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Número atual: Abril 2006 - Volume 13  - Número 1

ARTIGO DE REVISÃO

1 - Discussão crítica sobre o uso da água como facilitação, resistência ou suporte na hidrocinesioterapia

Discussing about the use of water as facilitation, resistence orsupport in hydrotherapy

Juliana Monteiro Candeloro; Fátima Aparecida Caromano

Acta Fisiátr. 2006;13(1):7-11

A hidrocinesioterapia é um recurso fisioterapêutico que utiliza os efeitos fisiológicos decorrentes da imersão em água aquecida, dentre eles a flutuação e a viscosidade que fazem com que as atividades motoras possam ser facilitadas, resistidas ou ofereçam suporte ao corpo ou seus segmento. Nesta revisão discute-se a prática de atividades motoras nestas três situações, enfocando o decúbito correto a ser utilizado para um determinado objetivo terapêutico e como os equipamentos aquáticos podem oferecer progressão no grau de dificuldade para diferentes atividades motoras.

Palavras-chave: fisioterapia, exercício físico e hidrocinesioterapia.

2 - Tratamento fisioterapêutico do ombro doloroso de pacientes hemiplégicos por acidente vascular encefálico-Revisão da Literatura

Physiotherapy treatment in hemiplegic shoulder pain in stroke patients-Literature Review.

Tatiana Klotz; Heloise Cazangi Borges; Vanessa Costa Monteiro; Therezinha Rosane Chamlian; Danilo Masiero

Acta Fisiátr. 2006;13(1):12-16

O objetivo deste estudo foi revisar na literatura estudos sobre os efeitos dos métodos fisioterapêuticos utilizados para tratar ombro doloroso no paciente hemiplégico após Acidente Vascular Encefálico (AVE). Para a realização dessa revisão bibliográfica, foram utilizados artigos publicados no período de 1997 a 2004 e indexados nas seguintes bases de dados: Medline, Lilacs, Pubmed e Cochrane. Os artigos selecionados incluíam pacientes de qualquer idade com diagnóstico de AVE em fase aguda ou crônica sem histórico de outra patologia precedente ou AVE prévio com déficits persistentes e quadro clínico de ombro doloroso após episódio de injúria cerebral. Dos 66 artigos selecionados, 12 encontravam-se nos critérios de inclusão. Com base na literatura consultada, foi possível sugerir que a estimulação elétrica constitui-se no recurso fisioterapêutico mais estudado e mais promissor no tratamento do ombro doloroso, porém ainda necessitando de pesquisas com melhor qualidade metodológica.

Palavras-chave: acidente cerebrovascular, ombro doloroso hemiplégico, fisioterapia

ARTIGO ORIGINAL

3 - Epidemiologia das lesões esportivas em atletas de basquetebol em cadeira de rodas

Epidemiology of sportive injuries in basketball wheelchair players

Fernanda Moraes Rocco; Elizabete Tsubomi Saito

Acta Fisiátr. 2006;13(1):17-20

A atividade esportiva para os portadores de deficiência física (PPD) foi desenvolvida com o objetivo de ser recreativa e reabilitacional, entretanto, para alguns o esporte desperta uma vocação competitiva. Nesta situação, um número excessivo de treinamentos e competições pode levar a aumento no risco de lesões esportivas, que segundo a literatura é semelhante para atletas com ou sem deficiência.
OBJETIVO: Identificar as lesões esportivas mais freqüentes nos atletas de basquetebol em cadeira de rodas.
CASUÍSTICA E MÉTODO: Foi realizada entrevista dirigida com 26 atletas do sexo masculino de basquetebol em cadeira de rodas, com idade entre 18 a 47anos (média de 27 anos), que participaram de um campeonato de basquetebol em cadeira de rodas em 2003. Foram obtidas informações pessoais dos atletas, etiologia da deficiência física, quanto tempo que pratica o esporte, horas de treino por semana, queixa de dor e quantificação da mesma pela escala verbal analógica, histórico de lesões durante a prática esportiva e tempo de afastamento.
RESULTADOS: Dentre as deficiências físicas apresentadas pelos atletas a lesão medular correspondeu a 42%, seqüela de poliomielite a 31% e amputação de membros inferiores a 27%. O tempo em que praticavam o esporte variou de 2 meses a 13 anos, com média de 6.5 anos. A carga horária de treinamento foi em média 21horas de treino por semana. Nestes atletas observou-se queixa de dor em 54%, sendo em sua maioria em membros superiores (79%). De todos os atletas apenas 6 (23%) nunca tinham apresentado lesão durante jogo ou treinamento. Entre os 11 atletas lesados medulares, 3 (27%) apresentaram afastamento devido à úlcera de pressão (região isquiática, sacra e paravertebral). Dentre as lesões esportivas ocorridas temos que 75% delas foram de forma aguda e 25% por esforço repetitivo.
DISCUSSÃO: Na literatura há muitos estudos que evidenciam uma alta prevalência de

Palavras-chave: esporte adaptado, traumatismos em atletas, úlcera de decúbito, tendinte, dor

4 - Identificação de fatores associados às úlceras por pressão em indivíduos paraplégicos relacionados às atividades de lazer

Identification of factors associated to pressure sores in paraplegic individuals and related to leisure activities

Valéria Barreto Esteves Leite; Ana Cristina Mancussi Faro

Acta Fisiátr. 2006;13(1):21-25

As lesões da medula espinhal trazem como conseqüência o déficit motor e sensitivo, abaixo do nível lesionado além de disfunções vasomotoras e alterações autonômicas, entre outras. A úlcera por pressão (UP) é uma das mais freqüentes e graves conseqüências da lesão medular, ainda observada na maioria dos indivíduos paraplégicos. O objetivo deste estudo foi identificar os fatores associados à úlcera por pressão em indivíduos paraplégicos com lesão nível T6 ou abaixo, relacionados à prevenção de UP e atividades de lazer. A pesquisa foi realizada na triagem de um centro de reabilitação no município de São Paulo, junto a 35 indivíduos paraplégicos. Deste total (35) 90,32% eram do sexo masculino, 22,58% deles com idade maior do que 53 anos, com tempo de paraplegia entre 1 e 3 anos para 45,16 e etiologia traumática da paraplegia para 83,87% dos casos. O uso da televisão e vídeo foi a atividade de lazer mais citada (67,74%). Verificou-se que em 70,0% dos casos as atividades de lazer eram mais passivas e as mais ativas em 18,18%, sendo o aparecimento de UP para mais ativos. Auto-exame de pele e mudança de decúbito as medidas mais citadas. Uma abordagem holística por parte dos profissionais reabilitadores é de fundamental importância para a eficácia da prevenção de UP, sendo a triagem uma oportunidade terapêutica positiva para a prevenção de UP.

Palavras-chave: paraplegia, úlcera por pressão, reabilitação

5 - Evolução da independência funcional de idosos atendidos em programa de assistência domiciliária pela óptica do cuidador

Evolution of the functional independence of elderly patients from a home care service through the point of view of caregivers

Natalia Aquaroni Ricci; Naira Dutra Lemos; Karine Fróes Orrico; Juliana Maria Gazzola

Acta Fisiátr. 2006;13(1):26-31

O conhecimento do desempenho do idoso em suas atividades é de grande importância na assistência domiciliar, pois é o que norteia os profissionais e o cuidador no monitoramento dos cuidados prestados. O objetivo deste estudo foi avaliar a evolução da independência funcional de idosos inclusos em um programa de assistência domiciliária, sob a ótica do cuidador pela Medida de Independência Funcional (MIF), em dois momentos, com intervalo de um ano entre eles. Foi realizado estudo de seguimento, no qual os dados foram obtidos pelos prontuários de 22 pacientes, que continham a avaliação da MIF nos dois momentos estudados (outubro de 2003 e outubro de 2004). Foram excluídos os prontuários que apresentaram mudança de cuidador entre as avaliações, exclusão do programa e óbito. Realizou-se análise descritiva simples e para verificar as diferenças estatísticas o teste t-pareado e teste de Wilcoxon. A associação dos resultados da MIF com as variáveis de gênero, idade e comorbidades dos idosos foram analisadas por meio do test t - pareado e correlação de Pearson. A amostra caracterizou-se por uma maioria feminina, com idade avançada e múltiplas doenças associadas. Não foram encontradas diferenças significantes entre as avaliações, das médias da MIF motor, cognitivo e total, das medianas das seis áreas e das dezoito atividades da MIF. A manutenção na atividade expressão se associou com o gênero feminino, enquanto que a atividade interação social e a área cognição com o número de comorbidades. Observou-se manutenção da independência funcional dos pacientes no período estudado. Os resultados sugerem que no período de um ano os idosos foram capazes de manter ou retardar seu declínio funcional.

Palavras-chave: saúde do idoso, idoso débil, pacientes domiciliares, serviços de assistência domiciliar, medida de independência funcional.

6 - Confiabilidade de dois métodos de avaliação da amplitude de movimento ativa de dorsiflexão do tornozelo em indivíduos saudáveis

Reliability of two evaluation methods of active range of motion in the ankle of healthy individuals

Claudia Venturini; Alex André; Bruna Prates Aguilar; Bruno Giacomelli

Acta Fisiátr. 2006;13(1):39-43

A medida da amplitude do movimento é um importante parâmetro utilizado na avaliação e no acompanhamento fisioterápico. Portanto, a confiabilidade destas medidas e dos instrumentos utilizados para esta finalidade deve ser avaliada.
OBJETIVO: Avaliar e comparar a confiabilidade intra-examinador e interexaminador da medida de amplitude do movimento (ADM) de dorsiflexão ativa do tornozelo utilizando um goniômetro universal e um inclinômetro digital.
MÉTODOS: Dois estudantes avaliaram a amplitude de dorsiflexão de 28 voluntários com idade entre 18 e 30 anos utilizando um inclinômetro digital e um goniômetro universal.
RESULTADOS: Os resultados demonstram média e desvio padrão da amplitude do movimento de 18,1±3,1 e 18,6±3,8 graus para as medidas obtidas pelo goniômetro e inclinômetro, respectivamente. O coeficiente de correlação intraclasse (CCI) encontrado para a condição na mesma sessão para as medidas obtidas com o inclinômetro foi de 0.91 e 0.83, para os examinadores A e B, respectivamente. Já o CCI obtido pelo goniômetro foi de 0.91 e 0.97 para os examinadores A e B, respectivamente. Os resultados da confiabilidade entre as sessões de teste demonstraram confiabilidade moderada para as medidas de goniometria e alta confiabilidade para a inclinometria. Já a confiabilidade interexaminador foi moderada para as medidas obtidas pelo goniômetro e alta para as medidas obtidas pelo inclinômetro.
CONCLUSÃO: Os resultados do presente estudo demonstraram uma maior confiabilidade para as medidas de amplitude de movimento obtidas pelo inclinômetro digital quando comparado com o goniômetro universal, principalmente quando a confiabilidade interexaminador foi avaliada.

Palavras-chave: goniometria, amplitude de movimento, tornozelo, confiabilidade, fisiologia articular.

7 - Análise da durabilidade do efeito do alongamento muscular dos isquiotibiais em duas formas de intervenção

Analysis of durability of hamstring stretching effect in two forms of intervention

Renata Cristina Magalhães Lima; Bruna Ferreira Pessoa; Bruna Letícia Tamietti Martins; Daniela Bicalho Nogueira de Freitas

Acta Fisiátr. 2006;13(1):32-38

Uma das maiores causas de disfunção do movimento é a falta de flexibilidade muscular, podendo interferir na funcionalidade dos indivíduos. Flexibilidade pode ser alterada por meio de alongamento, mas sabe-se que os efeitos do treinamento são, em geral, transitórios - aumentos duráveis resultam de remodelamento adaptativo e não simplesmente de deformação mecânica.
OBJETIVO: Analisar a durabilidade dos efeitos de um programa de alongamento dos isquiotibiais e verificar se há diferença quando associado à esteira elétrica (aquecimento profundo) anteriormente.
MÉTODOS: Treze mulheres e sete homens entre 18 e 39 anos, divididos em dois grupos: alongamento (A) e esteira e alongamento (EA), foram submetidos a seis semanas, cinco vezes/semana, de alongamento estático ativo dos isquiotibiais em quatro séries de 30s e esteira elétrica, somente no EA, antes do alongamento. Foi realizada medida do ângulo poplíteo utilizando-se goniometria no pré e pós-treinamento durante um mês.
RESULTADOS: Os grupos obtiveram ganho significativo (p=0.000), mas não houve diferença significativa entre eles. A diminuição desse ganho em ambos aconteceu a partir do primeiro dia pós-treinamento, retornando à medida inicial em 72 horas.
DISCUSSÃO: Os achados sugerem que os benefícios do treinamento em longo prazo existem, porém, assim que se interrompe, eles vão deixando de existir, e não se pode afirmar se foram devido a um remodelamento adaptativo ou deformação mecânica.
CONCLUSÃO: O ganho obtido foi transitório, mas deve-se considerar que não houve demanda funcional para que ele se mantivesse.

Palavras-chave: alongamento, flexibilidade, treinamento, durabilidade

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