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Número atual: Agosto 2005 - Volume 12  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Comparação do ganho de flexibilidade isquiotibial com diferentes técnicas de alongamento passivo

Comparison of hamstring flexibility gain with different techniques of static stretching

Cristiane Bonvicine; Claus Gonçalves; Fernando Batigália

Acta Fisiátr. 2005;12(2):43-47

Embora vários estudos tenham investigado os efeitos dos exercícios na amplitude de movimento e rigidez articular, a duração ideal do alongamento ainda não foi determinada. Este estudo objetivou comparar os efeitos de duas diferentes técnicas de alongamento muscular isquiotibial repetitivo passivo quanto ao ganho de amplitude de movimento, durante quatro semanas. Foram estudadas 30 mulheres, voluntárias, de mesma faixa etária, divididas em dois grupos de quinze. Foi realizada a goniometria da flexão de quadril de ambos os membros inferiores das 30 voluntárias. O grupo estudado recebeu uma sessão de alongamento sustentado por 60 segundos no membro inferior direito e 2 sessões de alongamento de 20 segundos, com intervalo de 10 segundos, no membro inferior esquerdo. As outras 15 participantes constituíram o grupo controle e não receberam nenhuma intervenção. A comparação do ganho de alongamento entre os grupos foi realizada pelo teste t de Student (amostras de distribuição normal), teste t para amostras variáveis (amostras de distribuição não normal), e teste t pareado (para a comparação entre as duas sessões de alongamento). O ganho de alongamento no membro inferior direito no grupo tratado foi significativo (p<0.001), assim como o ganho de alongamento no membro inferior esquerdo (p<0.001). A variação da amplitude de movimento no grupo controle não foi significante (p=0,80). O ganho de amplitude de movimento foi maior no membro inferior direito (p=0,001). O ganho de amplitude de movimento para a musculatura isquiotibial mostrou ser maior em sessões de alongamento passivo de uma série de 60 segundos cada.

Palavras-chave: fisioterapia, amplitude de movimento, alongamento, terapia por exercício.

2 - Avaliação dos sintomas de disfunção miccional em crianças e adolescentes com paralisia cerebral

Evaluation of voiding dysfunction symptoms in children and adolescents with cerebral palsy

Cássia Maria Carvalho Abrantes do Amaral; João Tomás de Abreu Carvalhaes

Acta Fisiátr. 2005;12(2):48-53

Avaliar as disfunções do trato urinário inferior (DTUI) em pacientes com paralisia cerebral (PC) e sua relação com variáveis como: diagnóstico neurológico, idade, sexo, realização ou não de pré-natal durante o período gestacional, peso ao nascimento, deambulação, fala, cognitivo, constipação intestinal e história de infecção do trato urinário (ITU), além de verificar, entre os casos estudados, a presença de bexiga neurogênica.
MÉTODOS: Estudo transversal que avaliou 100 pacientes com idade entre 2 e 18 anos completos com diagnóstico de PC que compareceram em consulta pediátrica no ambulatório de pediatria da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), sem deficiência mental (DM) grave através de avaliação psicológica de QI, entrevista pediátrica e estudo urodinâmico.
RESULTADOS: Após a avaliação de 100 casos de PC entre crianças e adolescentes de 2 a 18 anos, foram verificados 30 casos de pacientes com sintomas urinários, 11 destes com quadros urológicos de bexiga neurogênica. Entre as variáveis analisadas, apenas a média de idade (9,35 anos) apresentou relação estatisticamente significativa com a presença de sintomas urinários.
CONCLUSÃO: As crianças e adolescentes com PC apresentaram sintomas de disfunções do trato urinário independente das variáveis analisadas, exceto pela idade, o que pode estar relacionado talvez à menor gravidade de seus quadros de DM e deficiência motora. Entre os pacientes com sintomas urinários, 11 apresentaram estudos urodinâmicos compatíveis com bexiga neurogênica (36,67%). O diagnóstico dos sintomas de disfunção do trato urinário precoce tem como objetivo evitar possíveis alterações do trato urinário superior, além de significar um tratamento preventivo para estes pacientes, proporcionando uma melhora de qualidade de vida e ajudando no processo de sua reabilitação e incorporação à sociedade.

Palavras-chave: Trato Urinário, Paralisia Cerebral, Crianças e Adolescentes, Bexiga Neurogênica, Qualidade de Vida.

3 - Impacto da hospitalização na independência funcional do idoso em tratamento clínico

The impact of hospitalization on functional independence of elderly in clinical units

Kozue Kawasaki; Maria José D'Elboux Diogo

Acta Fisiátr. 2005;12(2):55-60

O objetivo geral deste trabalho foi avaliar a independência funcional de idosos hospitalizados em unidades de clínica médica. O estudo foi realizado em um hospital universitário do município de Campinas, SP, com 28 idosos de ambos os sexos, internados para tratamento clínico, com idade média de 68 anos. Foi utilizado o instrumento de Medida da Independência Funcional (MIF) no momento da internação, durante o período de hospitalização, no momento da alta e um mês após a alta hospitalar. Foi possível observar uma diminuição nos valores da MIF total e seus domínios durante a hospitalização, quando comparado a admissão (média: 109,2±14,0), a alta (média: 97,8±19,4) e um mês após o retorno ao domicílio (média: 114,4±14,1), com diferença significativa (p<0,05)nos valores da MIF da alta hospitalar ao domicílio, e da admissão a alta hospitalar, na MIF total e nos seus domínios. Durante a internação, houve declínio dos escores das tarefas da MIF de autocuidado, de controle da urina, de transferência, de locomoção e de resolução de problemas. Conclusão: os resultados mostraram a ocorrência de declínio da independência funcional durante o período de hospitalização e recuperação funcional após retorno ao domicílio.

Palavras-chave: idoso, hospitalização, independência funcional, medida de independência funcional, atividades de vida diária.

4 - Independência funcional de pacientes com lesão medular

Funcitional Independence of spinal cord injured patients

Marcelo Riberto; Paulo Potiguara Novazzi Pinto; Hatsue Sakamoto; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr. 2005;12(2):61-66

Conhecer a apresentação dos pacientes com lesão medular em termos de independência funcional permite aos serviços de reabilitação estruturarem-se para atenderem às demandas dessa população de forma mais eficiente. Com o objetivo de descrever tal padrão de funcionalidade, 150 relatórios de alta de pacientes com lesão medular de dois centros de reabilitação no período de 2000 a 2003 foram consultados para obtenção de dados clínicos, demográficos e da medida de independência funcional. Homens corresponderam a 72% da amostra, com média de idade de 33,8 ± 14,2 anos, sendo 21,3% dos casos devido a lesões não-traumáticas. Entre as lesões traumáticas, 30,5% em nível cervical, 52,5% torácicas e 17% lombares. O período médio de lesão foi de 22,6 ± 46,7 meses. No início do programa de reabilitação, Escadas (11,2%) e Vestir a metade inferior do corpo (24%) foram as tarefas nas quais menos pacientes apresentavam independência funcional, enquanto Alimentação (68,4%) e Higiene pessoal (51,6%) apresentaram maior independência. O período decorrido desde a instalação da lesão esteve diretamente associado a ao valor da MIF motora no início da reabilitação, confirmando a impressão clinica de que mesmo sem a orientação profissional os pacientes com lesão medular desenvolvem algum grau de independência funcional em virtude das necessidades enfrentadas no dia-a-dia. O atendimento de reabilitação ao paciente com lesão medular deve ser o mais precoce possível a fim de propiciar a aquisição de melhor desempenho em menor tempo e de formas mais apropriadas, pois por vezes a independência atingida faz-se às custas de comprometimento de segurança ou maior custo energético.

Palavras-chave: Lesão medular, incapacidade, independência funcional, reabilitação, atividades de vida diária.

5 - Influência da transferência reto-femoral na excursão dos joelhos em pacientes com paralisia cerebral

The influence of rectus femoris transfer on knee range of motion of cerebral palsy patients

Anny Michelly Paquier Binha; Adriana Rosa Lovisotto Cristante; Gláucia Somensi de Oliveira Alonso; Mauro César Morais Filho; Yara Juliano

Acta Fisiátr. 2005;12(2):67-71

A marcha com o joelho rígido é um padrão comum na paralisia cerebral e a etiologia, em muitos casos, é a espasticidade do músculo reto-femoral. A transferência deste músculo para flexor de joelho tem sido usada como tratamento, porém com resultados variados. Para avaliar a efetividade deste procedimento, vinte e oito pacientes com paralisia cerebral tipo diparesia espástica, submetidos à transferência do reto-femoral, foram estudados retrospectivamente. No subgrupo A (n=16), os pacientes não usavam órteses ou auxiliares para marcha e enquanto que no subgrupo B (n=12) sim. Foi considerado como critério de inclusão a realização da análise computadorizada da marcha antes e após cirurgia. O objetivo foi avaliar o efeito do tratamento no arco de movimento dos joelhos (cinemática) e na qualidade de vida dos pacientes (questionário). Resultados mostraram aumento do arco de movimento dos joelhos para os dois subgrupos (p=0,006 para o A e p=0,045 para B). A avaliação subjetiva (questionário) demonstrou alto nível de satisfação após tratamento apesar dos familiares responderem que quase não houve mudanças nas atividades de vida diária. Os resultados sugerem ser necessário uma investigação adicional para identificar outros fatores que poderiam alterar os resultados e que, um instrumento mais objetivo, como o GMFM é uma opção melhor para avaliação funcional.

Palavras-chave: Paralisia cerebral, análise de marcha, articulação do joelho, amplitude articular, transferência reto-femoral.

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

6 - Identidade, é possível esquecê-la?

Identity, is it possible to forget it?

Sandra Regina Schewinsky

Acta Fisiátr. 2005;12(2):72-76

O presente trabalho tem como objetivo uma reflexão sobre as dificuldades e sofrimentos impingidos à pessoa que apresenta prejuízos de memória, principalmente no tocante a sua identidade, em função de um acometimento mórbido cerebral que acarretou déficits cognitivos, além da instalação da Hemiplegia. Para adentrar este percurso utilizarei o referencial teórico da Psicologia Sócio-Histórica, pois o indivíduo desenvolve-se com suas peculiaridades e singularidades em um processo dialético na interação com o meio e com o outro. Será discutido porque os déficits de memória podem ser tão dramáticos, interferindo na consciência, na atividade, afetividade e identidade da pessoa. Finalmente como o atendimento de reabilitação pode facultar o processo de metamorfose da identidade do paciente.

Palavras-chave: Memória, Identidade, Teoria Sócio-Histórica, Hemiplegia, Reabilitação.

Revista Associada

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