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Número atual: Abril 1999 - Volume 6  - Número 1

EDITORIAL

1 - Editorial

Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr. 1999;6(1):0



ARTIGO ORIGINAL

2 - Um estudo sobre a satisfação sexual de pessoas portadoras de lesão medular

Andréa Santarelli Alves; Maria Helena Delanesi Guedes; Vera Lúcia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr. 1999;6(1):6-9

Este trabalho teve como objetivo buscar maiores conhecimentos a respeito da satisfação sexual das pessoas portadoras de lesão medular, cujos resultados poderão contribuir para a atuação profissional na reabilitação sexual. Sendo considerada um problema de saúde coletiva, a lesão medular requer esforços quanto a prevenção e cuidados de reabilitação. Indivíduos portadores de lesão medular podem apresentar distúrbios motores, sensitivos, autonômicos e na esfera emocional, em maior ou menor grau e, assim, a sexualidade, o ato sexual e a função sexual podem sofrer modificações variando a intensidade conforme o caso. Para estudar o assunto, foi realizada uma pesquisa de campo com pessoas portadoras de lesão medular que fazem ou fizeram programa de reabilitação na Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, apresentando os seguintes resultados no tocante à satisfação sexual: 60% relataram estar sexualmente satisfeitas; 25% não souberam opinar e 15% declararam insatisfação. A maioria dos "satisfeitos" já passou pelo processo de reabilitação, enquanto, dentre os "insatisfeitos" e os que "não souberam opinar", a maioria encontra-se em tempo médio de reabilitação (cerca de 1 ano). Foi possível concluir que, assim como a reabilitação física, a reabilitação sexual também é um processo que se compõe de várias fases, podendo conduzir a uma efetiva readaptação sexual, de acordo com a elaboração e a transposição dessas fases.

Palavras-chave: Sexualidade. Lesão medular. Reabilitação.

3 - Tratamento da lombalgia crônica pela inativação de pontosgatilho miofasciais - experiência da Divisão de Medicina Física da FMUSP

Inês Cristina de Mello Lima; Helena Hideko K. Seguchi; Marta Imamura; Elizabete Tsubomi Saito; Clara de Paiva Pinho; Satiko Tomikawa Imamura

Acta Fisiátr. 1999;6(1):10-13

A lombalgia é uma das causas freqüentes de incapacidade. Este estudo apresenta protocolo e avaliação dos resultados dos efeitos terapêuticos, utilizando-se a técnica de injeção do ponto-gatilho de Fischer no tratamento da dor lombar crônica em um grupo de 25 pacientes, 8 homens e 17 mulheres, que não responderam à abordagem convencional. Os resultados mostraram melhora estatisticamente significante na intensidade da dor e algometria. Os autores concluíram que a inativação dos pontosgatilho é uma modalidade terapêutica eficiente no tratamento da lombalgia crônica quando outras falham.

Palavras-chave: Lombalgia. Tratamento. Pontos-gatilho.

4 - Índices de aptidão funcional em jogadores de futebol da Seleção Nacional da Jamaica

Functional aptitude indexes in soccer (football) players of the Jamaican all-star team

Paulo Roberto Santos Silva; Carla Dal Maso Nunes Roxo; Ana Maria Visconti; Alberto Alves de Azevedo Teixeira; Albertina Fontana Rosa; Mauro Theodoro Firmino; Emídio Valenti Tavares; Renê Simões; Alfredo Montesso; Walter Gama; Denise Nichols; José Carlos Simões Monteiro; Jorge Mendes de Sousa

Acta Fisiátr. 1999;6(1):14-20

O principal objetivo deste estudo foi mostrar alguns índices de aptidão funcional, em 24 jogadores de futebol da Seleção Nacional da Jamaica, com média de idade de 23,9 ± 3,7 anos, equipe pré-classificada para a Copa do Mundo da França. Todos os atletas foram submetidos a uma bateria de testes que constou de: 1) avaliação da potência, resistência muscular e índice de fadiga no teste de Wingate, realizado numa bicicleta computadorizada da marca (Cybex), modelo (Bike); 2) teste isocinético computadorizado de membros inferiores no equipamento da marca (Cybex), modelo (1200); 3) avaliação da flexibilidade pelo teste de Wells & Dillon; 4) exames laboratoriais e 5) avaliação odontológica, que foi realizada por meio de exames clínicos num consultório da marca Funk, modelo MLXPlus. Os seguintes parâmetros e os resultados encontrados foram: Wingate: potência pico corrigida pelo peso = 11,8 ± 1,8 w.kg-1; potência média = 9,1 ± 1,2 w.kg-1; índice de fadiga = 46,2 ± 15,2 %; flexibilidade = 19,8 ± 4,6 cm; exames laboratoriais: urina tipo I; fezes; hemoglobina = 14,3 ± 1,0 g%; ferro = 104 ± 29 ng/dl; ferritina = 81,8 ± 41,7 ug/dl; transferrina = 502,5 ± 113,5 ug/dl; hematócrito = 43,5 ± 2,9%; eritrócitos = 4,95 ± 0,40 milhões/m3; glicose = 91,0 ± 8,5 mg/dl; avaliação odontológica: tártaro em 5 (21%); cáries em 24 (100%); gengivites em 10 (42%); endodontia em 3 (12,5%); pulpites em 1 (4%); diastema em 2 (8%); heterotópicos em 13 (54%); extrações realizadas em 14 (58%); extrações não-realizadas em 4 (17%); obturações em 4 (17%); próteses em 16 (67%) e a profilaxia estava sendo feita em 17 (71%) dos atletas examinados; desempenho isocinético: torque de MMII direito a 60º S-1 na extensão = 290,4 ± 95,6 Nm; na flexão = 216,1 ± 31,4 Nm; torque de MMII esquerdo a 60º S-1 na extensão = 291,6 ± 62,5 Nm; na flexão = 205,8 ± 35,8 Nm.
CONCLUSÃO: apesar da falta de estrutura tecnológica do futebol jamaicano, os resultados demonstraram que os índices de aptidão funcional dos futebolistas avaliados, neste estudo, foram semelhantes aos de jogadores verificados em nosso Centro de Medicina Integrada.

Palavras-chave: Jogadores de futebol. Seleção da Jamaica. Flexibilidade. Teste Wingate. Avaliação isocinética. Medicina esportiva.

5 - Adaptação de longo prazo ao treinamento cíclico induzido eletricamente em indivíduos com severa lesão na medula espinhal

Thomas Mohr; Jesper L. Andersen; Fin Biering-Sorensen; Henrik Galbo; Jens Bangsbo; Aase Wagner; Michael Kjaer

Acta Fisiátr. 1999;6(1):21-39

Indivíduos com lesão da medula espinhal (LME) mais freqüentemente adquirem essa condição na juventude e são relegados a uma vida de maior ou menor inatividade física. Em adição às implicações primárias da LME, indivíduos com LME severa são estigmatizados e relegados a uma condição de vida física inativa. É desconhecido se essas condições relatadas são potencialmente reversíveis e o objetivo do presente estudo foi, portanto, examinar os efeitos do exercício em indivíduos com LME. Então, 10 indivíduos (6 com tetraplegia e 4 com paraplegia; idade de 27 a 45 anos; tempo de lesão de 3 a 23 anos) foram treinados por 1 ano em cicloergometria com estimulação elétrica controlada por feedback. Eles treinaram 3 vezes por semana (média 2,3 vezes), 30 minutos em cada sessão. Os músculos glúteos, isquiotibiais e quadríceps foram estimulados por eletrodos colocados na superfície da pele sobre seus pontos motores. Durante o primeiro treino, uma variação substancial na performance foi observada entre os pacientes. A maioria dos indivíduos foi capaz de realizar o exercício por 30 minutos na primeira sessão, mas dois indivíduos foram capazes de realizar o exercício por apenas poucos minutos. Depois do treino de 1 ano, todos os indivíduos foram capazes de realizar 30 minutos contínuos de treino e o trabalho produzido teve aumento de 4 ± 1 (média de "erro-padrão" EP) para 17 ± 2 kJ por sessão de treino (P < 0,05). A taxa de captação máxima de O2 durante o exercício com estimulação elétrica aumentou de 1,20 ± 0,08 l/min, mensurada depois de poucas semanas de exercício, para 1,43 ± 0,09 l/min após 1 ano de treinamento (P < 0,05).
Imagens de corte com ressonância magnética foram feitas na coxa para avaliar a massa muscular, que teve um aumento de 12% (média, P < 0,05) em 1 ano de treinamento.
Em biópsias feitas antes do exercício, vários estados de atrofia foram observados nas fibras musculares dos indivíduos, um fenômeno que foi parcialmente normalizado em todos os pacientes depois do treinamento. É sabido que a distribuição do tipo de fibra no músculo esquelético é alterada para fibras do tipo II B (contração rápida, rapidamente fatigável, glicolíticas) dentro dos primeiros 2 anos após a lesão medular. Nessa avaliação, os músculos continham 63% de miosina de cadeia pesada (MHC) isoforme II B, 33% de MHC isoforme II A (contração rápida e resistentes à fadiga) e menos de 5% de MHC isoforme I (fibras de contração lenta) antes do treinamento. Uma transformação para obterem-se fibras com proteínas contráteis mais resistentes à fadiga foi encontrada após 1 ano de treinamento. A porcentagem de MHC isoforme II A aumentou para 61% do total de proteínas contráteis e houve uma diminuição de 32% nas fibras rapidamente fatigáveis do tipo MHC isoforme II, enquanto as MHC isoformes I somente compunham 7% da quantidade total de MHC. Essa alteração foi acompanhada de um aumento de 100% na atividade enzimática da citrato sintetase, como um indicador da capacidade oxidativa mitocondrial.
Conclui-se que as alterações na performance, nesse exercício e nas características do músculo esquelético, associadas à inatividade que ocorre em indivíduos com LME, são reversíveis, mesmo até 20 anos após a lesão. Sucede que o treino com exercícios induzidos por estimulação elétrica dos músculos paralisados é uma efetiva ferramenta de reabilitação que deveria ser oferecida aos indivíduos com LME no futuro.

Palavras-chave: Lesão na medula espinhal. Tetraplegia. Paraplegia. Estimulação elétrica do músculo. Exercício. Músculo esquelético.

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