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Número atual: Dezembro 2003 - Volume 10  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Envelhecimento e participação social

Coming of age and social participation

Mônica Cordeiro de Azevedo; Maria Luísa Barca Gazetta; Arlete Camargo de Melo Salimene

Acta Fisiátr. 2003;10(3):102-106

O presente estudo tem como objetivo conhecer como se processa a participação social dos idosos integrantes do Programa de Atendimento Global na terceira idade da Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo do ano de 2001. Este é um programa terapêutico que objetiva proporcionar ao idoso a melhoria da capacitação física, psicológica e social. Realizou-se pesquisa quantitativa e qualitativa baseada no Instrumento de Avaliação Social, utilizado pelas assistentes sociais da Divisão, sendo pesquisado um total de dezessete pacientes. O grupo é composto predominantemente por mulheres, que associaram os relacionamentos interpessoais à possibilidade de participação social. A vontade de estar se relacionando com outras pessoas é o principal fator que lhes motiva a procurar atividades. Constata-se que os membros deste grupo podem ser considerados participativos socialmente, segundo os conceitos de participação que sugerem ao indivíduo a busca de novas atividades e relacionamentos com a chegada da terceira idade.

Palavras-chave: Idosos. Participação social. Trabalho. Serviço Social

2 - A sexualidade no envelhecer: um estudo com idosos em reabilitação

The Sexuality in aging: a study with elderly under rehabilitation

Renata Maria Ortiz De Silva

Acta Fisiátr. 2003;10(3):107-112

O objetivo deste estudo descritivo foi caracterizar os participantes do Grupo de Educação a Saúde (GES) da Divisão de Medicina de Reabilitação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (DMR-HCFMUSP) quanto à prática de atividade sexual de idosos, identificando as alterações na função sexual e expectativas dos mesmos com relação à sexualidade. Para a coleta de dados utilizou-se instrumento especifico, com três partes, na primeira foram informados dados sócio-demográficos; nas demais partes tanto homens quanto mulheres foram questionados quanto a regiões do corpo onde preferiam a estimulação sexual, a freqüência da atividade sexual e formas de obtenção de prazer. Para os homens foram direcionadas questões específicas sobre ereção, ejaculação. Para mulheres investigou-se a ocorrência de orgasmos e libido, bem como aspectos fisiológicos envolvidos no ato sexual. Nossa amostra foi de 36 pacientes, cuja média de idade era 70 a 75 anos, sendo 31 mulheres (86%). Quanto ao estado civil: 16 eram viúvos (44%) 10 casados (28%); 5 solteiros (14%) e 5 divorciados (14%). Os dados apontam que 12 dos participantes praticam sexo de 0 a 3 vezes por semana.Em relação à freqüência das atividades sexuais 77% participantes julgaram-na satisfatória e 21 afirmaram sentir prazer (81%). A forma de estímulo preferida foi o uso de carícias 10 (56%), seguida por carícias e beijos em 4 (22%) ou masturbação em outros 4 (22%). Como zona erógena, 8 (30%) pessoas mencionam a cabeça, seguida de boca e pescoço 6 (22%), mamilos, peito e genitais 2 (7%). O estudo permitiu a verificação das características peculiares da atividade sexual em idosos, servindo como base para investigações clínicas aprofundadas a partir das quais abordagens mais amplas podem ser implementadas.

Palavras-chave: Sexualidade. Reabilitação. Idosos. Gerontologia

PALAVRA DO EDITOR

3 - Palavra do editor

Marcelo Riberto

Acta Fisiátr. 2003;10(3):113



ARTIGO ESPECIAL

4 - O Envelhecimento

Aging

Cesar Timo-Iaria

Acta Fisiátr. 2003;10(3):114-120

O crescimento da população idosa vem se tornando uma preocupação. Atualmente essa população consegue trabalhar até uma idade avançada, ocupando empregos que poderiam ser de jovens que buscam entrar no mercado de trabalho, em países onde a previdência social é atribuição governamental, os gastos com aposentadoria estão se tornando cada vez mais onerosos para os orçamentos nacionais.
O envelhecimento ou senescência, configura-se como um processo múltiplo e desigual de comprometimento das funções que caracterizam o organismo vivo.
Cada ser vivo dura o suficiente para se reproduzir e ser substituído pela geração subsequente, o que explica que exista uma expectativa de vida média mais ou menos constante em cada espécie biológica. Tudo indica que a ocorrência da senescência resulta de processos presentes no núcleo celular, ligados à produção de certas proteínas como a terminina.
Pesquisas mais recentes apontam também para a relevância da liberação e inativação insuficiente de radicais livres no desencadeamento e progresso da senescência.
Sabe-se que na Grécia antiga a duração média de vida atingiu valores que nos outros locais só se encontrariam no século XX. A longevidade dos gregos antigos ainda é um mistério, o mais provável é que se tratasse de uma característica genética que se diluiu progressivamente pelas conquistas militares gragas.
A longevidade atual deriva sem dúvida nenhuma da conquista da medicina e da educação que possibilitam que o progresso médico se estenda a fração apreciável de suas populações.

Palavras-chave: Envelhecimento. Idoso

PALAVRA DO EDITOR

5 - Palavra do editor

Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr. 2003;10(3):121



ARTIGO ESPECIAL

6 - Fisiologia do sistema nervoso neurovegetativo

José Brenha Ribeiro Sobrinho

Acta Fisiátr. 2003;10(3):122-132

Uma análise das conexões anatômicas e funcionais do sistema neurovegetativo, permite o entendimento de suas relações com os núcleos hipotalamicos e com o sistema imunitário. No presente artigo está descrito o centro neurovegetativo no córtex cerebral com as reações características deste nível - reações neurovegetativas de reforço, de acompanhamento e psíquica. Apresenta-se as áreas diencefálicas, com as conexoões talâmicas, descrevendo as influências provenientes de formação reticular.
As vias e centros neurovegetativos do tronco cerebral, são estudadas a partir dos centros ortossimpático e centros parassimpáticos, relacionando-os com as vias neurovegetativas da medula.
A última parte é dedicada a uma conceituação sobre o sistema neurovegetativo periférico e sua expressão clínica dentro do entendimento dos fenômenos motores e sensitivos do controle medular.
O trabalho é finalizado lembrando a conexão do sistema neurovegetativo com o sistema imunitário.

Palavras-chave: Sistema nervoso autônomo. Regulação do sistema nervoso autônomo. Reações neurovegetativas.

ARTIGO DE REVISÃO

7 - Importância do treinamento de força na reabilitação da função muscular, equilíbrio e mobilidade de idosos

The importance of strength training programs for the rehabilitation of muscle function, equilibrium and mobility of the elderly

Juliana de Castro Faria; Carolina Carla Machala; Rosângela Corrêa Dias; João Marcos Domingues Dias

Acta Fisiátr. 2003;10(3):133-137

Com o processo de envelhecimento ocorrem modificações fisiológicas na função neuro-músculo-esquelética. Associadas a doenças crônico-degenerativas, altamente prevalentes nos idosos, essas modificações poderão levar a déficits de equilíbrio e alterações na marcha que predispõem à ocorrência de quedas, ocasionando graves conseqüências sobre o desempenho funcional e na realização de atividades de vida diária (AVDs). Não é correto atribuir-se a deterioração dessas capacidades como conseqüência inevitável do envelhecimento. Contudo, está claro que muito dessa deterioração pode ser atribuída a níveis reduzidos de atividade física. Isso significa que a implementação de um programa de exercícios, mesmo em idades extremas, é capaz de minimizar ou mesmo evitar o declínio funcional acentuado, amenizando os efeitos das doenças, ou mesmo prevenindo-as. Esta revisão bibliográfica teve como objetivo analisar estudos que estabeleceram correlações entre programas de fortalecimento muscular e o desempenho funcional de idosos no equilíbrio e na marcha. Para tanto, foi feita uma busca na base de dados MEDLINE e LILACS de estudos que se propuseram a estabelecer estas correlações.

Palavras-chave: Idoso. Terapia por Exercício. Treinamento de Força. Equilíbrio. Marcha.

8 - O movimento de passar de sentado para de pé em idosos: implicações para o treinamento funcional

The sit-to-stand movement in elderly people: implications for functional training

Fátima Goulart; Carolina Mitre Chaves; Márcia L. D. Chagas e Vallone; Juliana Azevedo Carvalho; Kátia Regina Saiki

Acta Fisiátr. 2003;10(3):138-143

O movimento de passar de sentado para de pé (ST-DP) é de grande importância no dia a dia das pessoas. Dificuldades na realização deste movimento podem ocorrer no idoso em decorrência de fatores intrínsecos ou extrínsecos, limitando a sua participação em atividades cotidianas. O objetivo da presente revisão foi caracterizar o movimento de ST-DP, identificar as limitações no idoso que interferem na sua habilidade de executar esse movimento e discutir como tais limitações podem ser minimizadas através do tratamento fisioterapêutico. O movimento de ST-DP é gerado por um momento de inércia horizontal e outro vertical e ressalta-se a ativação dos músculos tibial anterior, sóleo, gastrocnêmio, quadríceps, isquiotibiais, glúteo máximo, abdominais, paravertebral lombar, trapézio e esternocleidomastóideo durante a realização do mesmo. Fatores relacionados à dificuldade de passar de ST-DP em idosos incluem fatores fisiológicos, ambientais e a posição inicial de segmentos corporais. O tratamento fisioterapêutico deve abordar o ganho de força muscular, o alongamento da musculatura específica e a manutenção das amplitudes articulares para otimizar a performance desse movimento em idosos. Além disso, a adoção de determinadas medidas como a modificação da altura do assento, a presença de apoio para os braços e o posicionamento adequado dos pés podem facilitar a habilidade do idoso em realizar a tarefa de ST-DP. O treinamento funcional específico pode melhorar a performance motora e promover maior independência em indivíduos nesta faixa etária.

Palavras-chave: Movimento. Idoso. Reabilitação.

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