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Número atual: Dezembro 1997 - Volume 4  - Número 3

EDITORIAL

1 - Mensagem

Martin Grabois

Acta Fisiátr. 1997;4(3):117-118



ARTIGO ORIGINAL

2 - Avaliação isocinética. "análise do desempenho muscular de flexores e extensores de joelho em jovens desportistas praticantes de voleibal"

Abel Oliveira Lúcio; Gilson Tanaka Shinzato; Linamara Rizzo Battistela; Marcio Basyches

Acta Fisiátr. 1997;4(3):119-124

O propósito deste estudo foi descrever dados obtidos na medição da força de grupos musculares extensores e flexores de joelhos em jovens desportistas praticantes de voleibol. Quarenta e cinco jovens praticantes de voleibol - vinte e três (12 do sexo masculino e 11 do sexo feminino) classificados como ativos (A) e vinte e dois (10 do sexo masculino e 12 do sexo feminino) classificados como amadores (B) foram avaliados quanto a flexão e extensão de joelho em um dinamômetro isocinético modelo Cybex 6000, na velocidade de 60 graus por segundo. Os parâmetros de Peak Torque (PT), Peak Torque por peso corporal (PTP), Trabalho Total realizado (TI), e Trabalho Total realizado por peso corporal (TIP) foram analisados. Os resultados mostraram diferença significante em favor dos músculos de membros dominantes em relação aos não-dominantes responsáveis pela flexão de joelhos no grupo (A) masculino em todos os parâmetros, diferença significante no desempenho dos extensores de membros não dominantes do grupo (A) masculino em relação ao (B), e desempenho significantemente superior do grupo (B) feminino em relação ao das jovens do grupo (A) quanto aos flexores no parâmetro (TTP). Dados deste estudo mostraram ainda um desempenho significantemente superior dos jovens do sexo masculino comparativamente ao das jovens do sexo feminino nos parâmetros (PT) e (TT) , mesmo quando corrigidos pelo peso corporal, nos dois grupos estudados.

3 - Estudo ergométrico comparativo entre indivíduos portadores de fibromialgia primária e indivíduos normais sedentários

Lívia Maria dos Santos Sabbag; Maristela Palácios Dourado; Paulo Yazbek Jr.; Cilene Abreu Cardoso Costa; Gilson Tanaka Shinzato; Margarida Harurni Miyazaki; Helena Kaziyama; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr. 1997;4(3):125-128

A fibromialgia (FM) é uma síndrome dolorosa crônica caracterizada por dor músculo-esquelética generalizada1,2,3,4,5 podendo resultar em imobilidade e inatividade física 6.
O presente estudo tem por objetivo comparar a resposta de pacientes sedentárias com fibromialgia primária e indivíduos sem patologias frente aos parâmetros do teste ergométrico (TE).
Submeteram-se a TE em esteira rolante, protocolo de Ellestad, dois grupos de pacientes sedentárias do sexo feminino: Grupo A (n = 12, média de idade 53,2 anos, portadoras de fibromialgia primária), Grupo B (n = 20, média de idade 51,6 anos, sem patologias). Os critérios de interrupção de TE foram: freqüência cardíaca máxima atingida, cansaço físico, dor e tontura. Não houve referência de precordialgia; não foram observadas alterações isquêmicas ou arritrnias durante o exame. O tratamento estatístico foi teste t de Student. Os resultados comparativos entre os grupos A e B mostraram que quanto à carga máxima comum e freqüência cardíaca final do teste não houve diferença significante entre ambos os grupos. O grupo A realizou menor tempo de exercício (2,1 %) e portanto, menor trabalho total (21,2%), reserva cronotrópica (11,2%), capacidade funcional (15,6%) e DPAS (15,8%).
Concluímos que ambos os grupos avaliados sob o aspecto de resposta cardiovascular e eletrocardiográfica ao esforço não mostraram evidências de isquemia ou deficiência da função ventricular esquerda. As pacientes do grupo A apresentaram capacidade funcional significantemente inferior as do grupo B. Os resultados sugerem que as limitações observadas são decorrentes do sistema músculo-esquelético.

Palavras-chave: Fibromialgia, Teste ergométrico.

4 - A influência do uso de prótese sobre a evolução da cardiopatia isquémica em pacientes amputados transfemurais

Sueli Satie Hamada Jucá; Sandra Haddad; Alice Ramos Travassos; Jean Luc Fobe; Jorge Roberto Perrout de Lima; Juan Ferraretto

Acta Fisiátr. 1997;4(3):129-135

A prevalência de doença arterial coronariana em pacientes de amputação com etiologia vascular é maior que na população saudável. A protetização é um dos procedimentos utilizados pela equipe multidisciplinar de reabilitação da Associação de Assistência à Criança Defeituosa (AACD) para reabilitar indivíduos que sofreram cirurgia de amputação. Entretanto, não se conhece o efeito do uso da prótese na incidência e na evolução da doença arterial coronariana em pacientes amputados. O objetivo desse trabalho foi levantar, nos arquivos da AACD, informações que permitissem o estudo da evolução da cardiopatia isquémica em pacientes engajados no programa de reabilitação pós-amputação. Para isso, os 116 pacientes estudados foram categorizados em protetizados e não-protetizados e com teste ergométrico de membros superiores (TEMS) inicial negativo TEMS inicial positivo. Dentre os 116 pacientes estudados somente 40 (26 protetizados e 14 não-protetizados) realizaram o acompanhamento cardiológico completo (TEMS inicial e reteste); os outros 76 pacientes realizaram somente o TEMS inicial. Dos 40 pacientes com acompanhamento cardiológico completo, 15 (32,5%) tinham TEMS inicial positivo para cardiopatia isquémica e 25 (67,5%) tinham TEMS negativo, mostrando a alta incidência desta doença entre os amputados. O acompanhamento dos resultados de reteste dos 25 pacientes com TEMS inicial negativo permitiu o estudo da instalação da cardiopatia isquémica. No grupo acompanhado (25 pacientes), 12 pacientes (48%) apresentaram resultados positivos no reteste. Entretanto a incidência de resultados positivos no reteste é diferente (p<0,05), entre pacientes protetizados (35%) e não-protetizados (100%). Considerando-se as limitações do estudo, conclui-se que existe uma grande incidência de cardiopatia isquémica em pacientes amputados e que, provavelmente, o uso da prótese pode diminuir a incidência de cardiopatia isquémica em pacientes amputados unilaterais e bilaterais no nível da coxa.

Palavras-chave: Amputação. Exercício teste. Doença vascular periférica. Reabilitação. Doença arterial coronariana.

ARTIGO DE REVISÃO E AVALIAÇÃO

5 - Capacidade funcional, desempenho e solicitação metabólica em futebolistas profissionais durante situação real de jogo monitorada por análise cinematográfica

Glydiston Egberto Oliveira Ananias; Eduardo Kokubum; Renato Molina; Paulo Roberto Santos Silva; José Roberto Cordeiro

Acta Fisiátr. 1997;4(3):136-145

Foi objetivo deste estudo, caracterizar a relação entre o nível de aptidão física, desempenho e solicitação metabólica em futebolistas durante situação real de jogo. Seis jogadores de futebol profissional com média de idade de 20,8 ± 2,6 anos (17-25), peso 70,4 ± 7,5 kg (63-81,3) e altura 173,3 ± 9,7 cm (166-188) foram submetidos a testes de aptidão física em campo e análise cinematográfica durante a partida.
Os testes de aptidão física foram realizados em campo, com medições de lactato sangüíneo. A via metabólica alática foi avaliada por meio de cinco corridas na distância de 30 m, em velocidade máxima, com pausa passiva de um minuto entre cada corrida. As concentrações de lactato foram medidas no 1º, 3º e 5º minuto após o término das cinco corridas.
Para detecção do limiar anaeróbio foram realizadas 3 corridas de 1.200 m nas intensidades de 80, 85 e 90% da velocidade máxima para essa distância, com intervalo passivo de quinze minutos entre cada corrida. As dosagens de lactato sangüíneo foram feitas no 1º, 3º e 5º minuto de repouso passivo após cada corrida.
Os futebolistas foram submetidos à filmagem individual durante o transcorrer do jogo, e as concentrações de lactato foram medidas antes, no intervalo e no final da partida para análise da solicitação energética e metabólica, respectivamente. Os seguintes resultados foram verificados: 1) O limiar anaeróbio em velocidade de corrida, correspondente à concentração de lactato sangüíneo de 4 mmol.L-1 foi encontrado aos 268 ± 28 m.min-1 ou 16,1 ± 1,6 km.h-1; 2) a velocidade média e a concentração de lactato máximo nas corridas de 30 m foram 6,9 ± 0,2 m.s-1 e 4,5 ± 1,0 mmol.L-1, respectivamente; 3) a distância total percorrida foi de 10.392 ± 849 m, sendo 5.446 ± 550 m para o primeiro e 4.945 ± 366 m para o segundo tempo, respectivamente; 4) os valores médios encontrados nas concentrações de lactato sangüíneo foram de 1,58 ± 0,37; 4,5 ± 0,42 e 3,46 ± 1,54 mmol.L-1 antes, no intervalo do primeiro para o segundo tempo e ao final da partida, respectivamente e 5) a distância média total atingida ao final das partidas pelos jogadores de meio-de-campo (10.910 ± 121 m) foi ligeiramente maior que a percorrida pelos atacantes (10.377 ± 224 m) e defensores (9.889 ± 102 m), mas não significativa. Houve correlação negativa (r = - 0,84; p < 0,05) entre o limiar anaeróbio (268 ± 28 m.min-1 ou 16,1 ± 1,6 km.h-1) e a concentração de lactato sangüíneo (4,5 ± 0,42 mmol.L-1) no primeiro tempo do jogo. Portanto, os resultados sugerem que a capacidade aeróbia é um determinante importante para suportar a longa duração da partida e recuperar mais rapidamente os futebolistas, dos esforços realizados em alta intensidade, com o desenvolvimento de concentrações de lactato sangüíneo menores ao final do primeiro e segundo tempos das partidas.

Palavras-chave: Jogador de futebol profissional. Limiar anaeróbio. Lactato. Distância percorrida. Medicina esportiva.

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

6 - Equoterapia : equitação que promove a saúde e a educação

José Torquato Severo

Acta Fisiátr. 1997;4(3):146-149

Segundo o Dr. Harold Elrick, conferencista sobre Medicina Preventiva na Harvard Medical School, em Boston, USA, e atualmente Diretor da Foundation for Optimal Health and Longevity, em Bonita, Califórnia: "o exercício está começando, cada vez mais, a ser usado para prevenir e tratar doenças com maior prevalência nos Estados Unidos - doenças coronarianas, doenças vasculares cerebrais, hipertensão arterial, diabete, artrites, osteoporose, dislipidemias, obesidade, depressão, câncer e doenças pulmonares obstrutivas crônicas. Entretanto, os médicos necessitam maior treinamento de como fazer o melhor uso dessa poderosa terapia"1.
Ele também considera que o exercício possa ser um tratamento preventivo para as enfermidades mortais mais freqüentes nos Estados Unidos: doenças cardíacas, câncer, doenças vasculares cerebrais, hipertensão arterial, diabete, osteoporose e doenças pulmonares obstrutivas crônicas, as quais são responsáveis por 70% das mortes, a cada ano, lá (1,5 milhões de pessoas)1.
Mais adiante, Dr. Elrick refere que a recuperação com os exercícios é devido à diminuição de alterações hemorrágicas, à promoção da auto-imagem e da auto-estima, por melhorar o humor, pela melhoria da aparência, por aumentar as energias e provocar um sentimento de bem-estar (possivelmente, por estimular maior ação de endorfinas). Ele reforça outros aspectos e mudanças de estilos de vida, tais como saudáveis hábitos alimentares e abandono do uso do fumo, além de promover o pensamento criativo. Por tudo isso, ele recomenda exercícios aeróbicos tais como: caminhar, correr, andar de bicicleta, nadar ou esquiar, variando as atividades (exemplo: correr, nadar, jogar tênis, em cada dia da semana) de acordo com as preferências individuais1.
O Dr. Elrick ainda diz: "mantenha-se ativo durante o dia", caminhando, não sentando mais do que o necessário, levantando-se e movendo-se por 5 a 10 minutos a cada hora de trabalho sentado ou usando intervalos para caminhar ativamente1.
Outra cientista, Dra. Mona M. Shangold, Diretora do Center for Sports Gynecology and Women's Health, na Filadélfia, USA, afirma que o exercício pode reduzir sintomas imediatos da menopausa e diminuir o risco a longo prazo, de doenças cardiovasculares, osteoporose e obesidade. Ela diz ainda, que os exercícios aeróbicos regulares podem melhorar o humor e diminuir os distúrbios do sono em mulheres que estão na menopausa. Que vários sintomas da menopausa são decorrentes da deficiência endógena de estrogênio, vida sedentária e dieta pobre em cálcio. Ela enfatiza que os exercícios para mulheres, que estão entrando no climatério, podem dramaticamente, melhorar a qualidade de vida delas. E o objetivo a curto prazo da terapia pelo exercício seria minimizar os sintomas da menopausa e a longo prazo, seria tornar a mulher mais independente e auto-suficiente2.

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