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Número atual: Dezembro 2009 - Volume 16  - Número 4

ARTIGO ORIGINAL

1 - A velocidade média do teste de caminhada incentivada de 6 minutos como determinante da intensidade de treinamento para o recondicionamento físico de pneumopatas crônicos

The average speed from six minutes walk test as a parameter to determine the training load for physical reconditioning of chronic pulmonary disease patients

Pedro Henrique Scheidt Figueiredo; Fernando Silva Guimarães

Acta Fisiátr. 2009;16(4):156-161

O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia de um protocolo de recondicionamento aeróbico para a melhora da capacidade funcional e dispnéia de pacientes pneumopatas crônicos, tendo como referência o teste de caminhada de 6 minutos (6MWD) para determinação da carga de treinamento.
METODOLOGIA: foram selecionados 10 pacientes pneumopatas crônicos (9 M e 1 F) com média de idade de 61,5 ± 10,6 anos, apresentando estabilidade clínica e sem contra-indicações para a prática de exercício aeróbico. O protocolo foi realizado em esteira ergométrica, com freqüência semanal de 3 sessões, durante 8 semanas. A velocidade de caminhada na esteira foi estipulada em 85% da velocidade média obtida no 6MWD. A capacidade funcional e a dispnéia foram avaliadas no inicio e ao término do treinamento. Para análise estatística foram utilizados os testes t-pareado e Wilcoxon, conforme as características das variáveis. As diferenças foram consideradas estatisticamente significativas quando p < 0,05.
RESULTADOS: Foi observada melhora da capacidade funcional através de aumento da distância percorrida no 6MWD (média = 445,7 ± 175 m vs 565,8 ± 174 m; p < 0,01) assim como redução da dispnéia pela MMRC [mediana = 3 (2 - 4) vs 1 (0 - 3); p < 0,05].
CONCLUSÃO: A velocidade média do 6MWD é um parâmetro eficaz para determinação da carga de treinamento em programas de recondicionamento aeróbico para pacientes pneumopatas crônicos.

Palavras-chave: Caminhada, Exercício, Pneumopatias, Dispnéia

2 - Medida de independência funcional em adultos com paralisia cerebral: relação com habilidades cognitivas e perfil comportamental

Functional independence measure in adults with cerebral palsy: relation with cognitive abilities and behavioral profile

Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira; Deisy Ribas Emerich; Priscilla Veloz Cevallos; Milena Luchetta da Costa

Acta Fisiátr. 2009;16(4):162-167

OBJETIVO: identificar relações entre a medida de independência funcional e o perfil comportamental e cognitivo de um grupo de pessoas adultas com Paralisia Cerebral.
MÉTODOS: Dezoito adultos institucionalizados e com diagnóstico de Paralisia Cerebral (12 do sexo masculino e 6 do sexo feminino) e seus respectivos cuidadores participaram do estudo. As técnicas de coleta de dados foram o Teste Não-Verbal de Inteligência (TONI-3), o Inventário de Comportamentos de Adultos de 18 a 59 anos (ABCL) e a Medida de Independência Funcional (MIF).
RESULTADOS: A pontuação total da MIF apresentou correlações negativas com a escala problemas de ansiedade do ABCL (rho= -0,511, p=0,030) e positivas com o TONI-3 (rho=0,540, p=0,021). Algumas alterações de comportamento do ABCL correlacionaram-se negativamente com o TONI-3, por exemplo, escala Problemas de Atenção (rho= -0,459, p=0,056) e a escala de Isolamento (rho= -0,545, p=0,019). A média dos valores de desempenho motor foi de 35,88; 28,5 no desempenho cognitivo e 64,38 na escala total.
CONCLUSÕES: Houve correlação entre problemas de comportamento, medida de independência funcional e habilidades cognitivas. Os resultados servem para orientar os cuidadores e a equipe da instituição no planejamento de programas de reabilitação para os pacientes pesquisados.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Adulto, Cognição, Comportamento

3 - O uso da bandagem elástica Kinesio no controle da sialorréia em crianças com paralisia cerebral

The use of the Kinesio taping method in the control of sialorrhea in children with cerebral palsy

Mariana de Oliveira Ribeiro; Renata de Oliveira Rahal; Andréa Siqueira Kokanj; Daniela Pimenta Bittar

Acta Fisiátr. 2009;16(4):168-172

OBJETIVO: Verificar a eficiência da bandagem elástica Kinesio no controle de deglutição de saliva em crianças com paralisia cerebral.
MATERIAL E MÉTODO: A pesquisa foi realizada no Setor Escolar da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Participaram 42 crianças com idades entre 4 e 15 anos (média = 8 anos e 9 meses), de ambos os sexos, com diagnóstico de paralisia cerebral e queixa de sialorréia. Foi realizado um checklist com os pais da criança com perguntas referentes a sialorréia e posteriormente realizadas duas escalas para pontuação da freqüência e da gravidade dessa. Foram realizadas oito aplicações da Kinesio Tape na musculatura supra-hióidea e então, o checklist e as escalas foram reaplicados.
RESULTADOS: Verificou-se que houve redução estatisticamente significante nos parâmetros utilizados para verificação da sialorréia, sendo eles: número de toalhas utilizadas por dia para secar a baba, pontuação na escala de freqüência e pontuação na escala de gravidade da sialorréia.
CONCLUSÃO: Conclui-se que o método Kinesio Taping é eficaz na melhora do controle de deglutição de saliva em crianças com Paralisia Cerebral.

Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Deglutição, Sialorréia, Bandagens

4 - Prevalência de úlcera por pressão em indivíduos com lesão de medula espinhal e a relação com a capacidade funcional pós-trauma

Prevalence of pressure ulcer in individuals whith spinal cord injury and the relationship whith post-trauma functional capacity

Soraia Assad Nasbine Rabeh; Maria Helena Larcher Caliri; Vanderlei José Haas

Acta Fisiátr. 2009;16(4):173-178

O estudo observacional, transversal, teve por objetivos caracterizar indivíduos adultos que sofreram Lesão de Medula Espinhal (LME) entre janeiro de 2003 a Julho 2006 em hospitais credenciados ao SUS no município de Ribeirão Preto, avaliar a capacidade funcional utilizando a escala Medida de Independência Funcional (MIF), considerando o nível de lesão e identificar a prevalência de úlcera por pressão (UP). Após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa o estudo foi realizado, mediante consentimento dos participantes. As entrevistas e avaliações foram realizadas nos domicílios. Dos 22 individuos, 91% eram do sexo masculino, com predominância na faixa etária de 30 a 39 anos. Acidente de trânsito foi a etiologia principal (50%) da LME, seguida de queda (27,3%). Onze (50%), tiveram lesão cervical, dez (45,5%) lesão torácica e um lesão lombar. Indivíduos com lesão cervical apresentaram escores menores na MIF total e motora, entretanto, a MIF cognitiva atingiu o valor máximo independente do nível da lesão. Nenhum dos indivíduos apresentou grau de dependência completa. Onze (50,0%), apresentaram dependência mínima, 6 (27,3%) dependência máxima e 5 (22,7%) independência moderada ou completa. Os 7 (31,8%) participantes com UP tinham maior dependência funcional. O trauma causou maior impacto no domínio motor com diminuição da capacidade funcional nas diferentes atividades para os indivíduos com lesão cervical. Houve aumento dos escores da MIF com o aumento do tempo pós-lesão, independente da participação em programa de reabilitação. Os resultados apontaram aspectos essenciais para a proposição de programa de reabilitação para esta população no contexto estudado.

Palavras-chave: Traumatismos da Medula Espinal, Úlcera por Pressão, Avaliação da Deficiência, Resultado de Tratamento

5 - A quantificação do trabalho mecânico como recurso de avaliação do controle postural

The quantification of mechanical work as a resource for analysis of postural control

Pedro Cláudio Gonsales de Castro ; Daniel Gustavo Goroso ; Daniel Boari Coelho ; José Augusto Fernandes Lopes ; Maria Cecília dos Santos Moreira

Acta Fisiátr. 2009;16(4):179-185

O estudo tem por objetivo propor dois métodos de cálculo para a quantificação do trabalho mecânico (W) como recurso para análise do controle postural em indivíduos submetidos a perturbações motoras, visuais e/ou que estão em processo de reabilitação física. Neste estudo se aborda a quantificação do W realizado pelo sistema muscular após a extensão do tronco para postura ereta (auto-perturbação) em indivíduos com visão preservada (VP) e privação momentânea da visão (PMV) por meio de dois métodos denominados: i) Trabalho mecânico total (Wtot) e ii) Trabalho mecânico do centro de massa (WCM). A amostra constituiu-se de 10 voluntários saudáveis, do sexo masculino com idades de 25,6 (± 2,2) anos. Foram realizadas cinco tentativas para cada voluntário em ambas as condições. Para coleta dos dados foi utilizado um sistema de imagem para rastreamento optoeletrônico tridimensional, composto de 8 câmeras de vídeo, com freqüência de captação de 200 Hz. Observou-se pela análise de regressão linear que o Wtot e WCM apresentam forte correlação entre as duas condições (r2 = 0,77 para a condição VP e r2 = 0,84 para a condição PMV) e pelo teste t de Student observou-se diferenças estatisticamente significativas (p<0,10) na primeira tentativa entre os voluntários com VP e PMV para o Wtot durante o intervalo pós-perturbação, bem como diferenças no WCM nos intervalos [0,80]ms e [0,100]ms. Concluiu-se que os métodos que calculam o Wtot e o WCM possibilita investigar o controle postural após perturbações motoras e visuais podendo ser utilizado como recurso na reabilitação física.

Palavras-chave: Equilíbrio Postural, Biomecânica, Reabilitação

ARTIGO DE REVISÃO

6 - Antiinflamatórios não-esteroidais e sua farmacologia local

Nonsteroidal antiinflammatory drugs and their local pharmacology

Estela Maris Freitas Muri; Maria Matilde de Mello Sposito; Leonardo Metsavaht

Acta Fisiátr. 2009;16(4):186-190

Os antiinflamatórios não-esteroidais (AINES) são geralmente usados para reduzir a dor e inflamação resultantes de diversos tipos de lesões. Apesar de normalmente serem administrados por via oral, seu uso local tem atraído a atenção de profissionais da área médica e de pesquisadores interessados em comprovar a disponibilidade aumentada desses medicamentos em locais próximos a área lesionada. A presente revisão enfatiza a terapia local, principalmente a via intradérmica, como uma alternativa altamente promissora para a administração de AINES.

Palavras-chave: Farmacologia, Antiinflamatórios não Esteróides, Ferimentos e Lesões/reabilitação

7 - Avaliação da estimulação elétrica no tratamento da disfagia secundário ao acidente vascular encefálico

Assessment of electrical stimulation in the treatment of the dysphagia caused by stroke

Thaís Miranda Curvelo Soares; Tatiana Maíta Alves Conceição; Fabrício Cardoso; Heron Beresford

Acta Fisiátr. 2009;16(4):191-195

A disfagia neurogênica compreende as alterações da deglutição que ocorrem em virtude de uma doença neurológica, com os sintomas e complicações decorrentes do comprometimento sensório-motor dos músculos envolvidos no processo da deglutição. Este tipo de disfagia é particularmente debilitante, podendo levar a morte ou aumento do custo de saúde decorrentes da aspiração traqueal. Esta patologia é comum e consiste numa complicação potencialmente fatal para AVE agudo, ocorrendo em aproximadamente 50% desses pacientes. Dentre os possíveis tratamentos, a estimulação tátiltérmica e biofeedback têm um sucesso freqüente, variando de 0% a 83%. Estudos registram alto sucesso deste tratamento com pacientes que sofreram AVE, o que geralmente não incluem a mais severa forma de disfagia. Já o uso da estimulação elétrica no tratamento da disfagia foi primeiro descrito em 1996 por Freed et al e, posteriormente, por Park et al. O objetivo dessa estimulação elétrica era alcançar um ramo aferente do reflexo da deglutição em pacientes com atraso do início da deglutição. Sendo esta uma alternativa de tratamento ainda pouco explorada, o objetivo desse estudo foi realizar uma revisão bibliográfica sobre a utilização da estimulação elétrica no tratamento da disfagia em pacientes que sofreram acidente vascular encefálico.
CONCLUSÃO: A disfagia neurogência, por estar diretamente associada ao aumento da morbi-mortalidade, necessita da atenção especial dos profissionais da Saúde. Sendo a eletroestimulação uma terapêutica importante a ser explorada já que possui uma eficácia significativa nesta patologia.

Palavras-chave: Estimulação Elétrica, Transtornos de Deglutição, Acidente Vascular Encefálico

RELATO DE CASO

8 - Avaliação isocinética em nadador amputado de membro superior: relato de caso

Isokinetic evaluation in the upper limb amputee swimmer: a case report

Leonardo Luiz Barretti Secchi; Mavi Diehl Muratt; Michele Forgiarini Saccol; Julia Maria D'Andrea Greve

Acta Fisiátr. 2009;16(4):196-199

A natação é um dos principais esportes de estudo, mas a natação em atletas com deficiência física abre um ramo de pesquisa.
OBJETIVO: Analisar através da dinamometria isocinética os grupos musculares: abdutores e adutores, flexores e extensores de ombro de um nadador da elite brasileira com amputação do terço proximal do rádio.
MÉTODOS: Paciente do gênero masculino com 18 anos de idade, sendo, nove deles competindo. Foi avaliado clinicamente e através do questionário funcional DASH e pelo questionário EROE quanto à atividade esportiva. Na avaliação no dinamômetro isocinético Biodex System 3 com o protocolo de 5 repetições a 60º/segundo e 20 repetições a 180º e 240º/segundo quanto aos movimentos abdução/adução e flexão/extensão.
RESULTADOS: Nos questionários não se observou dor ou outra alteração da avaliação clínica. No questionário DASH, o atleta referiu dificuldade grau médio. Seu desempenho na escala EROE foi excelente. Na avaliação isocinética o atleta apresentou diferenças no lado amputado comparado em relação ao sadio.
CONCLUSÃO: A avaliação isocinética é um bom parâmetro para estudo da força mesmo em nadadores com deficiência física, mostrando que estes atletas necessitam de um treinamento específico.

Palavras-chave: Pessoas Portadoras de Deficiências, Amputados, Extremidade Superior, Exercício, Natação

CARTA AO EDITOR

9 - Eletroestimulação neuromuscular na pressão plantar, simetria e funcionalidade de hemiparético

Neuromuscular electrical stimulation on plantar pressure, symmetry and hemiparetic funcionality

Janaine Cunha Polese; Daiane Mazzola; Rodrigo Costa Schuster

Acta Fisiátr. 2009;16(4):200-202

Este estudo objetivou analisar os efeitos da Eletroestimulação Neuromuscular (EENM) na pressão plantar, simetria e funcionalidade de hemiparéticos. Participaram deste pacientes hemiparéticos crônicos, divididos em dois grupos: intervenção, composto por cinco pacientes, que receberam a corrente FES no tibial anterior, três vezes por semana, durante quatro semanas, por trinta minutos; controle, formado por dois pacientes que receberam, pelo mesmo período e no mesmo músculo, a corrente sham (50µs e 150Hz). Os sujeitos realizaram pré e pós tratamento avaliação da pressão plantar através do sistema de baropodometria computadorizada FScan, análise da simetria e avaliação da funcionalidade, através da Medida de Independência Funcional (MIF). A média de idade da amostra estudada foi 58,85 anos, todos com diagnóstico de AVE isquêmico crônico. Em relação à pressão plantar e funcionalidade, não houveram diferenças estatisticamente significativas tanto no grupo FES quanto no grupo sham. Os índices de simetria do grupo intervenção aumentaram 140,58% após o tratamento. Já no grupo sham, esse ganho foi de 57,65%. Através deste constatou-se que a EENM pode influenciar positivamente na simetria de pacientes hemiparéticos crônicos, podendo acarretar uma marcha mais satisfatória.

Palavras-chave: Acidente Cerebral Vascular, Estimulação Elétrica, Paresia, Marcha

TENDÊNCIAS E REFLEXÕES

10 - Controle postural no envelhecimento: um estudo comparativo entre Brasil e Espanha

Postural control in aging: a comparative study among Brazil and Spain

Fábio Marcon Alfieri; Marcelo Riberto; Carla Paschoal Corsi Ribeiro; Maria Àngels Abril Carreres; Linamara Rizzo Battistella; Roser Garreta Figuera

Acta Fisiátr. 2009;16(4):203-205

O envelhecimento traz consigo alterações nos sistemas sensoriais e músculo-esquelético, que juntos alteram o controle postural dos idosos. O objetivo deste estudo foi o de verificar e comparar o controle postural de idosos da cidade de São Paulo - Brasil, com idosos que vivem em Terrassa (Barcelona)- Espanha. Participaram da pesquisa, 36 idosos brasileiros (69,61±5,3 anos) e 33 idosos espanhóis (69,72±4,6 anos) considerados saudáveis, recrutados a partir de dois serviços de reabilitação. Os voluntários realizaram avaliações pertinentes ao controle postural por meio do teste Timed up and go e bateria de testes de Guralnik. Os dados foram analisados por meio do teste t e os resultados mostram que os grupos são semelhantes quanto a idade e a composição corporal, porém o grupo do Brasil apresentou melhores resultados nas duas avaliações realizadas quando comparado com o grupo da Espanha. Concluise que os indivíduos brasileiros deste estudo apresentaram melhor desempenho na realização dos testes sobre controle postural.

Palavras-chave: Equilíbrio Postural, Envelhecimento da População, Grupos Étnicos

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