ISSN 0104-7795 Versão Impressa
ISSN 2317-0190 Versão Online

Logo do Instituto de Medicina Física e Reabilitação HC FMUSP

Número atual: Agosto 2001 - Volume 8  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Dispositivo para emulação de mouse dedicado a pacientes tetraplégicos ou portadores de doença degenerativa do sistema neuromuscular

André Frotta Müller; Milton Antônio Zaro MA; Danton Pereira da Silva Jr.; Paulo Roberto Stefani Sanches; Elton Luiz Ferlin; Paulo Ricardo Oppermann Thomé; Antônio Cardoso dos Santos; Maria da Graça Tarrago

Acta Fisiátr. 2001;8(2):63-66

O trabalho descreve o desenvolvimento de um dispositivo que emula um mouse serial Microsoft®. Este dispositivo permite ao deficiente físico tetraplégico acessar os recursos de informática em ambiente Windows® 95/98 (ler e editar textos, navegar na Internet e utilizar o correio eletrônico) e auxilia o paciente de doenças degenerativas do sistema neuromuscular, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA), com disartria, a comunicar-se com as pessoas ao seu redor. O movimento do cursor na tela do computador é produzido a partir do movimento de flexão e extensão da cabeça do usuário, sendo utilizado para medir os ângulos de inclinação um sensor de aceleração estática e dinâmica de dois eixos. Para emular o botão do mouse, são captados os sinais EMG (eletromiográficos) produzidos a partir do movimento voluntário dos músculos mímicos da região frontal do usuário. O processamento digital é realizado por um microcontrolador de oito bits e os dados são transmitidos para um computador padrão IBM-PC através da interface RS232C.

Palavras-chave: Quadriplegia. Esclerose lateral amiotrófica. Interface usuário-computador. Disartria.

2 - O significado do discurso de risco na área de reabilitação

Vera Lúcia Rodrigues Alves

Acta Fisiátr. 2001;8(2):67-70

A autora busca neste artigo analisar o discurso e as intervenções governamentais na atenção à pessoa portadora de deficiência. Nesse sentido discute-se o conceito de "risco" no contexto de saúde pública e o seu significado em reabilitação.

Palavras-chave: Risco. Reabilitação. Discurso político. Deficiente.

3 - Avaliação de parâmetros clínicos de pacientes com fibromialgia após 5 anos de evolução.

José Eduardo Martinez; Fellipe Mendes de Oliveira Xavier; Mariana Zacharias André; Marcelo Viceconte Ramalho

Acta Fisiátr. 2001;8(2):71-74

INTRODUÇÃO: Fibromialgia é uma síndrome clínica de causa desconhecida caracterizada por dor difusa e presença de pontos dolorosos musculares à dígito-pressão. Em 1995, foi publicado, por nosso grupo de pesquisa, um estudo clínico mostrando que a fibromialgia causa impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes. Em alguns aspectos, esse impacto é semelhante em intensidade àquele causado pela artrite reumatóide. O objetivo deste estudo é avaliar os mesmos parâmetros utilizados, após 5 anos de evolução.
MÉTODOS: Realizou-se entrevista telefônica que incluía questões sobre a evolução da sintomatologia, escalas analógicas numéricas para dor, fadiga, depressão e ansiedade (0 - 10) e a escala de incapacidade física Health Assessment Questionnaire (HAQ). As pontuações atuais foram comparadas com as do estudo de 1995 por meio do teste de Wilcoxon.
PACIENTES: Estudaram-se 18 mulheres que participaram do estudo de 1995. Todas as pacientes preenchiam os critérios para Classificação de Fibromialgia do American College of Rheumatology (Colégio Americano de Reumatologia) na época do estudo de 1995.
RESULTADOS: Dez pacientes referiram estar melhor; 3, pior; e 5 permaneceram inalteradas. Doze pacientes se mantêm em algum tipo de tratamento e 6 estão sem qualquer tipo de tratamento. As pontuações das escalas aplicadas em 1995 e agora são, respectivamente: Escala Numérica de Dor: 5,72 - 5,77; Escala Numérica Fadiga: 4,66 - 5,70; Escala Numérica de Depressão: 5,50 - 5,22; Escala Numérica de Ansiedade: 6,61 - 3,72; e HAQ: 0,75 - 1,08. A análise estatística mostrou diferença estatisticamente significativa apenas na escala de ansiedade.
CONCLUSÃO: Conclui-se que a fibromialgia tem uma evolução estável nos parâmetros clínicos e de capacidade física estudados neste trabalho. As pontuações de ansiedade melhoraram provavelmente por causa do melhor conhecimento da fibromialgia pelas pacientes.

Palavras-chave: Fibromialgia. Qualidade de vida. Evolução.

ARTIGO DE REVISÃO

4 - Dores na coluna em profissionais de enfermagem

Lucinéa de Pinho; Maralu Gonzaga de Freitas Araújo; Soraya Rocha Goes; Rosana Ferreira Sampaio

Acta Fisiátr. 2001;8(2):75-81

O objetivo desta revisão bibliográfica foi conhecer a organização e o processo de trabalho do pessoal de enfermagem, identificando os principais fatores de risco associados às dores na coluna desses profissionais, além de analisar as propostas de prevenção descritas pelos autores estudados.
Para tanto, foram pesquisadas principalmente publicações de autores brasileiros, considerando a realidade da enfermagem em nosso País.
A caracterização desses profissionais mostrou que a maioria é do sexo feminino, de nível socioeconômico baixo e que trabalha em dupla jornada.
Os fatores de risco associados às dores na coluna mais destacados foram divididos em ergonômicos e traumáticos, e os traumáticos se subdividiram em individuais e profissionais.
Com relação às medidas preventivas, constatou-se que a maioria dos autores prioriza a promoção de cursos de orientações posturais e ergonômicas, além de orientações referentes às atividades físicas.
Por último, é importante ressaltar que a organização e o processo de trabalho desses profissionais, assim como os fatores de risco associados à ocorrência de dores na coluna, foram mais exaustivamente estudados. Quanto às medidas preventivas, seria importante direcioná-las para as diferentes categorias profissionais e setores de trabalho. Considerando o número de casos de dores na coluna entre os profissionais de enfermagem, é importante que outros estudos se aprofundem na prevenção do problema, objetivando, assim, uma melhor qualidade de vida e de trabalho desses profissionais.

Palavras-chave: Dores na coluna. Enfermagem. Fator de risco. Prevenção.

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

5 - O fisiatra trata do quê?

Marcelo Saad

Acta Fisiátr. 2001;8(2):82-83

A Fisiatria é talvez a especialidade médica que mais traga para o centro da atenção a integração biopsicossocial do ser humano. Além de se preocupar com a doença, preocupa-se também com o modo como esta doença impede o indivíduo de ser uma pessoa completa. Talvez a Fisiatria tenha sido uma revolução entre as especialidades médicas. Ela trouxe um conceito tão inovador que, mesmo passadas tantas décadas, ainda tentam delimitar exatamente qual o campo de atuação da Fisiatria. Ela talvez dê oportunidade de se exercer a medicina de uma forma mais espiritualizada. O problema do esclarecimento da população e da classe médica sobre a Fisiatria exige nosso empenho paciente e desprovido de irritação diante da desinformação.

Palavras-chave: Fisiatria. Reabilitação. Especialidades médicas.

Revista Associada

Logo Associação Brasileira de Editores Científicos

©2017 Acta Fisiátrica - Todos os Direitos Reservados

Logo Acta Fisiátrica

Logo GN1