquelético de fisioterapia valoriza mais aspectos que podem ser modificados por sua atuação ao longo do tratamento. Estas funções relacionam-se com a doença ou deficiência13 e a sua abordagem possibilita a compreensão da discrepância entre o desejo do nível de obtenção da função a ser alcançado por parte do paciente e qual será o possível grau a ser adquirido.14

As funções mentais tiveram registros diferentes, enquanto a função da consciência foi bastante evidenciada, a função do sono foi pouco verificada. A importância do questionamento sobre a função do sono está correlacionada com a existência de possíveis quadros clínicos de afecções musculoesqueléticas limitarem a qualidade do sono.16 A função vestibular, não especificada em parcela significativa das avaliações, pode trazer desordens do equilíbrio, alterações posturais e informações equivocadas sobre a nossa posição no meio ambiente causando desvios de marcha.17 Houve pouca checagem da função dos músculos acessórios da respiração e sua verificação é importante visto que, sua deficiência pode desencadear problemas posturais repercutindo na articulação do ombro e até mesmo na estabilidade da coluna cervical.18 Dentro das funções neuromusculoesqueléticas a que possuiu uma menor verificação foi à função do tônus muscular. A manutenção da função do tônus precisa ser evidenciada, principalmente em lesões articulares crônicas, com a intenção de localizar os desequilíbrios articulares provocados muitas vezes por músculos posturais que podem se encontrar contraídos e hipertônicos, contrastando com os músculos na diagonal oposta que podem estar fracos e alongados.19

As atividades e participações dos pacientes foram pouco abordadas pelos acadêmicos, demonstrando que ainda há uma prevalência do foco voltado para os danos físicos no setor fisioterapêutico relacionado ao aparelho locomotor. A execução de uma tarefa por indivíduo ou o seu envolvimento em uma situação da vida real retratam a perspectiva individual e social da funcionalidade,7 permitindo visualizar o impacto da doença sobre a qualidade de vida.13 Houve um pequeno registro sobre o cuidado pessoal do paciente, estas atividades dependem da capacidade física e cognitiva do indivíduo para serem concluídas.20 Dessa forma, a investigação sobre este cuidado pode retratar o impacto das afecções osteomusculares sobre a qualidade de vida ou evidenciar outros problemas a serem vivenciados pelo paciente. As atividades de mobilidade também foram pouco verificadas. A importância da abordagem sobre a execução de tarefas da mobilidade, a serem realizadas por indivíduo, está justamente relacionada com o papel do fisioterapeuta que tende a identificar, tratar e prevenir a limitação dos movimentos.11

A aplicação dos aspectos da funcionalidade pode sofrer muitas vezes a influência da condição de saúde vivenciada pelo indivíduo. Quadros de doenças agudas dos membros superiores, em algumas ocasiões, podem não necessitar da investigação das atividades da mobilidade dos membros inferiores. Entretanto, a visualização das habilidades e potencialidades podem ser reforçadas na terapia como forma de tentar suprir as deficiências.11

As atividades de vida diária foram pouco focadas pelos acadêmicos neste setor da fisioterapia, quanto maior a quantidade de avaliações por paciente, maior as chances de serem observadas anotações sobre as suas AVD's. A menor ênfase nas atividades de vida diária pode está relacionado com o perfil desse paciente, caracterizado exclusivamente por fratura, contusão e entorse representado em 42% dos casos, tornando o tratamento focado no restabelecimento da amplitude de movimento suficiente para trazer de volta as atividades da vida diária normais.11 Apesar de essa realidade perdurar, as novas demandas de atuação providos da visão da funcionalidade podem permitir ao fisioterapeuta uma abordagem mais eficaz em avaliações bem como condutas a serem realizadas,14 assim como podem ajudar a dispor de uma referência para a mensuração do estado de saúde do paciente.21 Uma avaliação mais completa pode também determinar problemas que não estejam sobre o âmbito de atuação fisioterapêutica aumentando as chances do trabalho interdisciplinar.11

Os fatores ambientais referem-se a todos os aspectos extrínsecos que formam o contexto da vida desse indivíduo, modulando a sua interação com o meio,7 podendo ser barreiras ou facilitadores do ambiente6,15,20 provocando ou reduzindo a incapacidade7 e quando abordados trazem a possibilidade para possíveis modificações no meio para o benefício do paciente.11,13 Dentro dos fatores do ambiente, a ajuda familiar no cotidiano foi a categoria menos especificada entre os fatores ambientais selecionados. A importância de sua investigação está vinculada às crenças, conjunto de valores, conhecimentos e práticas que guiam as condições de saúde dos membros de uma família.22 A verificação do uso de auxiliar de marcha ou uso de medicação foi mais evidenciado de acordo com o maior número de avaliações realizadas. Novamente, este achado pode está relacionado com o ensino da graduação que pode estar ainda priorizando o modelo médico focado na deficiência.


CONCLUSÕES

Os resultados apontam que uma abordagem funcional fundamentada no modelo biomédico vem sendo ainda aplicada na prática clínica do aluno de fisioterapia. Este fato demonstra a necessidade de revermos a forma de avaliar os pacientes, com a finalidade de poder fornecer uma intervenção fisioterapêutica mais ampla. A aplicação da funcionalidade na prática fisioterápica poderá promover uma reabilitação em direção ao mais alto nível funcional, implicando na melhora das atividades que compõem o mundo da vida desse sujeito como lazer, religiosidade e trabalho. Essa abordagem possibilitará a visualização de um novo problema enfrentado por parte do paciente e haverá por conseqüência o aumento da ação multidisciplinar com maior encaminhamento dos pacientes a outros profissionais da reabilitação.

As diretrizes curriculares estabelecidas devem promover a maior efetividade na sua práxis com a finalidade de tornar o futuro profissional com capacidade de dispor de técnicas que possam estabelecer o melhor recurso de tratamento disponível. Dessa forma, o processo de formação fisioterapêutica deve munir-se da funcionalidade como uma visão ampla e global que possibilite a compreensão de modelos atuais de reabilitação a serem utilizados.


AGRADECIMENTOS

Agradecemos a FAPESB por promover o incentivo à pesquisa. Ao curso de Fisioterapia da UCSAL na pessoa das professoras Sumaia Midlej e Mara Rúbia Franco na cordialidade e na disponibilidade dos recursos para efetivá-la.


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