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Número atual: Março 2003 - Volume 10  - Número 1

ARTIGO ORIGINAL

1 - Disfunções músculo-esqueléticas em pacientes com hipotireoidismo subclínico

Skeletal Muscle Dysfunction in Patients with Subclinical Hypothyroidism

Vaneska Spinelli Reuters; Patrícia de Fátima dos Santos Teixeira; Carmen Lucia Natividade de Castro; Cloyra Pereira Almeida; Helena Roisman Cardoso; Igor Mamed Porciúncula; Thais Helena Serta Nobre; Fabíola Alves Aarão Reis; Alexandru Buescu; Mario Vaisman

Acta Fisiátr. 2003;10(1):7-11

Mialgia e fadiga são queixas freqüentes no consultório do Fisiatra e as disfunções tireoideanas, incluindo-se o hipotireoidismo sub-clinico (HS), devem ser sempre consideradas no diagnóstico diferencial. Alterações clínicas e psiquiátricas parecem também estar relacionadas ao HS, no entanto, o tratamento com Levotiroxina, ainda é controverso. O presente trabalho objetiva verificar a presença de alterações músculo-esqueléticas em pacientes com HS.
PACIENTES E MÉTODOS: avaliados 31 pacientes acompanhados no ambulatório de endocrinologia do HUCFFUFRJ (27 mulheres e 2 homens com idade entre 18 e 75 anos) com pelo menos duas dosagens elevadas de TSH. Todos receberam uma pontuação (score) baseada na escala de Billewicz modificada por Zulewski. Foram aplicados testes musculares manuais (TMM) para as cinturas escapular e pelvica; medida a força muscular de quadríceps em dinamômetro de cadeira eletromecânico; e estimada a força dos músculos inspiratórios através do registro da pressão inspiratória máxima com manovacuômetro.
RESULTADOS: Score < 3 (normal) foi observado em 11 pacientes (35,5%); entre 3 e 5 (disfunção subclínica) em 14 (45,1%) e superior a 5 (hipotireoidismo) em 6 (19,4%). Fadiga foi uma queixa freqüente (45%) e apresentou associação positiva com score maior que 2. O comprometimento da força muscular periférica (alteração no TMM) foi encontrado em 14% dos pacientes. Diminuição grave da força inspiratória (< 60% do previsto) estava presente em 28 participantes (51,6%). Nenhuma das demais alterações encontradas mostraram associação com o escore ou níveis de TSH.
DISCUSSÃO: A redução da força muscular inspiratória e proximal pode contribuir para a referida fadiga. A ausência de associação estatística entre essas variáveis deverá ser melhor esclarecida com o aumento da amostra e com a inclusão de um grupo controle pareado além do desenvolvimento de um estudo prospectivo com utilização de levotiroxina e placebo.

Palavras-chave: Disfunção músculo esquelética. Hipotireoidismo. Fadiga.

2 - Estudo comparativo entre os métodos de estimativa visual e goniometria para avaliação das amplitudes de movimento da articulação do ombro

A comparative study between visual estimation and goniometry for the assessment of range of motion of the shoulder joint

Júnia Amorim Andrade; Vilnei Mattioli Leite; Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela; Pola Maria Poli de Araújo; Yara Juliano

Acta Fisiátr. 2003;10(1):12-16

OBJETIVO: comparar a utilização das técnicas de estimativa visual e de goniometria para medidas de amplitudes de movimento (ADM´s) do ombro (elevação, extensão, abdução e rotações externa/interna a 90° de abdução) e indicar o melhor procedimento e referência para medidas das ADM's da articulação do ombro.
MÉTODOS: dois profissionais da área de saúde com diferentes experiências na avaliação de ADM's avaliaram noventa e sete indivíduos normais de ambos os sexos com idade entre 20 a 50 anos, utilizando os métodos de estimativa visual recomendados pela American Academy Orthopaedic Surgeons (AAOS) e o método de goniometria recomendado por Norkin e White (1997). Comparações entre os métodos apresentaram diferenças significativas para todos os movimentos.
CONCLUSÕES: existem diferenças entre os valores das ADM's do ombro avaliadas pelo método de estimativa visual da AAOS e os valores obtidos pela goniometria, sugerindo que a goniometria é até o momento, o melhor método para avaliar diferenças discretas entre as medidas.

Palavras-chave: Avaliação, amplitude de movimento, estimativa visual, goniometria, ombro

3 - Terapia Ocupacional e o uso do computador como recurso terapêutico

Occupational Therapy and the use of the computer as a resource in Rehabilitation

Marli Kiyoko Fujikawa Watanabe; Denise Rodrigues Tsukimoto; Gracinda Rodrigues Tsukimoto

Acta Fisiátr. 2003;10(1):17-20

Atualmente a tecnologia da informática vem se ampliando para diversas áreas de atuação profissional, inclusive para o campo da Terapia Ocupacional, aonde vem sendo aplicada na prática clínica como modalidade de tratamento. Neste artigo tem-se como objetivo apresentar a atuação do terapeuta ocupacional junto a pessoas com lesão cerebral e lesão medular, utilizando o computador e suas ferramentas e aplicações como recurso terapêutico que potencializa o processo de reabilitação de modo geral. Foram selecionados pacientes em programa de reabilitação que apresentavam dificuldades motoras e percepto-cognitivas, que participaram de atendimentos de Terapia Ocupacional com duração de trinta minutos a uma hora, sendo possível avaliar e documentar a evolução dos pacientes através das atividades realizadas no computador e da utilização de softwares, hardwares e adaptações. Foi possível observar que houve aumento da motivação, melhora das habilidades motoras e percepto-cognitivas, repercutindo de forma positiva no processo de reabilitação como um todo.

Palavras-chave: Terapia Ocupacional. Métodos. Reabilitação. Desempenho psicomotor. Software.

4 - O impacto da movimentação passiva contínua no tratamento de pacientes submetidos a artroplastia total de joelho

Impact of continuous passive motion for the treatment of total knee replacement patients

Luci Fuscaldi Teixeira Salmela; Bárbara Gazolla de Macedo; Cristina Mendes de Aguiar; Lenise Aparecida Bahia

Acta Fisiátr. 2003;10(1):21-27

O objetivo desta revisão bibliográfica foi avaliar evidências da eficácia da movimentação passiva contínua para o ganho de amplitude de movimento em pacientes submetidos a artroplastia total de joelho (ATJ). A movimentação passiva contínua (MPC) tem sido empregada no pós-operatório de ATJ com vários objetivos dentre eles, o aumento da amplitude de movimento do joelho, controle da dor e do edema, redução de incidência de trombose venosa profunda e manipulações do joelho. Na metodologia deste estudo foram selecionados somente ensaios clínicos randomizados que abordassem a utilização da MPC no pós-operatório de ATJ. Os resultados desta revisão foram controversos com relação à utilização da MPC, devido a metodologia de intervenção muito variada dos estudos dificultando a análise da eficácia e de evidência científica. Porém, os resultados foram positivos para o ganho da flexão do joelho, a curto prazo, quando a MPC foi aplicada no pós-operatório imediato. Não houve evidência científica quanto ao ganho de extensão do joelho pela MPC. Portanto, se faz necessário uma sistematização da metodologia dos trabalhos de MPC para avaliar a força de evidência científica deste método.

Palavras-chave: Artroplastia do joelho. Reabilitação. Fisioterapia. Terapia passiva contínua de movimento.

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

5 - A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

The International Classification of Functioning , Disability and Health

Cassia Maria Buchalla

Acta Fisiátr. 2003;10(1):29-31

A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) é um novo instrumento da Organização Mundial de Saúde para a mensuração de condições relacionadas à saúde. Aprovada em 2001 é apresentada neste texto que aponta sua estrutura e suas várias utilizações. Constituindo a base para definições, medidas e formulação de políticas para a saúde e para as incapacidades.

Palavras-chave: Classificação Internacional de Funcionalidade. Classificação Internacional de Incapacidades.

RELATO DE CASO

6 - Gasto energético em paciente amputado transtibial com prótese e muletas

Metabolic output in a transtibial amputee using crutches and prosthesis

Alexandra Passos Gaspar; Sheila Jean McNeill Ingham; Therezinha Rosane Chamlian

Acta Fisiátr. 2003;10(1):32-34

Pacientes com amputação transtibial têm um maior gasto energético durante a marcha com a prótese, necessitando consumir 20% a mais de oxigênio quando comparados a indivíduos normais na mesma velocidade relativa. Fisher et al. estudaram o gasto energético em pacientes não amputados em uso de muletas em terreno plano e escadas; concluíram que o volume de oxigênio (VO2) destes indivíduos atingia 40% do máximo esperado para os mesmos e que a freqüência cardíaca chegava à 62% da máxima prevista e portanto, que o uso de muletas em pacientes cardiopatas deveria ser feito com restrições. O gasto energético durante a marcha com muletas axilares é aproximadamente duas vezes maior quando comparada à marcha normal. O objetivo deste trabalho é comparar o gasto energético em pacientes amputados de membro inferior com uso de prótese e muletas. O paciente foi avaliado em relação ao gasto energético com prótese e com muletas axilares através do teste de Shuttle. O instrumento para avaliação foi o K4b2Ò, espiromêtro portátil da Cosmed. Nossos dados mostram que o paciente possui menor gasto energético com a prótese e portanto, percorre uma distância maior do que com as muletas.

Palavras-chave: Amputados. Metabolismo energético. Prótese. Muletas.

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