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Número atual: Setembro 2007 - Volume 14  - Número 3

ARTIGO ORIGINAL

1 - Acompanhamento da locomoção de pacientes com mielomeningocele da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) em São Paulo - SP, Brasil

Ambulation follow-up in patients with myelomeningocele treated at the Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) in São Paulo, Brazil

Fernanda Moraes Rocco; Elizabete Tsubomi Saito; Antonio Carlos Fernandes

Acta Fisiátr. 2007;14(3):126-129

INTRODUÇÃO: a Mielomeningocele (MMC) é um tipo de malformação congênita da coluna vertebral e medula espinhal, caracterizada por paraplegia flácida e alteração sensitiva abaixo do nível da lesão, acompanhada de comprometimento neurológico, urológico e ortopédico. Os pacientes podem ser classificados funcionalmente como torácicos (T), lombares altos (LA), lombares baixos (LB) e sacrais (S) ou assimétricos.
OBJETIVO: traçar o perfil dos pacientes atendidos na clínica de MMC da AACD - SP considerando variáveis relacionadas ao padrão de marcha.
MÉTODO: revisão dos prontuários de pacientes atendidos em avaliação inicial durante o ano de 2000, com idade inferior a um ano, e suas evoluções até última consulta na clínica no ano de 2004.
RESULTADO: no total passaram 230 pacientes em avaliação inicial na clínica de MMC da AACD - SP no ano de 2000. Destes, 64 (27%) apresentavam menos de 1 ano de idade na primeira consulta. Destes, 11% não retornaram em consulta médica na clínica após a avaliação inicial, e dois pacientes sabidamente evoluíram para óbito. A média de idade no último retorno na clínica foi de 3,5 anos. Ao analisarmos o nível neurológico no retorno encontramos 43% nível Torácico, 20% nível Lombar alto, 28% nível Lombar baixo, 2% nível Sacral e 6% Assimétrico. Ao analisarmos o padrão de marcha observamos que 57% são não deambuladores, 7% são deambuladores não funcionais, 25% são deambuladores domiciliares e 11% são deambuladores comunitários. Entre todos os pacientes deambuladores a idade de início da marcha foi em média 3 anos. Sabese que pacientes com níveis neurológicos mais baixos tendem a manter a marcha por mais tempo. Como esses pacientes tendem a se tornar menos ativos e perder a marcha com o passar dos anos (devidosobretudo à obesidade e deformidades ortopédicas), é fundamental estudar a idade de aquisição da marcha. Ao analisarmos a presença de deformidades ortopédicas em coluna observamos que 57% não apresentam deformidades, 9% apresentam escoliose toracolombar, 32% apresentam cifose e 1% apresenta hiperlordose. Medula presa ocorreu em 36%.
CONCLUSÃO: os níveis funcionais mais altos estão associados à aquisição mais tardia da marcha, bem como mais deformidades ortopédicas e maior necessidade de meios auxiliares.

Palavras-chave: criança, mielomeningocele, marcha, reabilitação, centros de reabilitação

2 - Perfil dos pacientes com mielomeningocele da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) em São Paulo - SP, Brasil

Profile of the patients with myelomeningocele from the Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) in São Paulo - SP, Brazil

Fernanda Moraes Rocco; Elizabete Tsubomi Saito; Antonio Carlos Fernandes

Acta Fisiátr. 2007;14(3):130-133

INTRODUÇÃO: Dentre os defeitos de fechamento do tubo neural a Mielomeningocele (MMC) é a mais freqüente (85%). A etiologia é desconhecida, mas com características genéticas e ambientais. O diagnóstico pode ser feito no período pré-natal através de ultra-sonografia morfológica. Recomenda-se o fechamento da bolsa nas primeiras horas de vida e derivação ventrículo peritoneal (DVP) precoce.
OBJETIVO: Traçar o perfil dos pacientes atendidos na Clínica de MMC da AACD - SP e pontuar as condições em que estes chegam à instituição objetivando verificar se ocorre o diagnóstico precoce e aprimorar as condutas do tratamento.
MÉTODO: Revisão em prontuários de pacientes atendidos em avaliação inicial na Clínica de MMC da AACD - SP durante o ano de 2000, com idade inferior a um ano. As informações foram obtidas dos prontuários através de um protocolo de pesquisa. Entre as informações colhidas tem-se: dados pessoais, nível neurológico na primeira consulta, diagnóstico pré-natal, idade de fechamento da bolsa, presença ou não de DVP.
RESULTADOS: No total passaram 230 pacientes em avaliação inicial no ano de 2000. Destes, 64 (27%) apresentavam menos de 1 ano de idade na primeira consulta. A média de idade na avaliação inicial para estes pacientes foi de 5 meses. Destes, 44% eram do sexo feminino e 56% do sexo masculino. Em 37% dos pacientes o diagnóstico não foi feito no período pré-natal. Ao analisarmos a idade de fechamento da bolsa temos que em 51% dos pacientes isto ocorreu nas primeiras 24 horas de vida. Somente 17% dos pacientes não tinham sido submetidos à DVP até o momento da avaliação inicial. Ao analisarmos o nível neurológico na avaliação inicial observamos que 35% são do nível Torácico, 29% do nível Lombar Alto, 24% do nível Lombar Baixo, 11% do nível Assimétrico e nenhum paciente de nível sacral.
CONCLUSÃO: Por ser a AACD - SP centro de referência no tratamento de MMC pode ser explicado o fato de recebermos maior número de crianças com níveis funcionais mais altos. É importante tentar estimular tanto a prevenção como o diagnóstico e tratamento precoce desta patologia visando diminuir o impacto que esta causa na sociedade. Foi achado esperado o não diagnóstico ou o diagnóstico tardio de MMC em nosso estudo, pois em nosso país ainda não é realizado de forma rotineira nos postos de saúde o ultra-som morfológico durante o acompanhamento pré-natal da gestante. A sobrevida dos pacientes com MMC tem aumentado devido ao fechamento precoce da bolsa e controle da hidrocefalia com DVP, associado posteriormente ao controle da bexiga neurogênica.

Palavras-chave: criança, mielomeningocele, hidrocefalia, reabilitação, centros de reabilitação

3 - Avaliação do comprometimento neurológico e da prevalência da síndrome do túnel do carpo em pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2

Evaluation of the neurological involvement and prevalence of the carpal tunnel syndrome in patients with type-2 diabetes mellitus

Lucia Helana Camargo Marciano; Vilnei Mattioli Leite; Pola Maria Poli de Araújo; José Antonio Garbino

Acta Fisiátr. 2007;14(3):134-141

OBJETIVO: Determinar a freqüência da síndrome do túnel do carpo (STC) em pacientes diabéticos tipo 2, verificar se está associada com a neuropatia diabética (ND) e identificar formas de evidenciar ambas com o exame dos membros superiores.
MÉTODO: Os pacientes foram submetidos à anamnese, levantamento das queixas, avaliação da sensibilidade tátil e vibratória, estudo da condução nervosa sensitiva e motora (ECSM) e teste de Phalen (TPH). Considerou-se como critério diagnóstico de STC isolada: presença de alterações no ECSM, queixas de parestesias na área do nervo mediano e ausência de alterações sensitivas ou motoras na área do nervo ulnar e nas extremidades inferiores.
RESULTADOS: Entre os 94 pacientes estudados, 60 apresentaram parestesias. O ECSM detectou alteração em 88 pacientes e foi o que apresentou maior sensibilidade. No teste de discriminação de dois pontos estáticos (D2PE) observou-se alteração em 47 pacientes e, com os monofilamentos de Semmes-Weinstein, em 11. Com o bioestesiômetro, detectou-se alteração em 72 pacientes e, com o diapasão, em 4. A positividade do TPH ocorreu em 33 pacientes. Na correlação dos resultados observou-se que 92/94 pacientes apresentaram alteração nervosa, 11 no nervo mediano e 81 combinada nos nervos mediano e ulnar. Somente quatro apresentaram STC sem neuropatia subjacente.
CONCLUSÃO: Os instrumentos mais sensíveis foram o bioestesiômetro e o D2PE. O exame neurofisiológico demonstrou a presença de neuropatia subjacente à STC. Apresentaram critérios clínicos e neurofisiológico para STC 31,91% dos pacientes: 27,66% com sinais de neuropatia subjacente e 4,25% sem neuropatia diabética. Os critérios clínicos devem ser considerados com preponderância sobre os demais testes e o neurofisiológico para se caracterizar a síndrome do carpo no paciente diabético.

Palavras-chave: diabetes mellitus tipo 2, síndrome do túnel carpal, neuropatias diabéticas, condução nervosa

4 - Efeito do movimento passivo contínuo isocinético na hemiplegia espástica

Effect of isokinetic continuous passive mobilization in spastic hemiplegia

Vanessa Pelegrino Minutoli; Marta Delfino; Sérgio Takeshi Tatsukawa de Freitas; Mário Oliveira Lima; Charli Tortoza; Carlos Alberto dos Santos

Acta Fisiátr. 2007;14(3):142-148

O Acidente Vascular Encefálico (AVE), afeta freqüentemente a função do Sistema Nervoso Central (SNC). O objetivo principal da reabilitação física é a restauração da função motora para executar as atividades de vida diária tais como, agarrar, alcançar e realizar movimentos complexos. As funções motoras são dependentes do controle da força muscular que se torna comprometida com os danos do Sistema Nervoso Central e se manifesta com incoordenação, hiperreflexia, espasticidade e fraqueza muscular unilateral. Existem vários métodos para quantificar a espasticidade. Atualmente o dinamômetro isocinético demonstra ser um equipamento mais eficaz, pois favorece a padronização da angulação, velocidade de estiramento e posicionamento, podendo minimizar a subjetividade da avaliação. Desde modo, o objetivo desse trabalho foi analisar o efeito da mobilização passiva continua em duas velocidades (120º/s e 180º/s) em pacientes hemiplégicos com hipertonia espástica. Cinco pacientes entre 40 - 55 anos de ambos os sexos com história de AVE apresentando espasticidade, foram submetidos a mobilização passiva contínua por um dinamômetro isocinético por 30 repetições, em velocidades de 120º/s e 180º/s. Todos apresentaram grau 2 de espasticidade dos músculos extensores do joelho e graus 0, 1 e 1+ dos músculos flexores pela escala modificada de Ashworth. Os resultados mostraram uma redução significativa da resistência passiva a partir da 6ª repetição em ambas as velocidades angulares. Concluiu-se que o movimento passivo continuo realizado no dinamômetro isocinético é uma maneira eficaz para medir e reduzir a espasticidade.

Palavras-chave: acidente cerebrovascular, hemiplegia, espasticidade muscular, reabilitação, dinamômetro de força muscular, atividade motora

5 - Efeito da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) no tratamento de dor póscirúrgica após amputação de membro inferior: estudo piloto

Effect of transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) for the management of postoperative surgical pain after lower extremity amputation: a pilot study

Aleksandar Djurovic; Dejan Ilic, Zorica Brdareski; Aleksandra Plavsic; Slavisa Djurdjevic; Gordana Lukovic

Acta Fisiátr. 2007;14(3):149-153

INTRODUÇÃO: A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) é uma modalidade não-médica e não-invasiva. Há muita controvérsia e atitudes contrárias em relação ao lugar que a TENS ocupa no tratamento da dor após amputação de membro inferior.
OBJETIVO: Avaliar o papel da TENS no tratamento de dor cirúrgica pós-operatória após amputação de membro inferior.
MATERIAL E MÉTODOS: Teste controlado randomizado, conduzido com 46 indivíduos submetidos à amputação de membro inferior, que foram aleatoriamente divididos em grupo controle e grupo tratado. O grupo controle recebeu cuidados-padrão no pós-operatório; o grupo tratado recebeu cuidados-padrão e aplicação de TENS. Quarenta indivíduos completaram efetivamente o estudo de acordo com o protocolo de estudo. A maior parte das amputações consistiu de amputação transtibial devido a complicações da diabete. Foram utilizados cinco dispositivos portáteis Ultima TENS XL-A1 com eletrodos auto-adesivos. Esta é a aplicação convencional da TENS, caracterizada pela aplicação de impulsos elétricos com a duração de 200 microssegundos, freqüência de 110 Hz e amplitude de 44 V. O tratamento foi administrado durante 10 dias, 2 horas por dia. A avaliação da eficácia da TENS foi feita utilizando-se a escala visual analógica (EVA) horizontal (0-100 mm). O teste Effect of transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) for the management of postoperative surgical pain after lower extremity amputation: a pilot study Efeito da estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) no tratamento de dor póscirúrgica após amputação de membro inferior: estudo piloto Aleksandar Djurovic1, Dejan Ilic, Zorica Brdareski1, Aleksandra Plavsic1, Slavisa Djurdjevic, Gordana Lukovic ARTIGO ORIGINAL t de Student foi usado na análise estatística.
RESULTADOS: A intensidade da dor estava significantemente diminuída em ambos os grupos no 10º dia em comparação ao 1º dia de pós-operatório. Não houve diferenças significantes entre o grupo controle (EVA = 4,18±1,48) e o grupo tratado (EVA= 3,59±1,44), de acordo com a intensidade média diária da dor (t = 1,25; df =38). A intensidade da dor no 10º dia de pós-operatório foi significantemente menor no grupo tratado (EVA = 1,65± 0,80 ) versus o grupo controle (EVA = 3,2± 1,15; t = 5; df = 38; p< 0,01 ).
CONCLUSÃO: A TENS convencional (dose: 200 microssegundos, 110 Hz, 44 V), administrada 2 horas por dia, durante 10 dias, significantemente reduziu a dor cirúrgica pós-operatória em 20 indivíduos com amputação de membro inferior.

Palavras-chave: transcutaneous electric nerve stimulation, amputation, pain, postoperative

6 - Hemorragia periventricular, intraventricular e mecanismos associados à lesão em recém-nascidos pré-termos

Intraventricular, periventricular hemorrhage and mechanisms associated to the lesion in preterm newborns

Rodineia da Silva Marinho; Leyne de Andrade Cardoso; Geísa Fernandes Idalgo; Sueli Satie Hamada Jucá

Acta Fisiátr. 2007;14(3):154-158

Este trabalho aborda em seu contexto, a incidência da hemorragia periventricular e intraventricular (HPIV) e mecanismos associados como leucomalácia periventricular (LPV) e hidrocefalia pós-hemorrágica (HPH) em recém-nascidos pré-termos. Os dados da pesquisa foram obtidos no Centro de Reabilitação Umarizal, no período de janeiro de 2004 a julho de 2005 e comparados com a bibliografia de vários autores que descreveram esta incidência. Cada paciente foi analisado, sendo correlacionadas as seguintes variáveis: idade quando realizada a triagem, diagnóstico, idade gestacional, peso ao nascimento, etiologia e sexo. Após o estudo, os resultados foram significativos em algumas variáveis: por ocasião da triagem 46% (13) com idade entre 1 e 2 anos; diagnóstico- HPIV 14% (4); LPV- 46% (13); idade gestacional de 24 a 26 semanas 32% (9); peso ao nascimento entre 2000 a 3000g 36% (10); etiologia 30% (8) com sépse; 75% (21) dos prontuários analisados eram de crianças do sexo masculino. Considerando os dados coletados, é imprescindível que haja a atuação multidisciplinar através de ações preventivas proporcionando uma maior sobrevida ao recém-nascido considerado de risco ou portador de deficiência, com a estimulação adequada prevenindo ou impedindo danos mais graves, possibilitando a criança desenvolver o máximo do seu potencial.

Palavras-chave: hemorragia cerebral, leucomalácia periventricular, hidrocefalia, recém-nascido

7 - Treino de marcha com suporte parcial de peso em esteira ergométrica e estimulação elétrica funcional em hemiparéticos

Bodyweight supported treadmill training associated with functional electrical stimulation in hemiparetic patients

Fernanda Beinotti; Carla Prazeres Fonseca; Maria do Carmo Silva; Maria Izabel Fernandes de Arruda Serra Gaspar; Enio Walker Azevado Cacho; Telma Dagmar Oberg

Acta Fisiátr. 2007;14(3):159-163

INTRODUÇÃO: A perda da habilidade locomotora em indivíduos com Acidente Vascular Encefálico (AVE) tem sido atribuída a hemiparesia, a mais comum causa de comprometimento pós AVE. Novas abordagens, como o treino de marcha utilizando o Suporte Parcial de Peso (SPP) em uma esteira ergométrica associada com a Estimulação Elétrica Funcional (FES) tem sido sugerido como um método de reabilitação da marcha em pacientes hemiparéticos. O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência do treinamento de marcha com SPP em esteira ergométrica associado ao FES em pacientes hemiparéticos.
MÉTODOS: Foram selecionados aleatoriamente 14 sujeitos com hemiparesia decorrente de acidente vascular cerebral. A escala de Desempenho Físico de Fugl-Meyer, a escala de Equilíbrio de Berg, a escala de Categorias de Deambulação Funcional e uma avaliação da cadência foi utilizada como instrumento de medida. Foram realizadas quatro avaliações com os sujeitos da pesquisa, a primeira (controle) realizada antes e a segunda (pré-tratamento) depois do tratamento fisioterápico tradicional, a terceira (pós-tratamento) após o treinamento de marcha com SPP em esteira ergométrica associado ao FES (20 sessões), e há quarta (retenção), trinta dias após o término do tratamento.
RESULTADOS: O treinamento proposto apresentou melhora significativa (p-valor >0,05) na velocidade da marcha, na cadencia, no equilíbrio e no nível de comprometimento motor, mantendo os resultados após 30 dias.
CONCLUSÃO: O treinamento de marcha com SSP em esteira ergométrica associado ao FES é eficaz na reabilitação da marcha em hemiparéticos.

Palavras-chave: acidente cerebrovascular, estimulação elétrica, marcha, teste de esforço

8 - Variação da independência funcional em idosos hospitalizados relacionada a variáveis sociais e de saúde

Variation in functional independence in hospitalized elderly related to social and health variables

Kozue Kawasaki; Maria José D'Elboux Diogo

Acta Fisiátr. 2007;14(3):164-169

O processo de envelhecimento, as doenças crônicas não transmissíveis e as hospitalizações podem causar declínio funcional em idosos. Alguns fatores podem potencializar esse comprometimento funcional como gênero, número de internações, presença de acompanhante e medicações em uso.
OBJETIVO: Identificar a variação da capacidade funcional em idosos no decorrer da hospitalização e relacionar a diferença com variáveis sociais e de saúde.
MÉTODO: Estudo realizado no hospital universitário do município de Campinas, SP, com 28 idosos de ambos os sexos, internados para tratamento clínico, com idade média de 68 anos. Foi aplicado o instrumento de Medida da Independência Funcional (MIF) na internação, durante a hospitalização, na alta e um mês após retorno ao domicílio. Foi calculada a variação dos valores da MIF dos momentos de avaliação, expressados por meio de deltas, e a correlação com as variáveis: gênero, internação anterior, presença de acompanhante e medicações.
RESULTADOS: Houve diferença significativa nos deltas relacionados ao período de alta hospitalar e retorno no domicílio (p=0,0010), e ao período da admissão a alta hospitalar (p<0,0001), na MIF total e nos seus domínios, demonstrando declínio funcional durante o período de hospitalização e recuperação funcional após retorno ao domicílio.O gênero, internações anteriores e presença de acompanhante não influenciaram significativamente a capacidade funcional dos idosos hospitalizados, contudo o aumento do número de medicações prescritas entre a admissão e a alta apresentou uma correlação moderada (r=0,5059) e muito significativa (p=0,0071) com o declínio funcional nesse período.
CONCLUSÃO: Observou-se um declínio funcional nos idosos hospitalizados, sendo mais significativa nos idosos que tiveram aumento no número de medicações prescritas durante a hospitalização.

Palavras-chave: avaliação da deficiência, hospitalização, idoso, qualidade de vida, atividades cotidianas

9 - Elaboração, aplicação e avaliação de um programa de ensino de adaptação ao meio aquático para idosos

Design, application and assessment of an educational pool-therapy adaptation program for the elderly

Juliana Monteiro Candeloro; Fátima Aparecida Caromano

Acta Fisiátr. 2007;14(3):170-175

Este artigo apresenta um programa de ensino, elaborado especificamente para este estudo, com quatro sessões, visando o aprendizado de habilidades que garantam independência motora (adaptação ao meio aquático) durante a imersão para pessoas idosas. A adaptação ao meio aquático é pré-requisito para o desenvolvimento da intervenção hidroterapêutica, devido ao receio apresentado por estas pessoas para a realização de atividades em meio aquático, comum nesta população, quando iniciam atividades de hidroterapia. Foram sujeitos deste estudo 18 mulheres, com idade entre 65 e 70 anos. Avaliou-se o desempenho na realização de dez atividades motoras treinadas com base em um roteiro previamente elaborado e pesquisou-se também a pressão arterial e a freqüência cardíaca, como indicadores do estresse provocado pela realização de atividades na água. A avaliação foi realizada pelo pesquisador e por um observador independente, e foi atribuído as notas 1, 2, e 3 para cada atividade motora. Encontrou-se que, o grupo apresentou 89,7% do aproveitamento esperado, na realização das atividades motoras propostas ao final do programa, associado com diminuição da pressão arterial da primeira para a quarta sessão. Concluiu-se que o programa de ensino de adaptação ao meio aquático proposto foi suficiente para produzir alterações nas repostas motoras dos participantes que apresentaram independência no meio aquático e, para estabilizar os níveis de pressão arterial e freqüência cardíaca.

Palavras-chave: hidroterapia, envelhecimento, educação especial, educação em saúde

ARTIGO DE REVISÃO

10 - Avaliação da função muscular em doença arterial obstrutiva periférica: a utilização da dinamometria isocinética

Assessment of muscular function in peripheral arterial obstructive disease with the use of isokinetic dynamometry

Lucas Caseri Câmara; José Maria Santarém; Nelson Wolosker; Julia Maria D'Andréa Greve; Wilson Jacob Filho

Acta Fisiátr. 2007;14(3):176-180

Indivíduos com doença arterial obstrutiva periférica apresentam perda funcional, principalmente em membros inferiores, gerando prejuízo da capacidade de caminhada. Os testes de caminhada são rotineiramente utilizados para avaliação e seguimento desses pacientes. Em pacientes idosos, com comorbidades e limitações associadas à claudicação intermitente, torna-se difícil a avaliação pela caminhada, principalmente nos casos de doença bilateral com acometimento desigual, onde o membro mais afetado limita a avaliação do menos afetado. A avaliação muscular isocinética é uma metodologia alternativa aos testes de caminhada para avaliar de forma individualizada as perdas funcionais geradas pela doença nos diferentes grupamentos musculares em territórios isquêmicos.

Palavras-chave: doenças vasculares periféricas, fadiga muscular, força muscular

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