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Número atual: Junho 2007 - Volume 14  - Número 2

ARTIGO ORIGINAL

1 - Correlação do perfil de deambulação e velocidade da marcha em um grupo de pacientes hemiplégicos atendidos em um centro de reabilitação

Correlation between the ambulation profile and gait velocity in a group of hemiplegic patients treated at a rehabilitation center

Ana Cristina Franzoi; Nelson Shigueru Kagohara

Acta Fisiátr. 2007;14(2):78-81

INTRODUÇÃO: a marcha de pacientes com hemiplegia é caracterizada por diminuição da velocidade e assimetria, trazendo limitações às atividades e restrições da participação social deste indivíduo. O objetivo deste estudo foi descrever o perfil funcional da deambulação deste grupo de pacientes, correlacionando-o à velocidade da marcha.
MÉTODOS: Foram avaliados 87 pacientes utilizando a Classificação Funcional da Marcha Modificada (CFMM), velocidade da marcha em 10 metros sendo identificada a necessidade de auxílio de terceiros e o uso de transporte público.
ANÁLISE ESTATÍSTICA: descritiva, comparação entre grupos e testes de correlações (p< 0,05). Resultados: 49 homens, idade média 54 anos, tempo médio de lesão 33 meses. Três pacientes realizavam marcha terapêutica, 10 marcha domiciliar, 29 comunitária restrita, 43 comunitária e 2 marcha normal.
EM RELAÇÃO A ASSISTÊNCIA À MARCHA: 38 pacientes necessitavam de auxílio de terceiros ou supervisão, 45 utilizavam transporte público, 59 não utilizavam apoio. A velocidade de marcha foi diferente entre os grupos divididos pelos tipos funcionais de marcha, necessidade de auxílio de terceiros e uso de transporte público, se correlacionando com idade, CFMM, assistência de terceiros e uso de transporte público.
CONCLUSÃO: 85% da amostra realizavam marcha comunitária, mas somente 55% o faziam de maneira independente. Houve correlação entre a velocidade e as categorias funcionais de marcha estudadas, sendo estabelecidos limiares de velocidades de marcha para os diferentes grupos.

Palavras-chave: hemiplegia, marcha, atividades cotidianas, centro de reabilitação

2 - Efeitos da estimulação elétrica funcional (FES) sobre o padrão de marcha de um paciente hemiparético

Effect of Functional Electrical Stimulation (FES) about the gait standard of a hemiparetic patient

Rodrigo Costa Schuster; Cíntia Ribeiro de Sant; Vania Dalbosco

Acta Fisiátr. 2007;14(2):82-86

A doença vascular cerebral resulta da restrição da irrigação sangüínea ao cérebro, gerando lesões celulares e disfunções neurológicas, sejam referentes às funções motora, sensorial e cognitiva da percepção ou da linguagem. A disfunção motora é um dos problemas freqüentemente encontrado no acidente vascular cerebral, que refletirá em uma marcha cujos parâmetros mensuráveis, tais como, velocidade, cadência, simetrias, tempo e comprimento de passo e passada, serão deficitárias. Essas alterações não são apenas devido à fraqueza muscular, mas também a anormalidades complexas no controle motor. Este estudo propôs-se a verificar os efeitos da estimulação elétrica funcional (FES), quantificando força e tônus muscular, amplitude de movimento, parâmetros espaços-temporais da marcha e a pressão plantar antes e após intervenção, em um paciente hemiparético, utilizando a corrente do tipo FES no músculo tibial anterior por 30 min, com largura de pulso de 250 µs, freqüência de 50 Hz, Ton 06s e Toff 12s, num período de 45 dias, três vezes por semana, totalizando 20 sessões. A eletroestimulação foi considerada segura e efetiva no tratamento da atrofia de desuso, além de útil na manutenção da amplitude de movimento, na reeducação muscular evidenciada pela melhora dos parâmetros de marcha e da força muscular.

Palavras-chave: acidente cerebrovascular, estimulação elétrica, hemiparesia, marcha, fisioterapia

3 - Independência funcional em pessoas com lesões encefálicas adquiridas sob reabilitação ambulatorial

Functional independence in individuals with acquired brain injuries submitted to rehabilitation on an outpatient basis

Marcelo Riberto; Margarida Harumi Miyazaki; Sueli Satie Hamada Jucá; Claudete Lourenço; Linamara Rizzo Battistella

Acta Fisiátr. 2007;14(2):87-94

A lesão encefálica adquirida (LEA) pode provocar numa gama variada de deficiências e, questiona-se o resultado da reabilitação ambulatorial quando efetuada num longo período após sua instalação. O objetivo deste estudo foi avaliar os ganhos obtidos pelos pacientes com LEA sob reabilitação ambulatorial. Foram revisados os relatórios de alta de 118 pacientes atendidos na Divisão de Medicina de Reabilitação entre 1999 e 2001, nos quais a funcionalidade é sistematicamente registrada segundo a Medida de Independência Funcional (MIF), no momento da avaliação inicial, retornos médicos e alta. Foram comparados os valores médios de cada um dos itens da MIF no início e final do tratamento. O tempo mediano desde a instalação da lesão foi de 9 meses. Houve aumento da proporção de indivíduos independentes em todas os itens da MIF ao final do tratamento, bem como aumento significativo dos seus valores médios. Os resultados apresentados diferem daqueles observados em outros países nos quais a reabilitação ocorre na fase mais aguda. Isso pode decorrer de abordagens efetuadas antes da chegada do paciente ao centro de reabilitação cujo foco é maior em aspectos da deficiência física, sem levar em conta a importância da independência funcional. Os dados apresentados permitem concluir que, em nosso meio, os pacientes com LEA podem obter ganhos funcionais com a reabilitação, mesmo que ela seja iniciada tardiamente.

Palavras-chave: independência funcional, centros de reabilitação, acidente cerebrovascular, hemiplegia, cuidados ambulatoriais, prognóstico

4 - Medidas clínicas da coxa e da perna por meio de reparos anatômicos e correlação com o comprimento radiográfico em crianças entre 7 a 12 anos da cidade de Londrina/Paraná, Brasil

Clinical assessment of the thigh and leg with the use of anatomic repairs and correlation with the radiographic evaluation in children between 7 and 12 years of age in the city of Londrina, state of Parana, Brazil

Adriana Prueter Pazin, Ellen Mara Canesin Dal Molin, Paulo José Santana, Eden Dal Molin, Danilo Canesin Dal Molin, Roberto Guarniero

Acta Fisiátr. 2007;14(2):95-99

INTRODUÇÃO: Assimetrias de comprimento dos MMII são comuns na população, porém apenas quando maiores que 1,5 cm deixam de ser um problema estético e podem levar a alterações funcionais.
OBJETIVO: Estabelecer uma correlação entre as medidas clínicas e radiográficas da coxa e da perna em crianças entre 7-12 anos, sendo esta obtida através da escanometria.
MATERIAL E MÉTODO: Avaliação prospectiva do comprimento da coxa e perna de 300 crianças entre 7-12 anos, de ambos os sexos, através da medida clínica com fita milimetrada e radiográfica pela escanometria. A correlação entre as medidas foi feita através da regressão linear simples.
RESULTADO E DISCUSSÃO: Através da análise estatística verificou-se que há diferença estatisticamente significativa entre as medidas clínicas e radiográficas de coxa e perna (p<0,05). Por este motivo foi feita a regressão linear simples entre os valores encontrados e verificou-se a existência de correlação entre elas e definiu-se uma equação de correlação. Com base nesta equação é possível que a medida radiográfica seja pressuposta a partir da medida clínica.
CONCLUSÃO: As medidas clínicas e radiográficas são estatisticamente diferentes, porém existe uma correlação entre elas, permitindo que seja estabelecida uma fórmula que possibilita a predição das medidas radiográficas a partir dos valores obtidos clinicamente.

Palavras-chave: extremidade inferior, medidas, criança

5 - Retorno ao trabalho em amputados dos membros inferiores

Return to work in lower limb amputees

Priscila Guarino; Therezinha Rosane Chamlian; Danilo Masiero

Acta Fisiátr. 2007;14(2):100-103

INTRODUÇÃO: A reabilitação de um paciente amputado de membros inferiores tem como metas a aquisição de independência funcional para atividades da vida diária e locomoção e promoção de inclusão social integral. O retorno ao trabalho deve ser incentivado, pois proporciona bem estar, melhora da auto-estima e do convívio social, além de dar mais um sentido a vida.
OBJETIVO: Verificar a situação atual de trabalho e o uso de próteses de membros inferiores em amputados atendidos no Lar Escola São Francisco - Centro de Reabilitação - UNIFESP, São Paulo.
MATERIAL E MÉTODOS: Estudo retrospectivo dos pacientes atendidos de 1999 a 2005, com amputação de membros inferiores, com idade acima de 18 anos, que estivessem trabalhando ou estudando na época da amputação. A amostra foi composta por 78 amputados, 61 homens e 17 mulheres, com média de idade de 46,3 anos. Cinqüenta por cento eram transfemurais e 34,6% transtibiais. A vasculopatia foi a mais prevalente das causas de amputação (62,8%). Cinquenta e um pacientes (65,4%) tinham grau de instrução fundamental. Realizada entrevista, por telefone, no período de dezembro de 2006 e janeiro de 2007.
RESULTADOS: Sessenta e quatro por cento dos pacientes estavam em uso de prótese de membro inferior no momento da entrevista. A taxa de retorno ao trabalho foi de 10,2%, sendo todos para a mesma ocupação pré-amputação.
CONCLUSÃO: Baixa taxa de retorno ao trabalho de amputados de membros inferiores reabilitados com próteses. Alguns fatores, tais como, idade avançada na época da amputação e baixo nível de instrução podem ser responsáveis por estes resultados. Outros estudos precisam ser realizados para melhor análise desta situação.

Palavras-chave: amputação, membros inferiores, trabalho

ARTIGO DE REVISÃO

6 - Teste de força de preensão utilizando o dinamômetro Jamar

Test of grip strength using the Jamar dynamometer

Iêda Maria Figueiredo; Rosana Ferreira Sampaio; Marisa Cota Mancini; Fabiana Caetano Martins Silva; Mariana Angélica Peixoto Souza

Acta Fisiátr. 2007;14(2):104-110

A mensuração da preensão é um importante componente da reabilitação da mão. Os testes de força de preensão são comumente usados para avaliar pacientes com desordens da extremidade superior, antes e após procedimentos terapêuticos. São testes simples de administrar e quando adequadamente realizados, podem fornecer informações objetivas que contribuem para análise da função da mão. Protocolo de teste deve ser desenvolvido e cuidadosamente seguido. Um dos instrumentos reconhecidos na literatura é o dinamômetro Jamar, que tem mostrado bons índices de validade e confiabilidade. Tem sido aceito como um instrumento padrão para mensuração da força de preensão e é muito utilizado na clínica por terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas. Este artigo faz uma revisão sobre alguns aspectos envolvidos na mensuração da força de preensão utilizando o dinamômetro Jamar, tais como, confiabilidade e precisão do instrumento, protocolo sugerido para seu uso, principais aspectos que podem influenciar os resultados, o uso de dados normativos e os fatores que influenciam a força de preensão, incluindo sexo, idade, peso e altura do indivíduo. Recomendações são feitas em relação a estes aspectos para capacitar os clínicos a conduzir adequadamente avaliações de força de preensão.

Palavras-chave: avaliação, membro superior, força da mão, dinamômetro de força muscular

RELATO DE CASO

7 - Proposta de exercícios resistidos para pessoas com esclerose múltipla: um estudo de caso

Proposal of resistance exercise for people with multiple sclerosis: a case study

Otávio Luis Piva da Cunha Furtado; Maria da Consolação Gomes Cunha Fernandes Tavares

Acta Fisiátr. 2007;14(2):111-116

A prática de exercícios resistidos é uma das formas mais comuns de exercitar-se na sociedade contemporânea. Nesse estudo, buscamos sistematizar, propor e aplicar um programa de exercícios resistidos adaptados para um grupo de pessoas com esclerose múltipla (EM). Foram convidadas 80 pessoas com a doença e cadastradas em uma entidade de pessoas com EM da cidade de Campinas e Região. Deficiência e incapacidade neurológica foram determinadas pela Expanded Disability Status Scale (EDSS). Para avaliar a capacidade funcional utilizou-se a Medida de Independência Funcional (MIF), a caminhada cronometrada de 7,62 metros, o Timed "Up and Go" test, Box and Block test, e o teste de alcance funcional. O programa com exercícios resistidos teve duração de 10 semanas consecutivas, com duas sessões semanais. Nove sujeitos apresentaram-se para o estudo, sendo seus resultados divididos em grupo 1 (4 pessoas sedentárias) e grupo 2 (5 pessoas que participavam ou haviam participado regularmente de outros programas com exercícios físicos). Um sujeito do grupo 1 completou o programa com alta taxa de adesão, tendo sua avaliação não apontado alteração nos valores do EDSS e do MIF. Observou-se redução no tempo para execução da caminhada cronometrada de 7,62 metros (-21%) e no Timed "Up and Go" test (-12,8%). Houve melhora na execução do teste Box and Block: membro direito (2,1%) e membro esquerdo (6,7%) e piora no teste de alcance funcional (-7,5%). Os resultados desse estudo estão de acordo com os dados publicados na literatura, destacando a adequação e segurança de um programa com exercícios resistidos para melhora de aspectos funcionais de pessoas com esclerose múltipla.

Palavras-chave: esclerose múltipla, exercício resistido, exercício físico

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