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Número atual: Agosto 2004 - Volume 11  - Número 2

EDITORIAL

1 - O conhecimento científico

Marcelo Riberto

Acta Fisiátr. 2004;11(2):54



TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

2 - Considerações sobre o processo de Reabilitação

Considerations about the process of Rehabilitation

Livia Borgneth

Acta Fisiátr. 2004;11(2):55-59

Este artigo propõe uma reflexão sobre o conceito do processo de reabilitação que tem por meta final a inclusão social da pessoa portadora de deficiência e a característica de dependência deste tipo de ação ao trabalho em equipe. Defende para reabilitação a atuação em equipe multiprofissional com metodologia interdisciplinar, considerando as vantagens inerentes deste tipo de organização de trabalho para incluir a pessoa portadora de deficiência na sociedade. Entende que toda equipe necessita de coordenação e ressalta a importância do papel do coordenador de equipe e a necessidade de capacitar médicos com a formação adequada para esta função. Discute as funções da equipe de reabilitação, incluindo a realização do diagnóstico funcional e a facilitação da adaptação do paciente e sua família à nova realidade, com a compreensão de suas limitações e potencialidades.

Palavras-chave: Reabilitação, equipe interdisciplinar de saúde, incapacidade

ARTIGO ORIGINAL

3 - Proposta de um método de avaliação quantitativa da postura deitada baseado em fotografia

A proposal of photography-based quantitative evaluation of layed posture

Marcelo Saad; Danilo Masiero; Alexandre Francisco de Lourenço; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr. 2004;11(2):60-66

Atualmente, não são encontráveis referências na literatura em saúde sobre critérios objetivos e práticos para a prescrição e adequação de colchões.
OBJETIVO: propor um método quantitativo de avaliação da postura deitada baseado em fotografia digital e validá-lo.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram avaliados 25 voluntários normais. Os voluntários receberam marcadores adesivos, e colocaram-se em decúbito dorsal e lateral sobre 2 colchões de diferentes densidades. Foram feitas fotografias digitais, que foram analisadas em um programa de computador. Dois observadores obtiveram o valor das inclinações dos segmentos corporais, e estes valores foram comparados aos valores fornecidos por um padrão ouro.
RESULTADOS: A análise dos dados mostrou que a validade, a reprodutibilidade intra-observador, a reprodutibilidade inter-observadores e a responsividade do método proposto foram estatisticamente significantes, com excelentes valores de concordância (acima de 0,9). Houve duas excessões, em situações específicas, que não invalidam o método como um todo.
CONCLUSÃO: O método proposto tem caracterísitcas metodológicas adequadas para ser usado clinicamente e em pesquisa.
RELEVÂNCIA: O sistema descrito pode ser usado em pesquisas futuras sobre o alinhamento da postura deitada a fim de orientar grupos populacionais sobre qual tipo de colchão lhes é mais adequado.

Palavras-chave: biomecânica; postura; colchões

4 - Perfil clínico e demográfico dos pacientes com dor músculo-esquelética crônica acompanhados nos três níveis de atendimento de saúde de Sorocaba.

Clinical and demographical profile of chronic muscleskeletal pain patients assisted at Brazilian Health Public System.

José Eduardo Martinez; Ana Carolina Macedo; Daniel Faria de Campos Pinheiro; Fernando Correa Novato; Caio Marcelo Jorge; Danielle Trevisani Teixeira

Acta Fisiátr. 2004;11(2):67-71

O objetivo desse estudo é determinar o perfil demográfico e clínico dos pacientes dor crônica acompanhados nos três níveis de atendimento público à saúde. Avaliou-se 150 pessoas no Centro de Saúde Escola (CSE) (50), na Policlínica Municipal de Sorocaba (50) e no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) (50). Observou-se forte predominância do sexo feminino nas três unidades avaliadas (CSE - 74%; POLICLÍNICA - 66%; CHS - 80%). Em relação a idade houve um predomínio da faixa acima dos 60 anos no CSE (50%) e da faixa entre 41 e 60 anos na Policlínica (52%) e CHS (50%). Quanto à distribuição articular, houve um predomínio da dor oligoarticular no CSE (60%) e de distribuição poliarticular no CHS (60%). Na Policlínica a maioria das queixas se concentrou na coluna vertebral (52%), No CSE (40%) um maior número de pacientes referiu desconhecer um diagnóstico estabelecido em relação aos pacientes da Policlínica (20%) e do CHS (16%).Observa-se, maior continuidade no tratamento no CHS em relação ao CSE e Policlínica. No CSE 28% dos pacientes referiam manter tratamento contínuo em comparação com 74% na POLICLÍNICA e 92% no CHS. Nas agudizações, os pacientes do CSE tomam remédio por conta própria em sua maioria, enquanto que grande parte dos pacientes da Policlínica e do CHS tomam remédio conforme orientação médica. Concluí - se que as unidades secundárias e terciárias de atendimento público a saúde estão aptas a atender casos de maior complexidade e, portanto, em número insuficiente para atender a demanda.

Palavras-chave: Dor crônica, sistema de saúde/ normas, características clínicas

5 - Validação da Versão Brasileira da Medida de Independência Funcional

Validation of the Brazilian version of Functional Independence Measure

Marcelo Riberto; Margarida H Miyazaki; Sueli S H Jucá; Hatsue Sakamoto; Paulo Potiguara Novazzi Pinto; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr. 2004;11(2):72-76

A versão brasileira de Medida de Independência Funcional (MIF) foi desenvolvida em 2000. Estudos de sua validade ainda são necessários como forma de corroborar seu uso na avaliação da reabilitação de brasileiros incapacitados, uma vez que peculiaridades socioculturais nacionais podem determinar um comportamento diverso dos dados fornecidos pelo instrumento.
OBJETIVOS: O objetivo deste estudo é testar a validade de construto da MIF ao checar a validade convergente em grupos de pacientes com deficiências nas quais se esperam estar presentes graus específicos de incapacidade.
MÉTODO: Prontuários médicos de 150 pacientes com lesão medular (LM) e 103 pacientes com lesões encefálicas (LE) de dois centros de reabilitação da cidade de São Paulo forneceram dados a respeito de características biodemográficas, clínicas e funcionais. O grau de incapacidade foi avaliado pela MIF. Os pacientes com LM foram classificados de acordo com o nível de acometimento medular, como cervicais, torácicos ou lombares e abaixo. Pacientes com LE foram classificados conforme o dimídio mais comprometido como direito, esquerdo ou bilaterais. A sensibilidade da MIF foi testada em 93 pacientes com LE e 59 com LM por meio da comparação dos valores da MIF total, cognitiva e motora de admissão e alta.
RESULTADOS: entre os pacientes com LM pudemos demonstrar uma clara associação entre o nível de incapacidade e a MIF motora (cervical = 34.4 ± 25.2, torácica = 51.6 ± 19.5, lombar = 67.5 ± 18.6; p < 0.001). A MIF cognitiva apresentou um efeito teto entre os pacientes com lesão medular (85% dos pacientes tinham MIFc no valor mais alto possível), por outro lado, entre os pacientes com LE, isso não pode ser observado e houve uma associação entre o valor obtido na MIFc e o lado envolvido, sendo os pacientes com envolvimento do hemicorpo esquerdo aqueles menos dependente em termos cognitivos. Houve mudança estatisticamente significante durante o tratamento, como pode ser observado pela variação da MIFm em pacientes com LM e LE (44.5 ± 24.1x 61.0 ± 23.8; p < 0.001 e 54.1 ± 23.0 x 64.7 ± 21.3; p <0.001). O mesmo pode ser observado em pacientes com LE com comprometimento a esquerda e à direita, mas não quando o comprometimento era bilateral.
CONCLUSÃO: a validade convergente da versão brasileira da MIF pode ser observada para as tarefas motoras tanto em pacientes com LM como LE. A MIFc mostrou-se de pouca utilidade entre os pacientes com LM crônico sob reabilitação ambulatorial, apesar de a associação com melhores performances em pacientes com LE e comprometimento à esquerda também colaborar para a sua validade. A versão brasileira da MIF mostrou-se sensível a alterações e clinicamente útil para a avaliação de resultados de reabilitação em pacientes ambulatoriais subagudos e crônicos no Brasil.

Palavras-chave: validade, sensibilidade, avaliação da incapacidade, medida de independência funcional

ARTIGO DE REVISÃO

6 - Fisiopatologia da fibromialgia

Fibromyalgia physiophology

Marcelo Riberto; Thais Rodrigues Pato

Acta Fisiátr. 2004;11(2):78-81

A fibromialgia é caracterizada por dor crônica, generalizada e pela presença de pontos dolorosos à palpação de regiões específicas do corpo. Estudos concordam quanto à concentração de pacientes na quinta década de vida, associação com o sexo feminino e fatores socioeconômicos como baixos níveis educacionais, baixa renda e estar divorciado. As hipóteses de alterações anatomopatológicas para a fisiopatologia desta síndrome foram descartadas e os achados nesses sentido foram creditados ao sedentarismo. Os mecanismos mais aceitos para o entendimento fisiopatológico da fibromialgia no momento envolvem o desequilíbrio entre a percepção dolorosa e os mecanismos de modulação dessas vias aferentes. Níveis elevados de substância P em líquor e níveis reduzidos de serotonina e seus precursores em líquor, soro e plaquetas são sugestivos desses desequilíbrios, uma vez que a substância P é mediadora das vias aferentes enquanto a serotonina medeia a inibição da dor. Outra explicação para a alteração da atividade da serotonina seria o polimorfismo dos receptores de serotonina, o que pode explicar também o agrupamento familiar desses pacientes. Alterações cerebrais em porções rostrais ao tálamo poderiam ser responsáveis pela percepção elevada de estímulos ambientais, com a conseqüente perversão de informações proprioceptivas, térmicas e táteis ou pressórica em sensações dolorosas. Finalmente, os mecanismos reducionistas de explicação fisiopatológica da fibromialgia não têm encontrado respaldo na literatura e explicações multicausais são as mais aceitas, incluindo os mecanismos psicossociais, que não foram abordados neste artigo.

Palavras-chave: Fibromialgia, fisiopatologia, dor generalizada, inibição da dor, serotonina.

RELATO DE CASO

7 - Reabilitação na hemipelvectomia traumática

Rehabilitation for traumatic hemipelvectomy

Liliana Lourenço Jorge; André Tadeu Sugawara; Chien Hsin Fen; Margarida Sales de Oliveira; André Pedrinelli

Acta Fisiátr. 2004;11(2):82-86

A hemipelvectomia traumática constitui um evento raro, catastrófico, cujos mecanismos de lesão e prognóstico são bem descritos na literatura. O crescente número de acidentes motociclísticos têm elevado a prevalência desta amputação, definindo o grupo de vítimas como jovens do sexo masculino sem comorbidades. Acarreta múltiplas seqüelas físicas, psicológicas e sociais.
Através da reabilitação, o paciente poderá recuperar a independência funcional. A protetização é de grande valia, uma vez que os pacientes são jovens e com prognóstico de marcha.
Neste relato é apresentado o caso de uma vítima de hemipelvectomia traumática do sexo feminino, que se tornou independente para as atividades da vida diária após processo de reabilitação, que incluiu a prótese, com melhora da qualidade de vida observada sob diversos aspectos. A protetização adequada não devolveu à paciente todas as funções perdidas com a amputação, mas se constituiu em um instrumento capaz de melhorarlhe a qualidade de vida.

Palavras-chave: Hemipelvectomia, amputação traumática, qualidade de vida, reabilitação, prótese

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